Jornalista do Azerbaijão desafia restrições à liberdade de imprensa e ganha prêmio da UNESCO

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Publicado originalmente em: 22/04/2016

Em reconhecimento à sua excepcional contribuição para a liberdade de imprensa em circunstâncias difíceis, um júri internacional de profissionais de mídia indicou a jornalista azeri Khadija Ismayilova para receber o Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) – Guilherme Cano 2016.

Ismayilova trabalha como repórter investigativa freelancer e colabora com o serviço azerbaijano da Rádio Free Europe. A jornalista foi detida em dezembro de 2014 e, em setembro de 2015, recebeu uma pena de sete anos e meio de prisão por acusações relacionadas a abuso de poder e evasão fiscal.

“Khadija Ismayilova merece muito o prêmio e estou feliz em ver que a sua coragem e profissionalismo foram reconhecidos”, afirmou a presidente do júri da premiação, Ljiljana Zurovac. O Prêmio será entregue durante cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio.

Criado pelo Conselho Executivo da UNESCO em 1997, o Prêmio homenageia uma pessoa, organização ou instituição que tenha realizado contribuições excepcionais para a defesa e/ou promoção da liberdade de imprensa em qualquer lugar do mundo, especialmente em situações de perigo.

O Prêmio é de 25 mil dólares e recebe o nome de Guilhermo Cano Isaza em referência ao jornalista colombiano que foi assassinado em frente ao jornal onde trabalhava – El Espectador – em Bogotá, no dia 17 de dezembro de 1986. A premiação foi originalmente criada pela Fundação Cano, da Colômbia, e pela Fundação Helsingin Sanomat, da Finlândia.

Fonte: ONU Brasil

Foto: UNESCO

Brasil: Império do Caos ataca novamente

Publicado originalmente em: 26/04/2016

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Pouco depois de a moção pró-impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff ser aprovada no Congresso do Brasil, por deputados que resolvi chamar de hienas da Guerra Híbrida, o presidente-coroado Michel “Até tu, Brutus?!” Temer, um dos articuladores do golpe, mandou um de seus senadores a Washington como garoto-de-recados especial, para dar notícias sobre o golpe em andamento. O senador em questão não cumpria missão oficial da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil.

Michel “Até tu, Brutus?!” Temer assustou-se com a reação da mídia global, a qual está vendo cada dia mais vê claramente que o golpe que ele está fazendo é o que é (golpe) – aliado de Brutus-2, presidente notoriamente corrupto da Câmara de Deputados do Brasil, Eduardo Cunha.

A missão do tal senador era lançar uma ofensiva de Propaganda/Relações Públicas para desconstruir a narrativa que insiste que golpe é golpe, e a qual, segundo Brutus-1 estaria “desmoralizando instituições brasileiras”.

Nonsense. O senador office-boy foi mandado dizer ao Departamento de Estado dos EUA que tudo por aqui está andando conforme a encomenda.

Em Washington, o senador office-boy resmungou que “explicaremos que o Brasil não é uma república de bananas”. Ora… Não era. Mas graças às hienas da Guerra Híbrida, é.

Quando se tem um homem que administra 11 contas bancárias ilegais na Suíça; cujo nome aparece listado nos Panama Papers, que já está sendo investigado pela Suprema Corte… e que, mesmo assim, continua a comandar o destino político de toda a nação, sim, sim, aí está uma república de bananas.

Quando você tem um juiz de paróquia, provinciano, que ameaça pôr na prisão o ex-presidente Lula, por ser proprietário de um apartamento modesto onde vive e por visitar um sítio modesto de amigos, mas, ao mesmo tempo, não cuida de investigar o Brutus-2, e juiz provinciano que opera irmanado àqueles pomposos juízes da pomposa Corte Suprema paroquial provinciana… sim, aí está uma república de bananas.

Comparem agora a reação-zero de Washington, e a reação de Moscou. O Ministério de Relações Exteriores da Rússia, mediante a irrepreensível porta-voz Maria Zakharova, chamou a atenção do mundo para a parceira crucial que liga todos os países BRICS, e as posições comuns que Brasil e Rússia têm defendido juntos dentro do G20. E Moscou deixou claro que os problemas do Brasil têm de ser resolvidos “no quadro constitucional legal e sem qualquer interferência externa”.

Todo mundo sabe o que significa “interferência externa”.

Dominação de Pleno Espectro Rearmada

Estou acompanhando o golpe em andamento no Brasil, com especial atenção à Guerra Híbrida movida/apoiada pelos EUA para destruir “o projeto neodesenvolvimentista para a América Latina – que unia pelo menos parte das elites locais, investia no desenvolvimento de mercados internos, em associação com as classes trabalhadoras”. O objetivo chave da Guerra Híbrida no caso do golpe no Brasil é instalar uma restauração neoliberal.

Obviamente, o alvo chave tinha de ser o Brasil, estado membro dos BRICS e sétima maior economia do mundo.

Falcões imperiais [ver também “Preocupações com a ‘Bala de Prata’ nem tão eficaz”, in Rússia e China, 2016: Como planejam  enfrentar a guerra econômica dos EUA], já estão indo diretamente ao ponto, quando listam as armas e objetivos da Guerra Híbrida, que o Pentágono definiu em 2002 como “Doutrina da Dominação de Pleno Espectro”: “O poder dos EUA vem de nossa superior força militar, sim. Qualquer coisa que expanda o alcance dos mercados dos EUA – como a Parceria Trans-Pacífico no comércio, por exemplo – acrescenta-se ao arsenal do poder dos EUA. Mas em sentido mais profundo, o poder dos EUA é produto da dominação da economia dos EUA sobre o mundo”.

Mas fato é que a economia norte-americana já está longe de dominar o mundo. O que hoje realmente preocupa são as forças que orientam “os negócios para longe dos EUA, ou permitem que outras nações construam arquitetura financeira rival e menos vulnerável a sanções, mesmo que a uma montanha delas”.

“Arquitetura financeira rival” é perfeita tradução de “BRICS”. E nem “uma montanha de sanções” bastaram para fazer o Irã curvar-se e pedir penico ao Tio Sam; Teerã continuará a praticar uma “economia de resistência”. Não por acaso, dois dos países BRICS – Rússia e China – além do Irã, aparecem entre as cinco principais ameaças existenciais listadas pelo Pentágono, além das bombas atômicas da Coreia do Norte e, em último lugar na lista, “terrorismo“.

