Pepe Escobar: “The Next War”

Pepe Escobar: Terremoto no Brasil

IV Frota dos EUA
7/3/2016, Pepe Escobar, SputnikNews

Imagine um dos líderes políticos mais admirados em todo o planeta na história moderna arrancado do apartamento onde mora, às 6h da manhã, por agentes armados da Polícia Federal Brasileira, enfiado num carro sem identificação e levado ao aeroporto de São Paulo, para ser interrogado por mais de quatro horas, sobre eventos conectados a um escândalo de corrupção de um bilhão de dólares que envolve a petroleira brasileira Petrobrás.Desse material se fazem os delírios de Hollywood. E a ‘lógica’ dos delírios de Hollywood é, exatamente, a ‘lógica’ por trás de mais essa elaborada produção.Os procuradores por trás da investigação chamada “Car Wash[1], que já dura dois anos, não se cansam de repetir que há “elementos de prova” que implicariam Lula, o qual teria recebido fundos – no mínimo, 1,1 milhão de euros – do esquema de corrupção que envolveria grandes empresas de construção conectadas à Petrobrás. As acusações rezam que Lula teria – e é o máximo que se pode dizer: “teria” – sido pessoalmente beneficiado de grande parte desse dinheiro, sob a forma de um sítio (que não pertence ao ex-presidente), um apartamento modesto à beira-mar, de remunerações por palestras no circuito mundial da ‘palestragem’, de doações à fundação que leva seu nome.

Lula é o mais consumadamente talentoso animal político – em nível Bill Clinton, de competência. Já havia avisado que esperava algum movimento desse tipo, porque a máquina da “Operação Car Wash” já havia prendido dúzia de pessoas suspeitas de manipularem contratos e concorrências comerciais entre suas respectivas empresas comerciais e a Petrobrás – mais de $2 bilhões – para subornar políticos do Workers’ Party (WT), ao qual Lula, então presidente da República, era/é filiado.

O nome de Lula surgiu nas investigações, pela boca do proverbial gângster que se torna delator para reduzir a própria pena. A hipótese que ainda se mantém de pé – porque não há prova de nenhuma dessas acusações – é que Lula, quando governou o Brasil, entre 2003 e 2010, ter-se-ia beneficiado pessoalmente do esquema de corrupção que tem no centro a Petrobrás, e que teria obtido favores para si mesmo. Entrementes, a ineficiente atual presidenta Dilma Rousseff também está sob ataque, também por efeito de delação premiada feita pelo ex-líder de seu governo no Senado.

Lula foi interrogado em conexão com acusações por lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de patrimônio. A blitz hollywoodiana foi autorizada pelo juiz federal Sergio Moro – que não se cansa de repetir que se inspira no juiz italiano Antonio di Pietro e a famosa investigação dos anos 1990s Mani Pulite (“Mãos Limpas”).

E é aqui que, inevitavelmente, a trama engrossa.

Prenda os que jornais e TVs acusam!

Moro e os procuradores da “Operação Car Wash” justificam a blitz hollywoodiana, com o argumento de que Lula ter-se-ia recusado a comparecer a qualquer interrogatório. Lula e o PT negam veementemente a ‘acusação’.

Até agora, repetidas vezes os investigadores da “Operação Car Wash” têm vazado ‘informes’ e ‘declarações’ para a grande mídia – jornais, rádios e TVs –, sempre na direção de divulgar a ‘notícia’ segundo a qual “Até agora só conseguimos morder Lula. Quando o pegarmos, o engoliremos.” Significa, para dizer o mínimo, uma politização, com partidarização, da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério Público. Implica também que a blitz à moda de Hollywood pode ter autor ativo. A ‘notícia’ repetida incontáveis vezes no ciclo das ‘notícias’ da grande mídia-empresa, hoje instantaneamente global, foi que Lula teria sido preso ‘porque é corrupto’.

Mas… a coisa vai ficando cada vez mais estranha, quando se descobre que o juiz Moro é autor de artigo publicado numa revista obscura, nos idos de 2004 (“Considerações sobre Mãos Limpas”, revista CEJ, n. 26, Julho-Set. 2004). Nesse artigo, Moro prega, claramente, “a subversão autoritária da ordem jurídica para alcançar alvos específicos” e o uso da mídia para intoxicar a atmosfera política.

Claro que tudo isso serve a uma agenda específica. Na Itália, a direita viu a saga das Mani Pulite como excesso vicioso do exercício da justiça; a esquerda, do outro lado, entrou em êxtase. O Partido Comunista Italiano saiu da investigação com as mãos limpas. Mas no Brasil, a operação tomou a esquerda como alvo predefinido antes de qualquer devido processo legal –, e a direita, pelo menos até agora, está sendo mostrada como constituída só arcanjos tocadores de harpa e cantadores de hinos.

O candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014, por exemplo, herdeiro mimado e cheirador de cocaína Aécio Neves, por exemplo, foi absolvido em três acusações por corrupção, canceladas, pode-se dizer, sem maiores investigações.

O mesmo vale também para outro muito suspeito esquema que envolve o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – conhecido autopromotor dos próprios suspeitos talentos e feitos, ex-desenvolvimentista convertido em empenhado aplicador de política neoliberais.

