Os efeitos da extinção da megafauna

Postado em 13/10/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado Originalmente em 10/10/2017

Megafauna

Docente do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Mauro Galetti lidera um grupo de pesquisadores do Brasil, Dinamarca, Espanha, Suíçaa, EUA, África do Sul e Austrália, que aponta os impactos da extinção da megafauna em todo o planeta. A publicação acaba de sair da revista Biological Reviews. Os autores compilaram informações sobre quais as consequências da extinção extinção de mamutes, preguiças-gigantes, tigres-dente-de-sabres entre outros nas interações ecológicas.

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Interações tróficas e indiretas entre a megafauna e seu ambiente, aqui exemplificado pelo elefante (Loxodonta africana) africano, e outros dois animais de megafauna já extintos: a preguiça gigante (Megatherium americanum) da América do Sul e o marsupial gigante Diprotodon optatum da Austrália.

Todos os anos diversos grupos de pesquisa tentam solucionar quais fatores levaram a megafauna a extinção? – Bom, achamos que seria mais interessante perguntar, “Quais as consequências da extinção da megafauna?” comenta Galetti.

Neste trabalho os pesquisadores focaram como a extinção da megafauna afetou parasitas, predadores, ecossistemas e outros processos ecológicos. – Se você fosse um parasita dentro de uma preguiça-gigante, você teve duas alterantivas antes da extinção da preguiça, ou você buscou outro hospedeiro, e muitas vezes foi o próprio homem, ou você se extinguiu junto com a preguiça, complementa Galetti.

Com a extinção de mais de 177 espécies de megafauna da América do Sul, muitas interações e espécies associadas a megafauna foram extintas. Um exemplo é uma espécies de morcegos-vampiro-gigante que provavelmente foram extintas depois da extinção da megafauna. – Sem esses gigantes para chupar o sangue, o vampiro-gigante deve ter morrido de fome, diz Galetti. O trabalho aponta que muitos parasitas que tem o homem, cachorro e gado como hospedeiro provavelmente evoluíram em grandes mamíferos. A berne e a bicheira por exemplo, devem ter “saltado” da megafauna para os homens e seus animais domésticos.

O trabalho de Galetti e colaboradores tem grandes implicações para a atual onda de extinção que nosso planeta passa, a chamada Sexta Extinção.

Este estudo também incluiu: Marcos Moléon, Pedro Jordano, Mathias M. Pires, Paulo R. Guimarães Jr., Thomas Pape, Elizabeth Nichols, Dennis Hansen, Jens M. Olesen, Michael Munk, Jacqueline S. de Mattos, Andreas H. Schweiger, Norman Owen-Smith, Christopher N. Johnson, Robert J. Marquis and Jens-Christian Svenning.

Link para o artigo:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/brv.12374/full

Fonte: Envolverde

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Mar aberto, ar poluído

Postado por Felipe Poli Rodrigues em 13/10/2017

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Levantamento aponta que, por conta da queima de combustível pesado nos navios de cruzeiro, a concentração de material particulado no ar durante as viagens marítimas é bem maior do que em uma rua movimentada – o que afeta diretamente a saúde de quem trabalha e viaja nesses verdadeiros “palácios” sobre a água

Luxo, beleza natural, culinária requintada, sol e mar. Para muitas pessoas, um bom cruzeiro marítimo é um sonho de consumo para as férias de verão, uma opção de lazer e turismo que vem se tornando cada vez mais popular, com trechos e passagens acessíveis, além de novas opções de navio.

No entanto, a sofisticação das viagens de cruzeiro não se reflete necessariamente na tecnologia utilizada para fazer os navios funcionarem em alto-mar. De acordo com levantamento feito pela ONG alemã União de Conservação da Natureza e Biodiversidade (Nabu, na sigla em alemão), o uso predominante de combustível fóssil pesado pelas embarcações resulta em impactos ambientais significativos com efeitos diretos sobre a qualidade de vida daqueles que viajam e trabalham nos “palácios flutuantes”.

