Banco Central Europeu e Alemanha divergem sobre pacote de estímulo

Vítor Constancio, vice-presidente do BCE diz que sua intervenção livrou a região do euro de “deflação”

Publicado originalmente em: 12/03/2016

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Berlim contra Frankfurt. Empresários, os think tanks e a imprensa alemã pularam na jugular de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), depois que o novo pacote de estímulo para combater a anemia da zona do euro foi anunciado na quinta-feira. O establishment alemão defende seus poupadores com unhas e dentes e critica algumas medidas, mais em linha com a estagnação secular na Europa do que com o ciclo econômico na Alemanha, que enfrenta uma enorme crise. O BCE saiu em própria defesa em uma atitude incomum e de rara firmeza para os padrões de Frankfurt. O vice-presidente do BCE, Vítor Constancio, fez um apelo a favor do ativismo do Eurobanco e novamente exigiu uma expansão fiscal para apoiar a política monetária. “Evitamos uma deflação”, disse.

Draghi respirou tranquilo na sexta-feira. Os mercados acabaram com seu grande dia na quinta-feira, com uma reação surpreendente de baixa depois de uma primeira sacudida promissora: mandavam um lembrete de que o banco central não é o todo-poderoso; mandavam um recado de que a instituição talvez tenha perdido sua magia. Com algumas horas de atraso que causaram pavor em Frankfurt, os investidores finalmente digeriram na sexta-feira a enxurrada de medidas expansionistas, e o dia foi de alta para o mercado de ações, de bônus, câmbio e petróleo, praticamente tudo o que é negociado. Mas Draghi tem outras frentes abertas: empregadores, think tanks e a imprensa alemã, liberal ou social-democrata, popular ou de prestígio, entraram em cena com um ataque furioso contra o pacote de medidas para resgatar a economia europeia da estagnação e do risco de deflação.

O Bundesbank (banco central alemão) já alertou na reunião do conselho: continua contra qualquer coisa que se pareça com um estímulo. Jens Weidmann, presidente do BC alemão, foi muito claro contra a nova rodada de compras de títulos, taxas de juro negativas e liquidez de graça para o setor bancário. O que se seguiu foi o burburinho habitual na Alemanha após qualquer movimento em Frankfurt. O influente think tank IFO atacou com a dureza de sempre: Hans-Werner Sinn acusou o BCE de “tentar salvar bancos zumbis e Estados à beira da falência”. As medidas são uma boa notícia para os países inadimplentes do Sul, dizem empresários. “Mas, para os alemães, são uma catástrofe. Os poupadores serão expropriados mediante uma redistribuição gigantesca do Norte para o Sul da Europa”, disse Anton Börner, presidente da entidade patronal BGA.

Constancio, do BCE, rebateu as críticas, mas também o ceticismo de parte dos analistas sobre a eficácia da política monetária, em meio a uma estagnação que já dura muito tempo, com um alto endividamento e uma política fiscal ausente, que dificulta a transferência de liquidez dos mercados para a economia real. “O que teria acontecido sem essa política monetária?”, perguntou. A zona do euro “estaria em deflação desde o ano passado”, disse. “Se não fazemos política monetária, o que fazemos então? Os países que podem utilizar a política fiscal não vão fazê-lo. E, aqueles que vão fazê-lo, não deveriam”, reclamou.

Esse continua sendo o nó górdio da zona do euro, no oitavo ano da Grande Crise. “As discussões sobre política monetária muitas vezes soam como teologia com um toque cômico”, diz Paul de Grauwe, da London School, “mas o BCE está certo. Talvez suas políticas não sejam muito eficazes, mas isso ocorre porque a política fiscal não aparece: Bruxelas continua de lado; Berlim só usa o orçamento obrigada pelos refugiados. A Alemanha reclama do BCE, mas, se fizesse o que deve, com menos excesso de ideologia, a Europa estaria muito melhor”

Fonte: El País

Discurso do Ministro Mauro Vieira por ocasião da Conferência Internacional de Apoio à Síria e Região – Londres, 4 de fevereiro de 2016 [Inglês]

Publicado originalmente: 04/02/2016

20160204-ME-discurso-1First of all, allow me to congratulate the Governments of the United Kingdom, Germany, Norway and Kuwait, as well as the United Nations, on the organization of this timely and important conference.

