Brasil poderá ampliar parcerias comerciais com o Irã

Publicado originalmente em: 11/02/2016

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O governo brasileiro deverá iniciar em breve tratativas para novas parcerias comerciais com o Irã. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o governo recebeu em novembro correspondência em que o governo iraniano manifesta interesse em desenvolver parcerias comerciais com o Brasil que envolvem produtos como tecnologia, automóveis e equipamentos brasileiros. O assunto será tratado pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

“O Brasil tem uma boa relação com o Irã, que acaba de vencer a questão das barreiras, portanto, é um grande mercado para o nosso país e, óbvio, nós temos todo o interesse em ampliar esse intercâmbio”, disse Braga. O assunto foi tratado na manhã de hoje (11) em uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff. Uma reunião com o embaixador do Brasil no Irã deve ser marcada para discutir a questão.

Recentemente, os Estados Unidos e a União Europeia decidiram suspender as sanções aplicadas ao Irã, logo após a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) confirmar que o país cumpriu todas as exigências do acordo nuclear assinado em Viena. De acordo com o ministro de Minas e Energia, o Brasil tem interesse em acordos na área de energia. “Eles têm petróleo, têm muito gás, nós temos uma indústria de petróleo, temos interesses, viemos ao longo dos últimos meses tratando com iranianos a questão de refinarias no Brasil.”

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, entre 2002 e 2009, a corrente bilateral de comércio entre Brasil e Irã passou de US$ 500 milhões para US$ 1,24 bilhão. Em 2010, o Irã tornou-se o segundo maior comprador de carne do Brasil, ficando atrás apenas da Rússia.

Fonte: EBC – Agência Brasil

Mudanças climáticas versus interesses privados

 

Publicado Originalmente: 20/01/2016

Contra fatos não existem argumentos, principalmente os falaciosos. Sem dúvida, hoje, os combustíveis fósseis, particularmente o petróleo (seus derivados) é o principal responsável pelo aquecimento global e as mudanças climáticas que estão ocorrendo no planeta. Os combustíveis fósseis são os maiores emissores dos gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento da Terra.

Em dezembro de 2015, depois de 18 anos de negociações, as 195 nações que integram a Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas chegaram a um novo pacto, após a assinatura do Protocolo de Kyoto. No acordo de Paris (COP21), uma das decisões mais importantes foi o compromisso unânime dos países em reduzir as emissões, favorecendo e incentivando mudanças em suas matrizes energéticas. Levou-se em conta a importância e a urgência de se agir contra as mudanças climáticas provocadas pelo homem, comprometendo os países a terem metas para que o aumento da temperatura média fique abaixo de 2°C, buscando limitá-la a 1,5°C.

Indubitavelmente, existe hoje um reconhecimento de que a ciência estava certa sobre o aquecimento global. Os fatos são incontestáveis. O ano de 2015 termina como aquele mais quente até então registrado, superando 2014 que detinha a marca anterior. E 2016, segundo a previsão da agência meteorológica britânica (Met Office), ultrapassará ambos.

Em 2015 a temperatura média da atmosfera terrestre esteve 1ºC acima do registrado no período pré-industrial, quando iniciou o consumo dos combustíveis fósseis e a emissão em larga escala dos gases causadores do efeito estufa, como o CO2.

Incontestavelmente, o petróleo e seus derivados são o inimigo número um do aquecimento global e das mudanças climáticas que assolam o planeta Terra. Portanto, reduzir e mesmo abolir o consumo desta fonte energética, assim como de outros combustíveis fósseis é atualmente imperativo para que a temperatura do planeta não se eleve acima de 2ºC, considerada critica pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, conhecido como o fórum que reúne os “cientistas da ONU”).

Todavia, diante desta constatação irrefutável cientificamente, setores poderosos economicamente (empresas petrolíferas, montadoras, indústrias químicas, indústria do carvão, siderúrgicas) e de grande influência em governos e em estruturas políticas manipulam a opinião pública e travam verdadeira guerra psicológica para desacreditar o debate sobre o aquecimento e as mudanças climáticas globais.

Exemplos destas iniciativas não faltam. A empresa Exxonmobil, a maior petrolífera do mundo, na última década gastou milhões de dólares montando um time de pesquisadores para manipular a opinião pública sobre o aquecimento, usando o poder econômico para desacreditar a tese do IPCC sobre o aquecimento global e a mudança do clima no planeta.

