Mandela contra a escravidão

A figura de Mandela permanece como a do maior líder popular africano, porque tocou no tema essencial de todo o período histórico da colonização: a escravidão.

por Emir Sader

Emir Sader

A escravidão foi o maior crime de lesa humanidade cometido ao longo de toda a história humana. Tirar milhões de africanos dos seus países, do seu mundo, da sua família, para trazê-los para a América, para trabalhar como escravos, como  “raça inferior”, produzindo riquezas para os brancos europeus foi um crime incomensurável,  do qual nunca se compensou, sequer minimamente, a África.

O “apartheid” foi uma sobrevivência da escravidão na África do Sul. Como relata o Museu do Apartheid, em Joanesburgo, impressionante testemunho do mundo do racismo, os brancos consideravam essa politica uma “genial arquietetura” para conseguir a convivência entre brancos e negros. Nas mais escandalosas condições de discriminação, de racismo, de opressão.

Por detrás estava a super exploração da mão de obra negra nas minas sul-africanas, fornecedor essencial para os países europeus, sob comando da Holanda. As pessoas eram legalmente declaradas brancas ou negras, com todas as consequencias de direitos para uns e exclusão de direitos para os outros. Uma declaração da qual se poderia apelar todos os anos, mas que, ao mesmo tempo, se corria o risco de alguém questionar a condição de branco de qualquer outra pessoa, que poderia recair na condição de negro.

O cinismo das potências coloniais e dos próprios EUA estava na postura de não aderir ao boicote à Africa do Sul, alegando que isso isolaria ainda mais esse pais e dificultaria negociações politicas. Na verdade, a África do Sul do apartheid era um grande aliado dos EUA – junto com Israel – em todos os conflitos internacionais, alem de fornecedor de matérias primas estratégicas.

Não foi essa via de negociações que o apartheid terminou, mas pela luta, conduzida por Nelson Mandela, mesmo de dentro da cárcere, por 27 anos. Como reconheceu o próprio Mandela, o país que desde o começo apoiou ativamente, sem hesitação, a luta dos sul-africanos foi a Cuba de Fidel, o que forjou entre os dois lideres uma relação de amizade e companheirismo permanente. 

A libertação de Mandela, o fim do apartheid e sua eleição como o primeiro presidente negro da Africa do Sul, foram a conclusão de décadas de lutas, de massacres, de prisões, de sacrifícios. Mandela aceitou ser eleito presidente, para concluir esse longo caminho, com a consciência de que estava longa de ser conseguida a emancipação dos sul-africanos. O país manteve a mesma inserção no sistema econômico mundial, as estruturas capitalistas de dominação não foram atingidas. A desigualdade racial foi profundamente afetada, mas não as desigualdades sociais.

Por esta via, os negros sul-africanos continuaram a ser vítimas, agora da pobreza, que os segue afetando de maneira concentrada. Os governos posteriores foram impotentes para mudar o modelo econômico e promover os direitos sociais  da massa da população. Os ideias de Mandela se realizaram, com o fim do apartheid, da discriminação racial legalmente explicitada, mas não permitiu aos negros saírem da sua condição de massa super explorada, discriminada, agora socialmente.

Mas a figura de Mandela permanece como a do maior líder popular africano, porque tocou no tema essencial de todo o período histórico da colonização – a escravidão. Ele soube combinar a resistência pacifica e violenta, para canalizar a força acumulada dentro e fora do país, para negociações que terminaram com o apartheid.

O historiador marxista britânico Perry Anderson considera Nelson Mandela e Lula como os maiores líderes populares do mundo contemporâneo, não apenas pelo sucesso das lutas a que eles se dedicaram – contra a discriminação racial e contra a fome -, mas também porque tocam em temas fundamentais das formas de exploração e de opressão do capitalismo. O apartheid terminou, fazendo com que Mandela ficasse como um dos maiores lideres do século XX. Lula projeta sua figura no novo século, na medida em que a sobrevivência do capitalismo e do neocolonialismo reproduzem a fome e a miséria no mundo.

Fonte: CartaMaior

Reino Unido financiou treinamento militar de governos ditatoriais na África

O governo do Reino Unido gastou 2,4 milhões de libras (cerca de 8 milhões de reais) nos últimos cinco anos em treinamento militar e de equipes de policia e segurança de regimes ditatoriais sob embargo de armas, denunciou o  jornal britânico The Guardian. Entre os países beneficiados estão o Sudão e a República Democrática do Congo.

