How Turkey Became a Nation Divided

Published on August 19, 2016

A botched coup in July resulted in over 250 deaths as Turkey’s military attempted to overthrow its president, Recep Tayyip Erdogan. He’s a divisive figure in a country that is politically and geographically torn between East and West.

Bloomberg

What it’s like to be smuggled out of Afghanistan in a car trunk

Publicado originalmente em: 08/01/2016

Smuggled by truck and squeezed into a car trunk, 13-year-old Allahyar and four Afghan boys fled the Taliban in Afghanistan, traveling through Pakistan and Iran to Turkey. “The journey is difficult”, he says, now in Serbia after a treacherous sea crossing , “but we have no choice.”

Fonte: UNICEF

The Middle East Big Geopolitical Game: South Front’s Forecast of the Syrian conflict

Rússia disposta a reaquecer relações, se Ancara desistir da Síria

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8/12/2015, Alraimedia (Irã) (trad. ing. em in Elijah J Magnier Blog)

A Turquia manifestou a visitantes iraquianos que está disposta a pagar qualquer preço para que o gasoduto do Qatar atravesse terras turcas e avance até as fronteiras turcas para assim alimentar a Turquia com a energia de que o país precisa, temendo que venham novas sanções russas.

Dado que já não é possível usar o território sírio para esse objetivo, Ancara precisa criar uma alternativa para o gasoduto qatari, caso o Kremlin decida aumentar as restrições econômicas como reação à derrubada do Sukhoi Su-24, mês passado, sobre território sírio e a morte do piloto russo. A Turquia pode dar e ampliar, em acordo com o Iraque, todas as facilidades financeiras e econômicas e avais requeridos para levantar o dinheiro necessário e garantir todo e qualquer apoio militar para combater o terrorismo.

Ancara manifestou o desejo de liberar mais água se a crise for resolvida – ou reduzir, como ficou insinuado, se Bagdá recusar-se a negociar. Os níveis de água do Rio Eufrates a partir do leste da Turquia já foram reduzidos a menos da metade, em 2015.

Dado que não há acordo internacional sobre o Rio Tigre com o Iraque, as represas de Llisu e Cizre no Rio Tigre (tão logo estejam concluídas) e a represa Ataturk no Rio Eufrates podem ser reguladas.

A Turquia vivia com zero problemas com os vizinhos antes da guerra síria; hoje tem zero amigos e zero paz com os países com os quais tem fronteiras e tradicionais aliados.

Forças turcas cruzaram a fronteira para dentro do Iraque, quebrando todos os tratados, convertidas em força de ocupação.

O grupo que se autodenomina ‘Estado Islâmico’ (ISIS) é considerado organização terrorista, e a Turquia será considerada estado terrorista se não retirar suas forças antes que se esgote o prazo do ultimatum que recebeu [48 horas, que terminam hoje] do governo do Iraque.

Bagdá tem acordo com Ancara para receber instrutores e especialistas. Esses podem permanecer como integrantes das forças da coalizão, para treinar forças de segurança iraquianas e Peshmerga, como previamente acertado.

Turquia e Iraque tinham excelentes relações e coexistiam em harmonia. Mas novas forças turcas penetraram 100 km dentro do território iraquiano, quando o tratado vigente estipulava um máximo de 25 km (no caso de terem de perseguir curdos do PKK em operação punitiva coordenada com o Iraque). Além disso, as dimensões da força turca que penetrou em território do Iraque ultrapassam qualquer nível que se possa considerar para treinamento ou proteção.

Essa força turca é composta de uma brigada de unidades especiais de cerca de 1.300 homens, um regimento de artilharia e dois esquadrões de helicópteros com base em Ba’shiqa. O objetivo das tropas turcas é ignorado. A força turca se posicionou num front demarcado pelo ISIS sem informar ao estado iraquiano qual seria seu objetivo.