A impressão que a Operação Lava-Jato já deixou bem fundamente marcada em todo o Brasil é que acusações de corrupção só são investigadas se o acusado for nacionalista progressista. Os vassalos do consenso de Washington são sempre predefinidos como anjos – generosamente imunizados contra acusações, delações e processos.


Está acontecendo como se vê, porque Moro e a equipe dele estão-se servindo empenhadamente da ‘tática’ que o próprio juiz Moro definiu, de usar a mídia-empresa para intoxicar a atmosfera política, com a opinião pública tornada alvo de manipulação serial, mesmo antes de qualquer acusado ser formalmente acusado de qualquer crime.

Aí está. Já se sabe que Moro e as fontes de que se servem ele e seus procuradores são em enorme medida farsescas, ou trambiqueiros conhecidos, ou mentirosos seriais. Por que, então, tantos parecem acreditar no que eles dizem? Porque não há prova de nenhuma das acusações. Simples. O próprio juiz Moro admite.

E isso nos leva a um quadro terrível: o complexo midiático-judiciário-policial parece ter sequestrado, no Brasil-2016, uma das mais saudáveis democracias do planeta.

Essa ideia encontra corroboração num fato visível para todos. O ‘projeto’ da oposição de direita no Brasil resume-se a um só objetivo: arruinar a economia da 7ª maior potência econômica do mundo, para, assim, conseguir destruir Lula como candidato á presidência em 2018.

Reina a elite saqueadora

Nada do que acima se lê pode ser compreendido por público global, sem algum conhecimento da Brasiliana clássica. No Brasil, reza a lenda que “o Brasil não é para amadores”. Não é mesmo. Trata-se de sociedade espantosamente complexa – que transitou praticamente sem pausa de um Jardim do Éden [a Terra sem Mal, dos guaranis? (NTs)] (antes de a terra ser “descoberta” pelos portugueses em 1500), para a escravidão [que durou 300 anos e ainda permeia todas as relações sociais (NTs)][2]), dali a outro evento crucial, em 1808: a mudança, para o Brasil, de Dom João 6º de Portugal (e imperador vitalício do Brasil), que fugia da invasão napoleônica, arrastando consigo 20 mil nobres portugueses, que lá organizaram o “moderno” estado brasileiro. “Moderno” é eufemismo; a história mostra que descendentes daqueles 20 mil europeus só fizeram saquear o país, ao longo dos últimos 208 anos. Poucos deles algum dia chegaram a ser julgados e condenados.

As elites tradicionais brasileiras compõem uma das misturas mais repugnante-arrogante-ignorantemente preconceituosas e tóxicas de todo o planeta. “Justiça” – e aplicação policial da lei – só se usam como armas quando as pesquisas não favorecem a agenda daquela gente.

E uma parte intrínseca daquelas elites são os proprietários dos veículos da mídia-empresa hegemônica no Brasil. Em grande medida semelhante ao modelo concentracionista que se vê nos EUA, no Brasil apenas quatro famílias controlam toda a paisagem ‘midiática’, com destaque para a família Marinho, que comanda o império empresarial midiático O Globo. Tenho experiência direta, de dentro, detalhada, de como operam.

O Brasil é estrutura corrompida até o cerne – das elites ‘comprador’ até largas fatias das “novas” elites, que incluem o Workers’ Party. O Partido padece de grave carência de quadros qualificados. Parece inegável que houve e há a corrupção e tráfico de influência envolvendo a Petrobras, construtoras e políticos de vários partidos, embora a coisa nem de longe se possa comparar ao dia a dia do ‘relacionamento’ de compra-e-venda e suborno de políticos, do tipo Estado & Goldman Sachs, ou Estado & Big Oil e/ou do tipo Estado & Irmãos Koch/Sheldon Adelson nos EUA.

Se o que hoje se vê no Brasil fosse, cruzada sem limites contra a corrupção – que os operadores da Operação Car Wash não se cansam de repetir que seria – a oposição de direita/vassalos das velhas elites também já teriam aparecido nas ‘investigações’ e já teriam sido expostas nos veículos da mídia-empresa dominante. Mas se aparecessem nomes conectados às velhas elites, a mídia-empresa dominante atentamente zelaria para que não fossem expostos e apagaria completamente do noticiário qualquer investigação em curso.

E jamais haveria, com personagem das elites, a blitz hollywoodiana montada contra Lula – apresentado como delinquente, com vistas a humilhá-lo diante do mundo.
Os procuradores da Operação Car Wash têm razão nisso: a percepção construída pela mídia-empresa passa a ser a realidade. Sim, mas, e se o tiro sair pela culatra?


Consumo zero, investimento zero, crédito zero

O Brasil atravessa situação extremamente difícil. O PIB caiu 3,8% ano passado; provavelmente cairá 3,5% esse ano. O setor industrial encolheu 6,2% ano passado; a mineração, caiu 6,6% no último trimestre. O país caminha na direção da sua pior recessão, desde… 1901.
Não há Plano B – no governo incompetente de Rousseff – para enfrentar a desaceleração da China, quando se reduziram as compras de produtos agrícolas e minérios do Brasil, nem o tropeço global nos preços de commodities.