The numbers resulting from the conflict in Syria are well known to all of us: a death toll too great to be overlooked and a humanitarian drama that has turned far too many average Syrian citizens into victims for the international community to ignore. Not to mention an entire generation of Syrian children and youth left out without an education, deprived of aspirations and dreams. This is a human tragedy of epic proportions, one that affects all of humanity.

That is why I hereby announce that Brazil is channeling over 1.3 million dollars to the Office of the United Nations High Commissioner for Refugees with the purpose of alleviating the plight and the suffering of Syrian refugees in the neighboring countries and elsewhere. Furthermore, Brazil has purchased 1.85 million dollars’ worth of food supplies – roughly 4.500 tons of rice – which will hopefully help improve food security for refugees and internally displaced people in the Levant. In spite of the fiscal and budgetary adjustment my Government is currently carrying out, Brazil sees humanitarian assistance to those in need as a responsibility we cannot shy away from.

Helping those suffering from war, terrorism and chaos is one side of the coin. The other one is giving shelter to those trying to run away from such ordeal. Brazil’s humanitarian visa policy, which was extended for two additional years last September, has allowed for more than 2,000 people affected by the conflict in Syria to seek refuge in Brazil since 2013. Another 7,000 of such visas have already been issued, allowing those who have applied for it to safely arrive at Brazilian shores.

As the home of the largest Syrian diaspora in the world, a land that has offered safe haven for people fleeing the Levant for over a century now, a country that has been shaped by the contribution of immigrants and their descendants, including over 4 million Brazilians of Syrian ascent, Brazil has opened its arms to receive those fleeing from the conflict in Syria and from the threat of terrorism.

Ladies and gentlemen,

Our efforts today will have limited impact if a meaningful political solution is not reached soon enough. Last December, for the very first time since the beginning of the conflict in Syria five years ago, the UN Security Council formally acknowledged that there cannot be a military solution for the Syrian crisis. Brazil has long advocated that a political solution is the only road there is. We welcome Resolution 2254 and encourage all key stakeholders to follow the roadmap outlined therein. We also welcome Resolution 2258 and urge concerned actors to comply with international humanitarian law and to provide safe, full and unimpeded access to humanitarian agencies on the ground.

The international community must be prepared to fully support the mediation efforts led by the Special Envoy of the Secretary-General for Syria, Staffan di Mistura, and to further encourage the intra-Syrian dialogue, in spite of the many obstacles and shortcomings it faces.

Helping Syrians to broker a political solution; stemming the bloodshed; alleviating the hardship caused by war; keeping Syria united; fighting and preventing terrorism; rebuilding a country thorn-apart: these are the tasks ahead. Daunting for sure, but unavoidable. You must rest assured that Brazil will shoulder its share of responsibility for carrying out the momentous collective endeavor that lies ahead of us.

Thank you very much.

Fonte: Itamaraty

Economic crisis cannot justify Brazil’s absence from global security debate

Publicado originalmente em: 13/12/2015

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For the past two years, Brazil was, of the world’s top ten economies, the only country without a single participant at the Munich Security Conference. Equally telling, Latin America was the only region without any representation during the debates. Brazil’s participation in the upcoming conference in February 2016 is crucial to avoid the country’s exclusion from the global debate about how to address security challenges — and to prevent that the rules and norms that will shape the 21st century will be made by a small group of traditional actors alone.

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The Munich Security Conference, which takes place on a yearly basis since 1963, is the world’s most important independent forum for international security policy makers from around the globe. Rather than signing official documents or a final communiqué, leaders come to Munich for discreet backroom diplomacy. Informal meetings away from the public eye are used to explore opportunities for negotiations vis-à-vis complex security challenges, ranging from the civil war in Ukraine and Yemen to Syria and the global refugee crisis. In any given year, around twenty Heads of State and Government, fifty foreign and defense ministers and ninety government delegations participate.