O levantamento apontou que a concentração de material particulado no ar em viagens de cruzeiro pode chegar a 380 mil partes por metro cúbico, muito acima do que pode ser observado em ruas movimentadas nas grandes cidades do mundo (20 mil).

“Um navio de porte médio, que queima até 150 toneladas de combustível por dia, emite a mesma quantidade de material particulado que um milhão de automóveis diários”.

Como o combustível queimado por esses navios é um óleo pesado, que libera 100 vezes mais partículas de dióxido de enxofre (SO2) do que o diesel marinho e 3,5 mil vezes mais do que o diesel para carros, as emissões de SO2 decorrentes da operação de um grande navio de cruzeiro equivalem a 376 milhões de carros.

Resposta tímida das empresas

De acordo com a ONG, boa parte desse impacto poderia ser mitigada se a indústria de cruzeiros marítimos passasse a utilizar combustíveis mais limpos e instalassem filtros de partículas ou catalisadores SCR, tecnologias que já são padrão nos escapamentos de caminhões ou automóveis comuns.

No entanto, mesmo grandes empresas do setor, como a Costa, MSC e Royal Caribbean, respondem de maneira tímida ao desafio de reduzir os efeitos negativos de sua operação sobre o meio ambiente e a saúde de seus clientes e profissionais.

“O desempenho ambiental das empresas de cruzeiro é ruim, assim como sua atitude em relação à transparência”, aponta Dietmar Oeliger, chefe de política de transportes da Nabu. “No ano passado, o setor afirmou que 23 navios operariam com filtros de fuligem, mas até hoje não temos sequer um deles instalado e operando”.

No levantamento realizado pela NABU, apenas as empresas de cruzeiro Hapag-Lloyd e TUI receberam avaliação positiva de combate à poluição, por conta de avanços na instalação de catalisadores de óxido de nitrogênio. Este resultado é pouco para um setor que cresceu bastante nos últimos anos.

Segundo a Associação Internacional de Linhas de Cruzeiro (Clia, na sigla em inglês), o total de passageiros dos cruzeiros marítimos em todo o mundo aumentou 38,7% nos últimos sete anos, chegando a mais de 24 milhões de viajantes em 2016. Hoje, essa indústria mobiliza quase um milhão de trabalhadores diretos e indiretos e movimenta S$ 117 bilhões em todo o mundo.

Os impactos ambientais desse setor da indústria naval não são pequenos. Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2014 revelou que comunidades próximas ao porto de Long Beach, em Los Angeles, nos Estados Unidos, tinham taxas mais altas de asma, doenças cardíacas e depressão do que a média nacional, e relacionou as emissões portuárias com a ocorrência anual de 3,7 mil mortes na Califórnia.

Mais recentemente, um estudo conduzido por um grupo de pesquisadores do Finnish Meteorological Institute calculou que a operação naval é responsável por 3% das mortes anuais por poluição do ar nos Estados Unidos.

Poluentes como o dióxido de enxofre e o dióxido de nitrogênio podem causar sérios problemas ao sistema respiratório, além de resultar em impactos ambientais graves, como a acidificação do solo e da água, a eutrofização dos lagos e das áreas costeiras, além de danos aos ecossistemas marítimos.

Além dos impactos diretos sobre a saúde, a queima de combustível fóssil pelos navios de cruzeiro também contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, consequentemente, a mudança do clima global.

A indústria mundial de transporte marítimo de cargas e passageiros é uma das mais intensas em emissões de GEE, sendo responsável por entre 2% a 3% dos gases acumulados na atmosfera terrestre a cada ano. Estima-se que as emissões associadas a este setor possam crescer entre 50% e 250% até 2050. No entanto, a despeito de seu impacto, os compromissos para redução de emissões de carbono no setor são inócuos, já que as empresas continuam reticentes a qualquer ação.

“Apesar das mais variadas alegações de que os navios de cruzeiro estão mais ecológicos, a atitude da indústria em relação ao meio ambiente continua fraca”, argumenta Leif Miller, CEO da Nabu. “A falta de ação de empresas como Costa, MSC e Royal Caribbean para limpar suas operações ameaça seus clientes, os moradores das regiões portuárias e o clima global”.

