A Natureza está Falando

Postado por em 01/11/2016 por Felipe Poli Rodrigues

 

A Montanha

O Gelo

 

O Lar

 

A Amazônia

 

A mãe Natureza

 

 

A Água

 

 

O Oceano

 

 

A Flor

 

 

O Recife de Coral

 

O Solo

 

A Floresta

 

 

Fonte: Conservation

A Rebelião das Águas

Postado em 01/12/2016 por Felipe Poli Rodrigues

 

Fonte: Envolverde

A Natureza Está Falando

A Natureza Está Falando

Publicado em 29/11/2016 por felipe poli rodrigues

Fonte: Envolverde

COP22: “E agora, José”?

Postado por Felipe Poli Rodrigues em 19/11/2016

Postado originalmente em 19/11/2016

O Greenpeace Brasil produziu um relatório com as perspectivas do País no futuro e o que o aquecimento global vai causar em terras brasileiras.

Durante a COP 22, o Greenpeace Brasil divulgou um relatório chamado “E agora José?”, que traz projeções dos impactos do aquecimento global no País. Apesar da meta do Acordo de Paris ser limitar o aumento da temperatura a no máximo 1,5ºC, as medidas acordadas nos levariam a um planeta até 3ºC mais quente. E o pior, mesmo se conseguirmos limitar o aumento, ainda assim haverá impactos severos.

Paulo Adário, membro do Greenpeace International, afirma que para impedir aumentos severos de temperatura, precisamos reduzir e acabar com as emissões, principalmente no setor da agropecuária. “Precisamos parar de só falar e fazer mais. As NDCs brasileiras não são ambiciosas o suficiente”, disse. O relatório foi uma tentativa de resumir os impactos das mudanças climáticas no Brasil.

Presente na conferência, o Senador Jorge Viana, do Acre, afirma que o debate sobre o clima perdeu força dentro do Congresso por causa da crise econômica no País. “Vivo na Amazônia e já sinto na pele as mudanças. Precisamos ter uma agenda para isso, é uma agenda nacional e não ambiental. Assumo aqui o compromisso de levar esse debate para o Senado”, ele falou. Resta agora esperarmos o posicionamento dos políticos brasileiros e os pressionarmos para focarem em iniciativas de desenvolvimento sustentável.

Confira as projeções do Greenpeace para cenários de aumento da temperatura.

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Aquecimento de 1,4ºC

Se a temperatura subir 1,4ºC vai causar Aumento do fluxo migratório em até 8%, principalmente no Nordeste, onde as pessoas teriam que migrar devido ao estresse hídrico. No Rio de Janeiro e Espírito Santo o aumento do nível do mar irá deixar algumas cidades debaixo d’Água, sendo necessária a migração dos habitantes. Mato Grosso do Sul e Tocantins também seriam afetados por temperaturas muito altas e falta de água, levando a saída da população.

Além disso, o Brasil enfrentará problemas com a produção de energia. O aquecimento irá impactar as bacias das hidrelétricas, o que vai aumentar os custos. A Bacia do Amazonas perderá 72% da sua vazão, enquanto a Bacia do São Francisco e de Itaipu diminuirão a vazão em 41% cada.

Aquecimento de 3ºC a 4ºC

Nesse caso, haveria uma perda de R$ 278 bilhões com eventos extremos, segundo o relatório divulgado pelo Greenpeace. O calor aumentará a área de disseminação de doenças tropicais, como dengue, chikungunya, leishmaniose e malária. Maiores períodos de seca, que afetarão principalmente idosos e crianças, com diarreia e desnutrição. Muitas áreas sofreriam desertificação, causando migração de refugiados climáticos.

Prejuízos de até R$ 270 bilhões em áreas costeiras por causa do aumento do nível do mar. No Brasil, Rio de Janeiro e Santos seriam as cidades mais afetadas, com danos em estações de tratamento de água, hospitais, transporte público e centros policiais e da marinha. Grande parte desses estados ficaria submersa.

Com a temperatura 4ºC mais quente do que agora, haverá aumento de 16% do risco de extinção da biodiversidade brasileira. Também causará a extinção das abelhas nativas, o que pode levar a um desequilíbrio ambiental, já que esses insetos são grandes responsáveis pela polinização das plantas.

Desastres climáticos

Entre 1991 e 2010, segundo dados da segurança pública divulgados pelo Greenpeace, cerca de 96 milhões de brasileiros foram afetados por desastres climáticos e houveram 2475 mortes. A maior parte dos desastres estavam relacionados a inundações ou seca extrema.

