Revista Fortune revela já em 64 elo entre empresários de SP e embaixada dos EUA para dar golpe

Fonte: Opera Mundi

Felipe Amorim | São Paulo – 24/01/2014 – 06h00

Publicação norte-americana fazia chamado por investimento estrangeiro no Brasil e causou divergência entre conspiradores paulistas e cariocas

Apenas cinco meses após o golpe que depôs o presidente João Goulart, a tradicional revista norte-americana Fortune publicava uma longa reportagem narrando a parceria entre o então embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, e os empresários paulistas que articularam a conspiração. Enquanto setores civis e militares se armavam e ensaiavam a rebelião, lideranças golpistas foram pessoalmente à embaixada perguntar qual seria a posição de Washington caso fosse deflagrada uma guerra civil no Brasil. “Cauteloso e diplomático, Gordon deixou a impressão de que, se os paulistas conseguissem segurar [o comando da guerra civil] por 48 horas, obteriam o apoio e o reconhecimento dos Estados Unidos”, escreveu a publicação.

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Essa é a apenas uma das revelações do artigo publicado por Philip Siekman na edição da Fortune de setembro de 1964, intitulado “When Executives Turned Revolutionaries” (Quando executivos viraram revolucionários), que completava no subtítulo: “Uma história ainda não contada: como os empresários de São Paulo conspiraram para derrubar o governo infectado de comunistas do Brasil”. [clique aqui para ler o texto, em inglês] A revista dá voz aos empresários “bandeirantes” para mostrar como os executivos se articularam para financiar a conspiração armada que depôs Jango. Embora voltada ao público norte-americano, a reportagem repercutiu no país, acirrou rivalidades entre os golpistas paulistas e cariocas e foi usada como panfleto para incentivar a vinda de investimentos estrangeiros para o país.

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Entre os fatos mais reveladores do texto de Siekman, a revista procurou destacar o papel central que o Ipês (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e seus líderes desempenharam na conspiração. Primeiro, arrecadando fundos dos principais industriais paulistas e cariocas: “No total, cerca de 400 empresas contribuíram para a instituição; e o fluxo de caixa anual não passava dos US$ 500 mil”. E, mais tarde, ao decidir adotar métodos mais diretos: “Células de vigilância começaram a se equipar com armas leves, instalar fábricas clandestinas de granadas de mão, e escolher um local para levar a cabo operações de guerrilha na guerra civil que consideravam inevitável e iminente”. O Ipês foi fundado em 1961 “oficialmente” para defender a livre iniciativa e a economia de mercado; a entidade uniu acadêmicos conservadores, empresários e militares para desestabilizar o governo Jango.

A partir de um ponto de vista do empresariado paulista, Fortune traça o panorama do cenário político, econômico e social do Brasil, concluindo que, sem a intervenção, a situação só poderia ter levado o país ao caos. “De repente e quase milagrosamente”, diz Fortune, eles haviam salvado a nação, interpreta a publicação. Se antes a revista só imaginava duas possíveis saídas para o Brasil — um “Estado totalitarista dominado por comunistas” ou uma “guerra civil sangrenta e complexa” —, os “Paulistas” teriam forjado a terceira via: uma revolta que durou dois dias, pôs Jango no exílio e seus simpatizantes na cadeia. É por isso que, de acordo com a revista, o levante deveria ser merecidamente chamado de “a Revolta dos Paulistas”.A revista Fortune foi fundada em 1930, meses após o crash da bolsa de NY, pelo editor Henry Luce — o mesmo que criou as icônicas Life e TIME. Pioneira ao especializar-se em finanças e negócios, a publicação existe até hoje e faz parte de um dos maiores conglomerados de mídia do mundo.

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Elite econômica que deu golpe no Brasil tinha braços internacionais, diz historiadora

Fonte: Opera Mundi

Felipe Amorim e Rodolfo Machado | São Paulo – 02/03/2014 – 11h00

Martina Spohr, coordenadora do CPDOC/FGV, dá detalhes sobre a atuação do alto empresariado na deposição de Jango: “trabalho com a existência de uma elite orgânica transnacional e anticomunista”

Além de atuar no movimento civil-militar que conspirou e depôs o presidente João Goulart em 1964, a elite empresarial brasileira também manteve, ao longo de todos os anos sessenta, estreito vínculo com o capital estrangeiro, numa “relação íntima” com os interesses dos executivos norte-americanos. A afirmação é da historiadora Martina Spohr, coordenadora da área de Documentação do CPDOC da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e estudiosa do regime ditatorial que vigorou no Brasil até 1985.

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Como muitos pesquisadores que se debruçam sobre o período, Martina concebe o 31 de março como um golpe classista e empresarial-militar. No mestrado, “Páginas golpistas: anticomunismo e democracia no projeto editorial do IPES (1961-1964)“, concluído em 2010 pela UFF (Universidade Federal Fluminense), Martina esmiuçou o projeto editorial do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, organização fundada com o objetivo público de defender a “livre iniciativa” e a “economia de mercado”, mas que funcionou, na prática, como um ponto de encontro de acadêmicos conservadores, empresários e militares empenhados em desestabilizar o governo de João Goulart (1961-1964).


