‘Aborto inseguro ainda está matando dezenas de milhares de mulheres’, alertam especialistas da ONU

“No século 21, o aborto inseguro é uma das principais causas de mortalidade e morbidade materna”, alertou um grupo de especialistas independentes da ONU marcando o Dia de Ação Global para o Acesso ao Aborto Seguro e Legal (28 de setembro).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 22 milhões de abortos inseguros ocorrem todo ano no mundo, e estima-se que 47 mil mulheres morram anualmente de complicações decorrentes do recurso a práticas inseguras para a interrupção da gravidez.

Grupo pediu aos governos que revoguem as leis e políticas restritivas ao aborto, bem como todas as medidas punitivas e barreiras discriminatórias que dificultam o acesso a serviços seguros de saúde reprodutiva: “A proibição não reduz a necessidade e o número de abortos; ele apenas aumenta os riscos para a saúde e a vida das mulheres e meninas que recorrem aos serviços inseguros e ilegais”.

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Marcando o Dia de Ação Global para o Acesso ao Aborto Seguro e Legal, observado anualmente em 28 de setembro, um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas pediu aos governos em todo o mundo que revoguem as leis e políticas restritivas ao aborto, bem como todas as medidas punitivas e barreiras discriminatórias que dificultam o acesso a serviços seguros de saúde reprodutiva.

Os especialistas também manifestaram apoio à convocação promovida por várias organizações não governamentais para fazer do dia 28 de setembro um dia oficial das Nações Unidas pelo aborto seguro em todo o mundo, mobilizando os governos para que despenalizem o aborto e forneçam serviços de saúde reprodutiva de forma legal, segura e acessível.

“No século 21, o aborto inseguro é uma das principais causas de mortalidade e morbidade materna. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 22 milhões de abortos inseguros ocorrem todo ano no mundo, e estima-se que 47 mil mulheres morram anualmente de complicações decorrentes do recurso a práticas inseguras para a interrupção da gravidez”, diz o comunicado.

“A criminalização do aborto e a ausência de um acesso adequado aos serviços de interrupção de uma gravidez indesejada são formas de discriminação baseada no sexo. A legislação restritiva que nega o acesso ao aborto seguro é uma das formas mais prejudiciais de instrumentalizar os corpos das mulheres e uma grave violação dos direitos humanos das mulheres. As consequências para as mulheres são graves, com as mulheres às vezes pagando com suas vidas”, continua o comunicado.

Proibição não reduz número de abortos

Segundo os especialistas as leis restritivas aplicam-se a 40% da população do mundo. “Nos países que proíbem o aborto, as mulheres que procuram os serviços de saúde para interrupção de uma gravidez, em vez de realizar a interrupção ou procurar cuidados médicos após um aborto, pode ser submetida a julgamento e prisão”, acrescenta o comunicado.

“A proibição não reduz a necessidade e o número de abortos; ele apenas aumenta os riscos para a saúde e a vida das mulheres e meninas que recorrem aos serviços inseguros e ilegais”, acrescentaram os especialistas.

A educação sexual abrangente baseada em evidências e a disponibilidade de métodos contraceptivos eficazes são essenciais para diminuir a incidência de gravidez indesejada e, portanto, reduzir o número de abortos, informam os especialistas.

“De fato, tem sido demonstrado que os países onde o acesso à informação e aos métodos modernos de contracepção é facilmente disponível, e onde o aborto é legal, têm as menores taxas de aborto. A possibilidade de ter acesso a um aborto seguro continua a ser essencial.”

“A gravidez indesejada não pode ser totalmente evitada, uma vez que nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, e as mulheres podem estar expostas à violência sexual”, acrescentaram os relatores especiais que assinam a nota (acesse mais abaixo quais são eles).

“Recomendamos a boa prática encontrada em muitos países que permitem o acesso das mulheres a serviços de aborto seguro, a seu pedido, durante o primeiro trimestre da gravidez”, diz o comunicado.

“Insistimos em requisitos legais internacionais de que as mulheres podem acessar o aborto, pelo menos nos casos de risco para a sua vida ou a saúde, incluindo a saúde mental, estupro, incesto e comprometimento fatal do feto durante o primeiro trimestre e após.”

