Arábia Saudita vai ao Mercado Financeiro

Publicado originalmente em 21 de abril de 2016.

Com petróleo em queda, Arábia Saudita busca empréstimo de US$ 10 bi.

A Arábia Saudita está negociando um empréstimo de US$ 10 bilhões com bancos internacionais, num momento em que o reino árabe busca cobrir um déficit orçamentário causado pela queda dos preços do petróleo, de acordo com cinco executivos de bancos próximos à transação.

O empréstimo de cinco anos marca o retorno do país aos mercados globais de crédito, após uma ausência de 25 anos. Ele também ocorre num momento em que os grandes exportadores de petróleo do Golfo Pérsico estão sob forte pressão para encontrar novas fontes de capital após a sua principal fonte de renda ter perdido força em meio ao colapso dos preços da commodity, que vêm caindo acentuadamente desde 2014.

A Arábia Saudita aumentou o valor do empréstimo, inicialmente previsto para ser entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões, após ter registrado uma forte demanda de uma ampla gama de bancos globais, disseram as pessoas a par do assunto. Os termos do financiamento já foram definidos e a transação só aguarda trâmites burocráticos para ser concluída, disseram os banqueiros.

Entre os credores participantes estão os bancos americanos J. P. Morgan Chase & Co., Goldman Sachs Group Inc. e Morgan Stanley. Há também um forte contingente asiático, incluindo o Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ, Banco Industrial e Comercial da China Ltd. e Mizuho Bank.

O Ministério de Finanças da Arábia Saudita não respondeu aos pedidos de comentário.

A Arábia Saudita, cuja avaliação de crédito foi recentemente rebaixada pelas agências de classificação de risco Fitch e Standard & Poor’s, não é o único país a captar recursos na região. O Catar e Omã também recorreram ao mercado global de crédito nos últimos meses, enquanto Abu Dhabi está considerando uma emissão internacional de títulos soberanos, de acordo com os executivos de bancos.

A Standard & Poor’s informou no início deste ano que espera que países do Oriente Médio e do Norte Africano obtenham um total de US$ 134 bilhões em empréstimos este ano, quase o dobro do registrado em 2014, quando os preços do petróleo estavam acima de US$ 100 o barril (hoje, eles oscilam na faixa de US$ 40).

A previsão é que o empréstimo da Arábia Saudita pavimente o caminho para o país obter recursos adicionais através da emissão de dívida soberana nos mercados internacionais, disseram as fontes. Mas ainda não há um cronograma para novas emissões.

Em sua tentativa de amenizar os problemas fiscais causados pelos baixos preços do petróleo, a Arábia Saudita anunciou medidas que incluem o aumento dos preços de serviços públicos, o corte de subsídios e a privatização de ativos estatais.

O país deve anunciar um plano mais detalhado de reforma econômica nas próximas semanas.

Para financiar seu déficit orçamentário, a Arábia Saudita emitiu dívida no mercado local e vem usando suas reservas internacionais. Essas reservas estão hoje abaixo de US$ 600 bilhões, quase US$ 150 bilhões a menos em relação ao pico registrado em meados de 2014.

“Eles estão usando suas reservas de forma significativa e gostariam de reduzir o ritmo”, diz Giyas Gokkent, economista do Instituto de Finanças Internacionais em Dubai.

Executivos de bancos dizem que o número de instituições financeiras participantes reflete o apetite dos bancos asiáticos que estão se expandindo fora do mercado interno. Os japoneses, em particular, estão à caça de novas oportunidades no exterior, à medida que enfrentam taxas de juros negativas em casa.

Um dos executivos disse que o empréstimo foi fixado a uma taxa em torno de um ponto percentual acima da taxa interbancária de Londres, a Libor. Outro disse que o acordo não era necessariamente extremamente rentável para alguns dos bancos envolvidos, mas poderia abrir as portas para transações futuras no reino.

Fonte: DefesaNet

Damaged OPEC has lost the power to influence a world broken by debt

Publicado originalmente em 14 de abril de 2016.

OPEC and non-OPEC oil producers meet in Doha this Sunday to decide on what to do about the still depressed oil price. On the agenda is a proposal to freeze production at January or February levels, with a view to possibly cutting it at the following meeting in June.

Time was when such machinations would be front page news. Journalists would hang on the every word of OPEC’s vainglorious overlords, and their pronouncements would be major market moving events, with sometimes profound repercussions for the global economy.

Not so today. OPEC has lost its power to shock, or indeed to influence global production of oil, and its price, much at all. As Daniel Yergen, author of The Prize, a seminal history of oil and power, put it in a recent interview with the Financial Times: “The era of OPEC as a decisive force in the world economy is over.”

