Espanha apela para Argentina por solução amigável sobre petrolífera e ameaça ir a tribunal internacional

Brasília – O ministro dos Negócios Estrangeiros da Espanha, José Manuel Garcia-Margallo, apelou hoje (23) às autoridades da Argentina que tentem resolver “amigavelmente” a disputa sobre a expropriação da YPF, administrada pela Repsol. Margallo foi claro: se não houver acordo, os espanhóis recorrerão a um tribunal internacional para impedir a expropriação da petrolífera,     anunciada no último dia 16.

“[Queremos que a ] Argentina retorne à comunidade internacional, ao diálogo e organize esse litígio de forma amigável em conformidade com os tribunais internacionais”, observou o chanceler. “Nós não vamos disputar o direito da Argentina sobre a soberania energética. Mas, na minha opinião, é um [grande] erro no século 21”, disse Magallo, que participa de uma reunião de chanceleres da União Europeia, em que o tema da expropriação será discutido.

O ministro espanhol acrescentou: “[O governo da] Espanha está considerando todas as medidas que podem trazer a Argentina de volta à mesa de negociações. Vamos procurar uma solução negociada”.

Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou a suspensão das preferências tarifárias em relação à Argentina. O detalhamento das medidas deve ocorrer ao longo desta semana. Foi aprovado um texto de repúdio à decisão da Argentina.

“A Argentina deve retornar à legalidade internacional e restaurar a confiança nos investimentos e os direitos fundamentais nas relações internacionais, como a liberdade de propriedade e livre iniciativa”, disse o chanceler.

Fonte: Agência Brasil

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Classe média brasileira chegará a 60% da população em 2018, diz Dilma nos Estados Unidos

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff reiterou ontem (9), em Washington, nos Estados Unidos, que a crise econômica mundial impõe a todos a busca pela superação de paradigmas e de novas oportunidades. No caso brasileiro, o crescimento da classe média é o estímulo para o país manter os esforços para o crescimento econômico, disse a  presidenta. Segundo ela, mais brasileiros serão incluídos neste nicho da sociedade, alcançando 60% da população em 2018.

“[A classe média] é a chave para a força e a capacidade de crescimento da economia em nosso país”, ratificou a presidenta, durante encontro com empresários norte-americanos e brasileiros, além de representantes de várias universidades. “A crise econômica internacional impõe a nós imensos desafios. Mas tem sido também a oportunidade para ultrapassar paradigmas.”

Dilma lembrou que o Brasil tem se esforçado, consolidando a superação de dificuldades econômicas em pilares sólidos. Ela ressaltou que atualmente o Brasil tem reservas líquidas acima de sua dívida externa. Também destacou que em 2002 a dívida líquida brasileira sobre o Produto Interno Bruto (PIB) era 64% e agora está em 36,5%.

A presidenta disse ainda que os esforços do governo são para dar mais tranparência aos gastos públicos e aplicar de maneira adequada os recursos federais. Segundo ela, essa disposição faz parte de uma opção feita pelos setores público e privado, assim como pela sociedade brasileira: “É importante que se destaque a iniciativa, que é do governo, dos empresários e do povo brasileiro”.

Para Dilma, há uma “opção clara” no Brasil por estimular o crescimento econômico com medidas de justiça social e mais democracia.  “Buscamos um mercado de consumo de massa que é uma forma de justiça social”, disse, lembrando que as mudanças no Brasil refletem o que ocorre no mundo como um todo.

Ao defender a participação da classe média como força motriz na economia, Dilma lembrou que processo semelhante ocorre na Rússia, Índia, China e África do Sul, países que compõem o bloco do Brics. Ela reiterou que os cinco países têm grandes extensões territoriais e desafios comuns a perseguir, como a inserção das classes marginalizadas, pobres e que têm fome.

A visita de dois dias da presidenta Dilma aos Estados Unidos acaba hoje (10). Ontem, ela esteve em Washington e hoje passa o dia em Boston, quando irá às universidades de Harvard e Massachusetts. Em ambas, a presidenta deverá apresentar as parcerias para o programa Ciência sem Fronteiras.

Fonte: Agência Brasil

Dilma se reúne hoje com Obama na Casa Branca

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff se reúne hoje (9), a partir das 11h45 (12h45 de Brasília), com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, em Washington, capital norte-americana. Em discussão, pelo menos dez acordos de cooperação bilateral, nas áreas de ciência, tecnologia e energia, além de temas como a crise econômica internacional, a Conferência Rio+20 e questões de direitos humanos.

