US request for retaliation against India in solar dispute referred to arbitration

At a special meeting of the WTO’s Dispute Settlement Body (DSB) on 12 January, a request from the United States for authorization to suspend concessions or other obligations with respect to India in a dispute relating to domestic content requirements for solar cells and solar modules was referred to arbitration. The DSB also adopted a panel ruling concerning US anti-dumping duties on Korean oil country tubular goods (OCTB) after both Korea and the United States agreed not to appeal the panel’s findings.

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Restricting Trade in Cultural Property: National Treasures at the Intersection between Cultural Heritage and International Trade Law

2017 draft preprint for inclusion in Francesco Francioni and Ana Filipa Vrdoljak (eds), Oxford Handbook of International Cultural Heritage Law (Oxford University Press, 2018, Forthcoming)

22 PagesPosted: 4 Jan 2018

Tania Voon

University of Melbourne – Melbourne Law School

Date Written: December 27, 2017

Abstract

Culture and trade have a longstanding, complex relationship, covering a range of areas from digital products, to intangible cultural heritage, and the diversity of cultural expressions. Some of these areas have been subject to greater research than others. Each area requires an understanding with insights from culture, law and economics. One of the most basic interactions of culture and trade, namely through the illicit trade in cultural property, is typically assumed from a legal perspective to be addressed through the explicit exception in international trade law for measures imposed to protect national treasures. However, the definition of cultural property in the relevant treaty of the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (‘UNESCO’) is not necessarily identical to the meaning of national treasures in the law of the World Trade Organization (‘WTO’). Moreover, the WTO Appellate Body has shown reluctance to apply non-WTO law in determining WTO disputes, such that a conflict between relevant UNESCO and WTO provisions or the corresponding domestic regulations might not necessarily be resolved as expected. This conclusion provides one example of the possible limitations of the current Appellate Body approach to broader international law and also suggests, with respect to cultural property, that closer alliance in treaty drafting may be required to ensure greater coherence between these regimes.

Keywords: national treasure, international law, culture, cultural property, trade, WTO

Veja aqui o artigo completo

Keiser Report: Mad, Mad Markets

33 teses para reformar a Economia ensinada 

01 mervado

12/12/2017, Andrew SimmsNew Weather Institute

Dia 12 de dezembro passado, coincidindo com os 500 anos das Teses de Lutero, um grupo de economistas e estudantes ‘cravaram’ na porta da London School of Economics uma lista de recomendações para uma reforma da Economia ensinada.

Estas 33 Teses, elaboradas por estudantes, economistas y acadêmicos reunidos por Rethinking Economics New Weather Institute, respaldadas por importantes economistas y dirigentes políticos, como a deputada britânica Caroline Lucas, resumem uma detalhada crítica da corrente dominante no ensino e na prática da Economia.

Economistas de renome como Mariana MazzucatoKate RaworthSteve Keen, além de Sally Svenlen, aluna do Rethinking Economics, tomaram parte num ato presidido por Larry Elliott, editor da seção de Economia do jornal The Guardian, no qual se debateram as 33 teses e a demanda por reformas.

O ato aconteceu na 3ª-feira 12 de dezembro, no University College de Londres. Ao final, os participantes, público e estudantes encaminharam-se à entrada principal da London School of Economics, em cuja porta fixaram suas Teses e exigiram a Reforma.

Os estudantes de Rethinking Economics vêm protestando já há cinco anos. Desde ações de levantar-se e sair das salas de aula como forma de protesto, até a publicação de um manifesto para que o programa acadêmico seja reformado, buscando apoios para elaborarem seu próprio livro-texto, até a publicação de The Econocracy, livro sobre a história e os argumentos do movimento (Rethinking Economics).

33 TESES PARA REFORMAR
A ECONOMIA ENSINADA

O MUNDO ENFRENTA MISÉRIA, DESIGUALDADE,
CRISE ECOLÓGICA E INSTABILIDADE NAS FINANÇAS …

Preocupa-nos que a Economia faça hoje muito menos do que poderia para abrir caminho para intuições que ajudem a resolver esses problemas. Acontece assim por três razões:

Primero, porque se desenvolveu, no seio da Ciência Econômica, um insano monopólio de ideias. A perspectiva neoclássica domina escandalosamente o ensino, a pesquisa, o assessoramento para políticos e o debate social. E marginalizaram-se e excluíram-se muitas outras vias que podem levar a intuições valiosas. Esse processo nada tem a ver com uma teoria ser ou não ser melhor que outra. Só tem a ver com a noção de que o debate é o único meio para fazer avançar a ciência. No seio da Economia ensinada esse debate morreu.

