A linguagem do dinheiro

Qual bonecos de ventríloquo, os comunicadores “falam” conforme as regras gramaticais dos mercados

Publicado originalmente em: 03/02/2016

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Partilhei com Mino Carta o editorial da edição anterior de CartaCapital. Disse, então, que nos últimos meses alguns integrantes do Copom haviam sugerido um aumento de 50 pontos na já alentada taxa Selic.

Para surpresa de muitos e decepção de uns tantos, às vésperas da reunião do dito Conselho, escudado nas previsões do FMI sobre o PIB brasileiro, o presidente Tombini virou o jogo. Na quarta-feira 20, o Copom manteve a Selic em 14,25%.

Os Senhores da Finança responderam às trapalhadas de comunicação do doutor Tombini & Cia: mandaram um recado antecipando elevações consecutivas da taxa de juros no biênio 2016-2017. O mercado “falou”. Escancarou sua discordância na inclinação da curva de juro longa. A corcova fez inveja a Quasímodo.

Apoiado no linguista John Austen, em seu livro Capital e Linguagem, o economista italiano Christian Marazzi cuida das marchas e contramarchas da finança dos últimos 30 anos. Marazzi sublinha a natureza performativa da linguagem do dinheiro e dos mercados financeiros.

Escusas, caro leitor, pelo pedantismo do jargão linguístico. Performativo quer dizer apenas que a linguagem dos mercados financeiros contemporâneos não descreve, e muito menos “analisa”, um determinado estado de coisas, mas produz imediatamente fatos reais.

A última decisão do Conselho de Política Monetária do Banco Central foi um exemplo da produção da “realidade” pela linguagem dos mercados financeiros.

O domínio da finança, ou seja, o capitalismo reinventado segundo sua “natureza”, produziu o que Christian Marazzi chamou de “metamorfose antropológica do indivíduo pós-moderno”.

Diz Marazzi: é relativamente simples descrever o comportamento mimético-comunicativo das convenções coletivas típicas dos mercados financeiros. No capítulo XII da Teoria Geral, Keynes se vale dos concursos de beleza promovidos pelos jornais para descrever a formação de convenções nos mercados de ativos. 

Os leitores são instados a escolher os seis rostos mais bonitos entre uma centena de fotografias. O prêmio será entregue àquela cuja escolha esteja mais próxima da média das opiniões. Não se trata, portanto, de apontar o rosto mais bonito na opinião de cada um dos participantes, mas, sim, de escolher o rosto que mais se aproxima da opinião média dos participantes do torneio.Keynes introduz, assim, na teoria econômica as relações complexas entre Estrutura e Ação, entre papéis sociais e sua execução pelos indivíduos convencidos de sua autodeterminação, mas, de fato, enredados no comportamento de manada.

Keynes, na esteira de Freud, introduz as configurações subjetivas produzidas pelas interações dos indivíduos no ecúmeno social das “economias de mercado”. O afã de realizar sem perdas o valor dos ativos se esbate no fragor das insuspeitadas e caprichosas evoluções e involuções da opinião coletiva.

Os fâmulos dos mercados passam da euforia à depressão. É implacável o constrangimento dos indivíduos dos mercados, sempre amestrados sob o guante da conversão de seus valores particulares em dinheiro, a forma geral da riqueza.

Nesse percurso, o comportamento mimético dá origem, em suas conjecturas imitativas, a situações nas quais a busca coletiva da liquidez culmina na decepção de todos. A âncora que sustenta precariamente as ariscas subjetividades atormentadas pela incerteza da liquidez está lançada nas areias movediças da peculiar “sociabilidade” do capitalismo financeiro.