O caso mais emblemático é do cientista Wei-Hock Soon, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Segundo matéria publicada no jornal New York Times de 21 de fevereiro de 2015, documentos obtidos nos termos da Lei de Liberdade de Informação americana, comprovam que este cientista foi financiado pela indústria do petróleo durante longos anos. Neste período ele apareceu em vários programas de TV, prestou depoimento no Congresso dos EUA, escreveu artigos científicos e fez conferências negando o aquecimento global e os riscos decorrentes, e que fosse causado por ações humanas (uso de combustíveis fósseis), mas sim por variações nas atividades do sol.

A Koch Industries (dos irmãos Charles e David), a segunda maior empresa privada dos Estados Unidos e uma das 10 que mais poluem, detentora de refinarias de petróleo no Alaska, no Texas e em Minnesota, além de fábricas de celulose tem muitos motivos para lutar contra a redução de emissões de gases estufa.

Conforme revelado pelo documentarista Roben Greenwald, no filme “Koch Brothers Exposed”, utilizam táticas intimidatórias comprando veículos de comunicação, cientistas e políticos para que ideias contrárias ao debate sobre a vinculação das emissões de poluentes e o aquecimento global fossem propagadas. Esta corporação mantém uma ligação muito estreita com a ultra-direita americana, e também financia o Partido Republicano, que resiste em aprovar medidas de corte de emissão no Congresso norte americano, onde detém a maioria das cadeiras.

As petrolíferas americanas Exxon, Chevron e Conoco Philips consideram que ainda os combustíveis fósseis sustentarão a economia mundial por muitas décadas. Defendem seus interesses e dos acionistas utilizando métodos não diferentes dos irmãos Koch.

Já as corporações petrolíferas europeias – Shell, BP, Total, Eni, Statoil -, admitiram recentemente que erraram sobre o posicionamento adotado contrário ao aquecimento global. Todavia ao fazerem o “mea culpa” creditaram as emissões ao uso do carvão mineral, propondo assim precificar a poluição deste energético. Todavia os Estados Unidos dependem dele para gerar 40% da eletricidade consumida, a China 80%, a Índia 70% e a Austrália 70%. Mesmo com investimentos crescentes em fontes renováveis o discurso destes países é contraditório e hipócrita.

A fraude das emissões da Volkswagen, a maior empresa da Alemanha, também é um evidente sinal de como as grandes corporações atuam. Não respeitam lei alguma, praticam todo tipo de manipulação política e práticas para burlar os controles públicos. Neste caso, diversos veículos a diesel foram fabricados e comercializados como sendo de baixas emissões, mas na realidade emitiam níveis muito mais elevados de poluentes do que os declarados, com um software interno concebido para ludibriar os testes governamentais. Os gases emitidos desses carros podiam chegar a 40 vezes o limite legal de poluentes nos EUA, onde o caso foi denunciado por investigadores de uma ONG.

A indústria petrolífera detém um poder que influencia governos e estruturas políticas. Dela depende a política energética dos grandes países poluidores, como China, Índia e EUA. Apesar dos investimentos globais em favor das energias renováveis serem crescentes, ainda os investimentos globais em petróleo nos últimos anos superam 3 a 5 vezes os investimentos em fontes renováveis de energia (solar, eólica, biomassa…).

Desde a Conferência RIO-92, porém, a ação dos “céticos do clima”, muitos deles ligados ao poderoso lobby da indústria do petróleo, conseguiram barrar os avanços que seriam necessários para evitar a situação alarmante em que nos encontramos hoje. Existe uma grande semelhança nesta ação com o que ocorreu com o poderoso lobby da indústria tabagista no século passado. Vários “cientistas” afirmavam naquela época, não haver relação causa-efeito entre o tabaco e o câncer. O que só fez adiar medidas que poderiam salvar milhares de vida.

Assim, cada vez mais, o debate sobre as mudanças climáticas coloca de um lado as corporações gananciosas que lutam contra a redução de emissões de gases estufa. De outro, os movimentos sociais lutam pela vida, por um planeta justo, ético, plural e protegendo os ecossistemas naturais. A luta é desigual. Todavia, a consciência coletiva transformada em prática atuante poderá pender a balança para os interesses públicos envolvidos nesta questão que interesse a toda civilização.

