Mais uma vez é Dia do Meio Ambiente

Postado em 05/06/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 05/06/2017

Escorpião-e-o-Sapo

Todos os anos, nesta data, acorda, no coração das pessoas, e no seio das empresas, um gnomo verde que lembra a todos que está na hora de dizer o quanto o ambiente é importante para todos

Há alguns fatos que permanecem esquecidos por todo o ano e, quando chega o Dia Mundial do meio Ambiente ganha visibilidade de neon. O principal deles é que a Terra é o único planeta ao alcance da humanidade, não importa quanta pesquisa espacial seja feita. E a humanidade corre contar dois relógios, o da demografia e o da degradação. No caso da demografia, somos hoje cerva de 7,5 bilhões de pessoas em um planeta que apenas alimenta com alguma qualidade a metade dessas pessoas. A outra metade sofre algum tipo de carência ou todas elas, em alimentação, saúde, habitação, emprego, segurança, direitos humanos e todas as outras que você, leitor, puder imaginar. Não bastasse isso, caminhamos celeremente para 10 bilhões de pessoas em cerca de 30 anos. Há estimativas de que a humanidade chegará no redondo número de 10 bilhões de pessoas até perto de 2050.

Sob o ponto de vista da degradação os riscos são ainda mais prementes, nossa economia profundamente predatória acredita piamente no paradigma do crescimento infinito, sem levar em conta a premissa de um ambiente planetário finito. Temos o aquecimento global, que ameaça com alterações climáticas extremas e que impõe mudanças drásticas na produção e uso de energias. Neste campo o Acordo de Paris, o mais importante protocolo ambiental já construído pelo conjunto de países da Terra, está sob ataque não apenas do governo norte-americano, mas por poderosas empresas que podem ser “prejudicadas” com a redução do uso de combustíveis fósseis.

No campo da biodiversidade as coisas são ainda piores, as florestas do mundo estão sob ataque e, principalmente os biomas dentro das fronteiras brasileiras, que sob o falseado argumento da produção de alimentos, estão sendo abertos para a produção de insumos agroindustriais. Rios são barrados sob o argumento da “energia limpa”, enquanto os oceanos perdem sua biodiversidade pela exploração predatória da pesca industrial.

Este texto não pretende ser científico e oferecer os dados específicos de cada uma das ameaças às quais os biomas planetários estão sujeitos, mas apenas convidar a uma reflexão sobre o impacto da humanidade sobre este planeta.

A Terra tem cerca de 4 bilhões de anos, possivelmente a vida complexa tem cerca de 1 bilhão de anos no planeta, cerca de 65 milhões de anos atrás uma catástrofe planetária praticamente extinguiu a vida de grande porte. 100 mil anos atrás a humanidade passou a ser bípede e começou sua trajetória de uma das espécies mais ameaçadas da Terra para a espécie dominante. Tornamo-nos, nos últimos 5 mil anos a primeira espécie senciente e que, a partir da observação da natureza e da reflexão criou conceitos de ética, filosofia, ciência e política.

Criamos Deus à nossa imagem e semelhança e desenvolvemos a cultura. Criamos a tecnologia que nos permitiu viver mais e produzir com mais eficiência quantitativa. No entanto, agimos com o planeta que nos dá o suporte da vida da mesma forma que o escorpião da fábula, que ao pedir ao sapo uma carona até o outro lado do rio, e garantir que não picaria sua montaria, não aguenta e, no meio do rio, pica o sapo e causa a morte dos dois.

A humanidade é o escorpião da Terra e o nosso rio é o inóspito espaço que cerca o planeta. A humanidade está picando a Terra de forma avassaladora. A diferença é que a Terra não morrerá, se livrará desse incômodo escorpião e seguirá pela eternidade como suporte à vida de milhões de outras espécies. O que está em jogo não se a sobrevivência da Terra, mas sim sua capacidade de oferecer abrigo à humanidade, uma espécie predadora que ainda precisa evoluir para entender que não é a única e nem sequer a mais importante espécie a se abrigar no Planeta Terra.

Fonte: Envolverde

Nota do Observatório do Clima sobre saída dos EUA do Acordo de Paris

Postado em 02/06/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 02/06/2017

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Numa lamentável demonstração de irresponsabilidade, cegueira ideológica e inépcia estratégica, o presidente Donald J. Trump anunciou nesta quinta-feira que os Estados Unidos sairão do acordo do clima de Paris. A decisão é um erro histórico, que terá repercussões gravíssimas para toda a humanidade e para a população e a economia dos EUA.

