Americans Are Embracing Transgender Rights

Elaine Thompson/AP

Publicado Originalmente: 25/08/2016

Change in America is a funny thing. It took two centuries for the country to agree that a black woman could marry a white man. On the other hand, same-sex marriage bans collapsed just a decade after the first state awarded recognition to gay couples. And there’s new evidence that national views are swinging even more quickly when it comes transgender Americans.

A poll released today by the Public Religion Research Institute found 72 percent of Americans now favor passing laws to protect lesbian, gay and transgender people from discrimination, including three-quarters of Democrats and two-thirds of Republicans. A majority of Americans also oppose so-called “bathroom bills,” which require transgender people to use the restrooms that correspond to their sex at birth.

The poll found Americans are so supportive of federal non-discrimination legislation that most think it already exists. Just over 80 percent of Americans believe the federal government already bars employers from firing gay or transgender employees because of their orientation or gender identity. (It doesn’t.) “People in their head just logically think, if marriage is legal, then workplace protections must also be in place,” said Robert P. Jones, PRRI’s CEO.

Support for those protections hasn’t actually grown all that much in the past year—just one percentage point, up to 72 percent. (Non-discrimination laws have always been more popular than marriage equality, Jones said; it’s a historical accident that the tougher fight was won first.) But it appears that personal friendships are driving a new awareness of trans issues. In 2015, a Human Rights Campaign survey found 17 percent of Americans knew a transgender person. This year, that figure jumped to 35 percent. Trans rights seem to be following the path of marriage equality—as people came to know the gay people in their own lives, support for same-sex marriages went up.

But—and not to be a party-pooper—hasn’t it also been a bit of a bad year? March saw the passage of North Carolina’s infamous HB 2, which banned local non-discrimination laws and required trans people to use the bathroom matching their birth gender. (The legislation, in a bit of conservative kitchen-sink-throwing, also barred local communities from passing a higher minimum wage or adopting stricter child labor rules.) Last year, Houston voters struck down the city’s non-discrimination ordinance, ending protections for gay residents amid a flurry of “No Men in Women’s Bathrooms” signs. And just this week, Scottsdale, Arizona,killed its own non-discrimination proposal after a city councilor demanded a small-business provision that would exempt three-quarters of the city’s establishments.

Perhaps Americans are eager to support gay rights in theory, but more reticent when an actual proposal lands in their community. But Jones doesn’t think so. Respondents are usually more willing to cop to an unpopular opinion in an online poll versus a live-caller survey, but PRRI didn’t see any disparity between the two methods on questions about gay issues. Support is probably genuine, he concluded; it’s the Republican elites who haven’t caught up with the electorate, starting battles that many voters don’t want to fight.

Indeed, a rising number of folks on both sides of the aisle believe it’s unacceptable to oppose same-sex marriage: Forty-four percent of Americans now say they wouldn’t vote for a presidential candidate who is against gay unions. Though Republicans are less likely than Democrats to think gay and transgender people face discrimination, 62 percent of GOP voters support workplace and housing protections. (They’re a bit more split on bathroom accommodations—44 percent support restrictions, 44 percent don’t.)

“For elected officials, there is everything to gain and nothing to lose by supporting employee discrimination protections,” said Brandon Lorenz, a spokesman for the Human Rights Campaign. “In a political climate where so much is polarized, the issue of LGBT equality is one issue where both sides are coming together.”

To be clear, GOP leaders do have something to gain by opposing gay causes—the support of the religious right. But even that may be changing. For a long time, an individual’s opinion on gay rights was closely linked to their party and their religion. Party identification is still a strong dividing line to this day. Religion is less so. Among every demographic, fewer people see a conflict with their faith and acceptance of gay couples now than they did in 2003. That might not translate into votes yet. But it’s more evidence that change is coming, and ever more rapidly.

