WannaCry: China descobre nova mutação do vírus responsável por ciberataque mundial

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Tela da Agência de Segurança e Internet da Coreia mostra expansão do vírus. YONHAP (EFE)

15/05/2017

As autoridades chinesas anunciaram a descoberta de uma nova mutação do vírus WannaCry, responsável pelo ciberataque mundial que afetou mais de 150 países e 200.000 computadores desde sexta-feira, informa o jornal oficial Global Times.

Em nota emitida no domingo, a Agência do Ciberespaço, o Departamento de Segurança Pública e a Comissão Municipal de Economia e Tecnologia da Informação de Pequim afirmam que a nova versão do vírus, o WannaCry 2.0, driblou as medidas de segurança implantadas após o primeiro ataque.

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Qual é a escala do ciberataque que ‘sequestrou’ computadores pelo mundo?

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13/05/2017

Especialistas em segurança digital se reuniram neste sábado (13) para discutir o impacto global do ataque cibernético contra dezenas de países, governos e empresas ocorrido nesta semana.

A expectativa é de conseguir identificar os responsáveis pelo ataque do tipo ransomware — uma espécie de vírus que bloqueia o computador da vítima e pede um resgate. Os usuários atingidos recebiam um pedido de dinheiro que aumentava conforme o passar do tempo sob a ameaça de que os seus arquivos seriam destruídos se o pagamento não fosse feito. Os relatos são de que o valor começava em 300 dólares.

“O ataque recente está em um nível sem precedentes e exigirá uma investigação internacional complexa para identificar os culpados”, disse a Europol, agência policial da Europa.

Mikko Hypponen, chefe de pesquisa da F-Secure, disse à agência AFP que a investida hacker foi “o maior ataque do gênero na história”, afirmando que 130 mil sistemas em mais de 100 países foram afetados.
Ele disse que a Rússia e a Índia foram particularmente atingidas já que o Windows XP ainda é altamente utilizado nestes países. A Microsoft, fabricante do software, disse que a situação era “dolorosa” e que estava tomando “todas as ações possíveis para proteger nossos clientes”.

Já a empresa Symantec, uma das líderes do mercado de segurança digital, afirmou que a maioria das organizações afetadas está na Europa e que o ataque não teve alvos específicos

É possível que o ataque tenha usado uma ferramenta da própria Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) que vazou.

Nos Estados Unidos, a companhia de logística FedEx reconheceu ter sido atingida pelo malware e disse que estava “implementando reparos o mais rápido possível”. A montadora francesa Renault foi forçada a parar a produção nas fábricas na França, Eslovênia e Romênia, afirmando que a medida visava impedir que o vírus se espalhasse.

O Ministério do Interior russo disse que alguns de seus computadores foram atingidos por um “ataque de vírus” e que os esforços estavam em andamento para destruí-lo.

Fonte: Sputnik

Proteção a Snowden

A hipocrisia é a deferência que o vício paga à virtude. Alguém deveria ter se lembrado dessa frase quando o Itamaraty tentou justificar as razões para não dar asilo a Edward Snowden.

A história, todos conhecem. Ao expor o funcionamento do sistema de espionagem norte-americano, o ex-funcionário de uma empresa prestadora de serviços à NSA, agência de segurança doméstica dos Estados Unidos, demonstrou como a “guerra ao terror” era uma desculpa tosca para espionarem o celular de Angela Merkel, os contratos da Petrobras e o seu e-mail, caro leitor.

Ainda mais interessante 
do que a descoberta foi a reação daqueles que sempre encontram uma razão para postar diatribes contra a vigilância absoluta em Cuba e na Rússia soviética: “Não há problema algum, todo mundo sempre soube que todos espionam todos”. Sim, os mesmos que se indignam com o fim das liberdades individuais no “mundo vermelho” acham normal elas sumirem no ar, desde que por obra de uma agência de inteligência norte-americana.

Segundo essa lógica, não deixa de ter lá sua graça descobrir que Snowden se transformou no objeto de uma das mais impressionantes caçadas humanas dos últimos tempos, com direito a invasão do avião presidencial do boliviano Evo Morales, simplesmente por “mostrar o que todo mundo sabia”. Diga-se de passagem, eu devo estar fora do mundo, pois juro que não sabia que minhas ligações e e-mails iam parar na mesa de algum burocrata da NSA. Para mim, isso era conversa de gente com delírio de perseguição.