Yet it is not just divisions on strategy, or inability to act in a unified way, that has caused OPEC to lose influence. The over-riding problem for OPEC is that oil — or rather the oil produced by OPEC — is just not as important in setting the pace of the world economy as it used to be.

Oil is just not as important in setting the pace of the world economy as it used to be

There are all kinds of reasons for this – from improvements in efficiency to advanced economy deindustrialization, and from the growth of renewables to the advent of American shale and other new sources of non-OPEC supply. The upshot is that OPEC has lost its grip both on the quantities of oil produced and on the dynamics of world energy markets.

Oil steadied at around US$44 per barrel on Thursday after the International Energy Agency (IEA) trimmed its forecast for demand growth but said a fall in oil output in the United States was speeding up.

Brent crude futures were up 12 cents from their last close at US$44.30 a barrel by 1138 GMT. U.S. crude was up 4 cents at US$41.80 a barrel.

Global oil markets will “move close to balance” in the second half of the year as lower prices take their toll on production outside OPEC, the IEA said.

The world surplus will diminish to 200,000 barrels a day in the last six months of the year from 1.5 million in the first half, the agency said in a report on Thursday. Production outside the Organization of Petroleum Exporting Countries will decline by the most since 1992 as the U.S. shale oil boom falters.

Meanwhile in Doha, a meaningful agreement might give oil producers some short-term respite, but any continued rebound in the price might also further delay the ongoing supply adjustment, and could therefore be counterproductive further out. If the purpose of let rip supply was to drive more marginal sources of energy production out of business — including American shale – it will have failed if the price recovers too quickly.

Rewind to the oil price shocks of the 1970s, and oil stood centre stage in determining the ups and downs of the global economy, as important if not more so in aggregate demand as the level of interest rates. Yet today, economic activity is roughly half as oil intensive as it was back then, reducing the impact of movements in oil prices accordingly. Both on the way up and down, oil prices have less impact.

All of which brings us to one of the big puzzles at the heart of the contemporary world economy. An oil price fall of the scale seen over the past two years — peak to trough was an astonishing 70 per cent — would historically have provided a major stimulus to the world economy, such that today it should be enjoying near boom conditions. Yet so far, it hasn’t had that effect.

Indeed, in its latest World Economic Outlook – Too Slow for Too Long – the International Monetary Fund has further revised down its forecasts of global output, and warned of heightened risks of a permanent cycle of low growth, low inflation and low interest rates. Rarely has the IMF been so gloomy. Now, it is perhaps wise never to take IMF forecasts too seriously. Despite employing a veritable army of nearly 1,000 economists, the Fund is almost invariably well behind the curve. For some time now, the IMF has been too optimistic about prospects for growth; it may be that in yielding to pessimism, the Fund is again getting it wrong.

In any case, the IMF’s latest analysis suggests a number of reasons why the low oil price has so far failed to provide the “shot in the arm” anticipated.

The most obvious is that these things are simply on a long fuse. There is already considerable evidence of a positive boost to domestic consumption, particularly in the US and the UK. Unfortunately, the rest of the economy – investment and trade – is failing to build on this greater propensity to spend.

And while low oil prices are obviously positive for big consumer nations, they are profoundly negative for the producers. These negative impacts seem to have been rather greater in this cycle than past ones. Many producer nations grown used to high commodity prices have been forced into swingeing fiscal and business retrenchment. At the same time, continued deleveraging in advanced economies may have caused private consumption to pick up less strongly than in previous periods of weak prices.

The commodities bust has also had a major impact on investment in energy and mining, capital intensive activities previously undergoing a once in a generation boom. Even big consumer nations such as the U.S. have struggled to remain immune to the subsequent bust. Investment in shale was high during the boom, but has declined sharply with the fall in oil prices. The weakness in investment has transmogrified into weakness in global manufacturing activity and trade more generally.

Finally, our supposedly new best friend – very low interest rates – may in addition to its many other negative consequences be dampening the stimulus normally caused by a decline in oil prices. As the IMF’s chief economist, Maurice Obstfeld, puts it: “when central banks cannot lower the policy interest rate, even a decline in inflation owing to a positive supply shock [such as much lower oil prices] raises the real rate of interest, with negative effects on demand”. A less complicated way of saying the same thing is simply that once in a deflationary trap, it is extremely difficult to get out again. Normal cyclical phenomena won’t do the trick.

As it happens, depressed demand is not actually the main reason for low oil prices. Global demand for oil has never been higher. Rather, the problem is over-supply. This doesn’t necessarily mean the IMF is wrong to be so gloomy, but I suspect the key reason why the low oil price is failing to deliver the stimulus expected is the dampening effect of still massive over indebtedness, not just in advanced economies, but now following the emerging markets boom more or less everywhere. At the last count, debt amounted to nearly 300 per cent of global GDP and rising, far more than can ever be repaid given present, depressed levels of growth.