Obama e Dilma farão uma declaração à imprensa ao fim do encontro. Obama oferecerá um almoço para Dilma e, em seguida, ela se reunirá com os empresários do grupo Estados Unidos-Brasil, no Eisenhower Executive Office Building. No fim da tarde, a presidenta participa do seminário Brasil-Estados Unidos: Parceria para o Século 21, na Câmara de Comércio. Amanhã (10), ela segue para Boston, onde fará duas palestras.

Há 24  mecanismos bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, alguns deles considerados prioritários, como o Diálogo de Parceria Global, o Diálogo Econômico e Financeiro e o Diálogo Estratégico sobre Energia. Um dos temas em discussão entre Dilma e Obama é a questão da concessão de vistos. Os Estados Unidos passaram a facilitar a concessão a partir deste ano e a expectativa é acabar com a obrigatoriedade do documento.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Tovar Nunes, reiterou que a decisão é definida pelo governo norte-americano, pois a questão migratória faz parte dos temas de política interna dos países.

No ano passado, o Brasil foi o sexto país que mais enviou visitantes para os Estados Unidos – atrás do Canadá, México, Japão, Reino Unido e da Alemanha. Depois da Argentina, os Estados Unidos são os que mais enviam turistas ao Brasil.

A expectativa é que durante a visita de Dilma sejam definidas parcerias para o programa Ciência sem Fronteiras. Atualmente, dos cerca de 800 bolsistas do Ciência sem Fronteiras nos Estados Unidos, 31 estudam em oito universidades de destaque.

Paralelamente, temas da política internacional devem ser mencionados na reunião entre os dois presidentes. Assim como o Brasil, os Estados Unidos apoiam a missão do enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, à Síria. Porém, o governo brasileiro insiste na defesa da busca pelo diálogo e da negociação pacífica na região.

Dilma vai reiterar o convite para que Obama participe da Conferência Rio+20, em junho. Porém, na ocasião Obama estará a cinco meses das eleições presidenciais, nas quais tentará a reeleição, enfrentando duras críticas dos adversários e o desafio da crise econômica internacional.

A crise econômica também é tema que deve predominar na Cúpula das Américas, em Cartagena das Índias, na Colômbia, nos próximos dias 14 e 15. A cúpula virou assunto polêmico, pois alguns presidentes sul-americanos, como Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia), ameaçaram boicotar a reunião devido à ausência de Cuba, por pressão norte-americana. A posição do Brasil é que esta deve ser a última cúpula sem Cuba.

Fonte: Agência Brasil

Colômbia, Brasil e Cruz Vermelha iniciam resgate de reféns das Farc

 

Brasília – As operações de resgate de dez militares, mantidos sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) começam hoje (2) e acabam no dia 4. Haverá apenas um dia de interrupção entre uma etapa e outra. O Brasil participa dos resgates, assim como integrantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), do governo colombiano e de organizações não governamentais (ONGs).

A equipe, formada por 22 especialistas brasileiros, em duas aeronaves, e mais três integrantes da Cruz Vermelha, está em alerta desde sexta-feira (30). Os nomes dos reféns que serão liberados só vão ser anunciados momentos antes das operações, segundo os organizadores dos resgates.

A porta-voz da CICV no Brasil, Sandra Lefcovich, lembrou que é a quarta vez que brasileiros participam dos resgastes. Segundo ela, o Brasil dá o apoio logístico e técnico nas operações. De acordo com Lefcovich, as operações são complexas e delicadas.

Nas duas etadas da operação, dez reféns serão resgatados. Essas pessoas estão em poder das Farc há quase 14 anos, algumas foram capturadas em 1998 e outras em 1999. São quatro militares e seis policiais. O comando da guerrilha informou que são os últimos reféns em poder do grupo armado.

Do Brasil, serão utilizados dois helicópteros Cougar, do 4º Batalhão de Aviação do Exército, de Manaus, e equipes de apoio. O local de referência é Villavicencio, na Colômbia, de onde as equipes aguardam as orientações para partir em direção às áreas dos resgates. Da Colômbia,  participarão dois integrantes da organização Colombianos e Colombianas pela Paz – um deles é a ex-senadora Piedad Córdoba.