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No doutorado, em andamento na UFRJ (com uma bolsa-sanduíche na Brown University, nos EUA), Martina aprofundou a pesquisa sobre os civis que fizeram o regime militar. Por conta de seu trabalho na chefia do setor de Documentação do CPDOC/FGV, começou a colecionar indícios de que muitos dos empresários brasileiros que atuaram com destaque na conspiração pré-64 também buscavam criar uma espécie de rede empresarial anticomunista com fortes laços em todo o continente.

Um desses homens de negócios era o paulista Paulo Ayres Filho, empresário da indústria farmacêutica. Seu acervo particular — que reúne cartas, recortes de jornal, papéis importantes e cópias de grande parte da documentação do extinto Ipês-SP — foi doado, pelos herdeiros, ao CPDOC/FGV, que tradicionalmente trabalha com a organização e a preservação de arquivos particulares da elite brasileira. Esse material, tratado por Martina, faz parte do rol de fontes primárias que compõem a pesquisa provisoriamente intitulada “Elite orgânica transnacional: a rede de relações político-empresarial anticomunista entre Brasil e Estados Unidos (1961-1968)”.

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“Trabalho com a existência de uma elite orgânica transnacional, que não estava só no Brasil e tinha seus braços internacionais. Personagens importantes do empresariado latino-americano estavam de alguma maneira envolvidos com norte-americanos”, afirma Martina, explicando que foi a partir de Paulo Ayres Filho, anticomunista ferrenho e um dos fundadores do Ipês, que pôde começar a mapear essa rede.[A pesquisadora Martina Spohr é coordenadora do setor de Documentação do CPDOC/FGV e doutoranda em História Social pela UFRJ]

Prendeu em particular a atenção da pesquisadora uma série de correspondências “de cunho bastante pessoal, chegando mesmo a ser íntimo”, entre Ayres Filho e David Rockefeller, multimilionário e magnata do petróleo. David e seu irmão Nelson (vice-presidente dos EUA de 1974 a 1977) eram dois dos maiores entusiastas da Aliança para o Progresso, projeto político que sintetizava os interesses dessa “elite orgânica transnacional”: um programa anticomunista de integração regional levado a cabo pelos EUA no auge da Guerra Fria para lutar contra o que seus defensores chamavam de “cubanização” do continente.

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Paulo Ayres Filho teve atuação destacada em um importante episódio que evidenciava o elo entre os altos capitalistas do continente. Em 1963, evento sediado em Nova York proporcionou um encontro informal de empresários das Américas congregando 67 homens de negócios de 11 países do continente. Na ocasião, cinco executivos brasileiros — quase todos importantes lideranças do Ipês — puderam estabelecer contato com os altos escalões da política e da economia dos Estados Unidos. Paulo Ayres Filho foi um deles. E o principal, diga-se: foi escolhido porta-voz do grupo de latino-americanos para encontrar pessoalmente o presidente John F. Kennedy.

Não por acaso, um dos temas preferidos pelos norte-americanos no encontro foi justamente a discussão da Aliança para o Progresso. Na documentação analisada, Martina Spohr pôde constatar que os empresários dos EUA tinham grande interesse em tornar o projeto conhecido (de maneira positiva, obviamente) no Brasil. Por outro lado, os brasileiros aproveitaram o ensejo para criticar certos aspectos da política externa econômica dos Estados Unidos que prejudicavam seus interesses comerciais.

WikiCommons

“Companheiros da aliança”: selo brasileiro emitido em 14 de março de 1966 fazendo referência à Aliança para o Progresso

Além disso, em entrevistas concedidas a jornais após a volta para o Brasil, também é possível perceber “uma certa militância política dos empresários brasileiros”. Uma tentativa, conforme explica Martina, de “conscientizar” a elite econômica brasileira, que se sentia “ameaçada” pelo contexto político do país. “Eles estavam chamando o empresariado a participar do processo. E os norte-americanos incentivavam esse tipo de discurso”, afirma a historiadora.

A pesquisa desenvolvida por Martina, entretanto, não fica restrita à atuação dos empresários brasileiros na conspiração que culminou com a derrubada de João Goulart. Até 1968 — ano que marca a radicalização da ditadura brasileira com a edição do AI-5, a chegada da linha dura ao poder e o consequente afastamento de muitos dos setores liberais que haviam apoiado o golpe —, Paulo Ayres Filho recorrentemente viajaria aos EUA para palestrar nas principais universidades do país, “com o objetivo de trazer algum tipo de legitimidade para o novo governo do Brasil”.

Apesar do apoio norte-americano, parcelas do establishment internacional estavam questionando o regime brasileiro pelo rompimento institucional e inconstitucional que representou o golpe de 64 e a tomada do poder pela força. “Havia uma busca desse empresariado para tentar justificar a ‘revolução’. E não só nos EUA; eles também foram para países como Alemanha e França”, assinala Martina Spohr.

