Nota Conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Designações Próprias e Produtos Típicos

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Declaração de Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Designações Próprias e Produtos Típicos, Respectivamente, do Brasil e do México

Cidade do México, 26 de maio de 2015

A Senhora Presidenta Dilma Rousseff e o Senhor Presidente Enrique Peña Nieto decidiram que seus Governos acordarão reconhecimento mútuo da Cachaça e da Tequila como designações próprias e produtos típicos originários, respectivamente, do Brasil e do México.

Para esse efeito, os dois Governos negociarão nas próximas semanas os termos de acordo bilateral concedendo proteção recíproca à Cachaça e à Tequila como designações protegidas que só poderão ser utilizadas nas condições previstas na legislação e regulamentos vigentes no Brasil, no caso da Cachaça, e nas condições e regulamentos vigentes no México, no caso da Tequila.

Os dois Governos adotarão as medidas necessárias para assegurar a proteção recíproca da Cachaça e da Tequila como bebidas destiladas originárias do Brasil e do México, respectivamente, e prover os meios jurídicos necessários para prevenir o uso indevido dessas designações.

Nos termos do acordo, a importação e a comercialização de Cachaça no território mexicano somente serão permitidas para Cachaça produzida no Brasil de acordo com as leis e os regulamentos aplicáveis no Brasil.

Da mesma forma, a importação e a comercialização de Tequila no território brasileiro somente serão permitidas para Tequila produzida no México de acordo com as leis e os regulamentos aplicáveis no México.

Fonte: Itamaraty

The economics of Asian geo-political stability

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Author: Paul Hubbard, ANU

What can economics tell you about the geo-political challenges in Asia? Many strategic thinkers focus on defence capabilities, ideology, politics, environmental threats or history to envisage strategic futures. Economics provides a lens to focus on the fundamental drivers of regional power relations. National income limits a country’s capacity to mobilise resources for power projection, and hence influence the regional security order. For example, North Korea may be a security nuisance, but its pockets simply aren’t deep enough to be more than a bit player.

Australian Treasury’s long term international GDP projections are therefore a good starting point to considering strategic futures. They rely on slow moving variables, such as labour force and institutional capability, to project regional economic growth out for decades. The results are startling – Asia overtakes the traditionally ‘advanced’ economies on a PPP basis around 2020. This is led by China, which by 2030 could be producing a quarter of the world’s output. For comparison the United States at the end of the cold war produced 23 per cent of global output.

Some commentators disagree, pointing to the United States’ continued edge in technology. But ideas are easily copied and modern technology and international education means ‘catch up’ is getting faster. Others believe that GDP at market exchange rates is more relevant than ‘purchasing power parity’ for projecting power — to buy guns you need foreign currency, not bowls of rice. Using that measure, China doesn’t overtake the US until 2025, just a decade away. But market exchange rates are subject to market fluctuations, and PPP provides a better indicator or an economy’s underlying potential. Finally, other commentators note that the US will still have double China’s GDP on a capita basis by 2050. But this is much less relevant for geopolitics than raw command over resources; Singapore and Brunei both have per capita GDP higher than the United States or China. But they won’t decide the regional security order.

China has had consistently impressive growth record since starting reform and opening up in 1978. But current reforms to financial and capital markets are far more risky and ambitious than shifting workers from agriculture to industry. Continued economic growth requires increased reliance on markets to allocate capital. However, the effects of the Asian Financial Crisis on Indonesia, and more recently the wash-up of the Global Financial Crisis on Greece, have made the Chinese authorities well aware of the political risks of ceding control.

So what does this mean for Australian economic diplomacy? It’s hard to over-state Australia’s interest in drawing newcomers in to the open, rules based system. Both Australian commercial and strategic interests should be to see China integrate into world markets and regional institutions.

A little discussed role for Australian economic diplomacy is engaging its friends and allies on ways to bring China voluntarily into the self-constraining rules based market system. Part of this is advocating institutions that maintain an open trading and investment environment (such as the IMF) to become more inclusive of emerging countries’ interests. It also means prioritising institutions for the next fifty years, rather than those which consolidate cold war alliances. This means prioritising RCEP negotiations (which includes India and China) over TPP (which does not).

