Syria – How The Palmyra Victory Changes the Narrative

Posted originally in: 28/03/2016

palmyra-isis-syria

The liberation of Palmyra is a decisive turning point in the war on Syria. While there were earlier military successes by the Syrian Arab Army and its allies, the publicity value of securing the valued Roman ruins of Palmyra is much higher than any earlier victory. It will change some of the false narratives of the conflict.

The Syrian government is no longer “the Assad regime” and the Syrian Arab Army no longer the “Assad forces”. Ban Ki Moon, the head of the United Nations, congratulated the Syrian government to its success:

In a news conference in Jordan, Ban said he was “encouraged” that the UNESCO world heritage site is out of extremist hands and that the Syrian government “is now able to preserve and protect this human common cultural asset”.

One important part of liberating Palmyra was the use of Russian electronic warfare equipment to interfere with electromagnetic signals around Palmyra. The Islamic State rigged the ruins with improvised explosive devices but was unable to remotely detonate them.

The myth that the Syrian and Russian government are in cahoots with the Islamic State, told by various propagandist as well as the British and U.S. government, has now proven to be false. But other false claims are still made:

Lost in the celebrations was a discussion of how Palmyra had fallen in the first place. When the Islamic State captured the city in May, the militants faced little resistance from Syrian troops. At the time, residents said officers and militiamen had fled into orchards outside the city, leaving conscripted soldiers and residents to face the militants alone.

That depiction of the battle is pure nonsense. The Islamic State offensive that ended with its occupation of Palmyra took thirteen days from May 13 to May 26 2015. Heavy fighting and several Syrian army counter offensives took place during those days. After the Islamic State finally captured the city, the Syrian army immediately prepared for a larger operation to regain the city. This was launched successfully in July 2015 but for lack of air support the gains made were again lost a week later.

Throughout the 2015 fighting around Palmyra the U.S. air force, which claimed to fight the Islamic State in Iraq and Syria, did not intervene at all. ISIS was free to resupply through the open east-Syrian desert.

The sole reason that the Islamic State could successfully attack Palmyra was a very large ongoing attack by al-Qaeda Jihadists and CIA mercenary forces on the Syrian government forces in Idleb governate. The Syrian army moved troops from Palmyra to defend Idleb and Latakia and the forces left behind were no longer large enough to repel the Islamic State attack.

The attack on Idleb, for which the CIA allowed its proxy forces to directly cooperated with al-Qaeda, was supported by electronic warfare from Turkey which disrupted the Syrian military communication. The attack and the obvious cooperation between the Jihadists and Turkish and U.S. secret services was the reason that Russia and Iran decided to intervene in the conflict with their own forces. It had crossed their red line.

What followed was the roll up of all “rebels” that posed an immediate danger to the Syrian government. After Turkey ambushed a Russian jet all “rebel” forces supported by Turkey became priority targets. When the success of large scale offensives in Latakia and around Aleppo was established, Russia imposed a cease fire on the U.S. supported forces and on the Syria government. This cease fire freed up the Syrian, Iranian and Russian forces needed to successfully take back Palmyra. From there on the attack will progress eastward to Deir Ezzor and later on to Raqqa.

The Palmyra victory was the biggest defeat yet of the Islamic State. It poses a problem for the Obama administration:

Washington has endeavored to portray the battle against Islamic State as a project of the United States and its allies, while accusing Moscow of attacking “moderate” rebels instead of the extremists. Palmyra seems to embody an alternative narrative.

Congratulations, though still with loads of obligatory anti-Assad rhetoric, are now coming from unexpected corners like the conservative mayor of London:

I cannot conceal my elation as the news comes in from Palmyra and it is reported that the Syrian army is genuinely back in control of the entire Unesco site.

There may be booby traps in the ruins, but the terrorists are at last on the run. Hooray, I say. Bravo – and keep going.

I concur.

Source: Moon of Alabama

Angelina Jolie exigiu respostas do Conselho de Segurança da ONU para a crise dos refugiados

Publicado originalmente em: 25/04/2015

Em 2015, a atriz, diretora e Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – Angelina Jolie – participou de uma reunião no Conselho de Segurança da ONU que aconteceu na sede das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. A Enviada Especial foi convidada a se pronunciar a respeito do conflito na Síria e sobre a situação dos refugiados no Oriente Médio.

