The Middle East Big Geopolitical Game: South Front’s Forecast of the Syrian conflict

Rússia dá grande novo passo para sair do dólar

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5/12/2015, F. William Engdahl

Já há algum tempo a China e a Federação Russa compreenderam, como outras nações, que o calcanhar de Aquiles econômico delas todas é o EUA-dólar como mais importante moeda de reserva mundial. Enquanto Washington e Wall Street controlam o dólar, e enquanto o núcleo duro do comércio mundial exigir dólares para os pagamentos, bancos centrais como o da Rússia e da China são forçados a estocar dólares sob a modalidade de papeis “seguros” da dívida do Tesouro dos EUA, como moedas de reserva para proteger as respectivas economias do tipo de guerra monetária que a Rússia conheceu no final de 2014, quando o adequadamente então renomeado Escritório de Terrorismo e Inteligência Financeira do Tesouro dos EUA & Wall Street derrubaram o rublo, num negócio montado entre EUA e sauditas para pôr em colapso o preço mundial do petróleo. Agora, calmamente, Rússia e China encaminham-se para a porta de saída do dólar.

O orçamento do estado russo depende fortemente dos lucros da exportação em dólares do petróleo. Ironicamente, por causa do papel do dólar, bancos centrais de China, Rússia, Brasil e outros países que se opõem diametralmente à política externa dos EUA são obrigados a comprar papéis da dívida do Tesouro em dólar… o que significa que, de facto, aqueles países estão financiando as guerras de Washington que visam a ferir principalmente aqueles mesmos ‘financiadores’.

Tudo isso, discretamente, está mudando. Em 2014, Rússia e China assinaram dois megacontratos de 30 anos de fornecimento de gás russo à China. Os contratos especificaram que o negócio será pago em renminbi e em rublos russos, não em dólares. Foi o começo de um acelerado processo de desdolarização que está hoje em andamento.

Renminbi nas reservas russas 

Dia 27/11/2015, o Banco Central da Rússia anunciou que pela primeira vez estava incluindo o renminbi chinês na cesta oficial de moedas do banco. Em 31/12/2014, as reservas oficiais do Banco Central da Rússia consistiam de 44% de EUA-dólares e 42% de euros, com o pound britânico em pouco mais de 9%. A decisão de incluir o renminbi ou yuan nas reservas oficiais da Rússia aumentará o uso do yuan nos mercados financeiros russos, em detrimento do dólar.

O yuan começou em 2010 a ser negociado no mercado de moedas na Bolsa de Valores de Moscou, embora ainda não plenamente conversível para outras moedas. Desde então, o volume de negócios yuan-rublos cresceu enormemente. Em agosto 2015, os corretores e empresas russos compraram o total recorde de 18 bilhões de yuan, cerca de 3 bilhões de EUA dólares, aumento de 400% na comparação com um ano antes.

Vem aí o Rublo de Ouro

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Mas as ações de Rússia e China para substituir o dólar como moeda de mediação no comércio entre os dois países, cujo volume cresceu significativamente desde as sanções de EUA e UE em março de 2014, são o começo do processo, não o fim.

O ouro está próximo de fazer reestreia dramática no cenário monetário mundial, pela primeira vez desde que Washington rasgou unilateralmente o Tratado de Bretton Woods, em agosto de 1971. Naquele ponto, aconselhado pelo emissário pessoal de David Rockefeller no Tesouro, Paul Volcker, Nixon anunciou que Washington recusava-se a honrar suas obrigações do Tratado, de  resgatar os dólares que houvesse no estrangeiro, em ouro que teria de estar reservado para isso no Banco Central dos EUA.

Desde essa época persistem rumores de que, na verdade, as câmaras de ouro do Fort Knox estão peladas, fato que, se comprovado, comprometeria gravemente o status do dólar como moeda internacional de reserva.

Washington agarra-se empenhadamente à versão de que o Federal Reserve vive acocorado sobre 8.133 toneladas de reservas em ouro. Se for verdade, é reserva muito maior que a segunda, a alemã, que oficialmente, conforme registro do Fundo Monetário Internacional, é dona de 3.381 toneladas.