Omar al-Bashir, presidente do Sudão, por exemplo, possui há anos mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional. Ele é acusado de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.

A situação no Congo não é muito diferente. A ONU alertou para registros de casos extensivos de violação de direitos humanos, como assassinatos, tortura, desaparecimentos forçados e prisões arbitrárias. As principais vítimas destas ações seriam os oponentes do presidente Joseph Kabila.

O diário destaca que o Ministério da Defesa informou por meio de um ato de acesso à informação que foram gastos mais de 75 mil libras em cursos de 44 semanas na Academia Real Militar Sandhurst para as forças sudanesas e congolesas. Há também despesas com logísticas militares, cursos de equipes e comando e inteligência estratégica.

Foram gastas ainda 953 mil libras (cerca de 3 milhões de reais) em apoio de paz internacional, incluindo segurança de fronteiras e estabilização política. Mas grande parte da preocupação sobre violações de direitos humanos no Sudão se concentra na fronteira com o recém-independente Sudão do Sul, onde há constantes conflitos nos estados de Nilo Azul e Cordofão do Sul.  Além disso, o Sudão enfrenta uma situação tensa no conflito de Darfur, no qual houve o genocídios de 300 mil darfurianos e o deslocamento forçado de mais de 4 milhões de pessoas.

O governo do país nega o acesso humanitário às áreas de fronteira e realizaram em maio diversos bombardeios indiscriminados na região do Cordofão.

No Congo, estudos mostram que os soldados são responsáveis por ao menos 60% dos estupros reportados no país. Entre os casos mais marcantes, a ONU implicou integrantes das forças congolesas na agressão sexual de pelo menos 121 mulheres durante três dias em um vilarejo na província de Kivu do Sul.

Fonte: Carta Capital

Integração da mulher é essencial para o desenvolvimento sustentável, diz Chefe da ONU Mulheres

A Diretora Executiva da ONU Mulheres e ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, recomendou hoje no Riocentro a maior participação feminina na sociedade, indústria, comércio e principalmente política mundial, são essenciais para atingir o verdadeiro desenvolvimento sustentável da humanidade. Falando à imprensa a apenas três dias da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), Bachelet disse que o caminho até que a mulher receba a consideração almejada permanece longo.

“Há avanços, mas a mulher ainda está longe na maioria dos países de participar da sociedade no mesmo pé de igualdade que os homens”, disse Bachelet. Ela disse que para haver desenvolvimento sustentável, é essencial que os governos incluam programas ativos de inclusão da mulher em todas as áreas: comercial, social, de saúde, política, educacional e nas ciências e pesquisa, entre tantas outras.

“Mulheres e crianças continuam excluídas”

Bachelet dividiu o pódio com Gro Harlem Brundtland, ex-Primeira Ministra da Noruega e atual representante do Secretário Geral para mudanças climáticas, considerada uma das maiores lideranças do mundo ambiental. Autora do relatório ‘ Nosso Futuro Comum’ no final da década de 1980, Brundtland antecipou com o documento a agenda da Rio-92 – a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED – sigla em inglês) – realizada no Rio em 1992.

“Nos últimos anos venho estudando tudo o que se passou desde de 1992 e o que me vem mais à cabeça são as meninas e mulheres, que continuam em sua maioria excluídas de participar da sociedade mundial”, disse Brundtland. “Principalmente, é essencial que o mundo respeite o direito da mulher em determinar quantos filhos quer ter e como quer controlar o seu corpo, isso é o primeiro passo em determinar a paridade social dos gêneros”, analisou.

Médica, Brundtland foi também diretora executiva da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nascida em 1939, a geração de Brundtland abriu frentes inusitadas no mundo da política escandinava, conquistando espaços e direitos nos países nórdicos até então considerados impossíveis – como a igualdade de direitos na educação e na economia, simultaneamente ao direito universal de cuidar da família sem sofrer penalidades econômicas e profissionais.

Fonte: ONU Brasil

Conselho de Segurança exige libertação imediata de presidente interino da Guiné-Bissau

Além de Raimundo Pereira, primeiro- ministro Carlos Gomes Júnior também foi detido por integrantes das Forças Armadas do país; órgão da ONU condenou a tomada do poder.

O Conselho de Segurança condenou de forma veemente a tomada do poder por integrantes das Forças Armadas da Guiné-Bissau. O órgão da ONU se pronunciou na tarde da última sexta-feira, após discutir o tema a pedido da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp.

