Oil, Conspiracy & the Middle East Cold War with Pepe Escobar

Oil pipeline wars, terrorism, state-sponsored religious sectarian violence, and the corruption that pulls the strings for the new cold war in the Middle East is detailed by Pepe Escobar. From the political and financial connections between Russia, China and Iran, to going behind the scenes of 9/11, the rise of the Da’ish and more, we connect the dots on oil, influence, and the permanent war being waged over oil. Will Russia be the threat to the US it is being presented as? We separate misinformation from the cloaked reality in this uncensored Buzzsaw interview, hosted by Sean Stone.

GUEST BIO:
Pepe Escobar is the roving correspondent for Asia Times/Hong Kong, an analyst for RT and TomDispatch, and a frequent contributor to websites and radio shows ranging from the US to East Asia. His latest book, just out, is Empire of Chaos (Nimble Books, 2014).

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Inside story of Saudi night of long knives – Pepe Escobar on detained royals

Os EUA e o GOLPE do Impeachment de Dilma – jornalista Pepe Escobar

 

Pepe Escobar: “Trump vs. Estado Profundo: bastidores da rinha”

28/2/2017, SputnikNews (traduzido pelo pessoal da Vila Vudu)

Segundo me diz minha fonte insider, que aqui chamei de “X”, “Flynn foi removido porque estava agitando a favor de um ataque ao Irã, que teria consequências desastrosas. Levaria os iranianos a atacarem suprimentos ocidentais de petróleo no Oriente Médio, o que faria subir o preço do petróleo a mais de $200 o barril, e a União Europeia teria de unir-se ao bloco russo-chinês para conseguir energia suficiente para sobreviver. E os EUA estariam, nesse caso, completamente isolados.”

Quando ainda de serviço como Conselheiro Nacional de Segurança, Flynn, disse publicamente que já pusera o Irã “de sobreaviso”. Para todas as finalidades práticas, virtual declaração de guerra. “X” elabora sobre as ramificações: “A chave aqui é a Turquia, e a Turquia quer acordo com o Irã. O perigo chave para a OTAN é a Turquia, que controla a Sérvia, e Turquia-Sérvia mina a Romênia e a Bulgária, numa manobra de contornar pelo flanco até a parte sul-sudeste da OTAN. A Sérvia ligada à Rússia na 1ª Guerra Mundial, e a Turquia ligada à Alemanha. Tito ligado à Rússia na 2ª Guerra Mundial, e Turquia neutra. Se Turquia, Sérvia, Rússia se unem as três, a OTAN estará deixada de fora e para trás. Rússia está ligada ao Irã. Turquia está ligando-se à Rússia e ao Irã, depois do que, como Erdogan vê as coisas, foi tentativa fracassada de golpe da CIA contra ele. E tudo isso é muito mais do que Flynn conseguiria operar simultaneamente.”

“X” insiste que a abertura que o governo Obama construiu na direção do Irã, e que levou ao acordo nuclear, foi, na essência, uma tática para enfraquecer a Gazprom russa – assumindo que um gasoduto Irã-Iraque seria construído diretamente até a Turquia e dali conectado com mercados da União Europeia.

Mas esse grande gambito no Oleogasodutostão exigiria investimento maior e anos até ser completado. Paralelamente, desde o início Teerã aumentou suas vendas de energia para vizinhos eurasianos, especialmente para a China. O objetivo só pode ter sido fazer subir a “tensão” EUA-Irã. Flynn pode ter-se metido em águas “nas quais não tinha pé”, nas palavras de “X”, no que tenha a ver com como se movimentar sobre o hipercomplexo tabuleiro de xadrez do Sudoeste Asiático.

“X”, contra um consenso virtual em todo o Departamento de Estado, insiste que “a reaproximação com a Rússia não dependia de Flynn. Depende dos que supervisionam Trump, e esses o põem lá para a finalidade de criar uma deriva de aproximação na direção da Rússia. O conflito no estado profundo é irrelevante. Todos ali são profissionais que sabem como e quando mudar de política. Mantêm-se de olho aberto sobre todos que ocupam altas posições e pode destruí-los todos à vontade. Flynn meteu-se no caminho deles e já foi expelido.”