No entanto, entre 2001 e 2010, foi registrado um aumento de 168% dos desastres em relação à primeira década analisada (1991-2001). Isso se deve ao aumento que já ocorreu na temperatura e, portanto, a tendência é que desastres aconteçam com cada vez mais frequência.

Impacto na Amazônia

Na Amazônia, o aquecimento acontece de forma mais rápida. Caso aumente 2ºC na temperatura global, significa um acréscimo de 5,4ºC na temperatura da floresta amazônica. Com as medidas atuais, a expectativa do Greenpeace é de um aumento de até 8ºC na Amazônia, situação que levaria a savanização da floresta. Um cenário péssimo, que significa perder espécies, biodiversidade e árvores. Seria trocar a maior floresta tropical do mundo e caminhar rumo a uma paisagem mais desértica.

Fonte: Envolverde

Hidrelétricas: O futuro energético ainda dependerá delas?

Postado por Felipe Poli Rodrigues em 18/11/2016

Postado originalmente em 18/11/2016

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Reduzir a emissão dos  dos GEEs (gases de efeito estufa) em 37% em 2025 e em 43% em 2030, , números estimados em relação a 2005, segundo definido no Acordo de Paris ratificado recentemente,   exigirá uma série de ações, mas também de novas escolhas. Isso significa que, não só em Marrakech, durante a realização da COP 22, mas pelos próximos anos, o Brasil deverá buscar as melhores soluções para cumprir com a meta prevista na sua NDC.

O sistema energético  brasileiro é atendido fundamentalmente pela geração hidrelétrica, complementado por usinas térmicas e fontes renováveis, como a energia eólica, a energia solar, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e também por meio da da biomassa, principalmente o obtido do bagaço de cana. De toda maneira, ainda se aposta na- hidroeletricidade como a matriz energética com maior  probabilidade para atender o crescimento econômico esperado para os próximos anos, em termos de custo (competitividade econômica), viabilidade ambiental, índice de emissões de gases do efeito estufa e confiabilidade no suprimento.

Sendo o quarto maior potencial hidrelétrico do mundo, atualmente a participação da geração hidrelétrica na produção de energia elétrica  consumida no país é de aproximadamente 80%. Informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia indicam que qualquer substituição desta forma de energia refletiria em aumento substancial da parcela de geração na conta de luz dos consumidores, uma vez que, os custos de geração da energia hidrelétrica são inferiores aos preços de outras fontes.

Em relação à emissão de poluentes, segundo dados do Ministério de Minas e Energia, a cada MWh (megawatt hora) gerado, o fator de emissão de CO2 emitido pelas hidrelétricas corresponde a 0.02, o que a colocaria como a menos poluidora, enquanto que o valor referente a termelétrica a gás natural é de 0.45, a óleo é de 0.9 e a carvão 1.10, maior poluidora entre as quatro.

No entanto, apesar das facilidades apontadas pelo Ministério, este ainda encontra uma dificuldade: harmonizar a preservação ambiental com a exploração dos potenciais de energia hidráulica, principalmente na Amazônia, região do país com maior potencial a ser explorado. Esta dificuldade põe em cheque os benefícios da matriz energética, pois, para a instalação da infraestrutura necessária, gera-se alto impacto ambiental, entre eles, podem-se destacar os impactos na fauna e na flora, a inundação de áreas pela criação de reservatórios, a realocação de moradores nas áreas do projeto e as perdas de acervos patrimoniais e culturais.

Referente aos danos que a construção da infraestrutura acarreta, fonte do Ministério de Minas e Energia afirma: “Nos estudos e nos projetos do setor elétrico, são obrigatórias na legislação ações preventivas para mitigar esses impactos e preservar a qualidade ambiental dessas áreas, contemplando saúde pública, educação, saneamento, segurança, habitação e a preservação da biodiversidade, entre outras”.

Dentre os benefícios da instalação de hidrelétricas, informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia enumeram: o desenvolvimento econômico e social da região; o aumento da demanda por serviços, que geraria oferta de empregos para toda a população; aumento da renda e melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade; o crescimento da arrecadação de impostos, que proporcionaria aumento da capacidade de investimentos para as áreas de saúde, educação, segurança e bem estar da comunidade. Após a estabilização da área do empreendimento, especificamente do reservatório, criam-se novas oportunidades de atividades comercias, como turismo, irrigação, pesca e navegação.

