Obligation to Negotiate Access to the Pacific Ocean (Bolivia v. Chile) – Audiências na Corte Internacional de Justiça

 

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INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE

No. 2018/16

28 March 2018

Obligation to Negotiate Access to the Pacific Ocean (Bolivia v. Chile)

Conclusion of the public hearings

The Court to begin its deliberation

THE HAGUE, 28 March 2018. The public hearings in the case concerning the Obligation to Negotiate Access to the Pacific Ocean (Bolivia v. Chile) were concluded today. The Court will now begin its deliberation.

During the hearings, which opened on Monday 19 March 2018 at the Peace Palace, seat of the Court, the delegation of the Plurinational State of Bolivia was led by H.E. Mr. Eduardo Rodríguez Veltzé, former President of Bolivia, former President of the Bolivian Supreme Court of Justice and former Dean of the Law School of the Catholic University of Bolivia in La Paz, as Agent. The delegation of the Republic of Chile was led by H.E. Mr. Claudio Grossman, member of the International Law Commission, R. Geraldson Professor of International Law and Dean Emeritus at American University Washington College of Law, as Agent.

Notably, also present during the hearings were H.E. Mr. Evo Morales, President of Bolivia, and H.E. Mr. Roberto Ampuero, Minister for Foreign Affairs of Chile, as leaders of their respective national authorities.

The Court’s judgment will be delivered at a public sitting, the date of which will be announced in due course.

*

Submissions of the Parties

At the end of the hearings, the Agents of the Parties presented the following submissions to the Court:

For Bolivia:

“In accordance with Article 60 of the Rules of the Court and the reasons set out during the written and oral phase of the pleadings in the case Obligation to Negotiate Access to the Pacific Ocean (Bolivia v. Chile), the Plurinational State of Bolivia respectfully requests the Court to adjudge and declare that:

(a) Chile has the obligation to negotiate with Bolivia in order to reach an agreement granting Bolivia a fully sovereign access to the Pacific Ocean;

(b) Chile has breached the said obligation; and

(c) Chile must perform the said obligation in good faith, promptly, formally, within a reasonable time and effectively, to grant Bolivia a fully sovereign access to the Pacific Ocean.”

For Chile:

“The Republic of Chile respectfully requests the Court to:

Dismiss all of the claims of the Plurinational State of Bolivia.”

___________

Internal Judicial Practice of the Court with respect to deliberations

Deliberations take place in private in accordance with the following procedure.

The Court first holds a preliminary deliberation, during which the President outlines the issues which, in his opinion, require discussion and decision by the Court.

Each judge then prepares a written Note setting out his or her views; these Notes are exchanged among the judges.

A full deliberation is subsequently held, at the end of which a drafting committee is chosen by secret ballot, taking account of the views expressed.

That committee consists in principle of two judges holding the majority view of the Court, together with the President, unless it appears that his views are in the minority.

The committee prepares a preliminary draft text, which is the subject of written amendments. Two further drafts are produced in turn, each of which is subject to a detailed reading.

In the meantime, judges who wish to do so may prepare a declaration, a separate opinion or a dissenting opinion, which are communicated to the other judges.

The final vote is taken after adoption of the final text of the judgment at the second reading.

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Pepe Escobar: “O Brasil no epicentro da Guerra Híbrida” (30/03/2016)

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POR  PEPE ESCOBAR– ON 30/03/2016

Que são, nos manuais norte-americanos, as ações não-convencionais contra “forças hostis” a Washington. A centralidade do Pré-Sal no impeachment. Como os super-ricos cooptam a velha classe média

Por Pepe Escobar | Tradução: Vinícius Gomes Melo e Inês Castilho

Revoluções coloridas nunca são demais. Os Estados Unidos, ou o Excepcionalistão, estão sempre atrás de atualizações de suas estratégias para perpetuar a hegemonia do seu Império do Caos.

A matriz ideológica e o modus operandi das revoluções coloridas já são, a essa altura, de domínio público. Nem tanto, ainda, o conceito de Guerra Não-Convencional (UW, na sigla em inglês).

Esse conceito surgiu em 2010, derivado do Manual para Guerras Não-Convencionais das Forças Especiais. Eis a citação-chave: O objetivo dos esforços dos EUA nesse tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas de potências hostis, desenvolvendo e apoiando forças de resistência para atingir os objetivos estratégicos dos Estados Unidos. […] Num futuro previsível, as forças dos EUA se engajarão predominantemente em operações de guerras irregulares (IW, na sigla em inglês)”.

Potências hostis” são entendidas aqui não apenas no sentido militar; qualquer país que ouse desafiar um fundamento da “ordem” mundial centrada em Washington pode ser rotulado como “hostil” – do Sudão à Argentina.

As ligações perigosas entre as revoluções coloridas e o conceito de Guerra Não-Convencional já desabrocharam, transformando-se em Guerra Híbrida; caso perverso de Flores do Mal. Revolução colorida nada mais é que o primeiro estágio daquilo que se tornará a Guerra Híbrida. E Guerra Híbrida pode ser interpretada essencialmente como a Teoria do Caos armada – um conceito absoluto queridinho dos militares norte-americanos (“a política é a continuidade da guerra por meios linguísticos”). Meu livro Império do Caos, de 2014, trata essencialmente de rastrear uma miríade de suas ramificações.