Agora, Snowden pede asilo ao Brasil. Nada mais natural. O Brasil, esta terra pátria do terrorismo internacional que trama às escusas explodir o Pentágono e a Disney, foi um dos países mais espionados dos últimos anos.  A presidenta Dilma foi à Assembleia-Geral das Nações Unidas para mostrar sua indignação, no que fez bem. Uma visita oficial aos EUA foi cancelada e, ao que parece, a venda de caças norte-americanos para as Forças Armadas brasileiras foi suspensa pelos próximos 50 anos.

Snowden deve ter visto a reação e pensado haver alguém no governo brasileiro disposto a reconhecer seu estatuto de asilado político, perseguido por seu país por mostrar como seu governo agia de maneira criminosa em relação aos aliados. Então, Snowden escreveu uma carta. Ele deve ter se lembrado de como Julian Assange, outro que resolveu “mostrar o que todo mundo sabia”, conseguiu apoio do pequeno Equador e passou a viver em sua embaixada londrina até a Inglaterra resolver respeitar as leis de imunidade diplomática e os acordos internacionais de salvo-conduto. Além de pedir asilo, Snowden se dispunha a ajudar na investigação de crimes contra cidadãos brasileiros.

Um dia depois, a resposta brasileira aparece na mídia. O Itamaraty mostrava certo tom de indignação. “Não vamos aceitar que o asilo apareça como moeda para troca de informações.” Ótimo, mas o detalhe é que o argumento serviu para desqualificar o pedido de Snowden. Talvez seria mais honesto dizer que o pedido seria analisado independentemente do auxílio ou não nas investigações, pois o governo reconhece a existência de um crime contra o nosso País e que Snowden tem sido perseguido, entre outras coisas, por denunciá-lo.

Com a delicadeza 
costumeira, a presidenta afirmou: “Não acho que o governo brasileiro tem de se manifestar sobre esse indivíduo que não deixou claro nada, que não se dirigiu a nós”. Bem, “esse indivíduo” foi quem mostrou como a segurança do computador de Dilma Rousseff era tão boa quanto a segurança do meu computador. Só por isso, ela lhe deveria ser um pouco mais grata. Por outro lado, dizer que Snowden não se dirigiu a nós é no mínimo estranho. Alguém manda uma carta aberta aos brasileiros publicada na mídia e não a manda “a nós”. Há de se perguntar onde estaria este “nós” se não na esfera da opinião pública.

O episódio serve para mostrar que um pouco menos de hipocrisia neste caso seria bem-vindo. O Brasil pode temer a reação norte-americana caso conceda o asilo, mas então deverá pagar o preço de ser uma nação que não age conforme os princípios que diz acreditar. Ele poderia, por exemplo, usar o Mercosul e dar um asilo conjunto com vários países, o que poderia ser uma inovação diplomática interessante e com menos vulnerabilidade. Bem, talvez seja esperar demais.

Por Vladimir Safatle

Fonte: CartaCapital

Rafael Correa: “Se espionagem fosse feita pelo Equador, seríamos criminosos”

Presidente equatoriano não acredita em punição aos EUA e afirma que “Justiça internacional é conveniência do mais forte”

O presidente do Equador, Rafael Correa, declarou nesta terça-feira (29/10) que, se a espionagem em massa realizada pelos Estados Unidos tivesse sido feita por outros países, como o Equador ou a Venezuela, eles seriam tachados de criminosos e levados à Corte Internacional de Haia.

“Se essa espionagem tivesse sido realizada por Venezuela, Rússia, Equador ou Cuba, por exemplo, seríamos considerados ditadores, criminosos e levados para Haia. Mas, neste caso, não vai acontecer absolutamente nada, porque, infelizmente, a Justiça internacional não é outra coisa que não a conveniência do mais forte, e os EUA são o mais forte”, disse, em uma entrevista ao canal Russia Today.

