Recursos para adaptação climática no Brasil

Postado por Felipe Poli Rodrigues em 13/11/2017

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Estudo analisa papel do setor privado na adaptação à mudança do clima no Brasil e faz um raio-X das opções de financiamento nacional e internacional disponíveis para projetos no País

Nos últimos cinco anos, poucas agendas avançaram dentro do debate sobre mudança do clima como a da adaptação. A constatação de que o aumento da temperatura média global nas últimas décadas já desencadeou efeitos irreversíveis sobre os padrões climáticos do planeta evidenciou a necessidade de cidadãos, governos e empresas em todo o mundo de planejarem medidas para preparar a sociedade para suportar os impactos inevitáveis da mudança do clima.

Para viabilizar a adaptação, particularmente nos países mais pobres e vulneráveis à mudança do clima, um ponto-chave é o financiamento. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que o custo total para adaptação varie entre US$ 140 bilhões a US$ 300 bilhões anuais até 2030 e US$ 280 bilhões a meio trilhão de dólares até 2050. No entanto, os montantes efetivamente despendidos em adaptação hoje está muito aquém desses números: segundo a Climate Policy Initiative, entre 2012 e 2014, os investimentos globais em adaptação chegaram a apenas US$ 25 bilhões.

“Para viabilizar qualquer esforço de adaptação, particularmente em países vulneráveis à mudança do clima, um desafio crucial é capitalizar os fundos de financiamento nacionais e internacionais. No contexto brasileiro, isto é ainda mais delicado, pois apenas uma pequena parte dos recursos internacionais está disponível para projetos de adaptação no País.

Opções nacionais e internacionais de financiamento para adaptação

O estudo “Financiamento para Adaptação no Brasil: Fundos nacionais e internacionais”, publicado no final de setembro passado pelo WWF-Brasil e Instituto Ethos, faz um panorama sobre as opções de financiamento para adaptação à mudança do clima no Brasil e destaca a importância do setor privado na consolidação desta agenda na economia nacional.

De acordo com André Nahur, coordenador do programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, a iniciativa privada é um ator fundamental para a implementação dos compromissos do Acordo de Paris, mas ainda há pouco conhecimento sobre oportunidades e financiamento para adaptação.

“Os efeitos da mudança do clima, tais como secas, inundações e outros, causam bilhões de reais de perdas para o país. Mapear os diferentes fundos existentes disponíveis foi o primeiro passo. Agora, precisamos de bons projetos para adaptação, que nos permitam aumentar a resiliência à mudança do clima e, assim, garantir a efetividade do setor”, aponta Nahur.

Para tanto, o estudo fez um levantamento de fundos nacionais e internacionais voltados para adaptação. Na análise sobre financiamento internacional, o relatório apontou que, entre 2013 e 2016, a maior parte dos recursos internacionais para adaptação foi destinada para a África subsaariana (36%), seguida pelo Leste Asiático e Pacífico (16%). A América Latina recebeu apenas 12% do total, à frente somente de Europa e Ásia Central, com 6%. No total, apenas 28 dos 545 fundos climáticos identificados apoiam projetos de adaptação à mudança do clima no Brasil.

“O Brasil não é uma prioridade na alocação de recursos internacionais para adaptação, mas isso não significa que não temos riscos ou vulnerabilidades que precisam ser abordadas no país”, explica Katerina Elias-Trostmann, analista de pesquisa sênior do World Resources Institute (WRI) no Brasil, que encomendou o estudo. Para ela, uma maneira para o país acessar esses recursos pode ser através de novos arranjos institucionais, como parcerias entre empresas e ONGs, e de projetos mais amplos que tratem de outras questões além da adaptação.

No plano nacional, há somente dois fundos que investem explicitamente em adaptação, mas o estudo identificou que outros 17 fundos voltados para setores abordados pela Política Nacional de Adaptação (PNA) podem ser considerados relevantes para o financiamento da adaptação no Brasil.