“X” revela outra vez o que enlouquece o Pentágono, em tudo que tenha a ver com a Rússia: “A Rússia não é ameaça econômica aos EUA. A base da manufatura russa está centrada na produção militar. Desenvolveu-se desde o bombardeio de Belgrado [final dos anos 1990s] e é hoje a maior potência militar mundial em termos de autodefesa. Os mísseis de defesa russos realmente vedam o respectivo espaço aéreo; e os mísseis balísticos intercontinentais russos são os mais avançados do mundo. O míssil de defesa norte-americano recentemente testado e localizado na Romênia é praticamente imprestável, apesar do ‘sucesso’ inventado para consumo na Europa e para manter unida a OTAN. A Rússia é aliada natural dos EUA. Os EUA tomarão o rumo da Rússia, e a saída de Rússia é relativamente sem significado, exceto pelo que valha como entretenimento.”

Golpe para tirar Trump

Agora comparem essa análise com a ‘boataria’ que a CIA fez circular servindo-se de seus estenógrafos em toda a mídia-empresa nos EUA, e que só falam de uma batalha interna terrível que estaria em curso dentro do governo Trump. Houve realmente uma batalha, e a inteligência dos EUA adorou poder ajudar, porque aquela gente jamais gostou de Flynn, e vice-versa.

Acrescentem àquela inteligência-polvo os obamistas, como aquele patético ex-conselheiro Ben Rhodes mais sortimento variado de operadores do estado profundo, aposentados ou outros. A coisa vai ficando cada vez mais estranha, quando até o neoconservador Michael Ledeen, coautor com Flynn do livro islamófobo The Field of Fight, lamenta que seu assassinato político tenha sido levado a cabo por “uma quadrilha de funcionários da CIA e obamistas, mancomunados com aliados na mídia-empresa.”

Para todas as finalidades práticas, as mais poderosas facções estado-profundo-neoconservador/neoliberais conservadores realmente lançaram operação clandestina para tirar Flynn e continuar avançando para, eventualmente, tirar Trump – seguindo cada possível via de impeachment que haja pelo caminho. Seja qual for a estratégia profunda dos verdadeiros Masters of the Universe como “X” a detalhou, Trump realmente está diante de um formidável eixo de neoconservadores/neoliberais conservadores, com a CIA, a mídia-empresa neoliberal, da CNN ao Washington Post, e a máquina dos Clintons, ainda operante.

O que realmente mudaria profundamente o jogo – um verdadeiro reset com a Rússia – pode estar visivelmente já sob risco, apesar da análise que “X” oferece. Ou, o que é ainda mais atraente, podemos estar bem no meio de um espetáculo muito sofisticado do teatro de sombras wayang –, dado que os Masters, como Kissinger prescreveu, planejam, na verdade, alinhar-se com a Rússia para desafiar e quebrar a integração da Eurásia, que vai sendo levada adiante, essencialmente, pela parceria estratégica Rússia-China-Irã.

Entrementes, surgem distrações sujas, como aquela dupla de senadores senis, fantasmagóricos, McCain-Graham, a empurrar Kiev, como se viu no início do ano, para a guerra contra a República Popular de Donetsk – ao mesmo tempo em que berram para a arquibancada que a culpa ‘é’ do presidente Putin.

O tenente-general HR McMaster em pessoa, novo Conselheiro de Segurança Nacional, pode ser distração tática implantada espertamente pela Equipe Trump. McMaster é o status quo do estado profundo politicamente correto; para ele, Rússia é “um adversário”, seguidor empenhado da doutrina do Pentágono que vê a Rússia como “ameaça existencial” em pés de igualdade com a China.