No último dia 12, os governos do Brasil e da Colômbia , além do CICV, firmaram um protocolo de segurança e coordenação, definindo a suspensão e o cancelamento de atividades militares na área da missão humanitária.

Fonte: Agência Brasil

Brasil fecha acordo com Uruguai para ampliar venda de energia

MONTEVIDÉU, 27 Mar (Reuters) – O Brasil fechou acordo nesta terça-feira com o Uruguai para a venda de até 800 megawatts de potência de eletricidade para ajudar o governo de Montevidéu a enfrentar os recentes picos de consumo.

O contrato possibilitará que o Uruguai disponha de energia extra proveniente do Brasil caso sua produção própria não seja suficiente para abastecer a demanda.

“É um respaldo enorme ao sistema energético nacional… Nos dá uma tranquilidade muito importante”, disse o ministro de Indústria, Energia e Mineração uruguaio, Roberto Kreimerman, que recebeu em Montevidéu o ministro de Minas e Energia do Brasil, Edison Lobão.

A capacidade instalada do Uruguai está em torno de 1.500 megawatts. Mais de um terço do sistema tem como base a produção hidrelétrica, o que diminui a capacidade de abastecimento em épocas de seca.

“Estávamos enviando 300 megawatts para o Uruguai e, a pedido do meu colega Roberto Kreimerman, estamos aumentando a 800 megawatts de potência”, disse Lobão, que também foi recebido pelo presidente uruguaio, José Mujica.

O convênio havia sido fechado por Mujica e a presidente Dilma Rousseff quando a brasileira visitou o Uruguai no ano passado.

Os dois países trabalham na consolidação de uma interconexão elétrica de 500 megawatts que conta com o financiamento do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), que ficaria pronta em 2013.

Fonte: Reuters

Países do Brics avançam mais no combate à pobreza do que nações desenvolvidas, diz relatório

Brasília – Um novo modelo de ajuda para os mais pobres foi criado pelos governos dos países que integram o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Segundo o texto, a colaboração do grupo ocorreu em um ritmo dez vezes superior ao observado no G7 – que reúne os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a França, Itália e o Canadá – de 2005 a 2010.

A conclusão está em um relatório da organização internacional Global Health Strategies initiatives (GHSi) – divulgado hoje (26) em Nova Delhi, na Índia – onde os líderes políticos do bloco estarão reunidos até o final da semana. O documento informa ainda que os países do Brics criam modelos para a cooperação internacional. A previsão é que a presidenta Dilma Rousseff chegue amanhã (27) a Nova Delhi.

Apesar de os países desenvolvidos serem os principais responsáveis por um volume maior em termos de cooperação internacional, o estudo informa que a abrangência dos esforços do Brics em termos de ajuda externa têm acompanhado o rápido crescimento de suas economias.

O documento informa também que o Brics inova ao usar recursos para melhorar a situação de saúde nos países mais pobres do mundo. Como exemplo, o documento cita a decisão do governo do Brasil – que foi um dos pioneiros nos tratamentos de HIV/aids – de apoiar a construção, em Moçambique, de uma fábrica de drogas antirretrovirais.

O relatório estima que os gastos do Brasil com ajuda externa tenham ficado entre US$ 400 milhões e US$ 1,2 bilhão em 2010 (já que o país não divulga números anuais). A Rússia teria desembolsado cerca de US$ 500 milhões no mesmo ano, enquanto a Índia teria gasto US$ 680 milhões, a China, US$ 3,9 bilhões, e a África do Sul, US$ 150 milhões.

De acordo com o texto, os fabricantes de vacinas e medicamentos genéricos da Índia também tiveram papel fundamental na redução dos preços que os países mais pobres pagam por esses produtos. Porém, o texto reconhece que o Brics ainda enfrenta seus próprios desafios em relação a seus sistemas de saúde.

O documento informa também que as cinco nações do Brics tiveram avanços recentes e implementaram programas inovadores na área. O Brasil, a Rússia, Índia, China e a África do Sul também estão coordenando esforços em setores como agricultura, ciência e tecnologia, além de investir em pesquisa e desenvolvimento, o que poderia ter um impacto direto em países pobres.

