El País: Por que o Brasil está certo ao buscar adesão à OCDE

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Palácio do Itamaraty – Fernando Bizerra Jr. (EFE)

Oliver Stuenkel

08/05/2017

Quando o Governo brasileiro formalizar, em breve, seu pedido de adesão à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), haverá críticos que acusarão o Governo de entreguismo e de, ao querer se juntar ao “clube dos ricos”, limitar desnecessariamente a autonomia do Brasil no sistema internacional.

Tais argumentos aumentarão o custo político do processo de adesão, mas são em grande parte ideológicos e dificilmente apoiados por fatos. Vale lembrar que, depois dos primeiros acordos feitos no segundo mandato de FHC, foi durante a presidência de Lula que o Brasil e a OCDE se aproximaram por meio do “engajamento ampliado” – o que podia ser visto como um primeiro passo em direção à adesão. Dilma assinou um acordo para aprofundar, ainda mais, a relação entre o Brasil e essa entidade.

No contexto atual, em que o Brasil se recupera de uma crise profunda, juntar-se à OCDE traria ao menos três benefícios tangíveis para o país. A adesão proporcionaria aos futuros Governos instrumentos adicionais para modernizar o país; tornaria o Brasil mais atraente para os investidores estrangeiros; e, ainda, representaria importantes ganhos estratégicos no mundo multipolar do século 21.

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Políticas fiscais corretas compensam queda no preço das commodities, diz FMI

FMI diz que preços de commodities devem seguir trajetória descendente neste ano e no próximo

Os países exportadores de commodities, em sua quase totalidade emergentes, devem adotar políticas fiscais equilibradas para evitar os efeitos perversos de uma queda no preço de seus produtos, recomendou nesta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo as projeções do órgão, os preços de commodities devem seguir uma trajetória descendente neste ano e no próximo, afetando a receita dos países que dependem delas.

“Olhando para frente, dada a atividade global frágil e os riscos elevados de queda dos preços no médio prazo, os exportadores de commodities podem estar diante de uma desaceleração”, avalia o Fundo, no capítulo 4 de seu relatório World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial).

Por outro lado, disse a jornalistas a especialista Ruta Duttagupta, coordenadora do estudo, “boas políticas fiscais nos momentos de alta criam proteções para serem usadas em trajetórias de baixa”.

Se as previsões se confirmarem, será o fim de um ciclo de alta nos preços das commodities que marcou a primeira década do século.

No fim do ano passado, por exemplo, os preços de energia e dos metais chegaram a três vezes o valor real de apenas uma década atrás, afirmou o relatório.

Entretanto, a crise econômica trouxe “um ambiente de incerteza para as commodities” e resultou em um cenário econômico ainda “desanimador”, nas palavras de Duttagupta.

“Os países emergentes e em desenvolvimento até agora se mostraram extraordinariamente resistentes à crise global, e concluímos que os preços das commodities são um dos principais fatores por trás disto”, disse a especialista.

“Os preços das commodities ainda estão altos, provendo uma oportunidade para (os países) reforçarem instituições e proteções se a sitação piorar.”

Boas práticas

Os analistas do FMI apontam que, de um forma geral, os países exportadores de commodities tomaram medidas que vão no caminho certo de se precaver para evitar um choque no futuro.

O relatório cita o Brasil, Chile, Colômbia, África do Sul e Tailândia, entre outros países, como exemplos de nações que conquistaram avanços reais do PIB e reduziram consideravelmente seus níveis de dívida pública.

Duttagapta citou ainda alguns países da Opep, o cartel de exportadores de petróleo, e a Noruega, como exemplos de nações que estão “indo na direção certa”.

As exportações líquidas de commodities compõem cerca de 30% do total das exportações do Brasil, segundo o relatório.

É um peso importante, mas ao mesmo tempo representa a 2ª menor dependência entre os países latinoamericanos nesse quesito, excetuando-se o México.

O relatório cita medidas que considera corretas no cenário de elevação permanente no preços das commodities: “elevar o investimento público, reduzir os impostos sobre o emprego e o capital melhoram a produtividade do setor privado, a produção e o bem-estar”.

“Entretanto, identificar com certeza se uma mudança nos preços das commodities é temporário ou permanente é muito difícil na prática.”

Fonte: BBC Brasil

FMI alerta para risco de reversão de investimentos em emergentes

Países emergentes tiveram recuperação mais rápida após a crise mundial

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou nesta terça-feira para o risco de retirada de investimentos em mercados emergentes caso haja mudança nos fundamentos econômicos – como perspectivas de crescimento, risco-país ou mesmo risco global.

