Com Trump em retirada, disparam as vendas da América Latina para China


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Publicado originalmente em 19/12/17

A China continua agigantando sua posição como grande parceiro econômico da América Latina e do Caribe. A chegada de Donald Trump à Casa Branca, um presidente abertamente contrário ao livre comércio e à multilateralidade que tem dominado o mundo nas últimas décadas, foi o empurrão definitivo para o avanço de Pequim. Mas os laços comerciais e de investimento estavam sendo tecidos havia mais de uma década. As últimas cifras apontam nessa direção: em 2017, as exportações da região ao gigante asiático dispararam 30%, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O crescimento das remessas para a China triplicou no último ano o das vendas aos Estados Unidos (10%)

“As compras da China na região foram as mais dinâmicas por estarem concentradas nos produtos básicos, que apresentaram uma forte tendência de alta”, reconhece Paolo Giordiano, economista principal de Comércio e Integração do BID e autor do relatório Estimativas das Tendências Comerciais da América Latina e do Caribe. Somente um terço do incremento das exportações latino-americanas se explica pelo maior volume: o resto tem a ver com o encarecimento dos produtos comercializados.

As exportações da América Latina e do Caribe a todos os mercados mundiais cresceram 13%, revertendo assim a queda de 3,3% registrada em 2016: uma notável mudança de tendência ainda pendente de consolidação e conduzida, sobretudo, pelo encarecimento das matérias-primas, nas quais a região continua sendo intensiva. A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê que os intercâmbios entre todos os países do globo tenham expansão de pouco menos de 4% em 2017, um terço do crescimento das exportações com origem na América Latina.

O petróleo, produto básico por excelência e do qual muitos países latino-americanos, como Venezuela, Brasil e México, são exportadores líquidos (vendem mais do que compram), viu seu preço incrementado em mais de 23% nos 11 primeiros meses do ano. O minério de ferro, por exemplo, vale hoje quase 27% mais do que há um ano: um autêntico revigorante para o Brasil, o segundo maior produtor mundial deste minério. E o preço do cobre, do qual o Chile tanto depende, deu um salto de 28%.

Crescimento não homogêneo

As boas notícias, porém, não chegam a todos os rincões da região. Os picos de exportação se concentram na América do Sul – onde o crescimento médio foi de 16%, em comparação com a queda de 4,5% registrada em 2016 – e, de modo especial, em cinco países: Venezuela (+28%), Peru (+25%), Colômbia (+19%), Brasil (+18%) e Equador (+16%). Todos eles têm dois denominadores em comum: a importância das matérias-primas no total de suas exportações e a alta dependência da China.

No Caribe, o valor das exportações cresceu 11%. No México, aumentou 10%, graças à melhora dos fundamentos da economia dos EUA, ao qual está muito interconectado. No entanto, a América Central ficou para trás, com um crescimento das exportações de 6% – um fraco desempenho em comparação com o ocorrido no restante da região. Três dos únicos quatro países que viram cair suas vendas externas em 2017 são caribenhos: Barbados, Haiti e República Dominicana.

Com a recuperação em uma fase “ainda relativamente frágil”, para que as vendas externas latino-americanas continuem a tendência altista registrada este ano o BID vê como crucial que se “elimine a incerteza sobre o crescimento da China”. E também que a própria economia latino-americana se “acelere” definitivamente. E que cheguem a bom termo duas negociações: as mantidas desde meados do ano pelos EUA, México e Canadá para a atualização do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) e as do Mercosul e México com a União Europeia para, respectivamente, criar e modernizar seus respectivos acordos comerciais

O primeiro desses temas – a saúde econômica da China – e o último – o futuro do Nafta – são considerados essenciais para os setores exportadores da América do Sul e México. E aí a situação também é díspar: apesar de as dúvidas sobre o futuro do gigante asiático terem se dissipado à base de estímulos fiscais e monetários – embora a incerteza sobre a enorme dívida privada permaneça –, a inquietação sobre o tratado norte-americano não parou de crescer nos últimos meses, sempre sob a ameaça de ruptura de Trump. Da China dependem um de cada cinco dólares exportados pelo Brasil e um de cada quatro exportados pelo Peru no ano passado. E para seus dois parceiros no Nafta, os EUA e Canadá, vão 80% das vendas externas do México.

Os fluxos intrarregionais – aqueles entre países latino-americanos ou caribenhos – continuam sendo uma das grandes matérias pendentes de uma região que olha demais para a China, os EUA e, em menor medida, a Europa, e muito pouco para seus vizinhos mais imediatos. No entanto, nesse ponto, os dados também permitem uma leitura otimista, pelo menos, no curto prazo: as exportações entre países latino-americanos aumentaram 12% em comparação com o ano anterior, com a América do Sul e o Caribe como principais beneficiários desta intensificação. Da continuidade desta tendência depende boa parte do sucesso de muitas economias da região, especialmente as dos países menores e menos intensivos em matérias-primas. O potencial é tão grande quanto pequeno seu aproveitamento.

Fonte: El País

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8 respostas em “Com Trump em retirada, disparam as vendas da América Latina para China

  1. Longe de diminuir, o crescimento da China na América Latina é visto como um fracasso da política norte-americana, como disseram os especialistas. A entrada com toda a força do gigante asiático na urbanização geográfica dos EUA é um motivo de preocupação e um sinal da perda da hegemonia norte-americana. Com a possível finalização do Nafta, para muitos um acordo vital à economia dos EUA, a China já se colocou como uma alternativa ao México. Se isso acontecer, sua sombra surgiria na fronteira sul, aquela que Trump quer proteger com um muro.