Another thing economics teaches us is that competition, not cartels, delivers the best value. Upsetting business as usual for the ADB (traditionally led by Japan) or the World Bank (headquartered in Washington DC) isn’t a good argument for shunning China’s first big multilateral initiative in the Asian Infrastructure Investment Bank.

At the highest level, it means encouraging the United States towards a regional trade and investment system where it realises its own interests are served through peaceably sharing regional leadership with China. Where possible, we should politely, but firmly, rebut US denials of China’s economic rise.

The projections also show that countries which might help balance China’s growth in the region, particularly Indonesia and India, are lagging their potential. Australia should be doing all it can to build the institutions of economic governance needed for a prosperous and coherent ASEAN. By contrast, Japan is more of a demonstrative footnote, given its precipitate decline. We should help a fellow democracy to grow old gracefully, not expect a great power renaissance.

Changing economic fortunes need not cause conflict; but misperceptions of national strengths and objectives do. Australia’s geo-political challenge is not just that for the first time its key strategic ally is different from its principal trading partner. It is that the key players in our region have different interpretations of the economic writing on the wall and haven’t yet realised that it’s in Chinese.

Paul Hubbard is a doctoral candidate at the Crawford School of Public Policy, The Australian National University. He is currently on leave from the Australian Treasury as a Sir Roland Wilson Scholar, and is former Fulbright Scholar in international relations. The views in this paper do not reflect those of the Australian Treasury.

 Fonte: East Asia Forum

Entre o medo e a apatia, gregos se preparam para o pior

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Em meia década de crise, a população aprendeu a lidar com constantes previsões sombrias sem entrar em pânico. Maioria se preocupa com as finanças e tenta poupar o quanto pode, mas trata saída do euro como improvável.

Pantelis Chatzisinakis não costuma entrar em pânico. O contador de 38 anos passou os últimos 14 anos tentando equilibrar as finanças de seus clientes, que vão de trabalhadores autônomos a médios empresários. Parte do tempo é destinada a acalmar as pessoas, numa tentativa de convencê-las de que tudo vai dar certo, apesar da matemática complicada.

Ele nota que seus clientes, assim como o governo, estão se confrontando com questões difíceis. “Meus clientes estão se perguntando se devem pagar as compras de supermercado, os empréstimos ou as contas de água e luz”, afirma Chatzisinakis. “As pessoas estão tão cansadas de todos esses anos de deterioração econômica que, quando ouvem que o país vai quebrar, nem sabem mais o que isso significa.”

De fato, após cinco anos de crise, os gregos vêm ouvindo quase diariamente previsões apocalípticas sobre calotes e um retorno do dracma, a antiga moeda nacional. “São tantas especulações que a maior parte da população nem liga mais”, diz Nick Malkoutzis, editor do portal especializado em economia Macropolis.

Corrida silenciosa aos bancos

Segundo pesquisas de opinião, a grande maioria dos gregos é contra a saída da Grécia do euro, embora reconheçam que isso é uma possibilidade. Porém, não há protestos, nem sinais de insatisfação generalizada com o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras, que assumiu há cerca de quatro meses. Mas, ainda que não se veja um pânico generalizado, muitos fazem planos de contingência para o caso de o cenário piorar.

“Desde o início de dezembro, quando a incerteza começou a atingir seu ápice, houve um aumento imenso de saques bancários, totalizando cerca de 25 bilhões de euros (ou 15%). As pessoas estão preocupadas com um controle de capital ou com a saída do euro”, comenta Malkoutzis.

Para alguns gregos, como Christos Tsakirios, comerciante de peixe da ilha de Leros, no mar Egeu, essa série de alertas soa como chantagem.

“Há anos ouvimos que estamos à beira de um precipício, que vamos quebrar, que não haverá dinheiro nos caixas eletrônicos, que haverá tanques protegendo os bancos: tudo para que as pessoas não corram e peguem seu dinheiro”, afirma. “E, no final, nossos políticos simplesmente concordam com novas medidas de austeridade, e nós voltamos a ser o bom aluno.”