Similar to the World Economic Forum (WEF) in the economic realm, it is at the Munich Security Conference where leaders seek to, in their official remarks, set the global security agenda. In 2003, during a panel discussion, Germany’s Foreign Minister Joschka Fischer famously told Donald Rumsfeld, in a mix of German and English, that he was “not convinced” of the United States’ argument that war against Iraq was necessary. The verbal confrontation would become one of the defining moments of the rift between Germany and the United States in the run-up to the Iraq War. It was also an unmistakable sign that Germany would, along with France, assume a leading role in the anti-war coalition.

At the 2007 conference, Russia’s President Vladimir Putin gave a strong-worded and much-remembered speech about the evils of unipolarity, which led to a sharp response by John McCain, who would become the Republican presidential candidate a year later. Six years later, on the final day of the conference, Iranian Foreign Minister Ali Akbar Salehi expressed the willingness of his country to accept the US’s negotiated bid on the Iranian nuclear program. In 2014 and 2015, important discussions took place regarding the conflict in Ukraine and Syria. Simply put, no country or organization interested in playing a role in the discussion about global security challenges can afford not to be at the Munich Security Conference.

In 2016, the war against the Islamic State and the global refugee crisis will loom large during debates in Bavaria. Together, they currently pose the most urgent and complex global security challenge that impossibly can be solved by a small number of rich countries alone. More importantly, the decisions taken vis-à-vis the crisis in Syria will affect future conflicts and the way the international community reacts to them.

And yet, for the past two years, Brazil was, of the world’s top ten economies, the only country without a single participant at the Munich Security Conference. Equally telling, Latin America was the only region without any representation during the debates. Brazil’s participation in February 2016 is crucial to avoid the country’s exclusion from the global debate about how to address security challenges — and to prevent that the rules and norms that will shape the 21st century will be made by a small group of traditional actors alone.

Brazil’s absence from the debates in Munich is part of a worrying trend. When it comes to the dominant themes in global affairs over the past twelve months, such as the rise of the Islamic State, the global refugee crisis or the ongoing civil war in Ukraine, Brazil has rarely gone beyond the role of a bystander, ceding airtime to traditional powers. Yet Brasília could be far more pro-active in the global discussion about how to effectively address the challenges listed above, and positively influence dynamics — as it has done, in the past years, regarding humanitarian intervention, internet governance, peacekeeping, conflict resolution and defending democracy. Canada’s new government has recently shown that it is not neccessary to be a great power to have an impact in the global discussion about refugees. That requires, first of all, being in the room when such things are discussed. However, when it comes to international security policy, Brazil’s government currently does not seem to consider Woody Allan’s famous saying that “90 percent of life is simply showing up.”

A Brazilian participant such as Defense Minister Aldo Rebelo, Foreign Minister Mauro Vieira, Special Advisor Marco Aurélio Garcia, Ambassador Antonio Patriota (who was in Munich in 2013 as Foreign Minister) or President Rousseff herself could provide a valuable perspective on security challenges from the Global South. Yet more worryingly, Brazil’s absence sends a clear message to the other participants that the country does not seek a place at the table when the world’s most complex security challenges are debated. This undermines Brazil’s campaign for a permanent seat on the UN Security Council: Brazil was, in 2014 and 2015, the only G4 member that lacked any representation.

Brazil’s current economic crisis cannot justify such aloofness. After all, what is the use of a country that is only ready to help address global challenges when its economy is going well? In fact, scaling back foreign policy initiatives as a reaction to the economic crisis underestimates how foreign policy can help the economy: Large companies like  Airbus, Boeing and Raytheon (a major American defense contractor) are always present in Munich to network with key figures in the defense establishment, while Embraer and other Brazilian players in the defense industry are not.