No livro Capitalisme et Pulsion de Mort, Gilles Dostaler e Bernard Maris afirmam que nem Freud nem Keynes acreditam na fábula da autonomia do indivíduo, tão cara aos economistas. “O indivíduo está imerso na multidão inquieta, frustrada, insaciável, sobre a qual pesa essa imensa pressão cultural, esse movimento ilimitado da acumulação…”

A metamorfose do indivíduo pós-moderno aludida por Marazzi é um “salto de qualidade” no comportamento mimético examinado por Keynes. Os “avanços” nas formas de comunicação promovidas pelo desenvolvimento da mídia de massas e o uso das tecnologias de informação tornaram mais rápida e eficazmente perigosa a linguagem do dinheiro.

Na mídia impressa e na eletrônica, as matérias de negócios e economia disseminam os fetiches dos mercados financeiros embuçados na linguagem do saber técnico e esotérico. Qual bonecos de ventríloquo, os comunicadores “falam” a língua articulada conforme as regras gramaticais dos mercados.

Assim, o capitalismo investido em sua roupagem financeira cumpre a missão de “administrar” a constelação de significantes à procura de significados, submetendo os cidadãos-espectadores aos infortúnios da domesticação e da homogeneização decretados pelo “coletivismo de mercado”.

Fonte: Carta Capital

Brazil and Argentina must prepare joint plan as Venezuelan debt default looms

Publicado originalmente em: 24 de janeiro de 2016

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After a historic election victory for the opposition in December 2015, Venezuela is heading for even deeper political and economic turmoil in 2016. International observers have warned of a possible Venezuelan default for years, yet contrary to what is generally believed, the Venezuelan governments of Chavez and Maduro have been reliable, always paying bondholders on time. Still, after President Maduro’s decision to radicalize his economic policy after the election — instead of, as some had hoped, normalize it — even optimists are beginning to doubt Venezuela’s capacity to service its foreign debt in the coming months. After inflation of around 275% in 2015, the IMF expects the rate to reach 720% in 2016, higher than any other country in the world. Considering the political deadlock in Caracas, the institution also forecasts the Venezuelan economy to contract by a staggering 18% over 2015 and 2016.

Venezuela’s debt to private companies — thought to stand above U$50 billion — is already producing political consequences in the region. Uruguayan farmers staged strikes across the country last week pressuring the government in Montevideo to help them recover unpaid bills from Venezuela. Worries are growing about billions of unpaid debt to Brazilian companies as well — indeed, a Venezuelan default would add to Brazil’s economic woes, considering how much trade between the two has grown over the past decade. International airlines have sharply reduced flights to Caracas as they are no longer being paid, and several car plants have shut after the government stopped paying for imports.

Last week, UN General Secretary Ban Ki-moon announced that Venezuela, along with 14 other countries, had lost its voting rights in the General Assembly since it had not paid its membership fees. The decision is particularly embarrassing for Caracas — and South America as a whole — as Venezuela is currently a member of the UN Security Council and will hold its rotating presidency next month (even though Venezuela can still vote in the UNSC).

A price of $75 per barrel is generally though to be necessary to assure that Venezuela’s government can balance its budget. After policy makers in Caracas recently failed to convince OPEC members to reduce production to help boost prices, a sell-off in sovereign bonds put the price on benchmark 2026 to 37 cents, seen as a precursor to default. As Venezuela will need to use around 90% of its oil income this year just to meet its obligations, including sovereign debt and money owed to China, investors are now pricing in an estimated 80% chance of default in 2016.

Considering that Venezuela’s current government would refuse to work with the IMF, one of the world’s leading sovereign debt restructuring lawyers has warned that Venezuela would face an Argentina-style legal drama if it defaults. The situation may be even more complicated since the Venezuelan government has signed a series of financial agreements with China over the past years, which makes Beijing senior to other creditors (like bondholders), thus turning Venezuela a risky place to borrow for years to come (because China collects its oil before Venezuela sells it elsewhere).

Such a scenario would be terrible news for both Venezuela and South America, establishing yet again a strong association between the region and sovereign default risk the reformers of the 1990s, led by Fernando Henrique Cardoso, have worked hard to overcome. It would also further reduce the risk of political conciliation. Yet while policy makers in Buenos Aires and Brasília can do little to reduce the risk of default, they must start developing a joint long-term plan of how to increase the pressure on both Maduro and the opposition to establish a constructive political dialogue over the coming years.

