Polêmica do Código Florestal não compromete avanços na legislação, diz Patriota

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta terça-feira, em Washington, que a controvérsia gerada pela aprovação na Câmara do novo Código Florestal brasileiro não coloca em risco os avanços da legislação ambiental brasileira.

“(Os itens que geraram controvérsia) não comprometem ou colocam em risco os avanços gerais que a legislação brasileira representa”, disse o ministro, ao responder a perguntas da plateia após uma palestra sobre a política externa do governo da presidente Dilma Rousseff.

Patriota citou o fato de o Brasil ter a maior matriz de energia limpa e ser líder em biocombustíveis, além de ter apresentado metas “ambiciosas” de redução de emissões de CO2.

“(O Brasil) tem uma legislação ativa que é muito mais ambiciosa do que você pode encontrar em países altamente desenvolvidos, como os Estados Unidos”, afirmou.

A aprovação do projeto que altera o Código Florestal foi festejada por ruralistas e lamentada por ambientalistas, e é considerada a primeira derrota de Dilma no Congresso.

O projeto, que ainda será debatido no Senado, tem vários pontos considerados polêmicos, entre eles a possibilidade de abrir uma brecha para que agricultores que desmataram áreas atualmente protegidas pela legislação sejam anistiados.

“O que o debate sobre o Código Florestal envolve é um processo democrático”, afirmou Patriota. “Há interesses conflitantes em jogo. Mas eu acredito fortemente na capacidade do sistema político e da sociedade do Brasil de superar essas diferenças.”

Reunião com Hillary

Patriota está na capital americana para uma visita de dois dias, que inclui uma reunião com a secretária de Estado, Hillary Clinton, nesta quarta-feira.

A viagem ocorre dois meses depois da passagem do presidente americano, Barack Obama, pelo Brasil.

Segundo o ministro, além de discutir a implementação dos temas tratados durante a visita de Obama, ele e Hillary também irão identificar novas frentes de trabalho e falar de assuntos da agenda global, como a situação no Oriente Médio e no norte da África.

Ao ser questionado sobre rumores de um possível adiamento de uma viagem de Dilma aos Estados Unidos por motivos de saúde, Patriota negou que houvesse uma visita agendada.

“Não se fala nem em adiar nem em antecipar (uma possível visita de Dilma), porque não há uma data”, disse. “Nunca foi marcada uma visita.”

Honduras

O ministro falou ainda sobre o retorno a Honduras do ex-presidente Manuel Zelaya, no último fim de semana, dois anos depois de ter sido deposto em um episódio que acabou levando à suspensão do país da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo Patriota, os eventos recentes, com a costura de um acordo entre Zelaya e o atual presidente, Porfírio “Pepe” Lobo, abrindo caminho para a reintegração de Honduras à OEA, e o “clímax” do retorno de Zelaya, foram “uma grande vitória para a democracia na América Latina e no mundo”.

“Acho que o exemplo que foi dado por países da região ao não aceitar o fato consumado de um golpe militar demonstra que não há tolerância hoje na América Latina para esse tipo de aventura, que foi tão comum e tão associada à região em décadas anteriores”, disse.

Segundo o ministro, o governo brasileiro está pronto para se engajar com Honduras, e Lobo sinalizou o desejo de “recuperar o tempo perdido e estabelecer uma agenda forte de cooperação com o Brasil”.

Nesta quarta-feira, os membros da OEA realizam uma assembleia geral extraordinária para decidir sobre o regresso de Honduras. O retorno de Zelaya era uma exigência de um grupo de países, entre eles o Brasil, para que Honduras pudesse voltar à OEA.

 

Fonte: BBC Brasil

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Declaração dos Estados Partes do MERCOSUL e Venezuela sobre o Acordo de Cartagena das Índias sobre a situação em Honduras

Divulgado, em Assunção, Comunicado de Imprensa sobre o Acordo de Cartagena das Índias relativo à situação em Honduras.