Our global debate today is out of balance, and we can no longer solve global challenge by merely relying on a few countries’ wisdom. The dramatic failures of addressing key challenges over the past decades are clear indicators that new actors such as Brazil must contribute to finding meaningful solutions. Merely sending a senior policy maker to Munich in February is, of course, little more than a symbol — yet an important one, nonetheless, showing that Brazil, despite its economic and political crisis, is aware of its global responsibilites.

Fonte: Post-Western World

Angela Merkel diz que acordo da Grécia com credores ainda é possível

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A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta quinta-feira (18) que ainda é possível um acordo entre a Grécia e os credores. “Estou convencida de que onde existe vontade, existe um caminho”, disse Merkel aos deputados alemães no Parlamento.

“Se as autoridades gregas têm essa vontade, um acordo continua sendo possível, desde que Atenas aplique de forma decidida as reformas estruturais prometidas”, acrescentou.

A Grécia e os credores − Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu −, negociam há um mês a liberação de uma ajuda financeira vital para o país, à beira de um default (suspensão de pagamentos).

A posição da Alemanha “não mudou” e os esforços se concentraram na permanência da Grécia na zona do euro, destacou Merkel, que nas últimas semanas intensificou os contatos com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

O governo de Tsipras resiste a aplicar as reformas exigidas pelos credores, já que muitas delas contradizem as promessas eleitorais do partido Syriza, de esquerda radical.

As negociações serão abordadas em uma reunião hoje dos ministros das Finanças do Eurogrupo em Luxemburgo, mas as duas partes já anteciparam que descartam a possibilidade de um acordo no encontro.

Segundo o presidente do Banco Central da Alemanha, Jens Weidmann, a existência da moeda única europeia não depende da Grécia. “A existência do euro não está necessariamente ligada ao desenvolvimento da Grécia, mas alguns efeitos de contágio não podem ser completamente descartados, sobretudo no cenário de um Grexit [saída da Grécia da zona do euro]”, explicou Weidmann.

A avaliação de Weidmann foi feita em entrevista aos jornais Les Echos, publicado na França, ao espanhol El Mundo e ao italiano La Stampa.

O presidente do Banco Central alemão ponderou que “o caráter da união monetária também será afetado se um dos sócios não assumir a responsabilidade para com a estabilidade do conjunto”. “Esse também é um efeito de contágio cujas consequências não devem ser minimizadas”, completou. Weidmann disse que “em última instância, a responsabilidade da permanência da Grécia no euro é do governo grego”.

Fonte: EBC

Reino Unido anuncia corte de dívida com UE, outros países desmentem

Segundo ministro britânico das Finanças, após encontro em Bruxelas, quantia foi reduzida pela metade, e prazo para pagamento, estendido. Colegas de pasta de países como Alemanha e Holanda contestam essa versão.

Mal entendido ou erro bilionário de tradução? O fato é que há duas versões quanto aos resultados do encontro dos ministros das Finanças da União Europeia (UE) desta sexta-feira (07/11), em Bruxelas. O assunto central na pauta era o que fazer com a súbita dívida com que se depararam alguns Estados da UE, desde que foram alteradas as regras para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

O caso mais extremo é o do Reino Unido, de quem eram exigidos, até 1º de dezembro, 2,1 bilhões de euros de contribuição adicional para os cofres da UE. Segundo o ministro britânico das Finanças, George Osborne, após a votação em Bruxelas, a quantia foi cortada pela metade, e poderá ser paga até setembro de 2015, em duas parcelas sem juros.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também se manifestou a respeito após o encontro. “Eu disse que não pagaria 1,7 bilhões de libras (2,1 bilhões de euros) em 1º de dezembro. Agora cortamos a conta pela metade e não pagaremos nada antes de julho do ano que vem”, escreveu em sua conta no Twitter.

A comissária da UE encarregada de assuntos orçamentários, Kristalina Georgieva, confirmou a soma final de 1 bilhão de euros, com base em cálculos provisórios.
Entretanto, ministros das Finanças de outros países do bloco declararam que foi discutido um pagamento em parcelas, mas não uma redução da quantia.

