Assistência Humanitária e os possíveis cenários para 2018


Publicado originalmente em 06/12/17

O ano de 2017 vai chegando ao fim, mas o relatório Global Humanitarian Overview 2018 já adverte: aproximadamente 135 milhões de pessoas no mundo necessitarão de assistência humanitária e os conflitos permanecerão como as principais causas para tal. Embora a assistência humanitária já responda por 15% do fluxo total da Assistência Oficial para o Desenvolvimento (AOD), a lacuna entre o que é doado e o que é solicitado pela Organização das Nações Unidas (ONU) só tem aumentado nos últimos 10 anos. Em 2017, US$ 12,6 bilhões foram arrecadados, representando apenas 52% do necessário (US$ 24 bilhões).

O Global Humanitarian Overview (GHO) também alerta para a recorrência de apelos humanitários para os mesmos países, ressaltando que as crises não são esporádicas ou emergenciais, mas crônicas. Por exemplo, há registros de apelos humanitários para Sudão, Somália e República Democrática do Congo em todos os anos, no período 2000-2018. O relatório destaca a importância do investimento financeiro e político em mediação, prevenção de conflito e peacebuilding, como ferramentas para abordar as crises no longo prazo e para integrar as necessidades humanitárias às práticas do desenvolvimento.

Para 2018, sublinha que há pouca probabilidade de ocorrência do El Niño ou El Niña, o que minimiza parcialmente o impacto imprevisível de fenômenos meteorológicos. No entanto, cientistas preveem a ocorrência de terremotos, o que implica em um grande número de deslocados. Essa previsão decorre das mudanças periódicas na velocidade de rotação do planeta.

Apesar disso, o relatório reconhece que autoridades nacionais e comunidades tem aumentado os alertas e as estratégias para reduzir riscos, desenvolvendo resiliência nas localidades e minimizando os efeitos dos desastres naturais. O impacto dessas ações não é tão evidente porque, diante das mudanças climáticas, um crescente número de países tem se tornado mais vulneráveis a desastres desde 2012, levando a devastações de sociedade e economias em países pequenos, principalmente quando afetados por tufões, furacões e outros eventos climáticos.

Por fim, o relatório também destaca três diferentes grupos de países. No primeiro, as necessidades humanitárias deverão reduzir, mas continuarão significantes, diante da atual magnitude, sendo eles, Afeganistão, Etiópia, Iraque, Mali e Ucrânia. O segundo grupo traz uma lista de países que verão suas necessidades humanitárias aumentarem, sendo eles, Burundi, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Líbia, Somália e Sudão. Por último, as necessidades permanecerão altíssimas na Nigéria, no Sudão do Sul, na região da Síria e no Iêmen.

Fonte: CEIRI Newspaper

 

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6 respostas em “Assistência Humanitária e os possíveis cenários para 2018

  1. Tendo em vista que na última década a lacuna entre o que é doado e o que é solicitado pela ONU só tem aumentado e em 2017 foi-se arrecadado cerca de 52% do necessário, observa-se aí a probabilidade de se desencadear certas complicações. Para abordar essas crises necessita-se de apoio político e principalmente financeiro. Pode-se constatar nessa circunstância um caso de network power, na medida em que vê-se o poder da Organização das Nações Unidas em fazer com que suas normas sejam cumpridas, dentre elas a assistência humanitária – apesar da defasagem financeira. Um modo para que se tenha maior sucesso nas suas políticas é justamente o que a ONU tem feito: pesquisas para que se tenha previsões assertivas e dados referente às necessidades dos países.

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  2. Ainda que já exista diversos programas que tem como função dar suporte social- comunitário o cenário mundial não se encontra livre de catástrofes naturais, guerras e diversos outros problemas que se estendem a diversos países do globo.
    Na atualidade tem se desenvolvido diversos mecanismos a fim de minimizar os ricos encontrados em vários países, tendo como foco principal países que se encontram no continente africano.
    Mesmo da atuação desses grupos humanitários, a atenção direcionada ao continente africano é insuficiente. De acordo com relatório publicado em 2009 pela Cruz Vermelha Internacional e pelo Crescente Vermelho, a assistência humanitária na África não abrange toda a necessidade que ainda se encontra.
    Para que seja possível prevenir esse cenário deve-se usar de grupos humanitários que tenham a finalidade de atuar de forma assistencialista, mesmo que esses sejam de enorme importância para a população africana, apenas a ação deles não satisfaz as necessidades do continente,
    O que faz necessária uma política a fim de promover a união de países mais industrializados e que detenham de recursos de inclusão global para investir em infraestrutura, saúde, saneamento ambiental e educação para que assim seja possível dar um largo passo na direção de uma vida digna a essa população.

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  3. Como ressaltou a postagem, a Síria carece de uma magnitude de necessidades humanitárias. Vários obstáculos levam a um total bloqueio da ajuda para pessoas vivendo em locais controlados por grupos opositores e cercados por forças do governo.
    Além disso, cinco a sete milhões de pessoas que vivem em territórios controlados pela oposição, próximo às fronteiras internacionais, não recebem ajuda médica e nem a mínima assistência material vinda, o que vem a reforçar a urgente necessidade de se intensificar a oferta de ajuda a partir de países vizinhos.
    De acordo com a secretária-geral assistente para os Assuntos Humanitários, a ONU não teve qualquer acesso a áreas isoladas durante o mês de janeiro deste ano. Todas as semanas entre trinta a cinquenta civis recém-chegados são afetados pelos engenhos explosivos. As Nações Unidas continuam a ter desafios de acesso aos locais afetados pela violência e pedem mecanismos eficazes para assegurar a rápida entrega de apoio humanitário.
    Segundo o “ Médicos sem fronteiras” , alegando risco de represálias por parte do governo contra suas atividades em Damasco, as agências da ONU abandonaram esforços para negociar o acesso a partir de países que fazem fronteira com a Síria para acessar populações em regiões controladas pela oposição. As pessoas nessas regiões sobrevivem somente graças ao trabalho das redes sírias de solidariedade e de algumas organizações não governamentais, incluindo MSF.

