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Published on Jul 11, 2016

The Economist

Cristina Kirchner: América Latina está recuando politicamente

Publicado originalmente em: 23/07/2016

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Kirchner, que deixou o poder em dezembro de 2015, se reuniu pela primeira vez depois disso com os jornalistas em sua casa na cidade de El Calafate, no sul da Argentina, recebendo os representantes de mídia estrangeira, incluindo emissoras de Telesur e Al-Jazeera, RIA Novosti, Reuters e NODAL, bem como a edição La Jornada.

A ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, acredita que todas as acusações contra ela são desprovidas de fundamento, mas diz que não tem medo da prisão.

“Se você olhar para os jornais ao longo dos últimos três ou quatro anos, verá que eles disseram abertamente que quando eu deixasse o poder, eu teria problemas graves com os tribunais. Será que os jornalistas são clarividentes, ou eram precisamente eles quem tem estado envolvido nesta operação midiático-judicial”, disse ela.

Também durante seu discurso, a ex-presidenta da Argentina Cristina Kirchner apelou ao estudo aprofundado e autêntico da história, observando que as potências mundiais, especialmente os Estados Unidos, interpretam “de sua própria maneira” os fatos históricos e introduzem-nos na consciência de massas.

“A indústria cinematográfica americana é uma máquina para produção e transmissão da cultura e da história contada, é claro, por Hollywood. Quando assiste a um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, parece que foram apenas os ianques que obtiveram a vitória”, disse ela.

Falando sobre a ameaça do terrorismo, Kirchner disse que a comunidade internacional deve elaborar o mais rapidamente possível uma nova estratégia de combate, porque os métodos antigos já não fazem efeito.

“Vivemos num mundo muito complexo, num mundo onde não existe uma estratégia clara para combater o terrorismo. Isso impõe a responsabilidade às potências mundiais”, disse Kirchner.

“Eu acho que agora se observa uma falta de liderança na questão do desenvolvimento de uma estratégia diferente para essa luta. Se, no entanto, os velhos métodos continuarem sendo usados — a conquista de países e bombardeio — o mundo ficará pior e pior”, disse ela.

A ex-presidenta argentina Cristina Kirchner destacou que a Argentina, e a América Latina no seu todo, tem passado nos últimos meses por um recuo político que é acompanhado do crescente interesse dos EUA pela região.

“Eu acho que há um retrocesso no que se refere aos governos nacionais e populares da região, há um avanço do que podemos chamar de ‘direita conservadora’, ‘restauradora'”, afirmou a ex-presidenta, acrescentando que já foi abandonada a ideia de unidade regional que prevaleceu tanto no espírito do Mercosul, como da Unasul e da CELAC.

De acordo com ela, desde 2001, depois do ataque de 11 de setembro, os EUA deixaram de intervir na região porque apareceram outras prioridades.

“Essas prioridades se mantêm até hoje, mas os EUA começam novamente a olhar para a região, que sempre foi considerada quase como seu próprio reservatório de alimentos, energia, águas subterrâneas e minerais”, disse Kirchner.

Além disso, Cristina Kirchner notou que o recuo na Argentina apenas é visível analisando dados estatísticos:

“Em 10 de dezembro do ano passado, a Argentina já atingiu o menor nível de endividamento externo em moeda estrangeira em sua história. Nunca tivemos esse nível de redução da dívida”.
O engraçado, segundo ela, é que “o governo conseguiu esta redução da dívida depois de receber o país com a maior dívida soberana do mundo, desemprego de dois dígitos, altos níveis de desemprego e de pobreza”.

Fonte: Sputnik

Cresce o conflito social na Argentina

Publicado originalmente em: 18/07/16

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A jornada de protesto, que passou de um “panelaço” a um grande “barulhaço” e foi sentida por toda Argentina contra o aumento de tarifas, foi um sinal claro de esgotamento de um modelo de gestão.

