PNUD e governo debatem alternativas para preservar camada de ozônio sem aumentar aquecimento global

Publicado em 22/09/2016 por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente em: 21/09/2016

Parceria entre PNUD e governo brasileiro permitiu eliminação de 17 mil toneladas de substâncias com potencial de destruição da camada de ozônio. Em evento comemorativo do Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, agências da ONU e representantes do governo, sociedade civil e setor privado debateram novos caminhos do Protocolo de Montreal.

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Em comemoração ao Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio — celebrado na última sexta-feira (16) —, o Ministério brasileiro do Meio Ambiente reuniu em Brasília especialistas e representantes do governo, setor privado e organizações internacionais para debater a implementação do Protocolo de Montreal.

No Brasil, as metas do tratado têm sido buscadas pela indústria e o Estado sob a liderança do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que lidera as iniciativas nacionais do Protocolo desde 2012. A parceria entre a ONU e o governo para o tema, porém, já dura quase três décadas.

A agência da ONU presta assistência técnica e operacional à pasta do meio ambiente para desenvolver estratégias de redução das emissões de HCFCs — substâncias danosas à camada de ozônio.

“Essa cooperação possibilitou a eliminação de 17 mil toneladas de substâncias com potencial de destruição da camada de ozônio e de aquecimento global”, destacou o diretor nacional do PNUD no Brasil, Didier Trebucq.

O representante das Nações Unidas ressaltou ainda que, “sob o aspecto social e econômico, o trabalho que o PNUD vem executando, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente, tem permitido que as pequenas e médias empresas recebam os recursos e assistência técnica do Fundo Multilateral garantindo a sua sustentabilidade econômica”.

“Graças às ações conjuntas, o excesso da radiação ultravioleta sobre os seres vivos têm sido evitado. Espera-se que a recuperação da camada de ozônio ocorra até a metade deste século”, afirmou o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério, Everton Lucero.

O integrante da pasta falou ainda do legado positivo do Protocolo de Montreal para outros tratados internacionais sobre questões ambientais. “Estamos diante de uma história de sucesso que espero sirva de exemplo para outras iniciativas, e possamos ter esse mesmo grau de engajamento com as metas do Acordo de Paris”, disse.

“O acordo do Protocolo é um dos mais bem-sucedidos, ele conseguiu realmente reduzir o impacto sobre a camada de ozônio”, acrescentou o representante-adjunto da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) no Brasil, Clóvis Zapata.

Preocupação em combater mudanças climáticas

Os debates promovidos por ocasião do Dia Internacional lembraram que substâncias usadas no lugar dos HCFCs são, muitas vezes, propulsoras do efeito estufa e das mudanças climáticas. Entre elas, estão os HFCs, grupo de compostos associados ao aquecimento global.

Por isso, os países que integram o Protocolo de Montreal têm monitorado o crescimento acelerado do uso desses substituintes aos tradicionais HCFCs.

“Nossa perspectiva é a adoção de emenda para redução dos HFCs na reunião das partes do Protocolo de Montreal, que acontece em Ruanda em outubro deste ano”, afirmou o secretário do Ministério das Relações Exteriores, Rafael da Soler.

“Já se definiu que os países em desenvolvimento terão acesso aos recursos do Fundo Multilateral para implementar os projetos de eliminação dos HFCs. Em termos de estrutura do compromisso, é algo que temos muito parecido com o processo de eliminação dos HCFCs”, explicou.

No entanto, o objetivo não será a eliminação desses compostos, mas sim a redução do consumo e da produção. “Ainda não temos substituição da substância em todos os setores. Estima-se que será mantido cerca de 15% do uso dos HFCs”, disse Soler.

Programa brasileiro começa segunda etapa

Nas comemorações da sexta-feira (16), o PNUD e o Ministério do Meio Ambiente também deram início à segunda fase do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), que ajudar empresas a converterem suas cadeias, deixando de utilizar os HCFCs em seu processo produtivo.