FONTE: The Atlantic

The real harm of the global arms trade

Published on Jun 23, 2016

In some parts of the world, it’s easier to get an automatic rifle than a glass of clean drinking water. Is this just the way it is? Samantha Nutt, doctor and founder of the international humanitarian organization War Child, explores the global arms trade — and suggests a bold, common sense solution for ending the cycle of violence. “War is ours,” she says. “We buy it, sell it, spread it and wage it. We are therefore not powerless to solve it.”

TED

Especialista da ONU alerta para efeitos da onda de racismo nos EUA

Publicado Originalmente: 29/07/2016

Os Estados Unidos estão lutando para viver de acordo com os ideais de igualdade racial, social e econômica, advertiu o relator especial sobre a liberdade de reunião pacífica e associação da ONU, Maina Kiai, na quinta-feira (28), ao final de sua primeira missão oficial de avaliação do país.

Segundo ele, os desafios persistentes nessas áreas afetam negativamente a prática dos direitos à liberdade de reunião pacífica e de associação no país.

“As pessoas têm boas razões para estarem irritadas e frustradas atualmente. E nesses momentos, os direitos de reunião e de associação são mais necessários. Esses direitos dão às pessoas um caminho tranquilo para elas falarem, dialogarem com os cidadãos e autoridades, expressarem suas queixas e resolvê-las “, disse Maina Kiai, em comunicado.

Para Kiai, compreender o racismo no país significa olhar para os 400 anos de escravidão e para as leis de Jim Crow pós-guerra civil, que “impuseram a segregação e marginalizaram a comunidade afro-americana em uma vida de miséria, pobreza e perseguição”.

Sobre os tempos mais recentes, o relator especial observou “que velhas filosofias de exclusão e discriminação renasceram em novos termos”, tais como a chamada “guerra às drogas” e as políticas de condenação relacionadas a greves.

Segundo Kiai, essas políticas e ordens duras – como condenações penais menores ou até mesmo prisões em protestos sem acusações fundamentadas – impossibilitam que as vítimas encontrem emprego, consigam empréstimos de estudo ou encontrem um lugar para viver.

“Há uma justificável raiva na comunidade negra sobre essas injustiças, que precisam ser expressas”, frisou o especialista, explicando que este é o contexto que deu origem ao movimento de protesto não violento ”Black Lives Matter” (“Vidas de negros importam”).

Kiai chamou a atenção também para a situação dos trabalhadores migrantes nos Estados Unidos. De acordo com ele, os migrantes enfrentam muitas adversidades em circunstâncias precárias de trabalho e são muitas vezes explorados por suas condições.

O especialista notou ainda a falta de rígidas proteções aos direitos trabalhistas, que configuram um grande obstáculo para o exercício do direito à liberdade de associação no trabalho. Ele ficou chocado ao ver que, em estados como o Mississippi, os empregadores consideram benefícios a não sindicalização e a exploração dos trabalhadores .

Mesmo em meio a desafios e problemas, Kiai considera os Estados Unidos uma “nação de luta e resistência”, e elogiou a sociedade civil. Um relatório final sobre a visita de 17 dias aos Estados Unidos  será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em junho de 2017.

FONTE: ONU

Cristina Kirchner: América Latina está recuando politicamente

Publicado originalmente em: 23/07/2016

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Kirchner, que deixou o poder em dezembro de 2015, se reuniu pela primeira vez depois disso com os jornalistas em sua casa na cidade de El Calafate, no sul da Argentina, recebendo os representantes de mídia estrangeira, incluindo emissoras de Telesur e Al-Jazeera, RIA Novosti, Reuters e NODAL, bem como a edição La Jornada.

A ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, acredita que todas as acusações contra ela são desprovidas de fundamento, mas diz que não tem medo da prisão.

“Se você olhar para os jornais ao longo dos últimos três ou quatro anos, verá que eles disseram abertamente que quando eu deixasse o poder, eu teria problemas graves com os tribunais. Será que os jornalistas são clarividentes, ou eram precisamente eles quem tem estado envolvido nesta operação midiático-judicial”, disse ela.