O comunicado acrescenta: “Neste contexto, os Estados também deve permitir que meninas e adolescentes grávidas interrompam uma gravidez indesejada, que, se levada continuada, vai expô-las a um risco muito maior para a vida e a saúde, incluindo uma alta probabilidade de sofrer de fístula obstétrica, impedir a conclusão da sua educação e obstruir o desenvolvimento de suas capacidades econômicas e sociais.”

“Exortamos os Estados a revogar leis e políticas restritivas em relação ao aborto, que não cumprem os requisitos do direito internacional dos direitos humanos e que têm impactos discriminatórios e públicos na área da saúde, bem como eliminar todas as medidas punitivas e barreiras discriminatórias de acesso a serviços seguros de saúde reprodutiva”, pediram os especialistas no comunicado.

“Essas leis e políticas violam o direito humano das mulheres à saúde e negam a sua autonomia na tomada de decisões sobre os seus próprios corpos”, acrescentaram.

“Não podemos tolerar a violação grave de direitos humanos das mulheres em função do seu sexo e das diferenças biológicas. Não podemos tolerar a alta incidência das mortes evitáveis de mulheres e meninas, resultantes de questões relacionadas com a maternidade, incluindo o aborto inseguro”, concluíram os especialistas em direitos humanos na nota.

Dia de Ação para o acesso ao aborto seguro e legal

Nos últimos 30 anos, grupos de direitos das mulheres têm se mobilizado em 28 de setembro, no chamado Dia de Ação para o Acesso ao Aborto Seguro e Legal, para exortar os seus respectivos governos a descriminalizar a interrupção da gravidez, acabar com o estigma e a discriminação em torno da prática e prestar tais serviços de forma legal, segura e acessível.

Com origem na América Latina e do Caribe, o dia 28 de setembro – que marca a abolição formal da escravatura para as crianças nascidas de mães escravas no Brasil, em 1871 – foi renomeado como o dia do “ventre livre”. A partir daí, o movimento se espalhou para todas as outras regiões do mundo.

“Embora a escravidão já tenha sido abolida, ainda há um longo caminho a percorrer antes que os corpos e úteros de mulheres em todo o mundo deixarão de ser instrumentalizados em nome da moral ou de tradições patriarcais, para fins políticos, econômicos ou culturais”, destaca o comunicado.

“Juntamos as nossas vozes às (vozes) fortes e corajosas de muitas organizações não governamentais, que têm pedido o aborto seguro em todo o mundo, solicitando que o dia 28 de setembro seja promovido como um dia internacional oficial da ONU para o aborto seguro”, concluiu o comunicado.

Muitos instrumentos internacionais e regionais de direitos humanos afirmaram que a garantia dos direitos humanos das mulheres requerem o acesso a serviços e cuidados de aborto e pós-aborto seguros e de qualidade, incluindo aConvenção para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), a Convenção de Belém do Pará e o Protocolo de Maputo de 2005.

O comentário geral número 22 do Comitê da ONU de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (CESCR) também apela para garantir às mulheres e meninas o acesso a serviços de aborto seguro e cuidados pós-aborto de qualidade, para evitar a mortalidade e morbidade materna.

Os especialistas da ONU que assinam o comunicado são: Alda Facio, presidente-relatora do Grupo de Trabalho sobre a questão da discriminação contra as mulheres na lei e na prática; Dainius Pûras, relator especial sobre o direito de todas as pessoas a desfrutar o mais elevado nível possível de saúde física e mental; e Juan E. Méndez, relator especial sobre a tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Sobre os relatores especiais

Os relatores especiais e grupos de trabalho são parte do que é conhecido como os “procedimentos especiais” do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Estes procedimentos constituem o maior órgão de especialistas independentes no Sistema de Direitos Humanos da ONU, e “procedimentos especiais” é o nome geral dos mecanismos de coleta de dados e de controle independentes do Conselho que abordam tanto as situações específicas de cada país como as questões temáticas em todas as partes do mundo.

