Agentes externos provocaram uma “guerra híbrida” no Brasil, diz escritor


Pesquisador Andre Korybko analisa que os EUA aproveitaram problemas identitários para mobilizar brasileiros contra o PT

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

"Guerras Híbridas – Das Revoluções Coloridas aos Golpes" foi lançado este mês no Brasil pela editora Expressão Popular - Créditos: Reprodução / Expressão Popular
“Guerras Híbridas – Das Revoluções Coloridas aos Golpes” foi lançado este mês no Brasil pela editora Expressão Popular / Reprodução / Expressão Popular

“Há uma Guerra Híbrida muito intensa sendo travada no Brasil neste momento e afeta todas os aspectos da vida de cada cidadão. Ao longo dos últimos dois anos, agentes externos vêm tentando muito sutilmente condicionar a população para voltá-la contra o Partido dos Trabalhadores, usando instrumentos como a Operação Lava Jato, apoiada pela NSA [agência norte-americana de inteligência]”, afirma o analista político norte-americano Andre Korybko, autor de “Guerras Híbridas – Das Revoluções Coloridas aos Golpes”, recém-lançado no Brasil pela Expressão Popular.

Na entrevista abaixo, Korybko, que vive em Moscou e se dedica ao estudo das estratégias do Estados Unidos na África e Eurásia, afirma que os EUA são os principais propulsores desses movimentos, que consistem em desestabilizar governos a partir de grandes manifestações de massa. São “a fagulha que incendeia uma situação de conflito interno”, como diz a apresentação do livro. Podem se transformar em golpe ou mesmo guerras não convencionais –daí a expressão guerra híbrida.

Conselheiro do Institute for Strategic Studies and Predictions e jornalista na “Sputinik News”, ele também comentou a ascensão da candidatura de Jair Bolsonaro. Diz que os mentores externos da guerra híbrida no Brasil vinham há muito tempo mo0ldando as condições sócio-políticas do país para facilitar o surgimento de um azarão que pudesse chegar ao poder e destruir tudo o que fora construído nos governos do Partido dos Trabalhadores.

A seguir, a íntegra da entrevista.

O que são guerras híbridas?

Desde o lançamento de meu livro, em 2015, ampliei minha definição para incluir o seguinte:

“As Guerras Híbridas são conflitos identitários provocados por agentes externos, que exploram diferenças históricas, étnicas, religiosas, socioeconômicas e geográficas em países de importância geopolítica por meio da transição gradual das revoluções coloridas para a guerra não convencional, a fim de desestabilizar, controlar ou influenciar projetos de infraestrutura multipolares por meio de enfraquecimento do regime, troca do regime ou reorganização do regime.”

Em suma, isso significa que países como os EUA se aproveitam de problemas identitários em um Estado-alvo a fim de mobilizar uma, algumas ou todas as questões identitárias mais comuns para provocar grandes movimentos de protesto, que podem então ser cooptados ou dirigidos por eles para atingir seus objetivos políticos. O eventual fracasso desses movimentos pode fazer com que alguns de seus participantes recorram ao terrorismo, à insurgência, à guerrilha e a outras formas de conflito não convencional contra o Estado. Na maioria das vezes, pelo menos no Hemisfério Oriental, esses fenômenos fabricados têm o efeito de dificultar a viabilização de projetos da China de implantação da nova Rota da Seda, coagindo o Estado-alvo a compromissos políticos ou mudanças de governo ou mesmo a uma secessão –que pode eventualmente levar a uma balcanização.

Seu livro descreve as Guerras Híbridas como “caos administrado”. Como isso é construído?

O estudo detalhado da sociedade de um estado-alvo e das tendências gerais da natureza humana (auxiliado por pesquisas antropológicas, sociológicas, psicológicas e outras) permite construir um quadro de como é o funcionamento “natural” daquela sociedade. Armados com esse conhecimento, os praticantes da Guerra Híbrida podem prever com precisão quais “botões apertar” por meio de provocações para obter respostas esperadas de seus alvos, tudo com a intenção de perturbar o status quo por processos locais de desestabilização manipulados por forças externas. Podem ser conflitos étnicos, movimentos de protesto (“Revoluções Coloridas”) ou a exacerbação de rivalidades regionais. O ponto principal é produzir o maior efeito com o mínimo de esforço e, então, explorar a evolução dos acontecimentos e a incerteza crescente a fim de realizar os planos políticos.

O livro descreve os EUA como propulsores desses movimentos. Por quê?

Por causa de sua hegemonia mundial –ainda que cadente–, os EUA têm interesses globais, e suas décadas de experiência operando em todos os continentes lhe deram uma compreensão profunda da situação doméstica de praticamente todos os países. Não só é, portanto, muito mais fácil para os EUA iniciar Guerras Híbridas como eu as descrevo, mas também –e mais importante—eles têm a motivação para fazê-lo. Que é o que falta a outras grandes potências em relação a ações em países fora de suas áreas de influência regionais.

O Brasil se tornou alvo da Guerra Híbrida após a descoberta do petróleo do pré-sal?

Na minha opinião, o Brasil se tornou um alvo desde a eleição de Lula e seu movimento em direção à multipolaridade, mas a subsequente descoberta das reservas de petróleo do pré-sal definitivamente acrescentou um novo ímpeto à Guerra Híbrida dos EUA no Brasil, embora apenas porque esses recursos seriam vendidos para a China. Se Lula tivesse fechado um acordo com os EUA para fornecer acesso irrestrito ao pré-sal e também permitisse que Washington aproveitasse essa vantagem para controlar o acesso da China ao mesmo, então os EUA poderiam não ter motivação para empreender uma Guerra Híbrida no Brasil, ou poderia ser atenuada ou adiada. Porém, por causa da posição independente de Lula sobre os depósitos do pré-sal e muitas outras questões, ele e sua sucessora foram vistos como alvos “legítimos” pelos EUA porque Washington temia que eles acelerassem seu declínio hegemônico no hemisfério se não fossem detidos o mais rapidamente possível.