Segundo, por mais que a Economia neoclássica tenha feito contribuição historicamente relevante, ainda útil hoje, há enormes possibilidades para melhorar, para debater e para aprender outras disciplinas e perspectivas.

Terceiro, a corrente dominante da Economia parece ter-se tornado impotente para se autocorrigir. Com isso passou a desenvolver-se mais como fé, que como ciência. Com excessiva frequência nos casos em que teoria e evidência empírica se contradizem, tudo se faz para salvar as teorias, mesmo que ao preço de ignorar a evidência empírica.

Propomos essas Teses como desafio ao ensandecido monopólio intelectual pela corrente que hoje domina a Economia. Exemplos do dano que esse monopólio provoca são as falhas persistentes no corpo da teoria principal; e a persistente ignorância (i) das muitas intuições que as perspectivas alternativas podem oferecer; e (ii) dos variados modos pelos quais um enfoque mais pluralista pode tornar a Economia mais eficaz e mais democrática.

Afirmamos aqui que uma melhor Economia é possível. E convidamos todos ao debate.


FINALIDAD DA ECONOMIA


  1. É direito da sociedade decidir qual a finalidade da Economia. Nenhuma meta econômica pode ser isolada das metas políticas. Indicadores de êxitos são decisões políticas bem-sucedidas.

    2.A distribuição da riqueza e da renda são decisões fundamentais para a realidade econômica. Nada explica que não o sejam também a teoria econômica.

    3. A Economia não é estranha aos valores sociais. Os economistas têm o dever de expor com transparência os juízos de valor que façam. Essa exigência aplica-se especialmente aos juízos de valor que olhos pouco experientes e sem treinamento específico não saibam ver.

    4. A política não ‘aplaina’ ou ‘nivela’ o campo de jogo. Ao contrário disso, o inclina numa determinada direção. Faz falta à sociedade uma discussão clara sobre o tipo de Economia as maiorias desejam e como alcançá-la.


O MUNDO NATURAL


  1. A Economia é um subconjunto da natureza e das sociedades em cujo seio a Economia brota. A Economia não é e não existe como entidade independente. As instituições sociais e os sistemas ecológicos são portanto centrais, não externos, ao funcionamento da Economia.

    6.A Economia não sobrevive nem prospera sem insumos do mundo natural. Nem sem os muitos sistemas de apoio à vida que a natureza oferece. Ela depende de um fluxo contínuo de energia e de matéria, e atua no seio de uma biosfera de delicado equilíbrio. Teoria econômica que trate o mundo natural como se fosse externo ao modelo não tem meios para bem compreender o modo pelo qual a degradação do mundo natural pode afetar o próprio modo de a teoria interpretar a realidade.

    7. A Economia deve reconhecer que a energia e os recursos não renováveis não são disponíveis para sempre, em quantidades infinitas; e que o uso dessas reservas, para extrair delas a energia que contêm, altera os equilíbrios de energia agregada do planeta – o que acarreta consequências que chegam até a transtornos do clima.

    8. Não se pode ignorar que Economia e Ecologia mantêm relação de retroalimentação. Ignorar essa relação levou, hoje, a uma Economia global que opera já fora dos limites de viabilidade da Ecologia global e que, para funcionar, requer sempre mais e mais crescimento. Diferente disso, a Economia deve considerar as limitações objetivas da ecologia do planeta.


INSTITUIÇÕES E MERCADOS


  1. Todos os mercados foram criados e estão configurados pelas leis, costumes e culturas, sempre influenciados pelo que fazem e pelo que não fazem os governos.

    10. Os mercados são o resultado das interações entre diferentes tipos de organismos públicos e privados (e também pelo setor do serviço voluntário e pela sociedade civil). É necessário e urgente estudar mais o modo como esses organismos realmente se organizam, como funcionam e como poderiam ser as inter-relações entre todos eles.