Em resposta aos apontamentos feitos pelo levantamento, a Clia afirmou que a indústria investe crescentemente em tecnologia para proteger os oceanos e o ar. “A indústria reconhece a importância de investir em tecnologia naval inovadora para preservar o meio ambiente e providenciar uma experiência de viagem ecológica para nossos clientes”, disse Cindy D’Aoust, presidente e CEO da Associação, que reúne as principais empresas internacionais do setor de cruzeiros marítimos.

De acordo com a Clia, seus membros estão investindo mais de US$ 1 bilhão em tecnologia para reduzir as emissões de gases poluentes e de efeito estufa, aperfeiçoar os sistemas de tratamento de efluentes, instalar painéis solares para geração de energia limpa, além de sistemas mais eficientes de aquecimento, ventilação e refrigeração.

Fonte: Página 22

Poluição causa 19 milhões de mortes precoces por ano, diz ONU

Publicado por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente em 03/10/2017

Em relatório divulgado recentemente, a ONU Meio Ambiente aponta que a poluição tira precocemente a vida de 19 milhões de pessoas a cada ano. Documento apresenta 50 ações concretas para reduzir a contaminação e o despejo de resíduos na natureza. Além de elencar soluções, o levantamento cobra compromissos da comunidade internacional para proteger habitats e ecossistemas.

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Em relatório divulgado recentemente, a ONU Meio Ambiente aponta que a poluição tira precocemente a vida de 19 milhões de pessoas por ano. Documento apresenta 50 ações concretas para reduzir a contaminação e o despejo de resíduos na natureza. Além de elencar soluções, o levantamento cobra compromissos da comunidade internacional para proteger habitats e ecossistemas.

“A poluição é um desafio universal, mas a boa notícia é que já sabemos o que precisamos fazer para prevenir e reduzir”, disse o diretor-executivo da agência das Nações Unidas, Erik Solheim, por ocasião do lançamento da pesquisa, na semana passada (28).

O dirigente ressaltou que “agora a responsabilidade é sobre governos, empresas, cidades e autoridades locais, sociedade civil e indivíduos em todo o mundo para se comprometerem a vencer a poluição em todas as suas formas”.

Segundo o relatório, a poluição afeta especialmente as populações em situação de pobreza e é uma ameaça direta aos direitos humanos. Na avaliação da ONU Meio Ambiente, os esforços atuais de Estados, setor privado e cidadãos foram limitados, o que dificultou uma resposta coordenada.

A publicação sugere cinco estratégias globais: um pacto sobre poluição, tornando-a uma prioridade para todos; o fortalecimento das políticas ambientais; o consumo e a produção sustentáveis, com ações para mudar os estilos de vida, reduzir e gerenciar adequadamente os resíduos; investimentos em produção e consumo mais limpos; e parcerias para a inovação, que permitam o compartilhamento de conhecimentos e a realização de pesquisas transdisciplinares.

O documento enfatiza que, embora algumas formas de poluição tenham sido reduzidas à medida que as tecnologias e as estratégias de gerenciamento avançaram, a má utilização dos recursos naturais segue sendo um risco para a humanidade.

“Se os padrões de consumo e produção continuarem como estão, o modelo econômico linear ‘pegue-use-descarte’ irá sobrecarregar gravemente um planeta já poluído, afetando as gerações atuais e futuras”, aponta o relatório.

Acesse a publicação na íntegra clicando aqui.

Fonte: ONU Brasil

Setembro bateu recordes em queimadas no Brasil

Postado por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente em 03/10/2017

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Setembro foi o mais com mais queimadas no Brasil, nos últimos 20 anos, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Temperaturas altas, clima seco e falta de chuva são fatores que contribuem para o surgimento de focos de incêndio. Mas a intervenção do homem é sem dúvida alguma a principal causa dessas ocorrências, provocando danos irreparáveis ao meio ambiente. “As queimadas destroem a fauna e a flora nativas, causando empobrecimento do solo e reduzindo a capacidade de penetração da água no subsolo, entre outros danos ao meio ambiente”, diz o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS). De acordo com dados divulgados pelo Inpe, durante o mês de setembro ocorreram aproximadamente 100 mil queimadas. Para se ter uma ideia, esse número representa quase a metade das ocorrências registradas pelo órgão durante todo o ano de 2016, que foi de 188 mil queimadas.