O fato de o Brasil ter participado ativamente dos BRICS junto com a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul também é uma das razões pelas quais ele foi alvo da Guerra Híbrida?

Sim, mas principalmente por causa do sentido simbólico dessa iniciativa, porque acredito que o movimento BRICS, apesar de ser uma plataforma muito promissora, não foi capaz de atingir seu pleno potencial por causa da rivalidade interna, manipulada pelos EUA, entre a China e a Índia. Isso prejudicou sua eficácia geral, mesmo antes da primeira fase da Guerra Híbrida no Brasil ter sido bem-sucedida em derrubar a presidenta Dilma. Sua destituição do cargo e o “golpe constitucional” contra o presidente sul-africano Zuma se combinaram para reduzir o BRICS ao tripartido original do RIC, que está profundamente dividido entre a China e a Índia (apesar das afirmações oficiais em contrário), com a Rússia assumindo papel de mediadora entre os dois. Para todos os efeitos, o BRICS não existe mais, exceto como um grupo que se reúne anualmente para conversar e, para muitos, uma lembrança de sonhos desfeitos.

O livro fala muito sobre os casos da Síria e da Ucrânia e diz que esses modelos podem ser reproduzidos em outros lugares. Este modelo poderia ser reproduzido no Brasil?

Teoricamente sim, mas não acredito que isso seja o mais provável. Isso porque a dimensão anti-Rota da Seda, que foi a principal motivação daqueles conflitos, é principalmente aplicável ​​ao ambiente operacional único do Hemisfério Oriental (Afro-Eurásia), que é muito mais suscetível a conflitos identitários manipulados externamente desse tipo. Dito isso, a engenharia social, o pré-condicionamento político e as campanhas de guerra psicológica que formam a base das Revoluções Coloridas (a primeira parte das Guerras Híbridas) são definitivamente reproduzíveis em qualquer lugar do mundo, especialmente na era interconectada da mídia social atual.

O livro também trata da “Primavera Árabe”. Analistas também apontaram que o Brasil estava sendo alvo da Guerra Híbrida War desde 2013, quando um estranho movimento começou a surgir no país através da internet. Isso faz sentido?

Sim, claro. A primeira fase organizacional ativa da guerra híbrida Wars hoje começa na internet. Os articuladores dos movimentos buscam na rede informações importantes sobre seus alvos antes de se conectarem com eles, direta ou indiretamente, através de campanhas informativas direcionadas que efetivamente atraiam seus interesses ou necessidades, que são cada vez mais descobertas por meio de análises de “Big Data”, como o que a Cambridge Analytica é acusada de fazer. Movimentos sócio-políticos estão começando a aparecer online muito mais do que nas ruas, como costumavam, porque as pessoas ficam mais confortáveis ​​interagindo usando o celular quando bem entendem, em vez de terem de participar de encontros e reuniões físicas. Hoje em dia, tudo o que precisam fazer é conferir as últimas notícias compartilhadas em um grupo do Facebook ou do WhatsApp.

Na campanha eleitoral no Brasil, houve uma avalanche de notícias falsas, especialmente difundidas por grupos do WhatsApp. Estamos sendo vítimas de uma guerra híbrida?

Sim, há uma Guerra Híbrida muito intensa sendo travada no Brasil neste momento e afeta todas os aspectos da vida de cada cidadão, desde o que cada um lê nas mídias sociais (seja informação real, falsa ou manipulada) até o que ouve nas ruas. Ao longo dos últimos dois anos, agentes externos vêm tentando muito sutilmente condicionar a população para voltá-la contra o Partido dos Trabalhadores, usando instrumentos como a Operação Lava Jato, apoiada pela NSA, que tomou vida própria.

Isso forçou o Partido dos Trabalhadores a reagir e defender sua integridade, o que, por sua vez, provocou reação mais feroz daqueles que estavam tentando derrubá-lo. O Brasil está no foco da Guerra Híbrida por tanto tempo que hoje é dado como certo que toda informação que circula está, de um jeito ou de outro, conectada a essa campanha incessante.

Qual é o objetivo desta Guerra Híbrida e quem está por trás disso? Jair Bolsonaro?

Não creio que Bolsonaro tenha sido o progenitor desta Guerra Híbrida, mas sim que seus mentores norte-americanos já tinham há muito tempo um plano para moldar as condições sócio-políticas do país para que o candidato considerado “zebra” pudesse chegar ao poder e, então,  desmantelar sistematicamente tudo o que o Partido dos Trabalhadores havia construídos em seu governo.

Olhando em retrospectiva e considerando tudo o que hoje se sabe sobre a operação Lava Jato, pode-se considerar que provavelmente a inteligência americana provavelmente concluiu há bastante tempo que Bolsonaro seria o melhor candidato para isso por causa de sua história de pronunciamentos políticos que se alinham com os Interesses globais dos EUA para o país. Também foi levado em conta que ele não esteve implicado em nenhum dos escândalos anticorrupção dos últimos anos, o que os EUA teriam sabido antecipadamente por causa da participação da NSA na busca “evidências” que então catalisaram a expurgação política do país.

Com o Partido dos Trabalhadores fora do poder e com a comprovação de que muitos dos usurpadores e seus aliados foram igualmente –se não mais—corruptos, o palco estava montado para o “azarão” dos EUA entrar em cena e conquistar o imaginário de muitos que foram pré-condicionados a odiar todos os políticos do establishment (e especialmente do Partido dos Trabalhadores) depois da operação Lava Jato.

Essa população estava também cada vez mais desesperados por medidas drásticas de segurança a serem implementadas para salvá-los da onda de criminalidade ou, pelo menos, dar-lhes uma chance de lutar para se defenderem –o que aconteceria com a prometida liberalização de armas de Bolsonaro.

