Pepe Escobar: “Bem-vindos às guerras por acordos comerciais”

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28/5/2015, Pepe Escobar, Asia Times Online
BANGKOK — A China continua a crescer nada desprezíveis 7%. Mesmo assim, por causa da desvalorização do yuan e de uma queda abrupta no mercado de ações, em muitas capitais a narrativa circulante é de que um Armagedon ter-se-ia abatido sobre o modelo econômico que ao longo dos anos gerou crescimento que sextuplicou o PIB da China.

Poucos sabem que Pequim, simultaneamente, está engajada numa tarefa titânica: mudar seu vetor de crescimento, das exportações para investimento massivo em serviços; enfrentar o papel negativo ou só de autossatisfação das empresas estatais; e desinflar pelo menos três bolhas – da dívida, da especulação imobiliária e do mercado de ações –, no contexto de uma virtual estagnação econômica global.

Tudo isso, enquanto praticamente não há qualquer cobertura na mídia ocidental, sobre o impulso puxado pela China rumo à integração do comércio eurasiano, que ajudará eventualmente a consolidar o Império do Meio como a maior economia do planeta.

O que nos leva a uma subtrama crucial no Grande Quadro: o Sudeste da Ásia.

Daqui a quatro meses, a Associação de Nações do Sudeste Asiático,ANSA [ing. Association of Southeast Asian Nations (ASEAN)], de dez membros, estará integrada, via a Comunidade Econômica da ANSA, CEANSA [ing. ASEAN Economic Community (AEC)].

A Comunidade Econômica da Associação de Nações do Sudeste Asiático não é pouca coisa. Estamos falando da integração econômica de um mercado combinado de 620 milhões de pessoas, e PIB coletivo de $2,5 trilhões.

Claro, ainda é uma ANSA dividida. Em termos gerais, os países do interior do continente do Sudeste da Ásia são mais próximos da China; a franja marítima do mesmo Sudeste da Ásia é mais confrontacional – dentre outros motivos porque os EUA só fazem insuflar o confronto. Vai demorar até que haja um código de conduta baseado em regras para o Mar do Sul da China, assinado por todos os participantes.

Mesmo assim, ainda que haja contraste visível entre a área continental e a área marítima do Sudeste da Ásia, e a integração das duas áreas possa conter mais retórica que fatos – pelo menos no curto prazo –, Pequim não parece estar preocupada com o grande jogo. Afinal de contas, a China é inextrincavelmente conectada ao sudeste asiático continental.

Considerem Cambodia, Laos, Myanmar e Tailândia. É mercado coletivo de 150 milhões de pessoas e PIB de mais de $500 bilhões. Inclua esses quatro no contexto da sub-região do Grande Mekong, que inclui as províncias de Guangxi e Yunnan do sul da China, e tem-se mercado de 350 milhões de pessoas e PIB de mais de $1 trilhão. A conclusão, como Pequim vê as coisas, é inevitável: o Sudeste Asiático é o quintal do sul da China.

TPP versus PERA

A Parceria Trans-Pacífico [ing. Trans-Pacific Partnership (TPP)] comandada pelos EUA é amplamente considerada, em inúmeras latitudes da ANSA, como componente chave da ‘pivotagem para Ásia’.

Se a ANSA já é dividida, a TPP só acentua a divisão. Só quatro países da ANSA – Brunei, Malásia, Cingapura e Vietnã – estão envolvidos em negociações dos acordos da [parceria] TPP. Os outros seis países preferem a Parceria Econômica Regional Ampla, PERA [ing. Regional Comprehensive Economic Partnership (RCEP)].

A PERA é ideia ambiciosa que aspira a converter-se maior acordo de livre comércio do mundo; 46% da população da Terra, com PIB conjunto de $17 trilhões e 40% do comércio mundial. A parceria PERA inclui 10 nações da ANSA plus China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Austrália e Nova Zelândia. Diferente da [parceria] TPP, liderada pelos EUA, a [parceria] PERA é liderada pela China.

Ainda que haja substancial grau de vontade política, será impossível para esses 16 países concluir suas negociações nos próximos quatro meses – para anunciar a constituição da [parceria] PERA simultaneamente ao início da Comunidade Econômica da ANSA, CEANSA. Seria forte estímulo à noção partilhada da “centralidade” da ANSA.

Problemas e mais problemas por todos os lados. Para começar, a grave disputa China-Japão pelas ilhas Diaoyu/Senkaku. E a sempre crescente confusão entre China/Vietnã/Filipinas no Mar do Sul da China. Competição e desconfiança é a norma. Muitas dessas nações veem a Austrália como um cavalo de Troia. Assim sendo, é pouco provável que se alcance algum consenso antes de 2017.

A ideia da Parceria Econômica Regional Ampla, PERA, nasceu em novembro de 2012 numa reunião de cúpula da ANSA no Cambodia. Até hoje já aconteceram nove rodadas de negociações. Curiosamente, a ideia inicial partiu do Japão – de um mecanismo que combinasse a multidão de acordos bilaterais que a ANSA construíra entre seus parceiros. Mas atualmente a China está na liderança.

E como se não bastasse a disputa entre as ‘parcerias’ TPP e PERA, há também a Área de Livre Comércio do Pacífico Asiático, ALCPA [ing. Free Trade Area of the Asia-Pacific (FTAAP)]. Foi introduzida na reunião da Associação dos Países Exportadores de Petróleo (APEP) em Pequim, ano passado, pela – obviamente – China, para distanciar do ideário da [parceria] TPP as nações cujo principal parceiro comercial é a China.