“O foco do investimento em adaptação é crucial para apoiar os países na elaboração de estratégias de adaptação e resiliência aos impactos da mudança do clima. Contudo, inevitáveis diferenças entre os custos estimados para nos adaptarmos e o quanto de recurso já existe é muito grande”, comenta Flavia Resende, coordenadora de práticas empresariais e políticas públicas do Instituto Ethos. “O Pnuma indica que, para cumprir com as reais necessidades, precisamos aumentar em até 13 vezes o financiamento para adaptação. Preparar os territórios para estes fenômenos é primordial, é assumir que a mudança do clima já acontece e que temos que nos adaptar”.

Adaptação climática dentro do planejamento das empresas brasileiras

Além do levantamento sobre financiamento, o estudo também reuniu um conjunto de 35 empresas brasileiras associadas ao Instituto Ethos para mapear a adoção de iniciativas corporativas em prol da adaptação climática. Os resultados diagnosticados são preocupantes: somente 38% das organizações têm elaborado avaliações periódicas de vulnerabilidade climática em seus negócios e, apesar de 50% ter integrado os riscos oriundos da mudança do clima a sua cadeia de valor, somente 19% das empresas incluíram os custos de eventos climáticos extremos em seu planejamento financeiro.

“Entre os entraves para a incorporação da adaptação dentro do planejamento corporativo, destacam-se o custo do investimento, a falta de políticas públicas e incentivos governamentais e a escassez de informações sobre métodos, ferramentas e dados sobre clima.

No que tange ao financiamento de ações para adaptação pelas empresas, dos 28 fundos internacionais identificados, cinco explicitam o foco em adaptação e 19 deles visam especificamente a iniciativa privada, oferecendo recursos em forma de doações ou empréstimos condicionais. Dos fundos nacionais, a grande maioria (95%) se destina ao setor privado e apenas dois fundos dão suporte, de maneira evidente, a projetos de adaptação.

Por um lado, o relatório aponta para a incipiência do financiamento para adaptação no Brasil, que ainda carece de fontes de recursos públicos e privados. Por outro, ele também indica que os recursos disponíveis hoje para projetos de adaptação não estão sendo aproveitados plenamente e que um caminho para ampliar as fontes de financiamento é aproveitar as possíveis sinergias entre fundos que tratam de setores do PNA. “Os fundos levantados, de certa forma, atendem a essa demanda e são chances para que o empresariado intensifique seus esforços para se adaptar à mudança do clima”, argumentam os autores.

Por fim, o estudo ressalta a importância de empresas incorporarem projeções sobre efeitos da mudança do clima em seu planejamento de operação e negócios e que adaptação pode representar novas oportunidades, como, por exemplo, a criação de produtos inovadores que respondam a esses desafios. Dessa forma, na melhor relação ganha-ganha, é possível se antecipar aos problemas, proteger o seu negócio e o meio ambiente, gerando benefícios para todos

Fonte: Página 22

 

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Os efeitos da extinção da megafauna

Postado em 13/10/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado Originalmente em 10/10/2017

Megafauna

Docente do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Mauro Galetti lidera um grupo de pesquisadores do Brasil, Dinamarca, Espanha, Suíçaa, EUA, África do Sul e Austrália, que aponta os impactos da extinção da megafauna em todo o planeta. A publicação acaba de sair da revista Biological Reviews. Os autores compilaram informações sobre quais as consequências da extinção extinção de mamutes, preguiças-gigantes, tigres-dente-de-sabres entre outros nas interações ecológicas.

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Interações tróficas e indiretas entre a megafauna e seu ambiente, aqui exemplificado pelo elefante (Loxodonta africana) africano, e outros dois animais de megafauna já extintos: a preguiça gigante (Megatherium americanum) da América do Sul e o marsupial gigante Diprotodon optatum da Austrália.

Todos os anos diversos grupos de pesquisa tentam solucionar quais fatores levaram a megafauna a extinção? – Bom, achamos que seria mais interessante perguntar, “Quais as consequências da extinção da megafauna?” comenta Galetti.