Eventually, much of it will have to be written off, or otherwise monetized and inflated away. It’s going to be a long, painful and divisive process, against which the disruptions of Brexit, much highlighted by the IMF this week, will look like a stroll in the park by comparison.

With files from Reuters

Brasil poderá ampliar parcerias comerciais com o Irã

Publicado originalmente em: 11/02/2016

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O governo brasileiro deverá iniciar em breve tratativas para novas parcerias comerciais com o Irã. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o governo recebeu em novembro correspondência em que o governo iraniano manifesta interesse em desenvolver parcerias comerciais com o Brasil que envolvem produtos como tecnologia, automóveis e equipamentos brasileiros. O assunto será tratado pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

“O Brasil tem uma boa relação com o Irã, que acaba de vencer a questão das barreiras, portanto, é um grande mercado para o nosso país e, óbvio, nós temos todo o interesse em ampliar esse intercâmbio”, disse Braga. O assunto foi tratado na manhã de hoje (11) em uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff. Uma reunião com o embaixador do Brasil no Irã deve ser marcada para discutir a questão.

Recentemente, os Estados Unidos e a União Europeia decidiram suspender as sanções aplicadas ao Irã, logo após a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) confirmar que o país cumpriu todas as exigências do acordo nuclear assinado em Viena. De acordo com o ministro de Minas e Energia, o Brasil tem interesse em acordos na área de energia. “Eles têm petróleo, têm muito gás, nós temos uma indústria de petróleo, temos interesses, viemos ao longo dos últimos meses tratando com iranianos a questão de refinarias no Brasil.”

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, entre 2002 e 2009, a corrente bilateral de comércio entre Brasil e Irã passou de US$ 500 milhões para US$ 1,24 bilhão. Em 2010, o Irã tornou-se o segundo maior comprador de carne do Brasil, ficando atrás apenas da Rússia.

Fonte: EBC – Agência Brasil

Mudanças climáticas versus interesses privados

 

Publicado Originalmente: 20/01/2016

Contra fatos não existem argumentos, principalmente os falaciosos. Sem dúvida, hoje, os combustíveis fósseis, particularmente o petróleo (seus derivados) é o principal responsável pelo aquecimento global e as mudanças climáticas que estão ocorrendo no planeta. Os combustíveis fósseis são os maiores emissores dos gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento da Terra.

Em dezembro de 2015, depois de 18 anos de negociações, as 195 nações que integram a Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas chegaram a um novo pacto, após a assinatura do Protocolo de Kyoto. No acordo de Paris (COP21), uma das decisões mais importantes foi o compromisso unânime dos países em reduzir as emissões, favorecendo e incentivando mudanças em suas matrizes energéticas. Levou-se em conta a importância e a urgência de se agir contra as mudanças climáticas provocadas pelo homem, comprometendo os países a terem metas para que o aumento da temperatura média fique abaixo de 2°C, buscando limitá-la a 1,5°C.

Indubitavelmente, existe hoje um reconhecimento de que a ciência estava certa sobre o aquecimento global. Os fatos são incontestáveis. O ano de 2015 termina como aquele mais quente até então registrado, superando 2014 que detinha a marca anterior. E 2016, segundo a previsão da agência meteorológica britânica (Met Office), ultrapassará ambos.

Em 2015 a temperatura média da atmosfera terrestre esteve 1ºC acima do registrado no período pré-industrial, quando iniciou o consumo dos combustíveis fósseis e a emissão em larga escala dos gases causadores do efeito estufa, como o CO2.

Incontestavelmente, o petróleo e seus derivados são o inimigo número um do aquecimento global e das mudanças climáticas que assolam o planeta Terra. Portanto, reduzir e mesmo abolir o consumo desta fonte energética, assim como de outros combustíveis fósseis é atualmente imperativo para que a temperatura do planeta não se eleve acima de 2ºC, considerada critica pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, conhecido como o fórum que reúne os “cientistas da ONU”).

Todavia, diante desta constatação irrefutável cientificamente, setores poderosos economicamente (empresas petrolíferas, montadoras, indústrias químicas, indústria do carvão, siderúrgicas) e de grande influência em governos e em estruturas políticas manipulam a opinião pública e travam verdadeira guerra psicológica para desacreditar o debate sobre o aquecimento e as mudanças climáticas globais.

Exemplos destas iniciativas não faltam. A empresa Exxonmobil, a maior petrolífera do mundo, na última década gastou milhões de dólares montando um time de pesquisadores para manipular a opinião pública sobre o aquecimento, usando o poder econômico para desacreditar a tese do IPCC sobre o aquecimento global e a mudança do clima no planeta.