    11. Os mercados são também mais complexos e menos previsíveis do que se pode supor a partir das simples relações de oferta e demanda. Falta à Economia compreensão mais profunda de como os mercados se comportam – muito poderia aprender do estudo de sistemas complexos, como se vê acontecer na Física, na Biologia e na Informática.

    12. As instituições dão forma aos mercados e influem no comportamento dos agentes econômicos. Portanto, a Economia deve considerar as instituições como parte central do próprio modelo.

    13. Dado que diferentes economias têm diferentes instituições, uma política que gere bom resultado numa Economia pode gerar resultados péssimos, em outra. Por essa razão, dentre muitas outras, é improvável que um único conjunto de medidas de política econômica pressupostas de aplicação universal, baseado exclusivamente na teoria econômica abstrata, tenha qualquer serventia.

TRABALHO E CAPITAL


  1. Pode-se demonstrar que salários, benefícios e lucros sobre ativos dependem de amplo leque de fatores, dentre os quais o poder relativo de trabalhadores, empresas e proprietários de ativos, e não simplesmente do seu aporte relativo para a produção. Faz falta à Economia uma melhor compreensão, mais ampla, desses fatores, para que informe melhor sobre as escolhas que afetam a porção da renda capturada pelos diferentes grupos da sociedade.


NATUREZA da TOMADA DE DECISÕES


  1. Erro, viés, reconhecimento de padrões, aprendizagem, interação social e contexto são todos influências importantes sobre o comportamento, que não aparecem reconhecidas na teoria econômica. A corrente principal da Economia carece, portanto, de melhor compreender, de compreensão mais ampla do comportamento humano. Muito tem a aprender da Sociologia, Psicologia, Filosofia e outras linhas de pensamento.

    16.Seres humanos são imperfeitos, e também é imperfeita a tomada de decisões econômicas ‘perfeitamente racionais’. Toda decisão econômica que aposte sobre o futuro implica algum grau não quantificável de incerteza e requer, portanto, avaliação e juízo. A corrente dominante da teoria e da prática econômicas têm de reconhecer o peso da incerteza.


DESIGUALDADE


  1. Numa Economia de mercado, quem que conta com capacidades, preferência e dotes similares não tende a alcançar igual nível de riqueza, sujeita apenas a uma variação aleatória. Os efeitos de pequenas diferenças de sorte ou nas circunstâncias podem levar a resultados enormemente diferentes, para pessoas semelhantes.

    18.Seguidamente os mercados mostram tendência a desigualdade crescente. As sociedades desiguais dão-se ainda mais mal numa série de indicadores de bem-estar social. A corrente principal da teoria econômica poderia fazer mais para compreender melhor por que e de que modo isso é assim e o que é preciso fazer para evitar esse resultado.

    19. Já se demonstrou que é falsa a ideia segundo a qual à medida que um país enriquece a desigualdade necessariamente aumenta, antes de começar a cair. São possíveis todas e quaisquer combinações de desigualdade e PIB crescente.

CRESCIMENTO DO PIB, INOVAÇÃO E DÍVIDA


  1. Crescer é uma opção política, assim como econômica. Se escolhemos buscar o ‘crescimento’, passa a ser indispensável responder de modo implícito ou explícito as seguintes perguntas: “crescimento de que, por que, para quem, por quanto tempo e até que ponto definido como suficiente?”.

    21.A inovação não é exterior à Economia, mas parte inerente da atividade econômica. Podemos começar a compreender melhor o crescimento do PIB, se tomarmos a inovação como algo que acontece em ecossistemas que evoluem em desequilíbrio, configurado pelo desenho dos mercados e pelas interações entre todos os agentes em seu seio.

    22. A inovação por sua vez tem um ritmo e um rumo. O debate sobre o ‘rumo’ da inovação exige que se compreenda a ‘finalidade’ das políticas traçadas.

    23. A dívida privada também influi profundamente no ritmo em que a Economia cresce – mas permanece excluída da teoria econômica. A criação de dívida soma-se à demanda financiada pelo crédito, e afeta tanto os mercados de bens como os mercados de ativos. É impossível separar Economia e finanças.