Neste trabalho os pesquisadores focaram como a extinção da megafauna afetou parasitas, predadores, ecossistemas e outros processos ecológicos. – Se você fosse um parasita dentro de uma preguiça-gigante, você teve duas alterantivas antes da extinção da preguiça, ou você buscou outro hospedeiro, e muitas vezes foi o próprio homem, ou você se extinguiu junto com a preguiça, complementa Galetti.

Com a extinção de mais de 177 espécies de megafauna da América do Sul, muitas interações e espécies associadas a megafauna foram extintas. Um exemplo é uma espécies de morcegos-vampiro-gigante que provavelmente foram extintas depois da extinção da megafauna. – Sem esses gigantes para chupar o sangue, o vampiro-gigante deve ter morrido de fome, diz Galetti. O trabalho aponta que muitos parasitas que tem o homem, cachorro e gado como hospedeiro provavelmente evoluíram em grandes mamíferos. A berne e a bicheira por exemplo, devem ter “saltado” da megafauna para os homens e seus animais domésticos.

O trabalho de Galetti e colaboradores tem grandes implicações para a atual onda de extinção que nosso planeta passa, a chamada Sexta Extinção.

Este estudo também incluiu: Marcos Moléon, Pedro Jordano, Mathias M. Pires, Paulo R. Guimarães Jr., Thomas Pape, Elizabeth Nichols, Dennis Hansen, Jens M. Olesen, Michael Munk, Jacqueline S. de Mattos, Andreas H. Schweiger, Norman Owen-Smith, Christopher N. Johnson, Robert J. Marquis and Jens-Christian Svenning.

Link para o artigo:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/brv.12374/full

Fonte: Envolverde

Financiamento fóssil sob pressão

Postado em 13/10/2017 por Felipe Poli Rodrigues

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Campanha internacional busca pressionar o Banco Mundial a encerrar o financiamento de projetos de desenvolvimento que utilizem ou incentivem o uso de combustíveis fósseis

Nos últimos anos, o Banco Mundial tem se tornado uma das instituições financeiras multilaterais com atuação mais estridente na agenda global sobre mudança do clima, buscando engajar o setor financeiro internacional no esforço para reduzir as emissões de gases de efeito estufa através do financiamento de projetos de energia limpa, principalmente em países em desenvolvimento. Esta preocupação tem sido reforçada em discursos e declarações públicas do presidente da instituição, o economista sul-coreano Jim Yong Kim.

“Acabar com a pobreza extrema e lutar contra a mudança do clima estão inextricavelmente ligados. Não podemos fazer um sem o outro”, disse Kim em março de 2016, pouco antes do Acordo de Paris entrar em vigor. “Precisamos ajudar os países a fazer a escolha certa entre as fontes fósseis de energia e as alternativas renováveis. Isto significa que precisamos direcionar a concessão de financiamento para onde ele fará a maior diferença”.

Em setembro passado, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Kim e o secretário-geral da instituição, António Guterres, anunciaram um conjunto de planos para acelerar o fluxo de financiamento para ação climática através de uma nova plataforma dedicada a identificar e facilitar investimentos transformacionais nos países em desenvolvimento. Dentre as ações propostas, o apoio à transição para fontes mais limpas de energia aparece com destaque no planejamento.

Entretanto, no caso do Banco Mundial, discursos e práticas podem não estar muito alinhados no que diz respeito à questão climática. No começo de 2017, um relatório da ONG Bank Information Center (BIC) apontou que a instituição continua financiando massivamente projetos que utilizam ou que incentivam o uso de energia fóssil.

“O Banco Mundial tem se comprometido a ajudar os países a adotar um caminho para o desenvolvimento de baixo carbono, especificamente através da redução dos subsídios aos combustíveis fósseis e da promoção da taxação do carbono”, disse Nezir Sinani, uma das responsáveis pelo estudo, à Deutsche Welle à época de seu lançamento. “No entanto, a política de empréstimo do Banco faz o contrário, ao induzir reduções fiscais às usinas de energia à carvão e à infraestrutura de exploração e exportação deste combustível”.

