Problemas e futuro da cooperação inter-regional China-Rússia

Texto 4

25/04/2017, Wan Qingsong

Entreouvido na Vila Vudu:

A quem diga que ‘isso aí não me interessa’, responda:
“Interessa, sim senhor, e muito! Porque: (a) São notícias do mundo multipolar. E se é mundo multipolar interessa muito mais, em todos os casos, que os problemas do mundo unipolar dependente do dólar e de Wall Street. Porque: (b) Aí se trata de construir integração entre “regiões não adjacentes”, quer dizer, construir integração necessária para finalidades POLÍTICO-ESTRATÉGICAS, não integração determinada por destino geográfico. E porque: (c) Em todos os casos, essa discussão sempre interessará muito mais que o opininionismo tosco e tendencioso do ‘jornalismo’ Br-17, q só repete baboseiras das redes norte-americanas sobre eleições na França, ou ‘noticiário’ suposto ‘local’ e elucubrações sobre o que algum golpista diz-que pensa sobre Constituição e Lei.”

Componente crucial da parceria estratégica abrangente russo-chinesa, a cooperação regional é ponto focal para os dois países e recebe o indispensável apoio das autoridades locais e da alta cúpula do governo dos dois países. Assim, a cooperação regional tem enorme potencial em termos do desenvolvimento de relações bilaterais.

A cooperação entre regiões não adjacentes nos dois países está gradualmente ganhando energia. Trata-se basicamente da interação entre a Região do Alto e Médio [rio] Yangtze da China e o Distrito Federal do [rio] Volga da Rússia. A cooperação no formato Volga-Yangtze começou a ser construída em maio de 2013. Em julho de 2016, aconteceu em Ulyanovsk a primeira reunião do Conselho para Cooperação Inter-Regional que pôs os processos de cooperação e desenvolvimento em novo nível. O Conselho terá sua segunda reunião em junho de 2017, na Província Anhui, China.

A cooperação entre essas duas regiões tem enorme potencial. Destaco aqui oito dos problemas que vários tipos de negócios chineses enfrentam para tornar efetiva a cooperação com negócios russos, nas respectivas áreas.

Principais problemas dos negócios da região do Alto Yangtze:

1. A cooperação comercial e econômica com a Rússia não apresenta vantagens estratégicas óbvias e está em posição inferior. Nem China, nem Rússia tomaram qualquer providência para criar condições favoráveis para o comércio regional e a cooperação econômica.

2. As leis e regulações russas mudam frequentemente, forçando as empresas e comerciantes a desperdiçar enormes recursos para adaptar-se à situação.

3. O procedimento administrativo russo não é eficiente, e o processo até produzirem-se indispensáveis autorizações administrativas é excessivamente lento.

4. A Rússia não dá sinais de ter interesse em oferecer garantias de estado a caros projetos de longo prazo, de infraestrutura.

5. O atual regime de vistos é extremamente restritivo, na Rússia e na China.

6. O potencial dos negócios chineses na Rússia continua disperso; não há entidades comerciais oficiais especializadas em proteger interesses empresariais.

7. Os riscos financeiros são comparativamente altos no mercado russo.

8. Os canais de troca de informações Rússia-China são insuficientemente desenvolvidos.

Falando em termos gerais, os problemas mais óbvios no contexto da cooperação inter-regional são a falta de entendimento e a inadequação dos canais de informação. O Centro para Estudos Russos da Universidade Pedagógica do Leste da China propôs que se estabelecesse em Xangai o Centro de Análise Conjunta Volga-Yangtze.

A iniciativa foi implementada com suporte e participação ativa do Ministério de Relações Exteriores da China e outras agências governamentais. 50 especialistas chineses participaram do primeiro fórum do novo Centro de Análise Conjunta. Os quatro principais objetivos do Centro são:

1) Submeter análises das questões da cooperação Volga-Yangtze aos escalões superiores e agências governamentais e diretamente a empresários e comerciantes das seis províncias .

2) Alcançar o desenvolvimento conjunto de orientações para investimento dirigidas aos empresários e comerciantes envolvidos nos programas; essas orientações devem incluir estudo das perspectivas futuras da cooperação e estimativas dos riscos dos investimentos.

3) A normalização do diálogo entre empresários que participam dos programas Volga-Yangtze mediante melhor troca de informações, pela criação de uma plataforma online e organização de fóruns comerciais.

4) Treinamento conjunto de especialistas cooperação inter-regional e provisão de mecanismos operacionais de troca.

A China está preparada para focar as seguintes três principais áreas ao longo dos próximos dois anos:

1) Generalizar a experiência de desenvolvimento das duas regiões e procurar oportunidades para estabelecer mecanismos de troca.

2) Conhecer mais profundamente os mercados de 14 entidades federadas russas, incluindo aspectos da legislação e gestão econômicas locais.

3) Estudar seis províncias da China e 14 entidades constituintes da Federação Russa, do ângulo de complementariedade mútua, na produção de padrões e capacidades industriais.