Guerra Fria 2.0 é essencialmente Rússia e China – mas o Brasil também é ator chave. Edward Snowden revelou como a espionagem contra o Brasil, pela Agência de Segurança Nacional centrava-se na Petrobrás, cuja tecnologia proprietária foi responsável pela maior descoberta de petróleo, ao nascer do século 21: os depósitos do pré-sal em águas do Brasil. O Big Oil norte-americano está excluído da exploração dessa riqueza.

E “Big EUA Oil excluído é anátema – e exige mobilização imediata das técnicas e táticas de Guerra Híbrida reunidas na [doutrina] de Dominação de Pleno Espectro.

As elites comprador brasileiras correram a se oferecer para jogar o jogo. Já há mais de dois anos analistas de JP Morgan oferecem seminários aos guerrilheiros da macroeconomia neoliberal, ensinando táticas e golpes para desestabilizar o governo Rousseff.

Lobbies da indústria, comércio, banking e agronegócio ostensivamente se puseram na defesa do impeachment, que representaria, na avaliação deles, o fim do experimento social-democrata dos governos Lula-Dilma.

Assim sendo, não surpreende que o presidente herdeiro coroado Michel “Até tu, Brutus?!” Temer tenha acordo tão amplo com o Big Capital – incluindo juros ilimitados sobre a dívida pública (muito acima da norma internacional); a relação entre dívida e PIB, que terá de subir; mais empréstimos caros; e o corolário, cortes na atenção pública à saúde e à educação dos brasileiros.

No que tenha a ver com Washington, não há dúvidas e é questão fechada para os Democratas e Republicanos: absolutamente não se admite que haja poder regional autônomo no Atlântico Sul abençoado por riqueza ecológica única do mundo (pensem na Floresta Amazônica, toda aquela água, que se soma ao aquífero Guarani) e, como se isso fosse pouca coisa, ainda muito intimamente conectado aos BRICS-chave, Rússia e China, que já têm sua própria parceria estratégica.

O fator pré-sal é a cereja nesse bolo tropical. Absolutamente de modo algum, não e não, o Big Oil dos EUA não permitirá que a Petrobrás tenha o monopólio para explorar aquele petróleo todo. E, sendo necessário, afinal de contas, a 4ª Frota dos EUA já está posicionada no Atlântico Sul.

Um BRICS derrubado, ainda faltam dois

A “guerra ao terô [“terror”, no sotaque de Bush] declarada pelo regime Cheney distraiu a atenção do Empire of Chaos por tempo demais. Agora, finalmente, está em andamento uma ofensiva do caos global contra os BRICs – coordenada em todo o planeta.

Do Sudoeste da Ásia ao Sul da Ásia, o sonho da Guerra Híbrida será criar alguma espécie de caos iraquiano para substituir os governos de Arábia Saudita, Irã, Paquistão e Egito – e o Império “Liderar pela Retaguarda” do Caos está fazendo o possível na Síria, onde ainda nada conseguiu, por mais que a “dinastia Assad”, ao longo de décadas, tenha sido aliada “secreta” dos EUA.

Os Masters of the Universe que controlam o cordame que move Obama, eterno office-boy deles, resolveu que seria chegada a hora de apunhalar a Casa de Saud pelas costas – o que não chega a ser, afinal, má ideia – por causa do Irã. O pensamento desejante dominante ‘ensinava’ que seria fácil pôr o gás natural iraniano na Europa, em lugar do gás natural russo, o que derrubaria a economia russa. Absolutamente não funcionou.

Mas ainda há outra possibilidade: o gás natural do Qatar, pelo gasoduto que atravessa Arábia Saudita e Síria, também poderia substituir o gás natural russo vendido à Europa. Esse é hoje o principal objetivo da CIA na Síria – o instrumento não importa: Daech, falso Califato, vale tudo, porque nada disso é coisa alguma além de propaganda.

A CIA também está gostando de ver a Arábia Saudita destruir a economia russa com aquela guerra dos preços do petróleo – e não querem que os sauditas parem; por isso mantêm secretas as tais famosas 28 páginas sobre os sauditas nos eventos de 11/9.

A CIA também andou tentando feito doida atrair Moscou para dentro de uma armadilha síria como no Afeganistão dos anos 1980s; e, como fizeram com o golpe em Kiev, a ponto de ordenar que militares turcos, sempre agentes dos EUA, derrubassem um jato Su-24 russo. “Problema” é que o Kremlin não mordeu a maçã envenenada.

Nos idos anos 1980s, o mix de Casa de Saud inundando mercados com seu petróleo, agindo com toda a gangue do petrodólar do CCG para derrubar o preço até $7 por barril em 1985, plus a operação “O Afeganistão É O Vietnã”, terminou por levar a URSS à bancarrota. Pode-se dizer que toda a ação foi brilhante – na concepção e na execução: uma Guerra Híbrida plus Vietnã. Agora, com a coisa de “liderar pela retaguarda” do Dr. Zbig “Grande Tabuleiro de Xadrez” – mentor de sua política exterior – Obama está tentando repetir o mesmo truque.

Mas epa! Temos um problema. A liderança em Pequim, já preocupada com ajustes no modelo chinês de desenvolvimento, viu claramente os esforços do Império do Caos para Dividir e Governar (e Ocupar) o mundo inteiro. Se a Rússia caísse, a China seria o alvo seguinte.

Ainda praticamente ontem, em 2010, a inteligência dos EUA via a China como sua principal ameaça militar, e pôs-se a andar na direção do Império do Meio, com o tal “pivô para a Ásia”. Mas de repente a CIA deu-se conta de que Moscou gastara um trilhão de dólares para saltar por cima de duas gerações de atraso em matéria de mísseis de defesa e de ataque – para nem falar dos submarinos – as armas de eleição para a 3ª Guerra Mundial.

E foi aí que a Rússia pulou para o trono de principal ameaça. Analisando atentamente o tabuleiro de xadrez, a liderança em Pequim imediatamente acelerou a aliança com Rússia e BRICS como força alternativa – o que gerou terremoto de proporções absolutamente devastadoras em Washington.

Agora, Pequim já fez a reengenharia dos BRICS para operarem como estrutura alternativa séria de poder – com FMI próprio, com sistema SWIFT de compensações internacionais próprio e com seu próprio Banco Mundial.

