Brasil: Império do Caos ataca novamente

Publicado originalmente em: 26/04/2016

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Pouco depois de a moção pró-impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff ser aprovada no Congresso do Brasil, por deputados que resolvi chamar de hienas da Guerra Híbrida, o presidente-coroado Michel “Até tu, Brutus?!” Temer, um dos articuladores do golpe, mandou um de seus senadores a Washington como garoto-de-recados especial, para dar notícias sobre o golpe em andamento. O senador em questão não cumpria missão oficial da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil.

Michel “Até tu, Brutus?!” Temer assustou-se com a reação da mídia global, a qual está vendo cada dia mais vê claramente que o golpe que ele está fazendo é o que é (golpe) – aliado de Brutus-2, presidente notoriamente corrupto da Câmara de Deputados do Brasil, Eduardo Cunha.

A missão do tal senador era lançar uma ofensiva de Propaganda/Relações Públicas para desconstruir a narrativa que insiste que golpe é golpe, e a qual, segundo Brutus-1 estaria “desmoralizando instituições brasileiras”.

Nonsense. O senador office-boy foi mandado dizer ao Departamento de Estado dos EUA que tudo por aqui está andando conforme a encomenda.

Em Washington, o senador office-boy resmungou que “explicaremos que o Brasil não é uma república de bananas”. Ora… Não era. Mas graças às hienas da Guerra Híbrida, é.

Quando se tem um homem que administra 11 contas bancárias ilegais na Suíça; cujo nome aparece listado nos Panama Papers, que já está sendo investigado pela Suprema Corte… e que, mesmo assim, continua a comandar o destino político de toda a nação, sim, sim, aí está uma república de bananas.

Quando você tem um juiz de paróquia, provinciano, que ameaça pôr na prisão o ex-presidente Lula, por ser proprietário de um apartamento modesto onde vive e por visitar um sítio modesto de amigos, mas, ao mesmo tempo, não cuida de investigar o Brutus-2, e juiz provinciano que opera irmanado àqueles pomposos juízes da pomposa Corte Suprema paroquial provinciana… sim, aí está uma república de bananas.

Comparem agora a reação-zero de Washington, e a reação de Moscou. O Ministério de Relações Exteriores da Rússia, mediante a irrepreensível porta-voz Maria Zakharova, chamou a atenção do mundo para a parceira crucial que liga todos os países BRICS, e as posições comuns que Brasil e Rússia têm defendido juntos dentro do G20. E Moscou deixou claro que os problemas do Brasil têm de ser resolvidos “no quadro constitucional legal e sem qualquer interferência externa”.

Todo mundo sabe o que significa “interferência externa”.

Dominação de Pleno Espectro Rearmada

Estou acompanhando o golpe em andamento no Brasil, com especial atenção à Guerra Híbrida movida/apoiada pelos EUA para destruir “o projeto neodesenvolvimentista para a América Latina – que unia pelo menos parte das elites locais, investia no desenvolvimento de mercados internos, em associação com as classes trabalhadoras”. O objetivo chave da Guerra Híbrida no caso do golpe no Brasil é instalar uma restauração neoliberal.

Obviamente, o alvo chave tinha de ser o Brasil, estado membro dos BRICS e sétima maior economia do mundo.

Falcões imperiais [ver também “Preocupações com a ‘Bala de Prata’ nem tão eficaz”, in Rússia e China, 2016: Como planejam  enfrentar a guerra econômica dos EUA], já estão indo diretamente ao ponto, quando listam as armas e objetivos da Guerra Híbrida, que o Pentágono definiu em 2002 como “Doutrina da Dominação de Pleno Espectro”: “O poder dos EUA vem de nossa superior força militar, sim. Qualquer coisa que expanda o alcance dos mercados dos EUA – como a Parceria Trans-Pacífico no comércio, por exemplo – acrescenta-se ao arsenal do poder dos EUA. Mas em sentido mais profundo, o poder dos EUA é produto da dominação da economia dos EUA sobre o mundo”.

Mas fato é que a economia norte-americana já está longe de dominar o mundo. O que hoje realmente preocupa são as forças que orientam “os negócios para longe dos EUA, ou permitem que outras nações construam arquitetura financeira rival e menos vulnerável a sanções, mesmo que a uma montanha delas”.

“Arquitetura financeira rival” é perfeita tradução de “BRICS”. E nem “uma montanha de sanções” bastaram para fazer o Irã curvar-se e pedir penico ao Tio Sam; Teerã continuará a praticar uma “economia de resistência”. Não por acaso, dois dos países BRICS – Rússia e China – além do Irã, aparecem entre as cinco principais ameaças existenciais listadas pelo Pentágono, além das bombas atômicas da Coreia do Norte e, em último lugar na lista, “terrorismo“.

Guerra Fria 2.0 é essencialmente Rússia e China – mas o Brasil também é ator chave. Edward Snowden revelou como a espionagem contra o Brasil, pela Agência de Segurança Nacional centrava-se na Petrobrás, cuja tecnologia proprietária foi responsável pela maior descoberta de petróleo, ao nascer do século 21: os depósitos do pré-sal em águas do Brasil. O Big Oil norte-americano está excluído da exploração dessa riqueza.

E “Big EUA Oil excluído é anátema – e exige mobilização imediata das técnicas e táticas de Guerra Híbrida reunidas na [doutrina] de Dominação de Pleno Espectro.

As elites comprador brasileiras correram a se oferecer para jogar o jogo. Já há mais de dois anos analistas de JP Morgan oferecem seminários aos guerrilheiros da macroeconomia neoliberal, ensinando táticas e golpes para desestabilizar o governo Rousseff.