É minha opinião que os EUA trabalharam duro para facilitar a ascensão de Bolsonaro e o estão ajudando em cada passo do caminho. Talvez ele nem tenha percebido isso no início, mas agora, considerando a possibilidade de sua vitória no segundo turno, quase certamente as próprias forças que o apoiaram trataram de lhe dar a informação diretamente.

Qual a diferença entre o uso do WhatsApp e do Facebook no contexto das Guerras Híbridas?

O WhatsApp é mais instantâneo e impulsivo, enquanto o Facebook é mais organizacional e metódico. O primeiro é geralmente usado para enviar informações curtas e rapidamente reunir grandes multidões, enquanto o segundo é mais bem aproveitado para um planejamento organizacional mais profundo e gerenciamento de controle de multidões a longo prazo. Eles são basicamente dois lados da mesma moeda, e andam de mãos dadas quando se trata do aspecto tático de Revoluções Coloridas.

Seu livro foi lançado em 2015. O que mudou desde a primeira edição?

Desde então, expandi e expliquei mais cientificamente a definição de Guerra Híbrida para incluir seis das categorias identitárias que são os alvos mais comuns, bem como os objetivos de ajustes de regime, mudança de regime ou reorientação de regime.

As táticas de engenharia social e pré-condicionamento político das Revoluções Coloridas (a primeira metade da Guerra Híbrida) se tornaram muito mais sofisticadas após a descoberta de como a Cambridge Analytica fazia coleta e análise de dados de usuários de mídia social a fim de obter um conhecimento sobre-humana do que as pessoas nos países-alvo estão interessadas, suas necessidades e a melhor forma de manipulá-las.

Isso significa que o planejamento da Guerra Híbrida entrou em uma era completamente nova, mas apenas em países onde a maioria da população (ou pelo menos aqueles dentro de qualquer uma das seis categorias identitárias que os EUA desejam atingir) usa a mídia social, o que não é o caso em grandes partes da África que estão gradualmente se tornando campos de batalha da Guerra Híbrida contra os projetos da China de implantação da nova Rota da Seda.

Como é possível responder às Guerras Híbridas?

O Estado pode restringir ou monitorar as mídias sociais, mas a primeira medida pode provocar indignação na população e confirmar as suspeitas das pessoas que o governo está suprimindo seu “direito à liberdade de expressão” porque tem “medo” do povo, o que pode ou pode não ser realmente o caso.

Já o cidadão comum precisa desenvolver seu pensamento crítico para poder diferenciar entre notícias reais, notícias falsas e notícias manipuladas, assim como entre artigos de opinião, análises e simples reportagens jornalísticas.

Quanto aos partidos da oposição, oficiais ou não, eles precisam travar suas próprias Guerras Híbridas, seja ofensivamente ou defensivamente, embora seja sempre melhor para eles ficar do lado da verdade em vez de recorrer a mentiras. A primeira é muito mais eficaz do que a segunda e ser pego mentindo poderia diminuir a confiança do público-alvo nesses grupos. Da mesma forma, todos os lados da interminável Guerra Híbrida (que está se tornando parte da vida cotidiana) precisam expor as mentiras dos demais.

Você escreveu sobre as ações dos EUA, mas não citou ações similares da Rússia. Eles não ocorrem? As acusações contra a Rússia nessa área (especialmente em relação às eleições nos EUA) são falsas?

Meu livro é sobre o uso de um modelo particular que faz com que Revoluções Coloridas (não violentas) manipuladas por agentes externos passem a movimentos violentos de guerra não convencional. Teve como objetivo provar a existência de um método nunca antes descoberto de desestabilização do Estado pelos EUA para fins geopolíticos.

O livro é sobre a transformação de Revoluções de Cores em Guerras Não Convencionais, sobre a origem de ambas, a fase de transição e o resultado desses ciclos ​​de agitação apoiados por agentes externos. As Guerras Híbridas não são simplesmente operações de gerenciamento de percepção ou infowars, em que todos os países do mundo participam e até mesmo muitas empresas (embora estas últimas não o façam por razões políticas, mas apenas para comercializar seus produtos ou serviços, às vezes no concorrente). despesa). Eles também nem sempre são travados por agentes estatais, ou mesmo agentes não governamentais que realizam determinada atividade contratados por um Estado.

É minha opinião pessoal que as acusações contra a Rússia não são relevantes para o modelo de Guerra Híbrida elaborado em meu livro, porque nunca houve intenção séria de organizar uma Revolução Colorida ou uma Guerra Não Convencional. Além disso, todas as acusações apontam para as atividades mais conhecidas sendo conduzidas por agentes não-estatais, que podem ou não terem agido a pedido de um Estado, mas nenhuma conexão clara com o Kremlin foi confirmada.

Outro ponto importante a ter em mente é que, mesmo se a essência geral dessas acusações for verdadeira, o que duvido, representaria apenas uma forma muito básica de guerra de informação, que é comparativamente mais tosca e tem muito menor em escopo do que a operação que a União Soviética conduziu durante a  Guerra Fria, o que mais uma vez sugere que isso poderia ter sido feito por um ator não-estatal independente do Estado russo e suas agências de inteligência.

De qualquer forma, a questão é artificialmente politizada porque já foi provado que ela não teve impacto no resultado da eleição norte-americana, mas está sendo usada pelos oponentes de Trump nas burocracias militares, de inteligência e diplomáticas permanentes (“estado profundo”) e por seus cúmplices públicos (sejam “inocentes úteis” ou colaboradores) na academia, na mídia e em outras comunidades (incluindo cidadãos comuns) para “deslegitimar” sua vitória e pressioná-lo a realizar  concessões políticas, mudanças de regime ( desistir ou sofrer impeachment), ou reorientação do regime, por reforma do sistema de colégio eleitoral e outras medidas semelhantes. Pode-se dizer, portanto, que as acusações exageradas da chamada “interferência russa” estão sendo feitas como uma importante arma de guerra híbrida contra Trump como parte das ações do “estado profundo” dos EUA, o que é um caso interessante digno de estudo futuro com o uso do modelo de análise que desenvolvi.