Nunca subestime a fúria de um Império do Caos enganado. Isso é o que se vê em ação contra os BRICS; Brasil sitiado, desastre na África do Sul, fragilidade na Índia, China e Rússia progressivamente cercadas. Variações de Guerra Híbrida da Ucrânia ao Brasil, pressão crescente na Ásia Central, o barril de pólvora em que foi convertido o “Siriaque”, tudo aponta para uma ofensiva coordenada do Espectro da Plena Dominação para quebrar os BRICS, a parceria estratégica Rússia-China, até quebrar as Novas Rotas da Seda que unem toda a Eurásia.

Guerras do preço do petróleo, colapso do rublo, fluxo gigante de refugiados para a União Europeia (causado pelo Sultão Erdogan “errático”), a Operação Gládio do século 21 remistura tudo, distrai as massas com inimigos imaginários, enquanto simulacros de terroristas do tipo Daesh são manipulados como sofisticadas táticas diversionistas.

Parece tão brilhante, coisa mesmo ‘de mestre’, na concepção e na execução, tão impressionantemente bem narrada, em sentido de ficção televisiva/cinematográfica. Mas que ninguém se engane: vai ter volta.*****

Fonte: Strategic Culture

Guerra Híbrida, de Palmyra ao Panamá

Os Panama Papers, dissecados até o osso, revelaram-se, como já escrevi, essencialmente, como operação de infoguerra iniciada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (ing. US-NSA) – que convenientemente mira contra os “inimigos” do ‘ocidente’ no sul global (como os países BRICS) e variados peões descartáveis.

Publicado originalmente em: 07/04/2016

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No estágio atual, os Panama Papers estão servindo como arma de operação de guerra psicológica (ing. psyops) apresentados como ‘vazamento ativista’, saído diretamente do manual de Guerra Híbrida.

Os incansáveis agentes ‘especialistas’ da mídia-empresa dominante estão tendo muito trabalho para apresentar o ‘vazamento’ monstro como “jornalismo responsável”, sempre sem tocar em nenhuma das graves questões que já apareceram, sobre como o tal ‘vazamento’ teria sido ‘vazado’; como teriam sido seletivamente editados 2,6 terabytes de dados, incluindo 5 milhões de emails; como foram obtidos sem encriptação; como é possível que, de toda essa massa de dados sobre a qual teriam trabalhado mais de 400 jornalistas por mais de um ano, não tenha havido nenhum ‘vazamento’ do ‘vazamento’; e sobre como a informação estaria sendo seletivamente distribuída hoje.

Guardiões do sempre citado “jornalismo responsável” andam divulgando que o material teria vindo de um mosqueteiro digital, um “tocador de corneta para alertar os cidadãos. Não necessariamente. O vazamento já disparou uma guerra de credibilidade entre WikiLeaks e os recentes ‘vazadores’ midiáticos – a ONG de Washington, mantida por fundações norte-americanas, conhecida como ICIJ.

A tese sobre a Agência de Segurança Nacional dos EUA baseia-se no fato de que essa US-NSA é especializada em invadir praticamente qualquer banco de dados e/ou arquivo em qualquer ponto do mundo, para roubar “segredos” e, na sequência, usar os dados assim obtidos para seletivamente destruir/chantagear/proteger quadros seus e/ou “inimigos”, conforme mandem os interesses do governo dos EUA. Acrescente-se a isso o que Ramon Fonseca, sócio fundador de Mossack Fonseca, tem dito: “Já descartamos a possibilidade de trabalho interno. Fomos assaltados e roubados por hackers.”

Resposta a “ameaças estratégicas”

Os Panama Papers funcionam tanto como ataque de precisão quanto como uma “mensagem” para muitos atores: eles que se mantenham em formação, porque, se não, pagarão caro; afinal, o vazamento/hackeamento revela uma rede de conexões entre várias dúzias de empresas, indivíduos e políticos em todo o Sul Global que têm aparecido como superestrelas/astros, ou aspirantes ao posto, das listas negras das sanções impostas pelos EUA.

O foco obsessivo da mídia-empresa dominante – que só tem olhos para os inimigos e/ou “ameaças estratégicas” do ponto de vista do Excepcionalistão – também gera muitas suspeitas. Em “Forças poderosas por trás dos Panama Papers” lê-se o que o sempre alerta governo em Pequim tem a dizer sobre o assunto.

Os Panama Papers também surgem em momento perfeitamente adequado para encaixarem-se numa massiva ofensiva comercial dos norte-americanos. Podem-se ler os tais vazamentos como uma espécie de lembrete do violento poder da ’empresa’ TPP-TTIP: se você não se une ao nosso movimento a favor de um único comércio mundial controlado pelos EUA, jogamos merda sobre você

Claro que é saudável poder dar pelo menos uma olhadela nas imundas entranhas do capitalismo de cassino super-turbinado, também conhecido como “sistema financeiro global”, onde grandes bancos e um exército de tubarões das finanças permitem que empresas ‘secretas’ estacionem ilegalmente o dinheiro que recebem da/para a corrupção.

Paralelamente, também é esclarecedor observar como todas as transações de dinheiro eletrônico são agora completamente rastreáveis. Os Panama Papers estão vindo à tona apenas alguns meses antes que um obscuro tratado global de compartilhamento de informação seja implementado. Se os tubarões financeiros globais conseguirão burlar o acordo é questão ainda em aberto. O detalhe crucialmente importante é que o Panamá não é signatário daquele tratado.

Do lado crucialmente decisivo dos tubarões financeiros, mais de metade das empresas listadas no vazamento/hackeamento massivo são registradas no Reino Unido – ou em “dependências da Coroa”. Podem degustar o doce aroma da vingança: a mídia-empresa norte-americana vinga-se, ao delatar expor ao mundo o que, de fato, é praticamente todo o Império Britânico da Evasão de Impostos.

Não há quem não saiba que a City de Londres opera amplamente como uma gangue de lavagem de dinheiro de categoria mundial. Mas podem esquecer, porque os guardiões do “jornalismo responsável” britânico jamais ‘investigarão’ coisa alguma relacionada ao ‘fenômeno’. Muito mais fácil e popular é ‘noticiar’ que Putin é culpado por associação, em vez de investigar para saber como aconteceu de o pai de David Cameron, ter preferido guardar a fortuna da família (a herança que o primeiro-ministro um dia receberá) bem longe do coletor de impostos.