Em 2014, transpirou um evento bizarro que fez engordar as dúvidas sobre a verdade das estatísticas norte-americanas sobre o ouro. Em 2012, o governo alemão pediu ao Federal Reserve que devolvesse ao Bundesbank, banco central da Alemanha, o ouro pertencente aos alemães e “guardado em custódia” nos EUA. Para surpresa e choque mundial, o banco central dos EUA recusou-se a devolver o ouro alheio, sob a frágil desculpa de que o Fed “não tinha como distinguir barras de ouro alemão e barras de ouro norte-americano”… Talvez se deva concluir que os auditores do Federal Reserve dos EUA foram todos demitidos no processo de reduzir despesas do estado norte-americano?

Depois que o caso virou escândalo universal, em 2013 os EUA repatriaram magras 5 toneladas do ouro alemão para Frankfurt e anunciaram que, até 2020, completariam a repatriação das 300 toneladas solicitadas. Outros bancos centrais europeus puseram-se imediatamente a pedir de volta o respectivo ouro, ante a crescente desconfiança que passou a cercar o Banco Central dos EUA.

Nessa dinâmica, o banco central da Rússia fez crescer dramaticamente suas reservas oficiais de ouro. Dada a crescente hostilidade com Washington, o passo tornou-se ainda mais rápido. Desde janeiro de 2013, o ouro oficial do estado russo cresceu 129%, para 1.352 toneladas, dia 30/9/2015. Em 2000, no final da década de saqueio ininterrupto praticado pelos EUA contra a Federação Russa nos sinistros anos 1990s de Yeltsin, as reservas de ouro da Rússia chegaram a 343 toneladas.

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Os cofres do Banco Central Russo, que ao tempo da queda da União Soviética em 1991 guardavam cerca de 2.000 toneladas de ouro oficial, foram esvaziados durante o muito controverso mandato do dono do Gosbank, Viktor Gerashchenko, que declarou, a um Parlamento russo (Duma) estupefato, que não fazia ideia de que fim levara o ouro russo.

Hoje sem dúvida os tempos são outros. A Rússia já ultrapassou a África do Sul como terceiro país maior minerador de ouro do planeta em toneladas anuais extraídas. E a China tornou-se o primeiro deles.

A mídia-empresa ‘ocidental’ muito falou de que, desde que se aplicaram as sanções financeiras lideradas pelos EUA, as reservas de dólares do banco central russo caíram significativamente. O que ninguém noticia é que, ao mesmo tempo, o banco central russo passou a comprar ouro, muito ouro. As reservas totais da Rússia em EUA dólares caíram recentemente no período de sanções, em cerca de $140 bilhões desde 2014, paralelo à queda de 50% no preço em dólares do petróleo, mas a quantidade de ouro de propriedade dos russos subiram 30% desde 2014, como mostram os registros. A Rússia é proprietária hoje de tantas onças de ouro quanto as que possuem os fundos de câmbio e comércio em ouro [orig. gold exchange-traded funds (ETFs)]. Só em junho, o país somou ao que já tinha o equivalente a 12% da produção global anual de ouro extraído, segundo seekingalpha.com.

Se o governo russo vier a adotar a proposta muito razoável preparada pelo economista russo e conselheiro pessoal de Putin, Sergei Glazyev – a saber, que o banco central da Rússia compre todas as onças de ouro extraído em seu território, a preço em rublos atraente e protegido, para aumentar o lastro ouro do Estado –, ainda menos o banco central terá de comprar ouro nos mercados internacionais pago em dólares.

Hegemonia e bancarrota

Ao final dos anos 1980s, quando viram a grave crise bancária nos EUA combinada ao claro declínio da posição em que os EUA estavam no início do pós-guerra, como maior nação industrial do mundo, e com as multinacionais norte-americanas mudando-se para países de baixos salários como o México e depois a China, os europeus começaram a conceber uma nova moeda para substituir o dólar como reserva, e a criação de seus ‘Estados Unidos da Europa’, para se impor contra a hegemonia dos EUA.

A resposta europeia foi invenção do Tratado de Maastricht no momento da reunificação da Alemanha no início dos anos 1990s. Daí resultara o Banco Central Europeu e depois o euro – invenção gravemente viciosa, de cima a baixo. Uma aposta muito suspeitamente bem-sucedida de bilhões, do especulador de fundos hedge em New York, George Soros, em 1992 contra o Banco da Inglaterra e a paridade do pound, conseguiu derrubar o Reino Unido e a Bolsa de Londres e deixá-los fora da emergente alternativa da União Europeia, ao dólar. Foi facílimo para alguns daqueles mesmos fundos, rasgar o euro pelas costuras em 2010, atacando o seu calcanhar de Aquiles, a Grécia, depois Portugal, Irlanda, Itália, Espanha. Desde então, a UE, que também se conecta a Washington pelas cadeias da OTAN, deixou de ser grande ameaça à hegemonia dos EUA.

