ONU manifesta preocupação com prisão de defensores de direitos humanos na Turquia

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07/07/17

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) manifestou grande preocupação com a prisão de dez ativistas de direitos humanos da Turquia – incluindo dois estrangeiros e a diretora da ONG Anistia Internacional no país, Idil Eser – pelo governo local durante um workshop na última quarta (5).

Em um comunicado à imprensa nesta sexta (7), o ACNUDH alertou para o considerável risco de tortura e outras formas de tratamento ‘cruéis, desumanas e degradantes’ que os ativistas podem sofrer na prisão. Segundo a agência da ONU, eles estão sendo interrogados sobre alegações de “pertencerem a organizações terroristas armadas”.

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Ocidente não sabe nem do cheiro do que a Eurásia está cozinhando

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Reunião da OCX aconteceu no começo do mês de junho em Astana, no Cazaquistão

19/06/17

OCX já é não apenas a maior organização política – por área e por população – do mundo; ela também reúne quatro potências nucleares; o G-7 é irrelevante, como se viu claramente na recente reunião em Taormina

Na reunião anual da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada em 2001, os dois países, Índia e Paquistão foram admitidos como membros plenos, como Rússia, China e quatro ‘-stões’ da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão).

Assim sendo, a OCX já é, não apenas a maior organização política – por área e por população –, do mundo; ela também reúne quatro potências nucleares. O G-7 é irrelevante, como se viu claramente na recente reunião em Taormina. Ação à vera doravante, à parte o G-20, virá desse G-8 alternativo.

Permanentemente desqualificada no Ocidente já há uma década e meia como se não passasse de mero salão de conversas, a OCX, lentamente, mas sem parar nunca, continua a promover um quadro que o presidente Xi Jinping da China qualifica, de forma discreta muito atenuada, como “um novo tipo de relações internacionais com vistas a cooperação ganha-ganha”.

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How Turkey Became a Nation Divided

Published on August 19, 2016

A botched coup in July resulted in over 250 deaths as Turkey’s military attempted to overthrow its president, Recep Tayyip Erdogan. He’s a divisive figure in a country that is politically and geographically torn between East and West.

Bloomberg

What it’s like to be smuggled out of Afghanistan in a car trunk

Publicado originalmente em: 08/01/2016

Smuggled by truck and squeezed into a car trunk, 13-year-old Allahyar and four Afghan boys fled the Taliban in Afghanistan, traveling through Pakistan and Iran to Turkey. “The journey is difficult”, he says, now in Serbia after a treacherous sea crossing , “but we have no choice.”

Fonte: UNICEF

The Middle East Big Geopolitical Game: South Front’s Forecast of the Syrian conflict

Rússia disposta a reaquecer relações, se Ancara desistir da Síria

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8/12/2015, Alraimedia (Irã) (trad. ing. em in Elijah J Magnier Blog)

A Turquia manifestou a visitantes iraquianos que está disposta a pagar qualquer preço para que o gasoduto do Qatar atravesse terras turcas e avance até as fronteiras turcas para assim alimentar a Turquia com a energia de que o país precisa, temendo que venham novas sanções russas.

Dado que já não é possível usar o território sírio para esse objetivo, Ancara precisa criar uma alternativa para o gasoduto qatari, caso o Kremlin decida aumentar as restrições econômicas como reação à derrubada do Sukhoi Su-24, mês passado, sobre território sírio e a morte do piloto russo. A Turquia pode dar e ampliar, em acordo com o Iraque, todas as facilidades financeiras e econômicas e avais requeridos para levantar o dinheiro necessário e garantir todo e qualquer apoio militar para combater o terrorismo.

Ancara manifestou o desejo de liberar mais água se a crise for resolvida – ou reduzir, como ficou insinuado, se Bagdá recusar-se a negociar. Os níveis de água do Rio Eufrates a partir do leste da Turquia já foram reduzidos a menos da metade, em 2015.

