Índia pode ajudar EUA a conter economicamente China na região


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26/05/2017

Índia pode desempenhar um papel importante nos projetos norte-americanos da Nova Rota da Seda e do espaço econômico indo-pacífico, comunicou a PTI indiana.

Estes projetos foram apresentados ainda em 2011 pela secretária de Estado Clinton, mas não foram apoiados pelos países da Ásia e Oriente Médio.

Agora o Departamento de Estado pretende criar o bureau da Ásia do Sul e Central para apoiar a criação da Nova Rota da Seda e do corredor econômico indo-pacífico. O Departamento de Estado pretende apoiar os projetos com a força do poder suave, nomeadamente através da diplomacia pública.

Analistas entrevistados pela Sputnik acrescentaram que os EUA planejam reanimar o projeto de Hilary Clinton que se destina a conter a China na região.

“China lança grande ofensiva para abrir a Rota da Seda. Índia se recusou participar do fórum internacional ‘um cinturão e uma rota’ em Pequim. Provavelmente, ela vai tomar suas próprias iniciativas porque não pode deixar de participar de tais projetos do ponto de vista geopolítico. Não excluo que a Índia queira aproveitar a iniciativa dos EUA e participar dela. A ideia da Rota da Seda na Ásia é impossível sem a participação da Índia, e se os EUA estão realmente dispostos a agir, isso vai ser feito para apoiar a Índia e conter a China”, comunicou à Sputnik China a analista do Instituto de Estudos Orientais da Academia das Ciências da Rússia Tatiana Shaumyan.

A analista acredita que os EUA querem aproveitar a vontade da Índia. De acordo com ela, é possível que a Índia venha a participar da iniciativa norte-americana após a recusa da iniciativa chinesa.

“Este passo foi feito pelos EUA sob influência do fórum ‘Um cinturão e uma rota’ em Pequim. O fórum mostrou que o projeto já recebeu o reconhecimento a nível internacional. Por outro lado, penso que a atividade dos EUA neste domínio está ligada à defesa do seu prestígio na Ásia. Mas os projetos chinês e norte-americano não são concorrentes, além do mais, os contatos e a cooperação nesta área são possíveis”, acredita o analista chinês Liu Ying.

A Índia, por seu lado, vai apoiar a Nova Rota da Seda americana como um contrapeso ao projeto do corredor econômico China Ocidental – Paquistão, comunicou à Sputnik China o analista russo Andrei Volodin.

A Índia não tem chance para realizar sua própria política em relação à China. Ela tenta se apoiar alternadamente na Rússia ou nos EUA no jogo contra a China. Isso sinaliza a fraqueza da posição indiana. Desse ponto de vista, o significado do apoio indiano à iniciativa norte-americana poderá não ser tão importante como esperam os EUA. Além do mais, o apoio político da Índia pode ter o efeito inverso”, frisou à Sputnik China Andrei Volodin.

Os analistas acrescentam que a China está buscando ativamente novas áreas para promover a ideia da Rota da Seda a nível internacional. Uma delas é a cúpula G20. Em 24 de maio, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, comunicou que o G20 é a arena mais importante para a regulação da economia internacional, enquanto a criação de “um cinturão e uma rota” é a maior iniciativa da cooperação internacional no mundo atual. Ele expressou a confiança de que o apoio à iniciativa do projeto “um cinturão uma rota” vai impulsionar o G20. Pequim espera que haja interação entre estas áreas de cooperação.

Fonte: Sputnik

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2 respostas em “Índia pode ajudar EUA a conter economicamente China na região

  1. O campo do saber das Relações internacionais apresenta três principais escolas, que analisam sob diferentes perspectivas os vínculos políticos, econômicos e sociais entre os Estados. O Realismo, considerado por muitos estudiosos como a mais relevante dessas escolas, pauta sua teoria a partir de três princípios, sendo que dois deles, a oligarquia e a hierarquia, estão intimamente interligados.
    Os Estados Unidos, no afã de se afirmarem como potência e fazerem frente ao rápido crescimento econômico da China, propuseram aos países asiáticos, em 2011, os projetos da Nova Rota da Seda e do espaço econômico indo-pacífico. Embora, à época, os projetos tenham sido recusados, o recente não comparecimento da Índia em um fórum a respeito da economia asiática, em Pequim, sinalizou para o que seria uma possibilidade de acordo com os EUA, o que viabilizaria a consecução dos antigos objetivos deste país. Analistas alertam para o fato de a Índia não tem força suficiente para se impor em relação à China, por isso apoia-se sempre na Rússia ou nos Estados Unidos.
    Sobre a situação descrita na notícia, podem ser aplicados os conceitos de Teoria das Relações Internacionais citados acima: embora sejam muitos os integrantes do “jogo internacional”, a maioria não tem grande autonomia em suas decisões, devendo coligar-se ou, mais frequentemente, submeter-se aos poucos mais fortes (oligarquia); o simples fato de haver fortes e fracos nos leva ao princípio da hierarquia, onde quanto mais poder se acumula, mais autonomia e possibilidade de imposição sobre os outros se tem.

  2. Realmente é possível observar que a teoria do realismo desenvolvida no estudo das Relações Internacionais pode ser aplicada no contexto em específico. A ideia de desenvolvimento de uma política externa baseada nas concepções de poder e força revelam muito sobre os apoios entre os países. A meta central de cada Estado é maximizar sua parcela de poder mundial, o que implica na obtenção de poder às expensas de outros Estados. Mas as Grandes Potências não apenas disputam para serem as mais poderosas de todas entre elas, embora essa seja uma resultante bem-vinda. O objetivo derradeiro é se tornar um hegemon – isto é, a única grande potência no sistema (MEARSHEIMER, 2001, p. 2) Seguindo este raciocínio, é possível entender o apelo dos Estados Unidos da América na disputa econômica contra a China, buscando apoio dos países asiáticos, através dos projetos da Nova Rota da Seda. Já a ação de apoio da Índia aos EUA demonstra que a Índia realmente não possui capacidade de realizar sua própria política em relação à China, pois, de modo contrário, não se submeteria a essa situação.

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