Contudo, cada vez mais desde 2010, com Washington tentando impor ao mundo a Doutrina de Dominação de Pleno Espectro, do Pentágono, sob a forma da chamada Primavera Árabe, manipulando ‘mudanças de regime’ da Tunísia ao Egito à Líbia e agora, com resultados nada favoráveis para Tio Sam, também na Síria, aconteceu que China e Rússia foram empurradas, uma para os braços da outra. Como alternativa russo-chinesa ao dólar, o rublo, renminbi (ou yuan) com lastro ouro, podem disparar um movimento de saída, como bola de neve, para longe do EUA dólar e, com isso, uma grave quebra na capacidade dos EUA para usar a simples ‘posição’ do dólar como moeda de reserva, para financiar suas guerras com dinheiro alheio.

Assim os interesses que trabalham a favor da paz no mundo ganhariam enorme vantagem competitiva contra os EUA, o hegemon das guerras sempre fracassadas.

Publicado em: New Eastern Outlook

Rússia disposta a reaquecer relações, se Ancara desistir da Síria

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8/12/2015, Alraimedia (Irã) (trad. ing. em in Elijah J Magnier Blog)

A Turquia manifestou a visitantes iraquianos que está disposta a pagar qualquer preço para que o gasoduto do Qatar atravesse terras turcas e avance até as fronteiras turcas para assim alimentar a Turquia com a energia de que o país precisa, temendo que venham novas sanções russas.

Dado que já não é possível usar o território sírio para esse objetivo, Ancara precisa criar uma alternativa para o gasoduto qatari, caso o Kremlin decida aumentar as restrições econômicas como reação à derrubada do Sukhoi Su-24, mês passado, sobre território sírio e a morte do piloto russo. A Turquia pode dar e ampliar, em acordo com o Iraque, todas as facilidades financeiras e econômicas e avais requeridos para levantar o dinheiro necessário e garantir todo e qualquer apoio militar para combater o terrorismo.

Ancara manifestou o desejo de liberar mais água se a crise for resolvida – ou reduzir, como ficou insinuado, se Bagdá recusar-se a negociar. Os níveis de água do Rio Eufrates a partir do leste da Turquia já foram reduzidos a menos da metade, em 2015.

Dado que não há acordo internacional sobre o Rio Tigre com o Iraque, as represas de Llisu e Cizre no Rio Tigre (tão logo estejam concluídas) e a represa Ataturk no Rio Eufrates podem ser reguladas.

A Turquia vivia com zero problemas com os vizinhos antes da guerra síria; hoje tem zero amigos e zero paz com os países com os quais tem fronteiras e tradicionais aliados.

Forças turcas cruzaram a fronteira para dentro do Iraque, quebrando todos os tratados, convertidas em força de ocupação.

O grupo que se autodenomina ‘Estado Islâmico’ (ISIS) é considerado organização terrorista, e a Turquia será considerada estado terrorista se não retirar suas forças antes que se esgote o prazo do ultimatum que recebeu [48 horas, que terminam hoje] do governo do Iraque.

Bagdá tem acordo com Ancara para receber instrutores e especialistas. Esses podem permanecer como integrantes das forças da coalizão, para treinar forças de segurança iraquianas e Peshmerga, como previamente acertado.

Turquia e Iraque tinham excelentes relações e coexistiam em harmonia. Mas novas forças turcas penetraram 100 km dentro do território iraquiano, quando o tratado vigente estipulava um máximo de 25 km (no caso de terem de perseguir curdos do PKK em operação punitiva coordenada com o Iraque). Além disso, as dimensões da força turca que penetrou em território do Iraque ultrapassam qualquer nível que se possa considerar para treinamento ou proteção.

Essa força turca é composta de uma brigada de unidades especiais de cerca de 1.300 homens, um regimento de artilharia e dois esquadrões de helicópteros com base em Ba’shiqa. O objetivo das tropas turcas é ignorado. A força turca se posicionou num front demarcado pelo ISIS sem informar ao estado iraquiano qual seria seu objetivo.