Na primeira etapa da iniciativa, foram adaptadas cerca de 400 empresas de espumas de poliuretano. Para a segunda, governo e ONU esperam beneficiar cerca de 800.

Fonte: ONU BR

Desperdício e destruição na era dos plásticos

Publicado em 14/09/2016 por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente em: 14/09/2016

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Os oceanos recebem hoje um caminhão de plásticos por minuto. Isso significa anualmente 8 milhões de toneladas que vêm acrescentar-se aos 150 milhões de toneladas ali presentes. Para cada 3 quilos de peixe, há 1 quilo de plásticos nos ambientes marinhos. A continuar nesse ritmo, em menos de 35 anos a proporção será de 1 para 1, como mostra relatório da Ocean Conservancy. Um estudo publicado na prestigiosa revista científica PNAS estima a existência de 580 mil peças de plástico por quilômetro quadrado nos mares. A produção vem dobrando a cada 11 anos, desde 1950. Entre 2015 e 2026, a sociedade fabricará mais plásticos do que tudo o que foi feito até hoje.

É preciso reconhecer, claro, que os plásticos (o termo deve ser sempre empregado no plural, dada sua imensa diversidade de materiais, composição e usos) trouxeram benefícios imensos, ampliando as possibilidades de armazenagem de alimentos e medicamentos, tornando mais leves os automóveis (dos quais, em média, hoje, cerca de 50% do volume e de 10% a 15% do peso vêm desses materiais) e aviões (com 50% de plásticos em seu peso) e permitindo engradados mais duráveis: sem eles, o uso de recursos materiais, energéticos e bióticos seria ainda maior que o atual.

Em muitos setores, os plásticos são sistematicamente reutilizados. Mas a reciclagem desse material é baixa. Só nos Estados Unidos, de 10 milhões a 15 milhões de carros saem de circulação anualmente. As partes metálicas dos veículos são razoavelmente bem reaproveitadas, mas, como reconhece um estudo recente, a reutilização dos plásticos está na sua infância.

O setor mais crítico, nesse sentido, é o das embalagens plásticas. É aí que se concentra o recém-lançado relatório da Fundação Ellen MacArthur (The New Plastics Economy – Rethinking the future of plastics), cuja questão básica é: como permitir que um produto tão útil e ao mesmo tempo de tão difícil reaproveitamento, uma vez utilizado, seja parte da economia circular? A resposta vai em três direções: redução no uso de embalagens plásticas (desde que não sejam comprometidas as funções de conservação de alimentos e medicamentos que os plásticos hoje propiciam, bem entendido), melhoria nos sistemas de coleta pública e, sobretudo, muita pesquisa para que possam ampliar-se as raras iniciativas de destinação dos plásticos para biocompostagem ou reciclagem.

O desperdício é o principal chamariz capaz de atrair o setor privado para uma “nova economia dos plásticos”. Hoje 95% do material que compõe os plásticos usados para embalagens (num valor que oscila entre US$ 80 bilhões e US$ 120 bilhões anualmente) são perdidos após um primeiro uso. Passados 40 anos do lançamento do símbolo da reciclagem, somente 14% dos plásticos são reciclados. Isso é muito menos que o papel (58%), o ferro e o aço (70% a 90%).

E essa reciclagem distancia-se dos princípios da economia circular. Na maior parte das vezes destina-se a produtos que, uma vez utilizados, só poderão terminar suas vidas úteis em aterros ou incineradores. A virtuosa reciclagem de embalagens PET no sistema de garrafa a garrafa (bottle-to-bottle), por exemplo, só beneficia 7% da produção global. Esta é uma das razões que alarmam especialistas diante da notícia de que hoje há no mundo mais água vendida em embalagens plásticas do que refrigerantes, conforme um estudo canadense.