Assim sendo, é ainda cedo demais para dar Trump por derrubado pelos neoconservadores. Estamos no meio de uma rinha fratricida, doentia, viciosa –, estado profundo versus elites norte-americanas. Coisa amplamente previsível, mesmo antes de conhecido o resultado final das eleições presidenciais nos EUA.

“X” parece acertar fundamentalmente, ao insistir em que Trump foi apoiado pelos Masters of the Universe para reorientar/reorganizar/reimpulsionar todo o projeto do Império do Caos. O aumento de $54 bilhões no gasto dos militares é movimento longamente planejado. “T. Rex” Tillerson, silenciosamente, já dizimou metade de todo o pessoal do Departamento de Estado de Obama; drenagem do pântano, no coração da matéria. O Big Oil e setor substancial do complexo industrial-militar apoiam Trump firmemente. Esses interesses já sabem que demonizar a Rússia é péssimo para os negócios.

Mas o eixo dos perdedores continuará a criar cada vez mais agitação, ao mesmo tempo em que o caos atual vai-se desenvolvendo como teatro de sombras turbinado. Steve Maquiavel/Richelieu Bannon pode ter entregado o jogo – em código – quando diz que se trata de processo de destruição criativa que leva a uma forma completamente nova para a estrutura de poder nos EUA. Nessas circunstâncias, Flynn não passou de peão descartável. E que ninguém se engane: o obstinado neo-Maquiavel e seu Príncipe platinado, estão firmemente empenhados no longo jogo.

Pepe Escobar: “E Deus inventou Maria…”

Spokeswoman of the Russian Foreign Ministry Zakharova attends a news briefing in Moscow
10/3/2017, Maria Zakharova, porta-voz do
Ministério de Relações Exteriores da Rússia, em conferência com jornalistas

 Jornalista: Foi anunciado recentemente que os EUA planejam enviar a artilharia do Marine Corps para a Síria, o que caracteriza claro afastamento da promessa do governo anterior, de que não haveria coturnos em solo. Como Moscou reagirá a isso?

Maria Zakharova: Mas… como Moscou ‘reagirá’ a quê?! E de que ‘governo interior’ você está falando? Que governo anterior? Nunca apresentou estratégia consistente para a Síria durante oito anos! Um dia, bombardeamos tudo; dia seguinte, nada de bombas; mais um dia, retiram-se da Síria; dia seguinte, invadimos a Síria; um dia derrubamos o governo; dia seguinte, nos acertamos com ele, para ‘ação conjunta’. Essas flutuações aconteceram mês após mês… Um lado do governo não compreende o que o outro lado faz. A posição que é preciso implementar na arena internacional como abordagem norte-americana consolidada (a comunidade internacional precisa compreender essa política, porque aí se trata de ações na arena internacional). Mas a abordagem norte-americana consolidade nunca apareceu! Primeiro era um conceito. Depois mudaram de ideia. Nos últimos seis meses antes das eleições, assistimos à agonia da política de Washington para a Síria.

Por um lado, houve atividade sempre crescente na área da política exterior e, ao mesmo tempo, era atividade que nunca foi apoiada por ação em campo de militares norte-americanos. Lembram-se da distância que separava a posição de algumas forças no Departamento de Estado, e os militares norte-americanos?

Depois aconteceu evento ainda mais misterioso: seguiram em frente e abandonaram toda a política síria, sem nem ideia do que poderia acontecer, sem fim à vista. Na sequência, concentraram-se em Aleppo, mas não para resolver alguma coisa, só para inflar o mais possível a histeria e uma campanha de (des)informação orientada exclusivamente para as eleições. O que se pode dizer, se se analisa a abordagem do ‘governo anterior’?

Fonte:  Pepe Escobar, Facebook) [excerto] 

 

Pepe Escobar: “G20 Made in China e seu significado geopolítico “

g20-china-2016
5/9/2016, Pepe Escobar, RT

Fonte: RT Tradução da Vila Vudu

Xi da China, para Putin da Rússia:
“Consegui! Cada vez q ñ usamos petrodólares, bebemos uma” http://goo.gl/FIuA5J
O que acaba de acontecer em Hangzhou, China, tem imensa importância geoeconômica. Pequim, desde o início, tratou com extrema seriedade o G20: foi construído como festa da China, não de algum ocidente decadente. Muito menos, como festa de Washington.