Golpe de 64: ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’ completa 50 anos; saiba quem a financiou e dirigiu

Fonte: Opera Mundi

Felipe Amorim e Rodolfo Machado/Última Instância | São Paulo – 21/03/2014 – 06h00

Tidas como protagonistas do movimento que depôs João Goulart, organizações femininas lideradas por mulheres de classe média eram, na verdade, financiadas e instruídas pelos homens da elite empresarial-militar que queriam derrubar Jango

Há 50 anos, em 19 de março de 1964, era realizada na cidade de São Paulo a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Estima-se que entre 500 mil e 800 mil pessoas partiram às 16h da Praça da República em direção à Praça da Sé, no centro, manifestando-se em resposta ao emblemático comício de João Goulart, seis dias antes, defendendo suas Reformas de Base na Central do Brasil. Passaram à história como as genuínas idealizadoras e promotoras da marcha organizações femininas e mulheres da classe média paulistana. No entanto, por trás deste aparente protagonismo feminino às vésperas do golpe que deu lugar a 21 anos de regime ditatorial, esconde-se um poderoso aparato financeiro e logístico conduzido por civis e militares que tramavam contra Jango. Um detalhe: quase todos eram homens.

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Certamente, a atuação de alguns grupos femininos como “pontas-de-lança” da opinião pública contra o governo Goulart foi peça-chave na conspiração levada a cabo pelo complexo empresarial-militar do Ipês-Ibad (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais – Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Destas instituições femininas, as principais eram: a carioca CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) e as paulistas UCF (União Cívica Feminina) e MAF (Movimento de Arregimentação Feminina).

Conforme disseca a historiadora Solange Simões em seu livro Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964, a inserção das mulheres na conspiração que resultou no golpe foi estratégica. Com o intuito de fomentar uma atmosfera de desestabilização política e convencer as Forças Armadas a intervir, as campanhas femininas buscavam dar “espontaneidade” e “legitimidade” ao golpismo, tendo sido as mulheres incumbidas — pelos homens — de influenciar a população.

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“Aqueles homens, empresários, políticos ou padres apelavam às mulheres não enquanto cidadãs, mas enquanto figuras ideológicas santificadas como mães”, escreve a pesquisadora. A própria dona Eudóxia, uma das lideranças femininas, reconhece, em entrevista à historiadora, sua função tática:

Nós sabíamos que como nós estávamos incumbidas da opinião pública, os militares estavam à espera do amadurecimento da opinião pública. Porque sem isso eles não agiriam de maneira nenhuma. A não ser que a opinião pública pedisse. E foi isso que nós conseguimos.

Graças a uma bem-sucedida ação, eventos considerados aparentemente “desconexos” foram tomados como “reações espontâneas” de segmentos da população. Na verdade, essas manifestações apresentavam uma sólida coordenação por parte da elite.

Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

Protagonismo feminino? Mulheres estavam na linha de frente da marcha, mas quem dirigiu e organizou foram os homens do Ipês

Neste sábado (22/03), 50 anos depois, haverá uma reedição da emblemática marcha, organizada por manifestantes e ativistas que acreditam haver no Brasil uma revolução comunista em processo e veem na intervenção militar a única saída.

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Elite econômica que deu golpe no Brasil tinha braços internacionais, diz historiadora

Veja abaixo os principais aspectos desse movimento feminino que esteve à frente da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964.

1.) COMO SURGIU E QUEM LIDERAVA?

Quem eram, afinal, essas mulheres que despontavam na rua, em passeatas e comícios, como “donas-de-casa” e “mães-de-família brasileiras”, envolvidas na conspiração civil-militar? Já chamadas de “guerrilheiras perfumadas” ou confundidas com mulheres “das classes médias”, as direções dos movimentos eram constituídas, essencialmente, por mulheres com baixa formação intelectual da burguesia e das elites militares e tecnoempresariais.

Essa ala feminina do golpe foi criada meses antes das eleições gerais de outubro de 1962. Suas principais líderes eram parentes próximas dos grandes nomes do setor empresarial e militar envolvidos na conspiração. Contaram, obviamente, com todo o aparato financeiro e logístico de seus cônjuges, primos e irmãos para erguer suas instituições. “O meu marido me incentivava: ‘Eu ajudo no que precisar’, dizia ele”, relembra em entrevista concedida a Solange Simões, a vice-presidente da CAMDE, Eudóxia Ribeiro Dantas, mulher de José Bento Ribeiro Dantas, empresário ipesiano presidente da Cruzeiro do Sul, uma das maiores companhias aéreas do país.

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Do lado carioca, por exemplo, a CAMDE foi criada por Amélia Molina Bastos, irmã do general Antônio de Mendonça Molina, do setor de informação e contrainformação do Ipês. A ideia partiu declaradamente do vigário de Ipanema, Leovigildo Balestieri, e dos líderes ipesianos engenheiro Glycon de Paiva e general Golbery do Couto e Silva. A CAMDE foi lançada no auditório do jornal O Globo, no Rio, oferecido por seu diretor-proprietário, Roberto Marinho. Na manhã do dia 12 de julho de 1962, o periódico carioca estampava na capa: “A Mulher Brasileira está nas Trincheiras”.Já em São Paulo, nas reuniões de fundação da UCF, compareceram figuras como: Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, diretor-proprietário do jornal O Estado de S.Paulo, e Regina Figueiredo da Silveira, primeira presidente da união paulista e irmã do banqueiro João Baptista Leopoldo Figueiredo, presidente do Ipês e primo do último presidente do ciclo militar.