DINHEIRO, BANCOS E CRISE


  1. A maior parte da nova moeda que circula na Economia é criada pelos bancos comerciais, cada vez que concedem um novo empréstimo.

    25.A forma pela qual se cria o dinheiro afeta a distribuição da riqueza no seio da sociedade. Por conseguinte, o modo como o dinheiro é criado tem de ser entendido como questão política, não simplesmente técnica.

    26. Posto que criam dinheiro e dívida, os bancos são agentes importantes na Economia. É importante incluir os bancos nos modelos macroeconômicos. Modelos econômicos que não incluem os bancos nunca poderão antever crises bancárias.

    27. A Economia precisa compreender com mais clareza como se criam internamente a instabilidade e as crises nos mercados, em vez de continuar a tratar as crises como se fossem ‘choques’ que atingem os mercados de fora para dentro.

    28. A financeirização tem duas dimensões: as finanças especulativas de curto-prazo; e a Economia real financeirizada. Esses dois problemas têm de ser estudados em conjunto.


ENSINAR ECONOMIA


  1. Uma boa formação em Economia tem de oferecer aos estudantes vários enfoques teóricos. Deve incluir não só história e filosofia do pensamento econômico, mas também um leque amplo de perspectivas atuais, com as institucionalistas, as austríacas, as marxistas, as pós-keynesianas, as que pregam a igualdade dos gêneros, as ecologistas e as da complexidade.

    30.A própria Economia não deve ser um monopólio. Os cursos interdisciplinares são chaves para que se compreendam as realidades econômicas das crises financeiras, a pobreza e a mudança do clima. A política, a Sociologia, a Psicologia e as Ciências do Meio Ambiente devem ser integradas, portanto, no programa acadêmico, sem que recebam tratamento inferior ao dado à teoria econômica dominante.

    31. Não se deve ensinar Economia como estudo neutro, que não atribuiria valores a modelos e indivíduos. Os economistas têm de ser versados em ética e política, e devem ser capazes de se envolver de modo significativo com a opinião pública.

    32. Concentrar-se obcecadamente na estadística e nos modelos quantitativos pode acabar por cegar os economistas outros modos de pensar. É preciso apoiar os estudantes para que explorem outros enfoques metodológicos, dentre os quais a pesquisa qualitativa, a entrevista, o trabalho de campo e argumentação no campo das teorias.

    33. Sobretudo, a Economia terá de fazer mais para fortalecer o pensamento crítico, em vez de simplesmente recompensar a capacidade para memorizar teorias e para aplicar modelos. É preciso animar os estudantes para que comparem, contrastem e recombinem teorias, e para que as apliquem criticamente a estudos em profundidade do mundo real.

Qual o futuro do mito ISIS? 

quem financia ISIS

O Estado Islâmico no Iraque e na Síria [ing. Islamic State in Iraq and Syria, ISIS] algum dia foi realmente forte? Ou foi tudo efeito da ignorância e do medo, repercutidos por propaganda eficaz? 
Qual o futuro do mito ISIS
15/1/2018, Elijah J. Magnier Blog
Especialistas e analistas de contraterrorismo, os de verdade (além das centenas de outros que brotaram como cogumelos depois da chuva durante os últimos anos da guerra na Síria), apressaram-se a explicar o poder e a capacidade do “Estado Islâmico” (ISIS) para se expandir. Com isso se enviesou o nascimento da coisa, apagou-se a derrota real e – mais importante –, reduziu-se muito o grande papel que Washington desempenhou nessa história macabra. Os EUA apoiaram o crescimento desse grupo terrorista no passado e continuam a apoiar até hoje.

Aqueles analistas do terror promoveram as capacidades do ISIS, celebrando o “renascimento” e anunciando a “expansão” daqueles terroristas. Relembram os anos de 2009-2011 no Iraque, quando o grupo foi reduzido a umas poucas centenas de militantes, e como o ISIS, apenas uns poucos anos adiante já conseguia ocupar vastos territórios no Iraque e na Síria.

Esse artigo começa exatamente nesse ponto, para dizer que o ISIS jamais passou de grupo oportunista; que nunca foi grupo forte; que se beneficiou de muitos elementos e oportunidades, mas é muito mais fraco do que o mundo supõe. Por isso a queda do ISIS foi rápida e miserável, o que afinal revela a realidade por trás do aparente poder do grupo.