Ainda de acordo com a fonte do Ministério de Minas e Energia, desconsiderar esse potencial energético é abrir mão de uma energia renovável, limpa e inesgotável. A energia das hidrelétricas proporcionaria uma vantagem econômica aos brasileiros, pois o país tem a expertise de toda a sua cadeia produtiva, não dependendo de tecnologias de outros países. Além do mais, é considerada uma energia barata que favorece os produtos brasileiros numa competição com outras nações.

Se por um lado ela pode ser vista por um espectro positivo, há quem defenda o investimento em outra fonte energética, uma vez que, acredita no impacto negativo social e ambiental. Alice Amorim, colaboradora do grupo Gestão de Interesse Público, acredita que há várias fontes energéticas ainda não exploradas no Brasil, com externalidades negativas muitos menores quando comparadas com a energia de hidrelétricas. Entre estas fontes, Amorim aponta a solar e a eólica.

O argumento da promoção de benefícios tanto para a comunidade local, como para o país, é refutado por Amorim: “O argumento outrora de geração de emprego, da promoção de “desenvolvimento” não se verifica na prática. Com um modelo de distribuição de demanda tão concentrado nas grandes cidades do sudeste, não faz sentido criar um sistema que não contribui para uma maior autonomia e descentralização de geração de energia”. O custo mais barato do KWH de hidrelétricas não justificaria e compensaria o preço da biodiversidade perdida. O custo mais elevado de energias como a eólica e solar, poderiam vir não só do dinheiro público, mas da iniciativa privada também, afirma Amorim.

Paulo Adario, estrategista Sênior de Florestas do Greenpeace, compartilha da opinião de que a hidrelétrica como principal matriz energética não é a solução para o Brasil. Para ele, o país não precisa expandir as fontes de energia hidráulica. “As hidrelétricas são caríssimas, têm profundo impacto ambiental. Se nós alagamos as áreas permanentes, se mudarmos o fluxo do rio, provocaremos um impacto gigantesco na diversidade de animais. Com a discussão do clima, não estamos só salvando a nossa espécie e tentando parar com este desastre climático. Estamos salvando todas as espécies que estão sendo ameaçadas pela nossa existência e expansão do homem sobre a terra”.

A geração do emprego durante o processo de construção da hidrelétrica é tido como um efeito colateral para Paulo, uma vez que, as pessoas que chegam a cidade geram desmatamento para se instalarem, como na cidade de Altamira, com a construção da hidrelétrica de Belo Monte e posteriormente deixam a cidade. Adario reforçou a importância de uma autoridade brasileira, como o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, ter afirmado durante a COP 22 que as hidrelétricas não são uma solução para a Amazônia.

O  potencial brasileiro em relação a energia solar, a bioenergia, a biomassa e a energia eólica são opções apontadas como energias a serem priorizadas para se ter uma energia limpa. Para que no quadro energético brasileiro prevaleça as energias renováveis, o país precisa fazer mudanças:“ A energia solar ainda tem custos altos, mas que estão desabando muito rapidamente. A China tem produzido placas solares cada vez mais baratas, mas o Brasil precisa começar a produzir suas próprias placas solares e diminuir os impostos. Por ser uma energia renovável, não é justo que pagamos mesmo impostos quando comparada com energias sujas”.

O Brasil indica que buscará alternativas limpas, tendendo a reduzir as energias mais poluentes. O veto do presidente Michel Temer referente ao artigo inserido na Medida Provisória 735, que propunha a criação de um programa de modernização do parque termelétrico brasileiro movido a carvão mineral nacional para implantar novas usinas que entrassem em operação a partir de 2023 e até 2027, surge como uma ação com intuito de cumprir com a redução de poluentes assumida na ratificação do Acordo de Paris.

 

Fonte: Envolverde

Energia limpa? G20 destina US$ 76 bilhões para carvão em nove anos

Postado em 17/11/2016 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 14/11/2016

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Como construir um futuro com menos emissões de carbono e continuar apostando nas fontes energéticas que mais sujam a atmosfera terrestre e afetam o clima global? Aparentemente, para muitos países, esta pergunta faz sentido. Isso porque, a despeito dos compromissos recentes de boa parte da comunidade internacional para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas, esses mesmos países destinaram bilhões de dólares na última década para projetos de usina energética, mineração e infraestrutura para o carvão – um dos combustíveis fósseis mais sujos do mundo.