Ao desperdício do não reaproveitamento junta-se a destruição: no mundo, um terço das embalagens plásticas ou não são coletadas pelos sistemas públicos de limpeza ou escapam dos caminhões responsáveis por seu recolhimento, sobretudo nos países em desenvolvimento. Se as empresas (e os consumidores, claro) tivessem de pagar pelos custos impostos ao meio

ambiente por essa destruição, o valor superaria os lucros globais da indústria do plástico, segundo estudo publicado pela ONU em 2014.

Mas o maior desafio é o da pesquisa. O relatório da Fundação Ellen MacArthur mostra que não existem normas internacionais definindo o que são plásticos compostáveis. Os chamados “plásticos verdes” atuais contam com biomassa em sua produção (emitindo menos Gases de Efeito Estufa que os advindos do petróleo), mas nem de longe, em sua esmagadora maioria, são passíveis de compostagem. Não são materiais “biobenignos”. Experiências de plásticos que, misturados a restos de alimentos, se decompõem, transformando-se em fertilizantes, são raríssimas e localizadas, ainda que promissoras, como mostra o caso da cidade de Milão.

Qualquer tentativa de flerte com as técnicas anteriores à idade dos plásticos é irrealista e indesejável. Ao mesmo tempo, conformar-se com os danos socioambientais de sua crescente produção será cada vez menos aceito. Limites – como no caso das águas engarrafadas e das sacolas plásticas –, educação do consumidor e inovação tecnológica são os caminhos para enfrentar este tão difícil desafio.

Fonte: Envolverde

Parques também protegem o céu

Publicado por Felipe Poli Rodrigues em: 10/08/2016

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Publicado originalmente em 02/08/2016

Desde que a NASA reiniciou as pesquisas espaciais, muito tem sido revelado sobre o sistema solar, e para além dele. E o que antes era limitado a intelectuais e a quem tinha acesso a um planetário, agora está ao alcance de milhões de pessoas graças ao lançamento de telescópios portáteis, relativamente baratos e de alta tecnologia, os quais podem ser adquiridos até pela internet.  Porém, justo quando a tecnologia se torna disponível, é o céu que parece já não estar, devido ao fenômeno da poluição luminosa.

A poluição luminosa é conseqüência da civilização industrial.  A luz das grandes e médias cidades do mundo é tão intensa que ofusca as estrelas, impedindo a observação do céu. Estudos recentes indicam que o aumento de exposição luminosa altera o ritmo biológico de diversas espécies, inclusive a nossa, que evoluíram para viver períodos iguais de luz e escuridão.   Por tudo isso, ganha impulso um movimento internacional deflagrado pela ONG americana Associação do Céu Escuro (International Dark-Sky Association).  Segundo a ONG, as Unidades de Conservação distantes dos centros urbanos, longe da poluição luminosa, podem garantir a clareza da massa estelar sobre nossas cabeças, e reconhece que, assim como a biodiversidade, o céu também cumpre um importante papel na nossa cultura e na nossa história.  A União Internacional para Conservação da Natureza – IUCN, por meio de um Grupo Consultivo para o Céu Escuro, mantém uma lista de 35 Unidades de Conservação em todo o mundo onde o céu está livre de poluição luminosa, e que por isso começam a atrair visitantes interessados na observação dos astros.

O Canadá lidera a lista da IUCN com 15 reservas, mas infelizmente – e injustamente – nenhum parque brasileiro está na lista. O Parque Estadual do Cantão, na bacia do Rio Araguaia, é um dos que certamente merecem estar: embora a sede do parque esteja no pequeno município ribeirinho de Caseara, a 256 km de Palmas, capital do Tocantins, os restantes 90.000 hectares do Cantão se encontram na ponta norte da remota Ilha do Bananal, adjacentes ao Parque Nacional do Araguaia e a extensas reservas indígenas, formando um conjunto de mais de 2 milhões de hectares sem poluição luminosa, de onde se vislumbra um céu esplendoroso.