Tudo começou com o Afeganistão em 1979, quando a Rússia invadiu o país e os EUA supuseram que poderiam derrotar Moscou, sem considerar que não tinham estratégia alguma e que a ‘operação’ poderia sair-lhes pela culatra contra o mundo, e contra os próprios EUA, adiante. O embaixador dos EUA à Arábia Saudita, Hume Alexander Hora, confirmou que “EUA e Arábia Saudita financiaram,treinaram e armaram Mujahedeen no Afeganistão para lutarem contra a Rússia”. O problema afinal apareceu quando a Rússia saiu de lá e ambos, EUA e sauditas, ficaram com o dilema: “como integrar jovens guerreiros (palavras dele) quando voltassem para casa, depois do Afeganistão” – disse Hora.

Na verdade, al-Qaeda – ramo iraquiano da organização que depois se metamorfoseou em ISIS – é o produto do que EUA e sauditas acreditavam nos anos 80s que seria ideia genial para derrotar os russos. Nem os EUA nem os sauditas deram-se o trabalho de pensar em avaliar consequências. Fato é que os EUA acreditavam que fossem quais fossem as consequências, não seriam problemas deles, mas do Oriente Médio. Que lidassem com elas. Com certeza não supunham naquele momento, que o Ocidente não teria problema algum. Até 11/9.

Depois da retirada dos russos, outra decisão de política exterior dos EUA também gerou um efeito bumerangue e ampliou a disseminação do terrorismo pela Arábia Saudita, aliada dos EUA. Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait em agosto de 1990, Arábia Saudita sentiu a ameaça direta e recorreu a forças dos EUA, para proteção. Os seguidores da doutrina wahhabista que dominava a Arábia Saudita puseram-se absolutamente contra esse movimento.

Para acalmar os radicais sauditas em casa, indignados com a presença de forças norte-americanas no solo que é considerado o mais sagrado para todos os islâmicos (Meca e Medina), o falecido rei Fahed abriu os cofres para radicais e conservadores e financiou prodigamente incontáveis Madrassasauditas (escolas de formação religiosa wahhabista, que disseminam radicalismo pelo mundo) para que ensinassem extremismo religioso e discurso de ódio também fora do país.

Muito mais estava por vir: depois da invasão do Iraque pelos EUA em 2003, Abu Musab al-Zarqawi(o jordaniano Ahmad Fadhil Nazzal al-Khalayla) uniu-se à al-Qaeda (antes de 2003, ele liderava o grupo Ansar al-Islam na área controlada pelos curdos no norte do Iraque) e tornou-se seu franqueado no Iraque. Não era o único a comandar uma insurgência contra as forças norte-americanas de ocupação na Mesopotâmia e contra os xiitas, e também contra seus oponentes sunitas. Havia também muitos outros nacionalistas iraquianos, Baathistas, grupos tribais e grupos xiitas que atacavam as forças dos EUA: a insurgência não era exclusividade da al-Qaeda no Iraque.

Zarqawi era conhecido pela brutalidade, a ponto de, quando Osama bin Laden ainda vivia, a própria al-Qaeda o chamava de “o xeique dos massacres” [ar. sheikh al-thab’baheen]. Seu grupo estava estimado em cerca de 100 combatentes, mais vários milhares de seguidores de Saddam Hussein. De fato, seus primeiros ataques ‘espetaculares’ foras registrados em agosto de 2003 contra o enviado da ONU, o brasileiro Sergio de Mello, em Bagdá, e Sayyed Mohamad Baqer al-Hakim em Najaf.

Não apenas a mídia-empresa contribuiu para elevar o nível de interesse em Zarqawi depois de ele ter degolado Nick Berg, cidadão norte-americano, em vídeo, em 2004, como, além disso, o governo Bush  ignorou várias oportunidades para matá-lo, e inflou tão desmesuradamente o perfil de Zarqawi, que ele passou a atrair número muito maior de novos recrutas para seu grupo, o que fez crescer sempre mais o seu prestígio.