Those who believe Maduro’s removal from office would end Venezuela’s troubles are deeply mistaken and overlook that even in the midst of an economic implosion and a public health crisis, more than 40% of Venezuelans still voted for the government. Considering the opposition’s track record, the end of chavismo could lead to a witch hunt which would do little to reduce polarization and promote conciliation. Brasília and Buenos Aires should jointly establish a broad dialogue with the government and all parts of the opposition — both moderate and radical — to help avoid such a scenario.

Macri’s rise to power in Argentina, which led to a sharp change in position vis-à-vis the governmentt in Caracas, may be helpful in this context. While the Venezuelan government (rightly) sees Argentina to be highly critical of Maduro, the opposition regards Brazil as rather aligned with the socialist government, thus establishing a necessary equilibrium makes the duo look like legitimate mediators by both sides. Another option would be to include Cuba and the United States to assure the acceptance of Venezuela’s more radical wings on both the left and the right.

Lula’s leadership in 2003, when Brazil’s recently elected President successfully coordinated the “Friends of Venezuela” grouping to promote a dialogue between the government and the opposition, provides a useful example. Putting pressure on Venezuela to accelerate its integration into Mercosur (it currently does not participate in the trade negotiations with the EU, and says it will take until 2022 to sign all its treaties) will provide Brazil and Argentina with additional sticks should one of the two sides violate the basic rules of the game.

After their first official meeting, Argentina’s and Brazil’s Foreign Ministers Susana Malcorra and Mauro Vieira seemed eager to tackle the region’s most urgent problems. The crisis in Venezuela provides a big first test whether the two can effectively work together.

Fonte: Post Western World

Economia global enfrenta seu maior desafio desde a crise de 2008

Publicado originalmente em: 24/01/2016

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O tom de chumbo que predominou nas reuniões desta edição do Fórum Econômico Mundial tem uma explicação imediata: muitos dos participantes perdiam bilhões na Bolsa enquanto estavam na reunião na Suíça. As dúvidas em torno da China surgem como primeira explicação, mas não a única. As previsões de crescimento são progressivamente reduzidas, a queda do preço do petróleo ameaça provocar uma onda de quebras no setor, os países emergentes têm que lidar com uma crescente desconfiança dos investidores, e as moedas despontam como próximo ponto de conflito entre as economias.

“Não é 2008… ainda. Mas os Governos precisam agir rápido”, alertou num dos debates em Davos o economista Nouriel Roubini, apelidado de Doutor Catástrofe. Roubini perdeu parte de sua autoridade em razão de seu pessimismo empedernido, mas suas palavras não caem nunca totalmente no vazio. Com uma queda do índice acionário norte-americano S&P 500 de 6,7% neste ano, não é de estranhar que os executivos de Davos passem por episódios de ansiedade. O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou logo antes da reunião na Suíça uma redução das previsões globais de crescimento, para 3,4% neste ano e 3,6% no próximo, 0,2 ponto percentual abaixo do previsto em outubro e o terceiro corte em menos de um ano. “Em 2016 o crescimento será modesto e desigual. Há um otimismo moderado, mas os riscos são significativos”, disse no sábado a diretora gerente do FMI, Christine Lagarde.

Os investidores estão desconfiados, e a prova disso é que pedem juros mais altos para os empréstimos de curto prazo que no horizonte de dez anos, fato que é chamado de curva invertida de taxas de juro e é um dos indicadores que sinalizam uma recessão. Embora nem sempre, segundo o presidente da empresa de investimentos Bridgewater, Ray Dalio, que considera mais provável que a economia continue sofrendo com uma notável fraqueza. “Mas, caso tenhamos uma recessão, ela será mais difícil de reverter. Este é o momento de maior desafio desde a crise financeira”, explica, numa sala com lareira e vista para a montanha que por estes dias é seu escritório temporário.