Tsakirios passou por dificuldades nos últimos cinco anos, mas diz ter sorte de ainda estar trabalhando, apesar de, hoje em dia, até o comércio de peixe estar mais difícil. Ele afirma que apoia a política antiausteridade do governo, mas não quer a saída da Grécia do euro. “Muitos gregos que conheço não creem que isso de fato acontecerá”, frisa.

A difícil tarefa de poupar

Economistas preveem que 2015 pode ser um ano tão ou mais complicado quanto 2010 e 2012, quando o medo de que a Grécia pudesse sair da zona do euro gerou protestos e manchetes alarmistas na Europa.

“É um governo inexperiente, que está em confronto com os credores sobre uma série de questões, e isso está causando consternação considerável”, opina Malkoutzis. “E a Grécia está simplesmente ficando sem dinheiro. Se não houver acordo nas próximas semanas, o default [calote] vai se tornar uma realidade”, completa o analista econômico.

O contador Pantelis Chatzisinakis não crê que a zona do euro permitirá que a Grécia fique inadimplente e deixe a união monetária. “Sou um otimista. Sei que é difícil, que nosso governo está numa terrível posição como negociador, mas não creio que os nossos parceiros do euro vão deixar a situação chegar ao ponto de destruir nosso país inteiro”, afirma.

Ele diz que a maioria de seus clientes pensa da mesma forma, apesar de um deles manter todo o dinheiro na Suíça e transferir para contas gregas apenas o suficiente para sobreviver. “Ele tem medo de que o país quebre e saia da zona do euro desde que a crise começou”, conta. “Mas os outros clientes mal têm dinheiro suficiente para economizar, muito menos para enviar ao exterior.”

Sem ajuda ou acesso aos mercados de títulos, a Grécia está perto de ficar sem dinheiro – o país teve de esvaziar uma conta de depósito junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para pagar uma dívida à própria instituição, na semana passada.

Nesta segunda-feira, investidores se livravam de ações e bônus gregos por preocupações de que Atenas possa não fazer o próximo pagamento, que vence em 5 de junho. Diante do temor de funcionários públicos, o governo garantiu que pagará salários e pensões em maio e que não usará o dinheiro para saldar parte da dívida.

“Tenho medo de que o governo não saiba o que está fazendo”, diz Chatzisinakis. “Não quero nem pensar no que pode acontecer”, conclui o contador, demonstrando a preocupação que se esforça para não deixar transparecer a seus clientes.

 Fonte: DW

DIEGO PAUTASSO: “O PAPEL DA CHINA NA NOVA ARQUITETURA FINANCEIRA MUNDIAL”

Publicado originalmente em 15 de maio de 2015

Não resta dúvida que a criação do sistema Bretton Woods, baseados no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional e no dólar, constituiu um dos pilares hegemonia norte-americana. Da mesma forma, deve-se reconhecer que as crises financeiras nos anos 1990 – México (1994), leste da Ásia (1997), Rússia (1998), Brasil (1999) e Argentina (2001) -, a supremacia das políticas liberalizantes e a crise financeira global de 2008 atestaram os limites dos mercados auto‑regulados e necessidade de novos padrões de governança.

Assim, a crise de 2008 tem catalisado mudanças internacionais, cujos desdobramentos já se fazem sentir, embora não em toda sua extensão. A criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (Asian Infrastructure Investment Bank – AIIB) só pode ser compreendido como parte de uma nova arquitetura financeira global que, naturalmente, afeta as configurações de poder interestatais. O grande desafio é captar a direção e o sentido das mudanças em curso, pois estas representam, de um lado, um renascimento econômico da Ásia oriental (ARRIGHI, 2008) e, de outro, a conformação de um sistema sinocêntrico na região (PAUTASSO, 2011b). Em suma, trata-se de compreender o enigma chinês e seus efeitos sobre as estruturas hegemônicas de poder lideradas pelos EUA.