Ao longo da “guerra ao terror” dos EUA no Iraque, as forças dos EUA engajaram-se cada dia mais profundamente nas vergonhosas práticas de torturas na prisão de Abu Ghreib, descendo ao nível mais desprezível de comportamento contra suspeitos, misturando criminosos iraquianos e suspeitos detidos pela segurança. Essa história acabou por viralizar – até ser esquecida anos depois e ir dormir nas páginas de livros de história. O mundo apagou todos esses registros, quando uma superpotência cometeu todos os tipos de crimes e manifestou o mais espantoso desprezo por valores humanos e morais. A mesma superpotência que pregava democracia e respeito aos direitos humanos era, ela mesma, o principal gatilho e agente de incitamento ao recrutamento para o terrorismo, de muçulmanos indignados em todos os cantos do mundo.

A decisão tomada pelo vice-rei dos EUA, Paul Bremer, para a ‘des-Baathificação, empurrou para o desemprego e a miséria dezenas de milhares de membros das Forças Armadas e da Segurança. Esses, como descobrimos ao longo dos últimos anos, vieram a constituir a elite do comando do ISIS  e muitos de seus militantes.

Mas também não parou aí: os EUA constituíram uma “Universidade para Jihadistas, que prosperou nos campos de treinamento em Buca, Cropper e Taji, no Iraque. Ali muitos dos que viriam a ser líderes terroristas se encontraram, formaram-se e recrutaram seu futuro exército. Nesses campos havia cortes de julgamento pela Xaria, tribunais islamistas para julgar e condenar prisioneiros que se recusassem a se alistar nos grupos radicais. Esse foi o comportamento típico do grupo (que mais tarde trocou de nome e passou a chamar-se ISIS – mas não é tática original deles), para se impor pela intimidação e pela ameaça.

Outra vez, apenas uns poucos anos depois, os EUA facilitaram o crescimento do ISIS e seus planos de mudar-se para a Síria (país então fragilizado, no auge do apoio que o mundo deu ao golpe para mudança de regime) e armaram, deram treinamento e financiaram jihadistas.

Al-Qaeda no Iraque aceitou o conselho do vice-líder da al-Qaeda Central, Ayman al-Zawaheri, para que declarassem (prematuramente) um “Estado Islâmico” no Iraque. Zawaheri, em sua mensagem a Zarqawi e sucessores, dizia que o objetivo final – como no caso de todos os atores religiosos não estatais no Oriente Médio – seria criar um Emirado Islâmico. De qualquer modo, o ambicioso Zarqawi e depois dele todos os demais líderes do grupo, queriam status mais alto que de simples grupo, ou de mais um grupo como a al-Qaeda, e queriam independência para recrutar jovens em todo o mundo. Os jihadistas no Iraque contavam com apoio muito mais decisivo de países da região e também da sempre errada política exterior dos EUA.

Pesquisadores conhecidos tentam ainda minimizar – ou mesmo apagar completamente – a grande responsabilidade que cabe aos EUA pelo crescimento de grupos religiosos extremistas, tentando culpar líderes xiitas iraquianos que foram apoiados, nos primeiros anos da ocupação norte-americana, por aquele mesmo vice-rei norte-americano do Iraque. Claro que a ascensão de grupos jihadistas no Iraque não é efeito exclusivamente de erros dos EUA. Governantes do Iraque também contribuíram, apoiando políticas e erros dos EUA no Iraque. Ambos (mas não exclusivamente políticos iraquianos, como os analistas gostam de sugerir), geraram incontáveis benefícios e vantagens para os jihadistas.

Os xiitas iraquianos não estavam habituados a governar: viveram décadas sob o jugo da ditadura de Saddam Hussein. Queriam usufruir a imensa riqueza que o Iraque produz e queriam comandar o poder no país. E oprimiam os sunitas, como os sunitas haviam oprimido os xiitas durante anos. Era uma visão ingênua de democracia, trazida pelos EUA para o país (e por indivíduos conhecidos que viveram oprimidos, mesmo no plano individual, durante anos). O nascimento aconteceu tão prematuramente, que, não surpreendentemente, a cria nasceu morta.