Ou como o presidente daquela entidade falhada amiga da OTAN, Petro Poroshenko, enfia sua fortuna, não na Ucrânia sem leis e ingovernável, mas nas “protegidas” Ilhas Virgem. E esqueçam, porque absolutamente ninguém investigará o ex-chefe de gabinete do ex-primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon, Dov Weisglass, cujo nome, como o do pai de Cameron e de Poroshenko, realmente aparece citado nos Panama Papers.

O mais importante: que ninguém espere por Cayman Papers ou quaisquer Virgin Island Papers – os papers realmente quentes –, tão cedo. A elite real jamais deixará que aconteça.

Panamá ‘editado’

E depois tem o ângulo do Excepcionalistão. Até Bloomberg, há três meses, já denunciou formalmente à opinião pública que o maior paraíso fiscal do mundo é hoje os EUA – completado com Rothschild-in-Reno, notório provedor de serviços de paraíso fiscal. Diferente do Panamá, o que acontece em Reno fica em Reno – e não estamos falando de noitadas selvagens de lap-dancing, nas profundas do deserto de Nevada.

Acrescente aí uma sumarenta fonte com conexões no estado ‘profundo’ a falar de “só 441 norte-americanos” (todos ainda misteriosos), cujos nomes estariam no vazamento/hackeamento: “O escritório em Nevada de Mossack Fonseca recebeu informação prévia, da Agência de Segurança Nacional dos EUA, no sentido de que alertasse o Panamá para que apagasse todos os registros em Nevada. A Agência de Segurança Nacional dos

EUA é mecanismo de controle político. Nada tem a ver com terrorismo, e nem saberia onde olhar, a menos que fosse orientada por insiders estilo “Operação Gladio”.

A guerra que o governo dos EUA faz contra os paraísos fiscais também é, é claro, seletiva. A Suíça tem sido alvo preferencial. Agora, o Panamá. Considerada a tese da Agência de Segurança Nacional dos EUA, é absolutamente claro que bilionários norte-americanos e empresas norte-americanas chaves foram, todos e todas, ‘apagadas(os)’ do ‘vazamento/hackeamento’.

O padrão ouro para que os Panama Papers não se tornem descartáveis como vazamento ‘seletivo’ plus ‘Operação psicológica’ de guerra híbrida, seria, por exemplo, se HSBC, Coutts (subsidiária de RBS) e UBS – e profundamente conectada com Mossack Fonseca — forem investigados a fundo. Se Vitol, corretor de petróleo, ligado ao governante do Azerbaijão Ilham Aliyev e cujo nome aparece nos Panama Papers, vier a ser investigado. Se as imundas conexões entre o Big Oil e o Big Banking ocidental forem expostas.

Mas é claro que todos os comerciantes de armas, barões da droga, oligarcas corruptos e conhecidos sonegadores de impostos continuam a colher recompensas dos próprios crimes, sem que nada e ninguém os perturbe – desde que saibam jogar o jogo do cassino capitalista super turbinado.

Por que agora?

Os Panama Papers tem muito a ver com timing. Por que agora? Afinal essa montanha de informações passou por escrutínio, sob sigilo total, durante mais de um ano.

Os Panama Papers encaixam-se perfeitamente na Guerra Híbrida. Assim como a operação Car Wash no Brasil – que é desdobramento da espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA, contra a Petrobras –, os Panama Papers podem ser vistos como lava-caminhões-monstros, mirada contra o sul global em geral, e contra os BRICS em particular. 

Não por acaso, imediatamente depois de os vazamentos/hackeamentos terem aparecido, o El Supremo do Pentágono Ash Carter, falando no Center for Strategic and International Studies (CSIS) em Washington– vizinho do ICIJ– insistiu mais uma vez que o Pentágono precisava ser mais “ágil” na luta contra os cinco desafios estratégicos dos EUA, que ele listou na seguinte ordem: “Rússia, China, Coreia do Norte, Irã e terrorismo.”

Observem a predominância, em matéria de ameaça, de Rússia, China e Irã – nodos chaves da integração da Eurásia, e todos pesadamente ‘apontados’ nos Panama Papers, sobretudo culpados ‘por associação’.   

O timing da distribuição do vazamento/hackeamento com certeza tem a ver com Palmyra. A recente libertação de Palmyra – que por 3 mil anos é a porta do Sudoeste Asiático para quem venha do ocidente e porta rumo ao Mediterrâneo para quem venha do oriente – foi plano geoestratégico tão brilhantemente concebido e executado, que deixou boquiabertos muitos no Pentágono.

O Daech havia convertido Palmyra numa base chave para ataque total contra Damasco – controlando a única estrada que leva à capital síria.

Assim sendo, só uma contraofensiva meticulosamente coordenada – mais de 20 mil homens, do Exército Árabe Sírio (EAS) a milícias locais, forças especiais do Hezbollah, pasdaran iranianos (inclusive muitos afegãos treinados pelo Irã) e os Spetsnaz russos – conseguiria arrancar de lá os terroristas.

Generais sírios disseram claramente que a Europa (“invadida” por refugiados “libertados” pelo sultão Erdogan da Turquia) sempre preferiu apoiar uns tais “rebeldes moderados” inexistentes – ficção gerada em Washington –, armados pela Turquia e Arábia Saudita. Agora, os europeus têm de encarar o revide, em solo europeu. 

O Exército Árabe Sírio, entrementes, defendeu Damasco; uma Síria unificada e secular e – como os generais sírios destacam com justo orgulho – defendeu também a própria Europa. O trabalho deles não parará em Palmyra. Os objetivos seguintes, para os próximos meses, são Deir ez-Zour, e depois o assalto final a Raqqa, ‘capital’ do falso ‘Califato’.

Assim sendo, que papel teria cabido ao Excepcionalistão – terra da “guerra ao terô” [orig. “war on terra”: era o modo, transliterado, como Bush pronunciava “war on terror” (NTs)] – nessa missão épica?

Nenhum. Nada. Não é acaso que o terrorismo apareça no último lugar na lista de “ameaças estratégicas” do Pentágono. É mais como a ficção que revela a realidade, como na última cena da temporada em curso de House of Cards: “Nós fazemos o terror”.