Delineando a agenda para as discussões, o presidente Xi Jinping foi diretamente ao ponto, também geopoliticamente, e definiu o tom: “A velha mentalidade retrógrada de Guerra Fria tem de ser descartada. Temos de desenvolver com urgência um novo conceito de segurança inclusivo, amplo, de cooperação e sustentável.”

Integrem-se isso e as chamadas “quatro prescrições” de Xi – [construir horizontes comerciais] “inovadores, revigorados, interconectados e inclusivos” – necessárias para devolver à vida a economia mundial.

Agindo como Principal Estadista Mundial de facto, Xi então passou, na abertura da reunião, a introduzir um pacote de projetos – resultado de planejamento excruciante, ao longo de meses, na preparação para Hangzhou.

O pacote está projetado para repor a economia global na trilha do crescimento e, ao mesmo tempo, pôr em operação mais regras amistosas made in China para a arquitetura e a governança econômica global.

A meta não poderia ser mais ambiciosa: esmagar o crescente sentimento anticomércio e antiglobalização que cresce principalmente no ocidente (do Brexit a Trump), ao mesmo tempo em que faz agrados no público seleto que o ouve – supostamente o mais importante conjunto de líderes mundiais que já pisaram no país em toda a história da China – embora, ao mesmo tempo, no longo prazo, vise a sobrepujar os EUA no quadro do poder mundial.

É virada previsível, mas nem por isso menos notável, para a China, que colheu benefícios da globalização, mais que qualquer outro país do planeta – com crescimento, ao longo dos últimos 30 anos, impulsionado por investimento estrangeiro direto e um dilúvio de exportações.

Mas agora a geoeconomia entrou em área extremamente preocupante de turbulência. Desde o fim da Guerra Fria em 1989 – e, até, da própria “história” segundo professores paroquianos – jamais as coisas foram tão difíceis. A ganância levou a globalização a ser “derrotada” pela desigualdade. Em resumo, baixa inflação – devida à concorrência global – levou às previsíveis políticas monetárias “expansionistas”, que inflacionaram moradia, educação e atenção à saúde, sacrificando a classe média e deixando que fluxo incontrolado e ilimitado de riqueza fluísse para uma minoria de 1% dos proprietários.

Mesmo na desaceleração, a China foi responsável por mais que 25% do crescimento econômico global em 2015. E continua a ser o motor global vital – ao mesmo tempo em que carrega o peso autoatribuído de representar o Sul Global na governança econômica global.

O investimento chinês outbound aumentou 62%, para valor recorde de $100 bilhões nos primeiros sete meses de 2016, segundo o Ministério de Comércio da China. Mas há um problema, que os economistas apelidaram de “ambiente de investimento assimétrico”: a China continua mais fechada que outros países BRICS ao investimento externo, especialmente em setores de serviços.

Construção dos BRICS

A reunião dedicada aos BRICS, à margem do G20 não foi espetacular per se. Mas foi onde Xi detalhou a agenda da China no G20 e deu o tom para a 8ª reunião de cúpula do grupo, em Goa, em outubro. Segundo um relatório do think-tank econômico para os BRICS da Tsinghua University em Pequim, a China deve aprofundar essas conexões multilaterais para “ter maior influência e forçar o ocidente a retroceder no processo de fixar as regras internacionais”.

É movimento de longo alcance – mas já está em andamento. Zhu Jiejin, da Fudan University em Xangai, resume: “O grupo BRICS é um teste para a nova filosofia da China em relações internacionais – embora o fruto ainda vá demorar muito tempo para amadurecer.”

Tuíto RT https://twitter.com/RT_com/status/772771430383714304

Interconexão ou morte

Tudo em Hangzhou foi milimetricamente calculado.