A COP21 foi um novo ponto de partida, é mais um passo na direção certa ao nível diplomático. Mas ainda estamos muito aquém do que seria necessário para impedir o caos climático. O Acordo de Paris não traz compromissos suficientes, nem garantias, não têm mecanismos coercitivos, apenas propostas voluntárias que não são suficientes para alcançar os objetivos anunciados.

O que está proposto é muito vago e não vai impedir o aquecimento do planeta acima de 2ºC. As populações mais pobres, as mais vulneráveis, principalmente do Hemisfério Sul, serão as que mais sofrerão com o aumento do nível do mar, com as inundações e com a seca.

Assim o engajamento nesta luta, que não é só dos ambientalistas, mas de todos os homens e mulheres de boa vontade são fundamentais para a sobrevivência da humanidade que está ameaçada se não houver profundas mudanças no atual modelo civilizatório. O que implica mudar o modelo insustentável de produção e consumo, além do próprio modo de vida das pessoas.

FONTE: EcoDesenvolvimento

Pepe Escobar: Pipelineistan — the Iran-Pak-China connection

IranPakistanPipeline

Iranian Foreign Minister Javad Zarif has just been to Islamabad to talk serious business with Pakistani Prime Minister Nawaz Sharif. And the serious business had to be Pipelineistan – as in what next for the Iran-Pakistan (IP) gas pipeline.

Zarif essentially said that IP is a go – again – as soon as sanctions against Iran start to melt, by late 2015 or early 2016. Iran has already invested $2 billion in the Iranian stretch of IP, and China will finance the Pakistani stretch.

This is a major Pipelinestan gambit, as Asia Times has previously reported. And as a side note, as soon as IP goes online, all those years of incessant harassing by successive Bush and Obama administrations will finally come down to nought.

China West-East Gas Pipeline

Even before Zarif hit Pakistan something serious was going on in … Karamay. You may have not heard of Karamay, but this town in Xinjiang is right at the center of the Eurasian action; it has just hosted the 2015 China-Pakistan Economic Corridor Forum.

As we all know, the China-Pakistan Economic Corridor (CPEC) is an absolutely key component, worth $46 billion, of the China-driven New Silk Roads. CPEC will link Kashgar in Xinjiang to the Arabian Sea port of Gwadar via highways (essentially an upgrade of the fabled Karakoram Highway), railways, industrial parks, fiber optic networks and – eventually – a pipeline.

And that pipeline will be no less than an extension up north of IP.

As part of CPEC, for instance, last month TBEA Xinjiang SunOasis — a Chinese company — finished the biggest solar power plant in Pakistan, for $215 million, in only three months.

At Karamay, China and Pakistan signed 20 CPEC-related cooperation agreements. They even issued a Karamay manifesto, stressing the political/economic importance of the Silk Road Economic Belt and the 21st-Century Maritime Silk Road. CPEC is the largest China-Pakistan joint project since the construction of the Karakoram highway in 1979. And CPEC is only one among six economic corridors to be developed as part of the New Silk Roads.

Yet the full impact of CPEC will only be noted by the next decade. That’s when the New Silk Road for the bulk of China’s energy imports from the Middle East will be cut short by no less than 12,000 kilometers.

Ashgabat wakes up

Meanwhile, Turkmengaz — Turkmenistan’s national gas company — has taken a 51% stake in a consortium still seeking to build the perennially troubled TAPI (Turkmenistan-Afghanistan-Pakistan-India) gas pipeline, a serious competitor to IP if it ever gets built.

That’s a game-changer because the Turkmen will now be in charge of the construction and operation of TAPI Ltd. The cost is a whopping $10 billion (IP will cost three times less); investment to the tune of $4 billion and $6 billion in debt.

Still it all comes back to the same problem; who wants to invest in a steel umbilical cord prone to all sorts of sabotage traversing a war zone — western Afghanistan all the way to Kandahar? In theory, “host countries” should be responsible for TAPI’s security; in the case of Afghanistan, that qualifies as black humor.

For the moment, Turkmengaz can only count on the Manila-based but Japan/US-controlled Asian Development Bank (ADB). That’s not much. The notoriously opaque regime in Ashgabat says it’s seeking other backers — but no one knows where and how.