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  2. Com um crescimento dinâmico e bastante competitivo, a China vem aumentando sua influência na América Latina. Uma vez que os países de tal região apresentam uma certa dependência do gigante asiático e ainda produzem matérias-primas como minério de ferro que até então apresentam alta nos preços e são importados pela China. Por um lado a contrariedade de Trump ao livre comércio e a dúvida sobre o NAFTA, e por outro o questionamento sobre o futuro da saúde econômica da China, mas de toda forma o cenário é otimista. Ainda assim o crescimento do país asiático oferece riscos à hegemonia norte-americana.

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  3. A China é uma grande potência asiática e sabemos da elevação de sua influência na América Latina. Ainda que o atual presidente dos EUA, Donald Trump, não apoie o livre comércio, pode-se considerar um cenário promissor para a China, pois diversos países, como: Venezuela, Peru e Brasil, dependem da “gigante” asiática. Todavia, ainda que este crescimento coloque em risco a hegemonia norte- americana, esta celeuma está longe de ter fim, pois trata-se de uma concorrência entre “gigantes”.

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  4. Trump cometeria um grave equívoco ao colocar a América Latina contra a parede e isso abriria ainda maior espaço para a dominação chinesa na região, o que poderia ser o ínício do fim para os americanos na luta contra a China pela expansão na América Latina. A China está se inserindo tão fortemente na região que está se tornando cada vez mais difícil para os países latinos se desvincularem dela.

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  5. As relações econômicas entre as grandes potências e países com um poderio econômico inferior são de vital importância para a economia global. Os EUA se firmaram como a maior potência econômica do mundo desde o término da guerra fria, contudo a China nos últimos anos vem apresentando um grande crescimento econômico, se mostrando como uma nação com pleno potencial de acabar com a hegemonia norte-americana.
    Sabe-se que a política de Donald Trump é extremamente nacionalista e em certos pontos xenofóbica. Tal política sempre procura apontar um inimigo exterior e nesse contexto a China está inclusa como uma grande inimiga econômica.
    Esses fatores fazem com que um conflito entre essas nações se desenvolva na sociedade global. Ambas potências desejam expandir seus mercados, atrair novos parceiros econômicos e se firmarem de fato como a maior potência econômica internacional.
    Na minha opinião, essa disputa é perigosa ao ponto de que uma vez que essa disputa no momento se mostra unicamente econômica, há a possibilidade de uma disputa posterior, porém dessa vez uma disputa militar que teria uma magnitude gigantesca na geopolítica mundial.

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  6. As relações econômicas entre as grandes potências e países com um poderio econômico inferior são de vital importância para a economia global. Os EUA se firmaram como a maior potência econômica do mundo desde o término da guerra fria, contudo a China nos últimos anos vem apresentando um grande crescimento econômico, se mostrando como uma nação com pleno potencial de acabar com a hegemonia norte-americana.
    Sabe-se que a política de Donald Trump é extremamente nacionalista e em certos pontos xenofóbica. Tal política sempre procura apontar um inimigo exterior e nesse contexto a China está inclusa como uma grande inimiga econômica.
    Esses fatores fazem com que um conflito entre essas nações se desenvolva na sociedade global. Ambas potências desejam expandir seus mercados, atrair novos parceiros econômicos e se firmarem de fato como a maior potência econômica internacional.
    Na minha opinião, essa disputa é perigosa ao ponto de que uma vez que essa disputa no momento se mostra unicamente econômica, há a possibilidade de uma disputa posterior, porém dessa vez uma disputa militar que teria uma magnitude gigantesca na geopolítica mundial.

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  7. As relações econômicas entre as grandes potências e países com um poderio econômico inferior são de vital importância para a economia global. Os EUA se firmaram como a maior potência econômica do mundo desde o término da guerra fria, contudo a China nos últimos anos vem apresentando um grande crescimento econômico, se mostrando como uma nação com pleno potencial de acabar com a hegemonia norte-americana.
    Sabe-se que a política de Donald Trump é extremamente nacionalista e em certos pontos xenofóbica. Tal política sempre procura apontar um inimigo exterior e nesse contexto a China está inclusa como uma grande inimiga econômica.
    Esses fatores fazem com que um conflito entre essas nações se desenvolva na sociedade global. Ambas potências desejam expandir seus mercados, atrair novos parceiros econômicos e se firmarem de fato como a maior potência econômica internacional.
    Na minha opinião, essa disputa é perigosa ao ponto de que uma vez que essa disputa no momento se mostra unicamente econômica, há a possibilidade de uma disputa posterior, porém dessa vez uma disputa militar que teria uma magnitude gigantesca na geopolítica mundial

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  8. Os Estados Unidos passam a sentir, pela primeira vez pós Guerra Fria, uma ameaça à sua hegemonia econômica. A politica de isolamento de Trump abre brechas para que a China ocupe esse espaço. A título de exemplo, os chineses já superaram os EUA nas negociações de cobre com o Chile, e de itens de agricultura e mineração com o Brasil. O cenário de participação da China na América Latina passa a ser maior, inclusive, com o México, país que historicamente mantém relações estreitas com os estadunidenses. O motivo? A instabilidade com o Nafta e as recentes declarações da cúpula americana que já manifestou interesse em rever os acordos econômicos do bloco.
    Ainda que os EUA ainda tenham grande participação no comércio internacional com os latino-americanos, a visão de isolamento que esse país tem adotado abre brechas para o surgimento de novos agentes econômicos e isso contribui, a longo prazo, para um fim na hegemonia norte-americana. Essa ameaça já vem sendo notada pelo país que tem adotado como alternativa para barrar o crescimento Chinês sanções econômicas ligadas às relações desse país com a Rússia.

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