De acordo com relatório publicado pelo Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC, sigla em inglês) e pela Oil Change International (OCI), os países do G20 – grupo que reúne os países desenvolvidos e as nações emergentes – investiram sozinhos US$ 76 bilhões em projetos de carvão entre 2006 e 2015, localizados principalmente em países como o Vietnã, a Austrália e a Indonésia. Assim, ao mesmo tempo em que anunciam investimentos em projetos de energia limpa em casa, as nações mais ricas do G20 continuam despejando dinheiro em projetos de energia suja fora de casa  (leia mais sobre renováveis nesta edição de Página22, que mostra como essas fontes ainda enfrentam o poder monumental dos combustíveis fósseis).

“Os países não podem fazer jogo duplo com o clima. Eles não podem se vangloriar de reduzir a poluição em casa, enquanto continuam a financiar enormemente o carvão no exterior”, aponta Han Chen, do NRDC. “Essas nações precisam parar de desperdiçar bilhões de dólares em energia suja e colocar mais recursos financeiros nas energias limpas e renováveis e na eficiência energética. Isso criará empregos e protegerá o planeta de uma catástrofe planetária”.

O relatório, apresentado formalmente durante a Conferência do Clima de Marrakech (COP 22), lembra que o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (IPCC, sigla em inglês) alerta que a queima de combustíveis fósseis está contribuindo para o aumento das temperaturas globais.

Considerando o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global em menos de 2 graus Celsius neste século com relação aos níveis pré-industriais, os países precisam acelerar o quanto antes possível a transição para uma economia menos dependente de emissões de carbono, com menor consumo de combustíveis fósseis. Sem a redução substancial dos investimentos públicos em energia suja, qualquer esforço por uma transição para uma economia de baixo carbono fica comprometido.

Segundo o relatório, apenas quatro países do G20 respondem por 80% dos investimentos do grupo em projetos de carvão nos últimos nove anos – China (US$ 25 bilhões), Japão (US$ 21 bi), Alemanha (US$ 9 bi), e Coreia do Sul

(US$ 7 bi). Os maiores beneficiários desses investimentos no período foram a Indonésia (US$ 11 bi), Vietnã (US$ 10 bi) e África do Sul (US$ 7 bi).

O relatório também observou os investimentos futuros do G20 em projetos de carvão. O Japão desponta como o principal investidor de projetos futuros, com pelo menos US$ 10 bilhões previstos para aplicação na próxima década. Para Kimiko Hirata, diretor internacional da ONG Kiko Network, o Japão não pode se orgulhar de competir com a China espalhando energia suja pelo mundo. “Como signatário do Acordo de Paris, o Japão deve parar de financiar o carvão imediatamente e parar de causas problemas de saúde e catástrofes climáticas. O papel internacional do país deve ser apoiar a implementação de energia limpa, e não o carvão, nos países em desenvolvimento”, aponta Hirata.

Um dado curioso diagnosticado pelo relatório é a proporção relativamente pequena de investimentos em projetos de carvão nos países mais pobres. Menos de 2% do financiamento internacional do carvão pelo G20 foi destinado para países desse tipo nos últimos nove anos. Em vez disso, o grosso dos recursos foi destinado para países de renda média e alta, o que contraria uma alegação frequente da indústria carvoeira de que o investimento em carvão serve para incentivar o desenvolvimento econômico de comunidades e nações mais pobres.

Fonte: Pagina22

Perguntas frequentes sobre deslocamentos por mudanças climáticas e catástrofes naturais

Publicado em 16/11/2016 por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente em 11/11/2016

O deslocamento relacionado à mudança climática não é um futuro hipotético — já é uma realidade iminente. Veja respostas a perguntas frequentes sobre o tema.

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O deslocamento relacionado à mudança climática não é um futuro hipotético — já é uma realidade iminente. VeNa medida em que as atividades da 22ª Conferência das Partes (COP22) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) ocorrem em Marrakesh, no Marrocos, seguem abaixo respostas para algumas perguntas frequentes sobre mudanças climáticas e deslocamento.

1.Quantas pessoas já foram deslocadas pelas mudanças climáticas?

Uma média anual de 21,5 milhões de pessoas foram forçadas, a cada ano desde 2008, a se deslocar por causa de intempéries como inundações, tempestades, incêndios florestais, temperaturas extremas.

Milhares de outras pessoas fogem de suas casas no contexto de situações de risco, cujo processo é mais lento, tais como secas ou erosão costeira ligada ao aumento do nível do mar. Existe um alto consenso entre os cientistas de que a mudança climática, em combinação com outros fatores, deverá aumentar o deslocamento de pessoas no futuro.