Por exemplos, os lugares na mesa do G20: cadeiras tai-shi clássicas da dinastia Ming (“assentos para grandes senhores imperiais”) com almofadas cinzas macias; folhas de papel sob pesos de papel verde-claros nas duas pontas; um pote de porcelana com uma caneta; uma xícara de chá em porcelana verde; um “selo” quadrado de jade – quase tão grande quanto um selo imperial – que era, de fato, uma tomada de microfone.

E considerem a geopolítica da foto oficial: Merkel e Erdogan ao lado de Xi, porque a Turquia hospedou o G20 ano passado, e a Alemanha hospedará em 2017; perfeita simetria para Putin e Obama; perfeita simetria para dois outros países BRICS, Modi da Índia; e, do Brasil, Temer, O Usurpador – um em cada ponta, mas ainda na primeira fila; Shinzo Abe do Japão na segunda fila, bem como Renzi da Itália e, da Grã-Bretanha, Theresa “estamos abertos a negócios” May.

E por que Hangzhou, afinal? Tratando-se de China, tudo começa com uma analogia histórica. Hangzhou já era conhecida como “a Herdade da Seda” antes, até, de haver a milenar Rota da Seda. Conecte isso, agora, com as Novas Rotas da Seda extremamente ambiciosas de Xi – o nome oficial é projeto é “Um Cinturão, uma Estrada” [ing. One Belt, One Road (OBOR)] na denominação oficial – que alguns analistas chineses gostam de descrever como “uma moderna sinfonia de conectividade.”

O projeto “Um Cinturão, uma Estrada” de Xi é, de fato, as “quatro prescrições”, em prática: crescimento econômico movido por um frenesi de conectividade “inclusiva”, especialmente entre nações em desenvolvimento.

A liderança em Pequim está totalmente dedicada ao projeto “Um Cinturão, Uma Estrada” como o movimento geoeconômico mais transformador na região do Pacífico Asiático, conectando a maior parte da Ásia à China – e à Europa; e tudo isso, é claro, totalmente entretecido com a reinterpretação turbinada que Xi dá à globalização. Por isso tenho dito que é o projeto de mais amplo alcance para o jovem século 21: do lado dos EUA, o “projeto” concorrente é mais do caótico mesmo.

Mesmo antes de Hangzhou, os ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 reuniram-se em Chengdu, dias 23-24 de julho, para discutir a conectividade da infraestrutura global. O communiqué teve de repetir o óbvio: maior interconectividade é a demanda que define a economia global do século 21 e a chave para promover desenvolvimento sustentável e prosperidade partilhada.

Disso trata o projeto “Um Cinturão, Uma Estrada”. A empresa chinesa de consultoria SWS Research estimou num relatório sobre “Um Cinturão, Uma Estrada” que o investimento total necessário para construir a infraestrutura aproxima-se de espantosos $3,26 trilhões.

Projetos de linha de frente incluem o Corredor Econômico China-Paquistão [ing. CPEC], definido pelo ministro de Relações Exteriores da China Wang Yi como “o primeiro movimento da sinfonia que é a Iniciativa Cinturão e Estrada”. E há também a bonança trazida pelo ferrovia para vagões de alta velocidade – incluindo tudo, da ferrovia China-Tailândia dentro da rede ferroviária Trans-Ásia, à outra ferrovia Jakarta-Bandung, na Indonésia, também para trens de alta velocidade.

Tuíto ONU https://twitter.com/UN_News_Centre/status/772751669901811712

Aqui se veem os principais atores chineses por trás da expansão de “Um Cinturão, Uma Estrada”, e a visão de Xi, de uma arquitetura global econômica reformada. É impossível compreender para onde caminha a China, sem considerar o papel de cada um deles.

E, claro, há a própria cidade de Hangzhou – um centro de inovação tecnológica de excepcional qualidade para economia da informação e produção inteligente.

