El País: Merkel afaga Argentina em giro na América Latina que exclui Brasil

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O presidente da Argentina, Mauricio Macri, recebe na Casa Rosada a chanceler alemã, Angela Merkel.

08/06/2017

Chanceler alemã e Macri se unem contra Trump e por livre comércio às vésperas de troca no G20

Já é uma constante em seu primeiro ano e meio de mandato: Mauricio Macri recebe notícias muito melhores do exterior do que de sua terra. Aplaudido pelos países centrais, que agradecem por ter acabado com 13 anos de kirchnerismo, o presidente argentino recebeu a visita que faltava para fechar o círculo do retorno de seu país ao eixo central das relações internacionais: a chanceler alemã Angela Merkel chegou a Buenos Aires com a intenção de fortalecer as relações, mostrar seu apoio a Macri e passar o bastão do G-20, do qual foi a anfitriã este ano e que em 2018 acontecerá na Argentina. Merkel passará ainda pelo México, também membro do G20, mas o Brasil, outro país latino-americano do grupo e em profunda crise doméstica, não foi incluído no périplo.

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The cause of the tension on the Korean Peninsula: a North Korean perspective

N. Korean researcher argues that the DPRK was forced to pursue a nuclear program by U.S. hostility

Kim Kwang Hak
April 7th, 2017

This article was contributed to NK News by the DPRK’s Institute of American Studies under the country’s Ministry of Foreign Affairs. While it has been edited for content and to conform with most aspects of NK News style, the North Korean state media custom of lower-casing the first letters in “north” and “south” Korea – reflecting the view that they are legitimately one nation – has been maintained. 

Throughout the centuries the Korean Peninsula has been drawn to a vortex of the vicious cycle of the escalation of the tension year after year.

There surely exists a problem on the Korean Peninsula, which has drawn the attentions and interests of the world and also made a number of politicians, policymakers and experts argue over the “solutions” for some decades.

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Coreia do Sul: novo presidente inicia diálogo com China e Japão sobre Coreia do Norte

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11/05/2017

O novo presidente sul-coreano já começou a dialogar com os vizinhos sobre a situação da Coreia do Norte. Com uma postura mais flexível que os governos anteriores, Moon Jae-in afirmou que diálogo e sanções são a saída para a crise.

Antigo advogado de direitos humanos, Moon tomou posse nesta quarta-feira (11) e afirmou em seu primeiro discurso como mandatário que irá tratar da tensão na península coreana imediatamente.

A primeira conversa de Moon foi com presidente chinês Xi Jinping. O diálogo foi sobre como lidar com o desenvolvimento do programa nuclear da Coreia do Norte.

“A resolução da questão nuclear da Coreia do Norte precisa de uma resposta compreensiva e sequencial, com pressão e sanções em paralelo às negociações”, disse Moon a Xi Kinping, segundo o porta-voz Yoon Young-chan. Moon afirmou que estaria disposto a visitar Pyongyang “sob as condições certas”.

A posição do novo presidente contrasta com a política de Trump, que afirma que a Coreia do Norte deve abandonar seu programa nuclear antes de voltar a negociar.
Ainda assim, Trump, que conversou com Moon no dia de sua posse, também já disse que poderia visitar Kim Jong-un.

“As ameaças do programa de mísseis e do programa nuclear da Coreia do Norte entraram em um novo estágio”, disse o primeiro-ministro Shinzo Abe, de acordo com seu chefe de gabinete.

Abe ainda afirmou que o “diálogo pelo diálogo” seria infrutífero e pediu uma demonstração “concreta e sincera” das intenções de Pyongyang.