Em comunicado, o Conselho de Segurança pede aos militares que “garantam a segurança do presidente interino, Raimundo Pereira, do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e de todos os altos funcionários que estão detidos.” O órgão exige ainda a sua libertação imediata.

Eleições

Os 15 Estados-membros do Conselho denunciam “firmemente a incursão dos militares na política.”

A tomada do poder ocorreu na última quinta-feira e o segundo turno das eleições presidenciais na Guiné-Bissau estaria marcado para o dia 29 de abril.

Os membros do Conselho de Segurança exigem que todas as partes exerçam máxima contenção, se abstenham da violência e mantenham a calma.

Respeito à Soberania

A declaração realça ainda a necessidade de restabelecimento imediato da ordem constitucional e do governo legítimo para permitir a conclusão do processo eleitoral, incluindo as eleições legislativas.

Os membros do Conselho de Segurança enfatizam também a necessidade de se manter e respeitar a soberania, a unidade e integridade territorial da Guiné-Bissau e expressam a sua intenção acompanhar de perto os desenvolvimentos  no país.

Fonte: Rádio ONU

Políticas fiscais corretas compensam queda no preço das commodities, diz FMI

FMI diz que preços de commodities devem seguir trajetória descendente neste ano e no próximo

Os países exportadores de commodities, em sua quase totalidade emergentes, devem adotar políticas fiscais equilibradas para evitar os efeitos perversos de uma queda no preço de seus produtos, recomendou nesta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo as projeções do órgão, os preços de commodities devem seguir uma trajetória descendente neste ano e no próximo, afetando a receita dos países que dependem delas.

“Olhando para frente, dada a atividade global frágil e os riscos elevados de queda dos preços no médio prazo, os exportadores de commodities podem estar diante de uma desaceleração”, avalia o Fundo, no capítulo 4 de seu relatório World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial).

Por outro lado, disse a jornalistas a especialista Ruta Duttagupta, coordenadora do estudo, “boas políticas fiscais nos momentos de alta criam proteções para serem usadas em trajetórias de baixa”.

Se as previsões se confirmarem, será o fim de um ciclo de alta nos preços das commodities que marcou a primeira década do século.

No fim do ano passado, por exemplo, os preços de energia e dos metais chegaram a três vezes o valor real de apenas uma década atrás, afirmou o relatório.

Entretanto, a crise econômica trouxe “um ambiente de incerteza para as commodities” e resultou em um cenário econômico ainda “desanimador”, nas palavras de Duttagupta.

“Os países emergentes e em desenvolvimento até agora se mostraram extraordinariamente resistentes à crise global, e concluímos que os preços das commodities são um dos principais fatores por trás disto”, disse a especialista.

“Os preços das commodities ainda estão altos, provendo uma oportunidade para (os países) reforçarem instituições e proteções se a sitação piorar.”

Boas práticas

Os analistas do FMI apontam que, de um forma geral, os países exportadores de commodities tomaram medidas que vão no caminho certo de se precaver para evitar um choque no futuro.

O relatório cita o Brasil, Chile, Colômbia, África do Sul e Tailândia, entre outros países, como exemplos de nações que conquistaram avanços reais do PIB e reduziram consideravelmente seus níveis de dívida pública.

Duttagapta citou ainda alguns países da Opep, o cartel de exportadores de petróleo, e a Noruega, como exemplos de nações que estão “indo na direção certa”.

As exportações líquidas de commodities compõem cerca de 30% do total das exportações do Brasil, segundo o relatório.

É um peso importante, mas ao mesmo tempo representa a 2ª menor dependência entre os países latinoamericanos nesse quesito, excetuando-se o México.

O relatório cita medidas que considera corretas no cenário de elevação permanente no preços das commodities: “elevar o investimento público, reduzir os impostos sobre o emprego e o capital melhoram a produtividade do setor privado, a produção e o bem-estar”.

“Entretanto, identificar com certeza se uma mudança nos preços das commodities é temporário ou permanente é muito difícil na prática.”

Fonte: BBC Brasil

Crise humanitária no Sahel africano ameaça 15 milhões

Ajuda alcançada é somente metade do necessário; ONU volta a fazer apelo.

UNICEF: Famílias merecem apoio

A crise humanitária na região do Sahel, na África, só tende a piorar, segundo o diretor-geral do Unicef, Anthony Lake. Ele renovou o apelo à comunidade internacional nesta terça-feira, dizendo que no futuro não haverá desculpas se não houver ação hoje, com rapidez e eficácia.

