Perigo: Exército brasileiro está virando ‘polícia de fato’, critica revista britânica


1799903

11/07/17

O Brasil está seguindo por um caminho perigoso quando o assunto envolve os seus investimentos nas Forças Armadas e no uso delas para o trabalho policial em grandes cidades do país, criticou a revista britânica The Economist na semana passada.

reportagem considerou que as linhas que separam a defesa nacional e as forças de segurança é “perigosa”.

“Soldados são policiais caros: um dia de uso de alguns milhares deles pode custar R$ 1 milhão de acordo com os seus ganhos normais. Mais importante: depender em excesso do Exército não é saudável para a democracia. Tropas são treinadas para emergências, e não para manter a ordem do dia a dia”, avalia a publicação.

A revista ainda menciona que o governo vem buscando formas de lançar mãos dos seus 334 mil soldados, preferindo utilizá-los para fazer a segurança urbana – atribuição esta das forças policiais – ao invés de, por exemplo, priorizar as fronteiras continentais.

Para a The Economist, o governo brasileiro precisa colocar de volta ao foco quais são as reais atribuições das Forças Armadas brasileiras, aumentando investimentos em treinamento e equipamentos para o caso de uma eventualidade, como a ‘Amazônia Azul’, como é conhecida a área petrolífera do país.

Fonte: Sputnik

Anúncios

10 respostas em “Perigo: Exército brasileiro está virando ‘polícia de fato’, critica revista britânica

  1. O estado brasileiro foi objeto de críticas pela revista britânica The Economist, na medida em que fora noticiado por esse canal de comunicação que as forças armadas, principalmente o exército brasileiro estão se tornando policiais ostensivos em várias cidades do país. Esse ato de utilizar-se da força do exército para uma maior segurança pública leva a vários questionamentos: Constitucionalmente falando, seria esse ato legal?
    A previsão do recurso às forças armadas está previsto no artigo 142 da Constituição da República de 1988, in verbis: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Assim, o estado pode recorrer às forças armadas se constatado a insuficiência da força militar. Porém, outras questões se mostram atinentes de forma que o uso da força garante uma falsa pretensão de segurança e o estado brasileiro para combater a criminalidade, precisa de maior efetivação nas políticas públicas e também pela construção de um sistema de segurança mais estrutural e integrado, livre de corrupções e voltado para a garantia de direitos.

  2. A Constituição Federal permite que as Forças Armadas, por ordem presidencial, atuem em ações de segurança pública em casos de grave perturbação da ordem e quando o uso das forças convencionais de segurança estiver esgotado.
    E não é o que vem acontecendo no Brasil, como cita o Comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, que o uso das Forças Armadas em ações de segurança pública é “desgastante, perigoso e inócuo”.
    É também critica da revista britânica The Economist, como consta na reportagem, uma vez que é necessário que o governo brasileiro coloque de volta ao foco quais são as reais atribuições das Forças Armadas brasileiras, visto que o excesso do Exército não é saudável para enfatizar a democracia.

  3. A atuação excepcional das Forças Armadas em situações onde se demonstre real e grave perturbação da ordem, bem como esgotamento ou insuficiência das forças convencionais, realmente tem previsão constitucional e essa proteção é um dever. Entretanto, a atuação que deveria ser apenas excepcional está se tornando habitual, o que se torna um problema, quando consideramos que as Forças Armadas estão treinadas e preparadas para enfrentamentos emergenciais de grande proporção, ou seja, ao redirecionar os soldados para proteção da ordem no dia a dia, estamos dispendendo recursos de forma indevida e empregando força não preparada para as situações de rotina policial, promovendo um curioso “conflito de competência”, os militares acabam exercendo função de garantir a segurança pública, e não de proteção a soberania nacional, ou seja, ao invés de proteger o país de ameaças externas ou em situações emergenciais, atua internamente numa relação complicada com o povo que eles foram treinados a proteger. É uma situação incomoda para ambas as partes, considerando que já houve manifestação pública do Comandante do Exército quanto a isso, já que essas ações são caras e diferentes das quais os mesmos foram preparados para executar. Em última análise, ter o exército nas ruas é algo negativo para o país, pois, considerando o histórico em nosso passado de intervenção militar, muitos ainda têm uma visão completamente equivocada da atuação das Forças Armadas, seja contra ou a favor, o que pode gerar mais instabilidade social e maiores problemas.

  4. Legalmente, no Brasil, o auxílio das Forças Armadas é possível desde que reconhecida a incapacidade e insuficiência da própria força policial em executar suas próprias funções. A revista britânica The Economist ressalta ainda que o governo brasileiro prefere utilizar os soldados para fazer a segurança pública – atribuição das forças policiais – em vez de priorizar a fiscalização das fronteiras, por exemplo. No entanto, essa expansão da ação dos militares para o campo policial é alvo de críticas, considerando que os militares não são treinados para o exercício de atribuições policiais, para a qual nem sempre dispõem dos necessários meios. Embora a militarização seja considerada pela sociedade brasileira, muitas vezes, como sinônimo de maior segurança, o uso deturpado de tal recurso, além de demonstrar a falta de políticas estruturais, não consolida um sistema integrado de inteligência e representa desvirtuamento da própria finalidade das Forças Armadas, tendo em vista que foram concebidas para agir apenas em situações anômalas.