Uma explicação possível é que ali estejam para dar proteção ao comboio de caminhões-tanque para transporte de petróleo que sai da Síria e do Iraque, uma vez que a Rússia não pode atacar o comboio em território iraquiano? Lá estará para apoiar o ISIS ou para chantagear o Iraque? Bagdá aceita qualquer apoio em sua luta contra o terrorismo, mas de modo algum está em falta de soldados em solo.

No momento, o Iraque, como estado, não está em posição de entrar em guerra contra a Turquia. A guerra contra o ISIS já mobiliza todos os recursos do país e mantém engajadas as forças militares nacionais. Por tudo isso, não será operação simples declarar guerra à Turquia. Mas enormes projetos econômicos estão ameaçados.

A relação Irã-Turquia também está sob risco. O Irã também busca parceiros alternativos, nas relações de que hoje participa a Turquia no campo da energia.

A situação só piora no Oriente Médio, especialmente pelo modo como a Turquia está chantageando, não só o Iraque, mas também a Europa.

Na questão dos refugiados, o presidente Erdogan está recebendo $3 bilhões de euros para cortar o fluxo para a Europa, de pessoas/populações deslocadas.

Mas hoje, a Turquia ainda agrava mais esse quadro e entra na área crítica de segurança do Irã, servindo-se do pretexto-cobertura sectário de “proteger os sunitas” assim como “o Irã protege os xiitas”.

O sr. Erdogan escapa da Rússia na Síria rumo às áreas do Curdistão Iraquiano, consideradas a frente mais fraca.

Sobre a relação Rússia-Turquia – A Rússia impõe uma condição para reaquecer suas relações com Ancara. Além de pedido formal de desculpas, a Turquia deve retirar-se completamente de todo o dossiê sírio; deve parar de apoiar milícias que combatem em nome dela na Síria; e deve pôr fim a toda e qualquer ajuda econômica que hoje dá ao ISIS. A Turquia precisa muito do petróleo que recebe do território sírio ocupado pelo ISIS e dos negócios de troca que mantém com o ISIS. A Turquia é o principal fornecedor do ISIS de todos os tipos de itens.

Se a Turquia puser fim a todo esse relacionamento, a Rússia não buscará nenhuma outra reparação para o caso do Su-24.

A presença de novas forças turcas no Iraque hoje é um modo de a Turquia escapar para uma área onde a Rússia não está operando. Essa situação só se alterará no caso de Bagdá autorizar a Rússia a dar caça ao ISIS também no Iraque. Nesse caso, a Turquia perde a vantagem que mantém nesse momento em que está ocupando território iraquiano.

Publicado em: Alraimedia

Invasão dos EUA à Síria: respirem fundo, antes de mergulhar 

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7/8/2015, Tony Cartalucci, New Eastern Outlook


Ver também
7/8/2015, “Diplomacia incansável para salvar a Síria” in Marcha Verde


Quando a revista Foreign Policy anunciou recentemente, em artigo com o mesmo título, que “Turquia Vai à Guerra, o que queriam dizer realmente era “EUA vão à guerra”. Isso, porque o longo plano que a revista expõe naquele artigo não é criação turca, mas antigo plano dos EUA, guardado na gaveta há, no mínimo, desde o início de 2012.

O artigo diz que:
Ambos, EUA e Turquia concordam que o Estado Islâmico tem de ser varrido de seu território e da fronteira turca, embora funcionários dos EUA só falem de uma “zona de facto segura”, onde sírios refugiados possam encontrar abrigo contra os tiros dos Jihadis e de al-Assad.
Mas essas tais “zonas seguras” são precisamente o que a Brookings Institution, think tank norte-americano conspira para criar desde o primeiro dia do conflito sírio, sob os mais diversos pretextos – primeiro, por fingida preocupação “humanitária”, semelhante à farsa que inventaram para justificar a guerra da OTAN contra a Líbia em 2011, agora usando o chamado “Estado Islâmico” (ISIS/ISIL/Daesh) como pretexto.