Nova arquitetura financeira emergente

Assim, a China tem trabalhado em todas as esferas para construir novas configurações de poder em escala global – sem com isso adotar postura revisionista. E a crise financeira de 2008 irradiada dos EUA parece ter acelerado esse movimento de reordenamento do poder global. Em face desse contexto, o governo chinês, utilizando-se de sua gigantesca capacidade financeira que emerge do tamanho do seu PIB, de suas reservas internacionais e de seus superávits comerciais, busca construir uma nova arquitetura econômico-financeira global. Primeiro, o protagonismo da China foi sinalizado através da afirmação do presidente do seu Banco Central, Zhou Xiaochuan, em março de 2009, acerca da necessidade de superar as vulnerabilidades de uma economia global ancorada em uma moeda nacional (dólar). Sublinhou Zhou a importância de repensar algo na linha do que havia sido proposto originalmente por Keynes às vésperas de Bretton Woods ou mesmo pelo fortalecimento dos Direitos Especiais de Saque (SDR – Special Drawing Rights) como substituto ao dólar[2], uma espécie de cesta de moedas criado em 1969 pelo FMI baseados no dólar estadunidense, iene, libra e euro.

Segundo, com a iniciativa do grupo BRICS que redundou na criação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Acordo Contingente de Reservas na sua 6ª Cúpula em Fortaleza, em julho de 2014[3]. Trata-se 1) de um banco para financiamento de projetos de investimento nos BRICS e terceiros países da ordem de um capital subscrito de 50 bilhões de dólares e um capital autorizado de 100 bilhões e 2) de um fundo de estabilização para compartilhar reservas em contextos de crises financeiras no valor de 100 bilhões de dólares (divididos em 41 bilhões de dólares para a China, 18 bilhões para Brasil, Índia e Rússia e mais 5 bilhões para a África do Sul).

Terceiro, a China tem amplificado seu papel de financiador de obras no mundo através do Banco de Desenvolvimento da China e do Eximbank, criados em 1994 como bancos estatais de fomento. Entre 2005 e 2012, o financiamento chinês para a América Latina ultrapassou 86 bilhões de dólares, mais do que Banco Mundial, Eximbank dos EUA e Banco Inter-Americano de Desenvolvimento. Além de créditos abundantes, em geral tem os juros mais convidativos, garantidos por commodities (sem moeda forte), prazos alongados de pagamento, sem imposição de condicionalidades políticas (GALLAGHER; IRWIN; KOLESKI, 2013)

Quarto, o crescimento dos investimentos externos diretos (IED) e os contratos da China tem sido surpreendente. Cada vez mais o país se transforma não só num grande receptor mas em um grande emissor de IED. O estudo da Heritage Fundation, compilado por Derek Scissors, dá a exata dimensão da evolução e da sua distribuição por país e setor da economia até o ano de 2014[4]. Aliás, a China está se convertendo no maior emissor de investimento externo direto (IED) do mundo, em grande parte puxado por empresas estatais que atuam em consonância com os interesses governamentais (SANTOS; MILAN, 2014). Não por acaso tem sido vertigino a ampliação do número de empresas chinesas na lista das 500 maiores da Fortune: no ranking de 2014 já são 95 da China (e Hong Kong), enquanto os EUA caíram para 128[5].

Quinto, é o caso, por exemplo, da sua mais recente proposta de criar um sistema internacional de pagamento (China International Payment System-CIPS) ainda em 2015[6] – iniciativa que o governo russo também tem buscado ampliar para criar um sistema nacional de pagamento[7]. São iniciativas alternativas ao tradicional domínio do SWIFT (Society for the Worldwide Interbank Financial Telecommunication) fundada em 1973 em Bruxelas como principal mecanismo padronizado para transações financeiras globais (através de cartas de crédito e diversas formas de pagamento usando linguagem computacional comum). No fundo, o governo chinês trabalha para a desdolarização global e a internacionalização de sua moeda, o yuan, através da assinatura de swaps cambiários bilaterais, da instalação de centros de liquidação direta fora da Ásia e da abertura programada do mercado de capitais. Com efeito, o objetivo é ampliar a autonomia da China em relação a estruturas do mercado financeiro centradas nos EUA/União Europeia. O certo é que a desdolarização não é uma política cujo resultado dar-se-á no curto prazo, mas é certo também que uma economia que poderá ser 25% maior do que a dos EUA em 2050 necessariamente terá sua moeda demandada como reserva de valor[8].