Lobbies da indústria, comércio, banking e agronegócio ostensivamente se puseram na defesa do impeachment, que representaria, na avaliação deles, o fim do experimento social-democrata dos governos Lula-Dilma.

Assim sendo, não surpreende que o presidente herdeiro coroado Michel “Até tu, Brutus?!” Temer tenha acordo tão amplo com o Big Capital – incluindo juros ilimitados sobre a dívida pública (muito acima da norma internacional); a relação entre dívida e PIB, que terá de subir; mais empréstimos caros; e o corolário, cortes na atenção pública à saúde e à educação dos brasileiros.

No que tenha a ver com Washington, não há dúvidas e é questão fechada para os Democratas e Republicanos: absolutamente não se admite que haja poder regional autônomo no Atlântico Sul abençoado por riqueza ecológica única do mundo (pensem na Floresta Amazônica, toda aquela água, que se soma ao aquífero Guarani) e, como se isso fosse pouca coisa, ainda muito intimamente conectado aos BRICS-chave, Rússia e China, que já têm sua própria parceria estratégica.

O fator pré-sal é a cereja nesse bolo tropical. Absolutamente de modo algum, não e não, o Big Oil dos EUA não permitirá que a Petrobrás tenha o monopólio para explorar aquele petróleo todo. E, sendo necessário, afinal de contas, a 4ª Frota dos EUA já está posicionada no Atlântico Sul.

Um BRICS derrubado, ainda faltam dois

A “guerra ao terô [“terror”, no sotaque de Bush] declarada pelo regime Cheney distraiu a atenção do Empire of Chaos por tempo demais. Agora, finalmente, está em andamento uma ofensiva do caos global contra os BRICs – coordenada em todo o planeta.

Do Sudoeste da Ásia ao Sul da Ásia, o sonho da Guerra Híbrida será criar alguma espécie de caos iraquiano para substituir os governos de Arábia Saudita, Irã, Paquistão e Egito – e o Império “Liderar pela Retaguarda” do Caos está fazendo o possível na Síria, onde ainda nada conseguiu, por mais que a “dinastia Assad”, ao longo de décadas, tenha sido aliada “secreta” dos EUA.

Os Masters of the Universe que controlam o cordame que move Obama, eterno office-boy deles, resolveu que seria chegada a hora de apunhalar a Casa de Saud pelas costas – o que não chega a ser, afinal, má ideia – por causa do Irã. O pensamento desejante dominante ‘ensinava’ que seria fácil pôr o gás natural iraniano na Europa, em lugar do gás natural russo, o que derrubaria a economia russa. Absolutamente não funcionou.

Mas ainda há outra possibilidade: o gás natural do Qatar, pelo gasoduto que atravessa Arábia Saudita e Síria, também poderia substituir o gás natural russo vendido à Europa. Esse é hoje o principal objetivo da CIA na Síria – o instrumento não importa: Daech, falso Califato, vale tudo, porque nada disso é coisa alguma além de propaganda.

A CIA também está gostando de ver a Arábia Saudita destruir a economia russa com aquela guerra dos preços do petróleo – e não querem que os sauditas parem; por isso mantêm secretas as tais famosas 28 páginas sobre os sauditas nos eventos de 11/9.

A CIA também andou tentando feito doida atrair Moscou para dentro de uma armadilha síria como no Afeganistão dos anos 1980s; e, como fizeram com o golpe em Kiev, a ponto de ordenar que militares turcos, sempre agentes dos EUA, derrubassem um jato Su-24 russo. “Problema” é que o Kremlin não mordeu a maçã envenenada.

Nos idos anos 1980s, o mix de Casa de Saud inundando mercados com seu petróleo, agindo com toda a gangue do petrodólar do CCG para derrubar o preço até $7 por barril em 1985, plus a operação “O Afeganistão É O Vietnã”, terminou por levar a URSS à bancarrota. Pode-se dizer que toda a ação foi brilhante – na concepção e na execução: uma Guerra Híbrida plus Vietnã. Agora, com a coisa de “liderar pela retaguarda” do Dr. Zbig “Grande Tabuleiro de Xadrez” – mentor de sua política exterior – Obama está tentando repetir o mesmo truque.

Mas epa! Temos um problema. A liderança em Pequim, já preocupada com ajustes no modelo chinês de desenvolvimento, viu claramente os esforços do Império do Caos para Dividir e Governar (e Ocupar) o mundo inteiro. Se a Rússia caísse, a China seria o alvo seguinte.

Ainda praticamente ontem, em 2010, a inteligência dos EUA via a China como sua principal ameaça militar, e pôs-se a andar na direção do Império do Meio, com o tal “pivô para a Ásia”. Mas de repente a CIA deu-se conta de que Moscou gastara um trilhão de dólares para saltar por cima de duas gerações de atraso em matéria de mísseis de defesa e de ataque – para nem falar dos submarinos – as armas de eleição para a 3ª Guerra Mundial.

E foi aí que a Rússia pulou para o trono de principal ameaça. Analisando atentamente o tabuleiro de xadrez, a liderança em Pequim imediatamente acelerou a aliança com Rússia e BRICS como força alternativa – o que gerou terremoto de proporções absolutamente devastadoras em Washington.

Agora, Pequim já fez a reengenharia dos BRICS para operarem como estrutura alternativa séria de poder – com FMI próprio, com sistema SWIFT de compensações internacionais próprio e com seu próprio Banco Mundial.