De acordo com Correa, os Estados Unidos se “acham acima do bem e do mal”. “Somos parte de um mundo multipolar, democrático, onde se atua com base nas regras do jogo e não baseado em um governo de um país que se acha superior ao resto do mundo, e que, ao mesmo tempo, cai em tremendas contradições como a espionagem em massa que se evidenciou ultimamente.”

O presidente equatoriano foi irônico ao citar a possível espionagem feita pelos Estados Unidos no celular da chanceler alemã Angela Merkel. “[Ela] É terrorista?”, questionou, ao afirmar que os norte-americanos alegavam que o monitoramento era necessário para “combater o terrorismo”.

Correa ainda classificou as atividades da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA, na sigla em inglês) de “injustiça”. “O Equador não tem pretensão de mudar a ordem mundial. Queremos proteger o nosso povo dessa injustiça, e isso requer a integração latino-americana. Unidos seremos mais fortes e teremos mais presença internacional”, concluiu Correa.

Fonte: OperaMundi

Brasil levará à ONU denúncias de espionagem massiva dos EUA

Governo deseja lançar em 2015 seu próprio satélite para “proteger povo brasileiro da vigilância norte-americana”

O ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo, confirmou nesta quinta-feira (15/08) que o governo brasileiro pode solicitar à ONU (Organização das Nações Unidas) uma investigação em instância internacional sobre as denúncias de espionagem massiva dos EUA na América Latina. Bernardo confirma que país não “está satisfeito” com as explicações do secretário de Estado norte-americano, John Kerry – que esteve no Brasil nesta semana.

“Não nos convencem até o momento as informações e as explicações que os EUA nos deram. Vamos a algum tribunal internacional, provavelmente alguma instância da ONU. Porque, antes de tudo, consideramos que é (o escândalo de espionagem) um problema mundial”, disse o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Paulo Bernardo também confirmou a intenção brasileira de lançar ao espaço em 2015 o seu próprio satélite. O objetivo é tornar-se “independente dos EUA” nesse setor e “proteger a nação da espionagem”. “O Brasil defende uma descentralização: a internet deve ser multilateral”, disse.

As declarações de Bernardo estão circunscritas em um momento importante das relações entre Brasil e EUA. A visita de John Kerry ao Brasil teve como missão cuidar dos últimos detalhes do encontro da presidente Dilma Rouseff com Barack Obama em outubro.

Kerry defende o sistema de espionagem como parte do “sistema de segurança nacional do país”, pedindo, no entanto, diálogo com as autoridades brasileiras para que o programa seja entendido.

“Deixe-me ser transparente com vocês: eu não posso discutir questões operacionais, mas posso dizer que o Congresso (dos EUA) aprovou uma lei depois do 11 de setembro (de 2001), quando fomos atacados pela Al-Qaeda, e começamos um processo de tentar entender (os atentados) antes de nos atacarem”, declarou em uma entrevistas coletiva à imprensa.

Fonte: OperaMundi

 

Foram Manning, Snowden e Assange que correram riscos para expor crimes

Manning fez algo muito corajoso para tornar públicas as maquinações do modo de fazer guerra moderna dos EUA. Edward Snowden expôs a sofisticação e alcance extraordinários do sistema de vigilância. E Julian Assange se senta entre as quatro paredes de seu reduto, perseguido pelo crime de publicar. 

Por Amy Goodman – Democracy Now

“Que edifício perigoso é a guerra, como ela pode facilmente desmoronar e enterrar todos nós em ruínas”, escreveu Carl von Clausewitz, o general prussiano e teórico militar do século XIX, em seu famoso texto “Da Guerra”, quase 200 anos atrás. Essa frase foi tirada do capítulo “Informação na guerra”, um assunto que ainda reverbera hoje, desde Fort Meade, Maryland, onde Bradley Manning acaba de ser condenado por espionagem por uma corte militar, passando pela embaixada do Equador em Londres, onde o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, mora há mais de um ano, tendo conseguido asilo político para escapar de perseguição política dos EUA, até a Rússia, onde o denunciante da National Security Agency Edward Snowden está após ter recebido asilo temporário.