Joseph Purigannan de Foreign Policy in Focus resumiu bem todo esse frenesi: “Se se conectam todos esses desenvolvimentos de ‘mega acordos de livre comércio”, o que se vê é na verdade a intensificação do que se pode chamar de guerra por território entre os grandes players.” Quer dizer que, mais uma vez, é guerra Chinavs. EUA, guerreada por procuração.

A Big Pharma manda

A parceria trans-Atlântico, TPP, é divulgada nos EUA como se visasse a fixar padrões comuns para quase a metade da economia mundial.

Mas essa parceria TPP – negociada sob máximo segredo poderososlobbies empresariais bem longe de qualquer controle, longe até de qualquer conhecimento, público – é essencialmente a OTAN ‘comercial’ (e parceira íntima da outra ‘parceria’ orientada para a UE, a TTIP). A TPP foi desenvolvida como braço econômico/comercial do ‘pivoteamento para a Ásia’ – com dois sonhos ardentes embutidos: excluir a China e diluir a influência do Japão. E, sobretudo, a TPPvisa a impedir que grande parte da Ásia – e dentro dela, as nações da ANSA – consigam chegar a qualquer acordo que não inclua os EUA.

A reação da China é sutil, não frontal. Pequim está apostando, de fato, em multiplicar os acordos – da Parceria Econômica Regional Ampla, PERA, para a Área de Livre Comércio do Pacífico Asiático, ALCPA. O objetivo final é reduzir a hegemonia do dólar norte-americano (não esqueçamos: a TPP é baseada no dólar).

Mesmo depois de ter assegurado a aprovação no Congresso, mês passado, para uma tramitação rápida que leve a um acordo, o presidente Obama e o todo poderoso lobby comercial pró TPP estão encontrando muita dificuldade para convencer os 12 parceiros – muito desiguais – nessa ‘parceria’ TPP].

Para a futura geração de drogas biológicas, por exemplo, a ‘parceria’TPP privilegia abertamente as gigantes da indústria farmacêutica, “Big Pharma“, como a Pfizer, e a Takeda do Japão. A TPP opõe-se a empresas de propriedade estatal – muito importantes em economias como Cingapura, Malásia e Vietnã –, em benefício de concorrentes estrangeiras, na disputa por contratos com os governos desses países.

TPP quer pôr fim ao tratamento preferencial que a Malásia garante a malaios étnicos no business, moradia, educação e contratos com o estado – um dos fundamentos do modelo de desenvolvimento da Malásia.

Sob o pretexto de cortar tarifas sobre tecidos “sensíveis”, as grandes corporações têxteis dos EUA, como Unifil, querem impedir o Vietnã de vender roupas baratas, feitas na China, no mercado dos EUA.

E EUA e Japão continuam em séria oposição na agricultura e na indústria automobilística, ainda discutindo, por exemplo, em que ponto um veículo inclui conteúdo local suficiente para qualificar-se à isenção de impostos.

O primeiro-ministro general Prayut Chan-ocha está convencido de que a ‘parceria’ TPP tanto pode salvar como pode quebrar a Tailândia – com ênfase na parte “quebrar”. Foi o que disse a importante grupo de visitantes do Conselho de Comércio EUA-ANSA.

Bangkok está aterrorizada, temendo que aquelas leis sobre patentes de medicamentos – por exemplo, o direito de fabricar medicamentos genéricos – sejam substituídas por leis extremamente restritivas, ditadas pelos suspeitos de sempre: a “Big Pharma“.

Um cinturão, uma Rota, um banco

No final, tudo sempre volta à fórmula hoje legendária do presidente Xi Jinping da China, I Tai I Lu (“Um Cinturão, Uma Rota”). Também conhecida como a estratégia da(s) Nova(s) Rota(s) da Seda, da qual um dos componentes chaves é a exportação de todos os modos de tecnologia chinesa de conectividade para outras nações ANSA.

Começa com o Fundo Rota da Seda, de $40 bilhões, anunciado no final do ano passado. Mas outras vias de investimento para redes de infraestrutura – autoestradas, ferrovias, portos – devem vir através do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, BAII [ing. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)].

O BAII portanto pode também ser interpretado como uma extensão do modelo chinês de exportações. A diferença é que, em vez de exportar bens e serviços, a China estará exportando expertise em infraestrutura, além do seu excesso de capacidade doméstica de produção.

Um desses projetos é uma ferrovia da província de Yunnan atravessando Laos e Tailândia até Malásia e Cingapura – com a Indonésia ali bem próxima (onde a China já disputa com o Japão o contrato para construir os primeiros 160 km de ferrovia para trens de alta velocidade entre Jacarta e Bandung). A China construiu nada menos que 17 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade – 55% do total mundial – em apenas 12 anos.

Washington não está exatamente apreciando muito as relações cada vez mais próximas entre Pequim e Bangkok. A China, por sua parte, gostaria que seus laços com a Tailândia servissem como protótipo para o relacionamento com outras nações ANSA.

Daí a pressa que mostram os empresários chineses para investir em outras nações ANSA, usando a Tailândia como sua base regional de investimentos. Trata-se sempre de investir em nações com potencial excelente para tornarem-se bases de produção chinesa.

No futuro imediato, é inevitável a integração econômica nas terras continentais do Sudeste Asiático. É possível que vá de Myanmar ao Vietnã. E logo, por ferrovia, do sul da China, pelo Laos, até o Golfo da Tailândia; e por Myanmar, até o Oceano Índico.