Os especialistas dos ‘Procedimentos Especiais’ trabalham voluntariamente; eles não são funcionários da ONU e não recebem salário por seu trabalho. São independentes de qualquer governo ou organização e atuam em sua capacidade individual. Saiba mais clicando aqui.

Para mais informações e solicitações de imprensa, entre em contato com Claire Mathellié (+41-22-917-9151 / wgdiscriminationwomen@ohchr.org) ou Bernadette Arditi (+41-22-917-9159 / barditi@ohchr.org).

Fonte: ONU BR

Estudo prevê 9 °C de aquecimento

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Postado em 28/09/2016 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em:27/08/2016

Pesquisadora diz que temperatura terrestre nos próximos milênios subiria cerca de 5 graus mesmo se emissões de carbono parassem hoje; outros cientistas contestam dado.

Uma afirmação extraordinária foi feita por uma cientista americana nesta segunda-feira (26): mesmo se as emissões de carbono parassem hoje, a Terra estaria comprometida, no longo prazo, com um aquecimento global de 5 °C. Mantidas as emissões atuais, chegaríamos a 9oC. Os resultados derivam de uma reconstrução inédita das temperaturas globais nos últimos 2 milhões de anos, publicada na edição on-line da revista Nature, um dos principais periódicos científicos do mundo.

Afirmações extraordinárias, porém, requerem evidências extraordinárias. E alguns cientistas dizem que estas faltaram ao trabalho.

Mal foi colocado no ar, o artigo de Carolyn Snyder, da Universidade Stanford, teve sua conclusão principal criticada pelo climatologista Gavin Schmidt, diretor do Centro Goddard de Estudos Espaciais da Nasa. Embora elogie a série de dados compilada pela pesquisadora, Shmidt diz que a projeção de aquecimento futuro está “simplesmente errada”. Outros especialistas vão na mesma linha.

A dificuldade é que a autora usou uma abordagem muito simplista para estimar o aquecimento pelo CO2”, disse ao OC o climatologista Richard Alley, da Universidade da Pensilvânia, também nos EUA. Alley é especialista em reconstruir o clima antigo da Terra com base em análise do gelo da Groenlândia e da Antártida. Ele não diz que os números do novo estudo estão errados, porém. “Ele dá um limite superior, não a melhor estimativa”, afirmou.

No centro da controvérsia está um indicador conhecido como “sensibilidade climática”. Grosso modo, ele é definido como quanto o planeta aquece quando a concentração de gás carbônico na atmosfera dobra. Esse parâmetro foi calculado pela primeira vez em 1896 pelo químico sueco Svante Arrhenius (o mesmo da teoria de ácidos e bases que inferniza estudantes do ensino médio) em cerca de 5oC. E não mudou tanto assim nos últimos 120 anos: em 2013, o IPCC, o comitê de climatologistas da ONU, estimou a sensibilidade climática em um mínimo de 1,5oC e um máximo de 4,5oC. Ou seja, algo em torno de 3oC.

Os cientistas têm dificuldade em estimar com muita precisão a sensibilidade climática porque a Terra tem várias maneiras diferentes de responder ao CO2 adicional no longo prazo. Algumas causam ainda mais aquecimento, outras atuam no sentido contrário. São os chamados mecanismos de feedback climático. Entre eles está a reação de oceanos, florestas e mantos de gelo.

No passado, durante as eras glaciais, esses mecanismos agiram em ambos os sentidos, ajudando a tirar e pôr o mundo em eras do gelo. Por exemplo, quando variações periódicas (naturais) na órbita terrestre favoreceram o acúmulo de gelo nas regiões polares, há centenas de milhares de anos, a luz solar refletida pelo gelo ajudou a esfriar ainda mais a Terra – e a fazer mais gelo. Quando, milênios depois, essas mesmas variações orbitais esquentaram um pouquinho a Terra, a enorme quantidade de CO2 dissolvida nos oceanos escapou para a atmosfera (pense numa garrafa de refrigerante quente sendo aberta), produzindo períodos quentes, como o atual.

Em seu estudo, Snyder apresenta um parâmetro chamado “sensibilidade do sistema terrestre”, ou seja, quanto a Terra esquentaria no horizonte de milênios caso a quantidade de CO2 no ar dobrasse.