Dado que não há acordo internacional sobre o Rio Tigre com o Iraque, as represas de Llisu e Cizre no Rio Tigre (tão logo estejam concluídas) e a represa Ataturk no Rio Eufrates podem ser reguladas.

A Turquia vivia com zero problemas com os vizinhos antes da guerra síria; hoje tem zero amigos e zero paz com os países com os quais tem fronteiras e tradicionais aliados.

Forças turcas cruzaram a fronteira para dentro do Iraque, quebrando todos os tratados, convertidas em força de ocupação.

O grupo que se autodenomina ‘Estado Islâmico’ (ISIS) é considerado organização terrorista, e a Turquia será considerada estado terrorista se não retirar suas forças antes que se esgote o prazo do ultimatum que recebeu [48 horas, que terminam hoje] do governo do Iraque.

Bagdá tem acordo com Ancara para receber instrutores e especialistas. Esses podem permanecer como integrantes das forças da coalizão, para treinar forças de segurança iraquianas e Peshmerga, como previamente acertado.

Turquia e Iraque tinham excelentes relações e coexistiam em harmonia. Mas novas forças turcas penetraram 100 km dentro do território iraquiano, quando o tratado vigente estipulava um máximo de 25 km (no caso de terem de perseguir curdos do PKK em operação punitiva coordenada com o Iraque). Além disso, as dimensões da força turca que penetrou em território do Iraque ultrapassam qualquer nível que se possa considerar para treinamento ou proteção.

Essa força turca é composta de uma brigada de unidades especiais de cerca de 1.300 homens, um regimento de artilharia e dois esquadrões de helicópteros com base em Ba’shiqa. O objetivo das tropas turcas é ignorado. A força turca se posicionou num front demarcado pelo ISIS sem informar ao estado iraquiano qual seria seu objetivo.

Uma explicação possível é que ali estejam para dar proteção ao comboio de caminhões-tanque para transporte de petróleo que sai da Síria e do Iraque, uma vez que a Rússia não pode atacar o comboio em território iraquiano? Lá estará para apoiar o ISIS ou para chantagear o Iraque? Bagdá aceita qualquer apoio em sua luta contra o terrorismo, mas de modo algum está em falta de soldados em solo.

No momento, o Iraque, como estado, não está em posição de entrar em guerra contra a Turquia. A guerra contra o ISIS já mobiliza todos os recursos do país e mantém engajadas as forças militares nacionais. Por tudo isso, não será operação simples declarar guerra à Turquia. Mas enormes projetos econômicos estão ameaçados.

A relação Irã-Turquia também está sob risco. O Irã também busca parceiros alternativos, nas relações de que hoje participa a Turquia no campo da energia.

A situação só piora no Oriente Médio, especialmente pelo modo como a Turquia está chantageando, não só o Iraque, mas também a Europa.

Na questão dos refugiados, o presidente Erdogan está recebendo $3 bilhões de euros para cortar o fluxo para a Europa, de pessoas/populações deslocadas.

Mas hoje, a Turquia ainda agrava mais esse quadro e entra na área crítica de segurança do Irã, servindo-se do pretexto-cobertura sectário de “proteger os sunitas” assim como “o Irã protege os xiitas”.

O sr. Erdogan escapa da Rússia na Síria rumo às áreas do Curdistão Iraquiano, consideradas a frente mais fraca.

Sobre a relação Rússia-Turquia – A Rússia impõe uma condição para reaquecer suas relações com Ancara. Além de pedido formal de desculpas, a Turquia deve retirar-se completamente de todo o dossiê sírio; deve parar de apoiar milícias que combatem em nome dela na Síria; e deve pôr fim a toda e qualquer ajuda econômica que hoje dá ao ISIS. A Turquia precisa muito do petróleo que recebe do território sírio ocupado pelo ISIS e dos negócios de troca que mantém com o ISIS. A Turquia é o principal fornecedor do ISIS de todos os tipos de itens.