Por ocasião do 18o aniversário do Parque do Cantão, cerca de 60 alunos da rede escolar local tiveram a oportunidade de ver o céu em nosso telescópio.  O interesse dos jovens superou nossas expectativas, e muitos solicitaram repetir a experiência.  Afinal, como não gostar de ver Saturno e seus anéis, e sua lua Encélado que nos indica a possibilidade de vida? Ou o grandalhão Júpiter, um planeta cuja enorme força gravitacional e posição estratégica no sistema solar, atrai para si meteoritos e asteróides que de outra forma viriam diretamente em direção à nossa Terra, destruindo a vida do planeta?  Júpiter é nosso guarda-costas!

O fato é que algumas Unidades de Conservação acabam de adquirir um novo papel na proteção de tudo que está abaixo, ao redor e acima de nós.  Quem mora em uma cidade grande hoje em dia precisa viajar para muito longe a fim

de experimentar a sensação inesquecível de ver a Via Láctea e o céu em todo seu esplendor. E imaginar quantos mistérios existem por lá.

O físico italiano e Premio Nobel Enrico Fermi formulou uma pergunta interessante:  se a probabilidade de vida inteligente no Universo é tão grande quanto indicam os dados científicos, então eis o paradoxo de Fermi: “onde estão todos?” Vida inteligente é aquela capaz de formar civilizações.  E isso é uma coisa rara, haja visto nossa própria Terra, onde das estimadas 30 milhões de espécies somente uma foi capaz de formar uma civilização – com capacidade de criar comunicação e tecnologia avançadas, mas também de gerar poluição.  De todas as possíveis respostas ao paradoxo, a mais aceita pelos cientistas é que as civilizações deixam de existir, pois, à medida que avançam, alteram seu meio natural a ponto de se auto-destruir.  Se isso for verdade, nem Júpiter poderá nos salvar de nós mesmos.

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Fonte: Oeco

ONU convoca países para ratificar Acordo de Paris no dia 21 de setembro

Publicado em 27/07/2016 por Felipe Poli Rodrigues

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Publicado originalmente em: 25/07/2016

Líderes mundiais se reunirão no dia 21 de setembro, em Nova York, para ratificar o acordo de Paris sobre mudanças do clima. O encontro, convocado pelo chefe da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, visa a acelerar o processo para restringir as emissões de gases do efeito estufa. No Brasil, o tratado ainda precisa do aval do Senado. Esse é o último passo para que o acordo tenha validade em território nacional.

O pacto firmado pelo país e mais 194 nações no final do ano passado, na capital francesa, quer limitar as mudanças climáticas ao estabelecer metas para frear o aumento da temperatura no mundo. O tratado tem força de lei internacional, com obrigações e recomendações aos países signatários. Cada país deve ter sua própria meta para reduzir emissões poluentes. Para entrar em vigor, é necessário que pelo menos 55 países, responsáveis por pelo menos 55% das emissões globais.

O acordo estabelece que um valor mínimo de US$ 100 bilhões anuais deverem ser transferidos de países chamados “desenvolvidos” aos mais pobres até 2025, para custear ações de combate à poluição. Concluído em dezembro de 2015, o Acordo de Paris limita o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, além de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C.

Metas

Para atingir o objetivo, o tratado estabelece metas individuais de cada país para a redução de emissões de gases de efeito estufa. No caso do Brasil, o objetivo é reduzir 37% até 2025 e 43% até 2030 as emissões.

“Isso significa que deveremos, em 2025, ter níveis de contribuição per capta de 6,2 toneladas de carbono equivalente e até 5,4 toneladas de emissões per capta até o ano de 2030. A meta vale para o conjunto da economia”, explica o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Everton Frask Lucero.

Segundo a ONU, o acordo substitui outras metas referentes à diminuição da emissão de gases do efeito estufa estipulada no Protocolo de Kyoto e deve ser revisto a cada cinco anos. Não há previsão no texto de quando as emissões precisam parar de subir para que seja garantida a manutenção do aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC.