Fonte: United Nations (vídeo com legendas em Português, clique aqui)

“Quiseram criar um fato consumado”, diz Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores

Postado originalmente em: 12/02/2016

celso

Uma indicação controversa estremece as relações diplomáticas entre o Brasil e Israel. Em agosto do ano passado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou pelo Twitter que o novo embaixador do país no Brasil seria o colono Dani Dayan. Só depois de divulgar o nome pela rede social, Israel comunicou a indicação ao governo brasileiro. Argentino naturalizado israelense, empresário bem-sucedido no ramo da tecnologia de informação, Dayan é um ativo defensor dos assentamentos israelenses em território palestino. Ele também defende a não existência de um Estado da Palestina. Morador da Cisjordânia, ocupada por Israel em 1967, Dayan presidiu por seis anos o Conselho Yesha, que representa 500 mil colonos israelenses.

O Brasil, por sua vez, é contrário à ocupação dos territórios palestinos, iniciativa que inviabiliza a solução de dois Estados para a região – um para Israel, outro para a Palestina. E, como mais de 70% dos países-membros das Nações Unidas, o Brasil apoia a criação de um Estado palestino. Para o embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores (2003-2011) e da Defesa (2011-2015), não foi por acaso que o governo Netanyahu quebrou a praxe diplomática de só anunciar a indicação de um embaixador depois de ele receber a aprovação do país onde será acreditado. “Isso faz parte da estratégia evidente de Israel de tornar a ocupação da Cisjordânia um fato consumado”, afirma Amorim. “Acharam que o Brasil não teria a determinação de recusar, que acabaria aceitando a indicação.”

O governo brasileiro, no entanto, já emitiu sinais evidentes de que não pretende aceitar a indicação. Em postura coerente com sua política externa, vem postergando a aprovação do nome de Dayan, o que no mundo diplomático significa recusa. “Caberia ao governo de Israel nomear outra pessoa”, lembra Amorim. “Se agisse de forma diferente, o Brasil estaria se curvando a uma pressão indevida.” Por enquanto, Israel insiste na nomeação, que encontra algum respaldo em parte das Forças Armadas brasileiras, devido ao uso de tecnologia militar israelense, em particular de equipamentos eletrônicos para aviões, satélites e drones.

Brasileiros – Como o senhor vê o impasse entre o governo brasileiro e o israelense, por causa da indicação de Dani Dayan como embaixador no Brasil?
Celso Amorim – Bem, não vejo propriamente como um impasse. A palavra que me ocorre é em inglês. Em diplomacia, isso seria considerado um blunder (asneira), não é só um mistake (erro). Para começar, é uma gafe diplomática. É um erro grave na diplomacia tornar pública a nomeação de um embaixador sem ter previamente o que se chama, em diplomatês, o agrément, a aceitação por parte do governo no qual ele vai ser acreditado. Isso é uma coisa que não se faz. Em algumas situações, se não há nenhum problema, pode-se até passar por cima, ignorar. Mas nesse caso específico não aconteceu por acaso. Essa é minha teoria. Aconteceu porque eles estavam querendo nomear uma pessoa que provavelmente não seria aceita pelo governo brasileiro. Então eles quiseram criar um caso consumado.

Forçar o Brasil a aceitar a indicação?
Eu acredito. Acharam que o Brasil não teria a determinação de recusar, acabaria aceitando. E isso faz parte da estratégia evidente de Israel de tornar a ocupação da Cisjordânia também um fato consumado. Digo isso como alguém que trabalhou intensamente, dentro do que o Brasil pode fazer, evidentemente, para a solução baseada em dois Estados. Tanto a existência do Estado Palestino como o respeito à existência do Estado de Israel. Então me sinto muito à vontade para dizer isso. Diferentemente de outras pessoas, que têm uma postura mais radical, para um lado ou para o outro, sempre procurei fazer essa aproximação. Tanto que eu visitei Israel cinco vezes quando era ministro das Relações Exteriores. E o presidente Lula foi o primeiro presidente brasileiro a visitar Israel, em 2010.

Então a postura do Brasil é coerente com sua política externa?
Absolutamente coerente. E absolutamente necessária. Em uma situação dessa, com peso político muito grande, seria até um sinal de debilidade, de fraqueza, se o Brasil tivesse aceitado esse fato consumado que o governo israelense quis impor. O Brasil agiu com altivez nesse caso. Altivez correta, porque não agir dessa maneira seria se curvar diante de uma pressão indevida.

