Cúpula Mundial Humanitária da ONU propõe ‘Agenda pela Humanidade’

Publicado originalmente em: 20/05/2016

Evento, que reunirá líderes mundiais de diversas áreas, acontece em Istambul segunda e terça-feira (23 e 24 de maio).

O mundo atravessa um momento crítico. Testemunha-se o maior nível de sofrimento humano desde a Segunda Guerra Mundial. Em vista desse cenário, pela primeira vez em 70 anos de história das Nações Unidas, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convoca uma Cúpula Mundial Humanitária.

A proposta é estimular uma ação global imediata para por fim ao sofrimento de milhões de mulheres, homens e crianças afetados por conflitos e desastres.

Em 2016, mais de 125 milhões de mulheres, homens e crianças em todo o mundo necessitam de assistência humanitária. Nunca, desde a Segunda Guerra Mundial, tantos foram forçados a deixar seus lares: mais de 60 milhões de pessoas, metade delas crianças.

O custo humano e econômico de desastres tem aumentado, e os impactos da mudança do clima se tornam mais profundos. A previsão é de que desastres serão mais frequentes e graves.

A Cúpula Mundial Humanitária em Istambul, entre 23 e 24 de maio, pretender ser o marco de uma grande mudança na maneira como a comunidade internacional previne o sofrimento humano ao preparar-se para responder a crises.

Na cúpula, líderes mundias devem assumir responsabilidades com a população mundial, ao se comprometerem com levar adiante a ‘Agenda pela Humanidade’, proposta pelo secretário-geral da ONU, que traça uma rota para a mudança.

Nova Agenda pela Humanidade

O chamado do secretário-geral baseia-se em um processo de três anos de consulta, que alcançou mais de 23 mil pessoas em 153 países.

O resultado é o convite a líderes mundiais de todos setores do governo e da sociedade para apoiar cinco responsabilidades cruciais: (1) Prevenir e por fim a conflitos; (2) Respeitar regras de guerra; (3) Não deixar ninguém para trás; (4) Trabalhar de diferentes formas para eliminar carências; e (5) Investir na Humanidade. Acesse na íntegra clicando aqui. Outros documentos, clique aqui.

A Agenda pela Humanidade dispõe as ações-chave necessárias para dar resposta às cinco responsabilidades essenciais. Para as Nações Unidas, garanti-las é um imperativo moral e uma necessidade estratégica para confrontar os atuais desafios globais.

Em 2015, líderes mundiais demonstraram que é possível unir-se e enfrentar desafios globais. Eles entraram em acordo sobre novas estruturas para a redução de risco de desastres e sobre o financiamento do desenvolvimento ao adotar os históricos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e chegaram a um acordo sobre o clima.

Em 2016, o desafio é aproveitar esse momento e agir de forma a garantir que ninguém seja deixado para trás. Na Cúpula Mundial Humanitária, o secretário-geral convocará líderes globais e locais a comprometerem-se com uma ação coletiva e com a Agenda pela Humanidade.

Para as Nações Unidas, todos têm seu papel para assegurar essa Agenda. Por isso, a Cúpula reunirá líderes de governos, empresas, organizações internacionais e regionais, organizações humanitárias, redes comunitárias, academia e sociedade civil.

Trabalhando em parceria, é possível realizar importante mudança na maneira como a comunidade global previne o sofrimento humano, ao preparar-se e reagir a crises, assim como garantir que a Cúpula seja um ponto de partida para que se coloque o fator humano – a segurança das pessoas, a dignidade e o direito de prosperar – no coração das decisões globais.

Fonte: ONU Brasil

ONU deve mudar para ser mais relevante e combater desafios atuais, diz chefe da Assembleia Geral

Durante debate de alto nível sobre paz e segurança, Mogens Lykketoft enfatizou que, embora a ONU tenha realizado bons feitos em alguns aspectos, a Organização ainda permanece insuficientemente equipada para cumprir o seu objetivo primordial, que é preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra.

