A formação do complexo industrial militar da China


Exército_China

04/07/17

A China vem fazendo esforços para desenvolver o seu complexo industrial militar*, com o setor privado despontando neste processo. A cooperação com a Rússia, que despontou nos anos 1990, foi o impulso necessário para que os chineses pudessem desenvolver maior autonomia na área da indústria de defesa. Atualmente, o tecido industrial do país se tornou mais complexo, incluindo o surgimento de empresas privadas que reduziram a dependência da China em relação aos russos, no que tange à tecnologia militar.

Neste ano (2017) foi criada uma Comissão no nível de Estado para integração entre o setor civil e o setor militar. Presidida pelo mandatário Xi Jinping, tal Comissão visa estimular o investimento em tecnologia e inovação. A integração entre civis e militares é um dos objetivos do 13º Plano Econômico Quinquenal, vigente para o período de 2016-2020, o qual enfatiza a importância da indústria de Defesa para a manutenção do crescimento da economia do país. A China está progressivamente inovando e internalizando elos das cadeias produtivas do setor bélico, no sentido de reduzir a dependência do país em relação a componentes advindos do exterior.

Sob a perspectiva da economia política, este fenômeno indica o exercício de influência de um grupo de interesse, nomeadamente os altos industriais, encontrando consonância com os interesses do setor militar e, a partir deste fato, se consolida a articulação de uma coalizão nacional. Adicionalmente, menciona-se o importante fato de o país investir cerca de 2% do seu PIB na área militar. As principais empresas deste setor na China incluem a Companhia Nacional de Construção de Navios (CSSC), a Companhia de Aviação Industrial da China (AVIC) e a Companhia Industrial de Ciência Aeroespacial, todas estatais. Não obstante, avançam as reformas no sentido de produzir empresas de capital misto e empresas privadas na área de Defesa.

A ação das Forças Armadas chinesas permanece focalizada no âmbito nacional e regional. Paralelamente a isto, emerge a tendência da contratação de empresas privadas de segurança para proteger os ativos e investimentos chineses no plano global. Portanto, as corporações privadas de segurança se internacionalizam à medida que avançam os esforços para o aumento dos fluxos de investimento externo da China nos mais variados mercados. A escolha do uso de empresas privadas para este tipo de serviço visa evitar desgastes diplomáticos que poderiam ocorrer se resolvesse utilizar o Exército para realizar este tipo de atividade. Atualmente, possui em torno de 3.200 funcionários privados de segurança localizados no exterior e 2.600 militares alocados em zonas de conflito, no arcabouço da ONU.

Notas:
A expressão indica uma aliança entre a indústria bélica e o setor militar de um país.

Fonte: CEIRI Newspaper

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Uma resposta em “A formação do complexo industrial militar da China

  1. A expansão da indústria bélica chinesa, não é nenhuma novidade para os analistas políticos mais informados sobre o assunto. A necessidade de aumentar o mercado de consumo exterior dos produtos chineses – vez que o gigantesco mercado interno já não comporta mais o crescimento da economia – faz com que se necessite projetar poder e influências sobre outros países.

    Visando pressionar seus vizinhos, o gigante asiático move mais do que nunca suas forças armadas. A criação de ilhas artificiais no Mar do Sul da China, como seu posterior armamento, é o equivalente a construir porta-aviões de areia que não podem se mover. Além disso, a construção de um porta-aviões por aquele país e o desenvolvimento particular de um novo helicóptero de ataque, também evidenciam as intenções dos chineses.

    É sabido que, uma economia tão grande como a chinesa, quando tem de expandir-se necessita de mais matérias-primas, mão-de-obra e mercado. Tudo isso, requer prestígio e influencia internacionais.

    Uma das formas mais eficientes de se obter o referido prestígio, é com demonstração de força. Infelizmente, as armas ainda falam muito alto. Haja vista a Coreia do Norte, que apesar de pequena e pobre, consegue manter-se firme em sua política graças a seu poder nuclear.

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