Já houve algum episódio similar na diplomacia brasileira?
Aconteceu na época da famosa Guerra da Lagosta (contencioso entre o Brasil e a França, entre 1961 e 1963, quando barcos franceses passaram a pescar o crustáceo no litoral do Nordeste brasileiro). O Brasil nomeou um embaixador para a França e, por descuido, anunciou antes. Foi realmente por descuido. Essa pessoa, aliás, era muito amiga dos franceses. Dizem que era amiga até do presidente Charles de Gaulle (Amorim se refere a Vasco Leitão da Cunha, ministro das Relações Exteriores da ditadura, de 1964 a 1966). E a França recusou, porque isso contraria a praxe diplomática. No caso presente, não só houve uma quebra da praxe diplomática, como havia a intenção de colocar no Brasil uma pessoa que lidera um movimento contrário às nossas posições. Ele defende a manutenção e possivelmente a ampliação dos assentamentos. Um dos pontos centrais para haver paz entre a Palestina e Israel é a devolução dos territórios da Cisjordânia, onde existem assentamentos israelenses, para os palestinos. Isso foi fundamental em todos os momentos em que se discutiu a questão. E eu acompanhei vários desses momentos. Já se falou até em fazer algum pequeno arranjo, uma troca de território, em um ou outro caso. Tem gente na Palestina que é contra, mas outros aceitam. Agora a manutenção  pura e simples dos assentamentos é algo totalmente impossível. Algumas vezes as negociações foram interrompidas por esse motivo.

Como foi?
Um exemplo ocorreu em 2010, envolvendo construções em Jerusalém Oriental. A rigor, não era nem na Cisjordânia. Eram construções autorizadas pelo governo israelense em Jerusalém Oriental. Isso levou à impossibilidade de retomar as negociações. Elas já estavam difíceis, por causa de outros elementos. Nos anos 1990, na época Acordo de Paz de Oslo, fazendo uma média, porque os números variam de acordo com quem fala, havia 50 mil colonos israelenses na Palestina. Hoje os números variam entre 500 mil e 650 mil, em um território muito pequeno. Não estamos falando de um território imenso. Recentemente fui à região e da janela do nosso escritório em Ramallah, a capital administrativa da Palestina, dava para ver assentamentos.

Da janela da representação do Brasil na Palestina?
Isso. Em uma colina próxima, a não mais que dois, três quilômetros de distância, existem assentamentos israelenses. E não é que a pessoa indicada por Israel como embaixador defenda privadamente esses assentamentos. Ele é um líder dessa corrente. Na minha opinião, aceitar a indicação dele, mesmo que ela tivesse seguido os trâmites corretos, seria muito difícil para o Brasil. Seria interpretado como um recuo na nossa posição, que, aliás, é a posição das Nações Unidas e de todos os planos de paz que foram apresentados até hoje.

Se aceitasse, o Brasil ficaria vulnerável diante da comunidade internacional? Os interesses do País no Oriente Médio seriam prejudicados?
Não tem a menor dúvida. Seria um recuo, da mesma maneira que nosso reconhecimento do Estado da Palestina, que se deu ao final de 2010, foi muita apreciado pelos países árabes. A nossa atitude em defesa do direito de os palestinos formarem o seu Estado é muito apreciada entre os árabes. E não é uma defesa retórica. Até países com nuances diferentes apreciam isso. Em 2007, durante o governo do presidente Lula, o Brasil foi convidado a participar de um encontro importante, que foi a Conferência de Annapolis, em Maryland, onde fica a base naval americana. A conferência, pela retomada das negociações de paz no Oriente Médio, reuniu chefes de governo e ministros das Relações Exteriores de vários países. Juntamente com a Índia e a África do Sul, fomos os únicos países em desenvolvimento, não árabes, ou pelo menos não islâmicos, a estar presentes. Algo muito importante. Uma demonstração do interesse e da compreensão de que o Brasil pode ajudar. E devo dizer que durante todo esse período a nossa relação com Israel foi muito franca. Tive muito diálogo com a minha contrapartida, a ministra Tzpi Livni. O presidente Lula, no nível dele, mais alto evidentemente, e eu também tivemos muito bom diálogo com Shimon Peres (presidente de Israel entre 2007 e 2010). Tudo isso seria colocado em segundo plano se o Brasil viesse a admitir como embaixador um defensor ativo da não existência do Estado Palestino. E com o agravante de Israel ter feito a indicação sem seguir as praxes diplomáticas.