Fonte: Envolverde

Aliança Água+Acesso: água de qualidade é saúde e desenvolvimento

Postado por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 04/10/2017

 

Aliança

 

A aliança busca construir parcerias em regiões onde a baixa oferta de água de qualidade compromete a saúde e o desenvolvimento local.

Pelos rios da Amazônia corre cerca de 13% de toda água doce do planeta. No entanto, é nessa região que a população mais sofre com a falta de água potável e com as doenças provocadas pelo consumo de água contaminada. As distâncias e a precariedade dos transportes são os principais obstáculos que o poder público enfrenta para chegar principalmente às populações ribeirinhas e comunidades mais distantes dos centros urbanos. Nessas áreas, é fundamental o apoio de alianças entre governos, iniciativa privada e sociedade civil. É o caso do programa Água+ Acesso, lançado pelo Instituto Coca-Cola Brasil, que procura construir parcerias com organizações sociais para levar saúde e qualidade de vida a milhares de pessoas. O foco é em ações que fortalecem o empoderamento das comunidades na solução de suas carências em água e saneamento básico.

A aliança Água+Acesso foi lançada em março de 2017, com suporte do Instituto Coca-Cola Brasil, em parceria com Banco do Nordeste, Fundación Avina, Instituto Trata Brasil, WTT (World-Transforming Technologies) e algumas das principais organizações que atuam com o tema água no Brasil, como SISAR Ceará, Projeto Saúde e Alegria e Fundação Amazonas Sustentável. Juntas, essas entidades trabalham em mais de duas mil comunidades.

Além do piloto já instalado em Caucaia (Ceará), que atende a 150 famílias e 500 pessoas, este ano o programa investir mais R$ 600 mil e beneficiará diretamente mais de 800 famílias e 3.200 pessoas. “Nossa proposta é fortalecer as iniciativas consolidadas na região e que já têm resultados para mostrar”, explica Rodrigo Brito, gerente de operações do Instituto Coca-Cola Brasil.

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O ponto de partida para esse grande processo colaborativo com organizações sociais é a percepção de que a água, principal insumo dos produtos da Coca-Cola Brasil, é também o principal fator para o desenvolvimento humano. “Queremos ampliar a colaboração e potencializar os modelos autossustentáveis em todo o Brasil”, diz Rodrigo, que define os pilares sobre os quais o projeto Água+ Acesso se assenta: integrar, inovar, impulsionar (que significa ampliar o impacto) e influenciar (governos, políticas públicas, comunidades).

Uma dessas organizações parceiras, que atua há mais de 20 anos na região do Rio Tapajós, com sua base em Santarém (Pará) é o Projeto Saúde & Alegria, que tem entre seus fundadores o médico Eugênio Scanavino. “Eu vim para a Amazônia pensando em cuidar da saúde das pessoas, trabalhar como médico”, explica. Mas a vida mostrou que os caminhos para cuidar da saúde na Amazônia não levam sempre aos ambulatórios. Para ele a experiência dos atendimentos nos postos de saúde era frustrante. “Todos os dias passava pela fila de pacientes perguntando quem tinha diarreia, e era quase todo mundo”. Esse choque de realidade levou à busca de caminhos alternativos, pois a constatação de que a falta de água de qualidade era o principal motivo de doenças na região e, principalmente, de morte de crianças, precisava de uma ação.

Fonte: Envolverde

Província argentina trata água como questão de Estado

Postado em 24/08/2017 por Felipe Poli Rodrigues

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Imagine você no meio de um deserto. Agora, imagine este deserto na margem leste da cordilheira dos Andes, na América do Sul. Um solo árido, com muito pedregulho, de vegetação rasteira e escassa. Como sobreviver neste ambiente hostil e seco? Onde a amplitude térmica é enorme, com variações de 30°C entre dia e noite no verão. O índice pluviométrico é baixíssimo e na época das chuvas, as precipitações podem chegar a no máximo 40 mm. Essa é a situação da província argentina de Mendoza, uma das regiões de agricultura mais produtiva da Argentina.