Pode-se dizer que a principal estrela desse G20, além de Xi, foi Jack Ma, fundador da gigante de e-commerce Alibaba, fundada em 1999, listada em New York em 2014 e surgida da consolidação de vários milhares de empresas chinesas que formam a nova “Chinese imprint”.

O quartel-general da Alibaba é Hangzhou. E não por acaso, todos – de Justin Trudeau do Canadá a Joko Widodo da Indonésia – visitaram o campus Xixi da empresa, guiados por Ma, todos com um olho a chance de promover produtos de seus países pela plataforma da Alibaba. Perto dali há uma Cidade dos Sonhos – um centro que ajudou a lançar mais de 680 startups chinesas em apenas um ano.

Antes do G20 houve lá um B20, – cúpula de empresários e negócios, focada no desenvolvimento de pequenas e médias empresas (PMEs) – na qual o atilado Ma, admitindo que “vivemos momento crucial, quando as pessoas reagem contra a globalização ou o livre comércio”, promoveu empenhadamente o advento de uma plataforma eletrônica mundial para negócios (ing., eWTP). Ma descreveu a eWTP como “um mecanismo para diálogo público-privado no desenvolvimento de comércio eletrônico transfronteiras”, o qual “ajudará empresas pequenas e médias, países em desenvolvimento, as mulheres e os mais jovens a participar na economia global.”

Também não por acaso, Widodo da Indonésia convidou Ma como conselheiro econômico. A Indonésia tem nada menos que 56 milhões de pequenas e médias empresas, como disse o presidente; assim sendo, uma das prioridades nacionais é estimular a cooperação entre as PMEs na Indonésia e Alibaba, para ajudá-las a entrar no mercado chinês e global.

Claro que não é um jardim de rosas. Entre as cinco forças-tarefas presentes à B20 havia atores sinistros, como Laurence Fink, presidente do mega Fundo BlackRock, com assento na comissão de finanças, ou Dow Chemical na comissão de comércio e investimento. Mesmo assim, o alvo chave – mais importante – era e continua a ser ajudar as PMEs no mundo em desenvolvimento, para que se tornem globais.

O que foi realmente decidido no G20 da China só será visível no longo prazo. No encerramento do encontro, Xi destacou que o G20 concordara com promover o multilateralismo no comércio e trabalhar contra o protecionismo (amplas evidências do contrário, no pé em que estão as coisas), ao mesmo tempo em que se desenvolve o primeiro traços de regras para o investimento transfronteiras (todos as aplicarão?)

Disse também que o G20 concordou com prosseguir na reforma do FMI e do Banco Mundial, para dar mais espaço e direitos aos mercados emergentes (não com Hillary ou Trump no governo dos EUA).

Mas seja como for, a “mensagem” da China é absolutamente clara e visível: fixou-se afinal uma trilha geoeconômica para o futuro e o país passa a fazer lobby insistente para que muitas e muitas nações unam-se em torno desses primeiros traços de uma estrutura ganha-ganha. E seja qual for o futuro do acintosamente confrontacional “pivô para a Ásia” – com o braço TPP de “OTAN comercial” e tudo – Pequim não se manterá imóvel e calada ante a intimidação pelos EUA, ou ameaças ao que o governo chinês entende que sejam interesses vitais de segurança da China.

O G20 em Hangzhou mostrou que a China está pronta para exibir sua força econômica e para desempenhar papel muito mais ativo na geoeconomia. É claro que Pequim prefere jogar o jogo num sistema de comércio multilateral organizado em torno da OMC. Washington, em vez disso, tenta viciar o jogo com ‘regras’ novas: as ‘parcerias’ TPP e TTIP.

He Weiwen, da Sociedade de Estudos da OMC da China, pode ter acertado na mosca do negócio (da China), quando observou que “Os EUA disseram, há algum tempo, que não podem deixar que a China defina as regras, mas os EUA a definirem todas as regras tampouco é processo que seduza corações e mentes, porque EUA só consideram interesses dos EUA.”

Impeachment de Dilma Rousseff : Entrevista com o jornalista Pepe Escobar