O Banco Central mantém a taxa de juros em espantosos 14,25%. Um “ajuste fiscal” neoliberal desastroso, tentado pelo governo Rousseff, só aprofundou a crise. Pode-se dizer, usando uma figura de linguagem, que hoje Rousseff “governa” – para o cartel de bancos e os rentistas que lucram com a dívida pública brasileira. Mais de $120 bilhões do orçamento do governo evapora, para pagar juros da dívida pública.

A inflação está subindo – já entrando em território dos dois dígitos. Desemprego está em 7,6% – de fato, muito melhor que em muitos países da União Europeia –, mas aumentando.

Os suspeitos de sempre, claro, festejam, e nunca param de ‘analisar’ que o Brasil se teria tornado “tóxico” para investimentos globais.
Não há dúvidas de que a coisa está feia. Não há consumo. Não há investimento. Não há crédito. A única saída possível seria esvaziar a crise política. Mas os micróbios que pululam na ‘oposição’ só têm uma obsessão: o impeachment da presidenta Rousseff.

Pairam sombras da velha tática da “mudança de regime”: para aqueles vassalos de Wall Street/EUA “Império do Caos“, uma crise econômica, alimentada todos os dias por uma crise política, levará fatalmente, necessariamente, à derrubada do governo eleito naquele país BRICS crucialmente importante.


E então, de repente, do nada, aparece… Lula.

A ação da Operação Car Wash pode, sim, sair pela culatra – e gravemente pela culatra. Lula voltou à liça. Entrou em modo de campanha eleitoral para 2018 – embora ainda não seja candidato oficial. Que ninguém jamais subestime um animal político de tal envergadura.

O Brasil não está nas cordas. Se reeleito, Lula pode expurgar do Workers’ Party uma legião de escroques, e imprimir nova dinâmica ao partido e ao país. Antes da crise, o capital brasileiro estava rapidamente se globalizando – via Petrobrás, Embraer, o BNDES (o modelo de banco que inspirou o banco dos BRICS), as grandes construtoras.

Ao mesmo tempo, pode haver vantagens em romper, pelo menos em parte, o cartel oligárquico que controla toda a construção de infraestrutura no Brasil. Para ver as vantagens, basta pensar em empresas chinesas construindo ferrovias para trens de alta velocidade, barragens e portos dos quais o Brasil tão desesperadamente carece.

O próprio juiz Moro teorizou que a corrupção prosperaria, porque a economia brasileira é excessivamente fechada, como foi a Índia até há pouco tempo. Sim, mas… Há enorme diferença entre abrir alguns setores da economia brasileira, e escancarar tudo para que interesses associados às elites comprador estrangeiras saqueiem o país.
E então, mais uma vez, temos de voltar ao tema recorrente em todos os grandes conflitos globais.


É o petróleo, estúpido!

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Para o Império do Caos, o Brasil sempre foi grave dor de cabeça desde a primeira eleição de Lula, em 2002 (para avaliação das complexas relações EUA-Brasil, vide o trabalho indispensável deMoniz Bandeira[3]).

Alta prioridade do Império do Caos é impedir a emergência de potências regionais que cheguem abarrotadas de recursos naturais, do petróleo a minérios estratégicos. É o Brasil, descrito em minúcias. Washington como sempre se sente perfeitamente autorizada e legitimada para “defender” recursos que não lhe pertencem. Mas, para tanto, ela não só precisa fazer abortar quaisquer associações de integração regional, como Mercosul e Unasul, mas, sobretudo, tem de impedir que cresça o alcance global dos BRICS.

A Petrobrás sempre foi empresa estatal muito eficiente, que passou a ser também operadora única das maiores reservas de petróleo descobertas, até agora, no século 21: os depósitos do pré-sal. Antes de tornar-se alvo de ataque massivo de especuladores, ‘judiciário’ brasileiro e mídia-empresas, a Petrobrás gerava 10% dos investimentos e 18% do PIB brasileiro.
A Petrobrás descobriu os depósitos do pré-sal baseada em suas próprias pesquisas e inovações tecnológicas aplicada à busca por petróleo em águas profundas – sem nenhuma participação de outros países, de nenhum tipo. A beleza da coisa está em que não há risco: se você perfura aquela camada de pré-sal, o petróleo ali está. Nenhuma empresa do planeta entregaria essa riqueza à concorrência.


Pois mesmo assim, uma lesma da oposição de direita prometeu à Chevron em 2014 que entregaria a exploração do pré-sal com preferência ao Big Oil. Agora, a oposição de direita trabalha para alterar o regime jurídico do pré-sal; a modificação já foi aprovada no Senado. E Rousseff está cordatamente deixando a coisa evoluir. Para piorar, o governo Rousseff nada fez para recomprar ações da Petrobrás – cuja queda vertiginosa foi espertamente construída pelos suspeitos de sempre.
O desmanche meticuloso da Petrobrás, com o Big Oil eventualmente chegando aos depósitos do pré-sal, para deter e manter parada a projeção do poder global de mais um BRICS, tudo isso casa-se às mil maravilhas com os interesses do Império do Caos. Geopoliticamente, isso é muitíssimo mais importante que blitz hollywoodiana e investigação de Operação Car Wash.