Publicado originalmente: 17/05/2016

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Para responder mais rapidamente às atuais e futuras ameaças à paz e à segurança no mundo, as Nações Unidas devem tomar medidas concretas que incluem soluções políticas para a sustentação da paz, para a promoção de sociedades prósperas e estáveis e para a prevenção e o combate ao terrorismo e ao extremismo violento, advertiu o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Mogens Lykketoft, durante encontro na semana passada (10) em Nova York.

Na abertura do debate de alto nível sobre a paz e a segurança, Lykketoft enfatizou que, embora a ONU tenha realizado bons feitos em alguns aspectos, a Organização ainda permanece insuficientemente equipada para cumprir o seu objetivo primordial, que é preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra.

“Hoje, 70 anos após a fundação da ONU, refletimos sobre os tempos em que a ONU foi bem-sucedida e acerca dos momentos em que falhou em cumprir esse objectivo. Olhamos para trás para determinar como a instituição pode fazer melhor, hoje e no futuro”, disse.

“Neste ano do seu 70º aniversário, seguindo os comentários recentes sobre a construção da paz, sobre a questão das mulheres e da segurança, temos uma oportunidade de mudar radicalmente essa realidade. E felizmente estamos em um bom momento para o multilateralismo “, completou.

Lykketoft ainda elogiou a ONU por criar uma estrutura que ajuda a conter as maiores potências do mundo, mobilizando centenas de milhares de tropas e bilhões de dólares para as operações de paz e de proteção aos direitos humanos.

O presidente da Assembleia Geral destacou que a Agenda de 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas fornecem aos Estados-membros um quadro favorável para um mundo mais pacífico, próspero, inclusivo e sustentável.

Além disso, ele disse que o acordo nuclear iraniano e a ação do Conselho de Segurança sobre a Síria, realizada em dezembro do ano passado, prova que a ONU ainda pode ajudar poderes globais e regionais a resolver suas diferenças.

O vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, destacou que, embora o Sistema ONU seja “totalmente comprometido” com a sua agenda de reformas, a Organização não pode alcançar as mudanças sozinha.

“Precisamos dos Estados-Membros para defender esta mudança. Precisamos do engajamento, supervisão e investimento político e financeiro de todos os integrantes”, ressaltou.

Fonte: ONU Brasil

Chegou momento de traçar caminho adiante para o desenvolvimento humano

Publicado Originalmente: 05/05/2016

O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2016 (RDH) chega a sua 25ª edição. No último quarto de século, esses relatórios têm influenciado extensivamente o discurso do desenvolvimento e fornecido uma lente potente para auxiliar o bem estar humano e a construção informada de políticas.

Mas o mundo de hoje é diferente de 1990. Alcançou-se expressivo progresso humano na redução da pobreza, na expansão do acesso à educação e em várias outras áreas. No entanto, os avanços foram desiguais, e privações humanas significativas persistem. Enquanto isso, alguns desafios se tornaram mais frequentes, inclusive a mudança global do clima.

O aprofundamento da globalização e rápidos avanços tecnológicos oferecem novas oportunidades, mas também oferecem risco de exclusão. Como a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável afirma, há uma necessidade urgente por uma transformação no desenvolvimento, para que assim ninguém seja deixado para trás.

Do ponto de vista do desenvolvimento humano, chegou a hora de focarmos em três aspectos fundamentais: estender as fronteiras do paradigma, revisar como o desenvolvimento humano é medido e revisitar as opções de políticas associando diversas estratégias e concentrando-se em instituições tanto no aspecto global quanto no nacional. Por isso, o tema do RDH deste ano, em seu jubileu, é “Desenvolvimento Humano – O caminho adiante.”