Sexto, a formação do Fundo Rota da Seda[9], a ser constituído por 40 bilhões de dólares a partir de recursos das reservas internacionais e de bancos chineses (China Investment Corp., Export-Import Bank of China e China Development Bank). O objetivo é integrar a Eurásia recriando uma nova Rota da Seda, cujas diretrizes já foram explanadas pelo presidente Xi Jinping no Fórum Boao para a Ásia em março de 2015. Nesse documento[10], o governo reitera que recriação do eixo de cooperação entre Oriente e Ocidente deve fortalecer a inclusividade, o aprendizado e o benefício mútuos, de modo a impulsionar a coordenação política, o desenvolvimento de infraestrutura e a integração econômica (comercial e de investimentos). No entendimento da China, serão duas vias de ligação com a Europa: o Cinturão Econômico da Rota da Seda estabelecerá essa conexão através da Mongólia, Ásia Central e Rússia e da Rota da Seda Marítima será constituída através da Mar do Sul da China e no Oceano Índico.

Por fim, a criação oficial do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) se deu em outubro de 2014, projetado para ter, inicialmente, um capital social de 100 bilhões de dólares, sendo metade alocado pela China. É um banco de desenvolvimento multilateral (MDB) tendo como foco o desenvolvimento de infraestrutura e outros setores produtivos na Ásia, complementando e cooperando com os bancos multilaterais de desenvolvimento existentes. Até o final de outubro de 2014, 22 países asiáticos assinaram um Memorando de Entendimento (MOU) para estabelecer o AIIB, tendo Pequim como sede e Jin Liqun como seu primeiro Secretário-Geral Interino.[11]Embora tenha sido uma iniciativa voltada à região, como sugere o nome do banco, foi criado com 57 membros fundadores, incluindo aliados norte-americanos. O fato é que a iniciativa ganhou uma importância muito maior e demonstrou a reduzida capacidade dos EUA de dissuadirem seus aliados. Reconheceu o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Lawrence Summers[12], que a China pode abalar a hegemonia econômica dos EUA.

Considerações finais

A China tem apresentado uma crescente capacidade financeira, manifesta i) nas suas reservas internacionais de cerca de 4 trilhões de dólares[13]; ii) na importância global de seus bancos, que em 2004 não possuíam nenhum entre os 10 maiores do mundo e em 2013 já tinha o primeiro, segundo, sétimo e nono (Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), China Construction Bank, Bank of China e o Agricultural Bank of China)[14]; e iii) na participação ativa na criação e fortalecimento dos bancos de desenvolvimento, como o China Development Bank (CBD-1994), o China-Africa Development Bank (CAD Fund-2007), o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NBD-2014) e agora o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutra (AIIB-2014). O resultado é a condição para liderar a construção de uma nova arquitetura financeira global que, embora de maturação e desdobramentos incertos, tende i) a aprofundar a integração infraestrutural e econômica da região, ii) a projetar a liderança regional (e global) da China e iii) a fortalecer novos sistemas de governança na economia mundial.

Não resta dúvida que a China está consciente de que seu desenvolvimento ainda é recente e, por isso, precisa amadurecer sua trajetória para assumir o papel e a responsabilidade de um líder regional ou até mesmo global (OLIVEIRA; LEITE, 2014). Parece evidente também que a China tem se tornado progressivamente mais assertiva, sem, contudo, precisar ser revisionista, dado que o status quo internacional não restringe sua ascensão. Assim, a situação internacional atual permite à China acumular forças e, ao mesmo tempo, na medida que a correlação de forças vai se alterando, buscar construir alternativas internacionais em diversos campos. Enquanto os EUA parecem incapazes de reconhecer a multipolarização em curso e formatar sua grande estratégia, ao focarem prioritariamente em elementos táticos e operacionais de cunho militar (CEPIK; MARTINS, 2014), o fortalecimento do eixo Sul-Sul e o processo de multipolarização têm evoluído em diversas esferas (PAUTASSO, 2011a). E só pode ser entendido à luz do renascimento da Ásia e da ascensão chinesa.