O mercado de trabalho está cada vez mais integrado. Há cinco milhões de pessoas de Myanmar, Cambodia e Laos já trabalhando na Tailândia – a maior parte dos quais legalmente. O comércio de fronteira está crescendo – uma vez que “fronteiras” institucionais pouco significam nas regiões centrais do sudeste da Ásia (como tampouco significam muito entre Afeganistão e Paquistão, por exemplo).

Mas ainda é jogo muito aberto. Tudo aí tem a ver com conectividade. Com cadeias globais de produção. Tem a ver com regras comerciais harmonizadas. Mas quase tudo aí é um jogo de poder de apostas tremendamente altas: para determinar quem – EUA ou China – virá eventualmente a fixar as regras globais para comércio e investimento.

Fonte: Asia Times

CrossTalk: Recession 2015?

Pepe Escobar: “O mito de uma ‘ameaça’ russa “

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26/8/2015, Pepe Escobar, Sputnik

Não passa uma semana sem que o Pentágono ponha-se a se lamuriar contra alguma terrível “ameaça” russa.

O comandante do Estado-maior das Forças Conjuntas dos EUA, Martin Dempsey, entrou em território de “não sabidos sabidos”, que pertence por a direito Donald Rumsfeld, quando, recentemente, tentou conceituar a “ameaça”: “Ameaças são a combinação, ou o agregado, de capacidades e intenções. Deixemos de lado por enquanto as intenções, porque não sei o que a Rússia intenta.”

Bom. Dempsey pelo menos admite que não sabe do que fala. Saiba ou não saiba, parece saber que a Rússia é mesmo uma “ameaça” – no espaço, no ciberespaço, nos mísseis cruzadores disparados em terra, submarinos.

E é principalmente ameaça à OTAN: “Uma das coisas que a Rússia parece, sim, que faz, é desacreditar a OTAN, ou, ainda mais sinistramente, criar condições para o fracasso da OTAN.”

Quer dizer que a Rússia “parece, sim, que faz” desacreditar uma OTAN já autodesacreditada. Terrível “ameaça”.

Todos esses jogos retóricos acontecem enquanto a OTAN “parece, sim, que faz” aprontar-se para confrontar diretamente a Rússia. E que ninguém se engane: Moscou toma a beligerância da OTAN, sim, como ameaça real.

É PGS vs. S-500

A avançada contra a “ameaça” acontece bem quando a Think-tankelândia dos EUA está recarregando a ideia de conter a Rússia. O conhecido centro Stratfor, fachada da CIA, já lançou peça de propaganda elogiando o cérebro-em-chefe da Guerra Fria George Kennan como autor da “política de contenção da Rússia”.

O aparelho da inteligência dos EUA pensava que estivesse falando sério. Não ironizava. Mas antes de morrer Kennan disse que, àquela altura, já era preciso conter os EUA, não a Rússia [The Choice: Global Domination or Global Leadership, Basic Books, março, 2004 (NTs)].

Conter a Rússia – mediante a expansão da União Europeia e OTAN – é serviço que nunca deixou de ser tentado, verdadeiro work in progress, porque o imperativo geopolítico nunca mudou; como o Dr. Zbigniew “O Grande Tabuleiro de Xadrez” Brzezinski nunca se cansou de repetir, tudo sempre teve a ver com deter a – ameaçadora – emergência de uma potência eurasiana capaz de desafiar os EUA.

Até que a noção de “contensão” foi expandida para incluir o desmantelamento da própria Rússia. E também inclui o paradoxo interno de que a expansão infinita da OTAN na direção leste torna a Europa menos, não mais, segura.

Assumindo-se que venha a acontecer uma confrontação letal Rússia-OTAN, as armas táticas nucleares russas derrubarão todos os aeroportos da OTAN em menos de 20 minutos. Dempsey – em declarações cifradas – admite.

O que de modo nenhum ele pode admitir é que, se Washington já não tivesse há muito tempo tomado a decisão fatal, o movimento organizado entre os russos, de impedir o avanço infinito da OTAN e de atualizar o arsenal nuclear, não teria sido necessário. 

Geopoliticamente, o Pentágono afinal viu para que lado estão soprando os ventos da parceria global estratégica: a favor de Rússia-China. Essa mudança crucialmente decisiva, que altera o equilíbrio global de poder, também significa que as forças militares conjuntas de China e Rússia são superiores às da OTAN.

Em termos de poder militar, a Rússia tem mísseis de ataque e defesa superiores aos dos EUA, com a nova geração do sistema de mísseis terra-ar, o S-500, capaz de interceptar alvos supersônicos e que blinda completamente o espaço aéreo russo.

Além disso, apesar da turbulência financeira de curto prazo, a estratégica conjunta sino-russa para a Eurásia – uma interpenetração da(s) Nova(s) Rota(s) da Seda com a União Econômica Eurasiana, UEE [Eurasian Economic Union, EEU] – com certeza favorece o desenvolvimento das duas economias e da região em geral, em termos que podem superar o crescimento somado de EUA e UE à altura de 2030.

À OTAN só resta encenar poderio militar montado para shows de TV como “Atlantic Resolve” para “tranquilizar a região” – principalmente os histéricos Polônia e países do Bálticos.

Moscou, entrementes, já deixou claro que nações que admitam em seu território os sistemas norte-americanos de mísseis antibalísticos terão de enfrentar os sistemas de mísseis de alerta precoce instalados em Kaliningrad.