O estudo analisou o programa de financiamento para políticas de desenvolvimento pelo Banco Mundial, que concentra cerca de 1/3 dos recursos financeiros da instituição. Os resultados apontam que, nos últimos dez anos, a instituição operou financiamentos na casa dos US$ 5 bilhões em quatro países em desenvolvimento (Indonésia, Peru, Egito e Moçambique) que apoiaram projetos que colocaram o clima, as florestas e as pessoas em risco.

“A política de empréstimos do Banco Mundial está criando subsídios para projetos de carvão, gás e petróleo em detrimento de iniciativas para construir e expandir a infraestrutura para a energia eólica, solar e geotérmica e para a proteção das florestas tropicais vulneráveis”, apontam os autores do estudo.

Nesse contexto, diversas organizações e movimentos sociais em todo o mundo se uniram nas últimas semanas na campanha internacional The Big Shift Global, com o objetivo de pressionar as instituições financeiras multilaterais – entre elas, o Banco Mundial – a suspender seu aporte a projetos baseados em energia suja e direcionar os recursos para projetos de energia limpa que alcancem e beneficiem às comunidades mais vulneráveis à mudança do clima.

“O Banco Mundial concorda que a mudança do clima está afetando as pessoas mais pobres do planeta. Seu objetivo é acabar com a pobreza extrema em todo mundo nesta geração. No entanto, ele ainda apoia diversos projetos que contribuem para a mudança do clima”, afirmam as organizações responsáveis pela campanha – entre eles, Climate Action Network (CAN International), Christian Aid, E3G e Overseas Development Institute (ODI).

 

O foco inicial da campanha é pressionar a direção do Banco Mundial nos próximos dias, quando a instituição realizará seu encontro anual em sua sede, na capital dos Estados Unidos, Washington, além de realizar atividades de mobilização durante a Conferência do Clima de Bonn (COP 23).

As instituições financeiras multilaterais regionais também serão foco de atuação da campanha nos próximos meses, com o objetivo de ampliar as opções de financiamento para o desenvolvimento a partir da promoção de energia limpa.

“Queremos que o ponto de vista das pessoas sobre financiamento para energia seja considerado pelos bancos multilaterais de desenvolvimento, seus diretores e executivos, bem como pelos chefes de governo e ministros de finanças dos países membros”, afirmam os responsáveis pela campanha. “É fundamental alinhar as decisões tomadas por estas instituições e seus gestores com objetivos de longo prazo para segurança climática e pobreza – e isso inevitavelmente passa por uma mudança em favor do financiamento de energia limpa, sustentável e renovável para todos”.

Fonte: Página 22

Mar aberto, ar poluído

Postado por Felipe Poli Rodrigues em 13/10/2017

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Levantamento aponta que, por conta da queima de combustível pesado nos navios de cruzeiro, a concentração de material particulado no ar durante as viagens marítimas é bem maior do que em uma rua movimentada – o que afeta diretamente a saúde de quem trabalha e viaja nesses verdadeiros “palácios” sobre a água

Luxo, beleza natural, culinária requintada, sol e mar. Para muitas pessoas, um bom cruzeiro marítimo é um sonho de consumo para as férias de verão, uma opção de lazer e turismo que vem se tornando cada vez mais popular, com trechos e passagens acessíveis, além de novas opções de navio.

No entanto, a sofisticação das viagens de cruzeiro não se reflete necessariamente na tecnologia utilizada para fazer os navios funcionarem em alto-mar. De acordo com levantamento feito pela ONG alemã União de Conservação da Natureza e Biodiversidade (Nabu, na sigla em alemão), o uso predominante de combustível fóssil pesado pelas embarcações resulta em impactos ambientais significativos com efeitos diretos sobre a qualidade de vida daqueles que viajam e trabalham nos “palácios flutuantes”.