Essa bem fundamentada tese em três partes esclarece o objetivo central por trás de uma Guerra Híbrida em larga escala: “destruir projetos conectados transnacionais multipolares por meio de conflitos provocados externamente (étnicos, religiosos, políticos etc.) dentro de um país alvo”.Os países do BRICS (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul) – uma sigla/conceito amaldiçoada no eixo Casa Branca-Wall Street – só tinham de ser os primeiros alvos da Guerra Híbrida. Por uma miríade de razões, entre elas: o plano de realizar comércio e negócios em suas próprias moedas, evitando o dólar norte-americano; a criação do banco de desenvolvimento dos BRICS; a declarada intenção de aumentar a integração na Eurásia, simbolizada pela hoje convergente “Rota da Seda”, liderada pela China – Um Cinturão, Uma Estrada (OBOR, na sigla em inglês), na terminologia oficial – e pela União Econômica da Eurásia, liderada pela Rússia (EEU, na sigla em inglês).

Isso implica em que, mais cedo do que tarde, a Guerra Híbrida atingirá a Ásia Central; o Quirguistão é o candidato ideal a primeiro laboratório para as experiências tipo revolução colorida dos Estados Unidos, ou o Excepcionalistão.

No estágio atual, a Guerra Híbrida está muito ativa nas fronteiras ocidentais da Rússia (Ucrânia), mas ainda embrionária em Xinjiang, oeste longínquo da China, que Pequim microgerencia como um falcão. A Guerra Híbrida também já está sendo aplicada para evitar o estratagema da construção de um oleoduto crucial, a construção do Ramo da Turquia. E será também totalmente aplicada para interromper a Rota da Seda nos Bálcãs – vital para a integração comercial da China com a Europa Oriental.

Uma vez que os BRICS são a única e verdadeira força em contraposição ao Excepcionalistão, foi necessário desenvolver uma estratégia para cada um de seus principais personagens. O jogo foi pesado contra a Rússiade sanções à completa demonização, passando por um ataque frontal a sua moeda, uma guerra de preços do petróleo e até mesmo uma (patética) tentativa de iniciar uma revolução colorida nas ruas de Moscou. Para um membro mais fraco dos BRICS foi preciso utilizar uma estratégia mais sutil, o que nos leva à complexidade da Guerra Híbrida aplicada à atual, maciça desestabilização política e econômica do Brasil.

No manual da Guerra Híbrida, a percepção da influência de uma vasta “classe média não-engajada” é essencial para chegar ao sucesso, de forma que esses não-engajados tornem-se, mais cedo ou mais tarde, contrários a seus líderes políticos. O processo inclui tudo, de “apoio à insurgência” (como na Síria) a “ampliação do descontentamento por meio de propaganda e esforços políticos e psicológicos para desacreditar o governo” (como no Brasil). E conforme cresce a insurreição, cresce também a “intensificação da propaganda; e a preparação psicológica da população para a rebelião.” Esse, em resumo, tem sido o caso brasileiro.

Precisamos do nosso próprio Saddam

Um dos maiores objetivos estratégicos do Excepcionalistão é em geral um mix de revolução colorida e Guerra Híbrida. Mas a sociedade brasileira e sua vibrante democracia eram muito sofisticadas para métodos tipo hard, tais como sanções ou a “responsabilidade de proteger” (R2P, na sigla em inglês).

Não por acaso, São Paulo tornou-se o epicentro da Guerra Híbrida contra o Brasil. Capital do estado mais rico do Brasil e também capital econômico-financeira da América Latina, São Paulo é o nódulo central de uma estrutura de poder interconectada nacional e internacionalmente.

O sistema financeiro global centrado em Wall Street – que domina virtualmente o Ocidente inteiro – não podia simplesmente aceitar a soberania nacional, em sua completa expressão, de um ator regional da importância do Brasil.

A “Primavera Brasileira” foi virtualmente invisível, no início, um fenômeno exclusivo das mídias sociais – tal qual a Síria, no começo de 2011.

Foi quando, em junho de 2013, Edward Snowden revelou as famosas práticas de espionagem da NSA. No Brasil, a questão era espionar a Petrobras. E então, num passe de mágica, um juiz regional de primeira instância, Sérgio Moro, com base numa única fonte – um doleiro, operador de câmbio no mercado negro – teve acesso a um grande volume de documentos sobre a Petrobras. Até o momento, a investigação de dois anos da Lava Jato não revelou como eles conseguiram saber tanto sobre o que chamaram de “célula criminosa” que agia dentro da Petrobras.

O importante é que o modus operandi da revolução colorida – a luta contra a corrupção e “em defesa da democracia” – já estava sendo colocada em prática. Aquele era o primeiro passo da Guerra Híbrida.

Como cunhado pelos Excepcionalistas, há “bons” e “maus” terroristas causando estragos em toda a “Siraq”; no Brasil há uma explosão das figuras do corrupto “bom” e do corrupto “ruim”.