Graças às técnicas seculares de irrigação dos Huarpes, habitantes originais da região, foram criados oásis para possibilitar a agricultura e condições básicas para a vida humana. Esses oásis foram possíveis graças à água proveniente do degelo da cordilheira dos Andes. Um ano com pouca neve na cordilheira no inverno gera primavera e verão com escassez de água na região.

Por razões de sobrevivência, o povo Huarpe aprendeu a tratar e valorizar a água, pois sabia que sem este poderoso elemento da natureza, a vida ficava comprometida.

Quando os espanhóis dominaram aquela região, eles foram sábios o suficiente para preservar as técnicas de tratamento da água e irrigação dos Huarpes.

Com a chegada de novos imigrantes, predominantemente espanhóis, italianos e também franceses, e o desenvolvimento econômico da região, Mendoza assumiu uma vocação agrícola baseada em frutas provenientes de regiões áridas, do mediterrâneo ou oriente médio. A força da agricultura vem dos seguintes cultivos: uva para produção de vinho, alho, cebola, azeitona, ameixa, nozes, castanhas e outras frutas secas. Os oásis cresceram, mas a terra só tinha valor se tivesse irrigação, ou se estivesse dentro de um oásis, que por sua vez é irrigado. Portanto, o elemento água continua tendo um valor muito maior que a terra, pela razão de oferta e demanda. Quem tem água, tem vida, quem não tem, perece de forme sede.

Por razões econômicas e também de sobrevivência, a água devia ser tratada como um bem maior, com um assunto estratégico, como um assunto de Estado e não de governo. A diferença é que os assuntos de governo podem mudar radicalmente conforme os governantes e legisladores de turno, enquanto o tema de Estado é um assunto estratégico e de extrema importância para a sustentabilidade da sociedade. Portanto, ele deve ser tratado com visão de longo prazo, de forma a atender ás demandas de sobrevivência de uma civilização e não ás demandas econômicas ou políticas de um governo passageiro ou interesses particulares de setores da sociedade.

Com esta visão estratégica e de longo prazo, se criou uma autarquia independente do governo da província, exclusivamente para a gestão das águas. A província de Mendoza conta com um “Governador das Águas”, como se conhece popularmente ao “Superintendente de Irrigación”, o qual é aprovado pelo Senado local. Esta autarquia se chama “Departamento General de Irrigación”

O objetivo principal do Governador das Águas é manter a província viva, pois sem água não há como manter as condições básicas que permitem habitar a região.

Quando a água é vista como um elemento que pode ser definitivo como um divisor fundamental entre a vida e a morte, não resta outra saída que criar mecanismos de gestão eficientes.

No Brasil, onde na maioria do território a água é abundante, tendemos a menosprezar os preciosos serviços  da água que a natureza abundante nos entrega. Temos rios poluídos, rios cobertos, rios mortos, rios canalizados, rios represados e até rios lindos.

Se a visão de nossa sociedade e lideranças com respeito a água não mudar de forma radical, teremos um futuro sombrio, e nosso presente já dá sinais de alerta, com a “crise hídrica” ou a também chamada crise de abastecimento de água no estado de São Paulo, que é considerado o estado mais rico na nação. Onde não há água, não há vida e muito menos riqueza.

Com água limpa há saúde, com água poluída há doença e morte. A água do nosso país não pode ser tratada daqui pra frente da mesma forma que foi tratada no passado.

Enquanto não tratarmos o assunto da água como um tema de Estado, que atenda às necessidades de uma sociedade viva e saudável e com visão de longo prazo, estaremos à mercê de São Pedro.

Fonte: Envolverde

Não ao PL8107 – Marcelo Tas e Enrique Díaz

Postado por Felipe Poli Rodrigues

 

Fonte: WWF Brasil