O governo de Mauricio Macri fechou sua semana mais complicada em relação à política equilibrista que desenvolve desde o início de seu mandato entre o bem-estar dos setores mais concentrados da economia e a marginalidade à que pretende confinar as maiorias sociais e organizadas.

A mudança de cenário aconteceu na última quinta-feira, quando milhares de argentinos saíram a protestar nas ruas dos principais centros urbanos do país contra as políticas de ajuste, inflação e desemprego que o Governo Nacional promove.

Ainda que os grandes meios “hegemônicos” de comunicação quiseram minimizar o efeito do ato, o barulho das panelas e as buzinas dos carros deram uma sacudida na Casa Rosada, alertando boa parte da oposição a reconfigurar suas estratégias.

Os setores políticos entenderam que o povo dizia “basta”, impunha limites e designava culpados.

O partido oficialista de Cambiemos, como toda reação, saiu a tocar campainhas para tirar foto com vizinhos zelosamente pré-selecionados.

Nem o Presidente, nem nenhum outro membro do gabinete disse algo sobre o protesto nacional; muito menos adotar algum tipo de medida que tivesse por objeto reverter o estado de crise que o país vive.

O estado da situação é delicado. A partir de vários setores, sindicatos, acadêmicos, cooperativos e políticos alertam sobre as consequências que o modelo econômico imposto por Macri está deixando e o crescente espírito de instabilidade social. A pobreza traz consigo a resistência e um campo de maior conflitos.

As fotos adocicadas com a Sociedade “Golpista” Rural, o desfile de alguns cúmplices da última ditadura cívico-militar pelas ruas de Buenos Aires e a convocação à casa de Governo de membros de um partido neonazi são cartões-postais do passado imediato mais sangrento do país, que mostra suas intenções de retornar.

E um capítulo aparte é a repressão selvagem no engenho Ledesma, na província de Jujuy, que se deu na última quinta-feira quando os trabalhadores da produção de açúcar cumpriam com uma paralisação por tempo indeterminado.

A ação dos efetivos de infantaria deixou mais de 80 feridos pelas balas de borracha e gás lacrimogêneo, a grande imprensa não reportou nada disso, nem sequer fez alusão.

A greve continua. Os trabalhadores continuam na rota nacional 34 e mantêm bloqueado o acesso à localidade de Libertador San Martín, onde é a sede da companhia da família Blaquier. O governo provincial de Gerardo Morales ordenou a conciliação obrigatória, mas o sindicato decidiu não acatar.

Apenas oito meses depois de começar sua gestão, Mauricio Macri gerou vários milhões de novos pobres, mais de 200 mil trabalhadores perderam seus empregos, só no último mês fecharam suas portas 20 mil pequenas e médias empresas. Caiu para quase 20 pontos o consumo e a inflação é histórica.

Como ficaram longe os slogans de campanha “Pobreza zero”; “Revolução da alegria” ou a mais recente das frases de efeito: “Segundo Semestre”, o paraíso perdido.

Se as coisas continuarem assim, nem a espessa cortina de fumaça que representa a suposta “pesada herança” da gestão anterior, nem as causas agitadas midiaticamente contra ex-funcionários conseguirão frear o avanço dos setores populares.

* O autor é jornalista argentino que colabora com a Prensa Latina.

Fonte: Prensa Latina

Jornal mexicano critica Macri por suspender RT na Argentina

Publicado originalmente em: 12/06/2016

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O jornal mexicano La Jornada criticou em um editorial o presidente da Argentina, Mauricio Macri, pela decisão de suspender o canal RT da grade de canais abertos no país.

“Por que não declaram Macri um inimigo da liberdade de expressão, como estão fazendo com (Nicolás) Maduro?”, pergunta o diário em um editorial diário chamado Rayuela, atribuído à direção do jornal.

O diário publicou, além disso, uma reportagem de sua correspondente em Buenos Aires, Stella Calloni, no qual explica como o governo argentino decidiu suspender as transmissões do canal RT.