Nunca subestime a fúria de um Império do Caos enganado. Isso é o que se vê em ação contra os BRICS; Brasil sitiado, desastre na África do Sul, fragilidade na Índia, China e Rússia progressivamente cercadas. Variações de Guerra Híbrida da Ucrânia ao Brasil, pressão crescente na Ásia Central, o barril de pólvora em que foi convertido o “Siriaque”, tudo aponta para uma ofensiva coordenada do Espectro da Plena Dominação para quebrar os BRICS, a parceria estratégica Rússia-China, até quebrar as Novas Rotas da Seda que unem toda a Eurásia.

Guerras do preço do petróleo, colapso do rublo, fluxo gigante de refugiados para a União Europeia (causado pelo Sultão Erdogan “errático”), a Operação Gládio do século 21 remistura tudo, distrai as massas com inimigos imaginários, enquanto simulacros de terroristas do tipo Daesh são manipulados como sofisticadas táticas diversionistas.

Parece tão brilhante, coisa mesmo ‘de mestre’, na concepção e na execução, tão impressionantemente bem narrada, em sentido de ficção televisiva/cinematográfica. Mas que ninguém se engane: vai ter volta.*****

Fonte: Strategic Culture

Guerra Híbrida, de Palmyra ao Panamá

Os Panama Papers, dissecados até o osso, revelaram-se, como já escrevi, essencialmente, como operação de infoguerra iniciada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (ing. US-NSA) – que convenientemente mira contra os “inimigos” do ‘ocidente’ no sul global (como os países BRICS) e variados peões descartáveis.

Publicado originalmente em: 07/04/2016

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No estágio atual, os Panama Papers estão servindo como arma de operação de guerra psicológica (ing. psyops) apresentados como ‘vazamento ativista’, saído diretamente do manual de Guerra Híbrida.

Os incansáveis agentes ‘especialistas’ da mídia-empresa dominante estão tendo muito trabalho para apresentar o ‘vazamento’ monstro como “jornalismo responsável”, sempre sem tocar em nenhuma das graves questões que já apareceram, sobre como o tal ‘vazamento’ teria sido ‘vazado’; como teriam sido seletivamente editados 2,6 terabytes de dados, incluindo 5 milhões de emails; como foram obtidos sem encriptação; como é possível que, de toda essa massa de dados sobre a qual teriam trabalhado mais de 400 jornalistas por mais de um ano, não tenha havido nenhum ‘vazamento’ do ‘vazamento’; e sobre como a informação estaria sendo seletivamente distribuída hoje.

Guardiões do sempre citado “jornalismo responsável” andam divulgando que o material teria vindo de um mosqueteiro digital, um “tocador de corneta para alertar os cidadãos. Não necessariamente. O vazamento já disparou uma guerra de credibilidade entre WikiLeaks e os recentes ‘vazadores’ midiáticos – a ONG de Washington, mantida por fundações norte-americanas, conhecida como ICIJ.

A tese sobre a Agência de Segurança Nacional dos EUA baseia-se no fato de que essa US-NSA é especializada em invadir praticamente qualquer banco de dados e/ou arquivo em qualquer ponto do mundo, para roubar “segredos” e, na sequência, usar os dados assim obtidos para seletivamente destruir/chantagear/proteger quadros seus e/ou “inimigos”, conforme mandem os interesses do governo dos EUA. Acrescente-se a isso o que Ramon Fonseca, sócio fundador de Mossack Fonseca, tem dito: “Já descartamos a possibilidade de trabalho interno. Fomos assaltados e roubados por hackers.”

Resposta a “ameaças estratégicas”

Os Panama Papers funcionam tanto como ataque de precisão quanto como uma “mensagem” para muitos atores: eles que se mantenham em formação, porque, se não, pagarão caro; afinal, o vazamento/hackeamento revela uma rede de conexões entre várias dúzias de empresas, indivíduos e políticos em todo o Sul Global que têm aparecido como superestrelas/astros, ou aspirantes ao posto, das listas negras das sanções impostas pelos EUA.

O foco obsessivo da mídia-empresa dominante – que só tem olhos para os inimigos e/ou “ameaças estratégicas” do ponto de vista do Excepcionalistão – também gera muitas suspeitas. Em “Forças poderosas por trás dos Panama Papers” lê-se o que o sempre alerta governo em Pequim tem a dizer sobre o assunto.

Os Panama Papers também surgem em momento perfeitamente adequado para encaixarem-se numa massiva ofensiva comercial dos norte-americanos. Podem-se ler os tais vazamentos como uma espécie de lembrete do violento poder da ’empresa’ TPP-TTIP: se você não se une ao nosso movimento a favor de um único comércio mundial controlado pelos EUA, jogamos merda sobre você

Claro que é saudável poder dar pelo menos uma olhadela nas imundas entranhas do capitalismo de cassino super-turbinado, também conhecido como “sistema financeiro global”, onde grandes bancos e um exército de tubarões das finanças permitem que empresas ‘secretas’ estacionem ilegalmente o dinheiro que recebem da/para a corrupção.

Paralelamente, também é esclarecedor observar como todas as transações de dinheiro eletrônico são agora completamente rastreáveis. Os Panama Papers estão vindo à tona apenas alguns meses antes que um obscuro tratado global de compartilhamento de informação seja implementado. Se os tubarões financeiros globais conseguirão burlar o acordo é questão ainda em aberto. O detalhe crucialmente importante é que o Panamá não é signatário daquele tratado.