24/05/2011 –

(Versión original en español disponible después de la versión en portugués)

Os Estados Partes do MERCOSUL e Venezuela divulgaram, em Assunção, o seguinte Comunicado de Imprensa sobre o Acordo de Cartagena das Índias relativo à situação em Honduras:

“COMUNICADO À IMPRENSA

Assinatura do Acordo de Cartagena das Índias sobre a situação em Honduras

Os países membros do MERCOSUL acompanharam, com satisfação, a assinatura, no dia 22 de maio de 2011, em Cartagena das Indias, Colômbia, do Acordo entre o Governo de Honduras e o ex-Presidente Manuel Zelaya, que abre caminho para o retorno do ex-Presidente a seu país, em pleno gozo de seus direitos e livre das perseguições ocorridas como consequência do golpe de Estado de 28 de junho de 2009.

A assinatura do Acordo constitui passo fundamental para a normalização do convívio internacional de Honduras.

Os países membros do MERCOSUL congratulam-se com os Governos da Colômbia e Venezuela pelo apoio e mediação que viabilizaram a assinatura do Acordo, que reafirma o compromisso de toda a América Latina com a preservação e a consolidação da democracia. Reiteram, ademais, sua convicção de que, conforme o Protocolo de Ushuaia, de 1998, a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração em que estão engajados.

Fonte: Itamaraty

Possível retorno de Manuel Zelaya a Honduras

Manuel ZelayaO ex-presidente Manuel Zelaya é esperado para retornar a Honduras em um mês, segundo um assessor e um apoio-chave,  pondo fim a um exílio que começou há quase dois anos, quando ele foi deposto em um golpe. 

Existem condições para que Zelaya retorne, como a retirada das acusações de corrupção contra ele pela Suprema Corte de Honduras, disse Rasel Tomé , um importante assessor do ex-presidente.

“Ele tem a vontade e o desejo de regressar à sua pátria”, disse Tomé, disse em uma entrevista.

O retorno de Zelaya poderia pavimentar o caminho para Honduras ser reincorporada à Organização dos Estados Americanos, que suspendeu o país após o golpe de Estado em junho de 2009.

Os Estados Unidos e muitos outros países no hemisfério restauraram as relações diplomáticas com Honduras, mas alguns países, incluindo Venezuela e Brasil, se recusaram a fazê-lo.

A secretária de Estado Hillary Clinton disse que estava confiante de que a OEA  restabeleceria  Honduras.

“Agora que os obstáculos ao retorno do ex-presidente Zelaya em Honduras foram retirados, estou confiante que em breve Honduras será bem-vindo de volta como membro  pleno  do  sistema interamericano”, Hillary disse, na Conferência sobre as Américas em Washington.  “Esse é um passo que está muito atrasado.”

Juan Barahona, líder da Frente pró-Zelaya de Resistência Nacional, disse que  Zelaya  pretende  retornar a Honduras antes de uma reunião da  Assembléia Geral da OEA, que vai acontecer em El Salvador no dia 05 de junho.
“O dia e a hora em que ele vai voltar, não foram determinados, mas vamos anunciá-los publicamente, para que um grande número de pessoas possa recebê-lo no aeroporto”, disse Barahona.
Zelaya foi deposto pelos militares em uma disputa sobre seus esforços para mudar a Constituição hondurenha.

Fonte:  The New York Times

Opera Mundi: “Um ano após o golpe de Estado, especialista analisa situação de Honduras e papel dos EUA”

29/06/2010 – 15:39 | Lamia Oualalou | Rio de Janeiro

O golpe de Estado em Honduras e a reação ambígua dos Estados Unidos acabaram com as ilusões de uma mudança de política em relação à América Latina. A avaliação é de Mark Weisbrot, o co-diretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, D.C. e também presidente da Just Foreign Policy. Especialista da região, ele acompanhou a crise em Honduras desde o começo, criticando a posição do Departamento de Estado americano.

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Reprodução

Para Mark Weisbrot, o discurso norte-americano de um novo posicionamento em relação a América Latina não passou de falsas promessas

Qual é situação atualmente em Honduras um ano após o golpe de Estado?
É muito ruim, na verdade não poderia ser pior. O país continua mergulhado em uma grave crise política, econômica e social, e a repressão contra a oposição é cada vez mais forte. Houve e há ainda tortura, mais de 50 mortes de ativistas, manifestações proibidas, imprensa censurada, e até nove jornalistas assassinados. Não sabemos se o governo do presidente Porfirio Lobo, eleito depois do golpe de Estado em um contexto muito polemico, está atrás da repressão. Pelo menos, não está fazendo nada para impedi-la. O governo estabeleceu uma “comissão da verdade” sobre as violações dos direitos humanos contra a oposição, mas não inclui pessoas da sociedade civil, ou seja, é totalmente parcial. Isso significa uma total impunidade para os golpistas. Por exemplo, o general que liderou o golpe foi nomeado presidente da empresa de telecomunicação pública. Ele já anunciou que ia aproveitar o cargo para montar um núcleo de inteligência.