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De acordo com Lucero, o país prepara um detalhamento do método usado para cumprir as metas estabelecidas. O compromisso foi assumido após uma série de pesquisas e consultas aos diversos setores da sociedade. Criado para suceder o Protocolo de Kyoto, o tratado deve vigorar plenamente a partir de 2020, ano em que termina a validade do acordo anterior.

“Por exemplo, no setor de florestas e uso da terra, nós indicamos que até 2030 deveremos chegar a um desmatamento ilegal zero e à compensação pela supressão legal de vegetação – que é aquela autorizada pelo código florestal”, aponta.

Na agricultura, a meta brasileira é restaurar e reflorestar uma área de 12 milhões de hectares. Além disso, restaurar mais 15 milhões de áreas degradadas e aumentar em 5 milhões de hectares o sistema de integração lavoura pecuária e floresta. Já no setor energético, o objetivo é aumentar a 18% o uso de biocombustíveis sustentáveis.

“Nós devemos atingir 45% de energias renováveis na nossa matriz energética, sendo que desses 28 a 33% de fonte não hídrica, aí incluída energia eólica e solar. E também esperamos ter ganhos de eficiência energética no setor em torno de 10%”, detalha Lucero.

Segundo o secretário, o governo brasileiro deve divulgar as metas dentro dos próximos meses e viabilizar a implementação das estratégias no país. “Grandes países já indicaram que poderão ratificar o acordo ainda neste ano. Com a aprovação do Acordo pelo Senado, poderemos estar entre os primeiros grandes países a ratificar o acordo. Isso será uma sinalização muito importante para manter o Brasil na liderança dessa negociação e desse processo internacional.”

Fonte:Ecodesenvolvimento

 

 

Produzir alimentos ou conservar florestas

Publicado em 23/07/2016 por Felipe Poli Rodrigues

O mundo enfrenta um enorme desafio: por um lado, a necessidade imperiosa de produzir alimentos para a crescente população mundial, por outro, a pressão de frear e reverter o desaparecimento das florestas, tão necessárias para a vida humana como cobrir as necessidades de sua dieta.

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Publicado originalmente:22/07/2016

As florestas têm um papel fundamental no desenvolvimento da agricultura sustentável por vários fatores: ciclos da água, conservação de solos, sequestro de carbono, controle natural de pestes, incidência nos climas locais, e preservação do habitat dos polinizadores e de outras espécies.

Mas a agricultura responde pela maior parte do desmatamento. Nas regiões tropicais ou subtropicais, a agricultura comercial e a de subsistência são responsáveis por 50% e 33%, respectivamente, da conversão de florestas, e os restantes 27% do desmatamento ocorre pelo crescimento urbano, pela expansão da infraestrutura e da mineração.

Para conseguir os dois objetivos, as agências da Organização das Nações Unidas (ONU) encarregadas da alimentação e da agricultura oferecem dados específicos que falam por si mesmos. “A agricultura continua sendo a principal responsável pelo desmatamento e é urgente a necessidade de promover interações mais positivas entre ela e a silvicultura, para construir sistemas agrícolas sustentáveis e melhorar a segurança alimentar”, destacou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Essa foi a principal mensagem do informe O Estado das Florestas do Mundo, apresentado no dia 18 deste mês, na abertura da sessão do Comitê Florestal da FAO (Cofo), que termina hoje. “A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre mudança climática reconhecem que não podemos pensar a segurança alimentar e a gestão dos recursos naturais separadamente”, pontuou o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva.

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“Os dois acordos exigem um enfoque coerente e integrado da sustentabilidade de todos os setores da agricultura e dos sistemas alimentares”, apontou Graziano. “As florestas e a silvicultura têm um papel importante nesse campo. A mensagem do Cofo é clara: não precisa desmatar para produzir mais alimentos”, ressaltou. A agricultura ocupa um lugar importante na retórica sobre as florestas, mas a FAO destaca que estas cumprem muitas funções ecológicas vitais que beneficiam a própria agricultura, já que incentivam a produção de alimentos.