A condenação de Manning despertou um interesse momentâneo dos membros da mídia de elite dos EUA, que passaram pouco tempo na corte marcial de dois meses, localizada poucos quilômetros ao norte de Washington. Aqueles que torciam por Manning ficaram aliviados que ele foi considerado inocente da acusação mais séria, a de ajudar o inimigo, o que teria como consequência uma sentença de prisão perpétua. Ele foi condenado em 20 das 22 acusações, e pode pegar uma pena de 136 anos de prisão.

“Os vazamentos de Bradley Manning expuseram crimes de guerra, ocasionaram revoluções e promoveram reformas democráticas” disse Assange, de dentro da embaixada. “Ele é o denunciante por excelência”. É interessante que o ex-secretário de Defesa Robert Gates tenha escrito o seguinte para o senador Carl Levin, em 2010, sobre os vazamentos:

“A avaliação feita até hoje aponta que nenhuma fonte de informação especial ou métodos tenham sido comprometidos com o vazamento.”

Manning deu uma declaração no início do julgamento em que se responsabilizou pelos vazamentos, mas, importante, apontou seus motivos. Ele mencionou especificamente o vídeo do ataque de um helicóptero Apache que trucidou uma dúzia de civis em Bagdá, em 12 de julho de 2007. Dois dos mortos trabalhavam para a agência de notícias Reuters, o operador de câmera Namir Noor-Eldeen, 22, e seu motorista, Saeed Chmagh, pai de quatro.

Podemos ouvir Manning dizer suas próprias palavras durante o julgamento, graças a uma gravação não autorizada, de seu depoimento, vazada anonimamente. Ele disse:

”O aspecto mais alarmante do vídeo, para mim, foi como a equipe que operava as armas parecia estar se deliciando com a carnificina. Eles desumanizaram os indivíduos que eles estavam atacando e pareciam não dar nenhum valor à vida humana, e se referiam a eles como ‘bastardos mortos’, e se elogiavam uns aos outros por suas habilidades de matar um grande número de pessoas… Para mim, aquilo pareceu uma criança torturando formigas com lentes de aumento.”

Uma das acusações de que Manning foi julgado culpado foi de “publicação arbitrária”. Isso não tem precedentes na lei militar. O advogado de Manning afirmou que esse é um crime inventado. O verdadeiro crime, do qual ninguém foi acusado, é o desrespeito arbitrário pela vida humana, o que foi exposto por Manning.

O vazamento de Manning deu para a Reuters, e para o mundo, uma ilustração do horror da guerra moderna, da morte violenta de dois trabalhadores da mídia no cumprimento de seu serviço.

Como o jovem soldado também disse em sua eloquente declaração, “acredito que se o público em geral, e especialmente o público dos EUA, tivesse acesso às informações [dos vazamentos], isso poderia gerar um debate nacional sobre o papel dos militares e sobre nossa política externa de maneira geral, da forma como se relacionou com Iraque e Afeganistão.”

De fato, ele gerou tal debate. A onda mais recente de vazamentos, de Edward Snowden, apenas intensificou o debate, com uma rara coalizão bipartidária no Congresso para reprimir o que muitos veem como um desertor. Apesar de que uma emenda legislativa, de autoria do republicano John Amash e do democrata John Conyers na Casa dos Representantes tenha sido derrotada, por pouco, semana passada, os dois também são autores de um projeto, o HR 2399, que faz a mesma coisa.

Carl von Clausewitz escreveu que “a grande incerteza a respeito de informação em toda guerra é uma dificuldade peculiar, porque toda ação deve, em grande medida, ser planejada de um dia para o outro”. Manning fez algo muito corajoso ao soltar essas informações, para desvelar o véu que esconde, para tornar públicas as maquinações do modo de fazer guerra moderna dos EUA. Edward Snowden expôs a sofisticação e alcance extraordinários do sistema de vigilância dos EUA, acabando com os que ousassem divulgar informações. E Julian Assange se senta entre as quatro paredes de seu reduto, perseguido pelo crime de publicar. Ainda assim, aqueles que planejaram as guerras, que cometeram crimes de guerra, que promoveram espionagem ilegal, por enquanto, andam livremente.