No caso do Daech, Washington realmente “fez o terror”, no sentido que fez acontecer o terror; o florescimento do falso ‘Califato’ foi decisão premeditada do governo dos EUA. E agora a Rússia fez voar pelos ares – aos olhos do mundo – o autorretrato narcísico do governo dos EUA no qual se traveste como indiscutível campeão da “guerra ao terror”.

Ai! Essa doeu. E em seguida vem a hoje já famosa visita do secretário de estado dos EUA John Kerry a Moscou, há duas semanas, para falar com o presidente Putin.

Pode ter sido parte de uma “grande barganha” na Síria (não, não, nada vazou do que os dois realmente discutiram). E pode ter sido uma retirada tática, com Kerry já tendo reconhecido que a Rússia “venceu” na Síria, mas a OTAN – como o Pentágono – manterá a pressão nas fronteiras ocidentais da Rússia. E a Guerra Híbrida recomeçou quase imediatamente depois, com os Panama Papers.

Nós reinamos sobre mundo uno monolítico

Um “Califato” falso jamais será ameaça estratégica ao Excepcionalistão; mas a integração da Eurásia, sim, é, com certeza.

Não surpreende que o governo dos EUA em Washington esteja alarmado. A Síria já provocou dois desenvolvimentos chaves:

1) a coordenação de alto nível entre Moscou, Damasco, Teerã e Bagdá – mediante o centro de informação unificada de Bagdá –, é já uma antecâmara de como a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) [ing. Shanghai Cooperation Organization (SCO)] pode, no futuro, intervir em qualquer ponto de conflito, como antípoda perfeito da OTAN: trabalhando para erradicar o caos, em vez de o fomentar com o dito “imperialismo humanitário”; e

2) é também uma antecâmara, em termos de cooperação entre estados, de como as Novas Rotas da Seda podem avançar pela Eurásia, integrando cada vez mais China e Rússia com o centro e o sudoeste da Ásia.

Quanto ao governo dos EUA em Washington, as prioridades não mudam. Em primeiro lugar, impedir Rússia e a União Europeia de estabelecerem qualquer parceria bilateral, estratégica/comercial/de negócios que aprofunde a integração da Eurásia.

A Guerra Híbrida mais hardcore na Ucrânia continua a ser o meio mais garantido de impedir que qualquer tipo de integração consiga avançar, assim como a OTAN a distribuir suas ‘patrulhas’ a partir das bases implantadas em estados vassalos da Europa Ocidental.

O objetivo chave geral é impedir a integração da Eurásia, por todos os meios. Quanto a Wall Street, o que importa é construir um fluxo mundial unitário, de mundo uno, de capital norte-americano, que beneficie o sistema de capitalismo de cassino superturbinado controlado pelos EUA – e não a Eurásia. Comparado ao Grande Quadro, o Panamá pode eventualmente deixar uns poucos mortos de beira de estrada. Não bastarão. Preparem-se para o grande arrasto. Para os insaciáveis devoradores de gasolina, caminhões-monstro da Guerra Híbrida, a estrada avança.

Fonte: The Sputnik News

América Latina: gelado vento de golpe sopra do Norte

Publicado originalmente em: 13/04/2016

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Com os fundos para programas de bem-estar secando, em plena recessão global, a velha elite, com ajuda dos EUA, está outra vez usando a linguagem da anticorrupção para repor os pés na região e desestabilizar governos de esquerda eleitos na América Latina.

Velhos perigos, todos bem conhecidos rondam pelas esquinas da América Latina. Mais de uma década de esperança – corporificada nos experimentos sociais na Venezuela – parecem agonizar. A ‘maré rosada’ de vitórias eleitorais, da Venezuela à Bolívia e para cima, até a Nicarágua, parecem estar em período de maré vazante. A Velha Direita rejeitou os estertores e a gritaria dos militares, trocados pela fala melosa do que chamam de “anticorrupção”. Os bolivarianos da Venezuela – a face atual da esquerda naquele país – perdeu as eleições parlamentares; a Bolívia de Evo Morales decidiu não alterar a Constituição para dar ao presidente um quarto mandato presidencial. O eleitorado Argentina rejeitou a Esquerda Peronista, para eleger a direita dos banqueiros. E no Brasil o governo de Dilma Rousseff padece sobre a violenta hostilidade das mídia-empresas monopolistas e do establishment conservador.

Não se pode falar de frieza no continente. No Peru, Verónika Mendoza da Frente Ampla saiu-se muito bem no primeiro turno da eleição presidencial; na Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias, FARCs, preparam-se para assinar um acordo de paz e levar a política deles ao julgamento das urnas. Instituições criadas no momento em que subia a “maré rosada”, como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (plataforma de comércio regional), a TeleSUR (rede regional de mídia), e várias alianças de energia (como Petrocaribe e Petrosur), permanecem vivas e bastante bem.

Novas correntes políticas e esses alinhamentos institucionais sugerem que a “maré rosada” não se deixará conter facilmente. Ela já deitou raízes na imaginação do povo da América Latina e nas instituições estabelecidas há, já, uma década.

Iraque distrai os EUA

Quando Hugo Chávez da Venezuela e Evo Morales da Bolívia puseram em andamento a aliança bolivariana em 2004, os EUA estavam atolados no Iraque. A Guerra Global ao Terror, que falsamente incluía o Iraque como campo de batalha, absorveu o governo do presidente Bush. Uma tentativa de golpe contra o governo de Chávez em 2002 fracassou, efeito do massivo apoio popular ao governo venezuelano. A esquerda latino-americana beneficiou-se dessa abertura – e, também, dos altos preços das commodities e crescente demanda da China – para construir uma plataforma alternativa, que chamaram de “bolivarianismo”.

Com nome derivado de Simón Bolívar, libertador de vários países da América Latina, do jugo espanhol, o bolivarianismo produziu instituições de desenvolvimento regional. O comércio dentro da região denominado em moedas locais permitiu aos estados regionais produzirem um novo ethos.