O levantamento apontou que a concentração de material particulado no ar em viagens de cruzeiro pode chegar a 380 mil partes por metro cúbico, muito acima do que pode ser observado em ruas movimentadas nas grandes cidades do mundo (20 mil).

“Um navio de porte médio, que queima até 150 toneladas de combustível por dia, emite a mesma quantidade de material particulado que um milhão de automóveis diários”.

Como o combustível queimado por esses navios é um óleo pesado, que libera 100 vezes mais partículas de dióxido de enxofre (SO2) do que o diesel marinho e 3,5 mil vezes mais do que o diesel para carros, as emissões de SO2 decorrentes da operação de um grande navio de cruzeiro equivalem a 376 milhões de carros.

Resposta tímida das empresas

De acordo com a ONG, boa parte desse impacto poderia ser mitigada se a indústria de cruzeiros marítimos passasse a utilizar combustíveis mais limpos e instalassem filtros de partículas ou catalisadores SCR, tecnologias que já são padrão nos escapamentos de caminhões ou automóveis comuns.

No entanto, mesmo grandes empresas do setor, como a Costa, MSC e Royal Caribbean, respondem de maneira tímida ao desafio de reduzir os efeitos negativos de sua operação sobre o meio ambiente e a saúde de seus clientes e profissionais.

“O desempenho ambiental das empresas de cruzeiro é ruim, assim como sua atitude em relação à transparência”, aponta Dietmar Oeliger, chefe de política de transportes da Nabu. “No ano passado, o setor afirmou que 23 navios operariam com filtros de fuligem, mas até hoje não temos sequer um deles instalado e operando”.

No levantamento realizado pela NABU, apenas as empresas de cruzeiro Hapag-Lloyd e TUI receberam avaliação positiva de combate à poluição, por conta de avanços na instalação de catalisadores de óxido de nitrogênio. Este resultado é pouco para um setor que cresceu bastante nos últimos anos.

Segundo a Associação Internacional de Linhas de Cruzeiro (Clia, na sigla em inglês), o total de passageiros dos cruzeiros marítimos em todo o mundo aumentou 38,7% nos últimos sete anos, chegando a mais de 24 milhões de viajantes em 2016. Hoje, essa indústria mobiliza quase um milhão de trabalhadores diretos e indiretos e movimenta S$ 117 bilhões em todo o mundo.

Os impactos ambientais desse setor da indústria naval não são pequenos. Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2014 revelou que comunidades próximas ao porto de Long Beach, em Los Angeles, nos Estados Unidos, tinham taxas mais altas de asma, doenças cardíacas e depressão do que a média nacional, e relacionou as emissões portuárias com a ocorrência anual de 3,7 mil mortes na Califórnia.

Mais recentemente, um estudo conduzido por um grupo de pesquisadores do Finnish Meteorological Institute calculou que a operação naval é responsável por 3% das mortes anuais por poluição do ar nos Estados Unidos.

Poluentes como o dióxido de enxofre e o dióxido de nitrogênio podem causar sérios problemas ao sistema respiratório, além de resultar em impactos ambientais graves, como a acidificação do solo e da água, a eutrofização dos lagos e das áreas costeiras, além de danos aos ecossistemas marítimos.

Além dos impactos diretos sobre a saúde, a queima de combustível fóssil pelos navios de cruzeiro também contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, consequentemente, a mudança do clima global.

A indústria mundial de transporte marítimo de cargas e passageiros é uma das mais intensas em emissões de GEE, sendo responsável por entre 2% a 3% dos gases acumulados na atmosfera terrestre a cada ano. Estima-se que as emissões associadas a este setor possam crescer entre 50% e 250% até 2050. No entanto, a despeito de seu impacto, os compromissos para redução de emissões de carbono no setor são inócuos, já que as empresas continuam reticentes a qualquer ação.