E o major-general Kirill Makarov, vice-comandante das Forças de Defesa Aeroespaciais da Rússia, também já deixou claro que Moscou está atualizando suas capacidades aéreas e de mísseis de defesa, para pulverizar toda e qualquer ameaça –  real – que o país receba do Prompt Global Strike (PGS) dos EUA.

Na doutrina militar russa de dezembro de 2014, o crescimento militar da OTAN      e o PGS dos EUA aparecem listados como principais ameaças de segurança. O vice-ministro da Defesa, Yuri Borisov, destacou que “a Rússia tem as capacidades necessárias, e será obrigada a desenvolver sistema como o PGS.”

Onde está nosso butim?

Os jogos retóricos do Pentágono servem também para mascarar um processo de apostas realmente muito altas. Essencialmente, trata-se de guerra por energia – centrada na disputa pelo controle do petróleo, gás natural e recursos minerais da Rússia e da Ásia Central.[1] Quem controlará essa riqueza? Os testa-de-ferro dos oligarcas “supervisionados” pelos chefes em New York e Londres? Ou a Rússia e seus parceiros na Ásia Central? Daí a incansável guerra de propaganda.

Há quem argumente que os Masters of the Universe promoveram a ressurreição dos velhos álibis geopolíticos da contensão/ameaças – estimulados pelo que se pode chamar de conexão Brzezinski/Stratfor –, para encobrir, ou esconder, outro fato impressionante.

Eis o fato: a verdadeira razão da Guerra Fria 2.0 é que o poder financeiro New York/Londres sofreu perda de mais de um trilhão de dólares, quando o presidente Putin arrancou a Rússia daqueles esquemas de saqueio.

E o mesmo se aplica a todo o golpe em Kiev – forçado pelas mesmas forças financeiras de New York/Londres, para impedir que Putin destruísse suas operações de saqueio na Ucrânia (as quais, por falar delas, prosseguem inalteradas, pelo menos no domínio das terras agricultáveis).

Contensão/ameaças também estão sendo usadas freneticamente para impedir a qualquer custo que se constitua uma parceria estratégica entre Rússia e Alemanha – que a conexão Brzezinski/Stratfor vê como ameaça existencial aos EUA.

O sonho molhado dessa conexão – que, vale lembrar, os neoconservadores também sonham – seria um retorno glorioso à época em que a Rússia foi saqueada livremente, nos anos 1990s, quando o complexo industrial militar russo colapsou, e o ocidente assaltava recursos naturais naquela região, como se fossem donos do mundo. Não vai acontecer outra vez.

Assim sendo, qual o Plano B do Pentágono? Criar condições para fazer da Europa cenário de guerra potencialmente nuclear. Não há ameaça mais real que essa. *****


[1] E também as guerras pela água. Ver “Síria e Iraque são também guerras  pela água. E outras virão.”

Fonte: Moons of Alabama

CrossTalk: Undiplomatic Power

Fonte: RT

CIA, FBI, NSA and all the king’s men work to topple Brazilian President Rousseff

CIA, FBI, NSA and all the king's men work to topple Brazilian President Rousseff. Protests in Brazil

13.03.2015

In Brazil, opposition is going to hold protest marches against Brazilian President Dilma Rousseff. Actions of protest are expected to take place in more than 25 cities across the country on March 15. In São Paulo, a 200,000-strong rally is expected under the slogan “Down with Dilma.” Is it possible to mobilize the population against the party that has been able to significantly raise the living standard in the country during 12 years of rule?

It is quite possible that the CIA is involved in the plan to stage riots in Brazil nationwide. Over the recent years, BRICS has become the main geopolitical threat to the United States. One of today’s top issues for the Western press is to retrieve balance in the global monetary and financial system. This is a potent threat that BRICS poses to the US and the US dollar.

The US has been trying to destroy and crush Russia through the crisis in Ukraine, sanctions and collapsing oil prices. They took effort to shatter stability in China through the “revolution of umbrellas” in Hong Kong. In India, the Common Man’s Party is trying to make way to power. In Brazil, the Americans try to implement the scenario of the Latin American spring, similarly to what they do in other sovereign countries of the region – Argentina and Venezuela.

On March 15, about 20 organizations will take to the streets of Brazilian cities under the auspices of opposition for a nationwide protest against the Workers’ Party (PT) and its leader – Dilma Rousseff. They are the movements of social networks. Many will be carrying slogans about the impeachment of the president. Media stars, such as singer Lobão, a Russian Makarevich, are expected to participate as well. Opposition Senator from Sao Paulo, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), said that he would prefer to see President Dilma “bleeding” rather than retired.

CIA’s plot against Dilma Rousseff

The reasons, for which Washington wants to get rid of Dilma Rousseff, are easy to understand. She signed the agreement about the establishment of the New Development Bank with the initial registered capital worth 100 billion reserve fund, as well as additional $100 billion. Rousseff also supports the creation of a new world reserve currency.

In October 2014, Dilma Rousseff initiated the construction of 5,600 kilometer-long fiber-optic telecommunications system across the Atlantic to Europe. If successful, the project, conducted with the participation of the state-owned company Telebras,  will undermine the American monopoly in the field of communications, including the Internet. The new communication system will guarantee protection against NSA’s espionage. Telebras president told the local media that the project would be developed and implemented without the participation of any American company.

Dilma Rousseff also prevents the return of USA’s major oil mining companies to the oil and gas market of Brazil. The country is rich with huge deposits of oil, the unconfirmed reserves of which exceed 100 billion barrels. However, it was during Lula’s presidency, when Brazil opted for the Chinese state-run company Sinopec.