Estima-se que ao menos 15 milhões de pessoas estejam ameaçadas pela fome, devido à escassez de alimentos decorrente da seca e conflito. O Unicef calcula que 1,5 milhão de crianças corram risco de desnutrição aguda.

Urgência

A ajuda alcançada é somente a metade do total necessário, e ainda são precisos US$ 400 milhões, cerca de R$ 730 milhões. O diretor-geral do Unicef disse que é mais fácil e barato tratar crianças com desnutrição moderada agora do que salvar menores com desnutricão aguda mais tarde.

Durante encontro em Genebra sobre a crise no Sahel,  Anthony Lake lembrou que famílias carentes não merecem “pena nem caridade”, mas sim apoio em sua “luta corajosa pela sobrevivência, em condições que poucos podem imaginar”.

Já o Programa Mundial de Alimentos, PMA, afirmou que faltam apenas quatro semanas para conseguir 180 mil toneladas de cereais e 36 mil toneladas de grãos para a região. O PMA ajuda também em áreas onde há comida, mas as pessoas são muito pobres para comprá-la.

Fonte: Rádio ONU

Exposição fotográfica registra fuga de malianos para o Níger

 

Refugiada maliana no campo de Mangaizé, ao norte de Niger, pensa sobre seu futuro. Fugiu da cidade de Menaka, ao norte de Mali, em janeiro, com sua família. Em Mangaizé, os refugiados foram acolhidos pela população local e as autoridades providenciaram alimentos.

Milhares de famílias malianas chegam ao Níger desde meados de janeiro, fugindo da luta entre o movimento rebelde Tuareg e as forças do governo maliano, no norte de Mali. Os refugiados vivem em assentamentos provisórios ao longo da fronteira. A fotógrafa do Helene Caux foi ao encontro de alguns deles. Muitos expressaram desejo de retornar ao seu país de origem quando a paz for retomada.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) começou a distribuir assistência emergencial e planeja a abertura de campos em áreas mais seguras da fronteira.

Clique aqui para conferir a exposição fotográfica.

Fonte: ONU BRASIL

FAO e IFAH combatem mercado negro de medicamentos veterinários falsificados

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Federação Internacional de Saúde Animal (IFAH) trabalham juntas para estabelecer as primeiras normas farmacêuticas para medicamentos usados no tratamento da tripanossomíase animal africana, normalmente conhecida como Nagana. A Nagana afeta bovinos, ovinos, caprinos, suínos, camelos, cavalos e burros – animais que são vitais para a renda e a segurança alimentar de milhões de pequenos agricultores na África e outras regiões.

Transmitida pela picada da mosca tsé-tsé e outros insetos sugadores de sangue, a Nagana é uma doença animal fatal, capaz de dizimar os rebanhos dos quais os pequenos agricultores africanos dependem para a sua subsistência. Calcula-se que ela seja responsável por perdas econômicas de até 4,5 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. O valor do mercado oficial de medicamentos veterinários na África chega a cerca de 400 milhões de dólares por ano. O comércio de medicamentos de qualidade inferior e não registados é estimado também em 400 milhões de dólares para além das vendas legítimas.

“O uso de medicamentos de qualidade inferior para tratar a Nagana permite a evolução das mais graves estirpes que resistem aos medicamentos, quando são utilizadas doses insuficientes”, afirmou o veterinário da FAO Juan Lubroth, que dirige o Serviço de Saúde Animal desta agência da ONU. “E isso pode representar uma ameaça para a saúde humana caso se acumulem resíduos químicos nocivos na carne ou nos produtos que entram na cadeia alimentar.”

Para resolver o problema, a FAO e a IFAH apresentaram um pedido à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para registar formalmente as primeiras normas farmacêuticas para a produção e uso adequado de dois medicamentos que matam os parasitas que causam a doença. Estas normas  vão definir os componentes aceitáveis para a produção dos medicamentos, as doses adequadas dos seus ingredientes ativos e os níveis permitidos de impurezas que podem conter.

Até abril de 2012, dois laboratórios na África Subsaariana serão selecionados para realizar testes de controle de qualidade e verificação dos dois medicamentos-padrão desenvolvidos pela FAO, IFAH e um grupo de organizações parceiras, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), a Aliança Global de Medicamentos Veterinários para Pecuária (GALVmed) e a Universidade de Strathclyde, no Reino Unido. O esforço também inclui a capacitação de pessoal de laboratório.

Fonte: ONU BRASIL