Edição: Tutameia

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18 respostas em “Agentes externos provocaram uma “guerra híbrida” no Brasil, diz escritor

  1. É fato que os EUA possuem uma hegemonia mundial capaz de influenciar, praticamente, todos os países em busca do interesse próprio. As eleições presidenciais de 2018 servem como confirmação para a tese desenvolvida pelo autor do livro. Eleito democraticamente, Jair Bolsonaro já foi elogiado pelo atual presidente dos Estados Unidos, afirma veementemente que fortalecerá as relações internacionais com os norte-americanos e pretende, inclusive, adotar medidas econômicas liberais semelhantes. Porém, todos os planos de governo do presidente e inclusive a sua própria candidatura condizem com o que realmente é melhor para o Brasil ou voltam-se ao que é mais interessante para os Estados Unidos?
    A partir do momento em que o Brasil deixou de se levar cegamente pela ideologia americana de progresso, a influência exercida pelos EUA foi cada vez mais intensa. Isso porque descoberta do pré-sal atrelada, principalmente, à posição independente voltada à exploração nacional, bem como o desenvolvimento da multipolaridade de relações internacionais por meio do BRICS, pronunciamentos políticos alinhados com os interesses globais dos EUA foram perdendo espaço, uma vez que o foco era no desenvolvimento político-econômico do Brasil e não nas medidas, parte delas exploratórias, provenientes dos EUA.

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  2. A sensação de manipulação que paira sobre a humanidade nessa época de capitalismo tardio é intensa. Permeada de fake news, a corrida eleitoral brasileira, que culminou na eleição de Jair Bolsonaro é prova disso. Vimos pessoas reproduzirem mensagens tão absurdas quanto a “mamadeira de pênis” como se fosse realidade. E mesmo nesse cenário crítico, esse artigo foi capaz de intensificar ainda mais tal sensação de manipulação. As fake news são mera tática de uma estratégia muito maior, institucionalizada, e levada a cabo pelos Estados Unidos de modo a perpetuar sua hegemonia (decadente). A chamada guerra híbrida, observada pelo autor, é um mecanismo constante, vigilante e abusivo de controle do contexto socio-político. As vontades dos sujeitos políticos não pertencem mais a eles, ou pelo menos às formas internas de manipulação, como a Rede Globo. Essas estão, por outro lado, nas mãos de outro Estado, que em nada comunga com os interesses do Brasil.
    O que sobra desse joguete é desconfiança. Qualquer possibilidade de articulação de frentes políticas, midiáticas e da sociedade ficam fragilizadas. E quem lucra com isso tudo são os donos do mundo.

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  3. As eleições presidenciais de 2018 nos levam a uma reflexão: Será que nossas opiniões são realmente nossas? Ou será que fomos influenciados a pensar, e mais que pensar, reproduzir determinadas informações (Posicionamentos). Os meios de comunicação, em especial as mídias sociais, tem um alto poder de influência…Tem o poder de transmitir informações de forma tendenciosa para a população.
    Em tempos de crise, estratégias de manipulação de massa ganham força… Aliado a um povo desesperado, o país em crise e vários oportunistas, as pessoas perdem o senso crítico e passam a acreditar, reproduzir informações, algumas “informações” chegam a ser ridículas (Leia-se Kit gay).
    Um país em crise, pessoas desesperadas, ausência de pensamento crítico…Uma combinação perfeita! Capaz de derrubar governos ou levantar ditaduras.

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  4. Até onde uma potência vai para manter sua hegemonia ainda que para tal precise “desestabilizar, controlar ou influenciar projetos de infraestutura multipolares por meio de enfraquecimento do regime” e moldar as condições sócio-políticas do país? Desde o controle dos algorítimos utilizados nas redes sociais para conseguir dados de usuários e moldar as informações que chegam a eles (tática utilizada para eleger Trump, nos Estados Unidos); fato que se percebe, também, no Brasil com a disseminação das fake news e compra de pacote de dados para disseminá-las exaustivamente. Com a mídia e tecnologia a seu favor, assimiladas à ausência de pensamento crítico não há como evitar que as manipulações se tornem uma verdade universal para parte dos brasileiros indignados e desesperançosos com um partido em específico (acredito que a demonização deste também tenha sido visada pela guerra híbrida, como é citado no texto). Portanto, um país com a economia fragilizada e ideais conservadores e nacionalistas voltando à tona “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” é o palco ideal para se investir em uma guerra-híbrida. Posto que já foi sinalizado que o nacionalismo serviu apenas para a campanha e que o que vai predominar, na verdade, são as práticas entreguistas que colocarão o Brasil na eterna posição de dependência externa e subordinação a potências mundias. Ao que tudo indica, especialmente aos Estados Unidos.

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  5. A guerra híbrida é a nova estratégia imperialista, depois que os golpes militares se tornaram inviáveis. Ela combina a judicialização da politica com a criminalização da imagem dos lideres populares pela mídia, para impor processos eleitores fraudulentos, que deixam de expressar a vontade democrática do povo. Esse fato descreve de forma perfeita a manipulação midiática que vem sendo feita pelos setores “conservadores” da população brasileira, no intuito de deslegitimar e transformar as pessoas que estão no poder em criminosos e elevar o setor conservador como mártir da população representativa. O processo inclui “apoio à insurgência” a “ampliação do descontentamento por meio de propaganda e esforços políticos e psicológicos para desacreditar o governo”. E conforme cresce a insurreição, cresce também a “intensificação da propaganda; e a preparação psicológica da população para a rebelião.” Esse, em resumo, tem sido o caso brasileiro.