Estive com Xeique Jalal-eddine al-Saghir quando distribuía jornais nas ruas do Líbano, onde vivia exilado durante os anos de Saddam. Também vi Nuri al-Maliki vezes sem fim, antes da queda de Saddam Hussein. Um dia, vi-me no Iraque, ao lado de muitos funcionários, durante uma cerimônia religiosa em Karbalaa. Adel Abdel Mahdi (que era vice-presidente naquele momento), na presença de vários ministros (e também diante de mim) disse: “Temos de limpar nossos escritórios em Damasco, onde costumávamos pregar a queda de Saddam Hussein. Sabemos fazer campanha de oposição, mas não temos nem ideia de como dirigir um país”. Estava coberto de razão. Os líderes do Iraque estavam confusos.

Jihadistas no Iraque extraíram vantagem dessa confusão, com vistas a criar uma guerra sectária e atrair para suas fileiras o maior número de seguidores. Alguns líderes xiitas caíram nessa armadilha sectária, e os norte-americanos assistiram a tudo, quando elementos que eram crias deles combatiam contra os xiitas.

Quando o ISIS declarou seu Califato em 2014, não foi o grupo, como tantas vezes se anunciou, quem assumiu o controle de Mosul, no norte do Iraque. Tribos locais, vários grupos sunitas, e desertoresBaathistas já estavam presentes na cidade, tentando preparar o terreno para o levante. De fato, não foi “plano, comando e controle” do ISIS. Muitos países vizinhos (inclusive o líder dos curdos iraquianos Masoud Barzani) apoiaram o que definiram em 2014 como um “levante e revolução sunitas” contra Bagdá (Nuri al-Maliki era então primeiro-ministro). Só quando o ISIS virou-se contra esses países e seus aliados iraquianos locais, o ISIS foi tornado inimigo de todo mundo.

O massacre de Speicher não foi cometido exclusivamente pelo ISIS (mesmo que a mídia do grupo tenha divulgado essa versão, repetida pela mídia-empresa dominante) mas por duas tribos locais, Salaheddine e Anbar, embora os vídeos tenham sido sequestrados pelo ISIS, que o declararam feito seu. De fato, o ISIS usou o mesmo velho estilo que usaram no campo Buca: se não está conosco, está contra nós.

Membros do “Exército Naqshabandi” (um dos grupos que contribuíram na ocupação de Mosul em 2014 e grupo insurgente ativo contra as forças dos EUA e do Iraque ao longo da invasão do Iraque) fugiram do Iraque vários meses antes da ocupação de Mosul, por medo do ISIS. O grupo usou com sucesso e adequadamente para seu benefício os veículos da grande mídia-empresa, manipulando a informação e inflando desmesuradamente o próprio tamanho, a ponto de ter convencido seus inimigos, aliados e observadores de que o ISIS seria força gigante.

Quando se mudou para a Síria, o Emir Abu Mohammad al-Joulani do ISIS (mandou estabelecer um braço do “Estado Islâmico no Iraque”, que viria a ser o ISIS) encontrou forças e coragem para desafiar o Emir do grupo, o líder do ISIS Abu Bakr al-Baghdadi. Joulani sabia do tamanho real doISIS e de seu próprio tamanho no momento em que desafiou Baghdadi.

Durante o processo de partição entre o ISIS e Joulani (que se uniu voluntariamente à al-Qaeda, surpreendendo seu novo Emir Ayman al-Zawaheri), muitos combatentes estrangeiros foram ‘divididos’ entre a velha al-Qaeda e o novo ISIS. Isso, claro, deu mais poder ao ISIS, mas com certeza absoluta não a ponto de se converter no grupo “todo poderoso” que o próprio grupo autopropagandeou em 2014-2016.

Aqui outra vez, o ISIS efetivamente usou a vulnerabilidade do governo sírio (engajado em batalhas em tantas frentes), a ação da mídia-empresa (ampliar o mais possível o alcance dessa mensagem) e a internet (pelas mídias sociais, Twitter e Facebook) para inflar o próprio tamanho. E, ainda mais importante, surpreendeu muitos observadores com seus “métodos ‘cenográficos’ de matar” (afogamento, incineração, degola, lançar seres humanos de altos prédios como sentença de morte, apedrejamento, execução de prisioneiro por atropelamento por tanques de esteiras, explosivos em carros que conduziam prisioneiros). Também usaram efeitos visuais especiais, e jogos de computador para atrair o olhar de dezenas de milhares de olhos.