O ato desta quinta-feira praticamente sepulta a chance da humanidade de atingir a meta de estabilizar o aquecimento global em 1,5oC neste século, objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris e medida de segurança para evitar a extinção de pequenas nações insulares. Também traz riscos para o objetivo de limitar o aquecimento a menos de 2oC, ao eliminar da mesa de negociações o maior emissor histórico de gases de efeito estufa e uma das principais fontes de financiamento climático – potencialmente levando outras nações a repensar os próprios compromissos.

Na geopolítica global, o dia 1o de junho de 2017 ficará conhecido como a data em que os Estados Unidos claramente abandonaram a ordem mundial construída no pós-Segunda Guerra e voltaram ao seu isolacionismo.

Ao sair do Acordo de Paris, Donald Trump também faz o oposto da sua promessa de botar “a América em primeiro lugar” e de proteger a população e os empregos americanos, como repetiu à exaustão em seu discurso na quinta-feira. Ao virar as costas para o setor de energias renováveis – que gera empregos 12 vezes mais rápido que o restante da economia – e ao dobrar a aposta em setores moribundos, como o de carvão, o governo federal americano entrega a competitividade da indústria à China, que já investe mais que os EUA em energia eólica e solar.

Além de prejudicar as empresas e a geração de empregos, expõe toda a população dos Estados Unidos (e do restante do mundo) a impactos cada vez mais graves da mudança do clima. O aquecimento “pequenininho” do qual o presidente fez troça terá um efeito grande sobre cidades como Nova York, terra natal de Trump. Infelizmente, o clima não liga para ideologia ou “fatos alternativos”; ele simplesmente aquece.

O recuo imoral do governo americano não é o fim do Acordo de Paris, nem da ação climática global. É, ao contrário, um chamado à ação. Cabe agora ao resto do mundo, inclusive a Estados e empresas dos EUA, aumentar sua ambição para fazer frente a Trump e cumprir os objetivos do tratado de garantir um planeta habitável neste século.

Fonte: Envolverde

Desmatamento da Mata Atlântica cresce quase 60% em um ano

Postado em 29/05/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 29/05/2017

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Foram destruídos 29.075 hectares de florestas entre 2015-2016. Último registro de desmatamento nessas proporções ocorreu há 10 anos.  Municípios do Sul da Bahia concentram cerca de 30% do total desmatado.

São Paulo, 29 de maio de 2016 – A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta segunda-feira (29) os novos dados do Atlas da Mata Atlântica, referentes ao período de 2015 a 2016. A iniciativa tem o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan.

O estudo aponta o desmatamento de 29.075 hectares (ha), ou 290 Km2, nos 17 Estados do bioma Mata Atlântica – representando aumento de 57,7% em relação ao período anterior (2014-2015), referente a 18.433 ha. Para o estudo na íntegra, acesse https://www.sosma.org.br/downloads/index.php

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Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, observa que há 10 anos não era registrado no bioma um desmatamento nessas proporções. “O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005”, disse. No período de 2005 a 2008 a destruição foi de 102.938 ha, ou seja, média anual de 34.313 ha.

Neste levantamento, a Bahia foi o estado que liderou o desmatamento com decréscimo de 12.288 ha – alta de 207% em relação ao ano anterior, quando foram destruídos 3.997 ha. Dois municípios baianos – Santa Cruz Cabrália e Belmonte – lideram o ranking dos maiores desmatadores, com supressão de 3.058 ha e 2.119 ha, respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilhéus, cerca de 30% do total do bioma foi destruído nessa região, que historicamente é conhecida pela chegada dos portugueses e pelo início da colonização do país. “Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Nós estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado”, complementa Marcia.

Um sobrevoo realizado por técnicos da SOS Mata Atlântica, em 16 de maio deste ano sobre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Belmonte, constatou queimadas em floresta, conversão da floresta em pastagens e processos de limpeza de áreas onde o entorno apresenta forte atividade de silvicultura.

Mata-Atlantica

A vice-liderança do ranking do desmatamento da Mata Atlântica ficou com Minas Gerais, com 7.410 ha desmatados, seguido por Paraná (3.453 ha) e Piauí (3.125 ha).