“A segurança alimentar pode ser obtida pela intensificação da agricultura e de outras medidas como proteção social, em lugar da expansão das áreas cultivadas à custa das florestas”, disse Eva Müller, diretora da Divisão de Recursos e Políticas Florestais da FAO. “Precisa-se é de melhor coordenação entre os setores das políticas agrícolas, florestais, de alimentação e de uso da terra, bem como melhor planejamento do uso da terra, marcos legais efetivos e maior participação das comunidades e dos pequenos agricultores”, afirmou.

Para Müller, os “governos deveriam garantir às comunidades locais não somente a posse da terra, como também direitos sobre as florestas. Um agricultor sabe como manejar seus próprios recursos, mas costuma carecer dos instrumentos legais para isso”.

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O fato é que as florestas bem administradas têm um potencial enorme para promover a segurança alimentar. Além de sua vital contribuição ecológica, diz o informe a FAO. As florestas são um meio de subsistência para as comunidades rurais e uma forma de aliviar a pobreza, ao permitirem a geração de renda mediante a elaboração de produtos florestais e serviços ambientais.

Cerca de 24 bilhões de pessoas usam lenha para cozinhar e deixar a água potável. Além disso, as florestas oferecem proteínas, vitaminas e minerais às comunidades e são uma alternativa em casos de escassez de alimentos.Desde 1990, mais de 20 países conseguiram melhorar a segurança alimentar porque mantiveram ou melhoraram sua cobertura vegetal, demonstrando que não é necessário cortar árvores para produzir alimentos, segundo o informe da FAO.

Os 12 países que aumentaram sua cobertura vegetal são: Argélia, Chile, China, República Dominicana, Gâmbia, Irã, Marrocos, Tailândia, Tunísia, Turquia, Uruguai e Vietnã. Seu êxito se baseou em um conjunto de ferramentas: marcos legais efetivos, garantias na posse da terra, medidas para regular a mudança de uso da terra, incentivos para a silvicultura e a agricultura sustentável, fundos adequados e definições claras sobre papéis e responsabilidades de governos e comunidades locais.

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Casos de sucesso

O informe apresenta sete estudos de casos de sucesso, de Chile, Costa Rica, Gâmbia, Geórgia, Gana, Tunísia e Vietnã. Esse grupo de países, segundo o documento, ilustra as oportunidades de melhoria na segurança alimentar, bem como o aumento ou a manutenção da cobertura vegetal. Seis desses países conseguiram mudanças positivas entre 1990 e 2015 em dois indicadores de segurança alimentar (prevalência de pessoas subalimentadas e o número de pessoas subalimentadas), bem como no aumento da superfície reflorestada.

No caso de Gâmbia, único país de baixa renda entre os sete mencionados, se conseguiu o primeiro objetivo de reduzir pela metade a proporção de pessoas com fome nesse período.O Vietnã, por exemplo, implantou com sucesso uma reforma agrária para garantir a posse da terra, como forma de impulsionar o investimento de longo prazo. O processo foi acompanhado de uma mudança na gestão florestal, de uma silvicultura estatal para uma de múltiplos atores, com a participação das comunidades locais, incluído o programa de destinação de áreas florestais e contratos para sua proteção com os moradores locais.

A reforma agrária também foi acompanhada de instrumentos para aumentar a produtividade agrícola, como isenção de impostos, empréstimos brandos, promoção da exportação, garantia de preços, apoio à mecanização e redução das perdas de cultivos colhidos.

Na Costa Rica, o desmatamento atingiu seu máximo na década de 1980, principalmente pela conversão de florestas em áreas de pastagem. O país conseguiu reverter essa tendência graças a uma lei florestal que proíbe mudanças no uso das florestas naturais e a um sistema de pagamento por serviços ambientais, que oferece aos agricultores incentivos para plantar árvores e apoio para a conservação florestal. Graças a essas medidas, a cobertura florestal aumentou para quase 54% da superfície do país em 2015.

