Trump não sabe nem o nome do país que bombardiou

A posição do Brasil na economia atual, na análise de Edmund Amann

Publicado em 3/3/2017

Edmund Amann, economista e professor de Estudos Brasileiros na Universidade de Leiden, na Holanda, conversa com Renato Galeno sobre o modelo brasileiro de desenvolvimento e as perspectivas para novas reformas diante do atual cenário econômico. O professor da Leiden discute ainda as relações entre Brasil e China, os problemas com a falta de infraestrutura no País e o cenário internacional com a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Fecomercio SP

Os fatores que limitam a economia brasileira, por José Scheinkman

Publicado em: 27/1/2017

Baixa produtividade e eficiência estagnada têm limitado o crescimento econômico brasileiro, segundo a análise do professor emérito da Universidade Columbia, José Alexandre Scheinkman.

Nesta entrevista conduzida por Érica Fraga, o economista defende que a produtividade do agronegócio poderia ser um modelo a ser seguido pelos demais setores. Sua tese tem como base os cases de sucesso da Embrapa, que tornou a agricultura nacional tão competitiva quanto a dos Estados Unidos, por exemplo.

Fecomercio SP

Falta de representatividade e democracia racial e de gênero, por Alexandra Loras

Publicado em: 8/3/2017

Alexandra Loras, mestre em Gestão de Mídia pela Sciences Po, palestrante em raça, gênero e diversidade e ex-consulesa da França, conversa com Sabine Righetti sobre falta de representatividade e a necessidade de revisão do papel da mulher e dos negros na sociedade.

Loras fala ainda sobre a sua experiência no Brasil e a importância da quebra de padrões e estereótipos para atingirmos uma consciência mais humana.

A ex-consulesa discute também a necessidade de entendermos a diversidade como uma riqueza e não uma tragédia, e pontua: “Somos todos responsáveis por reequilibrar o que vamos contar para nossas crianças hoje e amanhã”.

Fecomercio SP

Jan Švejnar discute as melhores formas de intervenção estatal nos mercados emergentes

Publicado em 10/03/2017

Ph.D em Economia, diretor do Centro Global de Governança Econômica da Universidade Columbia e ex-candidato à presidência da República Tcheca, Jan Švejnar conversa com a jornalista Érica Fraga sobre os resultados da intervenção estatal na economia dos mercados emergentes e como encontrar a combinação adequada para extrair os melhores resultados dessa relação. Švejnar discute ainda o potencial econômico do Brasil no cenário global e o que podemos aprender com o modelo europeu em termos de medidas fiscais.

Fecomercio SP

Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras

Publicado em 23/02/2017

Endeavor Brasil

Pepe Escobar: “Trump vs. Estado Profundo: bastidores da rinha”

28/2/2017, SputnikNews (traduzido pelo pessoal da Vila Vudu)

Segundo me diz minha fonte insider, que aqui chamei de “X”, “Flynn foi removido porque estava agitando a favor de um ataque ao Irã, que teria consequências desastrosas. Levaria os iranianos a atacarem suprimentos ocidentais de petróleo no Oriente Médio, o que faria subir o preço do petróleo a mais de $200 o barril, e a União Europeia teria de unir-se ao bloco russo-chinês para conseguir energia suficiente para sobreviver. E os EUA estariam, nesse caso, completamente isolados.”

Quando ainda de serviço como Conselheiro Nacional de Segurança, Flynn, disse publicamente que já pusera o Irã “de sobreaviso”. Para todas as finalidades práticas, virtual declaração de guerra. “X” elabora sobre as ramificações: “A chave aqui é a Turquia, e a Turquia quer acordo com o Irã. O perigo chave para a OTAN é a Turquia, que controla a Sérvia, e Turquia-Sérvia mina a Romênia e a Bulgária, numa manobra de contornar pelo flanco até a parte sul-sudeste da OTAN. A Sérvia ligada à Rússia na 1ª Guerra Mundial, e a Turquia ligada à Alemanha. Tito ligado à Rússia na 2ª Guerra Mundial, e Turquia neutra. Se Turquia, Sérvia, Rússia se unem as três, a OTAN estará deixada de fora e para trás. Rússia está ligada ao Irã. Turquia está ligando-se à Rússia e ao Irã, depois do que, como Erdogan vê as coisas, foi tentativa fracassada de golpe da CIA contra ele. E tudo isso é muito mais do que Flynn conseguiria operar simultaneamente.”

“X” insiste que a abertura que o governo Obama construiu na direção do Irã, e que levou ao acordo nuclear, foi, na essência, uma tática para enfraquecer a Gazprom russa – assumindo que um gasoduto Irã-Iraque seria construído diretamente até a Turquia e dali conectado com mercados da União Europeia.

Mas esse grande gambito no Oleogasodutostão exigiria investimento maior e anos até ser completado. Paralelamente, desde o início Teerã aumentou suas vendas de energia para vizinhos eurasianos, especialmente para a China. O objetivo só pode ter sido fazer subir a “tensão” EUA-Irã. Flynn pode ter-se metido em águas “nas quais não tinha pé”, nas palavras de “X”, no que tenha a ver com como se movimentar sobre o hipercomplexo tabuleiro de xadrez do Sudoeste Asiático.