O artigo indica que grupos de jornalistas advertiram que a decisão do governo Macri “ é parte de uma nova escalada de censura e vai contra a liberdade de expressão e os milhões de argentinos que tinham acesso a uma informação internacional de primeira linha, como aconteceu também com a rede de TV Telesur”, uma iniciativa regional idealizada pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os planos da estatal Rádio e Televisão Argentina (RTA) são de excluir o canal internacional das transmissões em TV aberta a partir de agosto. A RT continuará disponível no país apenas em canais de TV a cabo.

A RT entrou na rede estatal da Argentina em outubro de 2014 por meio de um convênio assinado pelo presidente russo, Vladimir Putin, e a então presidente argentina,Cristina Kirchner.

A rede de TV RT é composta por três canais de notícias que transmitem 24 horas por dia desde Moscou para mais de 100 países em espanhol, inglês e árabe;  o canal RT America, que transmite desde seus estúdios próprios em Washington; um canal de documentários; e a agência global de vídeos RUPTLY, que oferece material exclusivo a redes de todo o mundo.

Fonte: Sputnik

Primeira visita de um ministro do Comércio britânico à Argentina em 10 anos

Publicado  em: 05/05/2016

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Mark Price se converteu nesta quinta-feira no primeiro ministro britânico do Comércio a visitar a Argentina em 10 anos, o que Londres interpretou como um sinal de melhoria nas relações bilaterais.

O ministro britânico explicou em um comunicado que a visita “marca uma mudança de etapa nas relações comerciais”.

“A visita segue o encontro que foi mantido em Davos, em janeiro, entre o primeiro-ministro [David Cameron] e o presidente argentino [Mauricio Macri], porque o Reino Unido e a Argentina buscam edificar uma relação mais produtiva”, afirma o texto.

Price pretende que a União Europeia (UE) e o Mercosul acelerem as negociações para um acordo de livre comércio, cujos benefícios potenciais para a economia do Reino Unido seriam de 2,5 bilhões de libras anuais (3,6 bilhões de dólares), segundo cifras britânicas.

A chegada ao poder de Macri na Argentina propiciou um degelo nas relações com o Reino Unido depois das presidências de Néstor Kirchner e sua esposa Cristina, entre 2003 e 2015, devido ao litígio de soberania sobreas Ilhas Malvinas (Falkland Islands), que Londres se nega a discutir.

Essas ilhas foram alvo de uma guerra entre os dois países em 1982.

Fonte: ZH Notícias

Mercosul faz 25 anos em meio a novo momento de estagnação

Postado originalmente em: 04/04/2016

Do Opera Mundi

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Projetos de integração só serão retomados e revitalizados se a esquerda sul-americana for capaz de derrotar a ofensiva das elites locais e do imperialismo, diz professor da UFABC

O dia 26 de março de 1991 já mostrava um mundo unipolar e globalizado após a queda do muro de Berlim e da União Soviética. Nesse dia, em Assunção, Brasil, Argentina, Uruguai e o anfitrião Paraguai assinavam o tratado que fundaria oficialmente o Mercado Comum do Sul (Mercosul), em busca de uma força maior ao continente diante das negociações globais.

Vinte e cinco anos após sua criação, em meio a crises econômicas e turbulências políticas, os países-membros enfrentam, segundo especialistas, novo momento de estagnação.

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Fragilizados pela crise da dívida, Brasil e Argentina já discutiam, desde meados da década de 1980, uma nova fórmula para reerguer suas economias. A ideia dos então presidentes José Sarney e Raul Alfonsin, era desenvolver políticas conjuntas para posicionar as peças de seus países no tabuleiro global.

Naquela virada para os anos 1990, a ideia do Mercosul representava uma resposta ao contexto globalizador por dois motivos: era uma espécie de reação à Alca [Área de Livre Comércio entre as Américas] e também porque, apesar de suas fragilidades, os países tinham que buscar uma alternativa de inserção internacional”, explica o coordenador do curso de Políticas e Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP), Moises Marques.