Qual foi o impacto da relação entre Estados Unidos e América Latina?
O impacto foi péssimo. Especialmente depois da ilusão da Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Naquela época, o presidente Barack Obama apresentou um discurso realmente novo, de mudança da relação com América Latina, e especialmente América do Sul, onde a eleição de vários presidentes de esquerda durante a última década (em Argentina, Brasil, Chile, Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai), mudou muito o contexto político. No entanto, apesar das promessas, nada aconteceu. Nem mudanças pequenas, nem grandes. Os Estados Unidos anunciaram a instalação de bases militares na Colômbia, provocando a fúria dos países da Unasul, e especialmente do Brasil, e inclusive a de senadores democratas, como John Kerry, que protestaram porque o assunto não foi discutido no Congresso. O golpe em Honduras confirmou esta absoluta falta de mudança. Eu acho que foi o momento que nossos vizinhos sul-americanos pararam de acreditar nos discurso de Obama. Foi uma enorme decepção.

A decepção foi provocada pelo fato de que os Estados Unidos não denunciaram o golpe?
Não é que os Estados Unidos não tenham denunciado o golpe, mas eles fizeram todo o possível para que fosse um sucesso. Já no primeiro dia, Washington não falou de golpe, mas optou pela ambiguidade, pedindo a “todos os atores políticos e sociais em Honduras” respeitar a democracia. Enquanto a OEA (Organização de Estados Americanos) e a Assembléia da Nações Unidas exigiam um retorno “imediato e incondicional” do presidente deposto Mel Zelaya, nenhum oficial da administração americana fez qualquer declaração similar. Aliás, quando, um dia após o golpe, jornalistas perguntaram para a Secretaria de Estado Hillary Clinton se “restaurar a ordem constitucional” significava a volta de Zelaya, ela recusou confirmar.

Em 24 de julho, ela denunciou as tentativas do presidente, eleito democratamente, de retornar ao seu país. Os Estados Unidos nunca suspenderam a ajuda que eles mandam para Honduras através do MCC (Millennium Challenge Corporation), uma agencia do governo. Isso é contraditório com o que aconteceu em outros países recentemente: Washington cortou a ajuda para Mauritânia apenas um dia depois do golpe do 6 de agosto de 2008, e três dias depois do golpe em Madagascar em 17 de março de 2009. O governo de Obama também vetou uma resolução da OEA, em setembro, que condenava a organização de eleições em Honduras enquanto o presidente Zelaya não recuperava seu cargo. E para concluir, a administração americana nunca condenou as numerosas violações de direitos humanos, denunciadas e documentadas por muitas ONG respeitadas, como Human Right Watch, Amnesty Internacional, e pela comissão de direitos humanos da OEA.

Qual será o impacto para o OEA?
Eu acho que a atuação dos Estados Unidos enfraqueceu muito a OEA. A impossibilidade para este organismo de fazer ouvir sua voz em relação ao golpe de Honduras incentiva os países sul-americanos a construir e instituições regionais alternativas, onde os Estados Unidos não terão o direito de opinar. Já é o caso da Unasul, cada vez mais estruturada. Também vemos progressos da cooperação acerca da defesa. Apesar do toda a pressão de Hillary Clinton, a maioria dos países da região continua a não reconhecer o governo de Porfírio Lobo. Ela conseguiu ter o apoio de Panamá, Peru, Colômbia, e Canadá, os aliados tradicionais, mas o resto de sua campanha é um fracasso.

O senhor acha que o golpe em Honduras abre a porta para outros na região?
É justamente este medo que explica porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou a então presidente chilena Michelle Bachelet condenaram o golpe com tanta firmeza. Eles lembram do que aconteceu em seus países e não aceitam uma repetição da história. A posição dos Estados Unidos deu a sensação para alguns militares que podiam voltar aos bons e velhos tempos. Olha o que aconteceu no Paraguai: alguns oficiais começaram a conspirar abertamente contra o governo do Fernando Lugo. Eu acho que o precedente de Honduras é muito perigoso, principalmente na América central, por ser tão perto e dependente dos Estados Unidos. Na América do Sul, acho que o Brasil não deixaria fazer.

