Discurso do presidente Xi Jinping, da China, na 75ª Sessão da Assembleia Geral da ONU


 

Xi Jinping diz na ONU que China não quer 'guerra fria ou quente' com nenhum  país | Mundo | G1


23/9/2020, CGTN, China (trad. automática, revista)

Senhor Presidente,
Colegas,


Este ano marca o 75º aniversário da vitória na Guerra Mundial Antifascista e da fundação da Organização das Nações Unidas.

Ontem, participamos de reunião de alto nível para comemorar o 75º aniversário da ONU. Foi reunião significativa, pois reafirmou nosso compromisso permanente com os propósitos e princípios da Carta da ONU com base na revisão da experiência histórica e das lições da Guerra Mundial Antifascista.


Senhor presidente,

A humanidade está em combate contra o COVID-19, vírus que devastou o mundo e continua ressurgindo. Nessa luta, testemunhamos os esforços dos governos, a dedicação dos profissionais da área médica, a exploração dos cientistas e a perseverança do povo. Pessoas de diferentes países se reuniram. Com coragem, empenho e compaixão que iluminaram a escuridão dessas horas, enfrentamos o desastre cara a cara. O vírus será derrotado. A humanidade vencerá esta batalha!

– Diante do vírus, devemos considerar em primeiro lugar as pessoas e a vida. Devemos mobilizar todos os recursos para dar uma resposta científica e focada. Nenhum caso deve ser esquecido, nenhum paciente deve ser deixado sem tratamento. A propagação do vírus tem de ser contida.

– Diante do vírus, devemos fortalecer a solidariedade e atravessar juntos essa provação. Devemos nos orientar pela ciência, fazer com que a Organização Mundial da Saúde desempenhe plenamente seu papel de liderança, e oferecer resposta internacional conjunta para vencer esta pandemia.

Devemos rejeitar qualquer tentativa de politizar a questão ou estigmatizar o combate à pandemia.

– Diante do vírus, devemos adotar medidas de controle abrangentes e de longo prazo.

Devemos reabrir as empresas e as escolas de forma ordenada, de modo a criar empregos, dinamizar a economia e restaurar a ordem e a vitalidade econômica e social. As principais economias precisam intensificar a coordenação de políticas macro.

Devemos não apenas reiniciar nossas próprias economias, mas também contribuir para a recuperação global.

– Diante do vírus, devemos manifestar interesse e preocupação pelas necessidades dos países em desenvolvimento, e considerar especialmente as necessidades dos países africanos. A comunidade internacional tem de tomar medidas oportunas e robustas, em áreas como alívio da dívida e assistência internacional; garantir a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e ajudar esses países a superar suas dificuldades.

Há 75 anos, a China fez contribuições históricas para vencer a Guerra Mundial Antifascista e apoiou a fundação das Nações Unidas. Hoje, com o mesmo senso de responsabilidade, a China está ativamente envolvida na luta internacional contra a COVID-19, contribuindo com sua parcela para a defesa da segurança da saúde pública global.

Continuaremos a compartilhar com outros países nossas práticas de controle de epidemia, bem como diagnósticos e terapêuticas, a fornecer apoio e assistência aos países necessitados, a garantir cadeias de suprimento globais estáveis para itens necessários na luta dos países contra a pandemia, e a participar ativamente na pesquisa global para rastrear a origem e rotas de transmissão do vírus.

No momento, várias vacinas COVID-19 desenvolvidas pela China estão em testes clínicos de Fase III. Quando estiverem prontas e disponíveis para uso, essas vacinas se tornarão um bem público global e serão fornecidas, prioritariamente a outros países em desenvolvimento.

A China honrará seu compromisso de fornecer US $ 2 bilhões em assistência internacional em dois anos, além de maior cooperação internacional em áreas como agricultura, redução da pobreza, educação, mulheres e crianças e mudança climática, e apoio a outros países na restauração do desenvolvimento econômico e social.

Senhor presidente,

A história do desenvolvimento da sociedade humana é a história de nossas lutas contra todos os desafios e dificuldades, e de nossas vitórias. Atualmente, o mundo luta contra a pandemia COVID-19 e passa por profundas mudanças, nunca vistas em um século.

Mas a busca da paz e do desenvolvimento continua como tendência subjacente. Em todos os lugares, as pessoas anseiam ainda mais fortemente pela paz, pelo desenvolvimento e pela cooperação ganha-ganha. A pandemia do COVID-19 não será a última crise que a humanidade enfrentará. Por isso devemos dar as mãos e estar preparados para enfrentar desafios ainda mais globais.

Primeiro, a pandemia de COVID-19 nos lembra que vivemos em uma aldeia global interconectada, na qual partilhamos riscos comuns. Todos os países estão intimamente conectados e partilhamos futuro comum. Nenhum país pode ganhar com as dificuldades dos outros ou manter a estabilidade tirando vantagem dos problemas dos outros.