Também durante seu discurso, a ex-presidenta da Argentina Cristina Kirchner apelou ao estudo aprofundado e autêntico da história, observando que as potências mundiais, especialmente os Estados Unidos, interpretam “de sua própria maneira” os fatos históricos e introduzem-nos na consciência de massas.

“A indústria cinematográfica americana é uma máquina para produção e transmissão da cultura e da história contada, é claro, por Hollywood. Quando assiste a um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, parece que foram apenas os ianques que obtiveram a vitória”, disse ela.

Falando sobre a ameaça do terrorismo, Kirchner disse que a comunidade internacional deve elaborar o mais rapidamente possível uma nova estratégia de combate, porque os métodos antigos já não fazem efeito.

“Vivemos num mundo muito complexo, num mundo onde não existe uma estratégia clara para combater o terrorismo. Isso impõe a responsabilidade às potências mundiais”, disse Kirchner.

“Eu acho que agora se observa uma falta de liderança na questão do desenvolvimento de uma estratégia diferente para essa luta. Se, no entanto, os velhos métodos continuarem sendo usados — a conquista de países e bombardeio — o mundo ficará pior e pior”, disse ela.

A ex-presidenta argentina Cristina Kirchner destacou que a Argentina, e a América Latina no seu todo, tem passado nos últimos meses por um recuo político que é acompanhado do crescente interesse dos EUA pela região.

“Eu acho que há um retrocesso no que se refere aos governos nacionais e populares da região, há um avanço do que podemos chamar de ‘direita conservadora’, ‘restauradora'”, afirmou a ex-presidenta, acrescentando que já foi abandonada a ideia de unidade regional que prevaleceu tanto no espírito do Mercosul, como da Unasul e da CELAC.

De acordo com ela, desde 2001, depois do ataque de 11 de setembro, os EUA deixaram de intervir na região porque apareceram outras prioridades.

“Essas prioridades se mantêm até hoje, mas os EUA começam novamente a olhar para a região, que sempre foi considerada quase como seu próprio reservatório de alimentos, energia, águas subterrâneas e minerais”, disse Kirchner.

Além disso, Cristina Kirchner notou que o recuo na Argentina apenas é visível analisando dados estatísticos:

“Em 10 de dezembro do ano passado, a Argentina já atingiu o menor nível de endividamento externo em moeda estrangeira em sua história. Nunca tivemos esse nível de redução da dívida”.
O engraçado, segundo ela, é que “o governo conseguiu esta redução da dívida depois de receber o país com a maior dívida soberana do mundo, desemprego de dois dígitos, altos níveis de desemprego e de pobreza”.

Fonte: Sputnik

“Temos de rechaçar a mentalidade do ‘nós contra eles’ que os cínicos tentam nos vender”

Postado originalmente em: 09/07/16

Nota introdutória do autor do post: Devido ao fato de meu posto de observação ser focado nas Américas, as marcações feitas no texto são focadas somente no que diz respeitos às Américas. Acrescento, no entanto, que a entrevista é interessante e vale a pena ser lida na íntegra.

Ao EL PAÍS, Obama fala sobre o avanço do populismo no mundo e as relações com a América Latina

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, volta à Espanha —país que visitou nos anos oitenta, quando era um jovem mochileiro em busca de sua identidade— para uma visita mais breve do que se previa. Agora Obama (Havaí, EUA, 1961) chega ao momento em que seu mandato presidencial de oito anos se aproxima do final, em uma semana difícil para os Estados Unidos, depois das mortes filmadas de dois homens negros por disparos da polícia e da matança de cinco policiais por um franco-atirador durante um protesto contra o racismo em Dallas. Chega, também, a um país instalado há alguns meses na provisoriedade política, após duas eleições para definir a composição do Governo espanhol.