A bala de prata que se acreditava estar nos bancos centrais e nas novas medidas de estímulo monetário não consegue tirar da letargia a economia global. “Apesar da enorme quantidade de dinheiro posta em circulação ao longo destes anos, as pressões deflacionárias são constantes”, diz Dalio, que põe o dedo na ferida de um dos temores mais profundos dos analistas: a falta de ferramentas para responder a uma nova crise.

Na atual conjuntura, todas as estradas levam à China. A transição para um modelo de maior demanda interna e os passos em direção a maior abertura financeira estão se mostrando uma combinação difícil de manejar para Pequim –e difícil de interpretar, para os investidores. As autoridades chinesas em Davos insistiram que a segunda maior economia do mundo está se adaptando a uma nova normalidade, de crescimento mais baixo, e que se trata de um problema somente na hora de comunicar suas políticas. “O setor financeiro está mais desconectado que nunca da economia real”, afirmou Shi Wenchao, presidente da Unionpay. Mas há uma longa lista de tarefas ainda a resolver. “A China precisa reestruturar suas dívidas e sua economia, que se está debilitando e exige um relaxamento da política monetária, enquanto está sofrendo uma considerável saída de capitais”, rebate Dalio.

A desaceleração provocada por esse caminho para uma nova normalidade chinesa provocou um terremoto nos mercados de matérias-primas, como mostra o colapso do petróleo. “A baixa do preço do petróleo vai forçar muitas empresas a suspender pagamentos, e isso vai trazer muita instabilidade”, disse Larry Fink, presidente da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock. Após uma quebra de empresas fica uma dívida sem pagar, e os balanços dos bancos não têm condição de suportar maiores exigências de capital.

Fuga de capitais na China

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) revelou que, pela primeira vez na história recente, a China sofreu no ano passado uma saída de capitais, de 676 bilhões de dólares, 90% de todos os fluxos que deixaram os mercados emergentes (735 bilhões de dólares). A entidade prevê outro saldo negativo para este ano, de 448 bilhões de dólares. “As perspectivas para esses países ficam mais sombrias”, afirmou o presidente do IIF, Tim Adams. O futuro escurece, e as moedas se desvalorizam, o que deixa em sérios apuros as economias com elevada dívida em dólares, como Brasil, África do Sul e Turquia.

“A situação na América Latina se parece cada vez mais com a crise da dívida dos anos oitenta, embora ela não deva ser tão danosa”, afirma Dalio. Se houve algum consenso em Davos é que as quatro reduções de taxas de juros esperadas do Federal Reserve (banco central dos EUA) serão diminuídas para no máximo duas. A combinação de dólar forte e pressões deflacionárias pode ser fatal para a recuperação. “O dólar pode aguentar durante um tempo, acho que em torno de um ano, como a moeda forte”, crava o financista.

Fonte: El País

China’s consumer finance expected to be a market without ceiling

Publicado originalmente em 27/01/2016

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According to Luo, a monthly repayment of 100 yuan is considered affordable now. Although its business might appear risky, qufenqi.com does due diligence of its debtors.

“We screen consumers’ online shopping records to assess their consumption power. We also verify the contact information of their parents. We have 10,000 part-time employees who visit student dormitories at colleges for due diligence,” Luo said.

Like qufenqi.com, China’s Internet giants such as Baidu Inc, Tencent Holdings Ltd and Alibaba Group Holding Ltd, as well as smaller players, have jumped on the online consumer finance bandwagon.

Borrowers love what they offer: convenience, lower rates and ease of obtaining loans.

Online lenders steer clear of lengthy application processing and stiff qualifications for borrowers that typify banks and traditional private lenders.

For instance, qufenqi.com waives interest in the first month. So, borrowers repaying within a month can avail interest-free loans. A 1,000-yuan loan for three months entails monthly payments of 347.88 yuan each. That is, repayments total 1,043.64 yuan, suggesting an interest amount of 43.64 yuan per quarter, marginally lower than the 50 yuan that credit card firms charge on comparable loans.

