Chefe da ONU nomeia diplomata russo para liderar combate ao terrorismo


21/06/17

Por Michelle Nichols e Shadia Nasralla

NAÇÕES UNIDAS/VIENA (Reuters) – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, nomeou nesta quarta-feira um diplomata russo para liderar o recém-criado escritório de combate ao terrorismo da ONU, dando a um representante de Moscou importante cargo na sede da organização em Nova York.

O embaixador russo para organizações internacionais em Viena, Vladimir Voronkov, disse à Reuters que encontrou com Guterres na terça-feira. A Reuters informou de maneira exclusiva sobre a nomeação mais cedo nesta quarta-feira.

O porta-voz da ONU Farhan Haq disse que, em sua nova função, Voronkov “fornecerá liderança estratégica aos esforços antiterrorismo da ONU e participará do processo de tomada de decisão das Nações Unidas”.

Haq afirmou que Voronkov tem mais de 30 anos de experiência com o serviço estrangeiro russo, trabalhando principalmente em questões da ONU.

“Combater o terrorismo é uma das coisas na qual a maioria dos países pode trabalhar com a Rússia”, disse um graduado diplomata do Ocidente, falando sob condição de anonimato.

“Nós temos visões muito diferentes das da Rússia sobre o que conta como terrorismo e o que conta como resposta apropriada ao terrorismo, mas ao menos é uma discussão que nós podemos ter mais facilmente do que sobre questões políticas ou manutenção da paz”, disse o diplomata.

Cidadãos de quatro dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU –Estados Unidos, Reino Unido, França e China– têm ocupado pela última década cargos graduados da ONU em sua sede em Nova York.

Um americano lidera os assuntos políticos da ONU, um francês tem liderado a manutenção da paz, um britânico tem controlado as questões humanitárias e um cidadão chinês tem gerido as questões econômicas e sociais. Ao longo dos últimos 7 anos, um russo tem liderado o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime sediado em Viena.

“É justo dizer que os russos são sub-representados nos níveis mais altos na ONU. No geral, eles apresentaram candidatos incrivelmente fracos para empregos muito graduados”, disse o diplomata ocidental.

A Assembleia-Geral da ONU de 193 membros aprovou a criação de um escritório de combate ao terrorismo na última semana, o que vai ajudar os Estados a implementarem uma estratégia global antiterrorismo adotada pela Assembleia Geral em 2006.

A estratégia, que é revisada a cada dois anos, tem como objetivo tratar das condições propícias à propagação do terrorismo, de medidas para prevenir e combater o terrorismo, fortalecer a capacidade dos países e garantir o respeito aos direitos humanos e ao estado de direito como base para a luta.

Fonte: Reuters

 

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7 respostas em “Chefe da ONU nomeia diplomata russo para liderar combate ao terrorismo

  1. Em primeiro lugar, temos de desencorajar os grupos descontentes de adotarem o terrorismo como tatica. Escolhem-no porque crêem que é eficaz e lhes irá granjear o apoio popular. Esta ideia é a verdadeira “causa profunda” do terrorismo. Compete-nos provar que estão errados.

    Há demasiado tempo que a autoridade moral das Nações Unidas se vê enfraquecida pelo prolongado debate sobre o que é o terrorismo: se os Estados podem ser considerados culpados da sua prática e os grupos que não atuam sob a autoridade legal de um Estado, também, e se abrange atos de resistência à ocupação estrangeira.

    Chegou o momento de pôr termo a essas controvérsias. O uso deliberado da força contra civis, por parte dos Estados, já é proibido pelo direito internacional. E o direito de resistir não engloba o direito a matar ou mutilar civis intencionalmente.

  2. Há demasiado tempo que a autoridade moral das Nações Unidas se vê enfraquecida pelo prolongado debate sobre o que é o terrorismo: se os Estados podem ser considerados culpados da sua prática e os grupos que não actuam sob a autoridade legal de um Estado, também, e se abrange actos de resistência à ocupação estrangeira.
    Chegou o momento de pôr termo a essas controvérsias. O uso deliberado da força contra civis, por parte dos Estados, já é proibido pelo direito internacional. E o direito de resistir não engloba o direito a matar ou mutilar civis intencionalmente.
    Os terroristas exploram os Estados fracos como refúgios onde podem escapar à detenção e formar ou recrutar pessoal. Tornar todos os Estados mais capazes e responsáveis deve, pois, ser um elemento importante dos nossos esforços mundiais contra o terrorismo. Isto significa promover a boa governação e o primado do direito e dispor de forças profissionais de polícia e de segurança que respeitem os direitos humanos.

  3. Os Estados Unidos voltaram a desafiar a Rússia, posto isso, a embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, advertiu diante do Conselho de Segurança que seu país não permitirá mais mortes por ataques com armas químicas na Síria.O representante da Rússia, Vladimir Safronkov, classificou como “hipócrita” que agora se fale de potenciar o diálogo político. O diplomata acusou a Washington, Paris e Londres de terem optado “por uma via diferente da cooperação”. Eles têm medo de uma investigação verdadeira e independente do incidente, porque isso os colocaria em questão. Os Estados Unidos presidem as reuniões do Conselho de Segurança neste mês de abril. A embaixadora Nikki Haley já antecipou na quarta-feira que seu país estava disposto a atuar de forma solitária. “A intervenção está plenamente justificada”, assegurou na sexta-feira, explicando que até agora a Síria ultrapassava os limites porque a Rússia fazia vista grossa. “Isso não voltará a acontecer. Os dias de usar armas químicas de forma inconsequente chegaram ao fim”, concluiu.

  4. Tal nomeação se justifica pelo reforço da luta contra o terrorismo empreendido pela Rússia, conjuntamente com a China, que sozinha, não possui força institucional nem militar para fazê-lo. A cooperação entre os dois países promete reaver a estabilidade na região da Ásia Central, podendo ser aplicada também aos casos de terrorismo e radicalismo que vem ocorrendo no Afeganistão.

  5. Principalmente após o 11 de setembro, as organizações do Sistema das Nações Unidas mobilizaram-se rapidamente em suas respectivas esferas para intensificar a luta contra o terrorismo. É ação necessária não só por este fato, mas por todas as ações terroristas em países com menos visibilidade internacional. São necessárias medidas de desencorajamento e enfrentamento destas ações terroristas. A nomeação de um russo para a comissão é simbólica, considerando o posicionamento sócio-econômico e político da Rússia, que tem pouca representação no âmbito da ONU, e que pode ter concepções e políticas diferentes sobre o que é terrorismo e como enfrentá-lo. Pode ser interessante a interlocução entre as nações sobre o tema tendo um russo como mediador dos debates e decisões.

  6. Atualmente, existe uma enorme dificuldade em lidar com questões relacionadas aos atentados terroristas que se sustenta na inexistência de uma definição oficial na comunidade internacional sobre o que é “terrorismo”. Por exemplo, os crimes de guerra, crimes contra a humanidade e o genocídio foram delineados no Estatuto de Roma e seu julgamento é competência da Corte Penal Internacional, dando assim uma eficácia no âmbito internacional. O que se sabe é que atos de terrorismo estão comumente associados ao emprego de violência em ataques a instalações de um governo ou de civis, em que o intuito é causar efeito psicológico de medo extremo em toda a sociedade do Estado atingido. Como essa tem sido uma ferramenta mais recentemente (em comparação a crimes internacionais identificados em séculos passados, já que a palavra terrorismo só entrou em uso há algumas décadas) utilizada em conflitos, não se chegou a um consenso sobre sua definição.

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