TAPI is still a pipe dream. Pakistan and India are not seriously considering it viable even in the medium term. So it’s back to IP.

Even after sanctions are lifted, Iran will need to find an ocean of investment — at least $180 billion — to upgrade its energy infrastructure and be able to start exporting natural gas to Europe, in competition with Gazprom.

So Iran’s privileged Pipelineistan play for the near future will be Asia – from Southwest Asia (Iraq and Oman) to South Asia (Pakistan). With China ready to instantly capitalize on every surge of Iran’s natural gas production.

(Copyright 2015 Asia Times Holdings Limited, a duly registered Hong Kong company. All rights reserved. Please contact us about sales, syndication and republishing.)

Fonte: Asia Times

La nueva geopolítica del petróleo

¿En qué contexto general se está dibujando la nueva geopolítica del petróleo? El país hegemónico, Estados Unidos, considera a China como la única potencia contemporánea capaz, a medio plazo (en la segunda mitad del siglo XXI), de rivalizar con él y de amenazar su hegemonía solitaria a nivel mundial. Por ello, Washington instauró secretamente, desde principio de los años 2000, una “desconfianza estratégica” con respecto a Pekín.
El presidente Barack Obama decidió reorientar la política exterior norteamericana considerando como criterio principal este parámetro. Estados Unidos no quiere encontrarse de nuevo en la humillante situación de la Guerra Fría (1948-1989), cuando tuvo que compartir su hegemonía mundial con otra “superpotencia”, la Unión Soviética. Los consejeros de Obama formulan esta teoría de la siguiente manera: “Un sólo planeta, una sola superpotencia”.
En consecuencia, Washington no deja de incrementar sus fuerzas y sus bases militares en Asia Oriental para intentar “contener” a China. Pekín constata ya el bloqueo de su capacidad de expansión marítima por los múltiples “conflictos de los islotes” con Corea del Sur, Taiwán, Japón, Vietnam, Filipinas… Y por la poderosa presencia de la VIIª flota de Estados Unidos. Paralelamente, la diplomacia norteamericana refuerza sus relaciones con todos los Estados que poseen fronteras terrestres con China (exceptuando a Rusia). Lo que explica el reciente y espectacular acercamiento de Washington con Vietnam y con Birmania.
Esta política prioritaria de atención hacia el Extremo Oriente y de contención de China sólo es posible si Estados Unidos logra poder alejarse de Oriente Próximo. En este escenario estratégico, Washington interviene tradicionalmente en tres ámbitos. En primer lugar, en el ámbito militar: Washington se encuentra inmerso en varios conflictos, especialmente en Afganistán contra los talibanes y en Irak-Siria contra la Organización del Estado Islámico. En segundo lugar, en el ámbito de la diplomacia, en particular con la República Islámica de Irán, con el objetivo de limitar su expansión ideológica e impedir el acceso de Teherán a la fuerza nuclear. Y, en tercer lugar, en el ámbito de la solidaridad, especialmente con respecto a Israel, para quien Estados Unidos sigue siendo una especie de “protector en última instancia”.
Esta “sobreimplicación” directa de Washington en la región (particularmente después de la Guerra del Golfo en 1991) ha mostrado los “límites de la potencia norteamericana”, que no ha podido ganar realmente ninguno de los conflictos en los cuales se ha implicado fuertemente (Irak, Afganistán). Conflictos que han tenido, para las arcas de Washington, un coste astronómico con consecuencias desastrosas incluso para el sistema financiero internacional.
Actualmente, Washington tiene claro que Estados Unidos no puede realizar simultáneamente dos grandes guerras de alcance mundial. Por lo tanto, la alternativa es la siguiente: o Estados Unidos continúa implicándose en el “pantanal” de Oriente Próximo en conflictos típicos del siglo XIX; o se concentra en la urgente contención de China, cuyo fulgurante impulso podría anunciar a medio plazo la decadencia de Estados Unidos.
La decisión de Barack Obama es obvia: debe hacer frente al segundo reto, pues éste será decisivo para el futuro de Estados Unidos en el siglo XXI. En consecuencia, este país debe retirarse progresivamente –pero imperativamente– de Oriente Próximo.
Aquí se plantea una pregunta: ¿por qué Estados Unidos se ha implicado tanto en Oriente Próximo, hasta el punto de descuidar al resto del mundo, desde el fin de la Guerra Fría? Para esta pregunta, la repuesta puede limitarse a una palabra: petróleo.
Desde que Estados Unidos dejó de ser autosuficiente en lo que al petróleo se refiere, a finales de los años 1940, el control de las principales zonas de producción de hidrocarburos se convirtió en una “obsesión estratégica” norteamericana. Lo cual explica parcialmente la “diplomacia de los golpes de Estado” de Washington, especialmente en Oriente Medio y en América Latina.
En Oriente Próximo, en los años 1950, a medida que el viejo Imperio Británico se retiraba y quedaba reducido a su archipiélago inicial, el Imperio estadounidense lo reemplazaba mientras colocaba a la cabeza de los países de esas regiones a sus “hombres”, sobre todo en Arabia Saudí y en Irán, principales productores de petróleo del mundo, junto con Venezuela, ya bajo control estadounidense en la época.
Hasta hace poco, la dependencia de Washington respecto al petróleo y al gas de Oriente Próximo le impidió considerar la posibilidad de retirarse de la región. ¿Qué ha cambiado entonces para que Estados Unidos piense ahora en retirarse de Oriente Próximo? El petróleo y el gas de esquisto, cuya producción por el método llamado “fracking” aumentó significativamente a comienzos de los años 2000. Eso modificó todos los parámetros. La explotación de ese tipo de hidrocarburos (cuyo coste es más elevado que el del petróleo “tradicional”) fue favorecida por el importante aumento del precio de los hidrocarburos que, en promedio, superaron los 100 dólares por barril entre 2010 y 2013.
Actualmente, Estados Unidos ha recuperado la autosuficiencia energética e incluso está convirtiéndose otra vez en un importante exportador de hidrocarburos. Por lo tanto, ya puede por fin considerar la posibilidad de retirarse de Oriente Próximo, con la condición de cauterizar rápidamente varias heridas que, en algunos casos, datan de más de un siglo.
Por esa razón, Obama retiró casi la totalidad de las tropas norteamericanas de Irak y de Afganistán. Estados Unidos participó muy discretamente en los bombardeos de Libia y se negó a intervenir contra las autoridades de Damasco, en Siria. Por otra parte, Washington busca a marchas forzadas un acuerdo con Teherán sobre el tema nuclear y presiona a Israel para que su gobierno progrese urgentemente hacia un acuerdo con los palestinos. En todos estos temas se percibe el deseo de Washington de cerrar los frentes en Oriente Próximo para pasar a otra cuestión (China) y olvidar así las pesadillas de Oriente Próximo.

