ECO21 – O Brasil na contramão com o desmatamento e a energia nuclear


Postado em 12/08/2017 por Felipe Poli Rodrigues

Postado originalmente em 12/08/2017

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Diversos acontecimentos neste mês de Julho chamaram a atenção particularmente no Brasil. No campo político, a possível abertura de um processo de impeachment ao Presidente Temer na Câmara dos Deputados foi o fato mais significativo. Nas suas articulações, o Presidente Temer decidiu agradar a bancada ruralista enviando ao Congresso Nacional um Projeto de Lei que diminui em 350 mil hectares a Floresta Nacional do Jamanxin, uma das principais Unidades de Conservação do país. Este PL, segundo diversos analistas e organizações ambientalistas, como o IPAM Amazônia, “anistia a grilagem e pode gerar um desmatamento adicional de mais de 138 mil hectares, até  2030, provocando a emissão de 67 milhões de toneladas de CO2. Se passar, o PL representará uma confirmação de que o desmatamento fugiu do controle e que, paradoxalmente, tem o aval do Governo”.

O desmatamento do Bioma Chaco, no Paraguai, para fazer carvão, e na, Bolívia, para plantar soja, se soma à destruição do Cerrado que muito em breve será transformado num deserto sem recursos hídricos. Essa situação leva a uma análise mais aprofundada sobre o desaparecimento das florestas tropicais no mundo. O Professor Luiz Marques da UNICAMP, num artigo recente adverte que estaríamos vivenciando o último século das florestas tropicais. Reproduzindo dados de 2001 do Earth Observatory da NASA ele informa: “se a taxa atual de desmatamento continuar, as florestas tropicais desaparecerão dentro de 100 anos, provocando efeitos desconhecidos sobre o clima global e eliminando a maioria das espécies vegetais e animais no Planeta”.

Essa observação se encontra fundamentada em observações de imagens de satélite e nelas a região amazônica figura em primeiro lugar. No dia 10 deste fatídico Julho, a publicação científica PNAS da Academia Nacional de Ciências dos EUA, alertou que a atividade humana está precipitando a “aniquilação biológica” e promovendo um evento de extinção em massa, que seria o sexto fenômeno deste tipo na evolução da vida na Terra. Dois dias depois, aconteceu o colapso da plataforma de gelo Larsen C na Antártida, provocando a formação de um gigantesco iceberg, estimado em um trilhão de toneladas de gelo. O iceberg tem quase a mesma área de algumas ilhas muito conhecidas; é maior que Bali, Trinidad e um pouco menor que Córsega, Chipre ou Porto Rico.

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Mas a dramática realidade planetária não se limita a isso, neste mês a National Oceanic & Atmospheric Administration (NOAA) dos EUA revelou o aparecimento de uma gigantesca “zona morta” no Golfo do México de 15 mil km2, quase 15 vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro, onde a água não tem oxigênio suficiente para que os peixes sobrevivam. Isso se deve aos agrotóxicos e produtos químicos utilizados pelos agricultores a quilômetros de distância.

É o que o jornalista e ambientalista Dal Marcondes chama de “terra envenenada” citando um informe da FAO: “os solos estão contaminados por conta das atividades dos homens, que descartam uma grande quantidade de produtos químicos nas áreas utilizadas para produzir alimentos”. Por sorte surge uma esperança, Nicolas Hulot, Ministro da Transição Ecológica e Solidária da França de Macron, decidiu banir alguns agrotóxicos, fechar l7 centrais nucleares até 2025, proibir até 2040 o uso de carros com combustível fóssil, e levar a França a zerar as emissões de CO2 até 2050.

Na Coreia do Sul, O novo Presidente Moon Jae-In, prometeu que o país acabará com a dependência de energia nuclear e investirá em fontes de energia renováveis. Ele espera que o país entre em uma “era livre da energia nuclear” assim como o governo espanhol que decidiu fechar a sua central nuclear de Santa Maria Garoña, a mais antiga do país. Enquanto isso o Brasil vai à contramão pensando em terminar de construir a central nuclear de Angra 3.