Ampliando as fronteiras do pensamento sobre o desenvolvimento humano

O relatório de 2016 visa estender as fronteiras do pensamento sobre o desenvolvimento humano ao contemplar questões conceituais que não ficaram explícitas nos últimos relatórios. Isso inclui problemas inexplorados como:

  • O equilíbrio entre escolhas individuais e sociais (por exemplo, como a escolha individual de cobrir o rosto baseada em crenças religiosas pessoais talvez não sejam consistentes com a norma que a sociedade mais ampla adota) ;
  • A hierarquia das escolhas (por exemplo, como algumas pessoas podem valorizar mais um conjunto de escolhas que outros);
  •   a interconexão das escolhas (por exemplo, a escolha de um indivíduo de viajar tem impacto no meio ambiente).

Igualmente importante na expansão das fronteiras desse quadro é contemplar temas de relatórios anteriores que merecem aprofundamento à luz do mundo atual, em constante mudança — questões como segurança humana, participação e sustentabilidade ambiental; e aspectos críticos para transformações no desenvolvimento — questões normativas, como justiça social e equidade, tolerância e não-violência, diversidade e igualdade.

Ao avaliar o progresso do desenvolvimento humano e os resultados do desenvolvimento, o foco será em como garantir que os mais necessitados beneficiem-se totalmente do avanço do desenvolvimento humano e em se aqueles que se libertaram dessas privações básicas continuam a progredir.

Avaliar não só a quantidade, mas também a qualidade do progresso do desenvolvimento humano é também vital nesse esforço — por exemplo, as crianças podem concluir o ensino fundamental, mas isso não representa progresso humano, a menos que elas saibam ler e escrever apropriadamente.

O relatório de 2016 revisará também alguns dos índices compostos e complementará a avaliação do desenvolvimento humano ao considerar questões de mensuração relacionadas a sustentabilidade ambiental, segurança humana, participação etc. Investigará também como indicadores de felicidade e bem-estar (como o  Gross Happiness Index) pode acrescentar uma nova percepção sobre o desenvolvimento humano. O objetivo é avançar rumo a uma forma mais abrangente, concisa e coerente para medir o desenvolvimento humano.

No âmbito das políticas, o relatório buscará definir um padrão unificado para a análise de políticas, ancorado na abordagem do desenvolvimento humano, enfatizando não apenas quais políticas são necessárias, mas também como elas poderiam ser implementadas.

Ele terá também uma abordagem tanto normativa quanto instrumental em relação a questões de justiça social, equidade, igualdade, tolerância, diversidade cultural, não-violência e democracia. E, como uma visão compartilhada da humanidade requer esforço coletivo para elevar o desenvolvimento humano de maneira inclusiva e sustentável, o relatório dará atenção ao Estado assim como às instituições nos níveis nacional, regional e global.

Desenvolvimento Humano e a Agenda 2030

Apesar de o tema do relatório de 2016 não ser a Agenda 2030, reconhecemos que esse acordo global moldará o discurso do desenvolvimento e das políticas públicas nos próximos 15 anos.

Ao mirar os caminhos futuros, o desenvolvimento humano pode ser associado a essa agenda de forma mutuamente fortalecedora. Os RDH podem trazer contribuições intelectuais e fortalecer as opções de política para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Alguns indicadores do desenvolvimento humano podem ser alinhados a determinados indicadores dos ODS e poderiam ser utilizados para acompanhar seu progresso. Por outro lado, o compromisso da Agenda 2030 de não deixar ninguém para trás pode fornecer um instrumento para priorizar a atenção para certas dimensões do desenvolvimento humano e grupos de pessoas; e para uma transformação do desenvolvimento no contexto no pensamento sobre o desenvolvimento humano, como observado acima.

Tanto o paradigma do desenvolvimento humano quanto o RDH estão em um momento crucial de sua história. Eles estabeleceram uma tradição notável e um longo histórico de avanços no pensamento conceitual, medições, advocacy e na realização prática do desenvolvimento humano.