Em resposta por escrito às perguntas do EL PAÍS, Obama reforça a necessidade de que os Estados Unidos e seus parceiros europeus se reforcem e aumentem o investimento em defesa. Apesar de comemorar a volta do crescimento da economia espanhola, sustenta que as políticas de austeridade aplicadas na Europa, Espanha incluída, contribuíram para o descontentamento social. Opina que o voto favorável à saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) reflete a sensação, por parte de muitos europeus, de que a globalização lhes deixou em desvantagem.

O democrata Obama, que vê em seu país o candidato republicano Donald Trump colocar seu legado em perigo, reflete sobre a resposta que os Governos devem dar às forças do populismo. E comemora que um dos fatos de sua presidência, o restabelecimento das relações com Cuba, tenha retirado um obstáculo para situar as relações com a América Latina em um dos melhores momentos da história.

Pergunta. Senhor presidente, sua visita à Espanha acontece duas semanas depois das eleições gerais, com um Governo interino e em meio a uma enorme incerteza na Europa. O que o sr. espera do futuro Governo espanhol?

Resposta. Em primeiro lugar, quero dizer que tinha muita vontade de visitar a Espanha, um parceiro europeu indispensável, apesar dos terríveis assassinatos ocorridos nos Estados Unidos me obrigarem a encurtar minha estadia. Tive a oportunidade de percorrer o país com vinte e poucos anos, viajando de mochila pela Europa. Nunca esqueci da hospitalidade do povo espanhol nem de sua maravilhosa cultura, e sempre quis voltar. Michelle se emocionou profundamente com a acolhida dos espanhóis durante sua recente visita. Tivemos a honra de receber suas majestades o rei Felipe VI e a rainha Letícia na Casa Branca no outono passado, e agradeço muito o convite de vir à Espanha.

Apesar de o voto pelo Brexit ter criado, de fato, certa incerteza, é importante recordar que algumas coisas não vão mudar, como os laços indestrutíveis dos Estados Unidos com a Europa, que incluem uma profunda amizade e a sólida aliança entre os Estados Unidos e a Espanha. A relação entre nós existe há séculos. Estamos unidos por vínculos familiares e culturais, incluindo milhões de norte-americanos que celebram sua herança hispânica. A Espanha é um sólido aliado na OTAN, somos muito agradecidos por todas as décadas de acolhida às nossas Forças Armadas e importantes parceiros comerciais. Por isso, os Estados Unidos têm o firme compromisso de manter nossa relação com uma Espanha forte e unida.

Espero e prevejo que o próximo Governo espanhol terá esse mesmo empenho em uma relação sólida com os Estados Unidos e a Europa. Precisamos que a Espanha continue contribuindo para a campanha contra o ISIS, os esforços antiterroristas para prevenir atentados e os esforços da OTAN para fortalecer nossa posição de defesa e dissuasão. Precisamos de uma economia espanhola que cresça, que ajude a sustentar as relações comerciais, o crescimento na UE e o espírito empreendedor, para que a globalização crie postos de trabalho e oportunidades para todo mundo, não só para uns poucos no topo. Precisamos da cooperação da Espanha para enfrentar os desafios internacionais, desde os migrantes desesperados que cruzam o Mediterrâneo até a mudança climática. Tenho confiança de que, qualquer que seja o próximo Governo, a Espanha continuará sendo um aliado sólido.

P. Levando em conta que em uma entrevista recente à revista The Atlantic o sr. afirmou que os norte-americanos “nem sempre têm de ser os que estão na primeira fila”, e que devemos ter consciência de que os Estados Unidos não podem resolver automaticamente todos os problemas, que novas responsabilidades devem assumir Europa e Espanha para lidar com a instabilidade que vai da Síria ao Magreb e a ameaça do terrorismo local?

R. Diferentemente das ameaças tradicionais, como as guerras entre as grandes potências, os perigos mais agudos de hoje são transnacionais, como vemos no norte da África e no Oriente Médio. A guerra civil na Síria causou centenas de milhares de mortos, criou uma catástrofe humanitária, enviou ondas de migrantes e refugiados à Europa e permitiu que o ISIS [Estado Islâmico] tomasse o controle de uma faixa de território no coração do Oriente Médio. As desordens e os conflitos no Magreb empurraram para a fuga muitos homens, mulheres e crianças desesperados, buscando a segurança da Europa. De seus bastiões na Síria e no Iraque, o ISIS dirigiu ou inspirou atentados —alguns cometidos por militantes locais— em muitos países, nos Estados Unidos e em outros membros da OTAN.