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  6. Com vários escândalos de corrupção envolvendo nossos líderes, entre eles, o mais famoso, Operação Lava-Jato, o Brasil está passando por uma crise político-social gigantesca, entre elas a sensação de impunidade vivida pelo brasileiro, o que abriu margem para a ascensão de grupos e líderes conservadores.
    Há pouco tempo, nas Eleições Presidenciais de 2018, com o que ficou conhecido como o “Caixa 2 do Bolsonaro”, o Jornal Folha de São Paulo trouxe a tona notícias de que sociedades econômicas estavam por trás de disparos em massa de mensagens via WhatsApp contra o Partido dos Trabalhadores (PT), muitas dessas mensagens sendo “fake news”.
    Segundo Martin Hilbert, em entrevista dada à BBC, nós “vivemos em um mundo onde políticos podem usar a tecnologia para mudar mentes, operadoras de telefonia celular podem prever nossa localização e algoritmos das redes sociais conseguem decifrar nossa personalidade melhor do que nossos parceiros”. Além disso, Martin afirma que a democracia representativa está para acabar, conforme se lê neste trecho: “é preciso refletir e reinventar a democracia representativa. Caso contrário, ela pode facilmente se converter em ditadura da informação”.
    Acredito que as eleições de 2018 é apenas uma prévia do que nos aguarda no futuro, dessa forma, fica então os questionamentos: deveríamos repensar a democracia representativa? há como hackear a democracia?
    Fato é que a Guerra Híbrida chegou ao Brasil e acredito que a população, de forma geral, não está preparada para combate-la.

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  7. Outrora, era fácil, por parte dos Estados (ou seus líderes, se assim preferir), controlar os membros do corpo social pela via da força. Os recursos para retaliação eram escassos, mínimos. Toda revolução, que vimos no decurso da história, deu-se por altos preços, nem sempre gerando os efeitos desejados pelos revolucionários.

    Por quê? Tento explicar: os poderosos (antes, políticos) detinham não apenas o poderio bélico, a presença ostensiva nas ruas, os armamentos. Muito mais: possuíam um indiscutível monopólio sobre os meios de comunicação. Isso, não há dúvidas, propiciavam-nos uma vantagem incomensurável para manipularem os cidadãos. Sim, sempre havia a opção da opressão física; porém, espertos como eram, adotavam, primeiramente, métodos de “domesticação”, fazendo todos acreditarem em sua narrativa, vasta maioria das vezes permeada por um discurso maniqueísta de bem contra o mal. Noutros termos, executavam lavagens cerebrais, algumas vezes, de formas mais sutis; outras, nem tanto. De qualquer modo, o que importa é que tinham esse método à disposição, recorrendo a ele sempre quando necessário e/ou pertinente.

    Eis que chega o século XXI. Depois, a popularização da internet. O jogo vira; o paradigma predecessor é dilacerado: emerge a verdadeira democratização do acesso à informação, antes tão tolhida e limitada no que se refere à base da pirâmide social. Um cidadão comum, hoje, tem, em tese, tanto poder para difundir uma informação quanto qualquer poderoso, dado o alcance ilimitado da rede mundial de computadores e a possibilidade do famoso “compartilhamento”, que pode (e costuma) ocorrer em massa.

    Agora, uma pontuação necessária: lembra-se da afirmação, a dois parágrafos atrás, de que antes os políticos que eram os poderosos? Pois é. Atualmente, não mais é assim. Eles, claro, possuem uma forte capacidade de manobrar, conduzir uma população, porém, ainda que detentores do poderio bélico (e aqui eu ressalto os chefes do Executivo, isto é, os líderes maiores das forças armadas), encontram-se subjugados por uma nova classe de poderosos: os soberanos da economia. Os magnatas. Os ricaços.

    Nessa lógica, defronte a um contexto em que se revela inviável a dominação por parte dos “velhos” poderosos (os políticos) pela força (leia-se: instalando ditaduras militares), urge a forjar-se uma maquinação, um planejamento de uma nova estratégia para o controle. Destarte, eclode a brilhante ideia de recuperação do controle midiático, enfraquecido pela democratização da difusão e do acesso à informação já mencionados: as duas classes de poderosos se unem. De um lado, força. De outro, recursos financeiros. Juntos, decidem tomar as rédeas a qualquer custo; mesmo que esse custo seja a proliferação de mentiras descaradas. E qual a melhor maneira de fazer-se isso senão usando de recursos que afetam o âmago do ser humano, mexendo com suas paixões? Mentiras, combinadas com questões sensíveis, tais como etnia, religião, economia, política, sexualidade, dentre várias outras mais. Tudo isso englobado por um impulso financeiro intenso, que muito contribui para sua difusão.

    Nascem, então, as chamadas “fake news” (notícias falsas).

    Ou, pelo menos, elas não necessariamente nascem, mas são elevadas a um outro nível, em todos os aspectos nunca antes vistos — quantitativa e qualitativamente.

    E esse vem sendo o modus operandi de ambas classes de poderosos — os ricos e os políticos — para entrarem, estabelecerem e exercerem a manutenção de seu (adivinhe…) poder. Uma relação mutualista, simbiótica impecável, de potencial inimaginável.

    A partir de uma simples análise da conjectura político-econômica atual brasileira, vislumbramos a deflagração de uma guerra híbrida; a priori, um amálgama de conflitos identitário-ideológicos (consideravelmente não violentos); a posteriori, sabe-se lá o quê… Tudo tende a me levar a crer que estamos diante do iminente retorno dos anos de chumbo, todavia alicerçado por um mecanismo econômico robusto e complexo, nunca antes visto.

    Espero que eu esteja errado.

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  8. Outrora, era fácil, por parte dos Estados (ou seus líderes, se assim preferir), controlar os membros do corpo social pela via da força. Os recursos para retaliação eram escassos, mínimos. Toda revolução, que vimos no decurso da história, deu-se por altos preços, nem sempre gerando os efeitos desejados pelos revolucionários.