Ao mesmo tempo, o retrato do desenvolvimento no mundo atualmente — e no futuro próximo — é diferente daquele que era em 1990. O desafio é alavancar os ganhos em nosso conhecimento e entendimento para garantir que tanto o retrato quanto os relatórios, enquanto mantêm continuidade com os princípios e abordagens fundamentais, motivem mudanças positivas na vida das pessoas e continuem relevantes e úteis para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. O relatório de 2016 representa um exercício intelectual voltado para essa mudança.

FONTE: ONU

ONU promove campanhas de defesa dos direitos da população LGBT durante conferência em Brasília

O Sistema ONU organizou diferentes ações para atuar em prol do respeito e efetivação dos direitos de todas (os), no contexto da 3ª Conferência de Políticas Públicas de Direitos Humanos LGBT, realizada em Brasília de 14 a 29 de abril.

As campanhas “Livres e Iguais” e “Zero Discriminação” lideraram as ações do Sistema, que organizou também “Hangouts On Air” para debater sobre os direitos da população LGBT.

Publicado  originalmente em: 06/05/2016

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O Sistema ONU organizou diferentes ações para atuar em prol do respeito e efetivação dos direitos de todas(os), no contexto da 3ª Conferência de Políticas Públicas de Direitos Humanos LGBT, realizada em Brasília de 14 a 29 de abril.

As campanhas “Livres e Iguais” e “Zero Discriminação” lideraram as ações do Sistema, que organizou também “Hangouts On Air” para debater sobre os direitos da população LGBT.

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e outras agências organizaram “hangouts” durante toda semana. O objetivo foi promover diálogos entre especialistas convidados e o público sobre temas como Juventude LGBT, Década de Afrodescendentes e Negrxs LGBT, Estatuto da Família e Epidemia do Vírus Zika e Direitos Humanos.

Foram convidados representantes da sociedade civil para participar e contribuir para o debate, a partir da realidade e necessidades da população LGBT. Todos os “hangouts” estão disponíveis no canal do YouTube do UNFPA Brasil ou abaixo:

Juventude LGBT

Década Afrodescendente e Negrxs LGBT

Protegendo LGBTIs em deslocamento forçado

Estatuto da Família

Os desafios do primeiro emprego para jovens trans

Epidemia de Zika e Direitos Humanos

Campanha

O Ministério da Saúde aproveitou o contexto da conferência para destacar a importância das ações em saúde voltadas especificamente para homens gays e bissexuais. E lançou uma campanha focada na saúde desse público.

Com tema “Cuidar bem da saúde de cada um. Faz bem para todos. Faz bem para o Brasil”, a campanha incentiva a promoção do direito à saúde integral e conscientiza profissionais de saúde para um atendimento humanizado, que respeite a diversidade.

Estima-se que, no Brasil, os homens vivam 7,3 anos a menos que as mulheres, apresentando maior vulnerabilidade às doenças, em especial doenças crônicas. Em relação à população feminina, os homens ainda têm menos acesso aos serviços de saúde.

Para Lenir Santos, secretária de gestão estratégica e participativa do Ministério da Saúde, “a campanha busca lembrar que a população de gays e bissexuais se insere nessas estatísticas de adoecimento e mortalidade masculina, reforçando que os cuidados de saúde estão além das questões de HIV/aids, hepatites virias e outras infecções sexualmente transmissíveis”.

Desde 2011, o governo brasileiro adotou medidas para expandir o acesso da população LGBTo Sistema Único de Saúde (SUS) com a Política Nacional de Saúde Integral LGBT. Os homens gays e bissexuais são considerados como “população-chave” para controle e prevenção do HIV/aids. Por fazerem parte do grupo de homens que fazem sexo com homens, o risco de infecção e a taxa de prevalência aumenta a possibilidade de exposição ao vírus

Os números brasileiros mostram que a políticas nacionais de promoção à saúde são importantes para expansão do acesso, qualificação do atendimento com orientação e atenção específica. ”A ideia é enfrentar a discriminação e mostrar que homens gays e bissexuais têm especificidades que precisam ser consideradas para a garantia do acesso dessa população à saúde integral” afirmou Lenir Santos.