O “Middle East Memo #21”, “Assessing Options for Regime Change” [Avaliando opções para mudança de regime], Brookings’ 2012, dizia:
Alternativa é os esforços diplomáticos focarem-se primeiro em como pôr fim a violência e ganhar acesso humanitário, como está sendo feito sob a liderança de Annan. Assim se podem criar paraísos seguros e corredores humanitários, que terão de ser apoiados por limitado poder militar. No caso da Síria, é menos do que os objetivos dos EUA exigem para a Síria e poderia manter Assad no poder. Mas a partir desse ponto, é possível que uma ampla coalizão com o mandato internacional apropriado possa acrescentar mais ações coercitivas a seus esforços.”
Claramente, apesar de a justificação para a intromissão ocidental mudar conforme mudem os ventos políticos, o plano subjacente é sempre dividir, destruir, na sequência invadir, ocupar até chegar o ponto de atropelar cadáveres sírios pelas ruas.

Na verdade, o mais recente pretexto, ISIS, foi criado e perpetuado até o dia de hoje, pelos EUA, com apoio de Arábia Saudita, Israel, Jordânia e Turquia. O ISIS não tem como fabricar armas, dinheiro e combatentes dentro da Síria e do Iraque. Já se sabe que recebe de fora todos esses materiais e suprimentos e dinheiro e mão de obra. Só na Turquia, centenas de caminhões atravessam diariamente pelos pontos de controle da fronteira turca, destinados aos territórios do ISIS na Síria e no Iraque. Tão escandalosamente visíveis são esses comboios de suprimentos, que uma equipe de filmagens daDeutsche Welle passou um dia inteiro filmando os comboios e entrevistando habitantes da região, que descreveram a torrente diária de suprimentos para o terrorismo patrocinado pelo governo turco, que cruza a fronteira norte, para a Síria.

Até matérias publicadas no jornal israelense Haaretz já admitem que o exército de Israel estava enviando ajuda para a Frente Al-Nustra, da Al- Qaeda, já há anos listada pelo departamento de Defesa dos EUA como organização estrangeira terrorista; e, no passado, ajudara o ISIS. A matéria, intitulada “Israel suspende tratamento médico para membros da Frente al-Nusra na Síria“, admitia que:
Alto oficial do exército israelense revelou na 2ª-feira que Israel suspendera o atendimento médico que vinha dando a um grupo de extremistas sírios rebeldes feridos na guerra que se desenrola naquele país. A mudança no atendimento a extremistas da Frente al-Nusra, da al-Qaeda, aconteceu há seis semanas.

Segundo o oficial israelense, vários combatentes feridos da Frente al- Nusra receberam tratamento médico em Israel.
Crescentes reclamações da comunidade drusa de Israel obrigaram à declaração pública, que prova que Israel, como a Turquia, para o norte da Síria, está fornecendo apoio material a terroristas da Al Qaeda – os mesmos terroristas que o ocidente e seus aliados regionais tentam usar como pretexto para escalar ainda mais o conflito sírio.

Se a Turquia realmente quisesse parar o ISIS

Se a Turquia realmente quisesse pôr fim à ameaça do ISIS, a primeira coisa a fazer seria parar de receber terroristas em território turco. Medidas estritas ao longo da fronteira turca seriam implementadas para impedir que novas levas de terroristas entrassem na Síria e se unissem às fileiras do ISIS, e teria fim imediato a infindável torrente de suprimentos que entra em território do ISIS na Síria e Iraque, ao que se sabe pela Turquia, membro da OTAN.

Pode-se ver que a Turquia é o virtual porto de arribação para todos os combatentes, em todo o mundo, que se queiram unir ao ISIS – sejam terroristas uigures que EUA e Turquia traficam da China, ou  delinquentes de todos os tipos que os serviços de inteligência ocidentais recrutam pela América do Norte e Europa para mandar para dentro e para fora da Turquia, antes que se ponham a montar ataques terroristas espetaculares em casa mesmo. Na verdade, um dos vários suspeitos do ataque ao jornal Charlie Hebo tentou fugir, precisamente, para a Turquia, na trilha para unir-se ao ISIS na Síria.