    Por quê? Tento explicar: os poderosos (antes, políticos) detinham não apenas o poderio bélico, a presença ostensiva nas ruas, os armamentos. Muito mais: possuíam um indiscutível monopólio sobre os meios de comunicação. Isso, não há dúvidas, propiciavam-nos uma vantagem incomensurável para manipularem os cidadãos. Sim, sempre havia a opção da opressão física; porém, espertos como eram, adotavam, primeiramente, métodos de “domesticação”, fazendo todos acreditarem em sua narrativa, vasta maioria das vezes permeada por um discurso maniqueísta de bem contra o mal. Noutros termos, executavam lavagens cerebrais, algumas vezes, de formas mais sutis; outras, nem tanto. De qualquer modo, o que importa é que tinham esse método à disposição, recorrendo a ele sempre quando necessário e/ou pertinente.

    Eis que chega o século XXI. Depois, a popularização da internet. O jogo vira; o paradigma predecessor é dilacerado: emerge a verdadeira democratização do acesso à informação, antes tão tolhida e limitada no que se refere à base da pirâmide social. Um cidadão comum, hoje, tem, em tese, tanto poder para difundir uma informação quanto qualquer poderoso, dado o alcance ilimitado da rede mundial de computadores e a possibilidade do famoso “compartilhamento”, que pode (e costuma) ocorrer em massa.

    Agora, uma pontuação necessária: lembra-se da afirmação, a dois parágrafos atrás, de que antes os políticos que eram os poderosos? Pois é. Atualmente, não mais é assim. Eles, claro, possuem uma forte capacidade de manobrar, conduzir uma população, porém, ainda que detentores do poderio bélico (e aqui eu ressalto os chefes do Executivo, isto é, os líderes maiores das forças armadas), encontram-se subjugados por uma nova classe de poderosos: os soberanos da economia. Os magnatas. Os ricaços.

    Nessa lógica, defronte a um contexto em que se revela inviável a dominação por parte dos “velhos” poderosos (os políticos) pela força (leia-se: instalando ditaduras militares), urge a forjar-se uma maquinação, um planejamento de uma nova estratégia para o controle. Destarte, eclode a brilhante ideia de recuperação do controle midiático, enfraquecido pela democratização da difusão e do acesso à informação já mencionados: as duas classes de poderosos se unem. De um lado, força. De outro, recursos financeiros. Juntos, decidem tomar as rédeas a qualquer custo; mesmo que esse custo seja a proliferação de mentiras descaradas. E qual a melhor maneira de fazer-se isso senão usando de recursos que afetam o âmago do ser humano, mexendo com suas paixões? Mentiras, combinadas com questões sensíveis, tais como etnia, religião, economia, política, sexualidade, dentre várias outras mais. Tudo isso englobado por um impulso financeiro intenso, que muito contribui para sua difusão.

    Nascem, então, as chamadas “fake news” (notícias falsas).

    Ou, pelo menos, elas não necessariamente nascem, mas são elevadas a um outro nível, em todos os aspectos nunca antes vistos — quantitativa e qualitativamente.
    E esse vem sendo o modus operandi de ambas classes de poderosos — os ricos e os políticos — para entrarem, estabelecerem e exercerem a manutenção de seu (adivinhe…) poder. Uma relação mutualista, simbiótica impecável, de potencial inimaginável.

    A partir de uma simples análise da conjectura político-econômica atual brasileira, vislumbramos a deflagração de uma guerra híbrida; a priori, um amálgama de conflitos identitário-ideológicos (consideravelmente não violentos); a posteriori, sabe-se lá o quê… Tudo tende a me levar a crer que estamos diante do iminente retorno dos anos de chumbo, todavia alicerçado por um mecanismo econômico robusto e complexo, nunca antes visto.

    Espero que eu esteja errado.

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  9. Outrora, era fácil, por parte dos Estados (ou seus líderes, se assim preferir), controlar os membros do corpo social pela via da força. Os recursos para retaliação eram escassos, mínimos. Toda revolução, que vimos no decurso da história, deu-se por altos preços, nem sempre gerando os efeitos desejados pelos revolucionários.

    Por quê? Tento explicar: os poderosos (antes, políticos) detinham não apenas o poderio bélico, a presença ostensiva nas ruas, os armamentos. Muito mais: possuíam um indiscutível monopólio sobre os meios de comunicação. Isso, não há dúvidas, propiciavam-nos uma vantagem incomensurável para manipularem os cidadãos. Sim, sempre havia a opção da opressão física; porém, espertos como eram, adotavam, primeiramente, métodos de “domesticação”, fazendo todos acreditarem em sua narrativa, vasta maioria das vezes permeada por um discurso maniqueísta de bem contra o mal. Noutros termos, executavam lavagens cerebrais, algumas vezes, de formas mais sutis; outras, nem tanto. De qualquer modo, o que importa é que tinham esse método à disposição, recorrendo a ele sempre quando necessário e/ou pertinente.

    Eis que chega o século XXI. Depois, a popularização da internet. O jogo vira; o paradigma predecessor é dilacerado: emerge a verdadeira democratização do acesso à informação, antes tão tolhida e limitada no que se refere à base da pirâmide social. Um cidadão comum, hoje, tem, em tese, tanto poder para difundir uma informação quanto qualquer poderoso, dado o alcance ilimitado da rede mundial de computadores e a possibilidade do famoso “compartilhamento”, que pode (e costuma) ocorrer em massa.

    Agora, uma pontuação necessária: lembra-se da afirmação, a dois parágrafos atrás, de que antes os políticos que eram os poderosos? Pois é. Atualmente, não mais é assim. Eles, claro, possuem uma forte capacidade de manobrar, conduzir uma população, porém, ainda que detentores do poderio bélico (e aqui eu ressalto os chefes do Executivo, isto é, os líderes maiores das forças armadas), encontram-se subjugados por uma nova classe de poderosos: os soberanos da economia. Os magnatas. Os ricaços.

