A repressão aos indígenas Mapuches na Argentina


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Bandeira Mapuche

14/08/17

No dia 1o de agosto, a Gendarmeria argentina, uma força de segurança com características federais, conteve um protesto em uma área ocupada por indígenas de etnia Mapuche, na província de Chubut, localizada na Patagônia. A manifestação era protagonizada por militantes que reclamavam direitos sobre a terra e pela libertação de seu líder, Facundo Jonas Huala, preso em junho e cuja extradição é demandada pelo Chile.

Em seguida à repressão policial, Santiago Maldonado, que estava presente no local como apoiador da causa, desapareceu. De acordo com os ativistas presentes, Maldonado foi levado pelos gendarmes e a ação policial foi marcada por violência excessiva. Entretanto, a Ministra de Segurança argentina, Patricia Bullrich, nega a responsabilidade da agência e declarou que não existem indícios de participação policial no desaparecimento.

Os acontecimentos geraram manifestações pela Argentina e atuação por parte das organizações de defesa dos Direitos Humanos. A Anistia Internacional lançou uma convocação internacional conclamando por pressão sobre o Governo argentino e requisitando que sejam tomadas medidas imediatas para encontrar o desaparecido. Centro de Estudios Legales y Sociales(CELS) levou caso ao Comitê contra a Desaparição Forçada da Organização das Nações Unidas (ONU) que demandou uma ação urgente por parte do Estado para encontrar Maldonado.  Posteriormente, a administração Macri ofereceu uma recompensa em dinheiro para aqueles que forneçam informações sobre o paradeiro do militante.

Os acontecimentos são mais um episódio de um longo conflito entre a comunidade originária, a companhia italiana Benetton e o Governo argentino. Os militantes do grupo Resistência Ancestral Mapuche (RAM) reclamam direitos históricos e culturais e ocupam desde 2015 área pertencente a referida empresa de moda, a qual detém 2,2 milhões de acres na Patagônia argentina. A companhia privada e o Governo não atendem aos pleitos Mapuches e a repressão pela Gendarmeria teve antecedentes em janeiro deste ano (2017), em um caso também marcado por violência e criticado pela Anistia Internacional. Cabe ressaltar que os governantes acusam os indígenas de se utilizarem de violência como forma de fazer pressão pelo reconhecimento de sua propriedade e os definem como terroristas. Por outro lado, a ocupação não é reconhecida, apesar de determinação constitucional sobre os direitos indígenas em terras ancestrais.

Fonte: CEIRI Newspaper

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Uma resposta em “A repressão aos indígenas Mapuches na Argentina

  1. Os povos indígenas americanos, historicamente, sofreram multifacetadas consequências decorrentes da repressão e violência do projeto de colonização europeu. Nesse, vários destes povos foram extintos num processo genocida de dizimação e, quando não, sofreram perdas em relação ás suas culturas e identidades que se refletem hodiernamente. Nesse caso da Argentina, por exemplo, é possível notar, obviamente, de modo distinto, a manutenção dessa violência histórica enfrentada por tal grupo, visto que ainda lutam por direito sobre a terra, pela preservação de suas identidades e pelo direito de existirem dentro de suas próprias culturas. Além disso, tem-se também a questão da violência institucional frente ao direito democrático de manifestação. Quanto a isso, é essencial que a ONU juntamente com outros organismos internacionais pressione o país em busca de um aprofundamento nas investigações do desaparecimento do militante, uma vez que tal ato fere os direitos humanos. É importante, de mesmo modo, que se objetive pressionar, não só a Argentina, mas vários outros Estados nacionais para que também se busque melhorias de suas relações com os indígenas, atentando-se à preservação de seus direitos históricos e culturais

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