Em Minas Gerais, os principais pontos de desmatamento ocorreram nos municípios de Águas Vermelhas (753 ha), São João do Paraíso (573 ha) e Jequitinhonha (450 ha), região reconhecida pelos processos de destruição da Mata Atlântica para produção de carvão ou pela conversão da floresta por plantios de eucalipto. Minas liderou o ranking em sete das últimas nove edições do Atlas da Mata Atlântica, sempre com municípios dessa região figurando na lista dos maiores desmatadores.

Já  no Paraná, os índices de desmatamento voltaram a subir pelo segundo ano consecutivo, passando de 1.988 ha destruídos entre 2014 e 2015 para 3.545 ha entre 2015-2016, aumento de 74%. E um alerta continua: a destruição concentra-se na região das araucárias, espécie ameaçada de extinção, com apenas 3% de florestas remanescentes.

No Piauí, os maiores desmatamentos ocorreram em Manoel Emídio (1.281 ha), Canto do Buriti (641 ha) e Alvorada do Gurguéia (625 ha), municípios limítrofes entre si e próximos ao Parque Nacional Serra das Confusões. Esse é o quarto ano consecutivo que o Atlas registra padrão de desmatamento nesses municípios que ficam numa importante região de fronteira agrícola, que concentra a produção de grãos e é também área de transição entre a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga.

Para Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, a situação é gravíssima e indica uma reversão na tendência de queda do desmatamento registrada nos últimos anos. E, para ele, não é por acaso que os quatro estados campeões de desmatamento são conhecidos por sua produção agropecuária.

Mario-Mantovani-SOS-Mata-Atlantica

“O setor produtivo voltou a avançar sobre nossas florestas, não só na Mata Atlântica, mas em todos os biomas, após as alterações realizadas no Código Florestal e o subsequente desmonte da legislação ambiental brasileira. Pode ser o início de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que não podemos aceitar”, destaca.

Segundo ele, a ofensiva continua com a tentativa de flexibilização do licenciamento ambiental e diversos ataques ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

“No momento em que o caos está instalado em Brasília, numa crise política que tem no seu centro a maior empresa de carnes do mundo, a bancada do agronegócio e o núcleo central do governo federal avançam, de forma orquestrada e em tempo recorde, sobre o nosso sistema de proteção ambiental. A sociedade não pode ficar alheia às decisões tomadas por nossos governantes e legisladores. Precisamos nos mobilizar para frear o desmonte da nossa legislação”, conclui.

Mangue e Restinga

No período de 2015 a 2016 foi identificada supressão da vegetação de restinga em 9 dos 17 estados do bioma: Ceará (788 ha), Piauí (244 ha), Santa Catarina (199 ha), Bahia (64 ha), Sergipe (50 ha), São Paulo (32 ha), Rio de Janeiro (29 ha), Paraná (14 ha) e Rio Grande do Norte (6 ha).

Já o desmatamento em mangues aconteceu apenas na Bahia, em uma área de 68 ha.

Desmatamento zero

Em maio de 2015, 17 secretários de Meio Ambiente dos Estados da Mata Atlântica assinaram a carta “Nova História para a Mata Atlântica”, compromisso que prevê a ampliação da cobertura vegetal nativa e a busca do desmatamento ilegal zero no bioma até 2018.

Entretanto, após dois anos do acordo, esta edição do Atlas da Mata Atlântica aponta que apenas cinco estados estão no nível do desmatamento zero, ou seja, com menos de 100 hectares (1 Km2) de desflorestamentos, somadas áreas desmatadas em florestas, mangues e restingas: Rio Grande do Norte (6 ha), Alagoas (11 ha), Paraíba (32 ha), Pernambuco (16 ha) e, Rio de Janeiro (66 ha).

Não estão mais no nível de desmatamento zero Goiás, com 149 ha desmatados; Ceará, com 797 ha e São Paulo, com 730 ha. A boa notícia fica para Pernambuco, que voltou para a lista desse ano com a redução de 88% do desmatamento – passou de 136 ha entre 2014 e 2015 para 16 ha no último ano.

“Apesar do grande aumento do desmatamento em São Paulo, é importante destacar que 90% ocorreu por causas naturais, mais especificamente vendavais e tornados que atingiram os municípios de Jarinu, Atibaia, Mairinque, São Roque e Embu-Guaçu em 5 de junho do ano passado”, esclarece Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE.