Fonte: BLOG DO GRUPO DE PESQUISA SOBRE POTÊNCIAS MÉDIAS

BRICS to establish new multi-currency financial order – experts to RT

Publicado originalmente em 22 de maio de 2015

The new BRICS initiatives break the monopoly of existing western institutions over the financial order – a very important symbolic change, as it’s the first time a global financial institution is led by developing countries, said experts to RT.

“If the new development bank experiment succeeds, it will show the world that the emerging countries can do and manage a multilateral economic institution by themselves,” Akshay Mathur, geo-economic fellow head of research at the Indian Council on Global Relations, told RT at the BRICS academic forum.

While talking about the bank’s challenge to western-dominated financial system, he said that one of its goals is to stimulate lending to countries in local currencies for the new projects in that region.

“Right now the bank has clauses in its charter to encourage lending in local currencies. It can do it for lending in the new projects in the East, for Russian projects in the ruble,” he said.

BRICS has already employed tools to move away from US dollar dominance, believes H.H.S. Viswanathan, Distinguished Fellow at India’s Observer Research Foundation.

A lot of trade between China and Russia is already taking place in local currencies. As far as India is concerned, it’s not that advanced, but in some areas – yes, we are using local currencies,” he said adding that the main advantage of the banks’ moving away from the dollar is that trading in local currencies reduces the operational cost.

Risk of China’s domination

Akshay Mathur also pointed out the potential risks the bank may face, cautioning that China, the largest of the five BRICS economies, could end up dominating the new financial institution.

China has already shown notable success in internationalizing yuan. It is issuing foreign loans in its national currency and has currency swaps with 21 countries.

China is lending now more than the World Bank and the IMF combined in Africa and Latin America. So, what I mean about the risk of Chinese financial architecture is that we want to move to a more multilateral multi-currency equitable architecture, because now we have been moving from the risks of one currency [the US dollar – Ed.] to the risks of another,” he said.

The fact that the BRICS countries are setting up new institutions doesn’t mean that they are abandoning all of the existing ones, said Oliver Stuenkel, Professor of International Relations at Fundação Getúlio Vargas (FGV) in São Paulo.

“I don’t think the BRICS countries are fully betting on new institutions which may have dominance by China, but I think BRICS institutions will have more capacity to engage both institutions reducing the risk that one country dominates all of others,” he said.

Despite holding the pre-eminent position in the West’s economy, the World Bank is also in the process of adapting to the rise in influence of other less developed countries. BRICS group will actively encourage this trend by seeking to reform existing institutions, while at the same time creating new ones, he added.

Non-BRICS participants

Apart from the BRICS, there are other countries showing interest in entering the new development bank, said H.H.S. Viswanathan.

“Already some European countries, particularly Scandinavian countries, Finland, have shown interest, although it’s North. There will be countries who will be interested. Because they think that it’s going to be a success,” he said, adding that the bank itself is interested in inviting new members.

The subscribed capital of the New Development bank is $50 billion, which means the BRICS countries allocated $10 billion each. The authorized capital is $100 billion, which means another $50 billion is expected from other interested parties, which may be countries or even other banks.

Brazil, Russia, India, China and South Africa established the New Development Bank, along with a reserve currency pool worth over $100 billion, during the 6th BRICS summit in July 2014. The bank will finance infrastructure projects in the BRICS and other developing countries, and is expected to begin operations by the end of 2015, with its headquarters in Shanghai.

Fonte: RT

Autor de livros de Comércio Exterior lança romance histórico sobre a saga dos tropeiros no Brasil

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Depois de lançar livros que vão da teoria à prática do comércio exterior, passando desde a complexidade da relações internacionais até as tecnicalidades do desembaraço aduaneiro e do Incoterms, o professor Cláudio Luiz Gonçalves de Souza se dedicou a um romance histórico sobre a saga dos tropeiros e do movimento tropeirismo no Brasil e, particularmente em Minas Gerais. Mesmo com a liberdade da literatura, o autor não se afasta de sua paixão pelo comércio, e aborda o papel fundamental que os tropeiros tiveram  para o desenvolvimento econômico e social  de Minas Gerais e do Brasil, com o movimento das suas tropas de muares ao transportar riquezas, bens, mercadorias e correspondências (informações) por todos os cantos e rincões desse nosso país.