In May 2013, US Vice President Joe Biden paid a visit to Brazil in order to convince Dilma Rousseff to grant US companies access to Brazilian oil fields. Biden returned to the USA empty-handed. Immediately thereafter, a wave of protests swept across Brazil as people were protesting against the rise in prices for public transportation by ten percent. Dilma Rousseff’s rating collapse from 70 to 30 percent. All that happened a year before the presidential election.

During this period, the Americans were consistently destroying Rousseff’s regime  through other protests. They included large-scale protests against excessive costs on the World Cup and insufficient funding of social welfare programs and health care. There were clashes with police and violence. All of a sudden, the Brazilians forgot that the Workers’ Party had taken around 30 percent of the population out of poverty with the help of public support programs. Hunger and illiteracy became history. Was it became of short memory? No, as the CIA knows very well how to brainwash people through subordinate media.

Immediately after Biden’s departure from Brazil, it was reported that Dilma Rousseff was implicated in the scandal connected with the state-run oil company Petrobras. Rousseff was accused of receiving a commission on contracts with the oil corporation. The money was allegedly used to buy votes in the parliament.

The most recent attempt to remove Rousseff from power was made in the October 2014 elections, when PSDB candidate Aecio Neves could take office as President. If Neves had been elected President, Brazil’s new Finance Minister would have been Arminio Fraga Neto. Neto holds dual citizenship (second – US); he is a close friend and former partner of George Soros and his hedge fund Quantum. The Minister for Foreign Affairs would have been Rubens Antonio Barbosa, a former ambassador to Washington, who currently serves as the director of Albright Stonebridge Group (ASG) in Sao Paulo.

Preparing a color revolution in Brazil

The Foundation is headed by Madeleine Albright, a well-known maker of color revolutions. According to Wikileaks, Jose Serra, one of the leaders of the PSDB, promised his protection to Chevron in case of election victory. However, despite of vote manipulation in Sao Paulo, Dilma Rousseff won a second mandate.

Gene Sharp, author of “From Dictatorship to Democracy,” described 198 nonviolent actions to overthrow legitimate governments. If generalized, they can explain formulated as follows.

Step 1: Processing public opinion on the basis of real disadvantages, promoting discontent through the media, emphasizing such perturbations as deficit, crime, unstable monetary system, incapacity of state leaders and their accusations of corruption.

Step 2: Demonizing authorities through the manipulation of prejudice saying, for example, that all Brazilians (Russians, Chinese) are all corrupt, holding public actions in defense of freedom of press, human rights and civil liberties, condemning totalitarianism, revising history in favor of the forces that must be brought to power.

Step 3: Working on the street: channeling conflicts, promoting the mobilization of opposition, developing combat platforms that embrace all political and social demands, compiling all kinds of protests, skillfully playing on errors of the state, organizing demonstrations in order to block and capture state institutions for the radicalization of clashes.

Step 4: Combining different forms of struggle: organizing pickets and symbolic capture of state institutions, psychological warfare in the media and promotion of clashes with the police, to create an impression of uncontrollability, demoralizing the legitimate government and law enforcement agencies.

Step 5: Staging an institutional coup on the basis of street protests, calling for the president’s resignation.

What stage of the color revolution is happening in Brazil today? It is up to our dear reader to decide. The situation exacerbates in front of our very eyes and it appears that the Brazilian authorities turn a blind eye on the activities of US intelligence under their noses. In Brazil, CIA, DEA and the FBI officers work legally under the guise of the struggle against drug trafficking. NGOs and foundations sponsoring color revolutions work in the country as well.

Venezuelan journalist Jose Vicente Rangel reported that about 500 employees of US intelligence services arrived at US embassies in Venezuela, Bolivia, Argentina, Brazil, Ecuador and Cuba to work as a network to destabilize democratic regimes in these countries. What will happen afterwards? We can already see an example of it in Ukraine.

Lyuba Lulko 

Fonte: Pravda

Pepe Escobar: CHINA: DO QUE É QUE TRATA A MAIS NOVA ‘GUERRA’ DE MOEDAS

Pepe Escobar Пепе Эскобар 
Traduzido por  Coletivo de tradutores Vila Vudu

Quando os EUA metem-se em ‘alívio quantitativo’ perene, tudo bem. Quando a União Europeia agarra-se ao seu ‘alívio quantitativo’, tudo bem. Mas quando o Banco da China decide que interessa à nação deixar o yuan cair um pouco, em vez de subir infinitamente… é o Apocalipse.

Bastou o Banco da China desvalorizar o yuan, dois dias consecutivos – movendo-se dentro da banda de 2% que tem para mover-se –, para os proverbiais mortos-vivos financeiros globais pirarem completamente.

Esqueçam a histeria. O xis da questão é que Pequim está injetando mais combustível num jogo longo e bastante complexo: soltar a taxa de câmbio em yuan; deixar que flutue livremente contra o dólar norte-americano; e estabelecer o yuan como moeda global de reserva.

Trata-se pois, essencialmente, de liberar a taxa de câmbio – não de alguma ‘guerra’ monetária, como reza a boataria frenética, de Washington/Wall Street a Tóquio, via Londres e Bruxelas.