Durante o lançamento da campanha, o secretário especial de direitos humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Rogério Sottili, lembrou a importância de campanhas como essas, que respeitem a existência, a identidade e a luta da população LGBT como uma forma de promoção dos direitos humanos, e ressaltou que “nós temos o desafio de que todas as políticas sejam construídas como respeito”.

“Na saúde não é diferente, nós queremos que todos tenham acesso e sejam respeitados em suas identidades e especificidades.”

A estratégia desta campanha visa ao aumento da distribuição de preservativos, maior disponibilidade de locais para realização dos testes rápidos e acesso a outra medida de prevenção, o PEP (profilaxia pós exposição).

“O lugar de vocês, pessoas LGBT, precisa ser garantido e respeitado. A beleza está em um país que reconhece, aceita e respeita a sua diversidade”, finalizou Rogério Sottili.

 

Fonte: ONU Brasil

 

Pobreza permanece concentrada no Norte e no Nordeste do Brasil, diz estudo de centro da ONU

Entre 2004 e 2013, os índices de pobreza no país caíram de 20% para 9% da população e de 7% para 4% no caso da pobreza extrema. No entanto, os principais aspectos ou perfis da pobreza continuam os mesmos: ela está mais presente no meio rural e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

No estudo, os autores indicam que o investimento na agricultura familiar pode potencialmente contribuir para a redução da extrema pobreza nessas regiões.

Publicado originalmente em: 03/05/2016

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Entre 2004 e 2013, os índices de pobreza caíram de 20% para 9% da população e de 7% para 4% no caso da pobreza extrema. No entanto, os principais aspectos ou perfis da pobreza continuam os mesmos: ela está mais presente no meio rural e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Essa é a conclusão de estudo divulgado em abril pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“A redução da pobreza não acompanhou as alterações em seus principais aspectos ou perfis”, disseram os especialistas no estudo. “Em termos regionais, pouco mudou, com as regiões Norte e Nordeste apresentando as maiores taxas de prevalência da pobreza, bem como as áreas rurais em todas as regiões.”

Critérios adotados

O estudo considerou como extremamente pobres pessoas que ganham 70 reais por mês e pobres aquelas que vivem com 140 reais mensais, de acordo com critérios adotados pelo governo federal.

Quanto ao meio rural, o estudo considerou como domicílios agrícolas aqueles onde há pelo menos um membro empregado no setor agrícola e 67% ou mais da renda do trabalho vindo de atividades agrícolas.

Já os domicílios pluriativos são aqueles em que pelo menos um membro está empregado no setor agrícola, mas menos de 67% da renda do trabalho vem da agricultura.

O estudo considerou ainda domicílios rurais não agrícolas como aqueles que se localizam em áreas oficialmente rurais, mas sem qualquer membro do domicílio trabalhando na agricultura. Já os domicílios urbanos não agrícolas estão localizados em áreas oficialmente urbanas, com nenhum membro domiciliar empregado na agricultura.

Conclusões do relatório

O estudo concluiu que no período analisado a pobreza caiu mais nos domicílios agrícolas, assim como a extrema pobreza. Por outro lado, a pobreza e a extrema pobreza nos domicílios pluriativos permaneceu estável.

“Quase a totalidade dos residentes em domicílios agrícolas e pluriativos extremamente pobres do Nordeste têm terra insuficiente, trabalham informalmente e residem em domicílios com idosos, mas sem qualquer aposentadoria”, disseram os pesquisadores.

Em 2013, 37% dos domicílios pluriativos recebiam recursos do Programa Bolsa Família, enquanto nos domicílios agrícolas esse percentual era de 22%.