Para chegar a esse número, primeiro ela fez um trabalho de presidiário: montou uma série contínua de temperatura da superfície terrestre com base em 20 mil dados contidos em 59 amostras de subsolo oceânico (a composição química dos microrganismos mortos e depositados no fundo do mar permite inferir as temperaturas ao longo do tempo), de 2 milhões de anos atrás até o presente. Depois, ela comparou as temperaturas de sua série com aquelas obtidas no registro do gelo da Antártida, que são mais precisas do que as dos sedimentos oceânicos, mas só recuam até 800 mil anos atrás.

De posse de uma correlação entre temperaturas médias globais e temperaturas na Antártida, Snyder percebeu que aquelas variavam também numa forte correlação com as flutuações na concentração de gases de efeito estufa, que é medida com grande precisão no gelo polar. O passo lógico seguinte foi estimar a variação de temperatura causada ao longo dos milênios para cada mudança no equilíbrio de radiação da Terra causado pelos gases de efeito estufa. Daí veio a medida de sensibilidade do sistema climático de 7oC a 13oC causada pela duplicação do CO2 em relação à era pré-industrial – o que, mantida a concentração atual (42% maior do que a pré-industrial), nos daria 5oC de aquecimento no longo prazo mesmo se de hoje em diante ninguém emitisse mais um grama de carbono.

“A autora pegou a história da temperatura e do CO2 (e outros gases-estufa) ao longo dos ciclos glaciais e estimou o efeito de aquecimento do CO2 assumindo que toda a mudança de temperatura fosse causada pelo CO2”, disse Alley. Segundo ele, isso superestima o papel do carbono.

“Um grande conjunto de evidências independentes indica que o aquecimento que vamos sofrer pelo aumento do CO2 será grande e importante para nós, mas não tão grande quanto o indicado pelo novo estudo”, afirmou o americano.

Procurada pelo OC, Carolyn Snyder evitou polemizar com Schmidt. Mas disse que seu estudo não traz “uma previsão ou predição do aquecimento no futuro”. A pesquisa, segundo a autora, segue trabalhos publicados anteriormente que definiram a sensibilidade do sistema climático como a correlação entre temperaturas globais e gases de efeito estufa, como maneira de resumir padrões climáticos da Terra no passado. “Mas isso é uma correlação observada no passado, não um teste de causalidade”, explica.

Segundo ela, essa sensibilidade do sistema terrestre contrasta com a sensibilidade climática por incluir respostas de outras partes do planeta, como vegetação, poeira e mantos de gelo. Ela afirma ter estimado também a sensibilidade climática nesses mesmos 800 mil anos, num estudo ainda em revisão para publicação – e encontrado um número menor, “consistente com os modelos climáticos do IPCC”.

Fonte: Envolverde

China may not be as strong as you think

Published on Sept 16, 2016

George Friedman, the founder of Geopolitical Futures, explains where China’s real wealth resides, how its natural military buffer helps and hinders it, and why the country should not be concerned with islands in the South China Sea.

Business Insider

Solução do conflito Israel-Palestina corre risco de resultar em ‘Estado único’, diz ONU

Há 23 anos era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, alertou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Publicado originalmente em: 21/09/2016

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O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu na semana passada (15) a intensificação das negociações de paz entre israelenses e palestinos. Em discurso ao Conselho de Segurança, Ban alertou que o conflito caminha para uma “realidade de um Estado único”.

“Vinte e três anos atrás era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina”, lembrou o secretário-geral. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, afirmou.

Há 23 anos era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, alertou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu na semana passada (15) a intensificação das negociações de paz entre israelenses e palestinos. Em discurso ao Conselho de Segurança, Ban alertou que o conflito caminha para uma “realidade de um Estado único”.

“Vinte e três anos atrás era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina”, lembrou o secretário-geral. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, afirmou.

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De acordo como secretário-geral, ambos os lados fizeram declarações que alimentam o ambiente de desconfiança. Ele classificou as declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como perturbadoras. Netanyahu havia afirmado, em vídeo, que opositores da política de assentamento apoiavam a limpeza étnica.