Do lado crucialmente decisivo dos tubarões financeiros, mais de metade das empresas listadas no vazamento/hackeamento massivo são registradas no Reino Unido – ou em “dependências da Coroa”. Podem degustar o doce aroma da vingança: a mídia-empresa norte-americana vinga-se, ao delatar expor ao mundo o que, de fato, é praticamente todo o Império Britânico da Evasão de Impostos.

Não há quem não saiba que a City de Londres opera amplamente como uma gangue de lavagem de dinheiro de categoria mundial. Mas podem esquecer, porque os guardiões do “jornalismo responsável” britânico jamais ‘investigarão’ coisa alguma relacionada ao ‘fenômeno’. Muito mais fácil e popular é ‘noticiar’ que Putin é culpado por associação, em vez de investigar para saber como aconteceu de o pai de David Cameron, ter preferido guardar a fortuna da família (a herança que o primeiro-ministro um dia receberá) bem longe do coletor de impostos.

Ou como o presidente daquela entidade falhada amiga da OTAN, Petro Poroshenko, enfia sua fortuna, não na Ucrânia sem leis e ingovernável, mas nas “protegidas” Ilhas Virgem. E esqueçam, porque absolutamente ninguém investigará o ex-chefe de gabinete do ex-primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon, Dov Weisglass, cujo nome, como o do pai de Cameron e de Poroshenko, realmente aparece citado nos Panama Papers.

O mais importante: que ninguém espere por Cayman Papers ou quaisquer Virgin Island Papers – os papers realmente quentes –, tão cedo. A elite real jamais deixará que aconteça.

Panamá ‘editado’

E depois tem o ângulo do Excepcionalistão. Até Bloomberg, há três meses, já denunciou formalmente à opinião pública que o maior paraíso fiscal do mundo é hoje os EUA – completado com Rothschild-in-Reno, notório provedor de serviços de paraíso fiscal. Diferente do Panamá, o que acontece em Reno fica em Reno – e não estamos falando de noitadas selvagens de lap-dancing, nas profundas do deserto de Nevada.

Acrescente aí uma sumarenta fonte com conexões no estado ‘profundo’ a falar de “só 441 norte-americanos” (todos ainda misteriosos), cujos nomes estariam no vazamento/hackeamento: “O escritório em Nevada de Mossack Fonseca recebeu informação prévia, da Agência de Segurança Nacional dos EUA, no sentido de que alertasse o Panamá para que apagasse todos os registros em Nevada. A Agência de Segurança Nacional dos

EUA é mecanismo de controle político. Nada tem a ver com terrorismo, e nem saberia onde olhar, a menos que fosse orientada por insiders estilo “Operação Gladio”.

A guerra que o governo dos EUA faz contra os paraísos fiscais também é, é claro, seletiva. A Suíça tem sido alvo preferencial. Agora, o Panamá. Considerada a tese da Agência de Segurança Nacional dos EUA, é absolutamente claro que bilionários norte-americanos e empresas norte-americanas chaves foram, todos e todas, ‘apagadas(os)’ do ‘vazamento/hackeamento’.

O padrão ouro para que os Panama Papers não se tornem descartáveis como vazamento ‘seletivo’ plus ‘Operação psicológica’ de guerra híbrida, seria, por exemplo, se HSBC, Coutts (subsidiária de RBS) e UBS – e profundamente conectada com Mossack Fonseca — forem investigados a fundo. Se Vitol, corretor de petróleo, ligado ao governante do Azerbaijão Ilham Aliyev e cujo nome aparece nos Panama Papers, vier a ser investigado. Se as imundas conexões entre o Big Oil e o Big Banking ocidental forem expostas.

Mas é claro que todos os comerciantes de armas, barões da droga, oligarcas corruptos e conhecidos sonegadores de impostos continuam a colher recompensas dos próprios crimes, sem que nada e ninguém os perturbe – desde que saibam jogar o jogo do cassino capitalista super turbinado.

Por que agora?

Os Panama Papers tem muito a ver com timing. Por que agora? Afinal essa montanha de informações passou por escrutínio, sob sigilo total, durante mais de um ano.

Os Panama Papers encaixam-se perfeitamente na Guerra Híbrida. Assim como a operação Car Wash no Brasil – que é desdobramento da espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA, contra a Petrobras –, os Panama Papers podem ser vistos como lava-caminhões-monstros, mirada contra o sul global em geral, e contra os BRICS em particular. 

Não por acaso, imediatamente depois de os vazamentos/hackeamentos terem aparecido, o El Supremo do Pentágono Ash Carter, falando no Center for Strategic and International Studies (CSIS) em Washington– vizinho do ICIJ– insistiu mais uma vez que o Pentágono precisava ser mais “ágil” na luta contra os cinco desafios estratégicos dos EUA, que ele listou na seguinte ordem: “Rússia, China, Coreia do Norte, Irã e terrorismo.”

Observem a predominância, em matéria de ameaça, de Rússia, China e Irã – nodos chaves da integração da Eurásia, e todos pesadamente ‘apontados’ nos Panama Papers, sobretudo culpados ‘por associação’.   

O timing da distribuição do vazamento/hackeamento com certeza tem a ver com Palmyra. A recente libertação de Palmyra – que por 3 mil anos é a porta do Sudoeste Asiático para quem venha do ocidente e porta rumo ao Mediterrâneo para quem venha do oriente – foi plano geoestratégico tão brilhantemente concebido e executado, que deixou boquiabertos muitos no Pentágono.

O Daech havia convertido Palmyra numa base chave para ataque total contra Damasco – controlando a única estrada que leva à capital síria.