Se a Turquia puser fim a todo esse relacionamento, a Rússia não buscará nenhuma outra reparação para o caso do Su-24.

A presença de novas forças turcas no Iraque hoje é um modo de a Turquia escapar para uma área onde a Rússia não está operando. Essa situação só se alterará no caso de Bagdá autorizar a Rússia a dar caça ao ISIS também no Iraque. Nesse caso, a Turquia perde a vantagem que mantém nesse momento em que está ocupando território iraquiano.

Publicado em: Alraimedia

Invasão dos EUA à Síria: respirem fundo, antes de mergulhar 

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7/8/2015, Tony Cartalucci, New Eastern Outlook


Ver também
7/8/2015, “Diplomacia incansável para salvar a Síria” in Marcha Verde


Quando a revista Foreign Policy anunciou recentemente, em artigo com o mesmo título, que “Turquia Vai à Guerra, o que queriam dizer realmente era “EUA vão à guerra”. Isso, porque o longo plano que a revista expõe naquele artigo não é criação turca, mas antigo plano dos EUA, guardado na gaveta há, no mínimo, desde o início de 2012.

O artigo diz que:
Ambos, EUA e Turquia concordam que o Estado Islâmico tem de ser varrido de seu território e da fronteira turca, embora funcionários dos EUA só falem de uma “zona de facto segura”, onde sírios refugiados possam encontrar abrigo contra os tiros dos Jihadis e de al-Assad.
Mas essas tais “zonas seguras” são precisamente o que a Brookings Institution, think tank norte-americano conspira para criar desde o primeiro dia do conflito sírio, sob os mais diversos pretextos – primeiro, por fingida preocupação “humanitária”, semelhante à farsa que inventaram para justificar a guerra da OTAN contra a Líbia em 2011, agora usando o chamado “Estado Islâmico” (ISIS/ISIL/Daesh) como pretexto.

O “Middle East Memo #21”, “Assessing Options for Regime Change” [Avaliando opções para mudança de regime], Brookings’ 2012, dizia:
Alternativa é os esforços diplomáticos focarem-se primeiro em como pôr fim a violência e ganhar acesso humanitário, como está sendo feito sob a liderança de Annan. Assim se podem criar paraísos seguros e corredores humanitários, que terão de ser apoiados por limitado poder militar. No caso da Síria, é menos do que os objetivos dos EUA exigem para a Síria e poderia manter Assad no poder. Mas a partir desse ponto, é possível que uma ampla coalizão com o mandato internacional apropriado possa acrescentar mais ações coercitivas a seus esforços.”
Claramente, apesar de a justificação para a intromissão ocidental mudar conforme mudem os ventos políticos, o plano subjacente é sempre dividir, destruir, na sequência invadir, ocupar até chegar o ponto de atropelar cadáveres sírios pelas ruas.

Na verdade, o mais recente pretexto, ISIS, foi criado e perpetuado até o dia de hoje, pelos EUA, com apoio de Arábia Saudita, Israel, Jordânia e Turquia. O ISIS não tem como fabricar armas, dinheiro e combatentes dentro da Síria e do Iraque. Já se sabe que recebe de fora todos esses materiais e suprimentos e dinheiro e mão de obra. Só na Turquia, centenas de caminhões atravessam diariamente pelos pontos de controle da fronteira turca, destinados aos territórios do ISIS na Síria e no Iraque. Tão escandalosamente visíveis são esses comboios de suprimentos, que uma equipe de filmagens daDeutsche Welle passou um dia inteiro filmando os comboios e entrevistando habitantes da região, que descreveram a torrente diária de suprimentos para o terrorismo patrocinado pelo governo turco, que cruza a fronteira norte, para a Síria.