    Nessa lógica, defronte a um contexto em que se revela inviável a dominação por parte dos “velhos” poderosos (os políticos) pela força (leia-se: instalando ditaduras militares), urge a forjar-se uma maquinação, um planejamento de uma nova estratégia para o controle. Destarte, eclode a brilhante ideia de recuperação do controle midiático, enfraquecido pela democratização da difusão e do acesso à informação já mencionados: as duas classes de poderosos se unem. De um lado, força. De outro, recursos financeiros. Juntos, decidem tomar as rédeas a qualquer custo; mesmo que esse custo seja a proliferação de mentiras descaradas. E qual a melhor maneira de fazer-se isso senão usando de recursos que afetam o âmago do ser humano, mexendo com suas paixões? Mentiras, combinadas com questões sensíveis, tais como etnia, religião, economia, política, sexualidade, dentre várias outras mais. Tudo isso englobado por um impulso financeiro intenso, que muito contribui para sua difusão.

    Nascem, então, as chamadas “fake news” (notícias falsas).

    Ou, pelo menos, elas não necessariamente nascem, mas são elevadas a um outro nível, em todos os aspectos nunca antes vistos — quantitativa e qualitativamente.

    E esse vem sendo o modus operandi de ambas classes de poderosos — os ricos e os políticos — para entrarem, estabelecerem e exercerem a manutenção de seu (adivinhe…) poder. Uma relação mutualista, simbiótica impecável, de potencial inimaginável.

    A partir de uma simples análise da conjectura político-econômica atual brasileira, vislumbramos a deflagração de uma guerra híbrida; a priori, um amálgama de conflitos identitário-ideológicos (consideravelmente não violentos); a posteriori, sabe-se lá o quê… Tudo tende a me levar a crer que estamos diante do iminente retorno dos anos de chumbo, todavia alicerçado por um mecanismo econômico robusto e complexo, nunca antes visto.

    Espero que eu esteja errado.

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  10. Outrora, era fácil, por parte dos Estados (ou seus líderes, se assim preferir), controlar os membros do corpo social pela via da força. Os recursos para retaliação eram escassos, mínimos. Toda revolução, que vimos no decurso da história, deu-se por altos preços, nem sempre gerando os efeitos desejados pelos revolucionários.

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  11. Por quê? Tento explicar: os poderosos (antes, políticos) detinham não apenas o poderio bélico, a presença ostensiva nas ruas, os armamentos. Muito mais: possuíam um indiscutível monopólio sobre os meios de comunicação. Isso, não há dúvidas, propiciavam-nos uma vantagem incomensurável para manipularem os cidadãos. Sim, sempre havia a opção da opressão física; porém, espertos como eram, adotavam, primeiramente, métodos de “domesticação”, fazendo todos acreditarem em sua narrativa, vasta maioria das vezes permeada por um discurso maniqueísta de bem contra o mal. Noutros termos, executavam lavagens cerebrais, algumas vezes, de formas mais sutis; outras, nem tanto. De qualquer modo, o que importa é que tinham esse método à disposição, recorrendo a ele sempre quando necessário e/ou pertinente.

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    • Eis que chega o século XXI. Depois, a popularização da internet. O jogo vira; o paradigma predecessor é dilacerado: emerge a verdadeira democratização do acesso à informação, antes tão tolhida e limitada no que se refere à base da pirâmide social. Um cidadão comum, hoje, tem, em tese, tanto poder para difundir uma informação quanto qualquer poderoso, dado o alcance ilimitado da rede mundial de computadores e a possibilidade do famoso “compartilhamento”, que pode (e costuma) ocorrer em massa.

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  12. Eis que chega o século XXI. Depois, a popularização da internet. O jogo vira; o paradigma predecessor é dilacerado: emerge a verdadeira democratização do acesso à informação, antes tão tolhida e limitado no que se refere à base da pirâmide social. Um cidadão comum, hoje, tem, em tese, tanto poder para difundir uma informação quanto qualquer poderoso, dado o alcance ilimitado da rede mundial de computadores e a possibilidade do famoso “compartilhamento”, que pode (e costuma) ocorrer em massa.

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  13. Eis que chega o século XXI. Depois, a popularização da internet. O jogo vira; o paradigma predecessor é dilacerado: emerge a verdadeira democratização do acesso à informação, antes tão tolhida e limitada no que se refere à base da pirâmide social. Um cidadão comum, hoje, tem, em tese, tanto poder para difundir uma informação quanto qualquer poderoso, dado o alcance ilimitado da rede mundial de computadores e a possibilidade do famoso “compartilhamento”, que pode (e costuma) ocorrer em massa.

    Agora, uma pontuação necessária: lembra-se da afirmação, a dois parágrafos atrás, de que antes os políticos que eram os poderosos? Pois é. Atualmente, não mais é assim. Eles, claro, possuem uma forte capacidade de manobrar, conduzir uma população, porém, ainda que detentores do poderio bélico (e aqui eu ressalto os chefes do Executivo, isto é, os líderes maiores das forças armadas), encontram-se subjugados por uma nova classe de poderosos: os soberanos da economia. Os magnatas. Os ricaços.

    Nessa lógica, defronte a um contexto em que se revela inviável a dominação por parte dos “velhos” poderosos (os políticos) pela força (leia-se: instalando ditaduras militares), urge a forjar-se uma maquinação, um planejamento de uma nova estratégia para o controle. Destarte, eclode a brilhante ideia de recuperação do controle midiático, enfraquecido pela democratização da difusão e do acesso à informação já mencionados: as duas classes de poderosos se unem. De um lado, força. De outro, recursos financeiros. Juntos, decidem tomar as rédeas a qualquer custo; mesmo que esse custo seja a proliferação de mentiras descaradas. E qual a melhor maneira de fazer-se isso senão usando de recursos que afetam o âmago do ser humano, mexendo com suas paixões? Mentiras, combinadas com questões sensíveis, tais como etnia, religião, economia, política, sexualidade, dentre várias outras mais. Tudo isso englobado por um impulso financeiro intenso, que muito contribui para sua difusão.