Jeroen Dijsselbloem, da Holanda, afirmou que Osborne “ainda terá que pagar uma quantia alta. Ele não falou hoje sobre um corte da dívida e tampouco foi concedido qualquer corte”. Seu homólogo alemão, Wolfgang Schäuble, confirmou: “Nós não conversamos sobre isso”.

Hans Jörg Schelling, ministro das Finanças da Áustria, disse que um pagamento adicional calculado pela Comissão Europeia não pode ser colocado em questão. Também segundo o colega de pasta irlandês, Michael Noonan, não houve qualquer correção para baixo. E um dos mediadores das negociações diagnosticou: “Os britânicos estão misturando as coisas. A quantia a ser paga é de 2,1 bilhões de euros”.

O único consenso é quanto à extensão do prazo de pagamento até setembro do ano que vem, o que também beneficiará outros países devedores, como a Holanda e a Itália. De resto, só os próximos dias dirão quem está com a verdade: se Londres ou se todo um grupo de ministros das Finanças da UE.

Britânicos indignados

Já pela manhã, Osborne, definira o tema e o tom de confrontação do encontro com seus colegas europeus: “Quero um acerto melhor para o Reino Unido”. Ele disse considerar inaceitáveis tanto a quantia quanto o prazo imposto, por isso incluíra o assunto na pauta do dia.

Na reunião de cúpula da UE em outubro, Cameron já expressara em alto e bom som sua irritação com a exigência da Comissão Europeia. Estava fora de questão ele passar um cheque dessas dimensões, em prazo tão breve: isso não era forma de se lidar com ele, esbravejou.

Antes da cúpula em Bruxelas, o holandês Dijsselbloem, por sua vez, procurava acalmar os ânimos. Também o seu país é alvo de uma pesada cobrança: 642 milhões de euros. Mas ele estava otimista de que se encontraria uma solução, afirmou.

Novas bases de cálculo

O pomo da discórdia são as contribuições entre os Estados-membros da UE, que na verdade deveriam ser rotina anual. Quem teve melhor desempenho econômico no ano anterior, deve depositar mais nos cofres europeus, enquanto os países mais fracos recebem restituição sobre as contribuições pagas.

Até agora, em geral, isso só resultara na transferência de algumas centenas de milhões de euros, para lá e para cá. A agitação em torno das somas inusitadamente elevadas, este ano, de deveu a os peritos em estatística da UE terem alterado a base de cálculo do PIB: agora, passou-se a considerar também setores da economia informal, como o narcotráfico, a prostituição e o contrabando de cigarros.

Todos os países se declararam de acordo com as novas regras, inclusive o Reino Unido – aparentemente sem pensar nas possíveis consequências. E como está previsto para 2014 o pagamento dos anos atrasados, de repente os britânicos se viram confrontados com a conta bilionária.

A Alemanha, em contrapartida, receberá de volta 780 milhões de euros de suas contribuições para o fundo comum da UE. Para Paris, a notícia de que tem direito à devolução de 1 bilhão de euros é especialmente bem-vinda, pois são numerosos os buracos orçamentários a tapar.

Perdão, nem pensar

Nenhum dos países credores está disposto a abrir mão de sua restituição: não há ministro das Finanças que faça tal coisa, declararam fontes diplomáticas antes do encontro. Portanto, não estava em negociação se, mas sim como e quando as contribuições adicionais seriam pagas.

Cabe agora à Comissão Europeia sugerir uma forma de adiar os pagamentos, o que exigirá uma emenda nas leis do bloco. E os britânicos continuam ameaçados de ainda ter que pagar juros, caso não honrem a dívida dentro do prazo.

O destino dos países credores também está em aberto, dependendo de a Comissão Europeia se dispor ou não a adiantar as devoluções, recorrendo a suas próprias verbas. Afinal, os franceses e os alemães já estão contando com o dinheiro que lhes cabe.