“Benefícios assistenciais como Bolsa Família ajudam, contudo, não são suficientes para retirá-los da extrema pobreza. Deve haver políticas sociais voltadas para os pequenos agricultores, que considerem as fragilidades dessas famílias, que buscam a sua sobrevivência na agricultura familiar”, disseram.

“A pluriatividade nordestina parece surgir como única alternativa de sobrevivência das famílias em situação de extrema pobreza.”

No Norte, a pobreza caiu menos que no Nordeste e no Brasil como um todo. Segundo o levantamento, a persistência da pobreza extrema no Norte, particularmente entre os domicílios pluriativos e aqueles não agrícolas, é especialmente preocupante. Já as taxas de pobreza são praticamente as mesmas em 2004 e 2013.

“Embora o Norte seja menos pobre do que o Nordeste, o progresso tem sido mais lento lá em comparação às demais regiões do país”, disse o estudo.

Acesso a consumo e saneamento básico

Enquanto entre 2004 e 2013 o percentual de domicílios agrícolas do Norte com geladeiras aumentou de 42% para 78%, o percentual com esgotamento sanitário aumentou de 20% para 26%.

Já no Nordeste, o acesso das famílias agrícolas ao esgotamento sanitário aumentou de 24% para 36% no período, deixando a região dez pontos percentuais à frente da região Norte, que é relativamente mais rica.

“O Nordeste obteve melhores resultados. Nessa região, há mais acesso a infraestrutura pública que no Norte, provavelmente em razão do fato de que o Nordeste não tem que superar as longas distâncias que os governos do Norte precisam superar”, disseram os pesquisadores.

Com relação à posse de geladeira, 89% dos domicílios no Nordeste têm ao menos uma geladeira. No Norte, esse percentual é de 78% e, no Brasil, chega a 92%.

Análise por municípios

O estudo indicou — a partir da análise dos mapas de pobreza e extrema pobreza em âmbito municipal — que o problema da pobreza rural no Brasil é, em grande medida, um problema dos domicílios agrícolas no Norte e Nordeste.

Poucos municípios nas outras três regiões do Brasil apresentam taxas de pobreza superiores a 30% e, em muitos essas taxas são inferiores a 15%. No Norte e Nordeste, no entanto, muitos municípios apresentam taxas de pobreza superiores a 60% e alguns ainda têm taxas tão altas quanto 90%.

“As diferenças são muito acentuadas entre os domicílios agrícolas. A Amazônia ocidental e o estado do Maranhão são áreas que apresentam níveis muito elevados de pobreza agrícola”, afirmou o estudo.

Acesse o documento clicando aqui.

Fonte:ONU Brasil

Universidade de Brasília e ONU Mulheres realizam aula pública sobre violência de gênero

Encontro na semana passada reuniu membros da comunidade acadêmica para discutir o que fazer diante de episódios de violência envolvendo mulheres e como reagir à discriminação de gênero.

Publicado originalmente em: 04/05/2016

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Com o apoio da ONU Mulheres, a Universidade de Brasília (UnB) realizou na semana passada (25) uma aula pública sobre discriminação de gênero e sobre como agir diante de episódios de violência envolvendo o público feminino. A data do evento marcou o Dia Laranja pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

A iniciativa foi mais uma das ações que a UnB tem promovido para enfrentar a violência contra as mulheres. Na instituição, estratégias de conscientização foram fortalecidas após o assassinato da estudante de biologia Louise Ribeiro, de 20 anos. O crime aconteceu em março de 2016 dentro da universidade e foi cometido pelo ex-namorado e colega de curso da vítima.

Aberta a toda a comunidade acadêmica, a aula foi ministrada pela professora e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (NEPEM), Lourdes Bandeira. O encontro foi organizado em parceria com a Diretoria de Diversidade do Decanato de Assuntos Comunitários da UnB. A ONU Mulheres e a campanha do secretário-geral da ONU “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres” também prestaram apoio.