Já há anos, essas opções estavam claramente sobre a mesa e a Turquia poderia tê-las posto a funcionar a qualquer momento. Mas não o fez. Isso, porque eliminar o ISIS não é o objetivo dessa mais recente tentativa para intervir militarmente na Síria; o objetivo é cravar lá as tais “zonas seguras”, descritas pelos norte-americanos já em 2012, a partir das quais atacar para derrubar o governo sírio.

A Turquia não tem intenção alguma de “deter o ISIS.” Não há qualquer combatente “moderado” que a Turquia deva apoiar na próxima operação militar. Trata-se de invadir território sírio como invasão de facto, e empurrar o front para mais perto de Damasco, num esforço desesperado para abalar a coragem do povo sírio e do Exército Árabe Sírio. Também se trata de tentar abalar a decisão dos aliados da Síria que se mantêm ao lado de Damasco.

Ao ameaçar uma invasão de facto ao território sírio, sob o falso pretexto de “combater o ISIS,” quando na verdade o ISIS receberá cobertura aérea da OTAN, para ampliar sua capacidade de combate a qual, sem a OTAN e outros amigos de terroristas é perfeitamente inexplicável, a OTAN conta com arrancar concessões dos aliados da Síria, para assim saquear até o fim o que reste, depois de a invasão ter sido consumada.

A invasão pelo norte da Síria, planejada por EUA e Turquia é movimento de poder, nascido de uma tentativa derrotada para derrubar o governo sírio. Vem na sequência, depois da derrubada do governo Gaddafi e destruição da Líbia, em 2011. Está em andamento um bem calculado contramovimento de poder, acionado pelos aliados da Síria, para deter EUA e Turquia.

HISTÓRIA: Descodificando o “Outro”, Uma Turquia além do estereótipo.

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O receio de alguns ocidentais em relação à Turquia tem raízes no imaginário europeu em relação aos otomanos. Esta imagem foi formada ao longo dos séculos de contato e de convivência entre as duas partes, oscilando de acordo com os períodos de protagonismo ou declínio otomano. Os otomanos eram aqueles que estavam mais próximos dos Estados europeus do ocidente, esta proximidade teve um profundo efeito na formação da identidade tanto dos otomanos como dos europeus, do mesmo modo que estruturou um complexo processo de atração e de afastamento. A autoconsciência de um povo, da sua diferença e autonomia, das suas características particulares e singulares, nasce muitas vezes da comparação com o “outro” como forma de se autodefinir em termos daquilo que é, ou não é. Nos seus confrontos com Bizâncio, com os Estados dos Balcãs, e com a Europa ocidental e oriental, os otomanos enfatizaram por vezes sua identidade como guerreiros muçulmanos da fé. Isso não impediu que seus líderes admirassem e recorressem à soldados, artistas e técnicos bizantinos, búlgaros, sérvios e europeus ocidentais. 

Para os europeus, os otomanos foram um meio fundamental de autodefinição da cultura europeia enquanto tal. Houve momentos em que serviram como modelo de qualidades que os europeus desejavam ter. Maquiavel e outros intelectuais europeus, como Bodin e Montesquieu, enalteceram a integridade, a disciplina e a obediência dos exércitos e dos governantes otomanos. Numa época em que a crítica direta ao rei podia ser perigosa, utilizavam os otomanos como exemplo inspirador para melhorar a conduta dos monarcas, exércitos e estadistas europeus. Entretanto, quando os europeus procuravam se definir, caracterizaram-se segundo aquilo que não eram. 

Em algumas oportunidades os europeus fizeram dos otomanos o repositório do mal; identificaram as características que queriam possuir, atribuindo as contrárias ao seu inimigo. Para os europeus, os otomanos ora eram terríveis, selvagens e “vís”, ora eram tarados sexuais, devassos e dissolutos. Segundo Quataert, um dos principais estudiosos do Império Otomano, “até mesmo no século XIX, a imaginação europeia rotulava o “Oriente Otomano” como antro de degenerada perdição dos prazeres pretensiosamente ausentes ou proibidos no salutar e civilizado Ocidente”. A maioria dos europeus ocidentais e dos americanos talvez não reconhecem que devem aos otomanos, por exemplo, o apreciado café e a tulipa, ou a vacina da varíola que protege a nossa saúde. Desde seus primórdios, o Império Otomano influenciou o cotidiano, a religião e a política daquilo que a Europa veio a ser. 