Confira o ranking completo dos estados:

Desmatamentos entre 2015-2016, em hectares*
UF Área UF Lei Mata Atlântica % Bioma Mata 2016 % Mata Desmatamento 2015-2016 Desmatamento 2014-2015 Variação
BA 56.473.404  17.988.595 32% 2.014.528 11,2% 12.288  3.997 207%
MG 58.651.979  27.622.623 47% 2.836.004 10,3% 7.410  7.702 -4%
PR 19.930.768  19.637.895 99% 2.283.731 11,6% 3.453  1.988 74%
PI 25.157.775  2.661.841 11% 905.268 34,0% 3.125  2.926 7%
SC 9.573.618  9.573.618 100% 2.204.983 23,0% 846  598 41%
SP 24.822.624  17.072.755 69% 2.346.481 13,7% 698  45 1462%
ES 4.609.503  4.609.503 100% 483.541 10,5% 330  153 116%
MS 35.714.473  6.386.441 18% 706.841 11,1% 265  263 1%
RS 26.876.641  13.857.127 52% 1.093.302 7,9% 245  160 53%
10º SE 2.191.508  1.019.753 47% 70.166 6,9% 160  363 -56%
11º GO 34.011.087  1.190.184 3% 30.386 2,6% 149  34 345%
12º RJ 4.377.783  4.377.783 100% 819.584 18,7% 37  27 37%
13º PB 5.646.963  599.487 11% 54.924 9,2% 32  11 206%
14º PE 9.815.022  1.690.563 17% 197.181 11,7% 16  136 -88%
15º AL 2.777.724  1.524.618 55% 143.433 9,4% 11  4 181%
16º CE 14.892.047  866.120 6% 64.065 7,4% 9  3 149%
17º RN 5.281.123  350.994 7% 12.219 3,5% 0  23
TOTAL 29.075  18.433 57,7%

*A tabela indica os desflorestamentos, em hectares, somente das florestas nativas (sem contar outras classes, como vegetação de mangue e restinga), observados no período 2015-2016, com comparativo e variação em relação ao período anterior (2014-2015).

Abaixo, total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):

Desmatamento observado Total desmatado Intervalo (anos) Taxa anual
Período de 2015 a 2016 29.075 1 29.075
Período de 2014 a 2015 18.433 1 18.433
Período de 2013 a 2014 18.267 1 18.267
Período de 2012 a 2013 23.948 1 23.948
Período de 2011 a 2012 21.977 1 21.977
Período de 2010 a 2011 14.090 1 14.090
Período de 2008 a 2010 30.366 2 15.183
Período de 2005 a 2008 102.938 3 34.313
Período de 2000 a 2005 174.828 5 34.966
Período de 1995 a 2000 445.952 5 89.190
Período de 1990 a 1995 500.317 5 100.063
Período de 1985 a 1990 536.480 5 107.296
Total 1985 a 2016 1.916.671

Dados completos e o relatório do Atlas da Mata Atlântica 2017 disponíveis em www.sosma.org.br e www.inpe.br

Faça download de imagens dos mapas do monitoramento em https://goo.gl/NRc81I

Sobre a Mata Atlântica

A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica atua desde 1986 na proteção dessa que é a floresta mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e Unidades de Conservação, dentre outros. Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.

Sobre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atua nas áreas de Observação da Terra, Meteorologia e Mudanças Climáticas, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. Possui laboratórios de Computação Aplicada, Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais de monitoramento florestal, previsão do tempo e clima, rastreio e controle de satélites, medidas de queimadas, raios e poluição do ar.

O INPE aposta na construção de satélites para produção de dados sobre o planeta Terra, e no desenvolvimento de pesquisas para transformar estes dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo. Também se dedica à distribuição de imagens meteorológicas e de sensoriamento remoto, e à realização de testes e ensaios industriais de alta qualidade. Além disso, o Instituto transfere tecnologia, fomentando a capacitação da indústria espacial brasileira e o desenvolvimento de um setor nacional de prestação de serviços especializados no campo espacial. Mais informações em www.inpe.br.

Fonte: Envolverde

Agro x conservação da natureza: quem perde com esse confronto?

Postado em 29/05/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 28/05/2017

Escarpa

Novo marco cravado neste início de 2017 confirma a relevante contribuição da agropecuária para a economia nacional. Depois de dois anos de retração, o Índice de Atividade Econômica do primeiro trimestre anunciado esta semana pelo Banco Central apontou elevação de 1,12% em relação ao período anterior. A principal responsável por esse saldo é a nova safra de grãos, que deverá ser a maior da história, em torno de 230 milhões de toneladas segundo a última estimativa do IBGE.