For its part, JD.com’s consumer finance division started Baitiao in 2014, a virtual credit card service that allows some of its online shoppers to buy products first and repay in installments.

The rise of online firms suggests the consumer finance market in China is too big for credit card issuers alone to serve.

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Some 800 million Chinese constitute the potential consumer finance market. Of them, about 500 million do not have any credit information in traditional banking organizations, said analysts.

“This means, it is difficult for them to apply for credit cards or borrow money from traditional banks,” said Liu Yannan, chief executive officer of Beijing Tiandao Jiran Technology Co Ltd, which, in 2015, launched an app offering loans to buyers of used cars and consumer electronics.

“It is very difficult for traditional banks to offer small loans to consumers without any credit record. The cost and risk would be very high compared with offering loans to big-name enterprises.

“But through big data technology, it is easy for Internet firms to find out who can be good debtors, by analyzing their online footprints, such as their shopping records, occupation and educational backgroud of their friends on social networking apps,” said Liu.

Xu of JD Finance agreed. The cost of finding a qualified borrower is next to zero for JD Finance thanks to parent JD.com’s vast data on its online shoppers, he said. JD Finance, he said, has “profiled”, or verified the creditworthiness of, 100 million shoppers on JD.com.

Even consumers who have credit cards appear to prefer online consumer finance due to its convenience and efficiency, said Min Jie, 30, who recently bought a new flat. He spent tens of thousands of yuan online in 2015, decorating it. After maxing out his credit card, he turned to Internet finance companies.

“Asking banks to raise my credit limit was proving to be time-consuming. You need to make phone calls first, then demonstrate your financial situation and wait for their approval. So I used JD’s Baitiao service as an alternative. Based on my previous shopping record, they immediately granted me 10,000 yuan in credit,” Min said.

Xiong Yuan, 27, a female white-collar worker in Beijing, took another route to easy finance. She did not really need the money but wanted to boost her online credit score. So, she logged into Ant Check Later, an Internet consumer finance product of Ant Financial Service Group, which is backed by Alibaba Group Holding Ltd.

Ant Financial’s credit scores, ranging from 350 to 950, are based on analysis of consumers’ online behavior. A score higher than 750 attracts VIP perks like travel to Singapore without visa application or priority check-in at some airports in China.

“By borrowing about 1,000 yuan every month via Ant Check Later, I made online purchases, but repaid the money in time over the last six months. So, my credit score has increased from 670 to 709 and nearing my goal of exceeding 750,” Xiong said.

According to Ant Financial, its consumer finance service has significantly boosted the consumption of online shoppers. “Those who used to spend less than 1,000 yuan a month have increased their spending by 50 percent after using the service,” the company said in an email to China Daily.

Consumer finance is clearly a priority for the government as well, given the thrust on economic growth through domestic consumption rather than exports.

In June 2015, the government expanded its pilot zone of consumer finance from 16 cities to the entire nation. Private companies, domestic and overseas banks, and Internet firms are all encouraged to set up consumer finance business.

Analysts said it is unlikely that regulators will restrict the development of the sector. Li Chao, an analyst with iResearch, said for the consumer finance market to blossom fully, service providers need to improve their risk management and create more “offline scenarios”.

“There is still room for improvement in the accuracy and cost of risk control, given the market is still in its early stage. Consumer finance companies need to come up with more ideas to encourage people to use their services.

“Most of the small loans are made to online shoppers, those who are about to travel or buy cars. They need to think more creatively to create more opportunities for consumers to use the service,” Li said.

Like in any lending business, bad debts are but natural. But, Internet finance firms, being mostly privately held startups, are not obliged to disclose the rate of bad debts. Industry insiders, however, estimated defaults could be around 1 percent of total loans.