Uma explicação possível é que ali estejam para dar proteção ao comboio de caminhões-tanque para transporte de petróleo que sai da Síria e do Iraque, uma vez que a Rússia não pode atacar o comboio em território iraquiano? Lá estará para apoiar o ISIS ou para chantagear o Iraque? Bagdá aceita qualquer apoio em sua luta contra o terrorismo, mas de modo algum está em falta de soldados em solo.

No momento, o Iraque, como estado, não está em posição de entrar em guerra contra a Turquia. A guerra contra o ISIS já mobiliza todos os recursos do país e mantém engajadas as forças militares nacionais. Por tudo isso, não será operação simples declarar guerra à Turquia. Mas enormes projetos econômicos estão ameaçados.

A relação Irã-Turquia também está sob risco. O Irã também busca parceiros alternativos, nas relações de que hoje participa a Turquia no campo da energia.

A situação só piora no Oriente Médio, especialmente pelo modo como a Turquia está chantageando, não só o Iraque, mas também a Europa.

Na questão dos refugiados, o presidente Erdogan está recebendo $3 bilhões de euros para cortar o fluxo para a Europa, de pessoas/populações deslocadas.

Mas hoje, a Turquia ainda agrava mais esse quadro e entra na área crítica de segurança do Irã, servindo-se do pretexto-cobertura sectário de “proteger os sunitas” assim como “o Irã protege os xiitas”.

O sr. Erdogan escapa da Rússia na Síria rumo às áreas do Curdistão Iraquiano, consideradas a frente mais fraca.

Sobre a relação Rússia-Turquia – A Rússia impõe uma condição para reaquecer suas relações com Ancara. Além de pedido formal de desculpas, a Turquia deve retirar-se completamente de todo o dossiê sírio; deve parar de apoiar milícias que combatem em nome dela na Síria; e deve pôr fim a toda e qualquer ajuda econômica que hoje dá ao ISIS. A Turquia precisa muito do petróleo que recebe do território sírio ocupado pelo ISIS e dos negócios de troca que mantém com o ISIS. A Turquia é o principal fornecedor do ISIS de todos os tipos de itens.

Se a Turquia puser fim a todo esse relacionamento, a Rússia não buscará nenhuma outra reparação para o caso do Su-24.

A presença de novas forças turcas no Iraque hoje é um modo de a Turquia escapar para uma área onde a Rússia não está operando. Essa situação só se alterará no caso de Bagdá autorizar a Rússia a dar caça ao ISIS também no Iraque. Nesse caso, a Turquia perde a vantagem que mantém nesse momento em que está ocupando território iraquiano.

Publicado em: Alraimedia

Russia to suspend Ukraine trade pact

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Russia’s president Vladimir Putin has signed a decree that will exclude Ukraine from a free trade zone that includes former Soviet countries from 1 January.

Ukraine plans to join an EU free trade zone from that date.

Mr Putin cited “extraordinary circumstances affecting the interests and economic security” of Russia.

Tensions between the countries have been high since Russia annexed Ukraine’s Crimean peninsula last year.

Kiev and the West have also accused Russia of aiding pro-Moscow separatists in the east of the country.

The decree will annul a Russian deal with Ukraine dating back to 2011, according to the Russian Interfax news agency.

Russia says the Ukraine-EU deal could lead to European imports coming across its own borders.

‘Ready to pay the price’

Ukraine expects some economic damage as a result of the decree, said President Petro Poroshenko.

“Ukraine is aware of these restrictions and the expected damage the Ukrainian economy. But we are ready to pay this price for our freedom and our European choice?” he said.

Meanwhile, the Ukrainian government has said it will ban trade with Crimea in 30 days’ time.

But Russian economy minister Alexey Ulyukaev told the BBC that Russia was still open to negotiation with both Ukraine and the European Union.

“Negotiations will take place, of course,” Mr Ulyukaev said, adding that Russia hadn’t “closed the door” on a deal if there is “good will” among the participants.

He said Russia had proposed “a three-way system of information exchange” in Ukraine, allowing the origin of products to be tracked.

That proposal was still on the table, he said, but after 1 January there would be “a different economic reality”.

Fonte: BBC.

CrossTalk on Syria: Obama cornered

CrossTalk: Syrian phoenix

Putin explica como os Estados Unidos criaram o ISIS