Assim sendo, só uma contraofensiva meticulosamente coordenada – mais de 20 mil homens, do Exército Árabe Sírio (EAS) a milícias locais, forças especiais do Hezbollah, pasdaran iranianos (inclusive muitos afegãos treinados pelo Irã) e os Spetsnaz russos – conseguiria arrancar de lá os terroristas.

Generais sírios disseram claramente que a Europa (“invadida” por refugiados “libertados” pelo sultão Erdogan da Turquia) sempre preferiu apoiar uns tais “rebeldes moderados” inexistentes – ficção gerada em Washington –, armados pela Turquia e Arábia Saudita. Agora, os europeus têm de encarar o revide, em solo europeu. 

O Exército Árabe Sírio, entrementes, defendeu Damasco; uma Síria unificada e secular e – como os generais sírios destacam com justo orgulho – defendeu também a própria Europa. O trabalho deles não parará em Palmyra. Os objetivos seguintes, para os próximos meses, são Deir ez-Zour, e depois o assalto final a Raqqa, ‘capital’ do falso ‘Califato’.

Assim sendo, que papel teria cabido ao Excepcionalistão – terra da “guerra ao terô” [orig. “war on terra”: era o modo, transliterado, como Bush pronunciava “war on terror” (NTs)] – nessa missão épica?

Nenhum. Nada. Não é acaso que o terrorismo apareça no último lugar na lista de “ameaças estratégicas” do Pentágono. É mais como a ficção que revela a realidade, como na última cena da temporada em curso de House of Cards: “Nós fazemos o terror”.

No caso do Daech, Washington realmente “fez o terror”, no sentido que fez acontecer o terror; o florescimento do falso ‘Califato’ foi decisão premeditada do governo dos EUA. E agora a Rússia fez voar pelos ares – aos olhos do mundo – o autorretrato narcísico do governo dos EUA no qual se traveste como indiscutível campeão da “guerra ao terror”.

Ai! Essa doeu. E em seguida vem a hoje já famosa visita do secretário de estado dos EUA John Kerry a Moscou, há duas semanas, para falar com o presidente Putin.

Pode ter sido parte de uma “grande barganha” na Síria (não, não, nada vazou do que os dois realmente discutiram). E pode ter sido uma retirada tática, com Kerry já tendo reconhecido que a Rússia “venceu” na Síria, mas a OTAN – como o Pentágono – manterá a pressão nas fronteiras ocidentais da Rússia. E a Guerra Híbrida recomeçou quase imediatamente depois, com os Panama Papers.

Nós reinamos sobre mundo uno monolítico

Um “Califato” falso jamais será ameaça estratégica ao Excepcionalistão; mas a integração da Eurásia, sim, é, com certeza.

Não surpreende que o governo dos EUA em Washington esteja alarmado. A Síria já provocou dois desenvolvimentos chaves:

1) a coordenação de alto nível entre Moscou, Damasco, Teerã e Bagdá – mediante o centro de informação unificada de Bagdá –, é já uma antecâmara de como a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) [ing. Shanghai Cooperation Organization (SCO)] pode, no futuro, intervir em qualquer ponto de conflito, como antípoda perfeito da OTAN: trabalhando para erradicar o caos, em vez de o fomentar com o dito “imperialismo humanitário”; e

2) é também uma antecâmara, em termos de cooperação entre estados, de como as Novas Rotas da Seda podem avançar pela Eurásia, integrando cada vez mais China e Rússia com o centro e o sudoeste da Ásia.

Quanto ao governo dos EUA em Washington, as prioridades não mudam. Em primeiro lugar, impedir Rússia e a União Europeia de estabelecerem qualquer parceria bilateral, estratégica/comercial/de negócios que aprofunde a integração da Eurásia.

A Guerra Híbrida mais hardcore na Ucrânia continua a ser o meio mais garantido de impedir que qualquer tipo de integração consiga avançar, assim como a OTAN a distribuir suas ‘patrulhas’ a partir das bases implantadas em estados vassalos da Europa Ocidental.

O objetivo chave geral é impedir a integração da Eurásia, por todos os meios. Quanto a Wall Street, o que importa é construir um fluxo mundial unitário, de mundo uno, de capital norte-americano, que beneficie o sistema de capitalismo de cassino superturbinado controlado pelos EUA – e não a Eurásia. Comparado ao Grande Quadro, o Panamá pode eventualmente deixar uns poucos mortos de beira de estrada. Não bastarão. Preparem-se para o grande arrasto. Para os insaciáveis devoradores de gasolina, caminhões-monstro da Guerra Híbrida, a estrada avança.

Fonte: The Sputnik News

América Latina: gelado vento de golpe sopra do Norte

Publicado originalmente em: 13/04/2016

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Com os fundos para programas de bem-estar secando, em plena recessão global, a velha elite, com ajuda dos EUA, está outra vez usando a linguagem da anticorrupção para repor os pés na região e desestabilizar governos de esquerda eleitos na América Latina.

Velhos perigos, todos bem conhecidos rondam pelas esquinas da América Latina. Mais de uma década de esperança – corporificada nos experimentos sociais na Venezuela – parecem agonizar. A ‘maré rosada’ de vitórias eleitorais, da Venezuela à Bolívia e para cima, até a Nicarágua, parecem estar em período de maré vazante. A Velha Direita rejeitou os estertores e a gritaria dos militares, trocados pela fala melosa do que chamam de “anticorrupção”. Os bolivarianos da Venezuela – a face atual da esquerda naquele país – perdeu as eleições parlamentares; a Bolívia de Evo Morales decidiu não alterar a Constituição para dar ao presidente um quarto mandato presidencial. O eleitorado Argentina rejeitou a Esquerda Peronista, para eleger a direita dos banqueiros. E no Brasil o governo de Dilma Rousseff padece sobre a violenta hostilidade das mídia-empresas monopolistas e do establishment conservador.