AV/dw/afp/rtr

Fonte: http://www.dw.de/reino-unido-anuncia-corte-de-d%C3%ADvida-com-ue-outros-pa%C3%ADses-desmentem/a-18048358

Matheus Luiz Puppe Magalhaes

Comissão Europeia apresenta prognósticos econômicos sombrios

Cinco anos após o início da crise do euro, economia da UE continua perdendo força, e nem mesmo a locomotiva Alemanha escapa. Bloco deve crescer apenas 1,3% neste ano, e perspectivas só melhoram para 2016.

Mal a nova Comissão Europeia foi empossada, sob a presidência de Jean-Claude Juncker, e os problemas já começaram. Enquanto o finlandês Jyrki Katainen – vice-presidente para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade do órgão executivo – é conhecido como adepto do Pacto de Estabilidade e Crescimento da Zona do Euro, não se pode dizer o mesmo de seu colega de equipe, Pierre Moscovici.

Na qualidade de antigo ministro das Finanças da França, Moscovici é responsabilizado pelo endividamento excessivo do Estado francês. Como comissário para Assuntos Econômicos e Financeiros e Fiscalidade, ele terá que trabalhar em conjunto com Katainen.

Entretanto, nesta terça-feira (04/11), a coletiva de imprensa para apresentação do prognóstico econômico para o quarto trimestre na União Europeia (UE) e na zona do euro mostrou que a colaboração entre os dois ainda não está funcionando muito bem.

Inesperadamente, Moscovici anunciou que pretendia viajar para a Grécia, a fim de conversar sobre o breve fim do programa de apoio financeiro da UE para o país. Katainen disse, então, que tinha a mesma a intenção e que talvez ambos pudessem viajar para Atenas juntos. Assim, a primeira lição que os dois precisam aprender é como coordenar suas agendas.

O que ambos tinham a anunciar em seguida, porém, eram os lamentáveis dados sobre o desenvolvimento econômico na zona do euro, coletados por seus antecessores. A tendência é sombria, e só com muito esforço os dois comissários conseguiram passar alguma esperança de melhora.

Se, no início do ano, Bruxelas ainda contava com uma taxa de crescimento de 1,6% para a UE, agora está claro que ela não passará de 1,3%. Na zona do euro, o crescimento deve ser de 0,8%, em vez do antes previsto 1,2%. As previsões para 2015 são igualmente desoladoras: crescimento de 1,5% para a UE e de 1,1% para a zona do euro. Somente para o ano seguinte, as perspectivas melhoram ligeiramente.

Como primeira razão dessa dinâmica tão lenta, Katainen citou os problemas estruturais profundos, conhecidos mesmo antes da crise do euro. Em segundo lugar, vem o excesso de dívidas públicas e privadas; em terceiro, as tensões nos mercados financeiros desde a crise; e por último, um curso de reformas instável e não implementado em alguns Estados-membros.

Segundo a Comissão Europeia, mesmo na Alemanha, até então país-modelo, as coisas não vão mais tão bem: em 2014 a economia alemã se arrasta à beira de uma recessão, mas ainda alcança 1,3% de crescimento. No ano seguinte, o nível permanece baixo, e só em 2016, a conjuntura alemã volta a ganhar impulso. Por enquanto, o país estará bem restrito em seu papel de locomotiva econômica da UE. Katainen aconselha investimentos em infraestrutura.

Confiança na UE em xeque

No entanto, os prognósticos ficam realmente negativos quando se trata da maior economia nacional da zona do euro, a França: no ano em curso, seu crescimento fica abaixo de 1%, insuficiente para progredir na redução da dívida pública. E o novo endividamento francês aumenta implacavelmente, devendo chegar a até 4,7% do PIB até 2016 – bem distante dos 3% prescritos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

A questão é se – e como – a Comissão pode dar mais tempo para o país reduzir suas dívidas, já que ela tem até o fim do mês para se manifestar a respeito do planejamento orçamentário de Paris. A princípio, está claro que não haverá uma advertência de Bruxelas, porém, ainda não está à vista nenhum curso de reforma e austeridade plausível para a França.