Na Tunísia, os planos de desenvolvimento nacional reconhecem os benefícios das florestas em proteger a terra da erosão e da desertificação. A produção agrícola aumentou com intensificação, que melhora o uso das terras cultiváveis existentes mediante a irrigação, os fertilizantes, a mecanização, melhores sementes e práticas agrícolas. Os incentivos para fomentar o plantio de árvores incluem distribuição gratuita de sementes e compensações pela perda de renda derivada da agricultura.

Os temas mais importantes da sessão do Comitê Florestal da FAO buscavam responder diretamente aos acordos históricos de 2015 e pesquisar como as florestas e a gestão sustentável podem contribuir para o sucesso dos objetivos de desenvolvimento acordados pela comunidade internacional.

Na Semana Florestal Mundial, o Comitê avalia como aproveitar melhor o potencial das florestas, incluída sua contribuição para o sustento, a segurança alimentar, o emprego, a igualdade de gênero e muitos outros dos objetivos de desenvolvimento incluídos na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e no Acordo de Paris.

Fonte:  Envolverde

Junho: o mais quente da história

Publicado em 20/07/2016 por Felipe Poli Rodrigues

Dados da Nasa mostram que primeiro semestre teve temperatura 1,3 grau Celsius mais alta do que no fim do século 19, praticamente garantindo o recorde de 2016 como ano mais quente de todos.

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Publicado originalmente em 20/07/2016

Duas agências do governo americano divulgaram nesta terça-feira (19) dados sobre temperaturas globais em junho. Sem surpresa, ambas mostram que o mês passado foi o junho mais quente de todos os tempos desde o início dos registros, em 1880. Segundo a Noaa (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera), foi o 14o mês consecutivo a bater recordes absolutos de temperatura, o que praticamente garante o lugar de 2016 na história como o ano mais quente de todos os tempos.

De acordo com a Noaa, a temperatura da superfície terrestre e dos oceanos no mês foi 0,90oC superior à média para junho no século 20, ultrapassando 2015 – o recordista anterior – em 0,02oC. Na média do ano até aqui, a temperatura global foi 1,05oC mais alta que a média do século 20, ultrapassando o recorde de 2015 em 0,2oC. Segundo comunicado divulgado pela agência americana, a fila de meses consecutivos com recordes de temperatura é a maior em 137 anos de registro. O último mês com temperaturas abaixo da média do século 20 foi dezembro de 1984.

A Nasa mostrou a mesma tendência, mas usando uma “régua” diferente. A agência espacial americana calcula as chamadas “anomalias de temperatura” (ou seja, o quanto um determinado mês é mais quente ou mais frio do que a média histórica para esse mesmo mês) em relação ao período 1951-1980. Por essa conta, junho de 2016 foi 0,79oC mais quente que a média, superando junho de 2015 também em 0,02oC. Segundo a Nasa. Segundo a metodologia da Nasa, o último mês com temperaturas abaixo da média foi julho de 1985. Para a agência espacial, a temperatura do primeiro semestre foi 1,3oC mais alta do que a média do fim do século 19.

“Embora o El Niño no Pacífico tenha dado um impulso às temperaturas globais a partir de outubro, é a tendência subjacente [de aquecimento global] que está produzindo essas cifras recorde”, disse Gavin Schmidt, diretor do Centro Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa.

Mais uma vez, eventos climáticos extremos campearam mundo afora. A América do Norte teve seu junho mais quente, e condições de temperatura extrema também predominaram na Amazônia, no Nordeste do Brasil e na África. O gelo marinho no Ártico teve a menor extensão registrada para aquele mês – 11,8% abaixo da média, devido ao calor extremo no semestre sobre a região polar.

“O recorde de temperaturas globais já dura mais de um ano, mas as altas temperaturas no Ártico têm sido ainda mais extremas”, afirmou Walt Meier, também da Nasa.

Tempestades atingiram a Europa e a Austrália, onde choveu mais do que o dobro da média em junho. A região centro-sul da América do Sul, porém, viu temperaturas 1oC mais baixas do que a média – resultado da onda de frio que atingiu o Sul e o Sudeste do Brasil, o Paraguai e parte da Bolívia naquele mês.