2.) EM TERMOS PRÁTICOS, O QUE FIZERAM?

Desde sua fundação, a CAMDE carioca e a UCF paulista se engajaram na ação política de combate e desestabilização do governo Goulart, orientadas ideologicamente e materialmente pelocomplexo Ipês-Ibad.

“Caravana a Brasília”: pelo veto a Santiago Dantas

Em 1962, as mulheres organizaram uma “Caravana a Brasília” com o objetivo de formar um efetivo “coro popular” para impedir a posse de San Tiago Dantas como primeiro-ministro. Esse movimento integrava parte da política de rejeição, pela elite, de uma composição com a ala moderada do trabalhismo. Para tanto, entregaram ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, 60 mil cartas pedindo a não aprovação do plebiscito antecipado, bem como o impedimento da delegação de poderes ao conselho de ministros, fundamental à continuidade das Reformas de Base do governo Goulart.

Reprodução/Mestrado Dharana Pérola Ricardo Sestini

A primeira-dama de SP, dona Leonor de Barros (cent.), ladeada pelos deputados Herbert Levy (últ. à dir.) e Cunha Bueno (penúlt. à dir.)

Boicote ao Última Hora, o “diário da guerra revolucionária”

Um dos poucos jornais que se atreveram a criticar a tentativa de deturpar o processo eleitoral por parte dessas organizações femininas, o Última Hora, de Samuel Wainer, foi sistematicamente perseguido pela CAMDE e UCF. Caracterizando o periódico como “o diário da guerra revolucionária que se travava no Brasil”, as senhoras passaram a formar comissões de visitas a empresários, industriais e comerciantes que anunciavam no jornal, pedindo para que suas verbas publicitárias fossem suspensas. A coordenação dessa campanha de boicote foi feita em grande parte em sincronia com o Ibad, liderado pelo integralista Ivan Hasslocher, outra figura central na campanha anti-Jango. Hasslocher se exilou em Genebra depois de comprovados, pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de 1963, os atos de corrupção de seu instituto no processo eleitoral de outubro de 1962.

“Marchas da Família com Deus pela Liberdade”: quem convocou, dirigiu e financiou

Logo após o discurso de Goulart na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, a CAMDE se engajou em campanhas por telefone, incitando as mulheres a permanecerem em casa e acenderem velas em suas janelas como sinal de protesto e fé cristã. A massiva “Cruzada do Rosário em Família”, do padre norte-americano Patrick Peyton, pároco de Hollywood, foi o ensaio-geral para as marchas anticomunistas de abril e março de 1964, fundadas no lema “A família que reza unida permanece unida”.

Seis dias depois do comício de Jango, em 19 de março, data em que se comemora o dia de São José, padroeiro da família, realizou-se em São Paulo a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, coroando o auge dos esforços das associações femininas orientadas pelo Ipês.[“Marcha da Família com Deus pela Liberdade” percorre o Viaduto do Chá, no centro de São Paulo]

A marcha reuniu entre 500 mil e 800 mil pessoas para protestar contra o comício de Goulart na Central do Brasil. A idealização da marcha partiu do deputado federal Antônio Sílvio Cunha Bueno (PSD), um grande proprietário de terras e diretor da norte-americana Willys-Overland Motors do Brasil, cuja matriz ficou famosa pela fabricação, em parceria com a Ford, do jipe usado pelos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. Ao contrário da propagandeada supervalorização do papel dessas mulheres na condução dos protestos, a organização da marcha não ficou a cargo nem da UCF nem do MAF, ambas entidades sediadas em São Paulo. Quem levou o evento adiante foi o próprio Cunha Bueno, além de outros políticos paulistas, como o vice-governador Laudo Natel, Roberto de Abreu Sodré (UDN) e Conceição da Costa Neves (PSD), deputada mais votada no estado nas eleições de 1962.

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Acompanhados de suas esposas, políticos importantes se fizeram representar nas marchas: Adhemar de Barros e sua mulher, dona Leonor; além de Carlos Lacerda, governador do Rio, e dona Letícia. O deputado Herbert Levy, integrante da UDN e líder do Ipês, bradava: “o povo não quer ditaduras, o povo não quer comunismo, o povo quer paz e progresso”. Cunha Bueno discursava: “Todos vocês nessa praça representam a pátria em perigo de ser comunizada. Basta de Jango!”.

Em São Paulo, os banqueiros Hermann Morais Barros (Banco Itaú), Teodoro Quartim Barbosa (Comind) e Gastão Eduardo Vidigal (Banco Mercantil), líderes ipesianos do primeiro escalão, ficaram incumbidos de articular e obter adesão das entidades de classe de todo o país para as marchas.

“O Ipês de São Paulo também fez contribuições diretas e em dinheiro para o movimento feminino: consta do relatório de despesas de 1962 e do orçamento de 1963 uma contribuição mensal para a UCF”, conclui a historiadora Solange Simões.