Não é coincidência que as três maiores nações BRICS estejam sendo simultaneamente atacadas – em incontáveis níveis: Rússia, China e Brasil. A estratégia combinada pelos Masters of the Universeque ditam as regras no eixo Wall Street/Av. Beltway [governo dos EUA em Washington] é minar por todos os meios possíveis o esforço coletivo dos BRICS para produzir alternativa viável ao sistema econômico/financeiro global – esse mesmo que, atualmente, está submetido ao capitalismo-de-cassino. É pouco provável que Lula, sozinho, consiga detê-los.*****

 


[1] Em port. “Operação Lava Jato”. Dado que toooooooooooooooodos os jornais da mídia-empresa falam de Lava Jato, optamos por introduzir essa variante, na discussão: Operação Car Wash. O mesmo vale para Workers’s Party (WP), para Partido dos Trabalhadores (PT), que optamos por referir em inglês. São ferramentas discursivas q temos de aprender a usar, para reorientar a discussão. Guerra é guerra. Não vai ter golpe. [NTs]

[2] Os dois livros mais importantes sobre essa específica trajetória histórica do Brasil, com sua correspondentemente específica inserção no mundo do capital ocidental são:

– SCHWARZ, Roberto, Um Mestre na Periferia do Capitalismo: Machado de Assis. São Paulo: Duas Cidades, 1990. (3ª ed. São Paulo: Duas Cidades / Ed. 34, 2001), em inglês: A Master on the Periphery of Capitalism: Machado de Assis. Trans. John Gledson. Durham: Duke University Press, 2002); e

– SCHWARZ, Roberto, Ao Vencedor as Batatas: Forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro. São Paulo: Duas Cidades, 1977 (5ª ed., revista. São Paulo: Duas Cidades / Ed. 34, 2000), em ing. Misplaced Ideas: Essays on Brazilian Culture. (Ed. and with an introduction by John Gledson). London: Verso, 1992 [NTs].

[3] MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto. Brasil, Argentina e Estados Unidos: conflito e integração na América do Sul (da Tríplice Aliança ao Mercosul), 1870-2003. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010, 3ª edição revista e ampliada, 669 págs (dentre vários outros títulos todos importantes). O professor Moniz Bandeira é empenhado amigo do Coletivo de Tradutores Vila Vudu, do que muito nos orgulhamos [NTs].

Fonte: Sputniknews

Espaço Público entrevista Marco Aurélio Garcia

O chefe da Assessoria Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, nega, em entrevista ao programa Espaço Público, haver uma “queda de braço” entre Brasil e Israel. Mas avalia que o governo daquele país deu um “passo em falso” ao indicar o diplomata Dani Dayan para embaixador em Brasília, em substituição a Reda Mansour, que deixou o cargo no fim de dezembro.

Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou que Dayan é o indicado para o cargo. Um dos formuladores da política externa brasileira desde o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando assumiu o cargo que ocupa até hoje (já no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff), Marco Aurélio explica que a indicação causou polêmica pelo fato de Dayan ser morador da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967, e também ser contrário à criação de um Estado Palestino.

Segundo Garcia, Israel não respeitou a convenção diplomática de mandar as credenciais do candidato a embaixador para que o país anfitrião a pudesse analisar antes de conceder o agrément. “Eu acho que foi um passo em falso dado pelo governo de Israel. Em primeiro lugar, ao romper uma regra diplomática que não é uma frivolidade, é um procedimento que corresponde à gravidade que as relações internacionais têm: isto é, antes de pedir o agrément ao embaixador, noticiar publicamente”, disse.

Nesta entrevista, Garcia também comenta a situação da América Latina. Especificamente sobre a Venezuela, diz que o Brasil tem tido uma postura ativa na defesa de uma saída democrática para o impasse no país vizinho. “Se houver uma solução fora da Constituição, será uma tragédia para o povo venezuelano e para o Brasil, que tem fronteira e interesses econômicos na Venezuela. Além disso, será algo desastroso para o Mercosul e a Unasul [União de Nações Sul-Americanas].”

Garcia ainda fala da conjuntura internacional, revela bastidores das negociações iniciais conduzidas por Lula em torno do acordo nuclear com o Irã e comenta o momento atual do PT. Embora admita não gostar da expressão usada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, para quem o partido “lambuzou-se”, ele diz entender seu significado e afirma que a legenda vai precisar ser mais inovadora para sair da crise atual do que na época em que foi fundada.

O Espaço Público é apresentado pelo jornalista Paulo Moreira Leite, com a participação do também jornalista Florestan Fernandes Júnior. A entrevista com o chefe da Assessoria Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais contou, ainda, com a presença do correspondente Anthony Boadle, da Agência Thomson Reuters.

