A catástrofe humanitária no Iêmen


YEMEN-CONFLICT

19/07/17

O Iêmen vive hoje uma das situações consideradas mais delicadas no Oriente Médio. O país encontra-se devastado por uma guerra entre o governo do presidente Abdrabbuh Mansour Hadi* e os membros do movimento rebelde Houthi. Observadores apontam que os ataques aéreos e o bloqueio fronteiriço da coalizão multinacional** liderada pela Arábia Saudita impulsionaram um desastre, pois, atualmente, 70% da população necessita de ajuda humanitária.

As campanhas aéreas sauditas e de oito Estados árabes de maioria sunita contra o país começaram após o empoderamento do movimento Houthi, grupo supostamente apoiado pelo Irã, e buscaram auxiliar no estabelecimento do governo de Mansour Hadi. O conflito instaurou-se a partir do insucesso na transição política que deveria trazer estabilidade ao Iêmen, em 2011, com uma forte onda de protestos que forçaram o antigo presidente Ali Abdullah Saleh a renunciar sua posição, entregando o Governo a Mansour Hadi – o Vice-Presidente. O Governo Hadi vivenciou problemas severos em sua gestão, incluindo ataques realizados pela al-Qaeda, por movimentos separatistas e por militares aliados ao presidente Saleh, sem contar com questões estruturais, como acusações de corrupção, desemprego e insegurança alimentar.

O Movimento Houthi, que busca empoderar a minoria xiita, já participou de uma grande série de revoltas contra o antigo presidente Saleh na última década. Durante a transição entre o governo de Saleh e o de Hadi, com o enfraquecimento do Estado, o movimento aproveitou para capturar a parcela norte da Província de Saada, agregando parte da população iemenita que estava descontente com a transição (até mesmo parcelas sunitas da população), conseguindo alcançar a capital, Sanaa, em 2014. No ano seguinte, os Houthis reforçaram seu posicionamento sobre a capital, sitiando o palácio presidencial e outros pontos estratégicos da cidade, aprisionando o presidente Hadi e parte de seu Gabinete.

De acordo com as Nações Unidas, durante o conflito já foram registradas pelo menos 4.773 mortes de civis e outros 8.272 feridos. Pouco abaixo da metade da população têm menos de 18 anos, e um terço de todos os civis mortos nos primeiros anos do conflito foram crianças. A ONU ainda afirma que 2 milhões de pessoas tiveram que deixar suas casas, além disso, 180 mil deixaram o país. Este ano (2017), o Iêmen, destruído pela guerra, vivencia o pior surto de Cólera do mundo. Fontes da organização apontam que mais de 1.700 pessoas morreram desde abril devido à bactéria e existem ainda mais de 320.000 casos suspeitos, com a média de 5 mil novos casos registrados por dia.

O conflito entre Houthis e o governo do presidente Hadi também é visto como parte de uma disputa regional de poder entre o xiita Irã e a sunita Arábia Saudita. Os Estados do Golfo aliados aos sauditas acusaram os iranianos de proverem suporte financeiro e militar ao movimento Houthi, mesmo assim, eles afirmam serem defensores do atual Governo do Iêmen.

O conflito está no radar das potências ocidentais que consideram a célula da al-Qaeda que está instalada no país como uma das mais perigosas, devido a sua expertise técnica e alcance global. Existem também organizações filiadas ao Estado Islâmico no Iêmen, como a Ansar al-Sharia, que estão sendo monitoradas para que não aumentem seu poderio perante à crise humanitária existente.

Fonte: CEIRI Newspaper

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