O Wikileaks revelou também como os Excepcionalistas duvidaram da capacidade do Brasil de projetar um submarino nuclear – uma questão de segurança nacional. Como a construtora Odebrecht tornava-se global. Como a Petrobras desenvolveu, por conta própria, a tecnologia para explorar depósitos do pré sal – a maior descoberta de petróleo deste jovem século 21, da qual as Grandes Petrolíferas dos EUA foram excluídas por ninguém menos que Lula.

Então, como resultado das revelações de Snowden, a administração Roussef exigiu que todas as agências do governo usassem empresas estatais em seus serviços de tecnologia. Isso poderia significar que as companhias norte-americanas perderiam até US$ 35 bilhões de receita em dois anos, ao ser excluídos de negociar na 7ª maior economia do mundo – como descobriu o grupo de pesquisa Fundação para a Informação, Tecnologia & Inovação (Information Technology & Innovation Foundation).

O futuro acontece agora

A marcha em direção à Guerra Híbrida no Brasil teve pouco a ver com as tendências políticas de direita ou esquerda. Foi basicamente sobre a mobilização de algumas famílias ultra ricas que governam de fato o país; da compra de grandes parcelas do Congresso; do controle dos meios de comunicação; do comportamento de donos de escravos do século 19 (a escravidão ainda permeia todas as relações sociais no Brasil); e de legitimar tudo isso por meio de uma robusta, embora espúria tradição intelectual.

Eles dariam o sinal para a mobilização da classe média. O sociólogo Jesse de Souza identificou uma freudiana “gratificação substitutiva”, fenômeno pelo qual a classe média brasileira – grande parte da qual clama agora pela mudança do regime – imita os poucos ultra ricos, embora seja impiedosamente explorada por eles, através de um monte de impostos e altíssimas taxas de juros.

Os 0,0001% ultra ricos e as classes médias precisavam de um Outro para demonizar – no estilo Excepcionalista. E nada poderia ser mais perfeito para o velho complexo da elite judicial-policial-midiática do que a figura de um Saddam Hussein tropical: o ex-presidente Lula.

“Movimentos” de ultra direita financiados pelos nefastos Irmãos Kock pipocaram repentinamente nas redes sociais e nos protestos de rua. O procurador geral de justiça do Brasil visitou o Império do Caos chefiando uma equipe da Lava Jato para distribuir informações sobre a Petrobras que poderiam sustentar acusações do Ministério da Justiça. A Lava Jato e o – imensamente corrupto – Congresso brasileiro, que irá agora deliberar sobre o possível impeachment da presidente Roussef, revelaram-se uma coisa só.

Àquela altura, os roteiristas estavar seguros de que a infra-estrutura social para a mudança de regime já havia produzido uma massa crítica anti-governo, permitindo assim o pleno florescimento da revolução colorida. O caminho para um golpe soft estava pavimentado – sem ter sequer de recorrer ao mortal terrorismo urbano (como na Ucrânia). O problema era que, se o golpe soft falhasse – como parece ser pelo menos possível, agora – seria muito difícil desencadear um golpe duro, estilo Pinochet, através da UW, contra a administração sitiada de Roussef; ou seja, executando finalmente a Guerra Híbrida Total.

No nível socioeconômico, a Lava Jato seria um “sucesso” total somente se fosse espelhada por um abrandamento das leis brasileiras que regulam a exploração do petróleo, abrindo-a para as Grandes Petrolíferas dos EUA. Paralelamente, todos os investimentos em programas sociais teriam de ser esmagados.

Ao contrário, o que está acontecendo agora é a mobilização progressiva da sociedade civil brasileira contra o cenário de golpe branco/golpe soft/mudança de regime. Atores cruciais da sociedade brasileira estão se posicionando firmemente contra o impeachment da presidente Rousseff, da igreja católica aos evangélicos; professores universitários do primeiro escalão; ao menos 15 governadores estaduais; massas de trabalhadores sindicalizados e trabalhadores da “economia informal”; artistas; intelectuais de destaque; juristas; a grande maioria dos advogados; e por último, mas não menos importante, o “Brasil profundo” que elegeu Rousseff legalmente, com 54,5 milhões de votos.

A disputa não chegará ao fim até que se ouça o canto de algum homem gordo do Supremo Tribunal Federal. Certo é que os acadêmicos brasileiros independentes já estão lançando as bases para pesquisar a Lava Jato não como uma operação anti-corrupção simples e maciça; mas como estudo de caso final da estratégia geopolítica dos Exceptionalistas, aplicada a um ambiente globalizado sofisticado, dominado por tecnologia da informação e redes sociais. Todo o mundo em desenvolvimento deveria ficar inteiramente alerta – e aprender as relevantes lições, já que o Brasil está fadado a ser visto como último caso da Soft Guerra Híbrida