Fonte: YouTube

Adolescência perdida dos garotos do ISIS

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Publicado originalmente em: 23/12/2015

Fala de jovem terrorista condenado à morte ajuda a compreender o que torna extremismo atraente: não os dogmas religiosos, mas o ódio à invasão estadunidense e a esperança de recuperar a dignidade

Tão logo eu me acomodo na sala de entrevistas na estação de polícia de Kirkuk, Iraque, o primeiro prisioneiro que fui ver é trazido, acompanhado por dois policiais, e em algemas. Eu me levanto desajeitadamente, incerta sobre a etiqueta envolvida em uma entrevista com um combatente condenado à pena de morte. Ele é pequeno, bem menor do que eu: à primeira vista, apenas um garoto com problemas com a polícia, seus olhos fixos no chão, seu rosto como uma máscara. Nós nos sentamos em poltronas alinhadas contra paredes opostas, em uma sala nevoenta com fumaça de cigarro e iluminada com lâmpadas fluorescentes — uma sala tão pequena que meus joelhos quase tocam os do prisioneiro, mas ele ainda não levanta o rosto. Já entrevistei vários soldados do outro lado desta luta, a maioria das forças curdas (também conhecidas como peshmerga), mas também soldados do exército iraquiano (conhecidos como Forças de Segurança Iraquianas ou ISF em inglês), tanto árabes quanto curdos. Combatentes do ISIS, é claro, são bem mais esquivos, a não ser que você esteja viajando para o Estado Islâmico propriamente dito, mas eu prefiro manter minha cabeça sobre os ombros.

Há vários boatos sobre execuções sumárias, sem o devido processo legal, de guerrilheiros do Estado Islâmico aprisionados, mas é claro que ninguém vai relatar oficialmente tais abusos de direitos humanos. Como uma anedota, nos contaram sobre um prisioneiro que foi interrogado por 30 dias mas que apenas disse “Allahu Akbar” (Deus é grande) durante todo o mês. “Você não atiraria nele?”, eles perguntaram. Um peshmerga relatou ter testemunhado a captura, interrogatório e execução de cinco prisioneiros. Nós conversamos com vários líderes que disseram que eles não querem pegar prisioneiros, já que corpos feridos frequentemente contém armadilhas e matam soldados que se aproximam; por essa razão o PKK tem como política não fazer nenhum prisioneiro. (o PKK, ou Partido Trabalhista Curdo, é o grupo separatista curdo sediado na Turquia e no norte do Iraque que está na lista de terrorismo internacional; ao se provarem como indispensáveis na luta contra o ISIS, eles criaram um dilema para os governos ocidentais. Mas eles aparentemente não são tão indispensáveis a ponto desses governos se sentirem compelidos a se oporem aos recentes bombardeios da Turquia sobre eles).

Outra fonte nos contou sobre a futilidade de manter prisioneiros por seu valor de barganha: “Com o ISIS, não há conciliação, não há negociação… eles não estão interessados em trocar prisioneiros porque acreditam ser melhor morrer”. Independente da verdade por trás do comportamento dos serviços militares e de segurança, o fato se mantém: prisioneiros do ISIS são difíceis de achar.

Em uma noite, assistimos a um documentário na BBC Árabe com o perfil do General Brigadeiro Sarhad Qadir, o chefe de polícia do governo iraquiano em Kirkuk. Ele é filmado policiando a cidade, patrulhando pessoalmente as ruas e casas, prendendo pessoas suspeitas de lutar para o ISIS. Kirkuk, então, parece ser um bom lugar para começar: pelo menos lá há prisioneiros, de acordo com a BBC.

E então meus colegas e eu dirigimos até Kirkuk a partir da capital do Curdistão Iraquiano, Erbil, para encontrar Qadir. Apesar da carga de trabalho na manutenção da segurança, nessa cidade inquieta de misturas étnicas (em maioria árabes, curdos e turcos), repleta de células adormecidas do ISIS, ele é hospitaleiro e envia guardas armados para nos escoltar da estrada até a cidade. Nós somos servidos com chá em seu escritório e ele senta conosco por meia hora, até que somos levados para a sala de interrogatórios com dois coronéis. (Na semana seguinte após eu sair do país, ele e outros oficiais foram atingidos por uma enorme explosão de carro bomba. Qadir foi ferido pela décima quarta vez servindo pelo Curdistão).

Assim que o primeiro prisioneiro chegou, e que não havia nenhuma possibilidade de conversa fiada, nós partimos direto para as perguntas de pesquisa que eu devo fazer, as mesmas questões feitas a lutadores e não-lutadores em todo o país, perguntas que eu também fiz no Líbano e que vêm sendo replicadas em outras partes do mundo por meus colegas da Artis International, um consórcio para o estudo científico a serviço da resolução de conflitos. A pesquisa é baseada em psicologia moral e cognitiva, explorando quando e por que seres humanos cometem os sacrifícios mais extremos – incluindo suas vidas e as vidas de suas famílias – por causas abstratas, pelos assim chamados “valores sagrados”. Nossa pesquisa tenta determinar por que as pessoas mudam de ideia acerca desses valores sagrados, se e como elas mudam seu comportamento em sua defesa. Nós esperamos descobrir como persuadir pessoas a abandonar vias violentas, apesar de que eu estou rapidamente perdendo a fé nessa possibilidade, nesta parte do mundo.