O caso mais emblemático é do cientista Wei-Hock Soon, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Segundo matéria publicada no jornal New York Times de 21 de fevereiro de 2015, documentos obtidos nos termos da Lei de Liberdade de Informação americana, comprovam que este cientista foi financiado pela indústria do petróleo durante longos anos. Neste período ele apareceu em vários programas de TV, prestou depoimento no Congresso dos EUA, escreveu artigos científicos e fez conferências negando o aquecimento global e os riscos decorrentes, e que fosse causado por ações humanas (uso de combustíveis fósseis), mas sim por variações nas atividades do sol.

A Koch Industries (dos irmãos Charles e David), a segunda maior empresa privada dos Estados Unidos e uma das 10 que mais poluem, detentora de refinarias de petróleo no Alaska, no Texas e em Minnesota, além de fábricas de celulose tem muitos motivos para lutar contra a redução de emissões de gases estufa.

Conforme revelado pelo documentarista Roben Greenwald, no filme “Koch Brothers Exposed”, utilizam táticas intimidatórias comprando veículos de comunicação, cientistas e políticos para que ideias contrárias ao debate sobre a vinculação das emissões de poluentes e o aquecimento global fossem propagadas. Esta corporação mantém uma ligação muito estreita com a ultra-direita americana, e também financia o Partido Republicano, que resiste em aprovar medidas de corte de emissão no Congresso norte americano, onde detém a maioria das cadeiras.

As petrolíferas americanas Exxon, Chevron e Conoco Philips consideram que ainda os combustíveis fósseis sustentarão a economia mundial por muitas décadas. Defendem seus interesses e dos acionistas utilizando métodos não diferentes dos irmãos Koch.

Já as corporações petrolíferas europeias – Shell, BP, Total, Eni, Statoil -, admitiram recentemente que erraram sobre o posicionamento adotado contrário ao aquecimento global. Todavia ao fazerem o “mea culpa” creditaram as emissões ao uso do carvão mineral, propondo assim precificar a poluição deste energético. Todavia os Estados Unidos dependem dele para gerar 40% da eletricidade consumida, a China 80%, a Índia 70% e a Austrália 70%. Mesmo com investimentos crescentes em fontes renováveis o discurso destes países é contraditório e hipócrita.

A fraude das emissões da Volkswagen, a maior empresa da Alemanha, também é um evidente sinal de como as grandes corporações atuam. Não respeitam lei alguma, praticam todo tipo de manipulação política e práticas para burlar os controles públicos. Neste caso, diversos veículos a diesel foram fabricados e comercializados como sendo de baixas emissões, mas na realidade emitiam níveis muito mais elevados de poluentes do que os declarados, com um software interno concebido para ludibriar os testes governamentais. Os gases emitidos desses carros podiam chegar a 40 vezes o limite legal de poluentes nos EUA, onde o caso foi denunciado por investigadores de uma ONG.

A indústria petrolífera detém um poder que influencia governos e estruturas políticas. Dela depende a política energética dos grandes países poluidores, como China, Índia e EUA. Apesar dos investimentos globais em favor das energias renováveis serem crescentes, ainda os investimentos globais em petróleo nos últimos anos superam 3 a 5 vezes os investimentos em fontes renováveis de energia (solar, eólica, biomassa…).

Desde a Conferência RIO-92, porém, a ação dos “céticos do clima”, muitos deles ligados ao poderoso lobby da indústria do petróleo, conseguiram barrar os avanços que seriam necessários para evitar a situação alarmante em que nos encontramos hoje. Existe uma grande semelhança nesta ação com o que ocorreu com o poderoso lobby da indústria tabagista no século passado. Vários “cientistas” afirmavam naquela época, não haver relação causa-efeito entre o tabaco e o câncer. O que só fez adiar medidas que poderiam salvar milhares de vida.

Assim, cada vez mais, o debate sobre as mudanças climáticas coloca de um lado as corporações gananciosas que lutam contra a redução de emissões de gases estufa. De outro, os movimentos sociais lutam pela vida, por um planeta justo, ético, plural e protegendo os ecossistemas naturais. A luta é desigual. Todavia, a consciência coletiva transformada em prática atuante poderá pender a balança para os interesses públicos envolvidos nesta questão que interesse a toda civilização.

A COP21 foi um novo ponto de partida, é mais um passo na direção certa ao nível diplomático. Mas ainda estamos muito aquém do que seria necessário para impedir o caos climático. O Acordo de Paris não traz compromissos suficientes, nem garantias, não têm mecanismos coercitivos, apenas propostas voluntárias que não são suficientes para alcançar os objetivos anunciados.