Os EUA, que veem a América Latino como o quintal da casa deles, continuaram a buscar oportunidades para minar o bolivarianismo. Em 2006, o embaixador dos EUA na Venezuela, William Brownfield, desenvolveu uma estratégia de “dividir o chavismo” (seguidores de Chávez) e de “isolar Chávez internacionalmente”. Os telegramas diplomáticos dos EUA vazados por WikiLeaks são recheados de conspirações e complôs, com outros embaixadores dos EUA contribuindo, eles também  com ideias e planos próprios para desestabilizar governos leais ao processo bolivariano. Mas pouco aconteceu nos anos Bush. A economia latino-americana beneficiou-se do voraz apetite chinês por commodities que alcançavam altos preços e cujos lucros permitiam aos países construir esquemas de bem-estar para oferecer melhor qualidade de vida às respectivas populações.

Obama move-se para o sul

A crise financeira de 2007-08 atingiu a economia da China e viu a lenta deterioração dos preços das commodities. Só depois de alguns anos o impacto econômico daquele processo atingiu ferozmente a América Latina. Queda abrupta nos preços do petróleo no verão de 2008 implicou brecada forte em muitos dos programas sociais que se haviam tornado essenciais na dinâmica do bolivarianismo. E isso mostrou a fragilidade do experimento, se diretamente confrontado pelo ‘ocidente’ dominante.

O governo do presidente Barack Obama focou atentamente a América Latina.

A primeira ação aconteceu no golpe de 2009 em Honduras contra o governo de tendência de esquerda de Manuel Zelaya. Os EUA reconheceram o novo governo militar. E abriram as portas para posição muito mais agressiva contra estados latino-americanos. A presidência de Ollanta Humala (2011) no Peru, e o segundo governo de Michelle Bachelet (2014) no Chile – ambos ostensivamente de esquerda – rapidamente se retraíram, incluindo no gabinete nomes indicados pelos banqueiros, e fizeram as pazes com a hegemonia dos EUA. Com a morte de Chávez em 2012, os bolivarianos perderam o seu guerreiro mais carismático. O impacto do golpe em Honduras e a morte de Chávez foram sentidos ao longo de toda a espinha dorsal da América Latina: “os EUA voltaram”, era o que se ouvia.

A velha elite entrincheirada

Governos de esquerda na América Latina dependiam pesadamente da exportação de commodities caras. O dinheiro dessas vendas garantiam aos governos da região os meios para criar e manter programas de bem-estar social. O Brasil, por exemplo, pôs-se em guerra contra a fome e a miséria, mediante seus programas Fome Zero (ing. Zero Hunger) e Bolsa Família (ing. Family Allowance).

Mas aqueles governos não conseguiram minar o poder das velhas elites sobre a economia e construir novos fundamentos sobre os quais construir a produção da região. Quando o dinheiro da venda das commodities começou a escassear, os programas sociais logo sofreram, diretamente ou indiretamente. Restavam poucas fontes alternativas de renda. Recorrer aos mercados financeiros internacionais pôs vários países em situação de dependência dos centros hegemônicos, dependência que teve imediatamente impacto político.

As velhas elites latino-americanos mantiveram o poder, mesmo durante os períodos de governos de tendência mais à esquerda. Aquelas elites continuam intimamente conectados aos militares norte-americanos e às embaixadas dos EUA. Telegramas diplomáticos do Departamento de Estado dos EUA distribuídos por WikiLeaks oferecem uma janela pela qual se pode começar a conhecer as intrigas e conspirações que se construíam dentro das embaixadas norte-americanas. Na Bolívia, um diplomata dos EUA reuniu-se com um estrategista (de fato, um ‘marketeiro’), Javier Flores e Branko Marinkovic, da oposição, e discutiram ações para explodir oleodutos e fomentar a violência urbana, para desestabilizar o governo de Evo Morales. Para ajudar a oposição de direita na Nicarágua, a embaixada dos EUA esperava conseguir que “os fundos fluam na direção certa”. Essas conspirações aumentaram a autoconfiança entre as elites e seus aliados e comparsas. E eles esperaram o melhor momento para dar o bote.

A violência avança

A fragilização da economia ofereceu uma oportunidade. Em todo o continente, do Chile ao Brasil, novos relatórios começaram a surgir, sempre com ‘revelações’ de corrupção nos gabinetes e mais altos postos dos governos.

Nenhuma das principais mídia-empresas em todos os países da América Latina jamais antes havia dado sinal de qualquer preocupação com ‘corrupção’, nem jamais haviam dado muita publicidade (e propaganda) a histórias de corrupção cujos personagens eram a velha elite política que as principais mídia-empresas sempre ajudaram a eleger e que, eleitos, ajudavam a dar ‘cobertura’ àquelas mídia-empresas.

Mas, eleitos o Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil e o Partido Socialista no Chile, os dois rapidamente conheceram o hálito fedorento da hipocrisia. No Brasil e na Venezuela houve manifestações de rua em que se reuniram aquela velha elite, a velha mídia-empresa e as classes a elas aliadas. E pronto. Num instante estavam reunidos e coordenados todos os elementos de uma ‘primavera latino-americana’ contra ‘a corrupção’. Tarefa do Departamento de Estado dos EUA seria, só, inventar um nome para essa ‘revolução’ colorida, talvez, dessa vez, musical: Revolução do Tango? Revolução Bossa Nova?

Atos de violência contra líderes políticos locais tornaram-se rotina. Na Venezuela, numa única semana do mês passado, três líderes políticos foram assassinados a sangue frio: o prefeito Marco Tulio Carrillo, de La Ceiba; o deputado César Vera, do Conselho Legislativo de Tachira; e Fritz St. Louis, do partido Grande Frente Patriótica. Logo ao lado, no Brasil, uma semana depois, dois ativistas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST [ing. Rural Landless Workers’ Movement] – Leomar Bhorbak e Vilmar Bordim – foram emboscados e mortos; e o presidente do PT em Mogeiro, Ivanildo Francisco da Silva, foi assassinado em casa. São nomes que se acrescentam à longa lista de ativistas de esquerda que estão sendo assassinados em sequência, na América Latina. Objetivo claro, aí, é intimidar os ativistas.

Não surpreende portanto que a veterana líder da esquerda uruguaia (esposa do ex-presidente José Mujica) e hoje senadora pela Frente Ampla do Uruguai Lucía Topolansky esteja alertando para “uma operação de desestabilização” em curso na América Latina. “Nossos países atravessaram os anos de chumbo da ditadura, seguiram a onda neoliberal que tanto sofrimento causou ao povo” – disse ela. – “E agora, quando aqueles processos democráticos começam a consolidar-se, já aí vem uma onda de desestabilização”. Esse sentimento é claro, também, entre outros líderes da esquerda, do México ao Chile. Todos já sentiram o gelado vento de golpe que sopra do Norte, reforçado pelas ambições de elites locais já carcomidas.