Como o senhor explica que a política do presidente Obama na região seja tão diferente do que ele tinha falado em Trinidad e Tobago?
Primeiro, acho que toda a política externa do governo é uma decepção. No caso especifico da América Latina, acho que uma mudança significaria que Obama se engajasse pessoalmente, o que seria uma verdadeira causa. Não é fácil, já que ele teria que enfrentar o pensamento quase unânime do establishment. Nos Estados Unidos, temos debates sobre a política no Oriente Médio mas nada sobre América Latina. Fora uma pequena minoria, da qual nosso centro faz parte, todo mundo continua pensando que o único desafio é restaurar a autoridade dos Estados Unidos na região. Ninguém pensa que tal vez as coisas mudaram, que não somos o império de antes. Nos últimos dez anos a América Latina se tornou imensamente mais independente dos Estados Unidos do que jamais foi, e sua população, especialmente os pobres, se beneficiou disso.

Qual a avaliação do senhor sobre a tentativa do governo brasileiro de encontrar uma solução negociada do impasse em torno do programa nuclear do Irã?
O Presidente Obama pediu para Brasil e Turquia uma ajuda, e quando obtiveram o acordo, ele o recusou. Isso demonstra claramente que ele esperava um fracasso das negociações e que não queria nenhum acordo. Após um breve período de diálogo, a administração Obama reverteu à política externa da administração Bush com relação ao Irã. Voltamos a uma política de ameaças e sanções aumentadas, o que intensifica o risco de um confronto militar.

De qualquer maneira, acho que Brasil e Turquia já conquistaram uma vitória importante pelo fato de terem assumido a liderança nesta questão. É a primeira vez que potências regionais assumem uma posição sobre um tema geopolítico importante que não seja alinhada com os Estados Unidos e o resto do Conselho se Segurança da ONU, que como vocês sabem, representa as relações de forças em 1945. Os esforços do Brasil e da Turquia precisam ser vistos dentro do contexto de um desafio crescente à ordem política internacional.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/entrevistas_ver.php?idConteudo=91

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Postado por

Luiz Albuquerque

Em carta, Zelaya acusa EUA do golpe que o retirou do poder

O Golpe em Honduras não pode ser evitado, mas também não será esquecido. Ea história será sempre um arma em defesa da democracia.

 “Escrevo essas palavras para o povo de Honduras ao se completar um ano daquela fatídica madrugada em que minha casa, em que eu habitava com minha família, na condição de presidente da República, foi rodeada pelas forças especiais dos militares. Tomada por homens com armas e metralhadoras, fui sequestrado e enviado para a Costa Rica”, declarou o ex-presidente.

No texto, Zelaya apontou que, após um ano do “golpe de Estado militar, já se sabem as causas e os atores intelectuais deste crime que eram mantidos ocultos”. Nesse sentido, ele reiterou suas suspeitas de que os EUA estiveram “por trás” de sua destituição.

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“No início desta tragédia, deste retrocesso, o Departamento de Estado [dos Estados Unidos, ndr.] negou sua vinculação ao golpe, inclusive a embaixada norte-americana fez demonstrações de condenação. Agora se sabe de tudo, e tudo indica que o golpe foi planejado na base militar de Palmerola [centro de Honduras], pelo comando sul dos EUA, e executado desonestamente por hondurenhos maus”, acrescentou.

Para o ex-presidente, os “autores intelectuais deste crime obedecem a uma associação ilícita dos velhos falcões de Washington com hondurenhos, proprietários de capitais e seus sócios de subsidiárias norte-americanas e agências financeiras, alguns proeminentes membros hondurenhos da SIP [Sociedade Interamericana de Imprensa], responsáveis pelo silêncio interno e pela proteção dos assassinos que matam pessoas dentro do território nacional”.

A cobertura do golpe em Hponduras pela "grande" mídia brasileira foi diferente da cobertura no resto do mundo. Isso causou uma forte reação por parte do governo brasileiro que não queria qualquer legitimação ao golpe para que isso não fosse tentado por aqui.