Por sua vez, Moscovici reforçou que está na hora de a política europeia agir. “Nas últimas eleições europeias, partiu dos eleitores uma mensagem inquietante para nós: eles nos dizem que querem crescimento e empregos. Por isso, faz tanto sentido o presidente Juncker nos chamar de ‘a Comissão da última chance’.”

Caso não haja nos próximos cinco anos uma vontade definida nem ação decidida no sentido de crescimento e de vagas de trabalho, os cidadãos poderão ter dúvidas sobre o projeto europeu, advertiu o comissário francês. “Por isso, temos que acrescentar uma nova dimensão à política europeia: estabilização era e é necessária. Agora precisamos de mais dinamismo.”

Com isso, Moscovici se referiu a novos investimentos e, nesse ponto, continua defendendo a linha do governo francês. Para a Comissão Europeia, contudo, o impulso virá na forma do pacote de investimentos de 300 bilhões de euros anunciado por Juncker, cujos detalhes ainda são desconhecidos.

Desemprego elevado

Para citar pontos positivos dos prognósticos apresentados em Bruxelas: a economia da Irlanda cresceu sensacionais 3,6% – a lembrança da crise nacional de endividamento quase já vai longe. A Espanha também se encontra em rota ascendente, com expectativa de 1,7% de crescimento para 2015. O que continua sendo catastrófico no país, contudo, é o desemprego, cuja taxa é claramente superior a 20%.

No que tange à zona do euro, em geral, nos próximos dois anos os índices de desemprego só baixarão discretamente, mantendo-se bem acima de 10%. A Comissão segue prescrevendo reformas estruturais e investimentos públicos como antídoto.

A questão que o comissário Katainen não conseguiu responder a contento, é por que a zona do euro apresenta os mais baixos índices de crescimento entre as regiões econômicas mais desenvolvidas. Por um lado, disse, as crises pelo mundo, da Ucrânia até o Oriente Médio, afetam com violência especial sobre a Europa. Além disso, alguns países-membros se acomodaram numa falsa segurança, acrescentou. Afinal, a zona do euro só pode ser tão forte quanto a soma de seus membros.

FONTE: http://www.dw.de/comissão-europeia-apresenta-prognósticos-econômicos-sombrios/a-18039238

Matheus Luiz Puppe Magalhaes

Fracassa tentativa da oposição de anular acordo nuclear com o Brasil

Num breve debate, partidos da coalizão do governo garantem prorrogação da parceria por mais cinco anos. Partido Verde, autor de moção pelo cancelamento, alega que pacto não condiz com atual política energética alemã.

Numa sessão de cerca de 30 minutos e com pouco menos de 50 parlamentares presentes, o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) garantiu na noite desta quinta-feira (06/11) a prorrogação do acordo nuclear entre Brasil e Alemanha por mais cinco anos.

A coalizão do governo, formada pela União Democrata Cristã (CDU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD), votou contra a moção que pedia o cancelamento da cooperação bilateral, garantindo assim a maioria necessária para a manutenção da parceria com o Brasil. O Partido Verde, autor da moção, foi apoiado pela legenda A Esquerda.

No entanto, a CDU e o SPD se comprometeram a analisar o documento para verificar a necessidade de alterações no texto.

“Estou decepcionada, principalmente com o SPD. Tendo em vista como o partido se comportou e agiu no último governo, ele deveria ter apoiado a moção. O fim do acordo deveria ter sido importante para o SPD, devido à nossa credibilidade perante a comunidade internacional ao mostrarmos que realmente estamos falando sério sobre banir a energia nuclear”, disse a deputada Sylvia Kotting-Uhl em entrevista à DW Brasil após o plenário.