“Isso é inaceitável e revoltante”, afirmou Ban. “Me deixem ser absolutamente claro: assentamentos são ilegais de acordo com o direito internacional. A ocupação é sufocante e opressora e precisa acabar.”

Ele também criticou o enaltecimento por parte do lado palestino de atos desprezíveis, como o ataque terrorista de 1972 contra atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique.

A comunidade internacional, incluindo o Conselho de Segurança e o quarteto diplomático no processo de paz no Oriente Médio – composto por ONU, Rússia, Estados Unidos e União Europeia – vê a expansão dos assentamentos como um obstáculo para a paz, afirmou o secretário-geral.

Eleições palestinas

Ban Ki-moon afirmou estar particularmente preocupado com uma decisão recente da Corte Superior da Palestina. O órgão suspendeu todas as preparações para o processo eleitoral, em meio a uma petição que pede o cancelamento das eleições – a primeira em mais de dez anos que inclui tanto a Cisjordânia quanto Gaza.

Se conduzidas de acordo com os padrões internacionais, as eleições poderiam promover uma importante renovação para democracia palestina e um primeiro passo para o avanço da unidade nacional, reforçou Ban.

Para ele, as partes interessadas devem continuar buscando negociar o fim da ocupação e o estabelecimento de uma Palestina democrática e viável, em paz com Israel – “ambos respeitando as conexões históricas e religiosas de cada um a essa terra santa”, afirmou.

Faixa de Gaza

Sobre Gaza, ele observou que houve progresso na reconstrução da área nos dois anos desde o cessar-fogo do conflito de 2014. No entanto, 65 mil pessoas continuam deslocadas. Ban destacou a necessidade de um maior apoio na reconstrução de aproximadamente 5 mil casas destruídas.

Para além da reconstrução, as necessidades humanitárias de Gaza são “profundas”, conforme afirmou o secretário-geral. Mais de 1,3 milhão de pessoas das 1,9 milhão que lá residem necessitam de assistência.

O chefe da ONU pediu que os países-membros da Organização forneçam apoio financeiro para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

Neste panorama, Gaza continua fechada e é uma “bomba-relógio”. Um progresso duradouro em Gaza só pode ser alcançado com a unificação da Palestina, o fim do armamentismo ilegal e de atividades militares, e o fim das restrições de acesso e movimentação.

Ao falar da situação nas colinas de Golã, Ban demonstrou que continua preocupado com as contínuas violações da linha de cessar-fogo e pelos confrontos em áreas limites e de separação. Segundo ele, esses acontecimentos enfraquecem o Acordo de Retirada de Forças de 1974, e prejudicam o cessar-fogo entre Israel e Síria.

O recente incêndio das Forças Armadas Árabes da Síria impactou particularmente a Golã ocupada por Israel. Em ambas as ocasiões, as Forças de Defesa israelenses responderam com um ataque aéreo. “Eu peço para que Israel e Síria cumpram os termos do Acordo de Retirada”, disse Ban.

Fonte: ONU BR

O clima hoje, os dramas de amanhã

Publicado em 25/09/2016 por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente: 23/09/2016

Este ano El Niño elevou a concentração de gases estufa a um nível recorde.

As notícias vêm de várias partes. Do centro do Brasil, as informações de que o Rio Araguaia, um dos maiores do País, já “perdeu mais de 100 de suas ilhas”, com o assoreamento documentado pelos cientistas da Universidade Federal de Goiás. Os cardumes de peixes desapareceram (O Popular, 18/9). O canal principal de navegação reduziu-se de mais de 70 metros para 5 metros. E o auge da seca ainda não chegou, está previsto para outubro. Segundo o jornal, “a drenagem de água para fins de agricultura contribui para o agravamento da crise”.

Mas o problema não é só lá. Goiânia e Aparecida de Goiânia sofrem sem água em partes das cidades, porque fazendas desviaram o curso de um rio. Também nas proximidades houve outros desvios no leito do Rio Meia Ponte, que abastece 50% da capital; por isso a captação ali teve de ser baixada de 80 para 30 litros por segundo. A Ilha do Bananal só existe agora como ilha durante parte do ano porque o Rio Javaés, borda ocidental dessa ilha, só tem água durante dois meses no ano. Em vários outros municípios, incluídos Anápolis e Cidade Ocidental, de maior porte, a crise na captação também é forte. Só na Serra das Areias 15 nascentes e 9 cachoeiras secaram.