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O Banco Popular da China
Observemos a reação de alguns especialistas

Ex-presidente não executivo [orig. non-executive] do [banco de investimentos] Morgan Stanley na Ásia, Stephen Roach, veio com a muito previsível ortodoxia à Deusa do Mercado, alertando para a “clara possibilidade de escaramuça nova e cada vez mais desestabilizante na guerra monetária global que continua a se ampliar. A corrida para o fundo acaba de se tornar bem mais traiçoeira.”

Nota escrita por um grupo de analistas do HSBC é mais realista: “A pressão de depreciação sobre moedas asiáticas pela ação da China, deve diminuir, dado que a nação não visa à construir um yuan muito mais fraco. Fazê-lo seria contradizer o objetivo de promover maior uso global do yuan.”

Mas é Chantavarn Sucharitakul, diretora-assistente do Banco da Tailândia, quem acerta a cabeça do prego no que tenha a ver com toda a Ásia: “O impacto de longo prazo deve ser avaliado em termos de se maior flexibilidade do yuan pode beneficiar a reforma econômica da China, ao mesmo tempo em que depreciar o yuan pode ser positivo para o crescimento econômico da China, que beneficiaria também o comércio regional.”

O próprio Banco da China, em declaração, destaca que a depreciação permitirá que os mercados tenham maior influência sobre a taxa de câmbio do yuan.

Crucialmente importante, destaca também que não há base econômica para a desvalorização, e faz referência ao atual enorme superávit em conta corrente e às gigantescas reservas da China em moeda estrangeira.

Na interpretação de Pequim, o forte laço mantido com o dólar norte-americano interferiu na competitividade da China vis-à-vis seus principais parceiros comerciais – Japão e Europa.

Quer dizer que é hora de sacudir o (balançante) bote. Daí a histeria sobre “guerra monetária” – porque o resultado prático, no médio prazo, será novo impulso às exportações chinesas.

Quando os EUA metem-se em ‘alívio quantitativo’ perene, tudo bem. Quando a União Europeia abraça o seu ‘alívio quantitativo’, tudo bem. Mas quando o Banco da China decide que interessa à nação deixar o yuan cair um pouco, em vez de subir infinitamente… é o Apocalipse.

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QE: Quantitative Easing, alívio quantitativo
É só fazer as contas

Manter o yuan acompanhando de perto o dólar norte-americano serviu muito bem à China – até agora. Os alívios quantitativos na União Europeia e no Japão levaram a euro mais fraco e a yuan mais fraco –, mas o yuan permaneceu estável em relação ao dólar norte-americano.

Tradução: desde junho-2014, já há mais de um ano, a real taxa de câmbio do yuan vinha sendo a mais forte do mundo, tendo crescido 13,5%, mais que a do dólar norte-americano (12,8%).

Não foi difícil para Pequim, fazer as contas: o forte laço mantido com o dólar norte-americano interferiu na competitividade da China vis-à-vis seus principais parceiros comerciais – Japão e Europa.

E simples desvalorização de 2% pode não ser suficiente para fazer aumentar as exportações chinesas. Afinal, o yuan apreciou-se mais de 10% ao longo do ano passado em relação aos principais parceiros comerciais da China.

Daí o que se ouve em Pequim, de insiders, sobre “vozes poderosas no governo” que estariam empurrando o Banco da China para desvalorização total, do yuan, de 10%. Bom… Isso, com certeza, impulsionaria as exportações.

Assim sendo, a desvalorização dessa semana – que gerou tanta histeria – parece apontar para mais algumas desvalorizações aí à frente, pela estrada.

Se se considera que se trata de China, onde o planejamento é feito com anos de antecedência, sem frenesis do dia para a noite, como é prática no território da Deusa do Mercado, vê-se que o jogo tem a ver com converter o yuan em moeda global oficial de reserva.

Uma equipe de especialistas do FMI esteve recentemente em Xangai, falando com funcionários do banco central chinês e do Sistema Chinês de Comércio Exterior e Câmbio [orig. China Foreign Exchange Trading System], que supervisiona o comércio de moeda na China, para estabelecer se o yuan pode ser incluído na cesta, criada pelo FMI, de moedas que gozam de special drawing rights (SDR).

Não surpreendentemente, o próprio FMI elogiou a recente desvalorização: “a China pode, e deve, procurar chegar a sistema de taxa de câmbio realmente flutuante, dentro dos próximos dois ou três anos.”

E o FMI também admite que “taxa de câmbio mais determinada pelo mercado facilitaria as operações SDR, no caso de o renminbi vir a ser incluído, adiante, na cesta de moedas.”

É disso, portanto, que se trata: ajustes chineses, já de olho no processo de preparar o yuan para que se qualifique ao status de moeda de reserva. A decisão final do FMI é esperada para o final de 2015, outono de 2016.

Um yuan internacionalizado estabelecido como moeda global de reserva implica taxa de câmbio “determinada pelo mercado”. É o objetivo ao qual visa o Banco da China. O resto é só tempestade em xícara de chá (de dólares norte-americanos).

