Violência na República Democrática do Congo deixa mais de 3 mil mortos em oito meses


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Voluntária leva alimentos para deslocados pelo conflito na região de Kasai (foto de 7 de junho de 2016) Foto: JOHN WESSELS / AFP / AFP

20/06/17

Desde setembro de 2016, a região de Kasai é abalada por uma rebelião que já causou o deslocamento de 1,3 milhão de pessoas

Mais de 3 mil pessoas morreram desde outubro de 2016 na região do Kasai, no centro da República Democrática do Congo (RDC), de acordo com um documento da Nunciatura Apostólica no país. A nota técnica cita 3.383 mortes registradas desde outubro no Kasai, enquanto a ONU registrava um balanço estimado de “mais de 400 mortos”.

O documento apresenta um “resumo dos danos sofridos pelas instituições eclesiásticas” baseado em relatórios a partir de 13 de outubro de 2016 — quando aconteceu um primeiro ataque a uma paróquia.

De acordo com a nota com data de 19 de junho, várias estruturas eclesiásticas foram danificados ou fechadas, incluindo 60 paróquias, 34 casas religiosas, 31 centros de saúde católicos, 141 escolas católicas, cinco seminários e um bispado destruídos.

A nota também afirma que 20 aldeias foram “completamente destruídas”, incluindo “10 pelas FARDC (exército congolês), quatro por milicianos e seis por agressores desconhecidos”. Também são mencionadas 30 valas comuns. A ONU citava de 42 valas comuns.

Desde setembro de 2016, a região do Kasai é abalada pela rebelião de Kamwina Nsapu, chefe tradicional morto em agosto passado em uma operação militar depois de ter se rebelado contra o governo de Kinshasa.

A violência que envolve milícias, soldados e policiais no Kasai causou o deslocamento de 1,3 milhão de pessoas. Dois especialistas da ONU, enviados pelo secretário-geral para investigar a violência, foram mortos em março.

A ONU acusa os rebeldes Kamwina Nsapu de alistar crianças soldados e cometer atrocidades, enquanto denuncia o uso desproporcionado da força por parte do exército congolês.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, acusou as autoridades da RDC de armar uma milícia que ataca os civis na região de Kasai.

— Estou consternado pela criação e armamento de uma milícia, Bena Mura, que apoiaria as autoridades na luta contra a rebelião Kamwina Nsapu, mas que executou ataques horríveis contra civis dos grupos étnicos luba e lulua — declarou Zeid no Conselho dos Direitos Humanos da ONU reunido em Genebra.

Fonte: AFP em Zero Hora

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2 respostas em “Violência na República Democrática do Congo deixa mais de 3 mil mortos em oito meses

  1. Uma crise política se instaurou na República Democrática do Congo, em setembro de 2016, depois que Kamwina Nsapu, chefe tradicional morto em agosto do último ano em uma operação militar, depois de ter se rebelado contra o Presidente Kabila. Importante destacar que o presidente ainda se mantém no poder, mesmo após o seu mandato ter terminado oficialmente em dezembro de 2016. É importante destacar que o cenário deixa de ser uma crise política e se torna uma guerra civil, a partir do momento em que há casos de violência, envolvendo milícias, soldados e policiais, o que acabou por gerar a morte de inúmeras pessoas. Desta forma, é necessária a atuação da comunidade internacional, no momento em que passam a ser violados direitos humanos, devendo-se aumentar a pressão sobre as autoridades do país para que seja apresentado um calendário eleitoral, tendo em vista que um vazio do poder pode ser perigoso, uma vez que maiores tensões poderiam dessa situação decorrer.

  2. A notícia trata de acontecimentos do ano de 2016, na qual Mais de 3 mil pessoas morreram desde outubro de 2016 na região do Kasai, contudo, vemos que a população da República Democrática do Congo sofre com um histórico que envolve diversos problemas sociais, políticos, econômicos e conflitos armados.
    Em 1960 houve a intervenção da ONU no país, porém, de forma intrusiva.
    De acordo com a ONU, ao longo de 2009, mais de 15 mil mulheres foram vítimas de violência sexual no leste do país, região onde vários grupos armados continuam ativos.
    Durante o período eleitoral foram somadas 143 violações dos direitos humanos relacionados com o tal processo, são mencionadas pelo estudo que retrata abusos ocorridos nos primeiros nove meses do ano de 2015.
    Ocorre que nota-se a necessidade da proteção e preservação dos direitos humanos, pois a situação ainda continua crítica.

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