Fonte: China Daily

 

Fórum Econômico Mundial: os desafios da “Quarta Revolução Industrial”

Publicado originalmente em 21/01/2016

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Entre os dias 20 e 23 de janeiro, chefes de governo e ministros, bem como representantes de empresas, bancos e diferentes grupos sociais subirão os Alpes suíços em direção à pequena cidade de Davos para participar do encontro anual organizado pelo Fórum Econômico Mundial, com o intuito de discutir o presente e propor caminhos para o futuro. Trata-se de um grupo pequeno, mas muito influente no processo de concepção e implementação de políticas públicas em diversos países.

O mundo discutirá em Davos a “Quarta Revolução Industrial” em um momento em que ainda não foram superados os efeitos adversos daquelas que a precederam, tais como os elevados níveis de miséria, pobreza e desigualdades, os frequentes conflitos intranacionais e internacionais de grande capacidade destrutiva e a rápida degradação dos recursos do planeta, gerados, em última instância, pela busca incessante pela acumulação da riqueza em um contexto de acirramento da concorrência intercapitalista em escala global.

O encontro deste ano ocorre em um momento em que os efeitos da crise econômica, política e social iniciada em 2008 ainda não foram superados, além de graves questões humanitárias, com destaque ao aumento do número de refugiados que deixam o Oriente Médio em convulsão em busca de paz, e ambientais, como a ocorrência cada vez mais frequente de fenômenos naturais extremos e cada vez mais destrutivos.

Essas questões serão consideradas à luz do tema proposto pela organização do evento liderada por Klaus Schwab, qual seja, “O que esperar da Quarta Revolução Industrial”, também chamada de “Indústria 4.0” – que, para muitos, já está em curso, ainda que de forma sobreposta à terceira revolução industrial.

A “Indústria 4.0” representa uma descontinuidade do modelo de produção até então vigente. Ela se concentra nos novos produtos e processos derivados dos avanços ocorridos na fronteira da ciência, como a convergência entre info, nano, bio e neuro-cogno tecnologias, que possuem aplicação em praticamente todas as áreas do conhecimento, como a química, a física, a biologia, a medicina, a engenharia, a computação etc.

Esse processo tem ocorrido em escala e velocidade substantivos, afetando de forma avassaladora todas as dimensões da vida dos indivíduos e da forma como eles se relacionam entre si. Com efeito, a denominada “Quarta Revolução Industrial” abre um mundo de possibilidades e, inevitavelmente, também de riscos.

Trata-se, pois, de uma oportunidade para se rever a relação entre os homens e as tecnologias que ele criou. Isso porque os homens devem dominá-las, ao invés de serem dominados por elas. As novas tecnologias devem ser utilizadas para assegurar a todos a possibilidade de contribuir e partilhar da riqueza criada, propiciando condições dignas de vida para as pessoas, sejam elas quem forem e estejam elas onde estiverem.

Elas devem garantir a promoção da dignidade humana ao assegurar a todos as condições materiais para o atendimento de suas necessidades fundamentais e, assim, para o desenvolvimento de suas potencialidades independentemente de distinções de qualquer natureza.

Ao contrário do que sugere a visão majoritariamente aceita, a liberalização dos fluxos de comércio e investimento, assim como a desregulamentação dos mercados, de forma alguma são condições fundamentais para que os benefícios e custos da “Quarta Revolução Industrial” se distribuam de forma menos assimétrica entre os diferentes países e, dentro deles, entre os diferentes grupos sociais.

No âmbito internacional, eles tenderão a produzir uma nova divisão do trabalho, em que alguns países serão mais capazes do que outros no tocante ao desenvolvimento de setores intensivos em tecnologia de ponta, capazes de gerar mais renda e melhores empregos e de reduzir a sua vulnerabilidade externa. Já no âmbito nacional, aqueles de maior qualificação encontrarão oportunidades de maiores salários e maior estabilidade enquanto os demais não encontrarão trabalho ou se restringirão às ocupações de menor remuneração e maior flexibilidade, como os empregos temporários e em tempo parcial.