A dinamização da economia não decorre apenas da negociação da safra –lembrando que a maior parte da produção é exportada para outros continentes. Isto é, para que chegue aos nossos portos, é necessário transporte, por centenas de quilômetros, consumindo combustível, lubrificantes, pneus e uma infinidade de produtos e serviços ao longo das rodovias, principal modal brasileiro. As atividades e insumos para os plantios, tratamentos culturais e colheita igualmente contribuem para o incremento da economia.

Entretanto, os dados econômicos não consideram os serviços ambientais que viabilizam a produção agropecuária. Sem contar com a ampliação de áreas no Cerrado e Amazônia, melhores tecnologias têm propiciado aumento de produtividade nas áreas historicamente cultivadas no Centro-Sul do País. Em decorrência disso, porém, as atividades agroeconômicas têm pressionado ano a ano os poucos remanescentes naturais, em especial na Mata Atlântica, visto que se tratavam de áreas marginais mas que hoje são passíveis de produção.

Foi esse processo que ocorreu na Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana, criada em 1992 pelo Estado do Paraná, para conservação dos últimos refúgios dos “Campos Gerais” que se intercalavam às florestas com araucárias e outras espécies arbóreas e rasteiras (de campos limpos e pedregosos), muitas ameaçadas de extinção, e molduravam o imenso degrau de relevo entre os planaltos de Curitiba e Ponta Grossa (escarpa). A declividade e os solos rasos impediam sua exploração, porém a tecnologia, especialmente do plantio direto, que possibilita o plantio em solos rasos, potencializou a quase extinção dos campos, incluindo as áreas úmidas drenadas.

A divulgação de dados por satélites indicando o Paraná como Estado que mais suprimiu a Mata Atlântica nos últimos 30 anos também está nesse contexto, tanto que neste ano o Ministério Público Estadual capitaneou ação contra desmatamentos da floresta com araucárias, tendo flagrado inédito enterro de árvores, visto que o objetivo era apenas abrir novas áreas para cultivos.

Portanto, a drástica perda de áreas naturais na Escarpa Devoniana, que suscitou Projeto de Lei Estadual para sua redução, é idêntica a de outras regiões do Paraná e Estados vizinhos, onde os remanescentes naturais gradualmente foram convertidos para agrossilvicultura. Com a não contabilização da perda de serviços ambientais, os lucros são centralizados a uma parte da sociedade, enquanto a menor vazão dos mananciais, redução de polinizadores, perda de espécies, contaminação de solos e aquíferos e desregulação climática ficam para todos, perdendo a imensa maioria da população. No médio prazo, ainda, os recursos naturais tendem a ser exauridos e novas supersafras serão inviabilizadas.

Fonte: Oeco

Por que um Brasil sustentável, logo agora?

Postado em 29/05/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 29/05/2017

Bioeconomia

Em meio ao caos que se resultou no país após o impeachment de Dilma Rousseff, com a entrada de um novo governo e com a economia decadente, o discurso da sustentabilidade tornou-se figurante no Brasil e corre o risco de não voltar a estar dentre as prioridades do governo tão cedo – o que é extremamente alarmante.

A COP21, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, aconteceu em dezembro de 2015, somente um mês após o maior desastre ambiental da história do Brasil: o rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais. Apesar disso, o Brasil teve uma posição de liderança nas negociações climáticas, e o Acordo de Paris, que entrou em vigor no final do ano passado, foi adotado por 195 países, incluindo diversas medidas que visam combater as mudanças climáticas.

Dentre essas medidas, destaca-se a cláusula para manter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, realizando esforços para que o aumento máximo da temperatura seja de 1,5°C. Essa última condição, motivo de polêmica nas negociações em Paris, é crucial, pois esse meio grau Celsius de diferença pode resultar em consequências desastrosas para o planeta – e principalmente para o Brasil.

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Sede da maior floresta tropical do mundo, o Brasil tem 42% do seu território ocupado pela floresta Amazônica. Devido a essa riqueza natural, o governo brasileiro possui o dever de implementar medidas ambientais que visem proteger a Amazônia. A questão do 1,5°C encaixa-se nisso, já que dentre as principais fontes emissoras de gases de efeito estufa no Brasil está o desmatamento de regiões tropicais como a floresta Amazônica.

