CIDH convoca Argentina para audiência sobre direitos trabalhistas

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Publicado originalmente em 02/10/17

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA), agendou para o dia 24 de outubro de 2017 uma audiência pública sobre a situação da Justiça do Trabalho e dos direitos sindicais na Argentina. A sessão, para qual o governo foi convocado, havia sido solicitada por sindicatos e organizações de direitos humanos, a exemplo da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA de los Trabajadores), a Associação de Advogados e Advogadas Trabalhistas (ALL) e o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS). Os sindicatos argentinos levaram a denúncia também à Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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A repressão aos indígenas Mapuches na Argentina

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Bandeira Mapuche

14/08/17

No dia 1o de agosto, a Gendarmeria argentina, uma força de segurança com características federais, conteve um protesto em uma área ocupada por indígenas de etnia Mapuche, na província de Chubut, localizada na Patagônia. A manifestação era protagonizada por militantes que reclamavam direitos sobre a terra e pela libertação de seu líder, Facundo Jonas Huala, preso em junho e cuja extradição é demandada pelo Chile.

Em seguida à repressão policial, Santiago Maldonado, que estava presente no local como apoiador da causa, desapareceu. De acordo com os ativistas presentes, Maldonado foi levado pelos gendarmes e a ação policial foi marcada por violência excessiva. Entretanto, a Ministra de Segurança argentina, Patricia Bullrich, nega a responsabilidade da agência e declarou que não existem indícios de participação policial no desaparecimento.

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Argentina condena à prisão perpétua quatro juízes por crimes contra a humanidade

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Tribunal os considerou partícipes primários de sequestros, torturas e homicídios durante a ditadura militar

29/07/17

A justiça da Argentina deu outro passo sem precedentes na punição ao terrorismo de Estado. Quatro juízes federais da província de Mendoza (1.000 quilômetros a oeste de Buenos Aires) foram considerados culpados de garantir a impunidade em dezenas de sequestros, torturas e assassinatos cometidos durante a última ditadura militar (1976-1983) por não investigarem os crimes e se somam às centenas de militares julgados e condenados. A novidade da sentença, lida na quinta-feira à noite, é a condenação a uma conduta sistemática do Poder Judicial e não a casos pontuais, como em causas anteriores.

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Cresce resistência do HIV a tratamentos disponíveis e amplamente difundidos, alerta OMS

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Jovem vivendo com HIV recebe tratamento antirretroviral na Costa do Marfim. Foto: UNICEF/Olivier

21/07/17

Em relatório divulgado nesta semana (20), a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para a crescente resistência do HIV a medicamentos usados para mitigar as consequências da infeção. Em seis dos 11 países avaliados na África, Ásia e América Latina pela agência da ONU, mais de 10% das pessoas que iniciaram a terapia antirretroviral apresentaram uma cepa do vírus resistente a alguns dos remédios mais amplamente utilizados no tratamento.

O patamar dos 10% é um parâmetro definido pelo organismo internacional. Uma vez atingido, esse limite indica que nações precisam avaliar urgentemente seus programas de tratamento.

Os seis países que alcançaram o patamar de risco foram Argentina, Guatemala, México, Namíbia, Nicarágua, Uganda e Zimbábue. O Brasil está entre os 11 Estado-membros analisados no relatório, mas o país não registrou o nível de resistência que preocupa a OMS.

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El País: Merkel afaga Argentina em giro na América Latina que exclui Brasil

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O presidente da Argentina, Mauricio Macri, recebe na Casa Rosada a chanceler alemã, Angela Merkel.

08/06/2017

Chanceler alemã e Macri se unem contra Trump e por livre comércio às vésperas de troca no G20

Já é uma constante em seu primeiro ano e meio de mandato: Mauricio Macri recebe notícias muito melhores do exterior do que de sua terra. Aplaudido pelos países centrais, que agradecem por ter acabado com 13 anos de kirchnerismo, o presidente argentino recebeu a visita que faltava para fechar o círculo do retorno de seu país ao eixo central das relações internacionais: a chanceler alemã Angela Merkel chegou a Buenos Aires com a intenção de fortalecer as relações, mostrar seu apoio a Macri e passar o bastão do G-20, do qual foi a anfitriã este ano e que em 2018 acontecerá na Argentina. Merkel passará ainda pelo México, também membro do G20, mas o Brasil, outro país latino-americano do grupo e em profunda crise doméstica, não foi incluído no périplo.