O golpe como elemento da Guerra Híbrida

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Por José Álvaro de Lima Cardoso, no site Outras Palavras:

quarta-feira, 28 de março de 2018
Circula um vídeo na internet que reforça o que já se sabia há alguns anos: estruturas do governo dos Estados Unidos auxiliaram os responsáveis pela Lava Jato no fornecimento de informações que comprometeram políticos, funcionários públicos, e executivos de grandes empresas brasileiras. A troca de informações que possibilitou a montagem dos inquéritos foi realizada informalmente, sem a autorização do Ministério da Justiça, como prevê a Lei. Essas informações sobre a parceria entre os procuradores e os órgãos de justiça e informações dos EUA foram reveladas, no vídeo mencionado, por Kenneth Blanco, em julho de 2017, na ocasião vice procurador geral adjunto do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ). O vice procurador ao fazer o comentário, exaltava as supostas vantagens do esquema, por processar os casos de maneira mais rápida e “efetiva”.Esse tipo de relação pode ser considerado por alguns procuradores um método muito eficiente e ágil. Mas, ao que se sabe, é absolutamente ilegal. Cooperação internacional neste nível, entre procuradores brasileiros com Departamento de Justiça, polícia federal, e outros organismos de país estrangeiro, baseados apenas na “confiança”, sem seguir os procedimentos previstos pela legislação, obviamente é uma flagrante ilegalidade, para a qual as estruturas do golpe procuram dar uma aparência de naturalidade.

Como vem denunciando, pelo menos desde 2016, o jornalista brasileiro Pepe Escobar (especialista em análise geopolítica), o Brasil foi vítima da chamada Guerra Híbrida, guerra Não-Convencional, que se vale de instrumentos linguísticos e simbólicos, com metodologia altamente sofisticada. Esse tipo de método utiliza “aliados internos” para perpetração do golpe, no Judiciário, entre as empresas, no Parlamento e outras estruturas do Estado. Essa metodologia de guerra, desenvolvida principalmente pelos EUA, tem como objetivo central garantir os interesses do império e destruir projetos que, de uma forma ou outra, não se coadunem com os seus interesses. Segundo Escobar, os países que compõem o BRICS (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul) foram os primeiros alvos da Guerra Híbrida, por uma série de razões, principalmente de caráter geopolítico.

A Guerra Híbrida visa assegurar a perpetuação da hegemonia econômica, política e militar dos EUA. Esse tipo de guerra surgiu em 2010, a partir do Manual para Guerras Não-Convencionais das Forças Especiais do Exército dos EUA. Diz o manual: “O objetivo dos esforços dos EUA nesse tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas de potências hostis, desenvolvendo e apoiando forças de resistência para atingir os objetivos estratégicos dos Estados Unidos. […]. Num futuro previsível, as forças dos EUA se engajarão predominantemente em operações de guerras irregulares (IW, na sigla em inglês) ” (no artigo “O Brasil no epicentro da Guerra Híbrida, Escobar, Outras Palavras, 2016”).

O golpe no Brasil foi por petróleo, claro, porque esta é uma obsessão e uma necessidade dos EUA (e o pré-sal contém recursos que podem alcançar R$ 30 trilhões). Mas também por água, por estatais rentáveis e estratégicas, pela riqueza da Amazônia, pela aproximação do Brasil de Rússia e China, pela fundação do Banco de Desenvolvimento do BRICS, e assim por diante. Um dos elementos decisivos do envolvimento dos EUA no golpe foi a política definida nos BRICS, de substituição gradativa do dólar como moeda de referência nas transações internacionais. A hegemonia mundial dos EUA, que se encontra estremecida, está diretamente relacionada, em boa parte, ao fato de poder emitir dólar à vontade e esta ser a moeda utilizada no grosso do comércio internacional.Outra explicação crucial do envolvimento dos EUA no golpe, como apontou o historiador Moniz Bandeira, é a tentativa de impedir que se crie outra potência no continente americano. Uma potência na América do Sul e ligada comercial e militarmente à China e à Rússia é tudo o que os Estados Unidos não querem. Não por acaso, dentre as dezenas de ações destrutivas dos golpistas, uma das primeiras foi prender o Almirante Othon da Silva, coordenador do projeto nuclear do Brasil, e alvejar o projeto de construção do submarino a propulsão nuclear, fundamental para a guarda e segurança da chamada Amazônia Azul.

Em 2013 o jornalista norte-americano Glenn Greenwald já havia denunciado que o Brasil era o grande alvo das ações de espionagem dos Estados Unidos. Segundo o jornalista, o governo estadunidense espionou inclusive mensagens de e-mails da presidenta Dilma Rousseff e de seus assessores mais próximos, além da Petrobrás. O objetivo da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), segundo Greenwald, era buscar detalhes da comunicação da presidenta com sua equipe. Segundo o jornalista, naquela ocasião, o Brasil era o principal alvo dos Estados Unidos.

O que está em jogo no golpe é muito mais que petróleo. Os Estados Unidos não têm interesse em um desenvolvimento autônomo e soberano do Brasil, pelo potencial que tem o país de rivalizar com os interesses estratégicos dos EUA na Região. Processos como Unasul e CELAC confrontavam os EUA no hemisfério, e novas instituições, como o Banco do BRICS e o Acordo Contingente de Reservas do BRICS ajudavam a construir alternativas contra hegemônicas ao Banco Mundial e o FMI, instituições sobre as quais os EUA têm um controle quase absoluto.