Um segundo fator diz respeito à queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), que não são renováveis e causam muita poluição na atmosfera. O setor de produção de energia brasileiro, por meio das termelétricas, é um dos mais poluentes e, desde 2013, tem sido utilizado como medida para amenizar a crise hídrica que atingiu o Brasil – mais um motivo para manter o aumento em 1,5°C.

De acordo com o site Carbon Brief, o orçamento atual de carbono revela que em apenas quatro anos de emissões globais de gases de efeito estufa o aumento da temperatura média global será maior do que 1,5°C. Essa informação leva o planeta a um estado de urgência; e o Brasil, como um dos principais emissores do mundo (atrás da China, dos EUA, e da União Europeia), tem enorme responsabilidade na luta para estabilizar a temperatura do planeta.

A crise política e econômica do Brasil não deve – e nem pode – ser deixada de lado em meio à urgência ambiental no planeta. Entretanto, mais do que nunca, as secas e as enchentes, assim como outros desastres ambientais, têm o potencial de desestabilizar o Brasil em proporções catastróficas. Se as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável não forem vistos como prioridades pelo governo brasileiro e pela população, as consequências serão muito piores do que a atual instabilidade que figura nos setores público e privado.

Fonte: Envolverde

Grandes propriedades respondem por 59% da desobediência ao Código Florestal

Postado em 25/05/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 25/05/2017

Codigo-florestal

Quarenta e um milhões de hectares de florestas deixarão de ser restaurados, com o perdão concedido aos proprietários rurais pelo novo Código Florestal, que completará cinco anos no próximo dia 25. A área é equivalente à soma dos estados do Maranhão, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, dos quais 36,5 milhões de hectares deveriam ser áreas de reservas legais. Independente da anistia, mais 19 milhões de hectares de áreas de preservação permanente e reservas legais precisam ser recuperados para o cumprimento da lei no Brasil.

Essas informações fazem parte do novo estudo do Atlas da Agropecuária Brasileira e da parceria entre o IMAFLORA, o Geolab Esalq/USP e da universidade sueca KHT.

O trabalho na íntegra pode ser conhecido na edição atual do Sustentabilidade em Debate 5, disponível para download gratuito aqui.

Alguns resultados

O trabalho aponta que a Mata Atlântica é o bioma que mais perdeu em reserva legal e áreas de preservação permanente, nas propriedades privadas.

Traz ainda uma grande novidade ao calcular a vegetação que deixou de ser restaurada, por perfil de imóvel rural.  As grandes propriedades representam apenas 6% do total de imóveis no país, mas possuem 59% da área com déficit de reserva legal ou área de preservação permanente. Os pequenos imóveis, por sua vez, representam 82% do número de imóveis e possuem apenas 6% da área com déficit. De acordo com o Gerd Sparovek(Geolab – Esalq/USP), o estudo dá subsídios para o desenvolvimento de políticas e incentivos econômicos mais assertivos para o cumprimento da lei por produtores, e uma definição mais justa e correta dos incentivos e medidas de controle necessárias.

Para Vinicius Guidotti, analista de geoprocessamento do Imaflora a análise inova, porque foi feita a partir da nova malha fundiária do país, revelada pelo Cadastro Ambiental Rural e, por isso, foi possível avaliar a anistia e os déficits de cumprimento da Lei, propriedade a propriedade, permitindo maior precisão ao agregar os resultados por município, regiões administrativas, estado ou bioma.

Fonte: Envolverde

Construindo um caminho para a bioeconomia

Postado por Felipe Poli Rodrigues em 25/05/2017

Postado originalmente em 25/05/2017

Bioeconomia

Desde a sua origem, em 24/05/2006, a Embrapa Agroenergia vem se dedicando a produzir soluções alinhadas ao Plano Nacional de Agroenergia, documento produzido no mesmo ano pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que propôs políticas para quatro plataformas, que compreenderam o Etanol, o Biodiesel, as Florestas Energéticas e os Coprodutos e Resíduos. Nessa época, foi proposta a criação de um centro de pesquisa em Agroenergia que culminou na criação da nossa Unidade. Inicialmente, a Embrapa Agroenergia foi sediada no prédio da Embrapa Sede e, em 2008, iniciou-se a construção do seu prédio sede, o qual foi concluído em 2010. Em 2012, finalizou-se a estruturação dos laboratórios de pesquisa e a contratação do quadro de pessoal.