A organização logística da marcha foi feita no prédio da Sociedade Rural Brasileira, supervisionada pelo Ipês e contando com a presença de membros de diversas entidades patronais e associações industriais. No bem aparelhado quartel-general do movimento feminino fizeram-se ainda pôsteres, cartazes e bandeiras com as seguintes palavras de ordem:

Abaixo o Imperialismo Vermelho
Renúncia ou Impeachment
Reformas sim, com Russos, não
Getúlio prendia os comunistas, Jango premia os traidores comunistas
Vermelho bom, só o batom
Verde, amarelo, sem foice nem martelo

Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

Cartaz na marcha estampava “Vitória da Democracia”; golpe que derrubou presidente eleito viria semanas depois

3.) HOUVE PROTAGONISMO FEMININO?

Uma vez vitorioso o golpe de Estado de 1º de abril de 1964, foi deflagrada a chamada “Marcha da Vitória”, reunindo 1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro. Logo no dia 3 de abril, o líder do Ipês João Baptista Leopoldo Figueiredo, que estava em reunião na Guanabara na qual discutiam aescolha do “novo candidato” à presidência, telefonou para sua irmã Regina Figueiredo Silveira, presidente da UCF. Motivo: o banqueiro primo-irmão do último presidente militar solicitava à irmã-ativista que o lançamento da candidatura de Castello Branco fosse feito pela própria UCF.

Paulo Ayres Filho, outro líder ipesiano e empresário da indústria farmacêutica, ficou incumbido de elaborar, junto com uma equipe da UCF, o manifesto feminino de apoio ao marechal, levado às estações de TV e jornais pelas senhoras.

O general Olympio Mourão Filho, que marchou de Minas Gerais em 31 de março, antecipando-se ao plano dos conspiradores do eixo Rio-São Paulo, comentou, sobre as marchas das mulheres, que “como todos os homens que participaram da revolução, nada mais fez do que executar aquilo que as mulheres pregavam nas ruas para  acabar com o comunismo”. Cordeiro de Farias foi ainda mais longe, de acordo com Solange Simões, “ao afirmar que a revolução foi feita pelas mulheres”.

Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

Generais que participaram do golpe de 64 exergam protagonismo feminino como ponto central para o sucesso do movimento

Historiadores que estudaram o período são mais céticos: não veem a movimentação das mulheres como sintoma do engajamento universal da população brasileira no combate a Jango. Na verdade, essas mulheres, teriam funcionado como massa de manobra dos conspiradores — todos homens — para criar uma sensação de “espontaneidade” e “clamor popular” apta a dar “legitimidade” ao novo governo. Como aponta a pesquisadora Solange Simões, a marcha foi “ostensivamente uma manifestação das classes média e alta”. E mais: foi muito restrita, pois em uma cidade de 6 milhões de habitantes, como São Paulo, apenas 500 mil pessoas participaram.

Até o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, notório por seu apoio ao golpismo, percebeu a falta de apoio popular no movimento, conforme relata a Washington em um telegrama de 2 de abril de 1964: “A única nota destoante foi a evidente limitada participação das classes mais baixas na marcha”. Seu espião militar no Brasil, o coronel Vernon Walter também atesta que, até a realização das passeatas, havia um receio de que o movimento para derrubar João Goulart fracasse por falta de apoio popular.

Desferido o golpe em 1º de abril, as marchas do Rio e São Paulo foram seguidas de outras menores, organizadas pelas associações femininas em Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Santos.

“Se antes os maridos enalteciam o papel de mãe e esposa para manter a mulher no lar e discriminadas na esfera pública, passam agora a enaltecer aquele papel para comprometê-la na ‘política’”, arremata Solange Simões. Assim, revelando o ilusório protagonismo vislumbrado pelo espetáculo dessas marchas de massivas mobilizações, “a ‘mulher-dona-de-casa’ que respeitava, no lar, a autoridade do chefe da família, deveria, enquanto mulher-cidadã procurar a autoridade do Estado – autoridade que residia principalmente no seu braço armado”, conclui a historiadora.

(*) Principais fontes: René Armand Dreifuss (‘1964: A conquista do Estado: Ação Política, Poder e Golpe de Classe’) e Solange de Deus Simões (‘Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964’)

Is the New BRICS Bank a Challenge to US Global Financial Power?

Publicado em 18 de jul de 2014

Michael Hudson and Leo Panitch discuss and debate the significance of the new international development bank created by Brazil, Russia, India, China and South Africa

Fonte

Nobel Economist Joseph Stiglitz Hails New BRICS Bank Challenging U.S.-Dominated World Bank & IMF

Publicado em 17 de jul de 2014

http://www.democracynow.org – A group of five countries have launched their own development bank to challenge the U.S.-dominated World Bank and International Monetary Fund. Leaders from the so-called BRICS countries — Brazil, Russia, India, China and South Africa — unveiled the New Development Bank at a summit in the Brazilian city of Fortaleza. The bank will be headquartered in Shanghai. Together, BRICS countries account for 25 percent of global GDP and 40 percent of the world’s population. To discuss this development, we are joined by Nobel Prize-winning economist Joseph Stiglitz, a professor at Columbia University and the World Bank’s former chief economist. “It’s very important in many ways,” Stiglitz says of the New Development Bank’s founding. “This is adding to the flow of money that will go to finance infrastructure, adaptation to climate change — all the needs that are so evident in the poorest countries. It [also] reflects a fundamental change in global economic and political power. The BRICS countries today are richer than the advanced countries were when the World Bank and the IMF were founded. We’re in a different world — but the old institutions haven’t kept up.”