Todo esto se desarrollaba perfectamente mientras los precios del petróleo seguían altos, cerca de 100 dólares el barril. El precio de explotación del barril de petróleo de esquisto es de aproximadamente 60 dólares, lo que deja a los productores un margen considerable (entre 30 y 40 dólares el barril).
Aquí es donde Arabia Saudí ha decidido intervenir. Riad se opone a que Estados Unidos se retire de Oriente Próximo. Sobre todo si Washington establece antes un acuerdo sobre el tema nuclear con Teherán, lo que los saudíes consideran demasiado favorable a Irán. Además, según la monarquía wahabita, expondría a los saudíes, y a los suníes en general, a convertirse en víctimas de lo que llaman “el expansionismo chií”. Hay que tener presente que los principales yacimientos de hidrocarburos saudíes se encuentran en zonas de población chií.
Considerando que dispone de las segundas reservas mundiales de petróleo, Arabia Saudí decidió usar el petróleo para sabotear la estrategia norteamericana. Oponiéndose a las consignas de la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Riad decidió, contra toda lógica comercial aparente, aumentar considerablemente su producción y hacer de ese modo bajar los precios del petróleo, inundando el mercado de petróleo barato. La estrategia dio rápidamente resultados. En poco tiempo, los precios del petróleo bajaron un 50%. El precio del barril descendió a 40 dólares (antes de subir ligeramente hasta aproximadamente 55-60 dólares actualmente).
Esta política asestó un duro golpe al “fracking”. La mayoría de los grandes productores estadounidenses de gas de esquisto están actualmente en crisis, endeudados y corren el riesgo de quebrar (lo que implica una amenaza para el sistema bancario norteamericano que, generosamente, había ofrecido abundantes créditos a los neopetroleros). A 40 dólares el barril, el esquisto ya no resulta rentable. Ni las excavaciones profundas “off shore”. Numerosas compañías petroleras importantes ya han anunciado que cesan sus explotaciones en alta mar porque no son rentables, provocando la pérdida de decenas de miles de empleos.
Una vez más, el petróleo es menos abundante. Y los precios suben ligeramente. Pero las reservas de Arabia Saudí son suficientemente importantes para que Riad regule el flujo y ajuste su producción de manera que permita un ligero aumento del precio (hasta 60 dólares aproximadamente) pero sin que se lleguen a superar los límites que permitirían reanudar la producción mediante el “fracking” y en los yacimientos marítimos a gran profundidad. De este modo, Riad se ha convertido en el árbitro absoluto en materia de precio del petróleo (parámetro decisivo para las economías de decenas de países entre los cuales figuran Argelia, Venezuela, Nigeria, México, Indonesia, etc.).
Estas nuevas circunstancias obligan a Barack Obama a reconsiderar sus planes. La crisis del “fracking” podría representar el fin de la autosuficiencia de energía fósil en Estados Unidos. Y, por lo tanto, la vuelta a la dependencia de Oriente Próximo (y también de Venezuela, por ejemplo). Por ahora, Riad parece haber ganado su apuesta. ¿Hasta cuándo?