E para os  profissionais e estudantes do Direito, Comércio Exterior e Relações Internacionais, fica a dica dos outros livros do  professor Cláudio Luiz Gonçalves de Souza:

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China refuerza su influencia en Brasil con inversiones estratégicas

Publicado originalmente em 19 de maio de 2015

Rousseff y Li firman 35 acuerdos de inversión. Pekín destinará 6.200 millones a Petrobras.

El primer ministro chino, Li Keqiang, y la presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, sellaron este martes en Brasilia su alianza económica con una batería de 35 acuerdos millonarios que van desde la construcción de una vía férrea que enlazará Brasil y Perú a la construcción de un complejo siderúrgico en el Norte de Brasil, entre otras cosas. Brasilia es la primera etapa de un viaje que el primer ministro chino llevará a cabo por varios países latinoamericanos, donde la inversión —y la influencia— china cada vez es más patente.Tras Brasil, Li Keqiang se desplazará a Colombia, Perú y Chile.

China es el principal socio económico brasileño, tras haber superado hace años a Estados Unidos. Y eso quedó patente este martes en Brasilia, donde el primer ministro chino y Dilma Rousseff certificaron esta relación especial con un paquete de inversiones chinas en territorio brasileño. Las cifras son contundentes y hablan del poder de la inagotable chequera china para tejer alianzas y ganar poder e influencia en esta área del mundo: acuerdos por valor de 47.500 millones de euros en los sectores comerciales, financieros y de infraestructuras, incluidas carreteras, líneas de alta tensión eléctricas y obras en minas.

El proyecto estrella, de cualquier forma, es la línea férrea, construida con capital chino, que unirá el océano Pacífico con el Atlántico, acabando en la costa peruana. “Atravesará nuestro país de oeste a este, pasando por los Andes, hasta llegar a los puertos peruanos”, anunció Rousseff. Con todo, la mega-obra se encuentra en un estadio embrionario, en lo que los especialistas denominan “estudio de viabilidad”, pero tanto Rousseff como Li Keqiang se refirieron a él como una realidad articulada y cierta.

China anunció también que llevará a cabo en Brasil acuerdos de colaboración y préstamos con la petrolera brasileña Petrobras, actualmente envuelta en una trama de corrupción política que la hunde en la desconfianza, por valor de 6.290 millones de dólares, un signo claro de apoyo a Rousseff. El dinero chino también servirá para la compra de barcos que transporten hierro (uno de los materiales que más adquiere China de Brasil, junto con la soja).

Otro importante apartado es la compra de 22 aviones de Embraer por parte de la compañía china Tianjin Airlines, por un valor aproximado de 1.100 millones de dólares. Es el primer tramo de un acuerdo que contempla la venta de 60 aparatos.

“En un escenario de difícil recuperación global, la cooperación mutua entre China y Brasil va a proporcionar el desarrollo de las economías emergentes y, por consecuencia, el de la economía mundial”, aseguró el primer ministro chino. Rousseff, por su parte,vapuleada en las encuestas debido a una crisis económica que sume a Brasil en el crecimiento nimio cuando no en la recesión, añadió que los acuerdos firmados este martes van a profundizar aún más la relación ya de por sí estrecha entre las dos naciones.

Desde Brasil, Li Keqiang viaja a Bogotá, para desplazarse después a Lima y posteriormente a Santiago de Chile. Pekín sigue así afianzándose en Latinoamérica.

“China está comprometida en diversificar el comercio con los países latinoamericanos y a importar productos de mayor valor añadido. Esperamos que los países latinoamericanos, por su parte, especialmente Brasil, Colombia, Perú y Chile, puedan también exportar más productos que satisfagan el mercado chino”, aseguró recientemente el viceministro de Comercio, Tong Daichi.

 Fonte: El país