This video is an excerpt from the Democracy Now! interview. Watch the full segment here: http://www.democracynow.org/2014/7/17…

Democracy Now!, is an independent global news hour that airs weekdays on 1,200+ TV and radio stations Monday through Friday. Watch our livestream 8-9am ET at http://www.democracynow.org.

Corte Interamericana de Derechos Humanos condena a Chile en caso Mapuche vs República de Chile

Publicado Originalmente em: 29/07/2014

San José, Costa Rica, 29 de julio de 2014.- La Corte Interamericana de Derechos Humanos (Corte IDH) notificó hoy su condena del Estado chileno por violaciones a los derechos humanos de integrantes del pueblo Mapuche en el caso Norin Catriman y otros vs la República de Chile. La FIDH saluda y reconoce esta valiosa decisión.

Este fallo sienta un precedente en la región ya que constituye un importante reconocimiento por la Corte IDH del fenómeno de criminalización de la protesta social en regímenes democráticos en América Latina señaló Jimena Reyes, Responsable de la Oficina para las Américas de la FIDH y abogada del caso. “ Se abre un camino a la condena de este tipo de prácticas lamentablemente extendidas en nuestro continente ” acotó.

La Corte IDH condena al Estado Chileno al considerar, entre otras, que las sentencias condenatorias expedidas en contra de las víctimas de este caso -determinando su responsabilidad penal por delitos de supuesto carácter terrorista- fueron emitidas fundándose en una ley antiterrorista violatoria del principio de legalidad y del derecho a la presunción de inocencia.

La Corte también encontró que en la fundamentación de las sentencias condenatorias se utilizaron razonamientos que denotan estereotipos y prejuicios, lo cual configuró una violación del principio de igualdad y no discriminación. Adicionalmente, la Corte encontró que se produjeron violaciones al derecho de la defensa y del derecho de recurrir de esos fallos penales condenatorios. Todo ello hace que esas condenas fuesen arbitrarias e incompatibles con la Convención Americana.

La FIDH junto con dos otros abogados representó ante la Corte a cinco de las ocho víctimas del caso: los dos Lonkos Ciriaco y Pichun, y los Mapuche y activistas José Huencunao, Jaime Marileo y Patrico Marileo, militantes por la recuperación de las tierras de sus comunidades condenados en el 2002 y 2003 a largas penas por los delitos de “amenaza terrorista” e “incendios terroristas”.

La FIDH acoge con satisfacción que la Corte haya confirmado en su sentencia que las condenas por terrorismo de nuestros representados constituyeron un acto de discriminación racial mediante el cual se criminalizó la protesta social de miembros del pueblo indígena mapuche, esto teniendo como posible efecto el amedrentamiento de la expresión de reivindicaciones mapuche de recuperación de las tierras ancestrales.

Al regreso de la democracia, y frente a las constantes negativas de los tribunales de reconocer los títulos de propiedad de los Mapuches y al impacto de los proyectos de inversión forestales, hidroeléctricos y camineros que los gobiernos realizaron sin proceso de consulta, los Mapuches respondieron mediante movilizaciones en defensa de sus derechos. A partir de 1992, los gobiernos empezaron a criminalizar la protesta Mapuche, y desde 2001 mediante la aplicación de la Ley Antiterrorista a sus autoridades, dirigentes y miembros, destinadas a debilitar las movilizaciones y protestas sociales emprendidas para recuperar sus territorios ancestrales.

La FIDH celebra esta memorable decisión, no obstante, manifiesta su preocupación por las extensas violaciones de los derechos económicos, sociales y culturales que siguen afectando particularmente a los grupos más vulnerables como las comunidades indígenas de América Latina señaló Karim Lahidji, Presidente de la FIDH.

Aquí el resumen oficial:corte idh mapuche.jpg

Acceda al fallo completo aquí

Fonte: fidh

Nuclear Attack on Japan was Opposed by American Military Leadership – Gar Alperovitz on RAI (2/5)

Mr. Alperovitz tells Paul Jay that President Truman used the A-bomb to make a “diplomatic” point to the Soviet Union, not out of military necessity –  