Fonte: Sputnik

Chefe da ONU elogia acordo entre Japão e Coreia do Sul sobre escravidão sexual durante a 2ª Guerra

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Publicado originalmente em: 29/12/2015

Japão pediu desculpas oficiais pelos esquemas de escravidão sexual envolvendo mulheres coreanas durante a Segunda Guerra Mundial. Acordo prevê pagamento de 8,3 milhões de dólares em indenizações para as vítimas e familiares.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, elogiou o acordo firmado nesta segunda-feira (28) entre a Coreia do Sul e o Japão, que pediu desculpas oficialmente pelos esquemas de escravidão sexual criados ao final da Segunda Guerra, envolvendo mulheres coreanas. A nação japonesa também se comprometeu a pagar indenizações para as vítimas, chamadas “mulheres de conforto”, e seus familiares. O valor total das compensações é de 8,3 milhões de dólares.

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(Foto: Hong Ki-won/Yonhap/Reuters)

Para o chefe da ONU, os países devem construir “uma relação orientada para o futuro e baseada no reconhecimento da história”. Ban Ki-moon elogiou o presidente sul-coreano, Park Geun-hye, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, por sua liderança e visão para melhorar a relação bilateral entre os Estados.

Fonte: ONU Brasil

Proteção a Snowden

A hipocrisia é a deferência que o vício paga à virtude. Alguém deveria ter se lembrado dessa frase quando o Itamaraty tentou justificar as razões para não dar asilo a Edward Snowden.

A história, todos conhecem. Ao expor o funcionamento do sistema de espionagem norte-americano, o ex-funcionário de uma empresa prestadora de serviços à NSA, agência de segurança doméstica dos Estados Unidos, demonstrou como a “guerra ao terror” era uma desculpa tosca para espionarem o celular de Angela Merkel, os contratos da Petrobras e o seu e-mail, caro leitor.

Ainda mais interessante 
do que a descoberta foi a reação daqueles que sempre encontram uma razão para postar diatribes contra a vigilância absoluta em Cuba e na Rússia soviética: “Não há problema algum, todo mundo sempre soube que todos espionam todos”. Sim, os mesmos que se indignam com o fim das liberdades individuais no “mundo vermelho” acham normal elas sumirem no ar, desde que por obra de uma agência de inteligência norte-americana.

Segundo essa lógica, não deixa de ter lá sua graça descobrir que Snowden se transformou no objeto de uma das mais impressionantes caçadas humanas dos últimos tempos, com direito a invasão do avião presidencial do boliviano Evo Morales, simplesmente por “mostrar o que todo mundo sabia”. Diga-se de passagem, eu devo estar fora do mundo, pois juro que não sabia que minhas ligações e e-mails iam parar na mesa de algum burocrata da NSA. Para mim, isso era conversa de gente com delírio de perseguição.

Agora, Snowden pede asilo ao Brasil. Nada mais natural. O Brasil, esta terra pátria do terrorismo internacional que trama às escusas explodir o Pentágono e a Disney, foi um dos países mais espionados dos últimos anos.  A presidenta Dilma foi à Assembleia-Geral das Nações Unidas para mostrar sua indignação, no que fez bem. Uma visita oficial aos EUA foi cancelada e, ao que parece, a venda de caças norte-americanos para as Forças Armadas brasileiras foi suspensa pelos próximos 50 anos.

Snowden deve ter visto a reação e pensado haver alguém no governo brasileiro disposto a reconhecer seu estatuto de asilado político, perseguido por seu país por mostrar como seu governo agia de maneira criminosa em relação aos aliados. Então, Snowden escreveu uma carta. Ele deve ter se lembrado de como Julian Assange, outro que resolveu “mostrar o que todo mundo sabia”, conseguiu apoio do pequeno Equador e passou a viver em sua embaixada londrina até a Inglaterra resolver respeitar as leis de imunidade diplomática e os acordos internacionais de salvo-conduto. Além de pedir asilo, Snowden se dispunha a ajudar na investigação de crimes contra cidadãos brasileiros.

Um dia depois, a resposta brasileira aparece na mídia. O Itamaraty mostrava certo tom de indignação. “Não vamos aceitar que o asilo apareça como moeda para troca de informações.” Ótimo, mas o detalhe é que o argumento serviu para desqualificar o pedido de Snowden. Talvez seria mais honesto dizer que o pedido seria analisado independentemente do auxílio ou não nas investigações, pois o governo reconhece a existência de um crime contra o nosso País e que Snowden tem sido perseguido, entre outras coisas, por denunciá-lo.