Em um capítulo do Global Financial Stability Report (“Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global”, em tradução livre), divulgado em Washington, o FMI afirma que a tendência estrutural de investimentos em mercados emergentes registrou aceleração após a crise econômica mundial de 2008.

“No entanto, com muitos investidores de primeira viagem aproveitando as vantagens do desempenho econômico relativamente melhor desses países (emergentes), há o risco de reversão se os fundamentos mudarem”, diz o documento.

“No caso de choques maiores, o impacto dessa reversão pode ter a mesma magnitude que a saída de fluxos registrada durante a crise financeira (de 2008)”, afirma o estudo.

Segundo o FMI, a magnitude da recente retirada de investimentos em fundos de ativos e títulos nos mercados emergentes comprova as conclusões do relatório.

Juros e risco

Após a crise mundial, muitos emergentes, como o Brasil, que já haviam sido menos afetados do que economias mais avançadas pela turbulência, registraram uma recuperação mais rápida.

Esse cenário atraiu um grande fluxo de investimentos estrangeiros para esses países.

Em alguns casos, os investidores também foram atraídos por altas taxas de juros, em um momento em que países como Estados Unidos, Japão e várias economias da zona do euro ainda enfrentam uma lenta recuperação e mantêm suas taxas próximas de zero.

No entanto, segundo o FMI, no caso de investidores institucionais de longo prazo, a decisão de alocação de ativos é baseada principalmente em boas previsões de crescimento e redução de riscos nos países receptores.

“A diferença nas taxas de juros entre os países cumpre um papel secundário”, diz o documento.

Nesse ponto, o relatório ressalta que essa tendência não significa que os fluxos de capital em geral não respondem a menores taxas de juros, já que esses fluxos podem ser resultado de decisões tomadas por investidores no curto prazo.

No caso dos investidores institucionais de longo prazo, porém, que são o foco do estudo, a conclusão é que a maioria aceita rendimentos mais baixos em vez de assumir riscos maiores.

O FMI alerta, porém, que caso as taxas de juros nas economias avançadas permaneçam baixas por um longo período – como é esperado – esses investidores serão pressionados cada vez mais a assumir mais riscos, “à medida que sua situação financeira se torna cada vez menos favorável”.

De acordo com o FMI, desde a crise financeira global, os investidores têm sido expostos a duas forças opostas.

Por um lado, estão mais conscientes dos riscos, especialmente aqueles relacionados à liquidez e aos riscos de crédito soberano.

No entanto, por outro lado, o cenário de baixas taxas de juros (nas economias avançadas) pressiona cada vez mais os investidores institucionais a investir em ativos mais arriscados, para melhorar os rendimentos de suas carteiras.

Crédito

No segundo capítulo antecipado nesta terça-feira, o FMI analisa como compreender melhor a fonte dos choques que provocam acumulação de riscos sistêmicos (que afetam todo o sistema financeiro), que podem ter impacto negativo na economia real, para poder empregar as políticas macroprudenciais de forma correta.

O documento sugere um conjunto de indicadores que poderiam alertar as autoridades sobre a iminência de dificuldades financeiras.

No caso do crédito, o FMI afirma que a informação deve ser complementada por outros indicadores.

“Apesar de o crédito aumentar tanto graças a um choque positivo (um estímulo saudável da economia real mediante aumentos de produtividade) quanto a um choque negativo (como uma escalada de preços de ativos e relaxamento nas normas creditícias aplicadas pelos bancos), o aumento de crédito e a persistência desse aumento e a redução do índice de capitalização dos bancos são bem mais pronunciados no caso de choques negativos”, diz o documento.

O FMI diz ainda que, no caso das economias emergentes, a apreciação da taxa de câmbio real “parece ser um fator especialmente relevante”.

O relatório completo será divulgado apenas na próxima semana, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial.

Fonte: BBC

Brasil e outros cinco emergentes redefinirão economia global, diz Banco Mundial

O Brasil está incluído em um grupo de seis economias emergentes que, segundo o Banco Mundial, irão redefinir a estrutura econômica global no futuro próximo.

De acordo com um relatório lançado nesta terça-feira, em Washington, até 2025 as economias do Brasil, China, Índia, Rússia, Indonésia e Coreia do Sul vão responder por mais da metade do crescimento global.

“À medida que o poder econômico muda, essas economias bem-sucedidas vão ajudar a conduzir o crescimento em países de baixa renda por meio de transações comerciais e financeiras transfronteiriças”, diz o documento.

Segundo o relatório Global Development Horizons 2011 – Multipolarity: The New Global Economy (“Horizontes do Desenvolvimento Mundial 2011 – Multipolaridade: a Nova Economia Mundial”, em tradução livre), os emergentes vão crescer em média 4,7% até 2025.