Acompanhando as boas notícias, a empresa Tesla concluiu uma enorme usina solar de 55.000 painéis na ilha havaiana de Kauai, que permitirá o armazenamento de energia em escala industrial. Como resultado, 44% da energia da ilha virão de fontes renováveis. Será a primeira iniciativa solar a fornecer energia de forma confiável 24 horas por dia, 7 dias por semana. O Havaí estabeleceu metas de eliminar todas as fontes de energia não renováveis até 2045. Aloha spirit!

Fonte: Envolverde

 

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8 respostas em “ECO21 – O Brasil na contramão com o desmatamento e a energia nuclear

  1. É certo que a política ambiental no Brasil traz muitos avanços nos dias atuais, principalmente no que se refere à participação dos governos federal, distrital, estaduais e municipais e da sociedade civil organizada de maneira geral.
    Observamos a melhoria da qualidade da gestão ambiental, porém, sem a garantia que a as políticas públicas coloquem como prioridade os interesses sócio-ambientais. Ao se enxergar o meio ambiente como um obstáculo ao desenvolvimento, a perspectiva do desenvolvimento sustentável encontra oposição em vários aspectos do mercado e até mesmo em alguns seguimentos do Governo.
    O Brasil, um país continental cuja biodiversidade é responsável por metade de seu Produto Interno Bruto, propulsiona o seu real desenvolvimento somente ao perceber que os interesses econômicos que procuram inviabilizar a transversalidade constituem o grande obstáculo para a promoção de uma política ambiental integrada ao desenvolvimento sustentável.
    Dessa forma, é fundamental que empresas, sociedade e Governo estejam em sintonia, tendo em vista a conciliação que também é de interesse social e ambiental.

  2. No Brasil a energia nuclear vem ganhando cada vez mais visibilidade com as usinas de Angra e o desenvolvimento de novas técnicas de aproveitamento do urânio que inclusive foram motivos da não ratificação do acordo que permitia a fiscalização por partes dos países desenvolvidos acerca da produção nuclear em países em desenvolvimento signatários .
    Não é prudente afirmar que a energia nuclear não polui o ambiente, porém o seu impacto ambiental é bem menor se comparado com outras fontes de energia, além disso, suas instalações não exigem grandes territórios. As questões de segurança também são fatores de grande preocupação, devido ao material radioativo, mas suas etapas são rigorosamente controladas e monitoradas, sendo rara a incidência de acidentes em todo mundo e ainda inexistente no Brasil.

  3. O Brasil adota posição reacionária, alegando que sua matriz energética já é limpa, devido à hidroeletricidade e ao bioetanol de primeira geração. Um sofisma que evaporará no exato instante em que for divulgado o segundo inventário nacional de emissões de gases estufa. O primeiro já havia revelado que as jurássicas emissões causadas por desmatamentos e queimadas aumentaram 2% entre 1990 e 1994, enquanto as demais davam um salto de 16%. Disparidade que se aprofundou, pois os cálculos da organização “Economia & Energia” para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) mostraram que as emissões atribuíveis à produção e uso de energias tiveram uma escalada de 45% entre 1994 e 2005, período em que o incremento do PIB foi de 32%. Pior: dobraram no setor energético, enquanto aumentavam 45% no de transportes e 41% no industrial.

  4. É evidente que com o governo Temer o Brasil está indo na contra-mão do resto do mundo em muitos aspectos, em relação ao cumprimento das metas ambientais internacionais não é diferente. A recente votação que derrubou a abertura de uma ação penal contra o presidente Michel Temer acusado de corrupção, foi uma vitória que custou caro para a população brasileira, nessa empreitada o presidente república contou com o apoio de várias bancadas conservadoras do Congresso, dentre elas a gigante bancada dos ruralistas. Até 2018 há de se esperar sucessivos retrocessos brasileiros no que diz respeito a políticas ambientais, visando atender os interesses dos vários políticos que votaram favorável a manutenção do Temer na presidência da República. Dito isso sobre as políticas ambientais em geral e os recentes casos de desmatamento de áreas protegidas, resta comentar sobre os investimentos brasileiros em relação a energia nuclear e o projeto de Angra 3, meu posicionamento nesse ponto difere do redator desta notícia, reitero os comentários acima feitos pela colega Letícia em 18/08/2017 às 15:42: ”Não é prudente afirmar que a energia nuclear não polui o ambiente, porém o seu impacto ambiental é bem menor se comparado com outras fontes de energia, além disso, suas instalações não exigem grandes territórios. (…) sendo rara a incidência de acidentes em todo mundo e ainda inexistente no Brasil”. A diretriz brasileira crescente em relação a energia nuclear, dos males é o menor.