Com a delicadeza 
costumeira, a presidenta afirmou: “Não acho que o governo brasileiro tem de se manifestar sobre esse indivíduo que não deixou claro nada, que não se dirigiu a nós”. Bem, “esse indivíduo” foi quem mostrou como a segurança do computador de Dilma Rousseff era tão boa quanto a segurança do meu computador. Só por isso, ela lhe deveria ser um pouco mais grata. Por outro lado, dizer que Snowden não se dirigiu a nós é no mínimo estranho. Alguém manda uma carta aberta aos brasileiros publicada na mídia e não a manda “a nós”. Há de se perguntar onde estaria este “nós” se não na esfera da opinião pública.

O episódio serve para mostrar que um pouco menos de hipocrisia neste caso seria bem-vindo. O Brasil pode temer a reação norte-americana caso conceda o asilo, mas então deverá pagar o preço de ser uma nação que não age conforme os princípios que diz acreditar. Ele poderia, por exemplo, usar o Mercosul e dar um asilo conjunto com vários países, o que poderia ser uma inovação diplomática interessante e com menos vulnerabilidade. Bem, talvez seja esperar demais.

Por Vladimir Safatle

Fonte: CartaCapital

Brasil levará à ONU denúncias de espionagem massiva dos EUA

Governo deseja lançar em 2015 seu próprio satélite para “proteger povo brasileiro da vigilância norte-americana”

O ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo, confirmou nesta quinta-feira (15/08) que o governo brasileiro pode solicitar à ONU (Organização das Nações Unidas) uma investigação em instância internacional sobre as denúncias de espionagem massiva dos EUA na América Latina. Bernardo confirma que país não “está satisfeito” com as explicações do secretário de Estado norte-americano, John Kerry – que esteve no Brasil nesta semana.

“Não nos convencem até o momento as informações e as explicações que os EUA nos deram. Vamos a algum tribunal internacional, provavelmente alguma instância da ONU. Porque, antes de tudo, consideramos que é (o escândalo de espionagem) um problema mundial”, disse o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Paulo Bernardo também confirmou a intenção brasileira de lançar ao espaço em 2015 o seu próprio satélite. O objetivo é tornar-se “independente dos EUA” nesse setor e “proteger a nação da espionagem”. “O Brasil defende uma descentralização: a internet deve ser multilateral”, disse.

As declarações de Bernardo estão circunscritas em um momento importante das relações entre Brasil e EUA. A visita de John Kerry ao Brasil teve como missão cuidar dos últimos detalhes do encontro da presidente Dilma Rouseff com Barack Obama em outubro.

Kerry defende o sistema de espionagem como parte do “sistema de segurança nacional do país”, pedindo, no entanto, diálogo com as autoridades brasileiras para que o programa seja entendido.

“Deixe-me ser transparente com vocês: eu não posso discutir questões operacionais, mas posso dizer que o Congresso (dos EUA) aprovou uma lei depois do 11 de setembro (de 2001), quando fomos atacados pela Al-Qaeda, e começamos um processo de tentar entender (os atentados) antes de nos atacarem”, declarou em uma entrevistas coletiva à imprensa.

Fonte: OperaMundi

 

Daniel Ellsberg: Snowden não se equivocou ao fugir dos EUA

Snowden acha que não fez nada mal. Estou absolutamente de acordo. Mais de 40 anos depois da publicação, sem permissão, dos Papéis do Pentágono por minha parte, essas filtrações continuam sendo o sangue vital de uma imprensa livre e de nossa república. Por Daniel Ellsberg*

O processo foi invalidado em 1971 depois de que se apresentaram provas ao tribunal da conduta dolosa do governo norte-americano, incluindo grampos telefônicos ilegais.