A ONU prevê que, no ritmo atual, as reservas hídricas do globo reduzirão 40% até 2030, o que poderá provocar uma “guerra pela água” no mundo. Os EUA e a Europa enfrentam grave problema de falta de água, a maioria dos rios dos EUA e do Velho Continente estão contaminados. É neste contexto que tem também que ser entendido o golpe de Estado no Brasil. Tudo indica que um dos interesses do golpe é se apropriar do Aquífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do mundo. O Aquífero que está localizado na parte sul da América do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) coloca a Região como detentora de 47% das reservas superficiais e subterrâneas de água do mundo. Os EUA sabem que não há nação que consiga manter-se dominante sem água potável em abundância, por isso seu interesse em intensificar o domínio político e militar na região, além do acesso à água existente em abundância no Canadá, garantida por acordos como o do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte, entre EUA, Canadá e México).

A partir de 2013, quando o golpe intensificou suas articulações para a perpetração do golpe no Brasil, o tabuleiro conjuntural se tornou bastante mais complexo e perigoso. Mas é certo que se quisermos, em algum momento, recuperar a democracia e a condição do Brasil de país soberano, teremos que procurar entender detalhadamente o quadro conjuntural, agir com destemor, e ter muita paciência histórica.

UNCTAD’s Investment Policy Monitor (November 2017 – February 2018)

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Twenty two countries took 32 investment policy measures in the review period (November 2017 – February 2018). The share of investment restrictions and regulations increased to 29 percent. Compared to the annual figures in recent years, this records the highest ratio since 2010.

Newly adopted restrictive investment policies include a tightening of investment screening procedures, measures to protect national security and the disapproval of some foreign takeovers. Other restrictions relate to local content requirements and preferences for local suppliers in public procurement procedures.

At the same time, some countries improved entry conditions for foreign investment. Among the most noteworthy measures are liberalization steps in a couple of industries, the simplification of administrative procedures and new privatization. The reporting period also saw a significant corporate tax reform in one country.

Regarding international investment treaties, the Monitor finds that two bilateral investment treaties and six treaties with investment provisions were signed, bringing the total number of international investment agreements (IIAs) to over 3320.

In line with UNCTAD’s Roadmap for IIA Reform, all new IIAs contain several reform features, giving particular attention to the preservation of the right to regulate by clarifying key protection standards and refining investor-State dispute provisions. Countries are also starting to move towards the second phase of IIA reform, modernizing the existing stock of old-generation treaties.

Several negotiations for mega-regional agreements continue. Depending on how future mega-regional treaties will interact with overlapping pre-existing ones, this can help modernize today’s stock of old-generation treaties.

James X. Zhan
Director, Investment and Enterprise
Lead, World Investment Report

http://worldinvestmentreport.unctad.org

Pepe EscobarFantasma de Gaddafi assombra o morto-vivo Rei Sarkô 

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22/3/2018, Pepe Escobar, Asia Times
A guerra da OTAN contra a Líbia, em 2011 foi vendida unanimemente em todo o Ocidente como operação humanitária inadiável contra o proverbial ditador do mal de sempre (Hillary Clinton: “Viemos, vimos, ele morreu“.). Rússia e China manifestaram-se firmemente contra a invasão.

Agora, em virada histórica surpreendente, o fantasma do Coronel Muammar Gaddafi parece ter voltado para assombrar o ex-presidente Nicolas Sarkozy da França, autonomeado superstarespetacular da tal R2P (“responsabilidade de proteger”). A “bomba Coronel Sarkô” explodiu na 4ª-feira à noite: o ex-presidente havia sido indiciado e estava sob investigação formal por corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha e apropriação fraudulenta de fundos do Estado líbio.

Sarkozy passou toda a 3ª-feira, das 8 da manhã até meia-noite, respondendo perguntas sob custódia policial, de investigadores especialistas em corrupção, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Permitiram que dormisse em casa, mas sob o compromisso de voltar na manhã seguinte, e novamente passou o dia sendo interrogado, até ser solto, depois de pagar fiança, no início da noite.

“Investigação formal”, pela lei francesa, significa que há “indício sério e/ou não desmentido” que sugere que alguém tenha envolvimento em algum tipo de crime. O passo seguinte pode ser o julgamento, mas a investigação também pode não encontrar coisa alguma ou chegar a um beco sem saída.

Sarkozy já foi alvo de nada menos que 10 diferentes investigações até agora – sete das quais estão em andamento.

establishment francês, como se podia adivinhar que aconteceria, está lívido. Uma leva de políticos, a maioria dos quais de centro-direita, voaram em enxame para os programas de ‘análise’ política, para demonstrar apoio ao ex-presidente e enfatizar o direito à “presunção de inocência”. Exatamente o oposto do que fizeram no enredo de espionagem que se desenrola em Salisbury, onde o Kremlin e o presidente Putin já foram condenados e executados, sem qualquer prova de crime algum.

Sarkozy, ridicularizado pelos progressistas, que o apelidaram de “Rei Sarkô” durante o mandato, é suspeito de ter usado dinheiro de Gaddafi para financiar sua campanha presidencial de 2007.

E nesse caso, as provas existem. Dentre outras peças explosivas, há um documento oficial do governo líbio, obtido no curso de uma investigação feita pelo blog francês Mediapart, que prova que Gaddafi entregou nada menos que 50 milhões de euros à campanha de Sarkozy.