Não se pode falar de frieza no continente. No Peru, Verónika Mendoza da Frente Ampla saiu-se muito bem no primeiro turno da eleição presidencial; na Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias, FARCs, preparam-se para assinar um acordo de paz e levar a política deles ao julgamento das urnas. Instituições criadas no momento em que subia a “maré rosada”, como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (plataforma de comércio regional), a TeleSUR (rede regional de mídia), e várias alianças de energia (como Petrocaribe e Petrosur), permanecem vivas e bastante bem.

Novas correntes políticas e esses alinhamentos institucionais sugerem que a “maré rosada” não se deixará conter facilmente. Ela já deitou raízes na imaginação do povo da América Latina e nas instituições estabelecidas há, já, uma década.

Iraque distrai os EUA

Quando Hugo Chávez da Venezuela e Evo Morales da Bolívia puseram em andamento a aliança bolivariana em 2004, os EUA estavam atolados no Iraque. A Guerra Global ao Terror, que falsamente incluía o Iraque como campo de batalha, absorveu o governo do presidente Bush. Uma tentativa de golpe contra o governo de Chávez em 2002 fracassou, efeito do massivo apoio popular ao governo venezuelano. A esquerda latino-americana beneficiou-se dessa abertura – e, também, dos altos preços das commodities e crescente demanda da China – para construir uma plataforma alternativa, que chamaram de “bolivarianismo”.

Com nome derivado de Simón Bolívar, libertador de vários países da América Latina, do jugo espanhol, o bolivarianismo produziu instituições de desenvolvimento regional. O comércio dentro da região denominado em moedas locais permitiu aos estados regionais produzirem um novo ethos.

Os EUA, que veem a América Latino como o quintal da casa deles, continuaram a buscar oportunidades para minar o bolivarianismo. Em 2006, o embaixador dos EUA na Venezuela, William Brownfield, desenvolveu uma estratégia de “dividir o chavismo” (seguidores de Chávez) e de “isolar Chávez internacionalmente”. Os telegramas diplomáticos dos EUA vazados por WikiLeaks são recheados de conspirações e complôs, com outros embaixadores dos EUA contribuindo, eles também  com ideias e planos próprios para desestabilizar governos leais ao processo bolivariano. Mas pouco aconteceu nos anos Bush. A economia latino-americana beneficiou-se do voraz apetite chinês por commodities que alcançavam altos preços e cujos lucros permitiam aos países construir esquemas de bem-estar para oferecer melhor qualidade de vida às respectivas populações.

Obama move-se para o sul

A crise financeira de 2007-08 atingiu a economia da China e viu a lenta deterioração dos preços das commodities. Só depois de alguns anos o impacto econômico daquele processo atingiu ferozmente a América Latina. Queda abrupta nos preços do petróleo no verão de 2008 implicou brecada forte em muitos dos programas sociais que se haviam tornado essenciais na dinâmica do bolivarianismo. E isso mostrou a fragilidade do experimento, se diretamente confrontado pelo ‘ocidente’ dominante.

O governo do presidente Barack Obama focou atentamente a América Latina.

A primeira ação aconteceu no golpe de 2009 em Honduras contra o governo de tendência de esquerda de Manuel Zelaya. Os EUA reconheceram o novo governo militar. E abriram as portas para posição muito mais agressiva contra estados latino-americanos. A presidência de Ollanta Humala (2011) no Peru, e o segundo governo de Michelle Bachelet (2014) no Chile – ambos ostensivamente de esquerda – rapidamente se retraíram, incluindo no gabinete nomes indicados pelos banqueiros, e fizeram as pazes com a hegemonia dos EUA. Com a morte de Chávez em 2012, os bolivarianos perderam o seu guerreiro mais carismático. O impacto do golpe em Honduras e a morte de Chávez foram sentidos ao longo de toda a espinha dorsal da América Latina: “os EUA voltaram”, era o que se ouvia.

A velha elite entrincheirada

Governos de esquerda na América Latina dependiam pesadamente da exportação de commodities caras. O dinheiro dessas vendas garantiam aos governos da região os meios para criar e manter programas de bem-estar social. O Brasil, por exemplo, pôs-se em guerra contra a fome e a miséria, mediante seus programas Fome Zero (ing. Zero Hunger) e Bolsa Família (ing. Family Allowance).

Mas aqueles governos não conseguiram minar o poder das velhas elites sobre a economia e construir novos fundamentos sobre os quais construir a produção da região. Quando o dinheiro da venda das commodities começou a escassear, os programas sociais logo sofreram, diretamente ou indiretamente. Restavam poucas fontes alternativas de renda. Recorrer aos mercados financeiros internacionais pôs vários países em situação de dependência dos centros hegemônicos, dependência que teve imediatamente impacto político.

As velhas elites latino-americanos mantiveram o poder, mesmo durante os períodos de governos de tendência mais à esquerda. Aquelas elites continuam intimamente conectados aos militares norte-americanos e às embaixadas dos EUA. Telegramas diplomáticos do Departamento de Estado dos EUA distribuídos por WikiLeaks oferecem uma janela pela qual se pode começar a conhecer as intrigas e conspirações que se construíam dentro das embaixadas norte-americanas. Na Bolívia, um diplomata dos EUA reuniu-se com um estrategista (de fato, um ‘marketeiro’), Javier Flores e Branko Marinkovic, da oposição, e discutiram ações para explodir oleodutos e fomentar a violência urbana, para desestabilizar o governo de Evo Morales. Para ajudar a oposição de direita na Nicarágua, a embaixada dos EUA esperava conseguir que “os fundos fluam na direção certa”. Essas conspirações aumentaram a autoconfiança entre as elites e seus aliados e comparsas. E eles esperaram o melhor momento para dar o bote.