O que está proposto é muito vago e não vai impedir o aquecimento do planeta acima de 2ºC. As populações mais pobres, as mais vulneráveis, principalmente do Hemisfério Sul, serão as que mais sofrerão com o aumento do nível do mar, com as inundações e com a seca.

Assim o engajamento nesta luta, que não é só dos ambientalistas, mas de todos os homens e mulheres de boa vontade são fundamentais para a sobrevivência da humanidade que está ameaçada se não houver profundas mudanças no atual modelo civilizatório. O que implica mudar o modelo insustentável de produção e consumo, além do próprio modo de vida das pessoas.

FONTE: EcoDesenvolvimento

Pepe Escobar: Pipelineistan — the Iran-Pak-China connection

IranPakistanPipeline

Iranian Foreign Minister Javad Zarif has just been to Islamabad to talk serious business with Pakistani Prime Minister Nawaz Sharif. And the serious business had to be Pipelineistan – as in what next for the Iran-Pakistan (IP) gas pipeline.

Zarif essentially said that IP is a go – again – as soon as sanctions against Iran start to melt, by late 2015 or early 2016. Iran has already invested $2 billion in the Iranian stretch of IP, and China will finance the Pakistani stretch.

This is a major Pipelinestan gambit, as Asia Times has previously reported. And as a side note, as soon as IP goes online, all those years of incessant harassing by successive Bush and Obama administrations will finally come down to nought.

China West-East Gas Pipeline

Even before Zarif hit Pakistan something serious was going on in … Karamay. You may have not heard of Karamay, but this town in Xinjiang is right at the center of the Eurasian action; it has just hosted the 2015 China-Pakistan Economic Corridor Forum.

As we all know, the China-Pakistan Economic Corridor (CPEC) is an absolutely key component, worth $46 billion, of the China-driven New Silk Roads. CPEC will link Kashgar in Xinjiang to the Arabian Sea port of Gwadar via highways (essentially an upgrade of the fabled Karakoram Highway), railways, industrial parks, fiber optic networks and – eventually – a pipeline.

And that pipeline will be no less than an extension up north of IP.

As part of CPEC, for instance, last month TBEA Xinjiang SunOasis — a Chinese company — finished the biggest solar power plant in Pakistan, for $215 million, in only three months.

At Karamay, China and Pakistan signed 20 CPEC-related cooperation agreements. They even issued a Karamay manifesto, stressing the political/economic importance of the Silk Road Economic Belt and the 21st-Century Maritime Silk Road. CPEC is the largest China-Pakistan joint project since the construction of the Karakoram highway in 1979. And CPEC is only one among six economic corridors to be developed as part of the New Silk Roads.

Yet the full impact of CPEC will only be noted by the next decade. That’s when the New Silk Road for the bulk of China’s energy imports from the Middle East will be cut short by no less than 12,000 kilometers.

Ashgabat wakes up

Meanwhile, Turkmengaz — Turkmenistan’s national gas company — has taken a 51% stake in a consortium still seeking to build the perennially troubled TAPI (Turkmenistan-Afghanistan-Pakistan-India) gas pipeline, a serious competitor to IP if it ever gets built.

That’s a game-changer because the Turkmen will now be in charge of the construction and operation of TAPI Ltd. The cost is a whopping $10 billion (IP will cost three times less); investment to the tune of $4 billion and $6 billion in debt.

Still it all comes back to the same problem; who wants to invest in a steel umbilical cord prone to all sorts of sabotage traversing a war zone — western Afghanistan all the way to Kandahar? In theory, “host countries” should be responsible for TAPI’s security; in the case of Afghanistan, that qualifies as black humor.

For the moment, Turkmengaz can only count on the Manila-based but Japan/US-controlled Asian Development Bank (ADB). That’s not much. The notoriously opaque regime in Ashgabat says it’s seeking other backers — but no one knows where and how.

TAPI is still a pipe dream. Pakistan and India are not seriously considering it viable even in the medium term. So it’s back to IP.

Even after sanctions are lifted, Iran will need to find an ocean of investment — at least $180 billion — to upgrade its energy infrastructure and be able to start exporting natural gas to Europe, in competition with Gazprom.

So Iran’s privileged Pipelineistan play for the near future will be Asia – from Southwest Asia (Iraq and Oman) to South Asia (Pakistan). With China ready to instantly capitalize on every surge of Iran’s natural gas production.

(Copyright 2015 Asia Times Holdings Limited, a duly registered Hong Kong company. All rights reserved. Please contact us about sales, syndication and republishing.)