Donald Quataert ficou perplexo quando esteve na Áustria para visitar uma exposição que festejava o tricentésimo aniversário do Segundo Cerco de Viena (1683). O que assustou o historiador foi a ideia amplamente difundida entre crianças e professores – bem como os europeus em geral – de que a data marcaria a ocasião em que todos foram salvos da conquista otomana. Mas a verdade era que Viena não seria arrasada por uma força destruidora muçulmana, mas sim conquistada e incorporada à um Império multiétnico e multirreligioso. Na ocasião do Cerco de Viena, o poder imperial otomano apoiava-se em uma mescla de povos que seria a causa dos seus quase seis séculos de coesão interna. 

Os otomanos estão presentes na cultura popular europeia. No século XVII, a temática da literatura ficcional francesa incluía os monarcas otomanos – como por exemplo, a história do cativeiro do sultão Beyazit I (1389-1402) e do seu captor Timur (Tamerlão), publicada em 1648. Porém, a maioria das narrativas relatava a crueldade dos turcos, tal como a de Suleyman, o Magnífico, em relação ao seu favorito, o grão-vizir Ibrahim. Numa peça francesa de 1612, Mehmet, o Conquistador, que fora um príncipe renascentista cosmopolita, requintado e conhecedor de várias línguas, transformou-se em um brutal e cruel tirano cuja mãe era retratada bebendo o sangue de uma vítima. Em outros relatos igualmente bizarros representavam-se os soldados otomanos oferecendo sacrifícios à Marte, o deus romano da guerra. Todavia, o afastamento da ameaça otomana após o fracasso de Viena em 1683, alterou essa imagem.

Os habitantes de toda Europa começaram a copiar aberta e intensamente seus vizinhos. Nesse período, os otomanos contribuíram notavelmente no âmbito da música clássica europeia, introduzindo os instrumentos de percussão nas orquestras modernas. De 1720 até meados do século XIX, a chamada “música turca” tornou-se a grande voga na Europa. Esta música surgira com a Banda dos Janízaros, que acompanhava os exércitos otomanos a fim de incitar as tropas e inspirar temor aos inimigos. O rei polaco Augusto II (1697-1733) admirava tanto a música janízara que um sultão o presenteou com uma banda. Em 1727, a imperatriz Ana da Rússia decidiu que também necessitava de uma banda, mandando vir de Istambul um grupo idêntico. Em 1782, Londres obteve a sua banda, mas neste caso os tambores, as pandeiretas e os címbalos eram tocados por africanos, talvez para criar uma atmosfera de exotismo. Um resquício deste entusiasmo pelas bandas janízaras é a tradição de os tamboreiros-mor lançarem ao ar as suas baquetas. Nos EUA, esta prática evoluiu para o bastão das majorettes.

A popularidade dos sons janízaros deixou de se confinar à banda, entrando na corrente dominante daquilo a que hoje chamamos música ocidental. A influência janízara pode ser sentida na Nona Sinfonia de Beethoven, na Quarta Sinfonia de Brahms, na Sinfonia Marcial de Haydn; na abertura do Guilherme Tell de Rossini, ou na marcha de Wagner, Tannhäuser. A Sonata K. 331 para piano em lá maior, de Mozart, contém uma rondo alla turca, um tema que também influenciou o jazz americano. Em 1686, uma ópera produzida em Hamburgo, contava o destino do grão-vizir Kara Mustafa Paşa após o cerco de Viena. A ópera de Händel, Tamerlano (1724), relata a derrota do sultão Beyazit I para Timur, o Coxo. 
No século XVIII, a “moda turca” também influenciava a Europa ocidental. Surgiam por toda a parte pseudo-sultões e sultanas. Os cafés ao estilo otomano enchiam-se de frequentadores vestidos à maneira turca, estes fumavam cachimbos d’água e comiam doces “turcos”. 