Em dezembro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Dilma Rousseff havia “fugido” dele em Paris, durante o encontro sobre o clima, por causa do problema em relação a Dayan. Foi uma provocação?
Nem posso comentar os fatos, porque não estava lá. Estou fazendo uma análise. Não é a posição do governo brasileiro. É a minha posição. Largamente coincidente com a do governo. Eu não creio que a presidenta Dilma Rousseff seja mulher de fugir do que quer que seja. Não creio. E também não sei se ele se expressou dessa maneira. Com todo respeito à imprensa, às vezes se coloca uma pimenta a mais. Enfim, seria uma expressão muito pouco diplomática se ele tivesse dito isso.

De qualquer maneira, no ano anterior, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel já havia classificado o Brasil como um “anão diplomático”. Há uma queda de braço?
Não pode haver queda de braço, porque o Brasil não tem problema. Quem tem problema é Israel. O Brasil é um país que se relaciona com todos os países do mundo. E se relaciona de forma pacífica. Pela índole do povo e pelo bom trabalho diplomático durante anos, décadas, séculos. E esse trabalho não é só dos diplomatas, mas também dos governantes, dos líderes do País. O Brasil não tem uma guerra na região há praticamente 150 anos. O que é uma maravilha, tendo dez vizinhos. Não há situação equiparável no mundo. Acho que esse cidadão, que nem merece resposta, não deve ter nem um mapa-múndi na frente dele.

O estranhamento diplomático de agora pode afetar o comércio entre os dois países?
Não necessariamente. O Brasil, não o País sozinho, mas o Mercosul, fez um acordo de livre comércio com Israel. Aliás, foi o primeiro acordo de livre comércio que o Mercosul fez fora da própria região. O que mostra que, da nossa parte, não há nenhum preconceito. Tem sim que haver um cuidado – e estou dando a minha opinião, o governo não tem nada a ver com isso – de não importar produtos feitos em território ocupado. Porque isso contraria inclusive as convenções internacionais. Sobretudo não deixar que esses produtos se beneficiem das cláusulas do acordo.

São os mesmos produtos que a União Europeia proibiu de importar com o selo “Made in Israel”?
Exatamente, porque, na realidade, ali não é Israel. É território ocupado. Não se trata de proibir a importação dos produtos. Movimentos como o Stop the Wall defendem que não se importe nada. O que a União Europeia faz e acho que o Brasil também deveria fazer é não permitir que produtos desses lugares se beneficiem de acordos de livre comércio. Para falar a verdade, o ideal é que esses produtos não venham. Se vierem, pelo menos não permitir que eles se beneficiem dos acordos. Por isso, a União Europeia não admite a rotulagem. Se é rotulado “Made in Israel”, em teoria, se há um acordo de livre comércio, poderia vir com tarifa zero, ou com tarifa muito baixa, dependendo dos termos exatos do acordo. Isso é que não poderia acontecer. Eles não podem ser tratados como produtos israelenses.

Nas Forças Armadas há críticas à postura do governo brasileiro, sob o argumento de que poderia afetar a transferência de tecnologia de Israel para o Brasil. Isso faz sentido?
Não creio. Não posso ter certeza absoluta, mas eles também têm muito interesse. Quando houve aquele episódio do anão diplomático, o presidente de Israel ligou para a presidenta Dilma Rousseff pedindo desculpas. Eu não estava no governo, mas sei por ter lido nos jornais. Não creio que agora vá acontecer a mesma coisa. Mas eles têm sempre interesse em vender a tecnologia deles. Agora, acredito e disse isso várias vezes a meus colegas comandantes das Forças Armadas, diretores de departamento, que o Brasil tem de diminuir a dependência em relação a Israel em certas tecnologias. Eles têm boas tecnologias. Elas são economicamente viáveis, mas nós não podemos submeter o País, que é muito mais amplo, à dependência. Tenho certeza de que a maioria dos militares vê dessa maneira, porque eles têm uma noção de Estado muito boa. Tem de diminuir a dependência, mesmo que isso eventualmente possa implicar uma mudança em um determinado setor. Sei que é difícil. Por isso mesmo vinha dizendo há muito tempo.