A partir de então, a Unidade começou a se dedicar a projetos multidisciplinares de grande porte, na lógica de parcerias público-privadas, integrando sua equipe multidisciplinar para prover soluções nos temas ligados às quatro plataformas supracitadas. Entretanto, com a descontinuidade do Plano Nacional de Agroenergia ao final de sua vigência, a Unidade se viu obrigada a redirecionar sua programação, que hoje não somente se dedica às pesquisas com biocombustíveis, mas também vem ampliando as pesquisas com microalgas, química verde, biomateriais, entre outras áreas.

Nesse contexto, a Embrapa Agroenergia atua hoje em quatro eixos principais: Biomassa para uso industrial, Biotecnologia Industrial, Química de Renováveis e Materiais Renováveis, como pode ser visto na figura, que sumariza a caminhada desde nossa criação até o dia de hoje. No primeiro eixo, temos buscado utilizar melhoramento genético convencional e melhoramento assistido por biotecnologias para produzir matérias-primas com características de interesse para o setor industrial. No segundo, estamos produzindo insumos e processos para a conversão eficiente das matérias-primas em combustíveis e outros produtos de valor agregado no contexto das biorrefinarias. Por fim, no terceiro e quarto eixos, temos procurado desenvolver soluções que ajudem o Brasil a reduzir seu déficit na balança comercial de químicos, dando foco às pesquisas para produção de químicos verdes e aos materiais renováveis, de forma a desenvolver soluções nacionais que possam tomar o lugar daquelas importadas e, principalmente, buscando substituir os produtos de origem fóssil por aqueles de origem renovável. Somente assim, poderemos desenvolver uma bioeconomia sólida e sustentável.

Histórico de evolução da Embrapa Agroenergia

Diferentemente da maioria das Unidades irmãs da Embrapa, a Embrapa Agroenergia foi concebida como uma instituição cujas ações são dedicadas a se relacionar, não somente, mas principalmente, com o setor industrial dedicado a converter biomassa em produtos de valor agregado como etanol, biodiesel, entre outros. Isso não quer dizer que não atuamos na ponta produtiva dessa cadeia. Pelo contrário, estamos realizando pesquisas para desenvolvimento de matérias-primas que tenham características de interesse industrial, mas que serão produzidas pelo setor produtivo, ou seja, agricultores pequenos, médios e grandes. Ao desenvolvermos soluções para todos os elos das cadeias ligadas à bioeconomia nacional é que poderemos apoiar o desenvolvimento de uma economia circular competitiva.

Neste mês de maio de 2017, a Embrapa Agroenergia comemora seu décimo primeiro aniversário e, para darmos satisfação ao investimento que a sociedade fez e faz para chegarmos até aqui, a Unidade vai publicar, em breve, na sua página da web (http://www.embrapa.br/agroenergia), nossa vitrine de produtos tecnológicos que estarão disponíveis para negociação com empresas, startups e outros atores do mercado que se interessarem pelos nossos ativos. Estamos preparando, também, soluções de integração de fontes renováveis de energia para atender a demandas específicas de produtores rurais bem como de agroindústrias. Nossa proposta é termos disponíveis soluções integradas que possam atender às demandas de toda a cadeia de produção, desde os agricultores familiares até aqueles de médio e grande porte. Estas ações são parte da estratégia de integração da pesquisa e desenvolvimento com os mecanismos de transferência de tecnologia que adotamos de modo que nossa produção possa chegar até a sociedade de forma eficiente.

Atualmente, a nossa visão é “Ser referência nacional e internacional na geração de inovações tecnológicas que permitam converter matérias-primas renováveis diversificadas, por processos bioquímicos, químicos e termoquímicos, em alternativas sustentáveis de bioprodutos e bioenergia dentro do contexto da Biotecnologia Industrial e da Química Verde”.

No contexto dessa nova visão para a Embrapa Agroenergia, temos a expectativa de produzirmos soluções competitivas que nos permitam dar alternativas a todos os setores produtivos envolvidos na cadeia de Química e Tecnologia da Biomassa nacional. É com esse formato de atuação que estaremos contribuindo sobremaneira para o desenvolvimento de uma economia de base renovável que irá substituir aquela de origem não renovável.

Estamos de portas abertas para a sociedade brasileira e temos como meta desenvolver soluções que possam ajudar a nossa agricultura a se manter na vanguarda mundial. Afinal, o Brasil é o único país do mundo moderno que possui todos os insumos e domínio tecnológico para se manter nesse patamar.

Fonte: Envolverde