O Plano de Recursos Hídricos do Estado segue em marcha lenta – quando segue – na Assembleia Legislativa goiana. E o Araguaia é apenas um dos exemplos. Vários outros rios estão sendo assoreados com resíduos que vêm das culturas agropecuárias em faixas de preservação. Na histórica cidade de Goiás, o Rio das Almas pode ser atravessado a pé, depois que plantadores de cana-de-açúcar passaram a captar água nas partes mais altas.

Goiás é parte do problema do Centro-Oeste e de outras faixas de transição onde é feita a conversão de florestas para lavoura, podendo aumentar a temperatura da superfície em até 5 graus Celsius e reduzi r em 30% a quantidade de água que retorna para a atmosfera em forma de vapor (Estado, 18/9). Queimadas são cada vez mais frequentes. O desmatamento em partes da Amazônia ficou em 5 mil quilômetros quadrados em 2015.

Há outros ângulos. A Secretaria de Abastecimento goiana lançou no final de agosto o Plano Estadual de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas. Um dos objetivos é reduzir a emissão de carbono na agricultura. Planeja-se recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; ampliar o plantio direto em oito milhões de hectares; ampliar a fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares. As várias ações deverão permitir a redução de emissões em 2,25 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalentes, graças também ao incremento de áreas de florestas plantadas em 50 mil hectares por ano, à adoção de sistemas agroflorestais em 4 milhões, à fixação biológica do nitrogênio em 5,5 milhões de hectares.

A cada dia surgem mais notícias inquietantes. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) há pouco informou que a extração de matérias-primas triplicou em quatro décadas; contribui fortemente para as mudanças climáticas e para a contaminação da atmosfera com o uso intensivo de combustíveis fósseis. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz concluiu que a região amazônica poderá sofrer mudanças climáticas bruscas nos próximos 25 anos por causa do desmatamento; a temperatura aumentará 5 graus Celsius e o volume de chuvas diminuirá 25% (geodireito, 19/9).

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Para completar a preocupação com o calor recorde que já está por aqui, estudo recente do Painel do Clima (IPCC), publicado na revista Nature, atualizou a correlação entre volumes de emissão de gases do efeito estufa (GEE) e aumentos da temperatura média na Terra até o fim do século – a continuarem como hoje as políticas, o aumento será entre 3,2 e 4,4 graus. Mesmo que os países cumpram os compromissos voluntários assumidos no passado, o aumento ficaria entre 2,9 e 3,8 graus. E mesmo que se excluam causas, como a liberação de metano pelo Ártico, do permafrost siberiano e do fundo dos oceanos, perdas nas florestas tropicais, ficar abaixo do aumento de 2 graus na temperatura em 2075 pressupõe o abandono do carvão e do petróleo como combustíveis e sua substituição por energias limpas e renováveis; a eletrificação dos transportes; técnicas de sequestro de carbono; grandes projetos de reflorestamento; agricultura e pecuária de alta produtividade e baixo carbono (Eco-finanças, 11/7).

Essa transição pressupõe investimentos de US$ 3 trilhões por ano (quando se fala hoje em US$ 100 bilhões), fora retirar subsídios de US$ 1 trilhão para combustíveis fósseis.

Não é exatamente nessas direções que vamos caminhando. Este ano, El Niño aumentou a concentração de gases do efeito estufa para nível recorde (Reuters, 13/6), ultrapassando pela primeira vez 400 partes por milhão. Mudanças climáticas estão provocando deslocamento de nuvens para os polos e exposição de zonas tropical e subtropical do planeta à radiação solar e desertificação, segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego. Este ano, seca e excesso de chuvas em regiões produtoras brasileiras já contribuíram para queda de 0,3% no PIB agropecuário de um trimestre.