Seguir uma política de empobrecer o vizinho ou de só observar de uma distância segura quando os outros estão em perigo acabará impondo a todos o mesmo perigo.

Por isso devemos abraçar a visão de uma comunidade de futuro compartilhado, no qual todos estejam unidos.

Devemos rejeitar tentativas de construir blocos para manter uns fora e outros dentro. Devemos nos opor a qualquer abordagem em que o vencedor ganhe tudo, só ele.

Devemos nos ver como membros da mesma grande família, buscar a cooperação ganha-ganha e superar as disputas ideológicas

Devemos cuidar de não nos deixar prender na armadilha do “choque de civilizações”.

Ainda mais importante, devemos respeitar a escolha independente de cada país, quanto ao caminho e modelo de desenvolvimento. O mundo é diversificado por natureza e devemos transformar essa diversidade em fonte constante de inspiração para o avanço humano.

Assim garantiremos que as civilizações humanas permaneçam coloridas e diversas.

Em segundo lugar, a COVID-19 nos lembra que a globalização econômica é realidade indiscutível e tendência histórica. Enterrar a cabeça na areia como avestruz, para não ver a globalização econômica ou tentar combatê-la com a lança de Dom Quixote caminha contra a tendência da história.

Que fique claro: o mundo nunca mais voltará ao isolamento. Ninguém pode cortar os laços entre os países.

Não devemos nos esquivar dos desafios da globalização econômica. Em vez disso, devemos enfrentar questões importantes, como a disparidade de riqueza e a divisão de desenvolvimento.

Temos de encontrar equilíbrio adequado entre o governo e o mercado, entre justiça e eficiência, entre crescimento e distribuição de renda, e tecnologia e emprego, de modo a garantir desenvolvimento pleno e equilibrado que traga benefícios a pessoas de todos os países, setores e origens, de forma equitativa.

Devemos buscar o desenvolvimento aberto e inclusivo, permanecer comprometidos com a construção de uma economia mundial aberta e defender o regime comercial multilateral, com a Organização Mundial do Comércio como pedra angular.

Devemos rejeitar o unilateralismo e o protecionismo, e trabalhar para garantir o funcionamento estável e suave das cadeias industriais e de abastecimento globais.

Terceiro, a pandemia do COVID-19 nos lembra que a humanidade deve lançar uma revolução verde e mover-se mais rápido para criar um caminho verde de desenvolvimento e vida, preservar o meio ambiente e tornar a Mãe Terra um lugar melhor para todos.

A humanidade não pode mais se dar ao luxo de ignorar os repetidos avisos da Natureza e seguir o antiquado caminho de extrair recursos sem investir em conservação; de buscar o desenvolvimento à custa da proteção; e de explorar os recursos sem restauração.

O Acordo de Paris sobre mudanças climáticas traça o curso para que o mundo faça a transição para um desenvolvimento verde e de baixo carbono. Ali se descrevem as etapas mínimas a serem tomadas para proteger a Terra, nossa pátria compartilhada, e todos os países devem tomar medidas decisivas para honrar aquele Acordo.

A China aumentará suas Contribuições Nacionalmente Previstas, adotando políticas e medidas mais vigorosas.

Nosso objetivo é começar a reduzir significativamente as emissões de CO2 antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060.

Convocamos todos os países a buscar um desenvolvimento inovador, coordenado, verde e aberto para todos.

A aproveitar as oportunidades históricas apresentadas pela nova rodada de revolução científica e tecnológica e de transformação industrial, para alcançar uma recuperação verde da economia mundial na era pós-COVID e, assim, criar uma força poderosa impulsionadora do desenvolvimento sustentável.

A alcançar uma recuperação verde da economia mundial na era pós-COVID e, assim, criar força poderosa que impulsionará o desenvolvimento sustentável.

Quarto, a COVID-19 nos lembra que o sistema de governança global exige reforma e aprimoramento. A pandemia COVID-19 é um grande teste para a capacidade de governança dos países; é também um teste para o sistema de governança global.

Devemos permanecer fiéis ao multilateralismo e salvaguardar o sistema internacional – com a ONU como núcleo.

A governança global deve basear-se no princípio de ampla consulta, cooperação conjunta e benefícios compartilhados, de modo a garantir que todos os países desfrutem de direitos e oportunidades iguais e sigam as mesmas regras.

O sistema global de governança deve adaptar-se à evolução da dinâmica política e econômica global, enfrentar os desafios globais e abraçar a tendência subjacente de paz, desenvolvimento e cooperação ganha-ganha.

É normal que haja diferenças entre os países. O importante é abordá-los mediante o diálogo e a consulta.

Os países podem envolver se em concorrência, mas tal competição deve ser positiva e saudável por natureza. Quando em competição, os países não devem infringir o padrão moral e devem cumprir as normas internacionais.

Em particular, os principais países devem agir como grandes países. Devem fornecer mais bens públicos globais, assumir as devidas responsabilidades e atender às expectativas do povo.