Fonte: Le Monde

Investigação nos EUA ameaça arranhar imagem da Petrobras no exterior

Já abalada pela Operação Lava Jato, estatal é alvo agora das autoridades americanas. Segundo especialistas, caso pode espantar investidores, prejudicar suas ações na Bolsa de NY e ter impacto negativo na imagem do país.

Depois de começar a ser investigada pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, a Petrobras agora é alvo das autoridades americanas sobre sua conduta nos Estados Unidos. As apurações devem, mais uma vez, causar mais danos à imagem da estatal brasileira, que também negocia suas ações na Bolsa de Nova York.

Segundo o jornal britânico Financial Times em matéria publicada no domingo (09/11), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra a estatal. Já a Securities Exchange Commission (SEC) – órgão que regula o mercado de capitais nos EUA e equivalente no Brasil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – vai iniciar uma investigação civil contra funcionários da empresa.

“A investigação afeta, e muito, a imagem da Petrobras, pois transmite ao mercado a imagem de que a ela está sujeita, por exemplo, a influências políticas, o que não se pode admitir para uma empresa com ações negociadas em bolsa”, afirma o advogado Eduardo Boccuzzi.

Segundo Boccuzzi, especialista em fusões, aquisições e mercado de capitais, as ações da empresa já perderam 23% em valor neste ano na Bolsa de Valores de Nova York. E os escândalos, afirma, espantam investidores, que vendem papéis da estatal para adquirir os de outras empresas.

A investigação do escândalo, de acordo com Boccuzzi, pode ter ainda uma influência negativa sobre a imagem do país e dificultar o acesso de outras empresas brasileiras ao mercado de capitais americano.

“Em geral, investidores estrangeiros vão se sentir temerários em investir em empresas nacionais, principalmente estatais, que queiram emitir valores mobiliários em bolsas no exterior”, diz Boccuzzi.

Para o professor de direito comercial Alexandre Bueno Cateb, do Ibmec/MG, dependendo do grau de apuração e profundidade da investigação, existe o risco até mesmo de a Petrobras sofrer restrições de captar recursos no exterior. E, num cenário ainda pior, ela poderia ser impedida de continuar a negociar ações na Bolsa de Nova York.

“As autoridades americanas querem manter a credibilidade do mercado de ações dos EUA”, diz Bueno Cateb. “E como a Petrobras está envolvida em situações nebulosas, eles querem saber o que está acontecendo, se alguém está usando informações privilegiadas e se beneficiando dos negócios que a Petrobras realiza.”

Nesta segunda-feira, o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou a investigação dos EUA sobre suspeitas de desvio de recursos na Petrobras. Ele disse que, se os EUA abriram a investigação, eles devem dar continuação “como o Brasil está fazendo”. “A expressão doa a quem doer é muito correta em relação às investigações que já estão sendo feitas pelo governo federal”, disse Temer.