  5. O Brasil é o segundo país com a maior cobertura vegetal do mundo, ficando atrás apenas da Rússia. Entretanto, o desmatamento está reduzindo de forma significativa a cobertura vegetal no território brasileiro. São aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa desmatada por ano em conseqüência de derrubadas e incêndios, além das centenas de problemas respiratórios gerados. Na Amazônia, milhões de animais morrem todo ano entre os meses de Junho-Agosto em razão da seca e consequentes queimadas.

    É revoltante como um país como o Brasil, considerado por muitos a estufa do mundo, é indiferente em relação à políticas ambientais. É incrível como todos os anos acompanhamos cada dia mais um retrocesso em cuidados nessa seara. Apesar de estudos preliminares apontarem que a energia nuclear é mais “limpa” que as demais, não é segura e qualquer desvio pode gerar impactos estrondosos sobre a saúde pública.

    • Duas das metas do milênio da Organização das Nações Unidas (ONU) são garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Tais metas são importantes pilares para a construção de um mundo em que a degradação ambiental, o aquecimento global, o desmatamento e a poluição não sejam obstáculos presentes. Afinal, contribuir para que as presentes e futuras gerações tenham um ambiente propício para crescimento e desenvolvimento é fundamental. E sendo o Brasil um país com grande biodiversidade e constante crescimento é imprescindível que ele adote posturas, medidas e soluções que garantem um desenvolvimento pautado na sustentabilidade. Sendo uma delas a adoção de modelos de energias renováveis. Nesse sentido, nos últimos anos, o Brasil promoveu a diversificação das matrizes energéticas com a instalação de usinas solares e eólicas. Sendo importantes fontes alternativas uma vez que evitam a emissão de milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Dessa forma, é dever do Estado em conjunto com as empresas e a sociedade promover uma conscientização ambiental que ajude a desenvolver com responsabilidade a nação.

  6. O governo Temer segue atendendo aos interesses econômicos, promovendo benefícios para uma parcela restrita da sociedade brasileira e ainda consegue seguir em um caminho contrário ao que seria recomendado no que envolve o meio ambiente e mostrando para a comunidade internacional que o capital estaria acima da proteção ambiental. O presidente Temer aprovou em julho passado a Medida Provisória 759/16, conhecida como “MP da Grilagem” que altera diversas leis sobre a regularização fundiária em áreas urbanas e rurais do país, mas tem sido vista como um retrocesso ambiental, já que ampliaria de modo substancial o desmatamento da Amazônia. É incompreensível que se ignore a necessidade de se evitar medidas que violem o território da Amazônia, já que ambientalistas de todo o mundo reconhecem seu papel para a manutenção da biodiversidade no planeta. Lamentavelmente, o Brasil não é exceção no que tange violações ao meio ambiente no continente sul-americano, tendo em vista que outros países como Paraguai e Bolívia vêm causando a destruição de biomas em seus territórios. Ainda sobre o Brasil, continuando o caminho contrário seguido por outros países, existe a pretensão de se concluir a construção da central nuclear de Angra 3. Parece que o jogo não vai virar tão cedo.

  7. A promoção do desarmamento nuclear deve ocupar posição prioritária na agenda da comunidade internacional. Passados mais de quarenta anos da entrada em vigor do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), em 1970, foi possível obter amplo êxito na prevenção da proliferação de armas nucleares entre países que não as detinham – mas houve poucos avanços no que diz respeito à eliminação, pelos Estados nuclearmente armados, dos arsenais nucleares por eles mantidos.
    No âmbito da não proliferação, é importante ressaltar que a América Latina e o Caribe foram região pioneira em colocar limites à corrida armamentista nuclear. O Tratado de Tlatelolco, de 1967, propiciou o estabelecimento da primeira Zona Livre de Armas Nucleares em região densamente povoada. Todos os 33 Estados da América Latina e do Caribe são partes no Tratado de Tlatelolco e membros do Organismo para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (OPANAL).

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