Creio que a liderança dos Estados Unidos é indispensável para a segurança e a prosperidade do mundo. Por isso estamos à frente da coalizão mundial para destruir o ISIS, trabalhamos sem descanso em busca de uma solução diplomática para a guerra civil na Síria, oferecemos mais ajuda humanitária que qualquer outro país e promovemos um encontro mundial de refugiados no próximo outono para colocar em andamento novos compromissos.

De outro lado, é evidente que nenhuma nação —sequer uma tão poderosa quanto os Estados Unidos— pode resolver este tipo de problemas transnacionais sozinha. Precisamos de coalizões e acordos de parceria que aproveitem as melhores vantagens de cada país. Vivemos mais seguros quando os países compartilham a obrigação e os custos de manter a segurança e a paz internacional. Por isso agradecemos à Espanha sua contribuição com pessoal para ajudar a treinar as forças iraquianas em sua luta contra o ISIS. É o primeiro país à frente da nova força militar conjunta da OTAN, que estará preparado para ser implantando rapidamente em toda a Europa, e as tropas espanholas são cruciais para as tarefas de segurança marítima da UE e da OTAN no Mediterrâneo. Além disso, a Espanha tem um histórico de destaque nos trabalhos de manutenção da paz, na Bósnia, Líbano e África, entre outros locais. À medida que aumentam as ameaças atuais, precisaremos que a Espanha e nossos aliados europeus continuem envolvendo-se e isso inclui investir mais em nossa defesa comum.

P. O sr. se mostrou cético quanto às políticas de austeridade da UE durante a Grande Recessão e, de fato, adotou políticas opostas nos Estados Unidos. Como avalia o impacto destas políticas na Europa, e especialmente na Espanha?

R. Colaboramos estreitamente no G7 e no G20 com nossos parceiros europeus para tirar a economia mundial do abismo e nos recuperar da pior crise financeira desde a Grande Depressão. Entre outras coisas, fizemos um esforço coletivo para estimular a demanda mundial.

Nos Estados Unidos procedemos em seguida à reforma de nosso setor financeiro, investindo na produção industrial, nas energias limpas, no transporte e na infraestrutura, e em renovar a capacitação dos trabalhadores. Hoje atravessamos o período mais longo de nossa história de criação de emprego do setor privado. Nossas empresas criaram mais de 14 milhões de novos postos de trabalho. Reduzimos nosso índice de desemprego à metade. Os salários começaram a subir. Reduzimos o déficit em quase 75%. Nosso PIB é superior ao de antes da crise. Ainda resta muito a fazer para reduzir a desigualdade econômica e social e ajudar os trabalhadores e as famílias que têm dificuldades para seguir adiante, mas estamos em boa direção.

É verdade que alguns países europeus adotaram uma estratégia econômica diferente, com medidas de austeridade. Creio que essa é uma das razões por que a Europa está tendo um crescimento mais lento. Em certos lugares, estão há uma década estagnados. A Europa começa agora a voltar para onde estava antes da crise. E, em minha opinião, esse foi um fator importante das frustrações e das inquietudes visíveis em muitos países europeus, a preocupação de que os benefícios da integração das economias e da globalização não atingem a todos por igual.

A Espanha, sem dúvida, teve uma trajetória especialmente difícil nos últimos anos. A crise bancária e a recessão atingiram de forma brutal muitos espanhóis, que perderam suas economias e seus postos de trabalho. No entanto, graças a uma combinação de fatores —difíceis reformas estruturais, consolidação fiscal, investimentos e, sobretudo, a capacidade de adaptação dos espanhóis—, a Espanha superou uma etapa. A economia está voltando a crescer, com um dos índices de crescimento mais altos da Europa. Há novas esperanças para o futuro. Sem dúvida, o desemprego continua alto demais, sobretudo entre os jovens. Na Espanha, na Europa e em todo o mundo, vou continuar defendendo políticas que pensem em nossa população, impulsionem o crescimento e criem emprego, como o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento.