É quase o dobro dos 21 milhões de euros que a lei francesa permitia naquela época para gastos de campanhas eleitorais. Os supostos fundos também infringiriam leis contra a participação de estrangeiros, também, como doadores de fundos, em campanhas eleitorais.

O intermediário-chave em toda a operação foi o vendedor franco-argelino de armas, Ziad Takiedinne, o qual, em 2005 e 2007 organizou visitas de Sarkô e sua corte à Líbia. Também participaram do esquema um banco líbio e um banco alemão.

O ex-primeiro-ministro líbio Baghdadi al-Mahmoudi confirmou que o documento é autêntico e tudo que a polícia já encontrou é verdade.

Muito antes disso, já havia confirmação, por Abdullah Senoussi, ex-diretor de inteligência militar de Gaddafi, e em notebooks pertencentes ao ex-ministro do petróleo da Líbia Choukri Ghanem, misteriosamente afogado em Viena, em abril de 2012.

Em novembro de 2016, o próprio Takiedinne – o homem que apresentou Sarkô a Gaddafi – admitiu ter entregue pessoalmente no Ministério do Interior francês várias malas cheias de dinheiro preparadas em Trípoli, totalizando 5 milhões de euros. Disse que recebera o dinheiro, de Sanoussi.

Investigadores, que já estavam de posse de novas provas há várias semanas, também estão convencidos que conseguiram esclarecer também o papel de outro intermediário, Alexandre Djouhri, que vivia na Suíça e tinha contado com o ex-secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Gueant. Gueant também está sob investigação formal, acusado de fraude fiscal.

Todos na França ainda recordam o Rei Sarkô fazendo pose de Libertador da Líbia – disputando furiosamente o centro da foto com o desavergonhadamente autoproclamado ‘filósofo’ fake Bernard-Henri Levy, codinome “BHL”.

Em setembro de 2011, comentei, para Asia Times – ver, por exemplo, aqui e aqui – as incontáveis razões pelas quais Gaddafi teria de ser derrubado, a maior parte das quais relacionadas a interesses geoeconômicos da França e aos sonhos de glória transmediterrânea do Rei Sarkô (“Estamos alinhados com o povo árabe, em sua ânsia de liberdade”).

Como agora se vê, é possível que o coronel, sim, é que tenha operado como fazedor do (falso) Rei.*****

Área de anexos

Visualizar o vídeo Hillary Clinton on Gaddafi: We came, we saw, he died do YouTube

Hillary Clinton on Gaddafi: We came, we saw, he died

 

Meet Neocon John Bolton, the Most Hawkish National Security Adviser Imaginable

 

Trump’s new national security adviser John Bolton, an architect of the Iraq War, is an extreme hawk who wants to bomb Iran and North Korea and demanded regime change in Libya, Syria, and Venezuela – Ben Norton reports.