“Apesar das mais variadas alegações de que os navios de cruzeiro estão mais ecológicos, a atitude da indústria em relação ao meio ambiente continua fraca”, argumenta Leif Miller, CEO da Nabu. “A falta de ação de empresas como Costa, MSC e Royal Caribbean para limpar suas operações ameaça seus clientes, os moradores das regiões portuárias e o clima global”.

Em resposta aos apontamentos feitos pelo levantamento, a Clia afirmou que a indústria investe crescentemente em tecnologia para proteger os oceanos e o ar. “A indústria reconhece a importância de investir em tecnologia naval inovadora para preservar o meio ambiente e providenciar uma experiência de viagem ecológica para nossos clientes”, disse Cindy D’Aoust, presidente e CEO da Associação, que reúne as principais empresas internacionais do setor de cruzeiros marítimos.

De acordo com a Clia, seus membros estão investindo mais de US$ 1 bilhão em tecnologia para reduzir as emissões de gases poluentes e de efeito estufa, aperfeiçoar os sistemas de tratamento de efluentes, instalar painéis solares para geração de energia limpa, além de sistemas mais eficientes de aquecimento, ventilação e refrigeração.

Fonte: Página 22

Poluição causa 19 milhões de mortes precoces por ano, diz ONU

Publicado por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente em 03/10/2017

Em relatório divulgado recentemente, a ONU Meio Ambiente aponta que a poluição tira precocemente a vida de 19 milhões de pessoas a cada ano. Documento apresenta 50 ações concretas para reduzir a contaminação e o despejo de resíduos na natureza. Além de elencar soluções, o levantamento cobra compromissos da comunidade internacional para proteger habitats e ecossistemas.

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Em relatório divulgado recentemente, a ONU Meio Ambiente aponta que a poluição tira precocemente a vida de 19 milhões de pessoas por ano. Documento apresenta 50 ações concretas para reduzir a contaminação e o despejo de resíduos na natureza. Além de elencar soluções, o levantamento cobra compromissos da comunidade internacional para proteger habitats e ecossistemas.

“A poluição é um desafio universal, mas a boa notícia é que já sabemos o que precisamos fazer para prevenir e reduzir”, disse o diretor-executivo da agência das Nações Unidas, Erik Solheim, por ocasião do lançamento da pesquisa, na semana passada (28).

O dirigente ressaltou que “agora a responsabilidade é sobre governos, empresas, cidades e autoridades locais, sociedade civil e indivíduos em todo o mundo para se comprometerem a vencer a poluição em todas as suas formas”.

Segundo o relatório, a poluição afeta especialmente as populações em situação de pobreza e é uma ameaça direta aos direitos humanos. Na avaliação da ONU Meio Ambiente, os esforços atuais de Estados, setor privado e cidadãos foram limitados, o que dificultou uma resposta coordenada.

A publicação sugere cinco estratégias globais: um pacto sobre poluição, tornando-a uma prioridade para todos; o fortalecimento das políticas ambientais; o consumo e a produção sustentáveis, com ações para mudar os estilos de vida, reduzir e gerenciar adequadamente os resíduos; investimentos em produção e consumo mais limpos; e parcerias para a inovação, que permitam o compartilhamento de conhecimentos e a realização de pesquisas transdisciplinares.

O documento enfatiza que, embora algumas formas de poluição tenham sido reduzidas à medida que as tecnologias e as estratégias de gerenciamento avançaram, a má utilização dos recursos naturais segue sendo um risco para a humanidade.

“Se os padrões de consumo e produção continuarem como estão, o modelo econômico linear ‘pegue-use-descarte’ irá sobrecarregar gravemente um planeta já poluído, afetando as gerações atuais e futuras”, aponta o relatório.

Acesse a publicação na íntegra clicando aqui.