Nesta viagem, sou acompanhada por colegas experientes: Scott Atran, um acadêmico baseado na França e Doug Stone, um general norte-americano aposentado que passou mais de dois anos no Iraque durante a ocupação dos EUA, entrevistando prisioneiros diariamente. Isso, é claro, muda fundamentalmente a experiência da entrevista, lotando a sala e dando ao evento mais importância, mas formalidade, mas também trazendo à tona perguntas totalmente diferentes, ênfases e expertise e, assim, desenhando muitos ângulos diferentes sobre os entrevistados. De qualquer maneira, nunca haverá informalidade com prisioneiros que aguardam no corredor da morte.

As primeiras perguntas são sobre a percepção da força de vários grupos — com alguns dos quais o entrevistado pode ter simpatias (mesmo que ele possa não expressá-las). Outros grupos, ele pode claramente considerar como o Outro, o Inimigo. Eu apresento um cartão com fotos de homens semi-nus, variando desde o razoavelmente franzino até o maior halterofilista — cada cabeça foi substituída por uma bandeira do Estado Islâmico. Fosse lá o que este jovem estivesse esperando, fosse lá o que já perguntaram a ele — isto não era nem uma coisa nem outra. Ele levanta os olhos, surpreso, na direção do meu colega Hoshang Waziri — sua primeira reação humana — que começa a explicar.

“Este é o Estado Islâmico — veja, aqui está a bandeira”, Hoshang diz, apontando para o halterofilista e flexionando seus bíceps. “Esta figura mostra o Estado Islâmico tão forte quanto ele possa ser. Aqui eles são muito, muito fracos; e aqui estão todas as coisas que ficam no meio. Quão fortes você acha que eles são?” O menino timidamente aponta para o mais fraco — o que é esperado, já que ele não quer parecer um fã — e nós passamos para uma figura semelhante, mas com a bandeira curda ao invés do Estado Islâmico sobreposta aos corpos. “Agora os peshmerga: Quão fortes eles são?”

O prisioneiro entendeu as perguntas, e aponta para a segunda foto mais forte. Em outras imagens, ele decide que o exército iraquiano está no meio, o Irã é um pouco mais fraco do que isso, e os Estados Unidos são o mais forte (Ele não ouviu falar do PKK, apesar de suas repetidas vitórias sobre o ISIS). Nós pedimos para ele ranquear todas as forças, usando as cartas e então percebemos que ele ainda está algemando e eu peço para que as algemas sejam retiradas. No hiato subsequente, com os policiais procurando chaves e andando para lá e para cá, e procuro bater papo mais informalmente e finalmente ele olha para mim, respondendo questões com respostas de uma palavra sobre sua idade, passado, educação, família. Lentamente, com fragmentos surgindo ao longo do resto da entrevista, eu monto uma imagem que depois vai se repetir, com apenas pequenas diferenças, em outros prisioneiros com quem conversamos naquele dia. São histórias familiares ao general Stone da época da ocupação aliada e também a jornalistas e pesquisadores com quem tenho conversado desde então.

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Este homem tem 26 anos, é o mais velho entre 17 crianças de duas mães (ou seja, seu pai teve duas esposas ao mesmo tempo) e é de Kirkuk. Completou a sexta série, ao menos é alfabetizado, diferentemente de outros que entrevistamos. É casado, tem dois filhos, um menino chamado “Rasuul”, que quer dizer Profeta, e uma menina chamada “Rusil”, que é o plural de Profeta – o que indica a centralidade do Islã em sua vida. Estava empregado como trabalhador braçal para sustentar sua família imensa, quando machucou suas costas e perdeu o emprego. Foi então, de acordo com ele, que um amigo, da mesma tribo mas apenas um parente distante, aproximou-se e ofereceu-lhe um trabalho com o ISIS. Sua história já foi aparada por inúmeros interrogatórios e pelo julgamento, por isso sai um tanto amenizada. A vida sob o Estado Islâmico era puro terror, ele diz; ele lutou apenas porque estava aterrorizado. Outros podem ter feito isso pela fé, mas não ele. Sua família precisava do dinheiro, e essa era a única oportunidade de consegui-lo.

Mais tarde, na entrevista, nós descobrimos o quanto ele está comprometido com sua família, primeiro com os cartões que usamos para testar o grau de fusão entre os indivíduos e diferentes grupos. Nós perguntamos sobre o Iraque, o Islã, família, amigos e o Estado Islâmico. As escolhas são feitas pictograficamente: nós usamos um conjunto de dois círculos crescentemente sobrepostos (em um extremo do espectro, os círculos nem se tocam, no outro eles estão totalmente sobrepostos, e há quatro círculos com graus variados de sobreposição entre os extremos), e, novamente, eles são inesperados e confusos para o prisioneiro – não há uma resposta “certa” óbvia para a maioria deles. O homem foi atraído para fora de sua concha e contra a sua vontade perdeu sua auto-consciência na sua concentração e nas suas perguntas para Hoshang. Ao fim, ele decide que está quase, mas não totalmente, fundido com o Iraque e com o Islã, completamente separado do Estado Islâmico (novamente, isso era esperado), levemente conectado com seus amigos (“Eu não tenho amigos”), e totalmente fundido com sua família. De fato, sua família é o único grupo com o qual ele estava totalmente fundido, uma decisão que foi tomada instantaneamente. Durante um questionamento mais informal sobre sua família e sua tribo saiu essa afirmação reveladora: “Nós precisamos que a guerra acabe, nós precisamos de segurança, estamos cansados de tanta guerra… tudo o que eu quero é estar com minha família, meus filhos”.