A violência avança

A fragilização da economia ofereceu uma oportunidade. Em todo o continente, do Chile ao Brasil, novos relatórios começaram a surgir, sempre com ‘revelações’ de corrupção nos gabinetes e mais altos postos dos governos.

Nenhuma das principais mídia-empresas em todos os países da América Latina jamais antes havia dado sinal de qualquer preocupação com ‘corrupção’, nem jamais haviam dado muita publicidade (e propaganda) a histórias de corrupção cujos personagens eram a velha elite política que as principais mídia-empresas sempre ajudaram a eleger e que, eleitos, ajudavam a dar ‘cobertura’ àquelas mídia-empresas.

Mas, eleitos o Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil e o Partido Socialista no Chile, os dois rapidamente conheceram o hálito fedorento da hipocrisia. No Brasil e na Venezuela houve manifestações de rua em que se reuniram aquela velha elite, a velha mídia-empresa e as classes a elas aliadas. E pronto. Num instante estavam reunidos e coordenados todos os elementos de uma ‘primavera latino-americana’ contra ‘a corrupção’. Tarefa do Departamento de Estado dos EUA seria, só, inventar um nome para essa ‘revolução’ colorida, talvez, dessa vez, musical: Revolução do Tango? Revolução Bossa Nova?

Atos de violência contra líderes políticos locais tornaram-se rotina. Na Venezuela, numa única semana do mês passado, três líderes políticos foram assassinados a sangue frio: o prefeito Marco Tulio Carrillo, de La Ceiba; o deputado César Vera, do Conselho Legislativo de Tachira; e Fritz St. Louis, do partido Grande Frente Patriótica. Logo ao lado, no Brasil, uma semana depois, dois ativistas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST [ing. Rural Landless Workers’ Movement] – Leomar Bhorbak e Vilmar Bordim – foram emboscados e mortos; e o presidente do PT em Mogeiro, Ivanildo Francisco da Silva, foi assassinado em casa. São nomes que se acrescentam à longa lista de ativistas de esquerda que estão sendo assassinados em sequência, na América Latina. Objetivo claro, aí, é intimidar os ativistas.

Não surpreende portanto que a veterana líder da esquerda uruguaia (esposa do ex-presidente José Mujica) e hoje senadora pela Frente Ampla do Uruguai Lucía Topolansky esteja alertando para “uma operação de desestabilização” em curso na América Latina. “Nossos países atravessaram os anos de chumbo da ditadura, seguiram a onda neoliberal que tanto sofrimento causou ao povo” – disse ela. – “E agora, quando aqueles processos democráticos começam a consolidar-se, já aí vem uma onda de desestabilização”. Esse sentimento é claro, também, entre outros líderes da esquerda, do México ao Chile. Todos já sentiram o gelado vento de golpe que sopra do Norte, reforçado pelas ambições de elites locais já carcomidas.

Alguns bolsões de resistência pela esquerda mantêm-se intactos. Rafael Correa do Equador, Daniel Ortega da Nicarágua, Salvador Sánchez Cerén de El Salvador e, claro, Evo Morales da Bolívia chefiam governos que ainda lutam para manter agenda progressista. Os ventos de golpe sopram contra eles, mas parece que esses governos ainda resistem.

João Pedro Stédile, do MST, sugere que as forças progressistas em toda a América Latina não se deixarão intimidar pela derrota de seus governos ou por agressão que lhes venha das velhas elites. A confiança nas lutas de massa ainda é alta.

É o que se vê hoje mesmo, quando o MST e outras forças de esquerdas tomam as ruas para defender o governo da presidenta Dilma Rousseff. As velhas elites ainda não se deram conta de o quanto avançou a consolidação de movimentos de massa como o MST – e que esse tipo de movimento não pode ser quebrado com a facilidade com que se derrubam governos. A América Latina não tem estômago – nem a mais violenta e desesperada velha elite latino-americana – para violência mortal contra movimentos de massa. As velhas elites terão de conviver com movimentos de massa. Equivale a dizer que não conseguirão capturar a sociedade, assim como talvez tenham capturado alguns palácios presidenciais. A luta continua.*****

Fonte: The Hindu

Climate change could cut global financial assets by $2.5 trillion, report finds

Publicado originalmente em 05 de abril de 2016.

Climate change could wipe $2.5 trillion off the value of global assets, according to a new set of economic models.

The study assesses the impact of climate change on the present value of global financial assets. Under a business-as-usual emissions path, this could cut $2.5 trillion off their value. However, under a worst-case scenario this could rise to $24.2 trillion.

The authors of the study highlight that climate action is not just imperative for the environment, but also our economy. “Limiting warming to no more than 2 degrees Celsius makes financial sense to risk-neutral investors – and even more so to the risk averse.”

The risk of climate change

The World Economic Forum’s Global Risks Report 2016 named climate change as one of the biggest risks to life on earth.

This study, published in the journal Nature, further highlights the risks posed by failing to limit global warming.

The business-as-usual scenario sees global temperatures increase to 2.5 degrees Celsius above pre-industrial levels by 2100. The study makes clear the significant losses this could cause – up to $24.2 trillion – and is another reminder of the need for urgent climate action.

Why we need to tackle climate change now

February 2016 was the hottest month on record, with NASA data showing global surface temperatures were 1.35 degrees Celsius above the long-term average.