Os países avançados, apesar de continuarem a ter um peso importante na economia global, deverão crescer em média apenas 2,3% no mesmo período.

“A rápida ascensão de economias emergentes conduziu uma mudança pela qual agora os centros de crescimento econômico estão distribuídos entre as economias desenvolvidas e em desenvolvimento”, disse o economista-chefe e vice-presidente para Economia do Desenvolvimento do banco, Justin Yifu Lin.

“Estamos em um mundo realmente multipolar”, afirmou.

Desafios

Para se consolidar como polo de crescimento, no entanto, o Brasil precisa enfrentar desafios, como melhorar o acesso à educação.

“O capital humano é uma preocupação em alguns polos potenciais de crescimento, particularmente o Brasil, a Índia e a Indonésia”, diz o relatório.

“Reduzir lacunas educacionais e garantir acesso à educação é central”, afirma o Banco Mundial.

Segundo o banco, essas medidas poderiam estimular a adaptação tecnológica doméstica, capacidade de inovação e geração de conhecimento.

De acordo com o relatório, as mudanças no balanço de poder econômico e financeiro terão reflexos em setores como os mercados de investimentos, fusões e aquisições.

“As multinacionais dos mercados emergentes estão se tornando uma força na reconfiguração da indústria global, com rápida expansão dos investimentos Sul-Sul e fluxos de investimentos estrangeiros diretos”, disse Lin.

“As instituições financeiras internacionais terão de se adaptar rapidamente.”

Segundo o documento, a participação e a influência crescentes de empresas originárias de mercados emergentes nas finanças e nos investimentos globais podem levar à criação de um marco multilateral para regular os investimentos transfronteiriços.

Moeda

O Banco Mundial projeta ainda que, até 2025, o sistema monetário internacional não será mais dominado por uma única moeda.

“Ao longo da próxima década, o tamanho da China e a rápida globalização de suas corporações e bancos deverão significar um papel mais importante para o yuan (a moeda chinesa)”, disse o principal autor do relatório, Mansoor Dailami.

“O mais provável é que em 2025 o panorama monetário internacional se caracterize pela presença de múltiplas moedas, com predomínio do dólar, do euro e do yuan”, afirmou.

Segundo o Banco Mundial, a maioria dos países em desenvolvimento seguirá usando moedas estrangeiras em suas transações com o resto do mundo.

Fonte: BBC Brasil

FMI alerta: Brasil deve frear

 

O FMI está mudando alguns rumos administrativos, mas não perde o hábito de tentar ditar os rumos da política econômica, em especial nos países emergentes.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Srauss-Kahn, elogiou o salto de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a maior taxa de crescimento dos últimos 24 anos. No entanto, fez um sério alerta sobre os riscos do superaquecimento da economia, em especial a inflação. Em passagem por Brasília, o principal executivo do Fundo pediu à presidente Dilma Rousseff que o Brasil cresça mais devagar para evitar o descontrole dos preços e a formação de bolhas mais à frente.

As medidas adotadas pela equipe econômica para conter o crescimento acelerado, como o corte de despesas no valor de R$ 50 bilhões e o aumento da taxa básica de juros para 11,75%, agradaram ao principal executivo do Fundo. “As iniciativas para reduzir o orçamento e as adotadas pelo Banco Central são muito bem-vindas. Elas estão na direção certa para evitar o superaquecimento da economia”. Segundo ele, a curto prazo, será importante uma combinação adequada de políticas para conter as pressões inflacionárias.
“Muitos riscos, agora, vêm do norte da África. As pessoas lá brigam por liberdade, mas também existe preocupação com a alta do petróleo, que pode afetar a retomada do crescimento da economia global”, afirmou. Strauss-Kahn destacou que a recuperação, depois da crise global de 2008, ocorre de forma acelerada nos países da Ásia e da América Latina, principalmente o Brasil. Já os Estados Unidos e a Europa avançam mais lentamente, patinando com frequência.
Papéis trocados
O chefe do FMI veio ao Brasil em um momento de inversão dos papéis de credor e devedor. Hoje, o país não deve mais ao Fundo e até empresta dinheiro para o organismo multilateral. Ele aproveitou a visita para ressaltar o aumento da participação dos países emergentes nos rumos da instituição. A reforma do Fundo, iniciada em 2008, começa a ser concretizada. “Hoje o Brasil está entre os 10 maiores acionistas, ao lado dos Estados Unidos, do Japão, das quatro maiores economias europeias e dos outros Brics (grupo de países composto por Brasil, Rússia, Índia e China)”, disse.