Esse é apenas o primeiro passo para resolver problemas da cooperação inter-regional China-Rússia, alguns dos quais são questões resistentes e de longo prazo, que não podem ser resolvidos da noite para o dia. Teremos de explicar as causas desses problemas e mapeá-los, para que possamos enfrentá-los. É bem claro que nada disso pode ser feito só pela China, e que é indispensável o ativo envolvimento da Rússia.*****

* WAN Qingsong é pesquisador associado no Centro para Estudos Russos, Universidade Pedagógica do Leste da China (Xanghai, China).

Fonte: Valdai Discussion Club

Pepe Escobar: “E Deus inventou Maria…”

Spokeswoman of the Russian Foreign Ministry Zakharova attends a news briefing in Moscow
10/3/2017, Maria Zakharova, porta-voz do
Ministério de Relações Exteriores da Rússia, em conferência com jornalistas

 Jornalista: Foi anunciado recentemente que os EUA planejam enviar a artilharia do Marine Corps para a Síria, o que caracteriza claro afastamento da promessa do governo anterior, de que não haveria coturnos em solo. Como Moscou reagirá a isso?

Maria Zakharova: Mas… como Moscou ‘reagirá’ a quê?! E de que ‘governo interior’ você está falando? Que governo anterior? Nunca apresentou estratégia consistente para a Síria durante oito anos! Um dia, bombardeamos tudo; dia seguinte, nada de bombas; mais um dia, retiram-se da Síria; dia seguinte, invadimos a Síria; um dia derrubamos o governo; dia seguinte, nos acertamos com ele, para ‘ação conjunta’. Essas flutuações aconteceram mês após mês… Um lado do governo não compreende o que o outro lado faz. A posição que é preciso implementar na arena internacional como abordagem norte-americana consolidada (a comunidade internacional precisa compreender essa política, porque aí se trata de ações na arena internacional). Mas a abordagem norte-americana consolidade nunca apareceu! Primeiro era um conceito. Depois mudaram de ideia. Nos últimos seis meses antes das eleições, assistimos à agonia da política de Washington para a Síria.

Por um lado, houve atividade sempre crescente na área da política exterior e, ao mesmo tempo, era atividade que nunca foi apoiada por ação em campo de militares norte-americanos. Lembram-se da distância que separava a posição de algumas forças no Departamento de Estado, e os militares norte-americanos?

Depois aconteceu evento ainda mais misterioso: seguiram em frente e abandonaram toda a política síria, sem nem ideia do que poderia acontecer, sem fim à vista. Na sequência, concentraram-se em Aleppo, mas não para resolver alguma coisa, só para inflar o mais possível a histeria e uma campanha de (des)informação orientada exclusivamente para as eleições. O que se pode dizer, se se analisa a abordagem do ‘governo anterior’?

Fonte:  Pepe Escobar, Facebook) [excerto] 

 

2017 Annual Forecast Preview

Published on Dec 23, 2016

Stratfor Vice President of Global Analysis Reva Goujon highlights the key geopolitical trends for the coming year.

STRATFOR

Meet the Man Who Built Russia’s Internet

Published on Dec 5, 2016

Bloomberg

The real harm of the global arms trade

Published on Jun 23, 2016

In some parts of the world, it’s easier to get an automatic rifle than a glass of clean drinking water. Is this just the way it is? Samantha Nutt, doctor and founder of the international humanitarian organization War Child, explores the global arms trade — and suggests a bold, common sense solution for ending the cycle of violence. “War is ours,” she says. “We buy it, sell it, spread it and wage it. We are therefore not powerless to solve it.”

TED

Russia’s Difficult Economic Balance

Published on Jun 21, 2016

STRATFOR

Jornal mexicano critica Macri por suspender RT na Argentina

Publicado originalmente em: 12/06/2016

rt

O jornal mexicano La Jornada criticou em um editorial o presidente da Argentina, Mauricio Macri, pela decisão de suspender o canal RT da grade de canais abertos no país.

“Por que não declaram Macri um inimigo da liberdade de expressão, como estão fazendo com (Nicolás) Maduro?”, pergunta o diário em um editorial diário chamado Rayuela, atribuído à direção do jornal.

O diário publicou, além disso, uma reportagem de sua correspondente em Buenos Aires, Stella Calloni, no qual explica como o governo argentino decidiu suspender as transmissões do canal RT.

O artigo indica que grupos de jornalistas advertiram que a decisão do governo Macri “ é parte de uma nova escalada de censura e vai contra a liberdade de expressão e os milhões de argentinos que tinham acesso a uma informação internacional de primeira linha, como aconteceu também com a rede de TV Telesur”, uma iniciativa regional idealizada pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os planos da estatal Rádio e Televisão Argentina (RTA) são de excluir o canal internacional das transmissões em TV aberta a partir de agosto. A RT continuará disponível no país apenas em canais de TV a cabo.

A RT entrou na rede estatal da Argentina em outubro de 2014 por meio de um convênio assinado pelo presidente russo, Vladimir Putin, e a então presidente argentina,Cristina Kirchner.

A rede de TV RT é composta por três canais de notícias que transmitem 24 horas por dia desde Moscou para mais de 100 países em espanhol, inglês e árabe;  o canal RT America, que transmite desde seus estúdios próprios em Washington; um canal de documentários; e a agência global de vídeos RUPTLY, que oferece material exclusivo a redes de todo o mundo.

Fonte: Sputnik