Quando ele foi retirado da sala, tivemos a oportunidade de descobrir por que ele foi condenado, como foi encontrado e quais as provas condenatórias. Ele era um mestre em carros-bombas, detonou pelo menos quatro deles em Kirkuk mesmo e também uma lambreta-bomba que explodiu em um mercado lotado de lojas de armas, matando muitas pessoas e também enfraquecendo a capacidade de residentes locais lutarem contra o ISIS. Ele foi descoberto a partir da captura de um dos financiadores da “célula adormecida” em Kirkuk, que o tinha registrado numa lista com pseudônimos, junto com números de telefone e quantidades de dinheiro. A polícia fez este homem ligar para cada pessoa na lista, uma célula de seis, e agendar encontros, em que foram capturados – todos em um dia. Quando o bombardeador do ISIS percebeu que eles estavam ali “ele entrou em colapso e fez uma confissão de cinco páginas”. Manteve sua confissão na corte, onde foi julgado segundo o Artigo 40 da lei iraquiana sobre terrorismo, que estabelece a pena de morte.

Por que ele fez todas essas coisas? Muitos assumem que estes lutadores são motivados pela crença no Estado Islâmico, um califado dominado por um califa que tem o título tradicional de Emir al-Muminiin, “Comandante dos fiéis”, um papel atualmente desempenhado por Abu Bakr al-Baghdadi; que lutadores de todas as partes do mundo estão acorrendo à região, atrás de uma chance de lutar pelos seus sonhos. Mas isso não corresponde aos prisioneiros que estamos entrevistando. Eles são tristemente ignorantes sobre o Islã e tem dificuldades em responder questões sobre a lei sharia, jihad militante e o califado. Ocorre que um conhecimento detalhado, ou ao menos superficial, sobre o Islã não é necessariamente relevante para o ideal de lutar pelo Estado Islâmico, como vimos pelo caso da compra, via Amazon, do livro Islã para principiantes, por um combatente britânico que se juntou ao ISIS.

De fato, Erin Saltman, pesquisador sênior em contra-extremismo do Instituto para Diálogo Estratégico (Institute for Strategic Dialogue), diz que agora há menos ênfase em conhecimentos sobre o Islã, na fase de recrutamento. “Nós estamos vendo um afastamento do treinamento religioso rigoroso como requisito para o recrutamento”, ele me disse. “Se entrevistássemos lutadores recrutas estrangeiros dirigindo-se ao Afeganistão, há dez ou vinte anos, veríamos que havia muito treinamento religioso e teológico ligado ao recrutamento. Hoje, vemos que a estratégia de recrutamento ramificou-se para uma audiência mais ampla com muitos fatores de atração”.

Não há dúvidas de que esses prisioneiros que estou entrevistando estão comprometidos com o Islã; é apenas seu próprio tipo de Islã, que está distantemente relacionado com aquele do Estado Islâmico. Da mesma forma, lutadores ocidentais que viajam para o Estado Islâmico também estão profundamente comprometidos, mas é com sua própria ideia de jihad ao invés de uma concepção solidamente fundamentada em argumentos teológicos ou mesmo em evidências do Corão. Como disse Saltman, “o recrutamento [do ISIS] joga com desejos de aventura, ativismo, romance, poder, pertencimento, junto com realização espiritual”. Ou seja, o Islã desempenha um papel, mas não necessariamente na forma rígida, salafista, preconizada pelos líderes do Estado Islâmico.

Além da teologia islâmica, há outras explicações, bem mais convincentes, sobre por que eles escolheram lutar pelo lado em que vêm lutando. Ao final da entrevista com o primeiro prisioneiro, nós perguntamos: “Você tem alguma pergunta para nós?” Pela primeira vez desde que chegou na sala, ele sorri – com surpresa – e finalmente nos diz o que realmente o motiva, sem nenhum roteiro. Ele sabe que há um norte-americano na sala, e talvez consiga adivinhar, pelo seu jeito e por suas perguntas, que é um ex-militar. Direcionada sua “pergunta”, na forma de uma afirmação raivosa, para ele. “Os americanos vieram”, ele diz, “Eles retiraram Saddam, mas eles também retiraram nossa segurança. Nós não gostávamos do Saddam, nós estávamos esfomeados com ele, mas ao menos nós não tínhamos guerra. Quando vocês vieram, a guerra civil começou”.

Toda essa experiência tem sido bastante familiar para Doug Stone, o general americano que recebe esta diatribe. “Ele absolutamente se encaixa no perfil típico”, Stone disse a seguir. “A idade média de todos os prisioneiros no Iraque, quando eu estive aqui era 27; eles eram casados; tinham dois filhos; haviam estudado entre a sexta e a oitava séries. Ele tem exatamente o mesmo perfil de 80% dos prisioneiros de então… e sua reclamação número um sobre segurança e contra todas as forças americanas foi exatamente a mesma reclamação de cada prisioneiro”.