No início, Mercosul foi “meramente comercial e financeiro”

O ano de 1989, no entanto, foi marcado por eleições de políticos com ideias neoliberais no continente e de alinhamento com os Estados Unidos e Europa. Fernando Collor de Mello, no Brasil, e Carlos Menem, na Argentina, foram eleitos com uma plataforma de abrir seus mercados para os produtos estrangeiros e isso aconteceu de forma unilateral.

Por conta disso, para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC Igor Fuser, o Mercosul nasce como um acordo “meramente comercial e financeiro”.

Os ganhos no comércio exterior das empresas sediadas no Brasil e na Argentina com o Mercosul na sua fase inicial foram tão grandes nesse período que os dois países deram um passo inesperado, a evolução do bloco para uma união aduaneira. Todos os demais aspectos da integração foram desprezados, encarando-se o Mercosul apenas sob a ótica empresarial”, mostrou.

Os números mostram que, de fato, os primeiros anos do funcionamento do Mercosul alavancaram muito as economias da região. Pegando como exemplo o Brasil, as exportações das empresas nacionais para os vizinhos sul-americanos subiu ano a ano. Argentina, Paraguai e Uruguai deixaram de importar U$$ 1,3 bilhão do Brasil em 1990 e, em 1998, passaram a comprar cerca de US$ 8,9 bilhões do país.

Collor e Menem, em 1991: presidentes de Brasil e Argentina assinaram tratado em Assunção que fundou Mercosul.

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Essa época de bonança, no entanto, acabou no final da década de 1990. O sociólogo e especialista em integração Felippe Ramos aponta que fatores como a desvalorização do real frente ao dólar, logo depois da reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e a crise da dívida argentina em 1999 levaram ao que ele chama de “esgotamento do Mercosul comercial”.

“Quando FHC desvaloriza o real, gera um aumento de exportações brasileiras para a Argentina, desequilibrando a balança comercial. A Argentina, então, começa a proteger mais a sua economia. Logo depois, veio a crise da dívida, que tem consequências até hoje. Com a negociação dos credores, isso destruiu essa primeira fase. De 1999 até 2003, há uma espécie de suspensão do Mercosul”, apontou.

Ascensão dos governos de esquerda e a prioridade ao social

Em 1999, a eleição de Hugo Chávez na Venezuela muda o xadrez geopolítico da América do Sul. No início do século XXI, outros governos de esquerda também floresceram em todos os países do bloco: Lula, no Brasil, Nestor Kirchner, na Argentina, Tabaré Vasquez no Uruguai, e, mais adiante, em 2008, Fernando Lugo no Paraguai.  

Nesse novo período, além da integração, o bloco passou a se preocupar também com colaboração entre os países. Uma das principais medidas tomadas nesse sentido foi a criação do Fundo Para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) que se destina a financiar programas de convergência estrutural e coesão social das economias menos desenvolvidas do bloco. Com isso, o Brasil se comprometeu a bancar 70% dos recursos desse fundo; a Argentina, 27%; o Uruguai, 2%; e o Paraguai, menor economia, 1%.

Fuser destaca a importância dessa nova visão cooperativa entre os países, mas diz que o próprio governo brasileiro sempre teve uma “postura ambígua” durante esse processo.

“O governo brasileiro defendeu a integração no discurso, mas com um baixo grau de compromisso com o objetivo da construção de um espaço comum. A postura do empresariado brasileiro contribuiu muito para bloquear as iniciativas da política externa no sentido da integração. A burguesia, por um lado, trata de aproveitar as oportunidades abertas pelos esforços integracionistas para conquistar mercados e internacionalizar empresas. Por outro, sabotam qualquer proposta que aponte no sentido de uma integração estrutural sul-americana”, critica.

Integração corre riscos com crises políticas no continente

Fruto desse momento mais político foi a criação da União das Nações Sul-americanas (Unasul) em 2008. Contando com 12 membros, ela foi um dos fóruns criados para diálogos e integração política no continente.