Na carta, Zelaya descreveu ainda as medidas que tomou enquanto governava e que foram, segundo ele, as principais causas que fizeram “os norte-americanos e seus sócios perderem o juízo”.

Um dos exemplos citados foi a mudança da proposta para reduzir os lucros das empresas multinacionais de comercialização de combustíveis e a iniciativa para recuperar a base militar aérea de Palmerola, onde permanecem cerca de 400 militares norte-americanos, para transformá-la em um aeroporto para passageiros.

Outro ponto recordado por Zelaya foi a assinatura do tratado de associação com a Petrocaribe e a adesão à Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), “apesar da oposição dos Estados Unidos”, e a mudança das políticas monetárias, cambiais e salariais, “contradizendo todas as políticas de recessão do FMI [Fundo Monetário Internacional]”.

“Todas essas medidas, é necessário dizê-las e fazê-las notar, foram revertidas pelo regime ilegal e sanguinário de [Roberto] Micheletti, e no atual governo de Porfírio Lobo, com muito prazer continua sua derrogação contra os interesses dos hondurenhos”, apontou.

Segundo Zelaya, Lobo “não aceita conselhos senão dos norte-americanos, todas as ações que toma é para favorecer as multinacionais norte-americanas e especialmente as do petróleo”.

Na carta, o ex-chefe de Governo indicou ainda que Lobo devolveu os “privilégios ilegais” às transnacionais petroleiras, retirou Honduras da Alba – seguindo “a ordem de Washington que me proibia de ter relações com [Hugo] Chávez”, presidente da Venezuela -, paralisou a recuperação da base de Palmerola e premiou os “golpistas com ministérios, enquanto nos persegue”.

Para o ex-presidente, a única saída para o país é uma nova reconciliação para o diálogo político, encaminhando a convocação de uma assembleia constituinte. Ainda na carta, Zelaya também se disse disposto a lutar “até a morte” para o restabelecimento

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=4789 

Postado por

Luiz Albuquerque

“Hillary diz que é o momento de Honduras voltar à OEA” pela BBC

 

A secretária de Estado americano, Hillary Clinton, disse, nesta segunda-feira, em Lima, no Peru, que este é “o momento” de Honduras voltar a integrar a Organização de Estados Americanos (OEA).

Honduras foi expulsa da entidade no ano passado, após a iniciativa militar que derrubou o então presidente Manuel Zelaya do cargo.

“Este é o momento para que Honduras seja readmitida na OEA”, disse Hillary Clinton.

Ela acrescentou também que o hemisfério “como um todo, deve avançar e dar as boas vindas ao retorno de Honduras dentro da comunidade interamericana”.

Insulza

A secretária afirmou ainda que o governo americano trabalhou com muitos países da região para “ajudar Honduras a encontrar o caminho da democracia”.

Hillary Clinton disse também que os hondurenhos foram às urnas, em eleições “livres e democráticas”, e elegeram o presidente Porfírio Lobo que estaria cumprindo com o objetivo de formar um governo de reconciliação nacional.

Suas declarações foram feitas diante dos delegados dos trinta e três países que integram a OEA, reunidos na Assembléia Geral do organismo, na capital peruana.

Segundo o site do jornal El Comercio, de Lima, a questão será discutida em uma reunião específica com as autoridades máximas de cada país presentes à assembléia da OEA.

De acordo com o diário peruano, o secretário geral do organismo, José Miguel Insulza, consideraria um “fato positivo” o retorno de Honduras à organização.

Apoio

O governo de Porfírio pediu aos delegados da OEA, por meio de uma carta, que analisem a possibilidade de reincorporação do país ao grupo durante este encontro em Lima.

No mês passado, os presidentes da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), reunidos em Buenos Aires, na Argentina, voltaram a declarar apoio a Zelaya e reiteraram não reconhecer a administração de Porfírio Lobo.

Na ocasião, eles ameaçaram boicotar a reunião da União Européia e da América Latina, em Madri, caso Lobo estivesse entre os convidados.

Pouco depois, no dia 25 de maio passado, a presidente Cristina Kirchner recebeu Zelaya, junto com outros presidentes, como Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela, para as comemorações do bicentenário argentino.