Executivos e empresa sob risco

As investigações do Departamento de Justiça e da SEC estão centradas na possibilidade de a estatal ou funcionários dela terem recebido propina ou terem violado o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) – a lei anticorrupção dos EUA.

Pela legislação, executivos e funcionários da empresa podem ser presos, e a companhia e seus empregados podem ter que pagar multa. Na lei, o valor não é estipulado, mas, segundo especialistas, pode ser alto.

A FCPA pune empresas americanas que subornam funcionários públicos de outros países, mas a legislação também é aplicada para empresas estrangeiras que têm ações listadas em bolsas de valores nos EUA. Pelo fato de a Petrobras negociar ações em Nova York, a empresa está sujeita à legislação americana.

“O mercado de capitais só funciona se existir credibilidade para atrair investidores interessados em investir de forma saudável”, diz Bueno Cateb. “O mercado que não tem a devida credibilidade passa a ser totalmente especulativo. As empresas precisam atrair investimentos a longo prazo para permitir a criação de riqueza, empregos e renda no país.”

No Brasil, a estatal é investigada após a denúncia de um suposto esquema de corrupção feitas por seu ex-diretor Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Yousseff. Eles foram presos em março deste ano durante a Operação Lava Jato, que apura um esquema de lavagem de dinheiro em que políticos receberiam propina em contratos da estatal.

Entre os contratos da Petrobras, está a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), que teria servido para abastecer o caixa dois de partidos e pagar propina. Num negócio suspeito de superfaturamento e evasão de divisas, a compra da texana custou 1,18 bilhão de dólares, mais de 27 vezes o valor desembolsado anteriormente pela belga Astra Oil.

Procuradas pela DW Brasil, a Petrobras e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não se manifestaram até o fechamento da reportagem. Já a Securities Exchange Commission (SEC) disse que não faria comentários sobre o tema.

Fonte: http://www.dw.de/investigação-nos-eua-ameaça-arranhar-imagem-da-petrobras-no-exterior/a-18057422

Matheus Luiz Puppe Magalhaes

PETRÓLEO NAS MALVINAS: UM PROBLEMA PARA O BRASIL?

PETRÓLEO NAS MALVINAS: UM PROBLEMA PARA O BRASIL?

 Grandes depósitos de petróleo recém-descobertos na plataforma continental das Ilhas Malvinas pode aumentar significativamente as tensões entre Argentina e Reino Unido, e isso poderia prejudicar a estratégia brasileira de manter a estabilidade regional em seu entorno estratégico.

Imagem: MD.

Imagem: MD.

 

Oil in the Malvinas/Falklands: Brazil’s next regional headache?

Post-Western World – 08/03/2014 – por Oliver Stuenkel

Brazil, foreign policy observers often point out, is blessed. Contrary to many other emerging powers such as China or India, it is located in a neighborhood that rarely experiences interstate tension or war. Not only can Brazil live on a relatively small defense budget, while India is the world’s largest arms importer. Brazil can also dedicate considerable time and energy towards extending its global diplomatic reach without constantly being forced to deal with trouble in its neighborhood.

There are few signs that this will change in the near future. Brazil usually engages when political stability in a nearby country is at risk — such as in Paraguay in 1996 and 2012, in Venezuela in 2002 and in Honduras in 2009. Aside from protecting its economic interests, policy makers in Brasília also seek to keep the region free of tension and crises (usually acting through regional institutions such as Mercosur and Unasur) to avoid interference by the United States or any other outside actor. Over the past decade, defending political stability in the region has turned into one of Brazil’s key foreign policy goals.

While recent troubles are usually domestic in nature, involving a sudden impeachment by a president in Paraguay and social unrest in Venezuela, another crisis may be lurking around that corner that, due to its international nature, is likely to give headaches to Brazilian foreign policy makers. While the territorial dispute between Argentina and the United Kingdom is nothing new, significant oil findings around the Malvinas/ Falkland Islands (an Overseas Territory of the United Kingdom claimed by Argentina) could significantly sharpen the existing antagonism between the two countries involved.

The head of Argentina’s new Malvinas Secretariat recently announced that firms drilling off the islands’ coasts would be ineligible to exploit shale-oil and gas in Patagonia. Late last year, Argentina’s congress passed a law that imposes prison sentences of up to 15 years and fines of up to $1.5 billion on anyone involved in exploring the islands’ continental shelf without its permission.