Fonte: Liberato

Nuclear Attack on Japan was Opposed by American Military Leadership – Gar Alperovitz on RAI (2/5)

Mr. Alperovitz tells Paul Jay that President Truman used the A-bomb to make a “diplomatic” point to the Soviet Union, not out of military necessity –  

January 24, 2014

JAY: And one more time, Gar is the Lionel R. Bauman Professor of Political Economy at the University of Maryland and the cofounder of the Democracy Collaborative. He’s also the author of several books, including America beyond Capitalism, The Decision to Use the Atomic Bomb, and his most recent, What Then Must We Do? Straight Talk about the Next American Revolution.So thanks for joining us again.ALPEROVITZ: Thank you.JAY: So let’s jump to the chase about the bomb. Your basic thesis was that Japan had already–essentially was ready to negotiate its surrender, and the bomb was not necessary to end the war. The contrary narrative is the bomb saved thousands of American lives, and this is war, and this is what you do in war in order to save your soldiers.ALPEROVITZ: Yes. I think it’s very clear now that the atomic bomb was totally unnecessary. The reason I say that is the intelligence studies which were available to the president in July 1945–the bomb was used in August–said very clearly that when the Russians entered the war in Japan–and we had asked them to come help, and they were about to help, the first week of August–that’s the date they were supposed to come in. When that happens, this will precipitate a collapse and a crisis in Japan. They’re already trying to get out of the war. They know they can’t face the Russian army and us. That will end the war. The only thing you need to do is be sure to say you’re not going to harm their emperor, because he’s a god in their culture. And if you give that kind of assurance when the Russians come in, the war is over. American policy leaders understood that. They know that. Every historian whose studied it knows these documents are now available. So they had it available.And more important than that, the invasion, which might have cost 25,000 lives, 30,000–that’s the estimates (it was later exaggerated to 1 million)–couldn’t take place for another three months because of the weather, because of getting troops. So it was easy to test whether or not the intelligence was correct. The Russians were coming in. And we knew they were going to–everyone said that the war was going to end. That was the top military understanding. And they used the bomb anyway.So I think that’s–the story is pretty clear now. Most historians know the bomb was unnecessary. There is a big debate about why it was used.JAY: Well, that was my next question. So if it’s to make a political point, what’s the point?ALPEROVITZ: Well, the documents are less clear about this, but what looks to be–there are many, many documents that say, look, this is going to give me “a hammer on those boys”, meaning the Russians. That’s the president talking. Another one says this is the–.JAY: This is Truman.ALPEROVITZ: Truman. His secretary of war says, this is the “master card” of diplomacy against the Russians, the atomic bomb. There are many, many documents that strongly suggest–particularly the secretary of state, James F. Byrnes, understood that the bomb was more a diplomatic tool than a military tool. The chief of staff of the U.S. Army and the Combined Chiefs, General Marshall, said, this is not a military decision. It has nothing to do with the military. It may be a diplomatic, political, other kind of decision, but it’s not a military decision.So, interestingly, the military–and I mentioned this, I think, in our last discussion–virtually all the major American military leaders went public after the war saying the atomic bomb was totally unnecessary. Some called it barbaric. The president’s chief of staff went public. Can you imagine the chief of staff saying–and he was a good friend of the president–said, this is barbarism. I wasn’t taught to kill children and women. So that’s very clear.The strongest evidence is–and you can’t prove this with the available documents–that it was mainly aimed at the Russians because they wanted to use it as political pressure and a political weapon, both in Eastern Europe and in Asia, where the Cold War really was started.JAY: And even though the Americans had been asking the Russians to get involved in Japan for a long time, it must have not been something they wanted, “The Russians Win the War with Japan”–that would not be a headline they would like to see.ALPEROVITZ: Right. And, indeed, they wanted them in because the bomb was a theory until it was tested–might not work. Who knew? And how well would it work? So they were begging the Russians to come in. And the instance it worked, they went ahead and used it.Moreover, they had planned to give the emperor assurances so that they could end the war quickly. And as soon as the bomb worked, they took that out of the documents, too, that they asked the Japanese to surrender. It made a big propaganda thing. But they took out the key point that we wouldn’t harm their emperor-god. And everyone knew if you did that, they would keep fighting forever.So it’s not a very–it’s a very unpleasant story about American diplomacy, to say the least.JAY: Yeah, and the psyche and the potential sociopathy of the presidency and the opening of decades of Cold War that often brought the world to the brink of nuclear war.ALPEROVITZ: Yup. It’s the beginning of it all.The thing that I think’s important to understand, because these people were ordinary human beings–the president, his secretary of state, they were not evil guys. They were caught up in an ideology that somehow, if we followed American strategy, we could save the world from another war, and the Russians are, they believe, communist devils. So they were operating out of a framework of ideology that dominated their thinking to the extent that 300,000 civilians were burned unnecessarily, killed. But it’s a mistake to see them just as bad guys. Much more important is: how does American corporate capitalism develop that ideology? And what does it really take to reach much deeper than good guys and bad guys?JAY: There’s a great deal of detail one can get into on this, but–and as I say, we’re going to get into kind of other themes in the rest of the interview. But one part of this I think is important, because you can see it show up again and again in other examples. Your book established things fairly definitively. And since, there have been other books that have established and reinforced your findings, there have been other research. As you say, I think most historians that have studied this have come to the same conclusion, that the bomb wasn’t necessary to end the war.The mass media narrative, the educational narrative is the exact opposite. Any article that talks about this talks about the bomb saved American lives in such and such. Your entire critique is as if it never happened in most mass media.ALPEROVITZ: Mass media is true. Some–they’re now having–I get high school inquiries all the time