January 24, 2014

JAY: And one more time, Gar is the Lionel R. Bauman Professor of Political Economy at the University of Maryland and the cofounder of the Democracy Collaborative. He’s also the author of several books, including America beyond Capitalism, The Decision to Use the Atomic Bomb, and his most recent, What Then Must We Do? Straight Talk about the Next American Revolution.So thanks for joining us again.ALPEROVITZ: Thank you.JAY: So let’s jump to the chase about the bomb. Your basic thesis was that Japan had already–essentially was ready to negotiate its surrender, and the bomb was not necessary to end the war. The contrary narrative is the bomb saved thousands of American lives, and this is war, and this is what you do in war in order to save your soldiers.ALPEROVITZ: Yes. I think it’s very clear now that the atomic bomb was totally unnecessary. The reason I say that is the intelligence studies which were available to the president in July 1945–the bomb was used in August–said very clearly that when the Russians entered the war in Japan–and we had asked them to come help, and they were about to help, the first week of August–that’s the date they were supposed to come in. When that happens, this will precipitate a collapse and a crisis in Japan. They’re already trying to get out of the war. They know they can’t face the Russian army and us. That will end the war. The only thing you need to do is be sure to say you’re not going to harm their emperor, because he’s a god in their culture. And if you give that kind of assurance when the Russians come in, the war is over. American policy leaders understood that. They know that. Every historian whose studied it knows these documents are now available. So they had it available.And more important than that, the invasion, which might have cost 25,000 lives, 30,000–that’s the estimates (it was later exaggerated to 1 million)–couldn’t take place for another three months because of the weather, because of getting troops. So it was easy to test whether or not the intelligence was correct. The Russians were coming in. And we knew they were going to–everyone said that the war was going to end. That was the top military understanding. And they used the bomb anyway.So I think that’s–the story is pretty clear now. Most historians know the bomb was unnecessary. There is a big debate about why it was used.JAY: Well, that was my next question. So if it’s to make a political point, what’s the point?ALPEROVITZ: Well, the documents are less clear about this, but what looks to be–there are many, many documents that say, look, this is going to give me “a hammer on those boys”, meaning the Russians. That’s the president talking. Another one says this is the–.JAY: This is Truman.ALPEROVITZ: Truman. His secretary of war says, this is the “master card” of diplomacy against the Russians, the atomic bomb. There are many, many documents that strongly suggest–particularly the secretary of state, James F. Byrnes, understood that the bomb was more a diplomatic tool than a military tool. The chief of staff of the U.S. Army and the Combined Chiefs, General Marshall, said, this is not a military decision. It has nothing to do with the military. It may be a diplomatic, political, other kind of decision, but it’s not a military decision.So, interestingly, the military–and I mentioned this, I think, in our last discussion–virtually all the major American military leaders went public after the war saying the atomic bomb was totally unnecessary. Some called it barbaric. The president’s chief of staff went public. Can you imagine the chief of staff saying–and he was a good friend of the president–said, this is barbarism. I wasn’t taught to kill children and women. So that’s very clear.The strongest evidence is–and you can’t prove this with the available documents–that it was mainly aimed at the Russians because they wanted to use it as political pressure and a political weapon, both in Eastern Europe and in Asia, where the Cold War really was started.JAY: And even though the Americans had been asking the Russians to get involved in Japan for a long time, it must have not been something they wanted, “The Russians Win the War with Japan”–that would not be a headline they would like to see.ALPEROVITZ: Right. And, indeed, they wanted them in because the bomb was a theory until it was tested–might not work. Who knew? And how well would it work? So they were begging the Russians to come in. And the instance it worked, they went ahead and used it.Moreover, they had planned to give the emperor assurances so that they could end the war quickly. And as soon as the bomb worked, they took that out of the documents, too, that they asked the Japanese to surrender. It made a big propaganda thing. But they took out the key point that we wouldn’t harm their emperor-god. And everyone knew if you did that, they would keep fighting forever.So it’s not a very–it’s a very unpleasant story about American diplomacy, to say the least.JAY: Yeah, and the psyche and the potential sociopathy of the presidency and the opening of decades of Cold War that often brought the world to the brink of nuclear war.ALPEROVITZ: Yup. It’s the beginning of it all.The thing that I think’s important to understand, because these people were ordinary human beings–the president, his secretary of state, they were not evil guys. They were caught up in an ideology that somehow, if we followed American strategy, we could save the world from another war, and the Russians are, they believe, communist devils. So they were operating out of a framework of ideology that dominated their thinking to the extent that 300,000 civilians were burned unnecessarily, killed. But it’s a mistake to see them just as bad guys. Much more important is: how does American corporate capitalism develop that ideology? And what does it really take to reach much deeper than good guys and bad guys?JAY: There’s a great deal of detail one can get into on this, but–and as I say, we’re going to get into kind of other themes in the rest of the interview. But one part of this I think is important, because you can see it show up again and again in other examples. Your book established things fairly definitively. And since, there have been other books that have established and reinforced your findings, there have been other research. As you say, I think most historians that have studied this have come to the same conclusion, that the bomb wasn’t necessary to end the war.The mass media narrative, the educational narrative is the exact opposite. Any article that talks about this talks about the bomb saved American lives in such and such. Your entire critique is as if it never happened in most mass media.ALPEROVITZ: Mass media is true. Some–they’re now having–I get high school inquiries all the time from students who are being asked to write papers about this, and they’re being given–they wouldn’t get to me unless they were being