One of the most cartoonishly hawkish political operatives in the United States is now the top national security official, and has the ear of the president.Donald Trump announced on March 22 that he had appointed hardline neoconservative John Bolton as his national security adviser.Bolton is a textbook example of an ultra-hawkish neocon. He has staunchly supported every single recent U.S. war, and played a significant role in some of the most catastrophic and criminal military conflicts of the 21st century.Bolton has proposed bombing Iran and North Korea, and called for harsh sanctions and regime change in Syria and Venezuela.Even hyper-conservative Fox News, where Bolton is a longtime contributor, has highlighted his extreme bellicosity. In the Fox News broadcast on the night Bolton’s promotion was announced, a guest noted:JONATHAN SWAN: John Bolton is as interventionist and hawkish as they come. And this is about personal chemistry with the president of the United States.BEN NORTON: Under former President George W. Bush, John Bolton served as the U.S. ambassador to the United Nations and as an undersecretary of state.As a top official in the Bush administration, Bolton was one of the architects of the illegal 2003 invasion of Iraq.Even Fox News’ extremely right-wing host Geraldo Rivera has worryingly pointed out that Bolton is totally unapologetic for the Iraq War, which led to at least 1 million deaths.GERALDO RIVERA: Bolton is a hardliner. We know him very well, we know the ambassador very well. He was one of the cheerleaders for the Iraq invasion in 2003, which ended disastrously. Unlike me, who feels very guilty about my support of that invasion back in those days.STEVE DOOCY: At that time, it made sense.GERALDO RIVERA: Well, we like to think so. The ambassador, though, unapologetic about it. He still believes it was a good idea. I think it disrupted the entire Mid-East, and we’re still paying the piper for that.BEN NORTON: Bolton has repeatedly refused to even acknowledge that past U.S. regime change operations were undeniably disastrous and unleashed chaos and mass destruction.TUCKER CARLSON: You’ve called for regime change in Iraq, Libya, Iran, and Syria. In the first two countries we’ve had regime change, and obviously it’s been, I’d say a disaster. I think we’d agree on that.JOHN BOLTON: No, no, I don’t agree with that.TUCKER CARLSON: You don’t think it’s been a disaster?JOHN BOLTON: No.BEN NORTON: In fact, John Bolton’s main complaint has not been that the past U.S. wars he supported in Iraq, Libya, Syria, and beyond have destroyed the lives of millions of people, destabilized the Middle East, and given birth to murderous extremist groups like ISIS and al-Qaeda.Instead, Bolton’s main complaint has been that the U.S. is not waging enough wars and overthrowing enough foreign governments.The new U.S. national security adviser has spent years lobbying for wars on Iran and North Korea.In 2015, Bolton published an article in The New York Times in which he declared that the U.S. or Israel should bomb Iran’s nuclear facilities. He added that Washington should then help Iranian opposition groups carry out regime change in Tehran.A Fox News correspondent pointed out that Bolton has proposed a first strike attack on North Korea, which could precipitate an apocalyptic nuclear war.Under George W. Bush, John Bolton falsely claimed that Iraqi leader Saddam Hussein had weapons of destruction that threatened the safety of the West. Today, Bolton continues saying the same thing about Iran.In early March, just two weeks before he became the top U.S. national security official, Bolton used this WMD tactic to try to dubiously tie together Iran and North Korea.JOHN BOLTON: What we have to worry about, I think, most importantly, is the threat of North Korea’s nuclear weapons program, which is more advanced than Iran’s.But it all ties together in the Middle East. You may have seen reports recently of a UN inspector’s study of North Korea selling chemical weapons, precursor chemicals and equipment to manufacture chemical weapons, to Syria, likely financed by Iran.So, there is a palpable threat of weapons of mass destruction, something President Trump acted against earlier in his term, that the North Koreans have brought into the Middle East, with Iran’s participation.BEN NORTON: What is Bolton’s solution to this new supposed “WMD” threat? Once again, war.A Fox News correspondent pointed out that Bolton has proposed a first strike attack on North Korea, which could precipitate an apocalyptic nuclear war.JENNIFER GRIFFIN: There’s no greater hardliner on North Korea than John Bolton. We’ve known Ambassador Bolton for a long time. If you look at the Wall Street Journal, he wrote an op-ed recently called “The legal case for striking North Korea first.” So he has put out there a potential for a preemptive strike against North Korea. I’ve heard him say on many occasions that he does not think that talking to North Korea will work.BEN NORTON: In 2011, Bolton even revealed that had he wanted the U.S. to invade and overthrow Syria’s government immediately after it had destroyed Iraq’s.NEIL CAVUTO: To what end? How far do we go? What is our litmus test?JOHN BOLTON: Well, I think our litmus test is when there are significant American interests involved. And I do think that it would be in our interest to overthrow this regime in Syria. The best time to have done it would be right after we overthrew Saddam Hussein, when we had hundreds of thousands of American troops in Iraq.NEIL CAVUTO: Yes, but where do we draw the line, ambassador?BEN NORTON: John Bolton also frequently resorts to fearmongering about China and Russia. At the 2018 Conservative Political Action Conference, Bolton declared that China is the greatest threat to the U.S. in this century.JOHN BOLTON: I think the issue for the United States in the 21st century is how to deal with rising China. And on the military side, I think it’s important as we look at this question that we send China a single short clear message: You will never prevail over the United States.BEN NORTON: The new U.S. national security adviser referred to China’s alleged support for North Korea’s nuclear program as an “existential threat,” and said the solution must be creating a system that is comparable to Ronald Reagan’s infamous Star Wars program, which was proposed at the height of the Cold War.JOHN BOLTON: This is the kind of existential threat that gives new meaning to the word existential. It’s one reason why the president needs a, not just a kind of missile defense system for the United States the Bush administration contemplated, to deal with the rogue states like Iran and North Korea; we need the kind of missile defense system that Ronald Reagan proposed initially in the Strategic Defense Position, and we need it right now.BEN NORTON: To counter the growing influence of China and Russia, Bolton called for more and more U.S. military spending — above and beyond the already staggering $700 billion annual Pentagon budget, which is larger than the next eight biggest countries’ combined.JOHN BOLTON: We also need a massive military buildup. We need to increase the number of ships in the Navy, upwards of 350; we need massive new capabilities in the air, and for our land forces. The president has taken an important step with his military budget, but a lot more work needs to be done.BEN NORTON: John Bolton never has enough: not enough wars, not enough regime change operations, and not enough military spending.To Bolton, sanctions are never enough either. Whenever the U.S. imposes sanctions on a country, his response has consistently been that the sanctions must be harsher.ELIZABETH MACDONALD: Will sanctions be enough to stop Iran from sponsoring terrorism and ICBM production?BOLTON: Well, these sanctions will not do it. Like many sanctions from the Obama era, the sanctions in the congressional legislation, and it applies with those dealing with Russia and North Korea as well, are of the kind of targeted sanctions that are intended to be aimed at individuals or companies or government entities. …So, I think to be effective sanctions need to be much more sweeping. This is a step in the right direction. It certainly sends a political signal. I don’t think unfortunately it will affect Iran’s behavior.BEN NORTON: When the United States put sanctions on Venezuela, Bolton again insisted they needed to be more brutal and more harmful.DAVID ASMAN: Will sanctions alone work to curb the totalitarian instincts of this regime?JOHN BOLTON: Well, these sanctions announced today will not. … I think ultimately, they need to be made much more sweeping in their effect.BEN NORTON: Bolton also openly said the U.S. needed to support the right-wing opposition to help it overthrow Venezuela’s democratically elected socialist government.JOHN BOLTON: I think the United States should find ways to go to the opposition in Venezuela, offer our assistance, covertly or overtly. They may not want it. They may want some but not others.I think our objective should be the overturning of this regime, and has no democratic legitimacy. And the opposition, believe me, very disorganized, needs all the help it can get.BEN NORTON: The new U.S. national security adviser made it very clear what he was calling for: regime change, to topple Venezuela’s elected leader.JOHN BOLTON: This is regime change. It’s the other thing a lot of people don’t like. What we need to do is help the opposition, if they’re willing to accept the help, to try and get this regime overturned.BEN NORTON: The solution John Bolton provides for every single problem is more aggression, more force, and more violence.Not only has the new top U.S. national security official defended past military conflicts and called for new ones, Bolton has also said he wants to intensify the debunked so-called War on Drugs — and not just inside the United States, but throughout Latin America.ELIZABETH MACDONALD: The gang member said it’s easy to get into the U.S. This is a gang member of MS13.BOLTON: Right, and I think that’s something that we don’t emphasize about the porous southern border. It’s not simply an immigration question, an illegal immigration question; it’s a question of drug trafficking coming all throughout the western hemisphere, through Mexico…And the possibility that terrorists, including nuclear, chemical, or biological weapons terrorists, could use the same mechanisms as the traffickers to bring their weapons into the United States, too. So there’s a real, to my mind, a real law enforcement and national security issue here, quite apart from the immigration debate. …Although there’s a lot of talk, really on both sides of the aisle now about more drug legalization, I think it’s a huge mistake. I think if you actually enforce the laws, as we’re seeing in the case of immigration, the danger of abuse drops.And I think this would be something frankly that in Mexico, and throughout Central America in particular, but down into Colombia and Venezuela.BEN NORTON: While in the past Donald Trump may have inconsistently flirted with non-interventionist and isolationist rhetoric, the far-right U.S. president’s appointment of arch-neoconservative John Bolton — a man who has never seen a war he didn’t like — as national security adviser is a sure sign that more sanctions, regime change operations, and wars are on their way.