Essas assimetrias entre países e entre grupos sociais tendem a se reproduzir indefinidamente. Se o sistema for abandonado à sua própria sorte, os ricos se tornarão mais ricos e os pobres se tornarão mais pobres em um processo de causação circular cumulativa.

Dessa forma, mais do que nunca, devem ser criados novos mecanismos de intervenção no sistema e fortalecidos aqueles eficazes e já existentes. Contudo, uma vez que o tamanho do esforço necessário para que os países mais pobres e/ou de renda média alcancem os países desenvolvidos, essa construção deve ser coletiva e orquestrada internacionalmente.

Ou seja, ela deve ser o resultado de mais cooperação e menos competição entre os países, da união de recursos humanos e financeiros em favor de uma civilização que partilha de um mesmo destino. Nobres valores, é verdade, mas que infelizmente ainda estão muito longe de constituir um consenso capaz de criar sinergias e viabilizar um sistema efetivo e eficaz de cooperação internacional, diante da relutância dos homens em aprender com as lições da história e com o poder também destrutivo de suas ações.

Nesse contexto, o Brasil deve manter-se atento às discussões que ocorrerão em Davos, sobretudo neste momento de grave crise econômica, social e política que ameaça reverter avanços perpetrados desde a Constituição Federal de 1988 – a chamada “Constituição cidadã”. Dispensável afirmar que uma inserção ativa na Quarta Revolução Industrial requer avanços substanciais em frentes diversas, a partir de reformas necessárias para a superação das estruturas que caracterizam o subdesenvolvimento.

De fundamental importância nesse processo é o desenvolvimento de setores de alta intensidade tecnológica, capazes de desenvolver e de difundir inovações que beneficiem a economia e elevem as condições de vida dos brasileiros, o que inclui a melhora dos padrões de educação, saúde, alimentação e habitação, sobretudo. Um desafio e tanto, diante das graves dificuldades pelas quais a economia brasileira tem passado em sua história recente.

Por fim, o que se espera do encontro a ser realizado no topo do mundo nos próximos dias é a atenção à realidade próxima e concreta das pessoas comuns em tempos adversos. A Quarta Revolução Industrial deve ser funcional ao crescimento econômico, à coesão social, à proteção do meio ambiente e à manutenção da paz em todos os cantos do planeta, o que, no capitalismo contemporâneo, não será possível se essa transformação não for bem conduzida pelos governos nacionais e pelas relações entre os países, a partir de um sistema articulado de cooperação internacional. Uma utopia, talvez. Mas ainda há tempo para mudar.

*Paulo José Whitaker Wolf é mestre em economia pelo IE/Unicamp e doutorando na mesma instituição. Giuliano Contento de Oliveira é professor do Instituto de Economia da Unicamp. Convidados do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI.

Fonte: Carta Capital

Espaço Público entrevista Marco Aurélio Garcia

O chefe da Assessoria Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, nega, em entrevista ao programa Espaço Público, haver uma “queda de braço” entre Brasil e Israel. Mas avalia que o governo daquele país deu um “passo em falso” ao indicar o diplomata Dani Dayan para embaixador em Brasília, em substituição a Reda Mansour, que deixou o cargo no fim de dezembro.

Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou que Dayan é o indicado para o cargo. Um dos formuladores da política externa brasileira desde o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando assumiu o cargo que ocupa até hoje (já no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff), Marco Aurélio explica que a indicação causou polêmica pelo fato de Dayan ser morador da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967, e também ser contrário à criação de um Estado Palestino.

Segundo Garcia, Israel não respeitou a convenção diplomática de mandar as credenciais do candidato a embaixador para que o país anfitrião a pudesse analisar antes de conceder o agrément. “Eu acho que foi um passo em falso dado pelo governo de Israel. Em primeiro lugar, ao romper uma regra diplomática que não é uma frivolidade, é um procedimento que corresponde à gravidade que as relações internacionais têm: isto é, antes de pedir o agrément ao embaixador, noticiar publicamente”, disse.