P. No contexto do Brexit, com o populismo e o mal-estar econômico, o sr. acredita que o projeto europeu está em perigo?

R. Como disse, creio que uma Europa integrada é um dos maiores triunfos políticos e econômicos de nossa época, e nunca devemos dá-la por concluída. Mas não resta dúvida de que esse projeto de integração está sendo colocado à prova mais do que nunca. Não é momento de complacências. A chegada de imigrantes e refugiados à Europa voltou a concentrar a atenção na política de fronteiras da UE e na capacidade dos Estados-membros de trabalhar juntos para enfrentar desafios compartilhados. O crescimento lento em todo o continente deixou europeus demais, sobretudo jovens, sem trabalho e cheios de frustração. Em todos os nossos países há muitas pessoas que se sentem desfavorecida pela globalização e pela automatização. Muitos desses fatores contribuíram para que o Reino Unido votasse por abandonar a UE.

Faríamos mal em não levar em conta essas forças. Os Governos e as instituições da UE devem demonstrar que estão em contato com as preocupações diárias dos cidadãos e sabem reagir devidamente. Em vez de impedir o comércio ou recorrer ao protecionismo —que sequer é possível em uma economia globalizada—, nossos países, entre eles os Estados Unidos, precisam se esforçar mais para garantir que a globalização, as economias integradas e o comércio criem emprego e oportunidades para todos. Precisamos investir mais em educação, aptidões e formação profissional, que ajudam a reduzir as desigualdades e a fazer com que as pessoas prosperem em uma economia globalizada. E temos de rechaçar a mentalidade do nós contra eles que alguns políticos cínicos tentam nos vender. Temos de ser fiéis aos valores eternos que definem nossas sociedades, cheias de vida e diversidade, e que inspiram em grande parte nossa força: nosso compromisso com a democracia, o pluralismo, a inclusão e a tolerância.

P. Como repercutiu o degelo das relações entre Estados Unidos e Cuba na América Latina, Colômbia e Venezuela, e na posição dos Estados Unidos no hemisfério ocidental?

R. Nossa decisão de colocar fim a meio século de políticas falidas dos Estados Unidos, restabelecer as relações diplomáticas com Cuba e dar início a uma nova era de diálogo com o povo cubano teve um efeito transformador. O mais importante é que alguns laços mais estreitos entre os dois países, mais relações comerciais e mais viagens de norte-americanos para Cuba em intercâmbios educativos e culturais, significarão mais oportunidades econômicas para os cubanos. Cuba não vai mudar da noite para o dia, mas, como vi em minha visita a Havana, os cubanos têm novas esperanças para o futuro, e estamos decididos a colaborar com eles para criar mais oportunidades e mais prosperidade em toda a ilha.

Mas, em geral, já estamos vendo como os vínculos mais fortes entre Estados Unidos e Cuba podem beneficiar toda a região. Estamos intensificando nossa cooperação para prevenir a propagação de doenças, proteger as águas do Caribe e perseguir os narcotraficantes. O Governo cubano acolheu em Havana as negociações de paz entre o Governo da Colômbia e as FARC, às quais os Estados Unidos se uniu —algo que teria sido impensável há alguns anos— e hoje a Colômbia está a ponto de obter uma paz histórica. Apesar de não ter falado muito sobre a Venezuela com o presidente [Raúl] Castro quando estive na ilha, todos os países da região estão interessados em que a Venezuela resolva seus desafios econômicos. Os Estados Unidos continuam pedindo ao Governo e à oposição que entabulem um diálogo profundo. Instamos o Governo da Venezuela a acatar o Estado de direito e a autoridade da Assembleia Nacional, deixar em liberdade os presos políticos e respeitar o processo democrático, incluindo as tentativas legítimas de convocar um referendo revogatório com relação às leis venezuelanas.