Fonte The Real News Network

Trump brinca com a pólvora chinesa  

domingo, 25 de março de 2018

Por Wang Haiqing, colunista da agência de notícias Xinhua, no site Jornalistas Livres:

Em consonância com o apreço cada vez maior dos Estados Unidos pelo unilateralismo, o presidente Donald Trump anunciou seu remédio para as questões comerciais entre China e EUA: um plano para impor até US$ 60 bilhões em tarifas sobre importações de produtos vindos da China e colocar restrições aos investimentos chineses.

As duras medidas de Trump derivam de uma investigação da Secretaria de Comércio dos Estados Unidos, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, uma ferramenta comercial frequentemente usada por Washington antes do advento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A lei, que permite ao presidente dos EUA impor unilateralmente barreiras tarifárias, caiu em grande parte em desuso após a fundação da OMC em 1995.

Os EUA tentarem dar lustro a uma lei ultrapassada para a usarem contra um grande parceiro comercial reflete o desrespeito de Washington às regras da OMC, a espinha dorsal do atual sistema global de comércio, e para a qual os Estados Unidos tiveram um papel fundamental na criação.

Isso intensificou a impressão de que os Estados Unidos, na condição de potência hegemônica e de importante criador de regras no sistema global, estão sempre prontos para quebrar as regras que esperam que outros sigam na busca por seus próprios interesses egoístas.

Têm havido muitos exemplos da crescente tendência dos Estados Unidos ao unilateralismo desde que Trump assumiu a presidência.

Os Estados Unidos viraram as costas ao histórico acordo climático de Paris, ameaçaram abandonar o acordo nuclear com o Irã, retirar-se da Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Cultura e a Ciência, reduzir maciçamente seu financiamento às Nações Unidas e coagir seus parceiros comerciais a renegociações de pactos como o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), apenas para citar alguns casos.

Ao recorrer ao unilateralismo, Washington renuncia a sua responsabilidade na manutenção do funcionamento de um sistema de comércio global baseado em regras e, ao mesmo tempo, aniquila a perspectiva de um mundo pacífico e mais próspero.

As pesadas tarifas planejadas pelos Estados Unidos sobre as importações chinesas causaram ondas de choque nos mercados de ações pelo mundo e aumentaram o medo generalizado de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.

Dado o volume de comércio entre EUA e China e o fato de que as economias estão mais interconectadas do que nunca, uma guerra comercial no Pacífico causará transtornos em todo o mundo, o que levaria os países a adotar ações comerciais unilaterais em vez de levarem suas disputas à OMC, abalando assim a própria base do sistema global de comércio.

Muito está em jogo caso os Estados Unidos prossigam com sua abordagem truculenta contra a China em relação ao comércio.

Pequim entende essas conquistas vitais e em nenhum momento busca uma guerra comercial com Washington. No entanto, se a administração Trump finalmente decidir lançar uma guerra comercial total contra a China, o país asiático será forçado a revidar.

O presidente Trump certa vez twittou que “as guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar”. Bem, ele talvez queira mudar de ideia quando um conflito de verdade estiver em andamento.

* Link para o texto original:
http://www.xinhuanet.com/english/2018-03/23/c_137060383.htm