Tradução: Rodrigo Mendes

Fonte: CartaMaior

EUA financiam agência de espionagem eletrônica britânica

Em um novo capítulo da novela que devemos a Edward Snowden, o jornal britânico The Guardian revela que a GCHQ recebeu nos últimos três anos cerca de 160 milhões de dólares de financiamento de sua homóloga estadunidense, a Agência Nacional de Segurança. As duas organizações são responsáveis pelo desenvolvimento de novas tecnologias para a interceptação massiva do tráfego pela internet. Por Marcelo Justo, de Londres

Londres – A “relação especial” que os britânicos alardeiam ter com os Estados Unidos por seus laços históricos e linguísticos é particularmente “special” para a agência britânica de espionagem eletrônica, a GCHQ. Em um novo capítulo desta novela que devemos a Edward Snowden, o jornal britânico The Guardian revela que a GCHQ recebeu nos últimos três anos cerca de 160 milhões de dólares de financiamento de sua homóloga estadunidense, a Agência Nacional de Segurança (NSA).

Segundo comentários do próprio Snowden ao jornal, as duas organizações são responsáveis pelo desenvolvimento de novas tecnologias para a interceptação massiva do tráfego pela internet. “Isso não é um problema dos Estados Unidos unicamente. Eles são os piores”, destacou Snowden referindo-se ao GCHQ. Em junho, Snowden revelou a existência do programa “Prism” da NSA para acessar milhões de e-mails e chats ao vivo e do programa “Tempora”, do GCHQ, para o acesso à fibra ótica pela qual circulam as conversações telefônicas e as comunicações pela internet.

Em 2009, os britânicos receberam cerca de 30 milhões de dólares de seus sócios estadunidenses; um ano mais tarde receberam cerca de 50 milhões, incluindo uns 24 para o deslocamento de uma parte da operação britânica para um novo local, Bude, no norte da Cornuália, que se encarrega de interceptar a comunicação de internet transatlântica. O último dado é do período fiscal 2011-2012 no qual a NSA aportou cerca de 54 milhões para sua contraparte britânica. “O financiamento para o projeto de Bude foi essencial para proteger nosso orçamento”, reconhece o documento.

Este orçamento anual, equivalente a 1,6 bilhões de dólares, é uma fonte de contínua ansiedade para o GCHQ. “O governo de sua majestade espera que justifiquemos o dinheiro que investe em nós anualmente”, assinala o documento. Uma ansiedade por momentos maior é mostrada em relação a seus sócios da NSA. Um documento de 2010 reconhece que os Estados Unidos se referiram a uma “série de temas necessários para cumprir com os requisitos mínimos da NSA” e admite que o GCHQ ainda “não satisfaz todos esses requisitos”.

A era da internet deu um papel muito mais importante à espionagem eletrônica que, nos últimos cinco anos, teve um aumento de 7.000% no volume informativo com seu acesso a e-mails, telefonemas e conversações de Skype. Este volume se reflete em dinheiro vivo e crescente poder entre as organizações de inteligência britânicas. O GCHQ recebe mais da metade dos cerca de 2,5 bilhões de dólares que o governo britânico destina à espionagem e tem oficiais de ligação no MI6 (espionagem externa), MI5 (espionagem interna) e SOCA (Agência de Luta contra o Crime Organizado), assim como no gabinete de governo, que denomina de seus “clientes” em claro legado linguístico da ideologia do mercado. Segundo o Guardian, o “cliente” que aparece com mais frequência nos documentos é a NSA.

Os documentos mostram que o GCHQ faz alarde quando fornece informação valiosa aos Estados Unidos como a que enviou a NSA durante a investigação do plano de atentados com carros-bomba na Times Square, em Nova York, em 2010. O pior temor dos britânicos é que “diminua a percepção estadunidense da importância de nossa ação conjunta e que isso reduza seu investimento no Reino Unido”.

Quanto ao principal inimigo, os documentos recriam a linguagem da Guerra Fria com algumas modificações, colocando a China como inimigo principal e a Rússia como o segundo vilão do filme. “A China tem um cyber-programa capaz de atacar todo o espectro de objetivos governamentais, militares e comerciais. A espionagem industrial chinesa é a ameaça mais importante para a tecnologia estadunidense”, assinala o documento.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte: CartaMaior