Fonte: ONU Brasil

Setembro bateu recordes em queimadas no Brasil

Postado por Felipe Poli Rodrigues

Publicado originalmente em 03/10/2017

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Setembro foi o mais com mais queimadas no Brasil, nos últimos 20 anos, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Temperaturas altas, clima seco e falta de chuva são fatores que contribuem para o surgimento de focos de incêndio. Mas a intervenção do homem é sem dúvida alguma a principal causa dessas ocorrências, provocando danos irreparáveis ao meio ambiente. “As queimadas destroem a fauna e a flora nativas, causando empobrecimento do solo e reduzindo a capacidade de penetração da água no subsolo, entre outros danos ao meio ambiente”, diz o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS). De acordo com dados divulgados pelo Inpe, durante o mês de setembro ocorreram aproximadamente 100 mil queimadas. Para se ter uma ideia, esse número representa quase a metade das ocorrências registradas pelo órgão durante todo o ano de 2016, que foi de 188 mil queimadas.

Fonte: Envolverde

Aliança Água+Acesso: água de qualidade é saúde e desenvolvimento

Postado por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 04/10/2017

 

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A aliança busca construir parcerias em regiões onde a baixa oferta de água de qualidade compromete a saúde e o desenvolvimento local.

Pelos rios da Amazônia corre cerca de 13% de toda água doce do planeta. No entanto, é nessa região que a população mais sofre com a falta de água potável e com as doenças provocadas pelo consumo de água contaminada. As distâncias e a precariedade dos transportes são os principais obstáculos que o poder público enfrenta para chegar principalmente às populações ribeirinhas e comunidades mais distantes dos centros urbanos. Nessas áreas, é fundamental o apoio de alianças entre governos, iniciativa privada e sociedade civil. É o caso do programa Água+ Acesso, lançado pelo Instituto Coca-Cola Brasil, que procura construir parcerias com organizações sociais para levar saúde e qualidade de vida a milhares de pessoas. O foco é em ações que fortalecem o empoderamento das comunidades na solução de suas carências em água e saneamento básico.

A aliança Água+Acesso foi lançada em março de 2017, com suporte do Instituto Coca-Cola Brasil, em parceria com Banco do Nordeste, Fundación Avina, Instituto Trata Brasil, WTT (World-Transforming Technologies) e algumas das principais organizações que atuam com o tema água no Brasil, como SISAR Ceará, Projeto Saúde e Alegria e Fundação Amazonas Sustentável. Juntas, essas entidades trabalham em mais de duas mil comunidades.

Além do piloto já instalado em Caucaia (Ceará), que atende a 150 famílias e 500 pessoas, este ano o programa investir mais R$ 600 mil e beneficiará diretamente mais de 800 famílias e 3.200 pessoas. “Nossa proposta é fortalecer as iniciativas consolidadas na região e que já têm resultados para mostrar”, explica Rodrigo Brito, gerente de operações do Instituto Coca-Cola Brasil.

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O ponto de partida para esse grande processo colaborativo com organizações sociais é a percepção de que a água, principal insumo dos produtos da Coca-Cola Brasil, é também o principal fator para o desenvolvimento humano. “Queremos ampliar a colaboração e potencializar os modelos autossustentáveis em todo o Brasil”, diz Rodrigo, que define os pilares sobre os quais o projeto Água+ Acesso se assenta: integrar, inovar, impulsionar (que significa ampliar o impacto) e influenciar (governos, políticas públicas, comunidades).

Uma dessas organizações parceiras, que atua há mais de 20 anos na região do Rio Tapajós, com sua base em Santarém (Pará) é o Projeto Saúde & Alegria, que tem entre seus fundadores o médico Eugênio Scanavino. “Eu vim para a Amazônia pensando em cuidar da saúde das pessoas, trabalhar como médico”, explica. Mas a vida mostrou que os caminhos para cuidar da saúde na Amazônia não levam sempre aos ambulatórios. Para ele a experiência dos atendimentos nos postos de saúde era frustrante. “Todos os dias passava pela fila de pacientes perguntando quem tinha diarreia, e era quase todo mundo”. Esse choque de realidade levou à busca de caminhos alternativos, pois a constatação de que a falta de água de qualidade era o principal motivo de doenças na região e, principalmente, de morte de crianças, precisava de uma ação.

Fonte: Envolverde