Pesquisa revela panorama da violência de gênero em universidades

Uma pesquisa de 2015 sobre a violência de gênero nos meios universitários – feita pelo Instituto Avon e o Data Popular com o apoio da ONU Mulheres – revelou que, para reverter o cenário de violência, tanto mulheres (95%) quanto homens (88%) acreditam que a faculdade deveria criar meios de punir os responsáveis por agressões contra mulheres na instituição.

A maioria dos públicos feminino (78%) e masculino (64%) também concorda em incluir o tema “violência contra a mulher” na grade curricular.

O levantamento ouviu 1.823 universitárias e universitários das cinco regiões do país. Desse número, 60% eram mulheres e 40% eram homens. Entre as entrevistadas, 67% afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física) no ambiente da universidade. Em relação à violência sexual, 28% já foram estupradas e 56% já sofreram assédio. Os dados são de 2015. Acesse o levantamento aqui

UnB e ONU Mulheres: parceiros desde 2015

No início de abril, a UnB e a ONU Mulheres já haviam promovido o encontro “A Construção coletiva de ações para o enfrentamento à violência contra as mulheres”. Entre o programa estabelecido pela iniciativa, está a realização de debates, aulas públicas e palestras voltadas à eliminação da violência contra as mulheres em todos os dias 25 de cada mês. A data é celebrada mundialmente como o Dia Laranja pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Em junho de 2015, a Universidade aderiu ao Movimento ElesPorElas (“HeForShe”) de Solidariedade pela Igualdade de Gênero – proposto pela ONU Mulheres para mobilizar especialmente os homens e meninos na defesa dos direitos de mulheres e meninas.

Em outubro do ano passado, a UnB e a agência da ONU organizaram o curso de extensão “Investigação, processo e julgamento de mortes violentas de mulheres com a perspectiva de gênero”, realizado na Fundação Memorial Darcy Ribeiro por meio do Grupo Candango de Criminologia, da Faculdade de Direito. Também participaram o Grupo de Estudos de Gênero e Psicologia Clínica, do Instituto de Psicologia), e o NEPEM.

A capacitação formou cerca de 30 pessoas, entre policiais civis e militares, bombeiros, delegados, promotores de justiça, defensores públicos, juízes e servidores envolvidos na aplicação das diretrizes nacionais para investigar, processar e julgar as mortes violentas de mulheres – conhecidas hoje como feminicídios.

Fonte: ONU Brasil

Situação na Síria é ‘repugnante’

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Com centenas de milhares de civis mortos, milhões de deslocados e famílias dilaceradas, o chefe de ajuda humanitária da ONU descreveu a situação na Síria como “repugnante”, e disse que a comunidade global deveria estar envergonhada com o fato de isso estar acontecendo “debaixo de seus olhos”.

“Não é preciso que eu diga a cada membro do Conselho de Segurança que o impacto de cinco longos anos de conflito na Síria desafia o entendimento, quiçá a descrição”, disse Stephen O’Brien, ao corpo de 15 membros durante sessão mensal para atualização sobre as questões humanitárias.

O’Brien disse que para muitos sírios, a vida está miserável. “Deliberadamente privados de comida e remédios, muitos enfrentam condições desoladoras de fome e miséria. Precisamos nos envergonhar de que isso esteja acontecendo debaixo dos nossos olhos”, lamentou.

Apesar do enorme desafio, as equipes humanitárias da ONU continuaram a entregar ajuda a milhões de pessoas pelo país.De acordo com o chefe da ajuda humanitária, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) atingiu 3,7 milhões de pessoas em março. Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) realizaram uma campanha contra a poliomielite em março e atingiram mais de 2,1 milhões de crianças. Nesta semana, o UNICEF, a OMS e parceiros iniciaram outra campanha e imunização para atingir 2 milhões de crianças em áreas sitiadas ou de difícil acesso.

Fonte: ONU Brasil.