    Nascem, então, as chamadas “fake news” (notícias falsas). Ou, pelo menos, elas não necessariamente nascem, mas são elevadas a um outro nível, em todos os aspectos nunca antes vistos — quantitativa e qualitativamente.

    E esse vem sendo o modus operandi de ambas classes de poderosos — os ricos e os políticos — para entrarem, estabelecerem e exercerem a manutenção de seu (adivinhe…) poder. Uma relação mutualista, simbiótica impecável, de potencial inimaginável.

    A partir de uma simples análise da conjectura político-econômica atual brasileira, vislumbramos a deflagração de uma guerra híbrida; a priori, um amálgama de conflitos identitário-ideológicos (consideravelmente não violentos); a posteriori, sabe-se lá o quê… Tudo tende a me levar a crer que estamos diante do iminente retorno dos anos de chumbo, todavia alicerçado por um mecanismo econômico robusto e complexo, nunca antes visto.

    Espero que eu esteja errado.

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  14. Os Estados Unidos sempre foi um país com capacidade imensurável de mobilizar questões em âmbito global e provocar conflitos, e assim, dirimem esses conflitos (na maioria das vezes ideológicos para conquistar seus intuitos políticos. No golpe de 1964, foi fomentado no Brasil a ideia de que o comunismo iria tomar o poder. Foi implantada uma ditadura militar, com um retrocesso para o país e ganho para os americanos, com grave violação de direitos humanos, onde até hoje mães não puderam enterrar seus filhos. Em pleno século 21, vemos a historia se repetir. A ameaça comunista, que seria trazida pelo partido dos trabalhadores, Lula como mentor, para transformar o Brasil em Cuba. Uma narrativa totalmente absurda e implausível. Lula ficou anos no poder e só melhorou o país, cresceu assustadoramente a economia e claro que isso iria afetar o gigante Tio Sam. Vemos acontecer a vitória de um presidente despreparado, que bate continência para assessor de presidente dos EUA, com um militar como vice, que alega acabar com o comunismo. Lamentável.

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  15. O Brasil atualmente passa por um período de constante aplicação da judicialização política, acaba por facilitar de certa forma a tática de aplicação da guerra hibrida, instituto usado por países considerados imperialistas, que de certa maneira passa a influenciar na composição dos chefes de estado dos países, para aqueles que de certa forma vão facilitar uma aplicação de politicas que favoreçam o seu ganho no âmbito comercial, no entanto com isso acabam por gerar um retrocesso das economias em que se investem.
    No brasil atualmente é possível notar essa guerra hibrida com algumas politicas internacionais estabelecidas pelo chefe do poder executivo, como uma adesão aos estados que apoiam Israel e que não criam a palestina, o presidente perde as relações comerciais com os países árabes, ou seja gera um retrocesso prejudicial por conta de uma decisão de se aderir aos ideais da economia estadunidense de aumentar suas relações com o estado de Israel. Porém o Brasil acaba prejudicado com a perda de um grande mercado consumidor, o que na teoria é simplesmente a compreensão de despreparo por parte do chefe do poder executivo, que acaba alegando desconhecimento do assunto econômico.

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  16. As guerras híbridas pode ser vistas como meios de desestabilizar, controlar ou influenciar projetos de países por meio do enfraquecimento do regime, troca do regime ou reorganização do regime. Isso significa que países, potencias mundiais, como fora citado no artigo, se aproveitam de problemas identitários de um determinado Estado de modo a provocar movimentos de protestos com o fim de atingir seus objetivos políticos. Como fora abordado no artigo, não só a descoberta do petróleo no pre-sal como também questões políticas colocaram o Brasil como alvo da Guerra Híbrida. No entanto, o Jornalista não foi muito feliz ao fazer as conexões ao longo do artigo, fazendo ligações do golpe com interesses dos Estados Unidos da América no Aquífero Guarani, parecendo teorias da conspiração. É certo dizer que os Estados Unidos querem sempre manter a sua hegemonia mundial, no entanto faltou clareza e informações mais concisas e não meras alegações.
    Por outro lado, não podemos descartar o papel que a mídia tem de desestabilizar um regime, por meio de informações manipuladas, das chamadas fakes News, sendo um cenário propício para se instalar uma guerra híbrida. Cenário este que vimos recentemente, nas eleições de 2018, o que culminou na eleição de um presidente totalmente despreparado para governar um país.

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  17. A guerra pode ser conceituada, sob uma perspectiva tradicional, como um estado formalmente declarado de luta armada, a qual envolve, fundamentalmente, Estados. Tal conceito era tido como suficiente até meados do século vinte. Contudo, no cenário atual, pode-se observar outras formas de guerra, que não somente a convencional explicada anteriormente. É prática muito comum, como explicitado no artigo analisado, que grandes nações adotem posturas de forma a explorar vulnerabilidades políticas, econômicas e militares de outros países, impondo seus interesses em detrimento dos anseios destes. A “guerra híbrida” pode ser instrumentalizada de várias formas, como através de fake news, lawfare, diplomacia, podendo chegar, inclusive, ao patrocínio de milícias. O autor demonstra convicção ao defender que o Brasil hoje é alvo de um “guerra híbrida” executada pelos Estados Unidos da América, sendo motivada pelo descontentamento com atos de governos petistas que não se coadunaram com os interesses norte-americanos, sobretudo quanto ao pré-sal e ao BRICS. E tal fato poderia comprovar a ascensão meteórica de Jair Bolsonaro, justamente por ser alinhado ideologicamente com o governo estadunidense, podendo, assim, facilitar a defesa dos interesses americanos na região.

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