Alguns bolsões de resistência pela esquerda mantêm-se intactos. Rafael Correa do Equador, Daniel Ortega da Nicarágua, Salvador Sánchez Cerén de El Salvador e, claro, Evo Morales da Bolívia chefiam governos que ainda lutam para manter agenda progressista. Os ventos de golpe sopram contra eles, mas parece que esses governos ainda resistem.

João Pedro Stédile, do MST, sugere que as forças progressistas em toda a América Latina não se deixarão intimidar pela derrota de seus governos ou por agressão que lhes venha das velhas elites. A confiança nas lutas de massa ainda é alta.

É o que se vê hoje mesmo, quando o MST e outras forças de esquerdas tomam as ruas para defender o governo da presidenta Dilma Rousseff. As velhas elites ainda não se deram conta de o quanto avançou a consolidação de movimentos de massa como o MST – e que esse tipo de movimento não pode ser quebrado com a facilidade com que se derrubam governos. A América Latina não tem estômago – nem a mais violenta e desesperada velha elite latino-americana – para violência mortal contra movimentos de massa. As velhas elites terão de conviver com movimentos de massa. Equivale a dizer que não conseguirão capturar a sociedade, assim como talvez tenham capturado alguns palácios presidenciais. A luta continua.*****

Fonte: The Hindu

Is China A Neocolonial Power In Africa? – Analysis

Publicado originalmente em 26 de abril de 2016.

China-bashing has predictably reemerged as a familiar theme in the current 2016 U.S. presidential campaign, with the frontrunners of both parties attacking China for having committed a myriad of alleged outrages against U.S. interests.1 Hillary Clinton, the Democratic frontrunner, is of special interest, as she had prominently accused China of engaging in neocolonialism in Africa during her 2011 visit to Zambia in her position at the time as U.S. Secretary of State.2 The Chinese have not forgotten this slight, and the state-owned Xinhua news agency recently published an opinion piece critiquing Clinton’s accusation of China’s alleged neocolonialism, concluding that:

Accusing China of being a neo-colonialist in Africa puts the biased West in an absurd scenario where the robber acts like the cop.”3

As I recounted last year, China has indeed been very active with its various economic projects in Africa. To briefly recap: “Recent examples of such projects include China Railway Group’s Light Railway in Addis Ababa, Ethiopia, the first phase of which was recently completed; China Railway Construction Corporation’s Abuja-Kaduna railway in Nigeria, which was completed in December 2014, and which is the first phase of a larger railway modernization project connecting Lagos with Kano; and the Lobito-Luau railway in Angola, also built by China Railway Construction Corporation, which will eventually be connected to the Angola-Zambia and the Tanzania-Zambia railways. Likewise, Chinese engineering firms … are constructing airports across the continent, including airports in Angola, Comoros, Djibouti, Gabon, Kenya, Nigeria, Sudan, Tanzania, and Togo. Apart from the transportation sector, Chinese companies are also involved in Africa’s energy sector, including hydropower dams in Ethiopia and Uganda; biogas development in Guinea, Sudan and Tunisia; and solar and wind power plants in Ethiopia, Morocco, and South Africa. Other economic sectors Chinese companies are actively involved with in Africa include agriculture, construction, healthcare, mining, and industrial manufacturing. A recent count estimates over 2,000 Chinese companies are engaged across almost every country on the African continent.”4

Does this intense level of economic engagement count as neocolonialism? Gordon observes that the relationship of neocolonialism is one of “political-economic domination” such that “there is no viable cultural, economic, or military opposition to the hegemonic weight of the current ‘world order.’” The world order today is Euro-American, and its hegemony was won through not just the collapse of the Soviet Union and its socialist satellites at the end of the Cold War, but also the “years of successful political, economic, and military destabilization of Third World sites of resistance.”5 Such efforts at destabilization continue in our contemporary era, as can be seen in the 2011 Western intervention against Muammar Gaddafi’s regime in Libya, which in turn led to the strengthening of African jihadi groups such as Al-Qaeda in the Islamic Maghreb and Boko Haram, and which in turn has led the U.S. to establish a network of secret military bases across the African continent to fight its War on Terror.6

Mason reminds us of Hu Jintao’s 2006 pledge to double China’s development aid to Africa, and of the subsequent surge in Chinese investment in infrastructure construction on the continent. Indeed, Chinese aid is more attractive for African governments compared to that offered by the West as it famously comes without the preconditions for political or economic reforms usually imposed by Western donors.7 Memories of the painful experience during the 1980s across Africa of the International Monetary Fund’s (IMF) and the World Bank’s structural adjustment policies looms over the Nigerian government’s recent decision to seek infrastructure loans from the Chinese government rather than the IMF.8 Such memories echo Sartre’s warning that neocolonial efforts to emphasize the economic benefits accruing from colonial reforms are in fact intended to disguise the reality of political domination.9 Indeed, development aid from China has allowed developing countries such as Cambodia to avoid having to adjust their political and economic orders to satisfy the demands of Western donors.10

Mason suggests that the increased Chinese emigration to Africa that has accompanied the increase in Sino-African economic engagement mirrors the “white settlement and rule in Africa” that occurred during the colonial era, and focuses in particular on the economic impact of Chinese merchants in Africa, who “sell goods made in China,” as well as that of their African counterparts who travel to markets in Guangzhou and elsewhere in China to purchase goods for sale back in African markets.11 This influx of cheap goods from China has been known to “drive out traditional suppliers” and “undermine the local economy.”12 Dixon notes that the removal of trade barriers following Nigeria’s entry into the World Trade Organization in 1995 led to a flood of imported goods from China, and this in turn led to mass closures of local factories that were unable to compete with the cheaper Chinese products. The resulting deindustrialization of northern Nigeria laid the economic conditions for the rise of the Boko Haram insurgency which still afflicts the region today.13 However, this by no means represents the inevitable outcome of local industries in Africa confronting global competition. Brautigam cites examples of local African entrepreneurs in countries like Kenya, Lesotho, and Madagascar who were able to successfully compete against Chinese and other foreign imports, in some cases thanks to the human resource development and technology transfer provided by Chinese industrial investment in their countries.14