Postado por Tamires Huber

TRNN: O Tour de Hillary Clinton na América Latina

March 13, 2010

 The Real News Network: Clinton’s Latin American tour

Mark Weisbrot: Clinton tries to repair US image while urging recognition of controversial Honduran gov’t

PAUL JAY, SENIOR EDITOR, TRNN: Welcome back to The Real News Network. I’m Paul Jay in Washington. Last week Hillary Clinton did a tour of Latin America, trying to repair American relations with Latin American countries, especially after the events in Honduras. Many Latin American countries refused to recognize the new president of the Honduras, saying the election that brought him to power was really the result of an illegal coup. Hillary Clinton, on the other hand, says that the situation was well managed in Honduras in a nonviolent way. Helping us to make sense of her trip to Latin America and what’s going on in Honduras, we’re now joined by Mark Weisbrot. He’s the codirector of the Center for Economic and Policy Research in Washington, DC, and he also has a regular column in the Guardian newspaper. Thanks for joining us, Mark.

MARK WEISBROT, CODIRECTOR, CENTER FOR ECONOMIC AND POLICY RESEARCH: Thank you. It’s great to be here.

JAY: So what’d you make of Hillary’s statement about the nonviolent Honduran elections?

WEISBROT: Well, it was certainly ignoring a lot of violence. I mean, even in the last few weeks there’s been several activists killed, including a trade union leader, other people who were opposed to the coup itself. And this has been a big sore point between Washington and most of the region, most of the hemisphere, because the rest of—you know, South America, especially, but most of Latin America throughout the six months that took place after the coup in June, where the military overthrew the democratically elected government of Honduras—.

JAY: And just to remind viewers who might not know—I think most people know the story, but the Honduran military captures the president, actually flies him out of town late at night, I believe still in his pajamas.

WEISBROT: That’s right. They took them to Costa Rica. And, you know, you could actually predict the US policy just from the first day, because the first statement that came out of the White House didn’t announce the coup at all. It just said that all parties should try to work together. And this is a military coup against a democratically elected president. And they knew it was coming, too. They said that they were talking to the military, that is, US officials were talking to the Honduran military, right up to the day of the coup. And so they knew about it in advance. So this statement was, you know, not a surprise, that they had to make a statement about it.

JAY: Now, the significance of this is that the whole restoration of democratic process in Latin America after decades of dictatorships, one of the most important principles was no coups, and supposedly all the Latin American countries and the United States and Canada had signed on to this idea of no coups. So now you have a coup, and within no time the US seems to be compromising on it.

WEISBROT: Yes. And, you know, that has meant a lot, especially to Latin American leaders, because, you know, Lula, for example, the president of Brazil, he spent time in jail under the military dictatorship there. You had other leaders as well that were very worried. Fernando Lugo, the president of Paraguay, had to get rid of some of his top army officers not long after that coup because there were rumors of plots against him. So everybody saw it as a threat to democracy in the region, everybody except the United States. So it was a real sore point, and I think Hillary Clinton was trying to patch up relations to some degree with this trip.

JAY: So did she succeed?

WEISBROT: No, I don’t think so at all. In fact, I think it was as bad as George W. Bush’s trip there in 2005. The only thing missing were the street protests and the riots, and I think that’s because, you know, President Obama still has a good media image in Latin America.

JAY: But how long can that last if the US actually—if I understand it correctly, the Americans have not yet recognized the new Honduran government, but they seemed poised to. Is that correct?

WEISBROT: Well, no. At the very end of the trip, Hillary Clinton actually said that not only would they recognize them, but they were restoring aid to the government, and then the IMF followed suit immediately.

JAY: So where are we at in terms of Latin American countries’ recognition of the new Honduran government?

WEISBROT: Well, you know, Brazil, Argentina, Ecuador, Bolivia, Venezuela—most of South America has still not recognized it. But, you know, at some point they will. But they want at least some kind of—something in return, you know, for example, if President Zelaya gets to go back to his own country. That was something that was suggested by both the Brazilians and by the Venezuelans. So they want something or—.

JAY: He gets to go back to Honduras without being arrested.