No século XIX, esta “turcomania” foi lentamente substituída. Manteve-se a temática comum da crueldade, da intriga, do ciúme e da barbárie. Paralelamente à velha imagem desumana surgia a do turco apaixonado ou histriônico. A figura do turco tolo já se tornara corriqueira. No século XIX, o turco libidinoso e de orgãos sexuais desproporcionados tornara-se uma característica importante da literatura pornográfica vitoriana. Muitos europeus, como Lord Byron e o romancista Pierre Loti, passaram a considerar o Império Otomano a terra dos sonhos, onde os devaneios sexuais ou de outra natureza podiam tornar-se realidade. Procurava-se no Oriente idealizado um refúgio para o tédio e para a monotonia da vida industrial moderna. 

Graças aos artefatos otomanos exibidos em várias feiras mundiais do século XIX, incluindo a Exposição Centenária Americana de 1876, o “recanto turco” tornou-se um lugar-comum nos lares europeus. Nas salas de estar das classes mais abastadas havia cadeirões almofadados ornamentados com borlas e longas franjas, junto aos quais se viam bandejas de cobre e os sempre presentes tapetes “orientais”. Os otomanos enriqueceram o imaginário europeu. Em sua fase de retração militar, o anticristo e inimigo da Reforma deu lugar a formas mais inofensivas. Até mesmo nos nossos dias, embora o Império Otomano tenha desaparecido, as suas heranças permanecem no mundo cultural europeu e nas suas ramificações. 

Podemos discutir como a visão “ocidental” em relação aos “turcos” e aos povos árabes variou de acordo com as circunstâncias de cada época. A imagem romântica vulgarizou o “Oriente” como uma terra onde era possível realizar todos os prazeres da imaginação humana. Essa visão do mundo “oriental” popularizou a imagem da odalisca como estereótipo da mulher muçulmana até pouco tempo atrás, enquanto após o atentado ao World Trade Center fomos bombardeados por imagens de muçulmanas usando o hijab (véu), chador, niqab e a burqa. Na prática, ambas as visões falham ao estereotipar a sociedade islâmica e a condição da mulher no Islã.

É perceptível as diferenças de conduta em cada país ou até mesmo em cada cidade; a Turquia e o Líbano são exemplos de sociedades mais abertas, enquanto a Arábia Saudita e o Afeganistão são mais rígidos. Istambul é um exemplo da diversidade no Islã, nos bairros históricos, como Eminönü é comum encontrar as mulheres usando o hijab e até o chador. Em contrapartida, é frequente ver turcos bebendo a cerveja EFE (a principal marca de cerveja da Turquia) nos diversos bares das ruas adjacentes à Istiklâl Caddesi, ou jovens “ficando” em clubes noturnos como o Reina. Esta diversidade é um legado do histórico cosmopolita da cidade, da visão heterodoxa do Islã comum aos povos nômades e da política secular nacionalista de Kemal Atatürk. Se ao longo dos séculos formou-se um imaginário que não traduz corretamente a sociedade turca, cabe a nós historiadores reconhecermos os defeitos desta visão, refletir sobre o passado e compreender os dilemas atuais. 

Autor: Diogo Farias.

* Tela de Paul Trouillebert (1874) retratando uma serva do harém otomano.

Fonte: http://www.zoonpolitikonbrasil.blogspot.com.br/2013/09/historia-descodificando-o-outro-uma.html

Syria, Protests in Turkey & the NSA Spy Program w/Pepe Escobar

Vídeo

Publicado em 11/06/2013
his episode of Critical Insights we were joined by Asia Times roving journalist, Pepe Escobar. Pepe broke down the genesis of the ongoing conflict within Syria, Western and Israeli Involvement in Syria, as well as how the West is financing known terrorist “rebels” throughout Syria. Mr. Escobar also detailed the background of the NSA spy program known as Prism and what the long term implications are for US citizens (and the world in general), if these tactics continue. This is a must watch interview riddled with critical information the Western (US) corporate media routinely suppress.

Fonte: Critical Insights