Meanwhile, the appointment of a new governor of the islands by the British government led Argentina’s Ambassador to the UK, Alicia Castro, to write an op-ed in The Guardian this week, accusing London to violate international law in this “pending case of decolonization”. She writes that the UK, refusing to resolve the dispute, aims to justify the continued occupation of the islands by invoking the right to self-determination for the current British inhabitants. Yet,

The right of self-determination of peoples is not applicable to any or every human community, but only to “peoples”. In the case of the inhabitants of the Malvinas, we do not have a separate “people”, still less one subjected to colonialism. The British residents of the islands do not have the right to resolve the sovereignty dispute between Argentina and the UK: nobody doubts they are British, and can continue to be so, but the territory in which they live is not. It belongs to Argentina. 

In response, the island’s Chair of the Legislative Assembly, Mike Summers, argued that the inhabitants’ approach was “fully in accord with the universal right to self determination set down in the UN Charter.”

The topic continues to appear regularly not only in Argentina, but also in the United Kingdom. In late February, the British media sounded alarm at increases in Argentina’s defense budget and quoted Admiral Lord West, who was at the helm ofHMS Ardent when it was sunk in the 1982 War, saying: “Any major increase in defence expenditure by Argentina must be viewed with concern. I am concerned that, without any ­aircraft carriers, we are incapable of ­recapturing them.” He continued pointing out that Britain’s new carriers will not be operational until 2020 and until then Argentina had a “window of opportunity”.

In August 2013, Argentina’s President took advantage of her country’s term as temporary President of the UN Security Council to address the issue. The region stands firmly behind Argentina – as do most other developing countries. As The Economist reported on the meeting,

…several ministries echoed Ms Fernández’s concerns. On behalf of CELAC Cuba’s foreign minister recognised “Argentina’s legitimate claim on the sovereignty” over the Falklands (and raised the issue of nuclear disarmament, a dig at Britain’s alleged missile-carrying vessels in the South Atlantic). Venezuela’s bemoaned the islands’ “colonial situation”. And their Uruguayan opposite number promoted “a South Atlantic zone of peace”, denouncing what he termed the “illegitimate activities of oil exploitation” in waters near the Falklands.

Britain, on the other hand, frequently points to the last referendum in March 2013, during which more than 99% of the islands’ inhabitants expressed their desire to maintain their current political status:

When the result was announced in Stanley, the capital—which was plastered with union flags crossed with the words “British to the core”—crowds toasted “Her Majesty and the Falklands” and sang “Rule Britannia”.

For Argentina’s foreign policy makers, the disputed islands has long been a key issue. For neighboring Brazil, all these does not seem to matter much at first glance. When Great Britain’s foreign secretary recently visited Brazil, the issue was not on the agenda. However, massive oil findings in the area would dramatically increase both the islands’ economic importance and make finding a solution to the dispute far more difficult. In the face of tougher Argentine rhetoric, the United Kingdom could  increase its military presence (which currently stands at 1,300 troops backed by four Typhoon jets), complicating Brazil’s maritime strategy in the South Atlantic. If Argentina imposed a full-scale economic blockade of the islands, tension would almost certainly increase further. It surely is in Brazil’s interest to avoid such a scenario.

Fonte: ISAPE

http://isape.wordpress.com/2014/03/09/petroleo-nas-malvinas-um-problema-para-o-brasil/

The Energy Crisis — [RAP NEWS 22]

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Publicado em 27/02/2014
RAP NEWS 22 [S02:E02]. Like many others who preceded us, our “civilisation” faces an Energy Crisis of megawattic proportions, which threatens to bring an end to our brief joyride. But our dirty little secret is seldom mentioned in the news, let alone connected to economic instability or to environmental effects on our planet. It falls to Robert Foster to bring this topic back into the fore of our consciousness, where he conducts an incisive analysis of the situation to see what solutions are out there to deal with peak energy. Join your ever-curious anchor as he invites a panoply of guests – the great, the good, the bizarre, and the downright trollsome – along to share their solutions to this crisis. In the end, the shift required might have to be psychological as well as technological. Enjoy the ride, fellow children of the industrial revolution.

Written & created by Giordano Nanni & Hugo Farrant in a suburban backyard home studio in Melbourne, Australia, ­on Wurundjeri Land