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  4. No mundo em que a distribuição de riqueza e renda é tão desigual, causa a espantosa surpresa que haja uma previsão para o ano de 2018 em que aproximadamente 135 milhões de pessoas no mundo necessitarão de assistência humanitária e os conflitos permanecerão como as principais causas para tal. A maioria das causas está relacionada justamente pela falta de acordo entre os países que dizimam cada vez mais suas populações, muitas vezes tendo por trás, o financiamento de grandes potências mundiais com interesses diretos nesses conflitos.

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  5. O artigo publicado no final do ano de 2017 trazia possíveis previsões sobre a perspectiva de assistência humanitária e os possíveis cenários para 2018, o autor retratou pontos cruciais, ao analisar o relatório Global Humanitarian Overview 2018, que previa um numero estimado de 135 milhões de pessoas no mundo necessitarão de assistência humanitária, indicando como principal causa a conflitos. Hoje após o primeiro semestre do ano de 2018, ainda que não seja possível dizer com precisão o número de assistências, é possível analisar que os conflitos ocorridos no transcorrer do ano corroboram a tese do autor. Lamentavelmente conflitos que ocorrem no mundo todo, com destaque aqueles enfrentados no Oriente Médio, Ataques a Líbia, a influência dos Estados Unidos, bem como outras potências, nestes conflitos seja de forma indireta através de fornecimento de armamentos e financiamento ou até mesmo ataques diretos descarados como foi o Ataque dos Estados Unidos contra a Líbia. Conflitos estes causados principalmente pela busca de poder, riquezas naturais como o petróleo (tendo como alvo o Oriente médio, que possui em abundância o “ouro negro”), além de outros fatores como a luta por território, divergências de religiões, imposição de um governo ditatorial. Enfim, todos esses fatores fruto do egocentrismo humano na busca por riqueza e poder, causam inúmeras mortes, e deixam o povo desses países atingidos, em situação degradante, desumana, sem condições mínimas de sobrevivência, e total desamparo estatal que está com seus recursos voltados ao conflito, bem como vivem em um total esquecimento pelo resto do mundo, poucos se solidarizam para auxiliar esses países em situação emergencial, os dados apresentados no artigo mostram que a assistência humanitária responde por 15% do fluxo total da assistência oficial para o desenvolvimento (AOD), a lacuna entre o que é doado e o que é solicitado pela Organização das Nações Unidas (UNU) só tem aumentado na última década. O artigo apresenta ainda outros fatores além dos conflitos, como causadores da demanda ao assistencialismo da ONU, quais sejam, mudanças climáticas, desastres naturais como terremotos, países vulneráveis a desastres, o que acarreta a devastações na sociedade e economia desses países, principalmente aqueles pequenos, que demorarão muito mais tempo para se reconstruírem, após a tamanha destruição que pode ser causada por exemplo por um furação. Há países apontados como países que não apenas passam por uma fase emergencial, e sim em uma situação crônica de apelo humanitário, necessitam de um apoio maior pois persistem nessa situação, são citados como exemplo países como o Sudão, Congo, Somália, diversos fatores deixam esses países subdesenvolvidos em uma zona de penumbra preocupante, sejam fatores históricos de sua colonização e exploração, escravidão, que obstaram o desenvolvimento desses países, sejam condições climáticas, falta de recursos naturais, e o mínimo existencial aos seus povos, saúde, educação, alimentação, água potável. Países pobres da América Latina, África, Oriente Médio, enfrentam a mesma situação preocupante, que deve despertar o olhar da sociedade internacional, para que os países se solidarizem e auxiliem uns aos outros a garantir dignidade aos seres humanos, independente da nacionalidade deste, e não só ter como objetivo o comércio exterior, superávit e crescimento do país como uma potência mundialmente reconhecida por deter poder e dinheiro. A que custo? Quem paga essa conta, tanto das guerras, quanto a luta por dinheiro e poder da imensa desigualdade em riqueza são evidentemente os mais pobres, os países que tem seus povos escravizados por grandes empresas internacionais, países que tem sua riqueza natural explorada até o esgotamento. A distribuição de riquezas é imensamente desproporcional, e a Assistência Humanitária da ONU, tem como objetivo minimizar esses impactos, a humanidade faz um apelo.

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  6. O relatório da Global Humanitarian Overview 2018 aponta que 135 milhões de pessoas no mundo necessitarão de assistência humanitária. Porém, a notícia mais alarmante é que os conflitos são as principais causas para tal necessidade. Isso demonstra que, mesmo em épocas em que os desastres naturais não são tão recorrentes, ou não causam tanto estrago aos países, a própria sociedade insiste em realizar atitudes que causam efeitos tão catastróficos quanto o de um terremoto ou de um tsunami.
    Ao observar que países como Sudão, Somália e República Democrática do Congo aparecem em todos os anos, de 2000-2018, com registros de apelos humanitários, demonstra que a desigualdade e as necessidades humanitárias têm como fonte vícios extremamente estruturais dentro dos governos e na gerência do poder, que demoram décadas para serem sanados e deixam a população de certos países à mercê da própria sorte para ter uma vida minimamente decente.

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