Por último, gostaria de destacar que nossa nova estratégia em relação a Cuba eliminou uma armadilha em nossas relações com outros países da região. Os Governos de toda a América receberam com entusiasmo nossa mudança de política. Hoje, os Estados Unidos estão muito mais envolvidos na região do que nas últimas décadas, e a relação entre EUA e as Américas é melhor do que nunca. Em vez de ficarmos parados nos conflitos do passado, olhamos para o futuro. A Espanha faz parte deste novo momento tão promissor na América Latina, e agradecemos a ela que seja um parceiro sólido, disposto a trabalhar conosco pela segurança, a prosperidade e a dignidade que os latino-americanos merecem.

Fonte: El País

Presidente Maduro felicitó a Estados Unidos por celebrar su Día de Independencia

Publicado originalmente en: 04/07/2016

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El presidente de la República, Nicolás Maduro, envió este lunes sus felicitaciones al Gobierno de Estados Unidos y al pueblo norteamericano que este 4 de julio celebra los 240 años de su Declaración de Independencia de Gran Bretaña.

“Esta fecha conmemora el derecho de las ex colonias a ser libres e independientes, y puso fin al afán colonial inglés sobre el norte de América. En ocasión de la conmemoración de la Independencia de los EE.UU., Venezuela enfatiza la vigencia de dos principios fundamentales que marcaron este hecho histórico: la libertad y la igualdad de los pueblos”, indica en el comunicado publicado por la Cancillería.

A continuación comunicado íntegro:

El presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Nicolás Maduro Moros, en nombre del Gobierno y el Pueblo venezolano, felicita al pueblo y al Gobierno de los Estados Unidos de América en ocasión de la celebración de los 240 años de su Declaración de Independencia de Gran Bretaña ocurrida en 1776.

Esta fecha conmemora el derecho de las ex colonias a ser libres e independientes, y puso fin al afán colonial inglés sobre el norte de América. En ocasión de la conmemoración de la Independencia de los EE.UU., Venezuela enfatiza la vigencia de dos principios fundamentales que marcaron este hecho histórico: la libertad y la igualdad de los pueblos.

La República Bolivariana de Venezuela resalta las raíces doctrinarias de la Independencia de los Estados Unidos como el derecho a la vida, la libertad y la búsqueda de la felicidad para su pueblo y desea, en esta fecha relevante para los EE.UU., que su pueblo pueda verse redimido en los principios que inspiraron su independencia.

Venezuela ratifica su voluntad de establecer relaciones diplomáticas bilaterales de respeto con los EE.UU., guiadas por el Derecho Internacional y principios como la igualdad soberana de los Estados y el derecho a la autodeterminación de los pueblos. Semejantes postulados inspiraron la Independencia de los Estados Unidos del imperio inglés.

Fuente: Panorama

EUA e Venezuela: uma aproximação delicada

Postado originalmente em: 28/06/2016

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Ao se reaproximar do governo venezuelano, Washington tenta influenciar o país sul-americano para obter uma mudança de poder, mas sem provocar uma convulsão social e política na região.

Aqueles que comemoraram a aproximação entre Estados Unidos e Cuba em 2015, antecipando mudanças políticas significativas na ilha, hoje olham com ceticismo para o esforço dos americanos para restaurar seus vínculos com a Venezuela e mediar seu conflito interno. As relações entre Washington e Caracas têm sido tão frias que, desde 2010, ambos se abstiveram de designar embaixadores mutuamente.

Os críticos da política dos Estados Unidos para Cuba agora acusam seus artífices de quererem repetir seus efeitos na Venezuela. O argumento deles é que, assim como os EUA teriam dado oxigênio ao governo cubano num momento de debilidade, a aproximação de Washington e Caracas dará tempo ao governo chavista para encontrar uma maneira de se segurar no poder em vez dar apoio ao clamor popular por um referendo que interrompa a atual gestão.