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Published on Jul 11, 2016

The Economist

Cristina Kirchner: América Latina está recuando politicamente

Publicado originalmente em: 23/07/2016

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Kirchner, que deixou o poder em dezembro de 2015, se reuniu pela primeira vez depois disso com os jornalistas em sua casa na cidade de El Calafate, no sul da Argentina, recebendo os representantes de mídia estrangeira, incluindo emissoras de Telesur e Al-Jazeera, RIA Novosti, Reuters e NODAL, bem como a edição La Jornada.

A ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, acredita que todas as acusações contra ela são desprovidas de fundamento, mas diz que não tem medo da prisão.

“Se você olhar para os jornais ao longo dos últimos três ou quatro anos, verá que eles disseram abertamente que quando eu deixasse o poder, eu teria problemas graves com os tribunais. Será que os jornalistas são clarividentes, ou eram precisamente eles quem tem estado envolvido nesta operação midiático-judicial”, disse ela.

Também durante seu discurso, a ex-presidenta da Argentina Cristina Kirchner apelou ao estudo aprofundado e autêntico da história, observando que as potências mundiais, especialmente os Estados Unidos, interpretam “de sua própria maneira” os fatos históricos e introduzem-nos na consciência de massas.

“A indústria cinematográfica americana é uma máquina para produção e transmissão da cultura e da história contada, é claro, por Hollywood. Quando assiste a um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, parece que foram apenas os ianques que obtiveram a vitória”, disse ela.

Falando sobre a ameaça do terrorismo, Kirchner disse que a comunidade internacional deve elaborar o mais rapidamente possível uma nova estratégia de combate, porque os métodos antigos já não fazem efeito.

“Vivemos num mundo muito complexo, num mundo onde não existe uma estratégia clara para combater o terrorismo. Isso impõe a responsabilidade às potências mundiais”, disse Kirchner.

“Eu acho que agora se observa uma falta de liderança na questão do desenvolvimento de uma estratégia diferente para essa luta. Se, no entanto, os velhos métodos continuarem sendo usados — a conquista de países e bombardeio — o mundo ficará pior e pior”, disse ela.

A ex-presidenta argentina Cristina Kirchner destacou que a Argentina, e a América Latina no seu todo, tem passado nos últimos meses por um recuo político que é acompanhado do crescente interesse dos EUA pela região.

“Eu acho que há um retrocesso no que se refere aos governos nacionais e populares da região, há um avanço do que podemos chamar de ‘direita conservadora’, ‘restauradora'”, afirmou a ex-presidenta, acrescentando que já foi abandonada a ideia de unidade regional que prevaleceu tanto no espírito do Mercosul, como da Unasul e da CELAC.

De acordo com ela, desde 2001, depois do ataque de 11 de setembro, os EUA deixaram de intervir na região porque apareceram outras prioridades.

“Essas prioridades se mantêm até hoje, mas os EUA começam novamente a olhar para a região, que sempre foi considerada quase como seu próprio reservatório de alimentos, energia, águas subterrâneas e minerais”, disse Kirchner.

Além disso, Cristina Kirchner notou que o recuo na Argentina apenas é visível analisando dados estatísticos:

“Em 10 de dezembro do ano passado, a Argentina já atingiu o menor nível de endividamento externo em moeda estrangeira em sua história. Nunca tivemos esse nível de redução da dívida”.
O engraçado, segundo ela, é que “o governo conseguiu esta redução da dívida depois de receber o país com a maior dívida soberana do mundo, desemprego de dois dígitos, altos níveis de desemprego e de pobreza”.

Fonte: Sputnik