Failing to tackle these rising temperatures could have dramatic consequences for all of us.

Christiana Figueres, the Executive Secretary for the United Nations Framework Convention on Climate Change, and Achim Steiner, Executive Director the UN Environment Programme, have highlighted the risk of failing to act.

“The need for urgent, concerted action cannot be emphasized enough. Any delay will cause negative consequences to continue to accumulate. This will not only cause tremendous suffering, especially to the world’s most vulnerable people; it will reverberate for decades to come,” they wrote.

Fonte: World Economic Forum

O Custo de não pagar impostos

Publicado originalmente em: 14 de abril de 2016

Com o vazamento do chamado “Panama Papers”, o professor Heleno Taveira Torres, professor titular de direito financeiro na USP, explica como o não pagamento de impostos afeta nossas vidas no dia-a-dia.

Fonte: Jornalismo TV Cultura

A recessão da América Latina se agrava devido à crise no Brasil

Gravidade da situação no país faz Fundo Monetário Internacional reduzir previsões anteriores

Publicado originalmente em: 12/04/2016

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A recessão no Brasil, a maior economia da América Latina, é mais profunda do que se imaginava e afeta toda a região, já muito fragilizada pelo efeito combinado do desabamento no preço das matérias primas e da fuga de capitais. Esse é o argumento que o Fundo Monetário Internacional cita para reduzir novamente suas previsões para o subcontinente. A contração projetada para este ano é agora de 0,5% do PIB regional, mas com a esperança de que se recupere para um crescimento de 1,5% em 2017.

A nova estimativa do órgão comandado por Christine Lagarde é 0,2 ponto percentual pior do que se previa há apenas três meses, e 1,3 ponto percentual abaixo da estimativa para 2016 feita no semestre passado. A nova avaliação do FMI para o ano que vem é 0,1 ponto inferior à de janeiro, e 0,8 ponto com relação a outubro. O temor é que este pessimismo acabe acelerando a espiral negativa.

As condições macroeconômicas no Brasil foram qualificadas como “severas”. A recessão será este ano de 3,8%, 0,3 ponto mais intensa do que se dizia há três meses e, portanto, idêntica à registrada em 2015. O FMI antevê uma recuperação da economia nacional em 2017, mas ficando estancada a partir daí. Nisso a projeção não varia. A recessão e a crise política terão um custo em termos de empregos e os salários.

No atual ciclo de crescimento medíocre, a América Latina está sendo muito mais afetada que o conjunto das economias emergentes, para as quais se projeta um crescimento de 4,1% neste ano e 4,6% no próximo. Apesar da redução da estimativa, os técnicos do FMI afirmam que não houve uma piora na atividade econômica da região desde o começo do ano, mesmo levando em conta a volatilidade das matérias primas e o reequilíbrio da China.

“[As novas cifras] estão alinhadas com as últimas previsões”, diz o relatório, a ser apresentado no fim de semana na reunião semestral conjunta do FMI com o Banco Mundial. O corte com relação a janeiro é semelhante à redução na estimativa global. A América Latina sofrerá, portanto, o segundo ano consecutivo de contração, depois da queda de 0,1 ponto em 2015. Há, entretanto, diferenças de rendimento conforme o país.

Ao contrário do Brasil, o México continuará crescendo a um ritmo “moderado”. A previsão é de uma expansão de 2,4% em 2016 e de 2,6% em 2017, atribuída à demanda privada e ao efeito positivo do crescimento nos EUA, que está estimado em 2,4% neste ano. No entanto, mesmo no caso mexicano as previsões do FMI são inferiores às de janeiro – 0,2 e 0,3 ponto percentual, respectivamente.

Os grandes países exportadores de matérias primas e energia sofrem. Outro exemplo nesse sentido é a Colômbia. Seu ritmo de crescimento irá cair para 2,5% neste ano, antes de se recuperar para 3,1% em 2017. A contração na Venezuela será duplamente mais grave do que no Brasil. Seu PIB cairá 8%, mais ainda do que a retração de 5,7% em 2015. A incerteza política agrava as coisas, enquanto a inflação ameaça chegar a 500%.

Não é só a queda no valor das exportações de petróleo e matérias primas que afeta a competividade das economias latino-americanas. O FMI considera “altamente incerta” a situação do Equador, por causa da dificuldade em atrair financiamento externo, o que provocará uma contração de 4,5% neste ano e 4,6% no seguinte. Também complicado é o panorama para o Chile, onde o crescimento cairá de 2,5% para 1,5%.

O FMI avalia positivamente as reformas empreendidas pela Argentina para corrigir os desequilíbrios e as distorções que afetam a sua economia. A projeção é de uma contração de 1% neste ano, depois de um crescimento de 1,2% no exercício passado. Em 2017, a previsão já é novamente de alta, estimada em 2,8%. No caso do Peru, o organismo projeta um crescimento de 3,7%, quatro décimos acima do ano passado.

Maurice Obstfeld, conselheiro econômico do Fundo, admite que há motivos para preocupação com a fragilidade geral na região e na economia global. Observa que os países não conseguirão repetir os índices de crescimento do passado se não souberem diversificar suas economias e não adotarem reformas estruturais. “É um processo que demora”, alerta, “mas a reação precisa ser imediata”.

Fonte: El País 

The Brexit Debate Explained in 2 Minutes

Published on April 14, 2016

Should we stay or should we go? That is what the Brits will have to decide this summer in a referendum that will determine if the United Kingdom remains part of the European Union or cuts economic ties.

Bloomberg