Fonte: Asia Times

La nueva geopolítica del petróleo

¿En qué contexto general se está dibujando la nueva geopolítica del petróleo? El país hegemónico, Estados Unidos, considera a China como la única potencia contemporánea capaz, a medio plazo (en la segunda mitad del siglo XXI), de rivalizar con él y de amenazar su hegemonía solitaria a nivel mundial. Por ello, Washington instauró secretamente, desde principio de los años 2000, una “desconfianza estratégica” con respecto a Pekín.
El presidente Barack Obama decidió reorientar la política exterior norteamericana considerando como criterio principal este parámetro. Estados Unidos no quiere encontrarse de nuevo en la humillante situación de la Guerra Fría (1948-1989), cuando tuvo que compartir su hegemonía mundial con otra “superpotencia”, la Unión Soviética. Los consejeros de Obama formulan esta teoría de la siguiente manera: “Un sólo planeta, una sola superpotencia”.
En consecuencia, Washington no deja de incrementar sus fuerzas y sus bases militares en Asia Oriental para intentar “contener” a China. Pekín constata ya el bloqueo de su capacidad de expansión marítima por los múltiples “conflictos de los islotes” con Corea del Sur, Taiwán, Japón, Vietnam, Filipinas… Y por la poderosa presencia de la VIIª flota de Estados Unidos. Paralelamente, la diplomacia norteamericana refuerza sus relaciones con todos los Estados que poseen fronteras terrestres con China (exceptuando a Rusia). Lo que explica el reciente y espectacular acercamiento de Washington con Vietnam y con Birmania.
Esta política prioritaria de atención hacia el Extremo Oriente y de contención de China sólo es posible si Estados Unidos logra poder alejarse de Oriente Próximo. En este escenario estratégico, Washington interviene tradicionalmente en tres ámbitos. En primer lugar, en el ámbito militar: Washington se encuentra inmerso en varios conflictos, especialmente en Afganistán contra los talibanes y en Irak-Siria contra la Organización del Estado Islámico. En segundo lugar, en el ámbito de la diplomacia, en particular con la República Islámica de Irán, con el objetivo de limitar su expansión ideológica e impedir el acceso de Teherán a la fuerza nuclear. Y, en tercer lugar, en el ámbito de la solidaridad, especialmente con respecto a Israel, para quien Estados Unidos sigue siendo una especie de “protector en última instancia”.
Esta “sobreimplicación” directa de Washington en la región (particularmente después de la Guerra del Golfo en 1991) ha mostrado los “límites de la potencia norteamericana”, que no ha podido ganar realmente ninguno de los conflictos en los cuales se ha implicado fuertemente (Irak, Afganistán). Conflictos que han tenido, para las arcas de Washington, un coste astronómico con consecuencias desastrosas incluso para el sistema financiero internacional.
Actualmente, Washington tiene claro que Estados Unidos no puede realizar simultáneamente dos grandes guerras de alcance mundial. Por lo tanto, la alternativa es la siguiente: o Estados Unidos continúa implicándose en el “pantanal” de Oriente Próximo en conflictos típicos del siglo XIX; o se concentra en la urgente contención de China, cuyo fulgurante impulso podría anunciar a medio plazo la decadencia de Estados Unidos.
La decisión de Barack Obama es obvia: debe hacer frente al segundo reto, pues éste será decisivo para el futuro de Estados Unidos en el siglo XXI. En consecuencia, este país debe retirarse progresivamente –pero imperativamente– de Oriente Próximo.
Aquí se plantea una pregunta: ¿por qué Estados Unidos se ha implicado tanto en Oriente Próximo, hasta el punto de descuidar al resto del mundo, desde el fin de la Guerra Fría? Para esta pregunta, la repuesta puede limitarse a una palabra: petróleo.
Desde que Estados Unidos dejó de ser autosuficiente en lo que al petróleo se refiere, a finales de los años 1940, el control de las principales zonas de producción de hidrocarburos se convirtió en una “obsesión estratégica” norteamericana. Lo cual explica parcialmente la “diplomacia de los golpes de Estado” de Washington, especialmente en Oriente Medio y en América Latina.
En Oriente Próximo, en los años 1950, a medida que el viejo Imperio Británico se retiraba y quedaba reducido a su archipiélago inicial, el Imperio estadounidense lo reemplazaba mientras colocaba a la cabeza de los países de esas regiones a sus “hombres”, sobre todo en Arabia Saudí y en Irán, principales productores de petróleo del mundo, junto con Venezuela, ya bajo control estadounidense en la época.
Hasta hace poco, la dependencia de Washington respecto al petróleo y al gas de Oriente Próximo le impidió considerar la posibilidad de retirarse de la región. ¿Qué ha cambiado entonces para que Estados Unidos piense ahora en retirarse de Oriente Próximo? El petróleo y el gas de esquisto, cuya producción por el método llamado “fracking” aumentó significativamente a comienzos de los años 2000. Eso modificó todos los parámetros. La explotación de ese tipo de hidrocarburos (cuyo coste es más elevado que el del petróleo “tradicional”) fue favorecida por el importante aumento del precio de los hidrocarburos que, en promedio, superaron los 100 dólares por barril entre 2010 y 2013.
Actualmente, Estados Unidos ha recuperado la autosuficiencia energética e incluso está convirtiéndose otra vez en un importante exportador de hidrocarburos. Por lo tanto, ya puede por fin considerar la posibilidad de retirarse de Oriente Próximo, con la condición de cauterizar rápidamente varias heridas que, en algunos casos, datan de más de un siglo.
Por esa razón, Obama retiró casi la totalidad de las tropas norteamericanas de Irak y de Afganistán. Estados Unidos participó muy discretamente en los bombardeos de Libia y se negó a intervenir contra las autoridades de Damasco, en Siria. Por otra parte, Washington busca a marchas forzadas un acuerdo con Teherán sobre el tema nuclear y presiona a Israel para que su gobierno progrese urgentemente hacia un acuerdo con los palestinos. En todos estos temas se percibe el deseo de Washington de cerrar los frentes en Oriente Próximo para pasar a otra cuestión (China) y olvidar así las pesadillas de Oriente Próximo.