from students who are being asked to write papers about this, and they’re being given–they wouldn’t get to me unless they were being given my research materials and so forth. So in various parts of the country, there’s something going on, and particularly the younger generation. But the mass media, except for one program done by ABC that I happened to work with and consult with, Peter Jennings, before he died, opened up this issue just once.JAY: And this is the media just knowing that their job is to make sure the American narrative is not questioned, the official narrative doesn’t get challenged?ALPEROVITZ: No, I think what happens–.JAY: Or are they ignorant of the work?ALPEROVITZ: Partly ignorant. I think what really happens is there are right-wing historians who, of course, disagree, and they write big, long books. And here’s another book–even though this is the common view in many parts of the world now outside the United States, the media people are caught between this guy and that guy, and they take the cautious road. They don’t know enough of the–they don’t want to make the judgments. They don’t want to dig deep enough into it.JAY: But there’s also partly not wanting to believe that your president is capable of such a thing.ALPEROVITZ: I think so, yes. That’s part of it as well.JAY: I mean, I remember having a discussion/debate with a relative of mine just before the Iraq War, and I was saying, there is simply no evidence of weapons of mass destruction. Just listen to Hans Blix. He’s saying there’s nothing there. Blix keeps saying, if you know where they are, tell me; I’ll go find them. And he–you know, this relative looks me in the eye and says, there is just no way I can believe that my president knowingly would start a war based on a lie. As much is he didn’t like Bush, he votes Democrat, he just couldn’t believe–.ALPEROVITZ: That’s right. I think that is true. I think you put your finger on something. It’s very hard to believe that people would have actually done this, because it is such a brutal and vicious thing to do.It goes further. And here’s how. This is what really caught me up. After the atomic bombs were used, after the Japanese had surrendered publicly (Radio Tokyo) but before their formal papers had passed–the war was over–the United States ordered, the president ordered the largest bombing raid in world history, 1,400 bombers. It did more damage than probably Hiroshima. But the sense that people would actually do that–. I remember putting that on my mirror [incompr.] I just couldn’t believe it either.JAY: And how do the right-wing historians rationalize this?ALPEROVITZ: They just ignore it. It’s just ignored.JAY: This idea that my president could never do such a thing, it’s a narrative that’s so protected–. You must know the example of–it came out in the Johnson tapes that Nixon had deliberately scuttled Johnson’s negotiations with the North Vietnamese. And Johnson was very close to an end of the Vietnam War, and Nixon sends an emissary to the North Vietnamese saying, if you sign with Johnson, I’m the next president. I’m not going to go along with the agreement, but I will make the deal with you. And so the North Vietnamese don’t make the deal with Johnson, and, of course, Nixon doesn’t make the deal, and tens of thousands of Americans are killed, but hundreds and hundreds of thousands of Vietnamese and Cambodians. And same thing; I mean, people say, well, could–would a president of mine really deliberately do such a thing? And the answer is: yeah.ALPEROVITZ: Yep. It is–and case by case. Some of them would–and some of them believing it was the right thing to do. I mean, that’s Truman. Truman thought he was doing good, not bad.So that’s–see, that’s what gets really–they actually do it. It’s very hard to believe. And then, how did they [incompr.]JAY: But Truman worked–you know, he’s Roosevelt’s vice president. Roosevelt says, we can work with the Russians. Roosevelt did work with the Russians. There’s a whole culture of–you know, even with–I mean, Wallace is on the outs by then, who was–had previously been Roosevelt’s vice president. But, I mean, it wasn’t such a–you know, but we had not gotten yet to McCarthyism and such. You know, Truman didn’t have to go there. But there’s a very deliberate attempt to create this hysteria.ALPEROVITZ: Yes. What Truman was–Truman was very different from Roosevelt from the beginning. I mean, during the war he publicly, in the Senate, made a speech saying, what we should do is aid the Russians so they can kill more of the Nazis and aid the Nazis to kill the Russians. I mean, he had a very different mentality, and his secretary of state had a different mentality. The whole Roosevelt crew was dumped out as soon as Roosevelt died, and that mentality came into office. It took them a long while to bring the country with them on lots of issues. It took them two or three years to really get the country behind them, because the country didn’t buy that. That was not accepted.JAY: Now, we were talking about the role of the media in kind of keeping to this official narrative. And I saw in The New York Times just the other day, there’s a story about Syria, and there’s a paragraph in the article, Syria having used chemical weapons, da-da-da-da-da. Now, as far–unless I missed something here, there is still no evidence that the Syrian government used the chemical weapons. Now, I’m fully–could believe that they could. I have no great illusions about Assad and the Syrian government. But as far as I know, there’s no evidence. And, in fact, there’s lots of evidence that it might have been somewhere on the opposition side used them. But it’s just–it’s that paragraph’s in the article, the Syrian government used chemical weapons ba-pa-da-bup-bup-ba, and it becomes the narrative.ALPEROVITZ: Yes, it does. I mean, on these issues the easy way to go for the press is to go that direction rather than to dig and oppose the conventional wisdom or the presidential–. And that gives them access. If you start raising questions–Seymour Hersh has been having trouble because he’s trying to raise these issues that–you know, the great investigative journalist is now having trouble getting some of his things out and he’s publicly going to using the London Review of Books.JAY: It’s still the echo of the Cold War, isn’t it? Like, if you get off the official narrative, then what’s your agenda?ALPEROVITZ: Yeah.JAY: You know, you’ve got your own political agenda. And, you know, there’s still this, you know, kind of Cold War mentality.ALPEROVITZ: You know, and journalists wanting to protect their access to key people in the government, who they need, they think, to get their stories rather than to dig, dig, dig. It’s best not to raise certain issues.JAY: Right. Okay. We’re going to move on now to the next segment, where we’re going to look at this–what Gar has been spending most of his time for the last few years working on, which is what would a new economy look like and what would America after capitalism look like, and also how do we get there.

Fonte: The Real News Network