Tecnologias de energia limpa reduzem a emissão de poluentes, mas ampliam uso de metais


Texto 11

19/05/2017

Uma transformação radical na forma com a qual a energia é fornecida e utilizada será necessária caso o mundo pretenda atingir sua meta de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius, como previsto pelo Acordo de Paris. No entanto, os impactos ambientais dessa mudança ainda não estão claros.

O Painel Internacional de Recursos, um grupo de especialistas em gestão de recursos naturais ligado à ONU Meio Ambiente, forneceu uma avaliação global sobre benefícios, riscos e compensações do uso combinado de tecnologias de eficiência energética e de energia elétrica de baixo carbono.

Em seu mais novo relatório, lançado na sexta-feira (12) durante fórum em Viena, na Áustria, o painel analisou oito tecnologias de eficiência energética e 36 subtecnologias dos setores de construção civil, indústria e transportes.

O relatório mostrou que enquanto há claros benefícios ambientais com o uso dessas tecnologias, particularmente nas reduções da emissão de gases do efeito estufa, poluição do ar e do uso da água e da terra, há também considerações a serem feitas, como um maior uso de metais.

“Estamos no caminho certo. Sabemos que limpar o ar que respiramos nos trará enormes benefícios tanto para a saúde humana como ambiental, e sabemos, também, que a energia de baixo carbono pode nos ajudar a reduzir os danos provocados pelas mudanças climáticas”, disse Erik Solheim, diretor-executivo da ONU Meio Ambiente.

“Mas também temos consciência da necessidade de mais ações para a construção de uma economia circular que reduza o lixo e de inovações produtivas que também criem novos empregos verdes e criativos. ”

O relatório é importante porque apenas tendo uma foto completa dos impactos das tecnologias de baixo carbono por todo seu ciclo que os governos e reguladores poderão adotar políticas para maximizar seus benefícios ambientais.

O documento comparou dois cenários — uma elevação de 6 graus Celsius da temperatura global e um cenário em que a meta global de aumento de até 2 graus Celsius seja atingida.

O relatório concluiu que a produção de energia de baixo carbono e as tecnologias de eficiência energética são necessárias para uma redução substancial das emissões globais de gases do efeito estufa.

No cenário de até 2 graus, as tecnologias combinadas têm o potencial de reduzir cerca de 25 bilhões de toneladas por ano de emissões de gases do efeito estufa até 2050, 34% menos que as emissões esperadas para o período caso nada seja feito.

As tecnologias de energia de baixo carbono evitam mais do que as emissões de gases do efeito estufa. O relatório concluiu que no cenário de aumento de até 2 graus Celsius, mais de 17 milhões de toneladas por ano de material particulado (PM, resíduo da queima de combustíveis fósseis) e mais de 3 bilhões de toneladas de emissões tóxicas para humanos poderiam ser evitadas.

As tecnologias de energia de baixo carbono também aliviam a pressão sobre a terra e a água, mas podem aumentar a pressão sobre recursos metálicos. Mais de 200 bilhões de metros cúbicos de água por ano e quase 150 mil quilômetros quadrados de terra poderiam ser poupados até 2050, afirmou o relatório, mas as tecnologias de baixo carbono demandariam mais de 600 milhões de toneladas de recursos metálicos no mesmo período para infraestrutura adicional e fios elétricos.

Até 2050, 90% de penetração das luz de LED, junto com a esperada melhora da eficiência e a descarbonização da geração de energia elétrica, permitiriam que a demanda global por eletricidade crescesse de 2,5 a 3 vezes, com contínua redução do total de energia consumida. Já as tecnologias de energia solar consideradas no relatório reduziriam de 30% a 50% a emissão de gases do efeito estufa de sistemas de aquecimento e esfriamento.

Fonte: ONU Brasil

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2 respostas em “Tecnologias de energia limpa reduzem a emissão de poluentes, mas ampliam uso de metais

  1. As fontes de energias renováveis, em especial a Solar e eólica, vêm ganhando cada vez mais força, conforme os países do mundo inteiro investem em sua utilização na busca de transicionar suas matrizes energéticas, de fontes poluentes para fontes de energia limpa.
    O aumento no uso dessas tecnologias, por sua vez, leva a uma sucessiva queda em seus custos de produção. A energia solar, por exemplo, fechou 2016 como a forma mais barata de geração de energia elétrica, com os seus custos de instalação batendo sucessivos recordes nos países emergentes.Dentre estes, destacam-se pelo seu potencial de atrair investimentos em projetos de energia limpa: China, Chile, Brasil, Uruguai, África do Sul e Índia.

  2. A crise política e econômica do Brasil não deve – e nem pode – ser deixada de lado em meio à
    urgência ambiental no planeta. Sede da maior floresta tropical do mundo, o Brasil tem 42% do
    seu território ocupado pela floresta Amazônica. Devido a essa riqueza natural, o governo
    brasileiro possui o dever de implementar medidas ambientais que visem proteger a Amazônia.
    Entre as principais fontes emissoras de gases de efeito estufa no Brasil está o desmatamento
    de regiões tropicais como a floresta Amazônica. As secas e as enchentes, assim como outros
    desastres ambientais, têm o potencial de desestabilizar o Brasil em proporções catastróficas.
    Se as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável não forem vistos como prioridades
    pelo governo brasileiro e pela população, as consequências serão muito piores do que a atual
    instabilidade que figura nos setores público e privado. Desta feita, torna-se imprescindível uma
    transformação radical na forma com a qual a energia é fornecida e utilizada.

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