Até matérias publicadas no jornal israelense Haaretz já admitem que o exército de Israel estava enviando ajuda para a Frente Al-Nustra, da Al- Qaeda, já há anos listada pelo departamento de Defesa dos EUA como organização estrangeira terrorista; e, no passado, ajudara o ISIS. A matéria, intitulada “Israel suspende tratamento médico para membros da Frente al-Nusra na Síria“, admitia que:
Alto oficial do exército israelense revelou na 2ª-feira que Israel suspendera o atendimento médico que vinha dando a um grupo de extremistas sírios rebeldes feridos na guerra que se desenrola naquele país. A mudança no atendimento a extremistas da Frente al-Nusra, da al-Qaeda, aconteceu há seis semanas.

Segundo o oficial israelense, vários combatentes feridos da Frente al- Nusra receberam tratamento médico em Israel.
Crescentes reclamações da comunidade drusa de Israel obrigaram à declaração pública, que prova que Israel, como a Turquia, para o norte da Síria, está fornecendo apoio material a terroristas da Al Qaeda – os mesmos terroristas que o ocidente e seus aliados regionais tentam usar como pretexto para escalar ainda mais o conflito sírio.

Se a Turquia realmente quisesse parar o ISIS

Se a Turquia realmente quisesse pôr fim à ameaça do ISIS, a primeira coisa a fazer seria parar de receber terroristas em território turco. Medidas estritas ao longo da fronteira turca seriam implementadas para impedir que novas levas de terroristas entrassem na Síria e se unissem às fileiras do ISIS, e teria fim imediato a infindável torrente de suprimentos que entra em território do ISIS na Síria e Iraque, ao que se sabe pela Turquia, membro da OTAN.

Pode-se ver que a Turquia é o virtual porto de arribação para todos os combatentes, em todo o mundo, que se queiram unir ao ISIS – sejam terroristas uigures que EUA e Turquia traficam da China, ou  delinquentes de todos os tipos que os serviços de inteligência ocidentais recrutam pela América do Norte e Europa para mandar para dentro e para fora da Turquia, antes que se ponham a montar ataques terroristas espetaculares em casa mesmo. Na verdade, um dos vários suspeitos do ataque ao jornal Charlie Hebo tentou fugir, precisamente, para a Turquia, na trilha para unir-se ao ISIS na Síria.

Já há anos, essas opções estavam claramente sobre a mesa e a Turquia poderia tê-las posto a funcionar a qualquer momento. Mas não o fez. Isso, porque eliminar o ISIS não é o objetivo dessa mais recente tentativa para intervir militarmente na Síria; o objetivo é cravar lá as tais “zonas seguras”, descritas pelos norte-americanos já em 2012, a partir das quais atacar para derrubar o governo sírio.

A Turquia não tem intenção alguma de “deter o ISIS.” Não há qualquer combatente “moderado” que a Turquia deva apoiar na próxima operação militar. Trata-se de invadir território sírio como invasão de facto, e empurrar o front para mais perto de Damasco, num esforço desesperado para abalar a coragem do povo sírio e do Exército Árabe Sírio. Também se trata de tentar abalar a decisão dos aliados da Síria que se mantêm ao lado de Damasco.

Ao ameaçar uma invasão de facto ao território sírio, sob o falso pretexto de “combater o ISIS,” quando na verdade o ISIS receberá cobertura aérea da OTAN, para ampliar sua capacidade de combate a qual, sem a OTAN e outros amigos de terroristas é perfeitamente inexplicável, a OTAN conta com arrancar concessões dos aliados da Síria, para assim saquear até o fim o que reste, depois de a invasão ter sido consumada.

A invasão pelo norte da Síria, planejada por EUA e Turquia é movimento de poder, nascido de uma tentativa derrotada para derrubar o governo sírio. Vem na sequência, depois da derrubada do governo Gaddafi e destruição da Líbia, em 2011. Está em andamento um bem calculado contramovimento de poder, acionado pelos aliados da Síria, para deter EUA e Turquia.