Assim, o ISIS conseguiu injetar medo no coração dos seus inimigos. Essa estratégia foi tão bem-sucedida, que milhares de iraquianos fugiram de Bagdá, Najaf e Karbalaa antes da chegada do ISIS. Só depois que o Exército Iraquiano e as Unidades Populares de Mobilização no Iraque e ideólogos na Síria (combatendo ao lado do Exército Sírio) decidiram levantar-se contra o ISIS, a qualidade do grupo foi afinal definida: carros-bombas, suicidas-bombas e atiradores especializados são as únicas armas reais do ISIS.

O Iraque reagiu, deu combate ao ISIS e recuperou o próprio país para seus cidadãos em cerca de um ano. A Síria adiou o confronto com o ISIS porque a prioridade era deter a al-Qaeda e outros rebeldes apoiados por países da região e muitos países ocidentais. Muitos comandantes em campo disseram-me na Síria: “O ISIS é grupo órfão e pode ser derrotado a qualquer momento. A Al-Qaeda é muito mais perigosa, mais corajosa e mais bem armada para combater e não ceder no campo de combate”.

O ISIS foi derrotado pelo Iraque e pela Síria, no momento em que líderes do Iraque e Síria decidiram pôr fim ao controle que o grupo ainda exercia sobre aqueles territórios. Só restam ainda uns poucos bolsões, incluindo o nordeste da Síria (onde o ISIS está sob proteção dos EUA).

Se se observa o currículo dos norte-americanos, eles usam o ISIS para seus próprios objetivos desde que foi criado no Iraque, quando Bush recusou-se a executar o líder Zarqawi e pôr fim ao grupo. Ainda não se pode ver com clareza o que os EUA planejam para o futuro do ISIS.

Muitos pesquisadores preveem o “retorno do ISIS“, ainda mais forte do que antes, ou sob outra forma. O ISIS só é bom em ataques do tipo bater-e-correr: fracassaram desastrosamente quando se tratou de organizar e governar. Essa experiência fracassada enterrou pelo menos por décadas futuras qualquer projeto de “Estado ou Emirado Islâmico”, e comprometeu irreparavelmente a causa islamista da al-Qaeda e de qualquer outro grupo similar. Nenhuma sociedade lhes dará guarida, no máximo esconderijos apenas temporários –, e não há dúvida que lhes darão também algum dinheiro clandestino (ao estilo do que fez Saddam Hussein) que pode comprar alguns para garantir algum tipo de assistência. – Mas o ISIS está/é fraco demais para renascer como em 2014.

Se pelo menos os pesquisadores e especialistas em terrorismo parassem de temer o fim do pão & manteiga de todos os dias e parassem de ‘prever’ – e assim estimular – algum “retorno do ISIS” (não significa que o terrorismo acabará, mas não é preciso inflar alucinadamente o perigo que deles adviria), o mundo que pensa estaria em melhor forma (e dormiríamos mais tranquilos à noite). Esse é um dos lados do problema.

O problema real são os países liberais democráticos que se servem de grupos terroristas e os põem a agir de modo a promover seus próprios interesses de política externa. Esse é o buraco que o ISIS pode ainda explorar, para voltar a crescer.*****

Keiser Report: What Will 2018 Bring Us?

Aplicação de antidumping no aço foi suspensa por interesse público, diz Camex

Ministros da Camex decidiram não aplicar medidas de proteção ao aço contra importados de China e Rússia

Publicado originalmente em 18/01/18

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) confirmou que barrou nesta quinta-feira (18) a aplicação de medidas antidumping na compra de laminados de aço a quente de empresas chinesas e russas. A decisão foi antecipada pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, na quarta-feira, 17.

Em nota, a câmara disse que foi definida a aplicação de direito antidumping por um prazo de até cinco anos, mas a medida foi suspensa em razão do interesse público. A aprovação da medida era necessária porque há um parecer mandatório do Departamento de Defesa Comercial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) pela aplicação do antidumping. O rito então foi aprovar e suspendê-la imediatamente, o que, na prática, significa que a sobretaxa não será aplicada por um ano, prazo em que será reavaliada.

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