Todo esto se desarrollaba perfectamente mientras los precios del petróleo seguían altos, cerca de 100 dólares el barril. El precio de explotación del barril de petróleo de esquisto es de aproximadamente 60 dólares, lo que deja a los productores un margen considerable (entre 30 y 40 dólares el barril).
Aquí es donde Arabia Saudí ha decidido intervenir. Riad se opone a que Estados Unidos se retire de Oriente Próximo. Sobre todo si Washington establece antes un acuerdo sobre el tema nuclear con Teherán, lo que los saudíes consideran demasiado favorable a Irán. Además, según la monarquía wahabita, expondría a los saudíes, y a los suníes en general, a convertirse en víctimas de lo que llaman “el expansionismo chií”. Hay que tener presente que los principales yacimientos de hidrocarburos saudíes se encuentran en zonas de población chií.
Considerando que dispone de las segundas reservas mundiales de petróleo, Arabia Saudí decidió usar el petróleo para sabotear la estrategia norteamericana. Oponiéndose a las consignas de la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Riad decidió, contra toda lógica comercial aparente, aumentar considerablemente su producción y hacer de ese modo bajar los precios del petróleo, inundando el mercado de petróleo barato. La estrategia dio rápidamente resultados. En poco tiempo, los precios del petróleo bajaron un 50%. El precio del barril descendió a 40 dólares (antes de subir ligeramente hasta aproximadamente 55-60 dólares actualmente).
Esta política asestó un duro golpe al “fracking”. La mayoría de los grandes productores estadounidenses de gas de esquisto están actualmente en crisis, endeudados y corren el riesgo de quebrar (lo que implica una amenaza para el sistema bancario norteamericano que, generosamente, había ofrecido abundantes créditos a los neopetroleros). A 40 dólares el barril, el esquisto ya no resulta rentable. Ni las excavaciones profundas “off shore”. Numerosas compañías petroleras importantes ya han anunciado que cesan sus explotaciones en alta mar porque no son rentables, provocando la pérdida de decenas de miles de empleos.
Una vez más, el petróleo es menos abundante. Y los precios suben ligeramente. Pero las reservas de Arabia Saudí son suficientemente importantes para que Riad regule el flujo y ajuste su producción de manera que permita un ligero aumento del precio (hasta 60 dólares aproximadamente) pero sin que se lleguen a superar los límites que permitirían reanudar la producción mediante el “fracking” y en los yacimientos marítimos a gran profundidad. De este modo, Riad se ha convertido en el árbitro absoluto en materia de precio del petróleo (parámetro decisivo para las economías de decenas de países entre los cuales figuran Argelia, Venezuela, Nigeria, México, Indonesia, etc.).
Estas nuevas circunstancias obligan a Barack Obama a reconsiderar sus planes. La crisis del “fracking” podría representar el fin de la autosuficiencia de energía fósil en Estados Unidos. Y, por lo tanto, la vuelta a la dependencia de Oriente Próximo (y también de Venezuela, por ejemplo). Por ahora, Riad parece haber ganado su apuesta. ¿Hasta cuándo?

Fonte: Le Monde

Investigação nos EUA ameaça arranhar imagem da Petrobras no exterior

Já abalada pela Operação Lava Jato, estatal é alvo agora das autoridades americanas. Segundo especialistas, caso pode espantar investidores, prejudicar suas ações na Bolsa de NY e ter impacto negativo na imagem do país.