Muita gente compara desfavoravelmente Edward Snowden comigo por haver abandonado o país e solicitar asilo, em lugar de afrontar seu processo como eu fiz. O país no qual eu resolvi ficar era um Estados Unidos diferente, há muito tempo.

Depois que o New York Times foi impedido de publicar os Papéis do Pentágono, no dia 15 de junho de 1971, a primeira censura prévia de um jornal na história norte-americana, e eu havia entregado outra cópia ao Washington Post (que também teve proibida sua publicação), passei à clandestinidade com minha mulher, Patricia, durante treze dias. Meu objetivo (bastante semelhante ao de Snowden ao viajar a Hong Kong) consistia em eludir a vigilância enquanto preparava, com a ajuda crucial de uma série de pessoas, ainda desconhecidas para o FBI, a distribuição sequencial dos Papéis do Pentágono a outros 17 jornais, à vista de duas proibições mais. Os últimos três dias desse período transcorreram contra uma ordem de detenção: como Snowden hoje, fui um fugitivo da justiça.

Entretanto, quando eu me entreguei para ser detido em Boston, depois de ter dado saída às últimas cópias dos papéis em meu poder na noite anterior, fiquei em liberdade sob fiança nesse mesmo dia. Posteriormente, quando se agravaram as acusações contra mim, passando das três iniciais à uma dúzia, o que levava a uma possível sentença de 115 anos, minha fiança aumentou até os 50.000 dólares. Mas, durante os dois anos em que estive processado, tive liberdade para falar com a imprensa e em assembleias e conferências públicas. Afinal, eu fazia parte de um movimento contrário a uma guerra ainda em curso. Ajudar a que esta guerra terminasse era minha preocupação mais urgente. Não poderia haver conseguido do estrangeiro, e nunca me passou pela cabeça ir-me do país.

Não existe a mínima possibilidade de que essa experiência se repita hoje em dia, e não digamos já que um processo pudesse ser dado por finalizado ao revelarem-se ações da Casa Branca contra um acusado, que eram claramente criminais na era de Richard Nixon e tiveram sua parte em sua demissão antes de afrontar sua impugnação (impeachment), mas se consideram todas legais hoje em dia (incluindo a tentativa de incapacitar-me totalmente).

Tenho a esperança de que as revelações de Snowden desencadeiem um movimento que resgate nossa democracia, mas ele não poderia formar parte desse movimento se houvesse ficado aqui. São nulas as possibilidades de que o deixassem em liberdade sob fiança se voltasse agora e quase nulas as de que, de não ter ido embora do país, o houvessem concedido a liberdade sob fiança. Pelo contrário, estaria em uma cela penitenciária como Bradley Manning, incomunicado. 

Ficaria confinado em total isolamento, mais longo inclusive que o sofrido por Manning durante seus três anos de encarceramento antes do início, recentemente, de seu processo. O Relator Especial sobre Tortura das Nações Unidas descreveu as condições de Manning como cruéis, inumanas e degradantes (essa perspectiva realista seria fundamento como para que a maioria dos países concedessem asilo a Snowden, sempre que pudessem resistir a intimidação e o suborno por parte dos Estados Unidos).

Snowden acha que não fez nada mal. Estou absolutamente de acordo. Mais de 40 anos depois da publicação, sem permissão, dos Papéis do Pentágono por minha parte, essas filtrações continuam sendo o sangue vital de uma imprensa livre e de nossa república. Uma das lições dos Papéis do Pentágono e dos vazamentos de Snowden é simples: o secretismo corrompe, como corrompe o poder. 

* Daniel Ellsberg (1931), lendário ativista de direitos civis, se tornou célebre por ter vazado, em 1971, ao New York Times, os chamados Papéis do Pentágono, que revelavam a implicação dos Estados Unidos no Vietnã. Doutor em Economia por Harvard, é também conhecido pelo chamado paradoxo de Ellsberg no âmbito da teoria matemática da decisão.

Tradução: Liborio Júnior

Fonte: CartaMaior