Senhor presidente,

Desde o início deste ano, nós, o 1,4 bilhão de chineses, sem temor ante o ataque do COVID-19. Governo e povo unidos como um só corpo, temos empreendido todos os esforços para controlar o vírus e rapidamente restaurar a normalidade da vida e da economia.

Temos toda a confiança de que alcançaremos nossos objetivos dentro do prazo estabelecido. Vale dizer que confiamos que alcançaremos uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, tiraremos da pobreza todos os residentes rurais que vivem abaixo da linha de pobreza atual.

Confiamos também que alcançaremos, dez anos antes do prazo agendado, a meta de erradicar a pobreza – fixada na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A China é o maior país em desenvolvimento do mundo, país comprometido com o desenvolvimento pacífico, aberto, cooperativo e comum.

Jamais buscaremos a hegemonia, a expansão territorial. Não temos a intenção de travar nem Guerra Fria nem guerra quente, contra país algum.

Continuaremos a reduzir diferenças e a resolver disputas, mediante o diálogo e a negociação. Não buscamos apenas nos desenvolver nós mesmos, nem nos envolvemos em jogo de soma zero.

Não buscaremos o desenvolvimento a portas fechadas. Em vez disso, pretendemos promover, ao longo do tempo, um novo paradigma de desenvolvimento – cujo esteio é o mútuo reforço de circulações doméstica e internacional reforçando-se mutuamente.

Assim se criará mais espaço para o desenvolvimento econômico da China, com ímpeto na recuperação e no crescimento da economia global.

A China continuará a trabalhar como construtora da paz global, contribuindo para o desenvolvimento global e como defensora da ordem internacional.

Para apoiar a ONU no desempenho de seu papel central nos assuntos internacionais, anuncio as seguintes medidas a serem tomadas pela China:

– A China fornecerá outros US $ 50 milhões ao Plano de Resposta Humanitária Global COVID-19 da ONU.

– A China fornecerá US $ 50 milhões ao Fundo Fiduciário de Cooperação Sul-Sul China-FAO (Fase III) [ing. China-FAO South-South Cooperation Trust Fund (Phase III)].

– A China estenderá o Fundo Fiduciário de Paz e Desenvolvimento entre a ONU e a China por cinco anos, depois do vencimento em 2025.

– A China estabelecerá um Centro Global de Inovação e Conhecimento Geoespacial da ONU e um Centro Internacional de Pesquisa de Big Data para Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para facilitar a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Senhor Presidente,

Colegas,

O bastão da história foi passado à nossa geração e devemos fazer a escolha certa – escolha digna da confiança do povo e do nosso tempo. Demos as mãos para defender os valores de paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade compartilhados por todos, e para construir um novo tipo de relações internacionais e uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

Juntos, podemos tornar o mundo um lugar melhor para todos.  
Muito obrigado. [Fim da transcrição]

Ex-chanceleres apoiam Rodrigo Maia em sua crítica à visita de Pompeo ao Brasil e postura submissa de Bolsonaro submissa de Bolsonaro

Ernesto Araújo com Mike Pompeo, Celso Amorim, Rubens Ricupero, Rodrigo Maia, FHC e Aloysio Nunes

“Responsáveis pelas relações internacionais do Brasil em todos os governos democráticos desde o fim da ditadura militar, os signatários se congratulam com o Deputado Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados, pela Nota de 18 de setembro, pela qual repudia a visita do Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, a instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela.
Na qualidade de Presidente do órgão supremo da vontade popular, o Deputado Rodrigo Maia foi o intérprete dos sentimentos do povo brasileiro ao constatar que tal visita, “no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”.
De igual forma que o Presidente da Câmara dos Deputados, os signatários se sentem no dever de reafirmar o disposto no Artigo 4º da Constituição Federal, em especial os seguintes princípios pelos quais o Brasil deve guiar suas relações internacionais: (I) Independência nacional; (III) Autodeterminação dos povos; (IV) Não-intervenção e (V) Defesa da Paz.
Conforme salientado na Nota do Presidente da Câmara, temos a obrigação de zelar pela estabilidade das fronteiras e o convívio pacífico e respeitoso com os vizinhos, pilares da soberania e da defesa. Nesse sentido, condenamos a utilização espúria do solo nacional por um país estrangeiro como plataforma de provocação e hostilidade a uma nação vizinha.
Lembramos que representantes eleitos do povo de Roraima como o Senador Telmário Mota vêm repetidamente chamando a atenção para os prejuízos de toda a ordem causados às populações fronteiriças brasileiras por ações extremas do Itamaraty em relação à Venezuela, algumas das quais objetos de suspensão pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.
Finalmente, fazemos votos para que, dando sequência à Nota do Presidente Rodrigo Maia, as duas Casas do Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, guardiões da Constituição de 1988, exerçam com plenitude as atribuições constitucionais de velar para que a política internacional do Brasil obedeça rigorosamente no espírito e na letra aos princípios estatuídos no Artigo 4º da Constituição Federal.”