O novo momento da integração regional, no entanto, corre riscos com as crises econômicas e políticas que o continente vive atualmente. A entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul em 2012 não teve o poder de dar o dinamismo necessário para o bloco porque, depois da morte de Hugo Chávez, o país mergulhou em uma crise política e econômica profunda. O cenário é parecido com o do Brasil. Já na Argentina, a vitória do liberal Maurício Macri, em 2015, deu fim à sequência de governos progressistas no país.

“Esses projetos de integração só serão retomados e revitalizados se a esquerda sul-americana for capaz de derrotar a ofensiva das elites locais e do imperialismo. Caso contrário, a Unasul e a Celac serão extintas, ou, o que é mais provável, permanecerão como instituições puramente decorativas, sem qualquer importância real”, reforçou Fuser.

Cenários para o futuro

Assim como no fim da década de 1990, inúmeros especialistas encaram que o Mercosul se encontra em outro momento de estagnação após as dificuldades que enfrentam os governos progressistas na região. Ramos acredita que dentro da política externa brasileira existiu um “modelo lulista de integração” e que ele chegou ao seu final com a crise econômica no país.

“O Brasil tinha o poder do BNDES dentro dos países sul-americanos, isso foi um fator importante dessa expansão econômica e política, mas esse modelo se esgotou com a crise. O BNDES cortou 60% desse repasse para esses projetos. A crise interna faz com que ele não conseguisse mais fazer a sua política externa. Há uma disputa por esse novo modelo, mas ainda não é claro o que vai prevalecer”, ponderou.

Um das saídas para a modernização do bloco pode ser uma que está em discussão desde 1999: o acordo do Mercosul com a União Europeia. O assunto é polêmico e divide opiniões. Marques lembra que a negociação não é fácil, mas que o acordo poderia ser uma das saídas para o bloco ganhar um novo fôlego.

“Eu não sei se seria o único passo, mas nesse momento ele é o que está na pauta e poderia dar um folego novo do Mercosul. Acontece que o Brasil sempre acabou liderando as negociações e agora que estamos em um período recessivo, ele abdica. É o momento de rever as instituições, revisar quem faz o que com quais recursos e para onde vai o Mercosul”, prevê.

Já Fuser vê um cenário propício para os Estados Unidos voltarem a exercer uma pressão sob os países sul-americanos, assim como foi na época da Alca. Ele pega o Tratado Transpacífico (TPP), que começou a sair do papel em 2015 e vai envolver grandes economias do mundo como EUA, Japão e Austrália, para ilustrar o desejo norte-americano de “anular a soberania econômica dos países periféricos e semiperiféricos”.

“Essas duas propostas aplicam uma interpretação deformada da ideia do livre comércio ao exigirem a abertura indiscriminada dos mercados dos países situados fora do eixo EUA-Japão-União Europeia ao mesmo tempo em que mantêm o protecionismo nas regiões centrais da economia global. Fora o elemento que diz respeito à aplicação de normas de propriedade intelectual mais rígidas que as atuais, em benefício das grandes multinacionais do setor farmacêuticos, a proibição de políticas de compras governamentais favoráveis às empresas nacionais e, pior do que tudo, a adoção de normas de proteção aos investimentos que anulam a soberania dos Estados no campo dos direitos trabalhistas, da defesa ambiental e das políticas de desenvolvimento”, concluiu.

Fonte: Jornal GGN

Uruguai, Bolívia, Venezuela e Equador manifestam apoio a Dilma e Lula

Publicado originalmente em: 18/03/2016

Presidentes e chanceleres dos 4 países deram declarações sobre o Brasil.
Argentina declarou ‘apoio institucional’ e negou críticas de ‘apoio frio’.

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Os governos do Uruguai, da Bolívia e da Venezuela manifestaram nesta sexta-feira (18) apoio à presidente Dilma Rousseff em meio à crise política que abala seu segundo mandato.

