Ministério da Defesa sul-coreano omitiu informação sobre sistema antimísseis de propósito, diz Presidência


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Imagem de arquivo do sistema antimísseis norte-americano instalado na Coreia do Sul | Reuters

31/05/2017

Por Jack Kim

SEUL (Reuters) – O Ministério da Defesa da Coreia do Sul “omitiu intencionalmente” de um relatório encaminhado aos principais assessores do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que mais quatro lançadores do polêmico sistema antimísseis dos Estados Unidos foram instalados no país, informou o gabinete presidencial nesta quarta-feira.

Moon ordenou uma investigação no ministério, dizendo ser “muito chocante” que os lançadores tenham sido enviados sem serem relatados ao novo governo ou ao público, disse o porta-voz da Casa Azul, Yoon Young-chan, na terça-feira.

O Ministério da Defesa suprimiu de propósito detalhes sobre a bateria antimísseis conhecida como Thaad em um relatório na semana passada, quando a nova gestão se preparava para a reunião de Moon com o presidente dos EUA, Donald Trump, no mês que vem, informou Yoon em uma declaração à imprensa.

“A Casa Azul confirmou que o Ministério da Defesa omitiu intencionalmente a introdução de mais quatro lançadores no relatório”, disse Yoon.

Moon tomou posse em 10 de maio sem um período de transição porque uma eleição presidencial antecipada foi realizada dois meses depois de sua antecessora, Park Geun-hye, sofrer um impeachment devido a um escândalo de corrupção. Moon herdou seu Ministério da Defesa e o restante do gabinete.

O sistema Thaad começou a ser instalado em março em Seongju, região do sudeste do país, com somente dois de seu arsenal máximo de seis lançadores em contraposição à ameaça crescente dos mísseis da Coreia do Norte.

Uma versão anterior do relatório do ministério especificava o número total de lançadores sendo preparados para instalação e o nome da base militar norte-americana onde os quatro estavam sendo mantidos, mas a referência foi retirada da versão final entregue à Casa Azul, afirmou Yoon.

O Pentágono disse ter sido “muito transparente” com o governo da Coreia do Sul a respeito da instalação do Thaad.

Durante sua campanha vitoriosa, Moon pediu uma análise parlamentar do sistema antimísseis, cujo envio enfureceu a China, única grande aliada dos norte-coreanos. Moon também solicitou mais engajamento e diálogo com Pequim.

A Coreia do Norte realizou três testes de mísseis balísticos desde que Moon assumiu, mantendo o ritmo acelerado de suas atividades de mísseis e nucleares desde o início do ano em desafio a resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU).

(Reportagem adicional de Phil Stewart em Washington, Ben Blanchard em Pequim e Kiyoshi Takenaka em Tóquio)

Fonte: Reuters

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2 respostas em “Ministério da Defesa sul-coreano omitiu informação sobre sistema antimísseis de propósito, diz Presidência

  1. Em um contexto de potências militares em um mundo globalizado e permeado de conflitos, comumente vemos países que adotam uma postura denominada de Realpolitik, termo este decorrente da percepção da forma de fazer política de Otto Von Bismarck. Tal postura consiste em uma postura mais fria, destituída de sentimentalismos e focada em uma política que foi dita pelo próprio Bismarck como fundamentalmente egoísta. Sendo assim, a atitude da Coréia do Sul em esconder as informações sobre o sistema antimísseis pode ser compreendida por meio do conceito de Realpolitik, já que tal atitude coloca os interesses egoísticos de se fortalecer militarmente acima das diplomacias presentes em um mundo globalizado. A respeito disso, é importante considerar que em um contexto no qual a Coréia do Norte se encontra expandindo sua capacidade bélica é natural que a Coréia do Sul reaja, ainda que seja necessário para tal adotar uma postura negativa em relação ao diálogo global. Vale ressaltar que vários são os países que já estão armados e dotados de grande capacidade de destruição. A pergunta que fica é: em qual situação essa “nova corrida armamentista” vai resultar?
    Layla Andrade Barros Moreira

  2. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com a maior demonstração de força e destruição feita pelo homem, uma tensão toma conta do cenário internacional. Tensão essa que se estendeu durante o período pós Segunda Guerra chamado de Guerra Fria, onde o mundo foi polarizado enquanto os dois polos tentavam mostrar sua força sem atacar o outro, gerando assim um eterno empasse que poderia ser quebrado por um simples gesto mais agressivo de algum lado.
    Voltando para o conflito atual noticiado acima, a Coreia do Norte nos últimos anos vem demonstrando uma força bélica capaz de fazer um enorme estrago, além disso, deixa claro sua vontade e coragem de usar a qualquer momento. A Coreia do Sul, que é o principal alvo das “ameaças” da sua vizinha, também desenvolve, importa e busca aliados para reafirmar sua capacidade de proteção e contra ataque caso a Coreia do Norte cumpra suas ameaças.
    A situação da Península Coreana está se estendendo para o resto do mundo, e a tensão cada vez mais cresce. A semelhança com a Guerra Fria é grande, porém, até quando teremos um respeito mútuo entre as nações causado pelo medo? E se um lado da história não tiver “medo”?
    João César Gonçalves Vilaça.

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