A related claim that is commonly presented in the media about China’s alleged neocolonial exploitation of Africa is that China and its firms have been engaged in a massive land grab on the continent. In Brautigam’s calculation, if all these media reports were accurate, Chinese companies would own 6 million hectares, or 1% of Africa’s total arable land. However, the actual figure is closer to just 240,000 hectares. As she explains: “Discouraged by poor infrastructure, political instability, and the sober realization that profits were likely to prove more elusive than hoped, Chinese firms came, explored, and then often went elsewhere—most often to countries in China’s border regions: Russia, Central Asia, and Southeast Asia.”15

The small actual size of Chinese-owned farmland in Africa also disconfirms related accusations of China’s alleged neocolonial plot to transform Africa into a farm to feed the hungry masses back home in China. Recent trade data shows that China is currently importing most of its food commodities like maize and soybeans from major non-African agricultural exporters like the U.S. and Brazil. Indeed, the development of Africa’s food producers into major global food exporters will require significant investment in agricultural modernization, which means the countries concerned will have to do more to attract much-needed investment from international agricultural firms like those of China.16

With regard to journalists and researchers repeating false claims about China’s agricultural activities in Africa, similar examples can be found in reports of Chinese loans to African states. A 2011 report from Fitch Ratings calculated that loans issued to Sub-Saharan African states between 2001-10 from the Export-Import Bank of China amounted to 67.2 billion USD, “overtaking World Bank lending of USD54.7bn to Africa for the same period.”17 This claim would subsequently be repeated elsewhere. Mason, for example, repeats the claim that Chinese aid to Africa exceeded that of the World Bank.18 The suggestion that China has been inundating Africa with cheap money has various implications, including the neocolonial image of China purchasing influence from impoverished African governments. However, the Fitch claim is wrong. A recent study of Chinese loans to Africa from Johns Hopkins University’s China Africa Research Initiative (CARI) shows that a more accurate estimate of Chinese loans to Africa during 2001-10 would be 30.5 billion USD, or less than half of Fitch’s estimate. Indeed, China’s growing pledges of development aid, including concessional loans, should be differentiated from the loans that are actually agreed upon and accepted, especially since a “growing number of countries … have suspended or canceled Chinese offers of credit lines.”19 As the authors of the CARI report recount of their analysis:

“Of the 1,223 reports of Chinese loan financing that we analyzed, only 56% actually materialized and are being used. The rest turned out to be mistakes, hopes, rumors, cancelled, or real loans—but not from China.”20

Looking beyond Africa, this trend of misreporting China’s global activities is most glaringly seen in alarmist reports of China’s alleged attempts to subvert the existing Euro-American world order by creating a parallel constellation of international institutions.21 In the case of the new international financial institutions (IFIs) set up by China, including the Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), and the New Development Bank (NDB) set up by China with its BRICS partners, China has always asserted that these are intended to supplement rather than replace the existing constellation of IFIs.22 Indeed, the modest nature of the first projects to be funded by the AIIB and the NDB confirms that this is the case.23 Beyond the shores of Africa, China is also not exhibiting the behavior of an aspirational neocolonial power.

Fonte: Eurasia Review

CEPAL abre chamada de artigos

Artigo_cientifico

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL) convoca pesquisadores interessados em questões de população e temas relacionados para enviar até 30 de junho artigos originais e inéditos para a edição 103 da revista “Notas de População”, publicação semestral publicada pelo Centro Latino-americano e Caribenho de Demografia (CELADE), vinculado à Divisão de População do organismo da ONU.

Os trabalhos podem ser resultados de pesquisas, reflexões ou experiências relacionados aos avanços no estudo dos componentes da dinâmica populacional (fecundidade, mortalidade e migração) e suas inter-relações com processos de desenvolvimento; direitos humanos e as transformações econômicas e sociais; a distribuição da população, mobilidade, urbanização e segregação socioespacial; os métodos e técnicas para a análise das variáveis da evolução demográfica; entre outros temas.

Os artigos devem ser em espanhol. Confira detalhes sobre as regras de envio em http://bit.ly/1T9MUeA

Fonte: ONU Brasil

Corte Interamericana vai julgar caso de Herzog

Publicado Originalmente em: 25/04/2016

HERZOG

Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), o Brasil foi comunicado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, em San José, na Costa Rica, que irá a julgamento o caso do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, ocorrido em 1975 durante a ditadura militar (1964-1985).

Vladimir Herzog foi morto, sob tortura, nas dependências do DOI, em São Paulo, em outubro daquele ano. Militares tentaram encobrir o assassinato com uma versão falsa de suicídio.

Ao blog, a AGU informou que, agora, caberá à Corte notificar a abertura do caso às vítimas ou seus representantes para que estes apresentem, respectivamente, o “Escrito de Petições, Argumentos e Provas”.

O mesmo será feito para a defesa se houver “contestação”. As vítimas terão dois meses para apresentar suas informações, mesmo tempo que terá, depois disso, o Estado brasileiro para submeter sua resposta.

“Em razão destes trâmites, ainda não há conhecimento das alegações que serão apresentadas pelas supostas vítimas ou seus representantes, tampouco a AGU sabe, neste momento, quais teses de defesa apresentará”, informou a AGU.

Após a produção de manifestações das partes e toda a instrução do processo, a Corte vai dar prosseguimento ao caso.

Uma Comissão Interamericana de Direitos Humanos, esta em Washington, instância inferior à da Corte em San José, já afirmou que houve crime no caso da morte do jornalista brasileiro.

A Comissão admitiu examinar o caso em março de 2012, mas a abertura da investigação foi decidida no fim do mesmo ano e comunicada às partes interessadas.

Sobre o caso, o Estado brasileiro alegou, em sua defesa, que ele não podia ser investigado por causa da Lei da Anistia, de 1979, aprovada quando os militares ainda estavam no poder.

Na sua visão, a lei impede processar pessoas acusadas de violações de direitos humanos durante o regime ditatorial.

A mesma Corte Interamericana já declarou, contudo, que a Lei da Anistia não tem “efeitos jurídicos” quando relacionados a crime contra a humanidade.

A Corte julga casos de violação de direitos humanos que, no entendimento das vítimas, não foram julgados de forma correta em seus países.

Fonte: G1/Matheus Leitão