  5. A situação do exército brasileiro no cenário internacional é potencialmente preocupante como está explícito no na revista britânica The Economist, o exército está se transformando em uma polícia ofensiva, pois os soldados nacionais estão sendo usados para fazer a segurança pública municipal e não a segurança do território e soberania nacional.
    Houve até manifestação expressa do oficial Comandante do Exército dizendo que tais ações que são feitas não condizem com aquilo que foram treinados.
    Mesmo que o Brasil seja considerado um país pacifico, que não está vinculado a nenhuma guerra, não se faz de bom tom mostrar que somos um país destreparado para o resto do mundo.

  6. Na reportagem vemos um sintoma. O uso de forças militares para exercer o que seria atribuições da polícia, é um sintoma da “doença” de que padece o país, qual seja, o conflito distributivo.
    Deveríamos poder dizer que é uma solução temporária, mas não. O governo poderia ter uma explicação racional para o fenômeno da militarização da segurança pública, mas dar tal explicação seria admitir algo que levou-se muito tempo para manter fora do foco. E não há palavras para dizer o que não deve ser dito.
    A militarização da segurança pública é uma construção (com a polícia militar e, agora, com o uso do exército em si), um projeto que, claramente, uma revista de um país que não enxerga razão de ser do Estado ter parte de seus cidadãos como inimigos, não poderia facilmente entender (não AQUI. Quiçá, em algum rincão da Africa subsaariana).
    Pois sim. É um controle muito sofisticado. Uma visão de mundo estruturada no discurso de ética, decência, direitos humanos, democracia e na “coisa pública”, jamais poderia facilmente entender.
    É preciso uma lógica mais que maquiavélica, hitleriana, para alcançar o cerne da estrutura “da nossa” lógica de estado.
    E talvez não haja estômago para isso.
    A maior concentração de renda do mundo é a explicação, e o agente nocivo, a dar causa à convulsão delinquente que se espalha e nos vitima (a todos).
    O soldado armado disposto a matar e a morrer (por salário, POR DINHEIRO!), cumprindo ordens sem questionar contra seus próprios pares (e reside aí o “mérito” da solução militar para o PROJETO DE ESTADO de manter a concentração de renda), é mero “sintoma do sintoma”.
    Não, The Economist. Não há perigo algum. Tudo está DEVIDAMENTE dentro dos conformes.

  7. É permitido em algumas situações, que as Forças Armadas operem em ações de segurança pública no contexto estadual ou municipal em casos de relevante perigo e desordem acentuada, além de insuficiência das forças convencionais de segurança. Mas de acordo com a crítica da revista britânica, a prática de colocar soldados das Forças Armadas para atuar na segurança pública rotineiramente não é saudável para a democracia.
    As tropas não foram treinadas para esse objetivo, inclusive seu custo é muito mais alto, devendo priorizar essa qualificação em lugares que necessitam de soldados especializados com mais preparo como as fronteiras e Amazônia Azul.

  8. O Brasil, para um país que não se envolve em conflitos internacionais que demandam o apoio do Exército Nacional, investe demasiadamente no mesmo. Apesar de o ordenamento jurídico brasileiro permitir a intervenção do exército nas questões internas em casos considerados de extrema urgência e necessidade, como aconteceu na invasão do Morro do Alemão no Rio de Janeiro em 2010, a preocupação trazida pela revista britânica se revela de extrema importância quando se analisa dados do uso da força policial comum em ocorrências do dia a dia.
    Um relatório da organização da Anistia Internacional demonstra que a policia brasileira é a que mais mata no mundo, sem quaisquer investigações posteriores. Dessa informação, pressupõe-se que o treinamento militar é extremamente ostensivo e despreparado para lidar com civis.
    Não obstante, um treinamento de formação de soldados não se mostra diferente. As atuação da primeira, que deveria ser diferente, acaba por corroborar o receio de qualquer intervenção do segundo no cotidiano brasileiro.
    Se já é explicito o despreparo da policia militar com a realidade do país, a qual, em tese é treinada para a proteção da população, a colocação de soldados nas ruas, treinados para outras situações e realidade, se mostraria problemática e passível de ensejar, ainda mais, violações na estrutura democrática e dos direitos humanos.

  9. A atuação das forças armadas para a segurança ordinária do país é sim permitida, mas desde que seja uma atuação subsidiária, ou seja, o exército brasileiro deve ser chamado a atuar apenas quando a polícia de fato, não estiver conseguindo realizar seu papel de forma eficaz.
    A crítica da revista britânica se faz justamente por uma percepção de que essa subsidiariedade não está sendo respeitada. O que se vê no Brasil, é que as forças armadas estão ganhando cada vez mais poder nas ruas e se tornando responsáveis pela segurança do dia-a-dia da população.
    Diante disso, pode-se perguntar qual serio o motivo para essa situação. Sabe-se que o país passa por uma grave crise na polícia. É uma profissão perigosa e mal remunerada diante desses riscos, o que acaba por favorecer a corrupção dentro da instituição. Entretanto, a saída não é substituir a polícia pelas forças armadas, sob pena de ameaça a democracia do país, mas sim investir para que a força policial comum se restabeleça e possa cumprir seu papel tão importante para a sociedade.

  10. devemos lembrar que as forças armadas não tem nem treinamento, e armamento para o dito combate urbano.

Comente esta notícia!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s