Segundo Kotting-Uhl, uma das autoras da moção do Partido Verde, agora a oposição vai exigir que as promessas de análise do acordo e alterações sejam cumpridas, garantindo que ele seja focado somente nas questões da segurança, do armazenamento do lixo atômico e do desligamento de usinas e não voltado a fomentar a geração de energia nuclear.

Agitação no plenário

Durante o debate, Kotting-Uhl e o deputado da legenda A Esquerda Hubertus Zdebel e defenderam o fim do acordo nuclear com o Brasil, alegando que a cooperação nesse setor não condiz com a atual política alemã de mudar sua matriz energética e desligar todas as usinas do país.

No entanto, o deputado da CDU Andreas Lämmel defendeu a manutenção da cooperação no setor, afirmando que o fim do acordo nuclear poderia colocar em risco a parceria entre os dois países em outras áreas. “É um erro cancelar o acordo. Cada país tem o direito de escolher sua política energética”, afirmou.

O parlamentar causou alvoroço entre os colegas verdes ao afirmar que a Alemanha possuía as usinas nucleares mais seguras do mundo e, com o acordo bilateral vigente, poderia repassar ao Brasil esse conhecimento e experiência. O deputado do Partido Verde e ex-ministro alemão do Meio Ambiente Jürgen Trittin ficou visivelmente irritado com a afirmação.

No debate, as deputadas do SPD Nina Scheer e Hiltrud Lotze também apoiaram a continuação da parceria com Brasil, mas, assim como Kotting-Uhl, ressaltaram é preciso fazer uma avaliação minuciosa do acordo para verificar se mudanças são necessárias para garantir que ele não seja destinado à construção de novas usinas ou ao uso militar da tecnologia.

Ao se pronunciar, Lotze acusou Trittin de não ter feito nada para finalizar o acordo na época em que foi ministro do Meio Ambiente.

Acordo controverso

O acordo de cooperação no setor nuclear entre os dois países foi assinado em 1975. Com ele, o Brasil se comprometia a criar um programa com empresas alemãs para a construção de oito usinas nucleares, além do desenvolvimento de uma indústria teuto-brasileira para a fabricação de componentes e combustível para os reatores.

A parceria também previa o repasse da tecnologia alemã ao país. A vigência inicial do acordo era de 15 anos, podendo ser prorrogado por períodos de cinco anos, caso nenhuma das partes o cancelasse.

Pouco do previsto na proposta inicial se concretizou. Já nos primeiros anos, o pacto começou a fracassar, devido à pressão americana, às críticas internacionais e à crise econômica que afetou o Brasil na década de 1980.

Apenas duas das oito usinas programadas saíram do papel: Angra 1 e Angra 2. Além disso, quatro anos após o início da parceria, o governo brasileiro começou a desenvolver um programa nuclear paralelo, que visava ao total conhecimento do ciclo de enriquecimento de urânio, o que possibilitaria a fabricação de uma bomba atômica.

Apesar de algumas propostas terem ficado de lado, o acordo já foi renovado cinco vezes. Para ser anulado, um dos países precisa manifestar o desejo de cancelamento um ano antes do fim da vigência. Com o resultado da votação de hoje, ele será renovado pela sexta vez em 2015.

Essa foi a segunda tentativa alemã de encerrar a parceria. Em 2004, ela esteve prestes a ser cancelada, segundo Trittin, então ministro alemão de Meio Ambiente, mas o Brasil voltou atrás.

Atualmente, no âmbito da parceria, são realizados encontros anuais entre representantes da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e da Sociedade Alemã para a Segurança de Usinas e Reatores Nucleares (GRS), para a troca de informações e experiências, além de workshops e cursos.

“É um erro cancelar o acordo. Cada país tem o direito de escolher sua política energética”, afirma o deputado Andreas Lämmel

Oposição vai exigir que promessas de análise do acordo e alterações sejam cumpridas, diz Sylvia Kotting-Uhl

FONTE: http://www.dw.de/fracassa-tentativa-da-oposição-de-anular-acordo-nuclear-com-o-brasil/a-18046353

Matheus Luiz Puppe Magalhaes