given my research materials and so forth. So in various parts of the country, there’s something going on, and particularly the younger generation. But the mass media, except for one program done by ABC that I happened to work with and consult with, Peter Jennings, before he died, opened up this issue just once.JAY: And this is the media just knowing that their job is to make sure the American narrative is not questioned, the official narrative doesn’t get challenged?ALPEROVITZ: No, I think what happens–.JAY: Or are they ignorant of the work?ALPEROVITZ: Partly ignorant. I think what really happens is there are right-wing historians who, of course, disagree, and they write big, long books. And here’s another book–even though this is the common view in many parts of the world now outside the United States, the media people are caught between this guy and that guy, and they take the cautious road. They don’t know enough of the–they don’t want to make the judgments. They don’t want to dig deep enough into it.JAY: But there’s also partly not wanting to believe that your president is capable of such a thing.ALPEROVITZ: I think so, yes. That’s part of it as well.JAY: I mean, I remember having a discussion/debate with a relative of mine just before the Iraq War, and I was saying, there is simply no evidence of weapons of mass destruction. Just listen to Hans Blix. He’s saying there’s nothing there. Blix keeps saying, if you know where they are, tell me; I’ll go find them. And he–you know, this relative looks me in the eye and says, there is just no way I can believe that my president knowingly would start a war based on a lie. As much is he didn’t like Bush, he votes Democrat, he just couldn’t believe–.ALPEROVITZ: That’s right. I think that is true. I think you put your finger on something. It’s very hard to believe that people would have actually done this, because it is such a brutal and vicious thing to do.It goes further. And here’s how. This is what really caught me up. After the atomic bombs were used, after the Japanese had surrendered publicly (Radio Tokyo) but before their formal papers had passed–the war was over–the United States ordered, the president ordered the largest bombing raid in world history, 1,400 bombers. It did more damage than probably Hiroshima. But the sense that people would actually do that–. I remember putting that on my mirror [incompr.] I just couldn’t believe it either.JAY: And how do the right-wing historians rationalize this?ALPEROVITZ: They just ignore it. It’s just ignored.JAY: This idea that my president could never do such a thing, it’s a narrative that’s so protected–. You must know the example of–it came out in the Johnson tapes that Nixon had deliberately scuttled Johnson’s negotiations with the North Vietnamese. And Johnson was very close to an end of the Vietnam War, and Nixon sends an emissary to the North Vietnamese saying, if you sign with Johnson, I’m the next president. I’m not going to go along with the agreement, but I will make the deal with you. And so the North Vietnamese don’t make the deal with Johnson, and, of course, Nixon doesn’t make the deal, and tens of thousands of Americans are killed, but hundreds and hundreds of thousands of Vietnamese and Cambodians. And same thing; I mean, people say, well, could–would a president of mine really deliberately do such a thing? And the answer is: yeah.ALPEROVITZ: Yep. It is–and case by case. Some of them would–and some of them believing it was the right thing to do. I mean, that’s Truman. Truman thought he was doing good, not bad.So that’s–see, that’s what gets really–they actually do it. It’s very hard to believe. And then, how did they [incompr.]JAY: But Truman worked–you know, he’s Roosevelt’s vice president. Roosevelt says, we can work with the Russians. Roosevelt did work with the Russians. There’s a whole culture of–you know, even with–I mean, Wallace is on the outs by then, who was–had previously been Roosevelt’s vice president. But, I mean, it wasn’t such a–you know, but we had not gotten yet to McCarthyism and such. You know, Truman didn’t have to go there. But there’s a very deliberate attempt to create this hysteria.ALPEROVITZ: Yes. What Truman was–Truman was very different from Roosevelt from the beginning. I mean, during the war he publicly, in the Senate, made a speech saying, what we should do is aid the Russians so they can kill more of the Nazis and aid the Nazis to kill the Russians. I mean, he had a very different mentality, and his secretary of state had a different mentality. The whole Roosevelt crew was dumped out as soon as Roosevelt died, and that mentality came into office. It took them a long while to bring the country with them on lots of issues. It took them two or three years to really get the country behind them, because the country didn’t buy that. That was not accepted.JAY: Now, we were talking about the role of the media in kind of keeping to this official narrative. And I saw in The New York Times just the other day, there’s a story about Syria, and there’s a paragraph in the article, Syria having used chemical weapons, da-da-da-da-da. Now, as far–unless I missed something here, there is still no evidence that the Syrian government used the chemical weapons. Now, I’m fully–could believe that they could. I have no great illusions about Assad and the Syrian government. But as far as I know, there’s no evidence. And, in fact, there’s lots of evidence that it might have been somewhere on the opposition side used them. But it’s just–it’s that paragraph’s in the article, the Syrian government used chemical weapons ba-pa-da-bup-bup-ba, and it becomes the narrative.ALPEROVITZ: Yes, it does. I mean, on these issues the easy way to go for the press is to go that direction rather than to dig and oppose the conventional wisdom or the presidential–. And that gives them access. If you start raising questions–Seymour Hersh has been having trouble because he’s trying to raise these issues that–you know, the great investigative journalist is now having trouble getting some of his things out and he’s publicly going to using the London Review of Books.JAY: It’s still the echo of the Cold War, isn’t it? Like, if you get off the official narrative, then what’s your agenda?ALPEROVITZ: Yeah.JAY: You know, you’ve got your own political agenda. And, you know, there’s still this, you know, kind of Cold War mentality.ALPEROVITZ: You know, and journalists wanting to protect their access to key people in the government, who they need, they think, to get their stories rather than to dig, dig, dig. It’s best not to raise certain issues.JAY: Right. Okay. We’re going to move on now to the next segment, where we’re going to look at this–what Gar has been spending most of his time for the last few years working on, which is what would a new economy look like and what would America after capitalism look like, and also how do we get there.

Fonte: The Real News Network