Fonte: Envolverde

 

 

Cutting carbon emissions isn’t enough. We need negative emissions.

Publicado em 13/07/2016 por Felipe Poli Rodrigues

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Publicado Originalmente: 13/07/2016

Humans will have to not only stop emitting greenhouse gases by 2085, but also develop technology that will result in negative emissions — the removal of 15 billion tons of carbon dioxide from the atmosphere each year by the end of the century — in order to prevent global warming from exceeding 2 degrees C (3.6 degrees F), according to a new study.

Human greenhouse gas emissions, including methane and carbon dioxide, have already warmed the globe more than 1 degree C (1.8 degrees F) compared to pre-industrial levels. The Paris Climate Agreement negotiated last year seeks to cap warming to below 2 degrees C, while at the same time pursuing an even more ambitious goal of limiting warming to 1.5 degrees C.

But according to a new National Center for Atmospheric Research study, just cutting emissions under the Paris agreement may not be enough to keep global warming from blasting past 2 degrees C, said Benjamin Sanderson, the study’s lead author.

Meeting the Paris agreement as written will require a long-term commitment to negative emissions in the last two decades of the century, he said.

Countries have agreed to cut total annual global greenhouse gas emissions from about 60 billion metric tons of carbon dioxide-equivalent today to about 54 billion tons in 2030. Without steeper emissions cuts sooner, about 15 billion tons of carbon dioxide will have to be removed from the atmosphere every year by the end of the century in order to keep within 2 degrees C of warming, he said.

Sabine Fuss, a negative emissions researcher at the Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change in Berlin, said the NCAR research confirms that individual countries’ emissions cuts pledges under the Paris agreement are insufficient to meet the pact’s global warming goals.

The study is in line with earlier research supporting negative emissions and its approach gives scientists a better understanding of when emissions cuts and carbon removal are necessary to keep global warming in check, she said.

Negative emissions aren’t a new idea. The Intergovernmental Panel on Climate Change included negative emissions in some of its climate stabilization scenarios in its Fifth Assessment Report in 2014. The IPCC warned that the feasibility of removing carbon from the atmosphere is highly uncertain, however, in part because the technology remains unproven and scientists haven’t assessed any risks carbon removal may pose.

Negative emissions technology isn’t being used anywhere in a significant way today, and the best options for carbon removal have major land and environmental impacts, Fuss said.

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This graph shows the possible global carbon emissions trajectories that would have a two-in-three chance of keeping global warming from exceeding 2 degrees C (3.6 degrees F). The blue line represents the current emissions trajectory. The red line represents the path that society will be on if countries adhere to the Paris Agreement. The gray lines represent other possibilities, all of which require more stringent emissions cuts in the near term but fewer negative emissions later.

Scientists are studying many different ways of atmospheric carbon removal, Sanderson said. Chief among them is a method called “bioenergy, carbon capture, and storage,” or BECCS. It works like this: Trees and other plants, which absorb atmospheric carbon, are grown specifically for carbon removal, then they’re burned to generate electricity, and the emissions are captured and sequestered underground.

Other strategies involve planting large forests across the globe, directly capturing carbon dioxide from the atmosphere and altering soil management to increase the amount of carbon it can store.

“None of these have been demonstrated to be plausible on a large scale,” Sanderson said, adding that the billions of tons of carbon dioxide that would need to be removed from the atmosphere could come at “a phenomenal cost.”

Nobody knows for sure how successful or feasible any of those technologies will be in scrubbing the sky of carbon dioxide, but the NCAR study shows that the urgency of climate change may demand that scientists develop solutions by the time today’s children are adults in addition to slashing emissions as much as possible in the meantime.

“Negative emissions will not play a significant role in any emissions reductions which might occur over the next 15 years,” Sanderson said. “They will need to come from transitions to cleaner alternatives in the energy and transportation sectors.”

Fonte:Grist