WEISBROT: Yeah, exactly. And, of course, the human rights issue is a really big thing, again, to the rest of the hemisphere as well. You know, when our secretary of state says that this was nonviolent, when they had—. You know, people are still getting killed. Throughout the electoral campaign there were massive human rights violations. You have Amnesty International, Human Rights Watch—everybody has complained about this. In fact, in the middle of Secretary Clinton’s trip, nine members of Congress sent her a letter—these were all Democrats, too, including some leadership—and asking her specifically to make sure that she got something in terms of human rights before restoring aid to the government of Honduras. And she completely ignored that letter and announced the restoration of aid the next day.

JAY: So in terms of the relationships with the Latin American countries and their recognition of Honduras, how serious an issue is this for the United States? Are they going to just kind of get over this eventually? Or are Latin American countries going to stick their heels in and actually make a real issue out of it?

WEISBROT: Well, there’s a limited amount they can do at this point about Honduras per se, but I think what is going on is you see more and more of the kinds of institutional changes you’ve seen over the last decade, where the Latin Americans organize their own institutions and their own policies without the United States and Canada.

JAY: So what’s an example of that? ‘Cause there’s a new formation that’s going to kind of rival the OAS [Organization of American States].

WEISBROT: Well, that’s a very good example of it. They formed a new organization of all Latin American and Caribbean states, and excluding the United States and Canada, and the reason is exactly this. You know, in September, for example, the United States blocked the Organization of American States from taking a position that they would not recognize elections in Honduras that took place under the dictatorship. So you have—the US for years has been able to block things like this with Canada and a few other right-wing governments. It’s always right-wing governments.

JAY: And the new organization, if I understand it correctly, includes Cuba.

WEISBROT: That’s right.

JAY: Which is a clear demarcation with decades of US policy.

WEISBROT: That’s right, and that’s another sore point between Latin American and the United States. They all—you know, they have this first, this founding meeting of the new organization. One of the things they called for was an end to the embargo on Cuba, which is something that, of course, the US would block within the OAS. So this is the kind of thing you’re going to continue to see, a separation, Latin America becoming more and more independent, pursuing its own economic and foreign policy as well.

JAY: Well, speak about that, because one of her missions was to get Lula of Brazil on board, to do with sanctions on Iran?

WEISBROT: Yeah, this was a terrible failure too, and it was done very clumsily as well. I mean, if she really wants Brazil to change its position on Iran and support further sanctions, you would think she would do it privately instead of announcing that this is what she’s trying to do and thinking that that’s going to somehow build pressure. And, of course, both the president and his foreign minister were very strong and forceful; and, in fact, the foreign minister, Celso Amorim, actually said, “We don’t bow down to anyone.” And so it was very clear that this was a failure as well.

JAY: So what is the US response to this? The Monroe Doctrine seems to be done. I think China’s already surpassed the United States as the major trading partner for several of the major Latin American economies. India and Russia are making inroads into Latin America. On the other hand, the US is building a big base in Colombia. So does the US kind of let this all go, or do they try to get it back to where it was?

WEISBROT: They’re trying to get it back. I think one of the things they’re hoping for is more right-wing governments being elected, as in Chile that was a big victory for them—first time in half a century that a right-wing government was actually elected in Chile. They’re hoping, perhaps, for a reversal in Brazil in the upcoming elections this year, and that’s how they’re, I think, looking at it. They don’t seem to understand that these are changes that took place for real structural reasons. You know, the failure, for example, the growth failure, economic growth failure, that’s taken place over the last 38 years is the worst economic performance in more than a century.

JAY: Economic policy more or less led by the IMF and World Bank under US leadership.

WEISBROT: That’s right. And so you have big structural reasons for these changes, and it’s not going to be reversed. I think it was symbolic, too, that this new organization that they created, Mexico, the right-wing government of Felipe Calderón, actually played a leading role in it, and the next meeting is going to be in Caracas. So it was a demonstration that on certain things there is quite a bit of Latin American unity. The Washington kind of opinion here that you see is always that, oh, no, they’re too divided and this is temporary; it’s because George W. Bush ignored Latin America, didn’t pay enough attention; he was busy in the Middle East; and they have all these kinds of superficial reasons that they think are the real reason that Latin America has become, over the last decade, more independent of the United States than Europe is; but they really don’t get it at all, and Hillary’s trip is just another example of that.

JAY: Thanks for joining us.

WEISBROT: Thank you.

JAY: And thank you for joining us on The Real News Network 

 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=gpLyKaCmXOQ&feature=player_embedded 

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Luiz Albuquerque