“X”, contra um consenso virtual em todo o Departamento de Estado, insiste que “a reaproximação com a Rússia não dependia de Flynn. Depende dos que supervisionam Trump, e esses o põem lá para a finalidade de criar uma deriva de aproximação na direção da Rússia. O conflito no estado profundo é irrelevante. Todos ali são profissionais que sabem como e quando mudar de política. Mantêm-se de olho aberto sobre todos que ocupam altas posições e pode destruí-los todos à vontade. Flynn meteu-se no caminho deles e já foi expelido.”

“X” revela outra vez o que enlouquece o Pentágono, em tudo que tenha a ver com a Rússia: “A Rússia não é ameaça econômica aos EUA. A base da manufatura russa está centrada na produção militar. Desenvolveu-se desde o bombardeio de Belgrado [final dos anos 1990s] e é hoje a maior potência militar mundial em termos de autodefesa. Os mísseis de defesa russos realmente vedam o respectivo espaço aéreo; e os mísseis balísticos intercontinentais russos são os mais avançados do mundo. O míssil de defesa norte-americano recentemente testado e localizado na Romênia é praticamente imprestável, apesar do ‘sucesso’ inventado para consumo na Europa e para manter unida a OTAN. A Rússia é aliada natural dos EUA. Os EUA tomarão o rumo da Rússia, e a saída de Rússia é relativamente sem significado, exceto pelo que valha como entretenimento.”

Golpe para tirar Trump

Agora comparem essa análise com a ‘boataria’ que a CIA fez circular servindo-se de seus estenógrafos em toda a mídia-empresa nos EUA, e que só falam de uma batalha interna terrível que estaria em curso dentro do governo Trump. Houve realmente uma batalha, e a inteligência dos EUA adorou poder ajudar, porque aquela gente jamais gostou de Flynn, e vice-versa.

Acrescentem àquela inteligência-polvo os obamistas, como aquele patético ex-conselheiro Ben Rhodes mais sortimento variado de operadores do estado profundo, aposentados ou outros. A coisa vai ficando cada vez mais estranha, quando até o neoconservador Michael Ledeen, coautor com Flynn do livro islamófobo The Field of Fight, lamenta que seu assassinato político tenha sido levado a cabo por “uma quadrilha de funcionários da CIA e obamistas, mancomunados com aliados na mídia-empresa.”

Para todas as finalidades práticas, as mais poderosas facções estado-profundo-neoconservador/neoliberais conservadores realmente lançaram operação clandestina para tirar Flynn e continuar avançando para, eventualmente, tirar Trump – seguindo cada possível via de impeachment que haja pelo caminho. Seja qual for a estratégia profunda dos verdadeiros Masters of the Universe como “X” a detalhou, Trump realmente está diante de um formidável eixo de neoconservadores/neoliberais conservadores, com a CIA, a mídia-empresa neoliberal, da CNN ao Washington Post, e a máquina dos Clintons, ainda operante.

O que realmente mudaria profundamente o jogo – um verdadeiro reset com a Rússia – pode estar visivelmente já sob risco, apesar da análise que “X” oferece. Ou, o que é ainda mais atraente, podemos estar bem no meio de um espetáculo muito sofisticado do teatro de sombras wayang –, dado que os Masters, como Kissinger prescreveu, planejam, na verdade, alinhar-se com a Rússia para desafiar e quebrar a integração da Eurásia, que vai sendo levada adiante, essencialmente, pela parceria estratégica Rússia-China-Irã.

Entrementes, surgem distrações sujas, como aquela dupla de senadores senis, fantasmagóricos, McCain-Graham, a empurrar Kiev, como se viu no início do ano, para a guerra contra a República Popular de Donetsk – ao mesmo tempo em que berram para a arquibancada que a culpa ‘é’ do presidente Putin.

O tenente-general HR McMaster em pessoa, novo Conselheiro de Segurança Nacional, pode ser distração tática implantada espertamente pela Equipe Trump. McMaster é o status quo do estado profundo politicamente correto; para ele, Rússia é “um adversário”, seguidor empenhado da doutrina do Pentágono que vê a Rússia como “ameaça existencial” em pés de igualdade com a China.

Assim sendo, é ainda cedo demais para dar Trump por derrubado pelos neoconservadores. Estamos no meio de uma rinha fratricida, doentia, viciosa –, estado profundo versus elites norte-americanas. Coisa amplamente previsível, mesmo antes de conhecido o resultado final das eleições presidenciais nos EUA.

“X” parece acertar fundamentalmente, ao insistir em que Trump foi apoiado pelos Masters of the Universe para reorientar/reorganizar/reimpulsionar todo o projeto do Império do Caos. O aumento de $54 bilhões no gasto dos militares é movimento longamente planejado. “T. Rex” Tillerson, silenciosamente, já dizimou metade de todo o pessoal do Departamento de Estado de Obama; drenagem do pântano, no coração da matéria. O Big Oil e setor substancial do complexo industrial-militar apoiam Trump firmemente. Esses interesses já sabem que demonizar a Rússia é péssimo para os negócios.

Mas o eixo dos perdedores continuará a criar cada vez mais agitação, ao mesmo tempo em que o caos atual vai-se desenvolvendo como teatro de sombras turbinado. Steve Maquiavel/Richelieu Bannon pode ter entregado o jogo – em código – quando diz que se trata de processo de destruição criativa que leva a uma forma completamente nova para a estrutura de poder nos EUA. Nessas circunstâncias, Flynn não passou de peão descartável. E que ninguém se engane: o obstinado neo-Maquiavel e seu Príncipe platinado, estão firmemente empenhados no longo jogo.