Depois de começar a ser investigada pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, a Petrobras agora é alvo das autoridades americanas sobre sua conduta nos Estados Unidos. As apurações devem, mais uma vez, causar mais danos à imagem da estatal brasileira, que também negocia suas ações na Bolsa de Nova York.

Segundo o jornal britânico Financial Times em matéria publicada no domingo (09/11), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra a estatal. Já a Securities Exchange Commission (SEC) – órgão que regula o mercado de capitais nos EUA e equivalente no Brasil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – vai iniciar uma investigação civil contra funcionários da empresa.

“A investigação afeta, e muito, a imagem da Petrobras, pois transmite ao mercado a imagem de que a ela está sujeita, por exemplo, a influências políticas, o que não se pode admitir para uma empresa com ações negociadas em bolsa”, afirma o advogado Eduardo Boccuzzi.

Segundo Boccuzzi, especialista em fusões, aquisições e mercado de capitais, as ações da empresa já perderam 23% em valor neste ano na Bolsa de Valores de Nova York. E os escândalos, afirma, espantam investidores, que vendem papéis da estatal para adquirir os de outras empresas.

A investigação do escândalo, de acordo com Boccuzzi, pode ter ainda uma influência negativa sobre a imagem do país e dificultar o acesso de outras empresas brasileiras ao mercado de capitais americano.

“Em geral, investidores estrangeiros vão se sentir temerários em investir em empresas nacionais, principalmente estatais, que queiram emitir valores mobiliários em bolsas no exterior”, diz Boccuzzi.

Para o professor de direito comercial Alexandre Bueno Cateb, do Ibmec/MG, dependendo do grau de apuração e profundidade da investigação, existe o risco até mesmo de a Petrobras sofrer restrições de captar recursos no exterior. E, num cenário ainda pior, ela poderia ser impedida de continuar a negociar ações na Bolsa de Nova York.

“As autoridades americanas querem manter a credibilidade do mercado de ações dos EUA”, diz Bueno Cateb. “E como a Petrobras está envolvida em situações nebulosas, eles querem saber o que está acontecendo, se alguém está usando informações privilegiadas e se beneficiando dos negócios que a Petrobras realiza.”

Nesta segunda-feira, o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou a investigação dos EUA sobre suspeitas de desvio de recursos na Petrobras. Ele disse que, se os EUA abriram a investigação, eles devem dar continuação “como o Brasil está fazendo”. “A expressão doa a quem doer é muito correta em relação às investigações que já estão sendo feitas pelo governo federal”, disse Temer.

Executivos e empresa sob risco

As investigações do Departamento de Justiça e da SEC estão centradas na possibilidade de a estatal ou funcionários dela terem recebido propina ou terem violado o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) – a lei anticorrupção dos EUA.

Pela legislação, executivos e funcionários da empresa podem ser presos, e a companhia e seus empregados podem ter que pagar multa. Na lei, o valor não é estipulado, mas, segundo especialistas, pode ser alto.

A FCPA pune empresas americanas que subornam funcionários públicos de outros países, mas a legislação também é aplicada para empresas estrangeiras que têm ações listadas em bolsas de valores nos EUA. Pelo fato de a Petrobras negociar ações em Nova York, a empresa está sujeita à legislação americana.

“O mercado de capitais só funciona se existir credibilidade para atrair investidores interessados em investir de forma saudável”, diz Bueno Cateb. “O mercado que não tem a devida credibilidade passa a ser totalmente especulativo. As empresas precisam atrair investimentos a longo prazo para permitir a criação de riqueza, empregos e renda no país.”

No Brasil, a estatal é investigada após a denúncia de um suposto esquema de corrupção feitas por seu ex-diretor Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Yousseff. Eles foram presos em março deste ano durante a Operação Lava Jato, que apura um esquema de lavagem de dinheiro em que políticos receberiam propina em contratos da estatal.

Entre os contratos da Petrobras, está a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), que teria servido para abastecer o caixa dois de partidos e pagar propina. Num negócio suspeito de superfaturamento e evasão de divisas, a compra da texana custou 1,18 bilhão de dólares, mais de 27 vezes o valor desembolsado anteriormente pela belga Astra Oil.

Procuradas pela DW Brasil, a Petrobras e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não se manifestaram até o fechamento da reportagem. Já a Securities Exchange Commission (SEC) disse que não faria comentários sobre o tema.

Fonte: http://www.dw.de/investigação-nos-eua-ameaça-arranhar-imagem-da-petrobras-no-exterior/a-18057422

Matheus Luiz Puppe Magalhaes