Em um comunicado, a chancelaria uruguaia manifestou “seu total respaldo à presidente Dilma Rousseff”. “Fiel defensor do princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, mas ao mesmo tempo respeitoso do Estado de Direito e dos valores democráticos, o Uruguai confia que as diferenças internas existentes no Brasil serão resolvidas no marco do regime democrático”, afirma o comunicado, reproduzido pela agência EFE.

O comunicado “encoraja os diferentes atores envolvidos a atuar responsavelmente e com lealdade institucional” para que o Brasil supere em breve a situação que vive.

O comunicado do Uruguai também informa que o país, em sua qualidade de presidente temporário da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercosul, se encontra coordenando com os demais Estados-membros uma expressão regional de respaldo à presidente brasileira e a suas instituições.

Bolívia
O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou mais cedo que a direita brasileira quer dar um golpe na presidente Dilma Rousseff e “castigar” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não volte à presidência.

“A direita no Brasil quer voltar por meio de um golpe no Congresso e um golpe judicial para castigar o Partido dos Trabalhadores, o partido do companheiro Lula, e para tirar e julgar a companheira Dilma”, disse Morales em reunião com mineiros no povoado de Colquiri, no oeste da Bolívia.

O governante acrescentou que a “direita sul-americana e a direita americana” querem “castigar” Lula para que um dirigente sindical nunca mais volte a ser presidente.

“Como já não podem aplicar ditaduras militares, agora usam os instrumentos da democracia ocidental para tirar Dilma do governo e processá-la, e inabilitar Lula para que não volte a ser presidente, um operário como vocês, irmãos mineiros”, ressaltou.

Equador
O presidente do Equador, Rafael Correa, garantiu nesta sexta-feira que a crise política do Brasil faz parte de um “novo plano Condor” contra os governos progressistas da região.

“Você acha que isso é casualidade? É o novo plano Condor (aplicado na década dos 70 pelas ditaduras militares do Cone Sul para coordenar o extermínio de opositores) contra os governos progressistas”, declarou o mandatário em uma entrevista na rede televisão oficial.

“Já não se precisa mais de ditaduras militares, se precisa de juízes submissos, se precisa de uma imprensa corrupta que inclusive se atreva a publicar conversas privadas, o que é absolutamente ilegal”, acrescentou.

Venezuela
Na quinta-feira, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, já havia manifestado apoio a Dilma e Lula, chamando a crise política no Brasil de “golpe de estado midiático e judicial”.

“Há um golpe de estado midiático e judicial contra a presidente Dilma Rousseff e contra Lula da Silva, líder do Brasil e da nossa América”, disse Maduro de forma enérgica no Palácio de Miraflores.

Maduro revelou ter “falado com vários presidentes latino-americanos”, que “estão muito preocupados” com a situação no Brasil.

‘Apoio frio’
Na Argentina, a chanceler Susana Malcorra disse que “há um apoio institucional” do governo Macri e pediu que a crise seja enfrentada através de “um mecanismo democrático”. Em declaração à rádio local Belgrano, Malcorra negou que a Argentina tenha dado um apoio “frio” à presidente Dilma Rousseff. “Não, não há [um apoio frio], há um apoio institucional”, declarou.

“As instituições têm que resolver os problemas através dos canais institucionais. (Dilma) Rousseff foi eleita por um mecanismo democrático e só um mecanismo democrático, institucional, pode mudar isso”, acrescentou.

Malcorra reafirmou que a Unasul busca uma posição conjunta em relação à crise brasileira. “Trabalhamos com nossos colegas da Unasul para fixar uma posição como bloco”, adiantou.

O chefe de Gabinete de Macri, Marcos Peña, foi ainda mais moderado, dizendo que a Argentina não interferirá na crise brasileira. Olhamos com preocupação o que está acontecendo no Brasil. O Brasil é um parceiro estratégico, olhamos com interesse o que está acontecendo, mas com respeito porque é um processo que eles que tem que definir”, disse.

Em Santiago, a chancelaria chilena informou à AFP que não formulará declaração sobre a crise no Brasil e que não se envolve nos problemas internos de terceiros países.

Fonte: G1