Na 4ª Cúpula dos Brics, na qual Dilma estará presente, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, apresentará a proposta de criação do banco do desenvolvimento do bloco. A ideia é que a instituição se dedique aos investimentos em projetos de infraestrutura e desenvolvimento em nações pobres. O processo de criação do banco deve ocorrer a longo prazo.

Além de Dilma e Singh, participarão da cúpula os presidentes Dmitri Medvedev (Rússia), Hu Jintao (China) e Jacob Zuma (África do Sul). A presidenta participa das reuniões na companhia de uma comitiva de ministros e de cerca de 60 empresários.

Fonte: Agencia Brasil

Protecionismo brasileiro gera preocupação na América Latina

MONTEVIDÉU, 20 Mar (Reuters) – Os países latino-americanos mais comprometidos com o livre comércio estão disparando o alarme com os sinais de protecionismo às suas portas. A Argentina e, mais recentemente, o Brasil, adotaram medidas para diminuir as importações e fortalecer sua indústria, em face da valorização das moedas locais e dos elevados custos tributários e trabalhistas.

“Os maiores países da América Latina têm de entender que precisam de todos nós, porque neste mundo eles sozinhos não são nada”, disse o presidente do Uruguai, José Mujica, durante uma reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na segunda-feira.

Patrícia Espinosa, chanceler do México -país com o qual o Brasil travou uma recente disputa sobre quotas de importação de veículos-, disse que a região deve responder à desaceleração econômica global fortalecendo seus vínculos comerciais, ao invés de restringi-los.

Conversas nos corredores da reunião do BID focavam no excesso de dinheiro com origem nos bancos centrais das economias ricas, e em como ele está fluindo na direção dos lucrativos mercados latino-americanos. Isso está puxando para cima o valor das moedas locais, prejudicando a competitividade e deixando alguns países tentados a adotarem medidas para diminuir as importações.

Pesquisas mostram, no entanto, que derrubar barreiras comerciais estimula o crescimento no longo prazo -algo de que a região precisa desesperadamente. O BID e o FMI projetam uma expansão de 3,6 ou 3,7 por cento na economia latino-americana para este ano, bem aquém dos 6,1 por cento registrados em 2010.

“O protecionismo pode ser uma boa forma de evitar o trabalho sujo no curto prazo, mas, para a nossa região (…), é simplesmente o pior inimigo que temos”, disse Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.

O BID estima que o comércio exterior represente 39 por cento do PIB da região, bem abaixo dos 70 por cento alcançados nos países em desenvolvimento do Leste da Ásia e Pacífico. Cifras da Organização Mundial do Comércio indicam que as exportações das Américas do Sul e Central compuseram apenas 4 por cento de todo o comércio internacional em 2010.

BRASIL

O Brasil tem enfrentado uma forte apreciação do real, que atingiu máxima de 12 anos no ano passado. Uma série de medidas adotadas pelo país para proteger a indústria local pode afetar as importações dos vizinhos latino-americanos, que triplicaram desde 2005 para 36,7 bilhões de dólares.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior examina um pedido dos fabricantes de vinhos por proteção contra a concorrência estrangeira, especialmente na ponta inferior do espectro de preços, com o Chile correndo o risco de ser o país mais afetado.

Justificando sua posição, o Brasil argumenta que está tentando criar defesas contra a excessiva valorização do real e contra a relutância da China em permitir maior valorização do iuan.

“O país está se protegendo contra práticas comerciais injustas”, disse o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

A China, principal parceiro comercial do Brasil, compete com a América Latina para vender aos consumidores na América do Norte, que continua sendo o principal mercado externo da região.

Os Estados Unidos recebem agora tantas importações da China quanto da América Latina.

A força da China tem sido sentida também nos mercados domésticos. No ano passado, o Brasil importou cerca de 33 milhões de dólares de produtos chineses, quatro vezes mais do que em 2006.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P)alertou que se medidas protecionistas tornarem-se enraizadas, elas podem ter um impacto sobre os ratings de crédito soberano. Muitos países, como Brasil, Colômbia e Peru apenas recentemente têm conseguido os desejados ratings de grau de investimento, que ajudam a reduzir os custos dos empréstimos.

“Se essas medidas são apenas uma resposta de curto prazo a um ambiente extraordinário, então elas não terão implicações severas para os ratings”, disse o diretor de ratings da S&P, Sebastian Briozzo. “Se virarem algo mais permanente, no médio prazo, acho que elas podem.”

Fonte: Reuters