Para outubro está prevista uma reunião em Kigali, capital de Ruanda, de dirigentes de todas as partes do mundo, na tentativa de alcançar um acordo que permita chegar ao fim do século com aumento de apenas 0,5% na temperatura, equivalente a metade da elevação que já provocamos desde o início da revolução industrial. O foco principal estará na redução de hidrofluorcarbonos, ou HFCs, encontrados em aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e aerossóis. E em seu período de vida de 13,4 anos eles causam 1.300 vezes o aquecimento que o dióxido de carbono provoca ao longo de cem anos.

As negociações já duram sete anos. E a implementação terá custo muito alto. Vai-se chegar a um bom final?

Fonte: Envolverde

ONU: países têm que aprender a lidar com diversidade e garantir direitos de refugiados e migrantes

Publicado Originalmente: 19/09/2016

Reunidos nesta segunda-feira (19) para a abertura da cúpula que debateu a atual crise de refugiados e migrantes, dirigentes de organismos das Nações Unidas criticaram a retórica xenofóbica que coloca essas populações de pessoas deslocadas em situações ainda mais vulneráveis.

São tendências anti-imigração que levaram à “cruel ironia de que os que fogem do terro e do conflito estão sendo eles mesmos acusados de terrorismo e criminalidade”, lamentou o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing.

Segundo o chefe da agência, migrações são inevitáveis, necessárias para o crescimento das economias e desejáveis quando as políticas são responsáveis e humanas. “Conseguir isso vai exigir mudar a narrativa tóxica sobre migração e aprender a lidar com a diversidade cultural, étnica e religiosa”, destacou Swing.

Ainda nesta segunda (19), a OIM se tornou uma agência das Nações Unidas, após assinatura de acordo entre representantes de ambas as partes. E os Estados-membros da ONU adotaram a Declaração de Nova York, documento que contém uma série de compromissos inéditos pelos direitos dos migrantes e refugiados.

Já o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, alertou que a necessidade de convocar uma cúpula como a desta data vem do fracasso da comunidade internacional em garantir direitos de refugiados e migrantes.

“É vergonhoso que vítimas de crimes abomináveis devam sofrer ainda mais por causa de nossos fracassos em lhes dar proteção”, destacou. Segundo o dirigente, preconceitos e farsas têm colocado obstáculos no trabalho dos que defendem a dignidade de populações deslocadas.

Também presente, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, chamou atenção para os riscos enfrentados por mulheres e meninas migrantes e refugiadas. A dirigente cobrou dos Estados-membros políticas nacionais específicas para lidar com esses perigos e preservar os direitos do público feminino.

Mlambo-Ngcuka também representou o Grupo sobre Migração Global, que completou dez anos em 2016. A mensagem da entidade para a cúpula ressaltou as contribuições positivas de mulheres estrangeiras para a cultura e a economia dos países que as acolhem.

Yury Fedotov, diretor-executivo do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), enfatizou que a comunidade internacional não pode permitir que criminosos façam da maior crise de refugiados uma oportunidade de negócios. Ele pediu que Estados-membros combatam o tráfico humano e o atravessamento ilegal de migrantes.

“É, acima de tudo, uma questão de respeito (pelo outro). Qualquer pessoa em deslocamento tem direito a proteção”, afirmou.

Fedotov lembrou que 156 países tipificam o crime de tráfico humano, mas a aplicação da lei continua sendo um enorme desafio. “Para que a justiça seja feita, Estados precisam respeitar sua própria lei”, disse.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, destacou que está atuando junto a parceiros para fortalecer iniciativas de criação de empregos para refugiados. Para o chefe do organismo financeiro, intervenções precoces podem ter um impacto na resolução de problemas envolvendo fluxos de deslocamento forçado. Dados apontam que metade do número total de refugiados estão em tais circunstâncias há menos de quatro anos.

O alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, participou da cúpula e elogiou a adoção pelos Estados-membros da ONU da Declaração de Nova York, um “compromisso político com força e ressonância sem precedentes”. Saiba mais sobre o documento e sua importância aqui.

FONTE: ONU

How Demographics Determine Economic Success – Japan

Published on August 31, 2016

STRATFOR