De pouco serviu que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, tenha pedido ao governo venezuelano que permita a realização do plebiscito. Desde que se pronunciou contra a ativação dos mecanismos punitivos da Organização dos Estados Americanos (OEA) – prevendo que estes causariam o colapso do Estado sul-americano antes que este sucumba a sua crise política –, Kerry é criticado por haver dado apoio ao presidente Nicolás Maduro.

“Por enquanto, a prioridade dos EUA é voltar a ter uma missão diplomática completa e permanente na Venezuela. Não ter um embaixador em Caracas equivale a estar fora do jogo político venezuelano, e isso restringe a influência de Washington no continente”, observa Victor Mijares, professor de relações internacionais da Universidade Simón Bolívar, em Caracas, rejeitando as críticas a Kerry.

Cuba e Venezuela são diferentes

Thomas Fischer, diretor do Instituto Central de Estudos Latino-Americanos (Zilas), ligado à Universidade Católica de Eichstätt, admite que Maduro ganhou tempo, mas atribui a aparente parcimônia no diálogo Washington-Caracas às deficiências da elite política venezuelana. “Ao contrário do que acontece em Cuba, aqueles que têm o poder formalmente na Venezuela não exercem o controle por completo”, avalia Fischer.

“A negociação com o chavismo é dificultada pelas contradições dentro dele. Com quem seria possível dialogar? Com Maduro, que é refém das diversas correntes do chavismo? Dentro e fora do partido do governo há forças pressionando para que a ‘revolução socialista’ seja aprofundada e até mesmo para suspender os elementos democráticos dela, como as eleições”, aponta Mijares, concordando com Fischer.

“A questão da Venezuela coloca a comunidade interamericana diante de vários dilemas: Washington tem interesse que Maduro deixe de ser presidente, mas não quer que isso aconteça por um golpe, porque isso iria perturbar a Venezuela e quase todas as economias do Caribe”, diz Mijares.

E nem os EUA nem seus vizinhos querem se ver obrigados a financiar intervenções humanitárias ou receber refugiados no futuro próximo.

“Por outro lado, Washington também tem interesse que Maduro saia de presidência ainda este ano, porque sua saída seria uma válvula de escape para o desconforto da população venezuelana. Creio que Kerry teme mais uma explosão social iminente, como o ‘Caracazo’ de 1989, que a luta entre governo e oposição. A cautela da Casa Branca se deve a esses interesses contraditórios”, acrescenta o cientista político de Caracas.

Morde e assopra

Embora alguns analistas estejam convencidos de que os Estados Unidos vão recorrer à tática do “morde e assopra” para conseguir que o governo de Nicolás Maduro chegue a um acordo com os antichavistas para estabilizar o país, não está claro que incentivos eles podem empregar. “Com Estados fracos, como a Venezuela, é difícil negociar. A Casa Branca deve estar considerando quais recursos persuasivos pode usar”, especula Fischer.

Mijares vê excesso de otimismo por parte do Departamento de Estado dos EUA em suas expectativas de mediar a situação na Venezuela. “Nem o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nem a aliança de partidos antichavistas são capazes de chegar a um acordo sobre uma transição política ou uma alternância no poder”, avalia o pesquisador da Universidade Simón Bolívar.

“Kerry continuará pressionando; mas não apelando para a ativação da Carta Democrática Interamericana. Os membros da OEA querem a estabilização da Venezuela, mas não querem criar um precedente que permita às oposições na região iniciar moções contra governos”, explica Mijares. Seria uma oferta de apoio financeiro para uma Venezuela empobrecida tudo o que Washington pode usar como um incentivo? Não acredito. Os Estados Unidos também podem convencer o regime chavista a colaborar, prometendo perdoar ou continuar a perseguir individualmente civis e militares em suas fileiras que estejam envolvidos no tráfico de drogas”, ressalta Mijares.

Fonte: DW