Na época em que era ministro da Defesa?
Isso. Eu dizia para eles tomarem cuidado, falava com eles nas reu­niões internas. É claro que nunca falei publicamente porque pareceria que eu estava criticando. Aliás, isso é válido para Israel e para qualquer outro país. Não se pode depender excessivamente de um país, sobretudo se for um fornecedor que está em uma área de conflito. Imagine se de repente o Brasil não puder tomar uma determinada posição por precisar da venda de um produto. E depois Israel certamente não é o único detentor dessas tecnologias. Pode ser até que custe mais caro. Às vezes a independência  custa caro. Tem de enfrentar a realidade. O Brasil não pode ser dependente. Nem de Israel nem de quem quer que seja. No caso de Israel é por ser um país que está em área de conflito. De repente, em uma situação internacional, o Brasil pode tomar uma posição com a qual Israel não está de acordo.

Como tomou ao se alinhar à maioria dos países nas Nações Unidas e aprovar a criação do Estado da Palestina?
Exatamente. Em um assunto multilateral é mais difícil eles chegarem a fazer uma ameaça desse tipo. De qualquer forma, é uma vulnerabilidade que não se pode ter. E tenho certeza de que a maioria dos militares brasileiros tem o pensamento estratégico muito bem estabelecido, fundamentado.

Há também quem classifique como hipocrisia a postura do governo brasileiro, pois continuam as relações comerciais com Israel. Como o senhor vê esta posição?
Não vejo nenhuma hipocrisia. Aliás, quando era ministro das Relações Exteriores, tive muita preocupação em manter relações boas com Is­rael, sempre dentro do que é possível e aceitável. Até para poder ter algum papel naquela região. Não foi só a Conferência de Annapolis. Há vários momentos em que o Brasil foi instado a ter uma posição de facilitação. Eu não diria de mediação. Em diplomatês tem níveis. Mediação é uma coisa muito presente, muito formal, mas recebemos pedidos tanto da Síria quanto de Israel para ajudar. Em um caso foi comigo diretamente. No outro, eu estava com o presidente Lula e ele me deu a tarefa. Era para o Brasil ajudar no encaminhamento da questão das colinas de Golan, na fronteira entre Síria e Israel. A confiança veio dos dois lados. No caso do pedido israelense, foi feito pelo próprio Netanyahu. No caso da Síria foi o presidente Bashar al-Assad.

Se o governo Netanyahu não retirar a indicação e o Brasil não aceitá-la, Israel fica sem embaixador no País?
Há casos em que isso ocorre de uma maneira quase incidental. Devido a algum fato na vida do indicado, ele pode ficar impedido de assumir. É preciso então nomear outra pessoa, pedir novo agrément, passar pelo Congresso, etc. Isso acontece. É claro que tem um lado simbólico. Normalmente, um encarregado de negócios tem menos acesso aos mais altos líderes do que um embaixador pleno. Tudo é relativo também. Às vezes um encarregado de negócios de uma grande potência pode ter mais acesso do que muitos embaixadores. Em tese, é mais fácil para um embaixador, mas também não é o fim do mundo. Os países vão continuar a comerciar. No caso atual, há interesse mútuo. Nem sou contra que se mantenham as relações na área tecnológica, desde que não fiquemos totalmente dependentes.

Qual a saída diplomática para esta situação?
Caberia ao governo de Israel nomear outra pessoa. É o que deveria ocorrer. Talvez requeira algum tempo para que isso ocorra. E tudo isso tem de ser inserido em um contexto em que o Brasil sempre busca a paz. Às vezes as pessoas não percebem as conexões. Um exemplo é essa questão do terrorismo, do Estado Islâmico, que tem parte de sua raiz no conflito entre Israel e Palestina. Então é muito importante trabalhar pela paz na região. E o caso dos assentamentos é o ponto mais gritante. É a humilhação diária que os palestinos sofrem. Não sou favorável a nenhuma ação violenta, mas essa humilhação acaba também gerando frustração. As ações violentas são de filhos do desespero. São pessoas que sofrem não só as restrições econômicas, mas a humilhação diária. Para levar o filho à escola, às vezes até a um lugar que se alcança pela vista, a pessoa tem que passar por três, quatro barreiras. Leva uma hora. Ou duas. Em um lugarzinho pequeno. Se fosse em linha reta, chegaria em dez minutos. Então, acho que o Brasil tem de manter essa atitude. Esse gesto foi muito importante. Merece aplauso. 

Fonte: Brasileiros

The Middle East Big Geopolitical Game: South Front’s Forecast of the Syrian conflict

CrossTalk on Syria: Obama cornered

CrossTalk: Syrian phoenix

CrossTalk on Syria: Washington Confused