Recomendações
O FMI está mudando alguns rumos administrativos, mas não perde o hábito de tentar ditar os rumos da política econômica, em especial nos países emergentes. Mesmo depois de ter errado feio ao não advertir os governos de que o mundo caminhava para o desastre em 2008, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, fez recomendações ao Brasil: reforma tributária e na Previdência Social, menor rigidez orçamentária e melhora no ambiente de negócios. Assim, ele acredita que o país poderá ampliar os investimentos, incentivar a poupança privada e assegurar a sustentabilidade do crescimento.

Fonte: Correio Braziliense – 04/03/2011 [link]

Postado por Flávio Vieira

Ritmo de recuperação diminui em países emergentes, diz OCDE

Demanda e produção se acomodam após estímulos fiscais concedidos na crise

A recuperação econômica continua em curso, mas está perdendo ritmo e pode já ter entrado em uma fase de acomodação, sobretudo no Brasil e em outros países emergentes, apontam dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento da Europa). Até então, os emergentes, com destaque para os asiáticos, saíram na frente na retomada. Mas, pelo último índice da OCDE, é notadamente nesses países – China, Brasil e Rússia e, um pouco menos, Índia.

Por ora, os indicadores ainda são positivos, mas a velocidade cada vez menor.
A mesma tendência se repete no caso de dois países europeus, a França e a Itália, que também perdem fôlego, enquanto EUA, Alemanha e Japão continuam a uma velocidade de retomada expressiva. Uma das possibilidades é que a demanda esteja começando a se acomodar após a alta vinda com a recuperação, e a produção industrial entre em um ritmo menor. As medidas de incentivo fiscal ao consumo tomadas durante a crise (como a redução de IPI, no Brasil) tornam esse movimento mais provável.

O indicador congrega de dados relacionados diretamente à produção (como exportações) a pesquisas com o empresariado sobre expectativas e negócios.
O Brasil e a Índia são os únicos analisados (entre membros do G7 e grandes emergentes) cuja trajetória ainda é de recuperação, não de expansão.

Fonte: Folha de S. Paulo – 13/04/2010 [link]

Postado por Flávio Vieira

Emergentes têm de priorizar alta tecnologia

Por George de Lucena

Para crescer, Brasil precisa de ”mais Embraers”

O ESTADO DE SÃO PAULO, 20.02.2010, p. B7 – Economia – Mudança de foco

Estudo mostra que emergentes têm de priorizar alta tecnologia

Alta tecnologia, e não agricultura ou recursos naturais. Essa é a sugestão para o desenvolvimento econômico no Brasil apresentada em uma nova iniciativa do prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz e alguns dos maiores economistas do mundo. O alerta é claro: o Brasil e outros países emergentes não podem basear seu desenvolvimento e estratégias de redução da pobreza no setor agrícola, em recursos naturais ou no comércio de commodities.

O estudo, elaborado em conjunto com diversas universidades e transformado em livro – que será lançado segunda-feira -, indica que o desenvolvimento industrial de economias como a do Brasil precisará contar com uma estratégia de Estado nos próximos anos para permitir que setores possam ganhar competitividade internacional.

O setor agrícola tem claros limites e nossa recomendação é para que nenhum país emergente dependa do setor para sair da condição de subdesenvolvimento”, afirmou Giovanni Dosi, professor de economia da Escola de Estudos Avançados de Pisa e um dos principais autores do levantamento.

A recomendação para o Brasil é de que o País simplesmente não pode tentar competir contra os bens produzidos na China, pelo menos não aqueles de valor agregado médio ou baixo. “O Brasil precisa procurar seu espaço, que não é o mesmo da China”, defendeu Dosi, hoje considerado um dos principais especialistas em políticas industriais na Europa.

Segundo o estudo, o que o Brasil precisa é de “mais Embraers”. Para Dosi, a dificuldade que o Brasil tem hoje para acompanhar o crescimento da China e Índia seria compensada com uma política destinada a promover setores de alta tecnologia.

A iniciativa de Stiglitz também aponta que as bases do Consenso de Washington – liberalismo e privatização – devem ser substituídos por estratégias mais abrangentes de industrialização. “Os países que embarcaram no Consenso hoje têm suas indústrias destruídas, como é o caso da Argentina”, alertou Dosi. “O que queremos mostrar é que o Consenso de Washington é um cavalo morto, mesmo que alguns governos ainda insistam em querer montá-lo.”

Autor: luizhenriquemendes

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/02/22/emergentes-tem-de-priorizar-alta-tecnologia/#more-49281

Postado por Lais Niman