Esses garotos atingiram a maioridade sob a desastrosa ocupação estadunidense após 2003, na parte caótica e violenta do Iraque, dominado pelo governo xiita cruelmente sectário de Nouri al-Maliki. Crescer como um árabe sunita não foi nada divertido. Outro entrevistado descreveu sua vida crescendo sob a ocupação norte-americana: não podia sair, não tinha vida e mencionou especificamente que não tinha namoradas. O maior ressentimento de um lutador do Estado Islâmico é a falta de uma adolescência. Outro dos entrevistados foi deslocado na idade crítica dos 13 anos, quando sua família fugiu para Kirkuk de Diyala, uma província no auge da guerra civil sectária iraquiana. Eles são crianças da ocupação, muitas sentiram falta de seus pais em períodos cruciais (devido a encarceramentos, mortes por execução ou lutas na insurgência) cheios de raiva contra os Estados Unidos e seu próprio governo. Eles não são movidos pela ideia de um califado islâmico sem fronteiras; ao invés disso, ISIS é o primeiro grupo desde a Al Qaeda a oferecer a esses jovens humilhados e enraivecidos uma maneira de defender sua dignidade, família e tribo. Essa não é uma radicalização no sentido de um estilo de vida do ISIS, mas uma promessa de um caminho para além das suas vidas inseguras e indignas; a promessa de viver como árabes sunitas orgulhosos, que não é apenas uma identidade religiosa, mas também cultural, tribal e ligada à terra.

Uma ilustração do compromisso menor-do-que-completo à causa do Estado Islâmico por iraquiano veio do peshmerga curdo General Aziz Waysi, comandante das forças de elite Zerevani (“Dourados”). Ele relatou uma conversa entreouvida entre um lutador do ISIS no campo de batalha e seu líder, via rádio portátil previamente confiscado de um cadáver do ISIS. “Meu irmão está comigo, mas ele está morto e nós estamos cercados. Precisamos de ajuda pelo menos para recolher o corpo do meu irmão”. Foi o que General Waysi ouviu, e depois a resposta: “O que mais você poderia querer? Seu irmão está no paraíso e você logo estará lá”. Essa resposta não era o que o pobre homem cercado estava esperando. “Por favor, venham e me resgatem”, ele disse, “Esse paraíso, eu não o quero”. Mas eles não vieram, o deixaram para qualquer paraíso que o estivesse esperando.

Fonte: Outras Palavras, Por Lydia Wilson | Tradução: Gilberto Schittini

The Necessary War (WWI Documentary) (BBC)

Publicado em 4 de mai de 2015

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Our perceptions of the First World War today are dominated by the idea it was a futile conflict, a colossal waste of life, and an immense tragedy for Britain and all of Europe. It is a view that has been fostered by the war poets who wrote vividly about the experience of trench warfare, and by countless novels, films and television programmes in the years since. Many even go as far as suggesting that the First World War led directly to the rise of Hitler and the outbreak of the Second World War. In a single documentary to mark the 100-year anniversary of the outbreak of war, Sir Max Hastings presents the argument that although it was a great tragedy, far from being futile, the First World War was completely unavoidable. Max presents the case that the rulers of Germany in 1914 were intent on dominating Europe and, after Archduke Franz Ferdinand was assassinated in June 1914, actively encouraged the Austrians to invade Serbia. They were responsible for igniting the spark that turned a local controversy into a full-blown European war. He also argues that once the Germans decided to invade France through neutral Belgium, it was impossible for Britain, mindful of its own position within Europe and a guarantor of the small state’s neutrality, to simply stand by. Not only that, when the conflict was only weeks old, the Germans were already compiling a shopping list of key territories they would seize after victory to secure their complete domination of Europe. Through conversations with the world’s most eminent World War I scholars and military historians, including Sir Michael Howard, Sir Hew Strachan, Professor John Rohl and Professor Margaret MacMillan, Max explores the key questions surrounding the outbreak of the war and the necessity for Britain to step in. He also explores how and why, once the war was over, the common perception of the conflict as a bungled, unnecessary bloodbath emerged. He examines the misconceptions that surround the Versailles peace agreement, which many unfairly blame for the outbreak of the Second World War, and the sense of disappointment and frustration created by economic and political turmoil of the 20s and 30s. In conclusion Max argues that, while the centenary of the war is not a cause of jubilation, we should tell our children and grandchildren that their ancestors did not fight for nothing; if Germany had won, Europe would have paid a far more terrible price.

War Documentary hosted by Max Hastings, published by BBC in 2014

The other point of view — that the British Empire should’ve stayed aside, is expressed, by Niall Ferguson, in this video:
https://youtu.be/bT81WwCix4M

Putin explica como os Estados Unidos criaram o ISIS

Empire Files: the history of the U.S. empire and the growing presence of military bases around the globe

In teleSUR’s new show, Abby Martin traces the history of the U.S. empire and the growing presence of military bases around the globe –  

September 5, 2015

Fonte: The Real News Network