Nesta entrevista, Garcia também comenta a situação da América Latina. Especificamente sobre a Venezuela, diz que o Brasil tem tido uma postura ativa na defesa de uma saída democrática para o impasse no país vizinho. “Se houver uma solução fora da Constituição, será uma tragédia para o povo venezuelano e para o Brasil, que tem fronteira e interesses econômicos na Venezuela. Além disso, será algo desastroso para o Mercosul e a Unasul [União de Nações Sul-Americanas].”

Garcia ainda fala da conjuntura internacional, revela bastidores das negociações iniciais conduzidas por Lula em torno do acordo nuclear com o Irã e comenta o momento atual do PT. Embora admita não gostar da expressão usada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, para quem o partido “lambuzou-se”, ele diz entender seu significado e afirma que a legenda vai precisar ser mais inovadora para sair da crise atual do que na época em que foi fundada.

O Espaço Público é apresentado pelo jornalista Paulo Moreira Leite, com a participação do também jornalista Florestan Fernandes Júnior. A entrevista com o chefe da Assessoria Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais contou, ainda, com a presença do correspondente Anthony Boadle, da Agência Thomson Reuters.

Fonte: YouTube

Asian markets mixed after global shares turmoil

Publicado originalmente em :  21/01/2016

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Asian stocks opened with slight gains after turmoil on financial markets saw European and US indexes tumble following another oil price fall.

But the small rises on Thursday pale in comparison to the losses the financial markets have seen over past days.

Investors remain worried over slumping oil prices and slowing growth in China.

On Wednesday, stocks had dived to their lowest levels since May 2009, with UK, French and Japanese shares falling more than 20% below their 2015 highs.

Wall Street was not immune either. The Dow Jones closed 1.6% lower after a volatile trading day had seen stocks as much as 3% down.

“Overnight markets in the Europe and US had a terrible day, where sentiments around a ‘drunk’ Asia spilled over,” market strategist Bernard Aw of IG explained in a note.

Mixed open in Asia

Mainland China’s main market in Shanghai fell by another 1% at the start of trading, confirming international concerns over the world’s second largest economy.

Hong Kong, though, managed to come back slightly from the previous day’s record loss. The Hang Seng index recovered 1% after losing almost 4% on Wednesday.

Earlier in the day, Australia was the first to buck the share market rout, with the ASX/200 gaining 1%.

The rise came despite Australia being particularly dependent on China’s economic performance as most of the commodities driving the economy down under are exported to China.

Japan and South Korea were also higher with the Nikkei up by 1.3% while the Kospi rose by 0.4%.

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Commodity slump

“Markets are just very uncertain about the slowdown in the Chinese economy,” Stephen Koukoulas, chief strategist TD Securities, told the BBC.

“We saw the official numbers, but frankly not many people put a lot of weight on the reliability of them and instead look at commodity prices as a barometer for how the Chinese economy is going.”

Oil prices have fallen below $28 a barrel, while coal, iron ore and other metals are all also in a drawn-out slump.

“So, investors are particularly nervous about the loss of momentum in China,” Mr Koukoulas said. “The question is: Is it just an adjustment to some of the previous excesses or is this the start of something a little more nasty that will drag the economy to a much weaker growth path?”

Analysis: Andrew Walker, economics correspondent:

Some observers think that many markets were riding for a fall. Asset prices were pumped up by ultra-low interest rates in the developed world and also by the central banks that have engaged in quantitative easing, buying financial assets with newly created money.

That happened with shares, with bonds and with commodities. For commodities the boom is well and truly over, partly due to the slowdown in China and in the case of oil mainly due to plentiful supplies.

Clearly there are some troublesome developments and the IMF has a warning: “If these key challenges are not successfully managed, global growth could be derailed.”

That at bottom is what the markets are worried about.

Fonte: BBC