A mudança climática é também um “multiplicador de ameaças” em muitos dos conflitos atuais, do Sudão do Sul à Somália, do Iraque à Síria. A Primavera Árabe é comumente vista como um acontecimento que levou ao conflito da Síria, mas as pessoas tendem a esquecer da seca de cinco anos no nordeste do país que precedeu a guerra e gerou o deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas.

2.Quais regiões enfrentam maior risco?

Nenhuma região está imune às mudanças climáticas, mas os riscos de deslocamento são maiores para países com alta exposição a perigos e com grandes populações em áreas que não tem capacidade ou recursos para se preparar adequadamente.

A Ásia vivencia mais desastres naturais do que qualquer outra região — em 2015, 85% das pessoas deslocadas por desastres de início súbito estavam no sul e no leste da Ásia. Por exemplo, as inundações nos estados indianos do sul de Tamil Nadu e Andhra Pradesh causaram o deslocamento de 1,8 milhão de pessoas, enquanto o ciclone Komen e as inundações de monção em Mianmar e na Índia levaram, respectivamente, ao deslocamento de 1,6 milhão e 1,2 milhão de pessoas.

No entanto, a Ásia é a região com o maior percentual da população global. Ao considerar o tamanho da população, Vanuatu e Tuvalu foram os mais atingidos em 2015, quando o ciclone Pam deslocou, respectivamente, 55% e 25% das populações dos países. Em geral, os países de baixa e média renda têm o maior número de deslocamentos ligados a desastres, incluindo o contexto das mudanças climáticas.

3.O que é um refugiado por mudanças climáticas?

O termo “refugiado climático” é inapropriado porque, no direito internacional, a palavra “refugiado” descreve pessoas que fogem da guerra ou da perseguição e que atravessaram uma fronteira internacional. As mudanças climáticas afetam as pessoas dentro de seus próprios países, e geralmente criam deslocamento interno antes que atinjam um nível no qual são obrigadas a cruzar fronteiras. Por conseguinte, é preferível fazer referência às “pessoas deslocadas no contexto das mudanças climáticas”.

4.Quantas pessoas serão deslocadas por mudanças climáticas no futuro?

É difícil dizer. O que sabemos é que a extensão e a seriedade do deslocamento muitas vezes dependem do quanto os países estão preparados e de sua capacidade para mitigar os efeitos. Esperamos que a COP22 em Marrakesh ajude a garantir mais rapidez para essas respostas.

5.Como o Acordo de Paris aborda o deslocamento?

O Acordo de Paris inclui três importantes elementos sobre as questões de deslocamento e mobilidade humana.

O preâmbulo do acordo reconhece que a mudança climática é uma preocupação comum à humanidade e inclui uma referência a migrantes, solicitando às partes que respeitem, promovam e considerem suas respectivas obrigações em relação aos migrantes, e outros, ao tomar medidas para lidar com a mudança climática.

O Acordo de Paris contém muitas referências à proteção de pessoas, resiliência de comunidades e a importância dos meios de subsistência. Esses são pontos de acesso essenciais para abordar as causas profundas do deslocamento forçado, como o acesso à água, alimentos, energia e a necessidade de oportunidades de subsistência para permitir que as pessoas permaneçam onde vivem.

Por fim, o Acordo de Paris solicita ao Comitê do Mecanismo Internacional de Varsóvia sobre Perdas e Danos a criação de uma força-tarefa sobre deslocamento. Este grupo de trabalho “desenvolverá recomendações para abordagens integradas com o objetivo de evitar, minimizar e lidar com o deslocamento relacionado com os impactos adversos da mudança climática”. Isso também é um reconhecimento dos perigos do deslocamento e das mudanças climáticas como um fator de deslocamento.

6.O que o ACNUR quer que aconteça na COP22?

O ACNUR gostaria de ver as seguintes questões sendo abordadas em Marrakesh:

  • Recursos suficientes oferecidos para a implementação bem-sucedida e em tempo hábil da força tarefa do Mecanismo Internacional de Varsóvia sobre deslocamento.
  • Mobilidade humana incorporada aos instrumentos de planejamento dos Estados, tais como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs);
  • Comprometimento dos Estados em apoiar as comunidades já deslocadas no contexto de desastres e também a tomar medidas para prevenir e reduzir o risco de deslocamento futuro;
  • Reforço à resiliência das populações em maior risco para permitir que permaneçam onde estão;
  • Que os países recebam aconselhamento técnico para se prepararem para o deslocamento de populações que estão atualmente fora de perigo e que isso seja feito em plena consulta com todas as populações afetadas.ja respostas a perguntas frequentes sobre o tema.

 

Fonte: ONUBR