Brasil e Colômbia buscam fortalecer parceria no combate aos crimes de fronteira


Publicado originalmente – 09/05/2017

Brasil e Colômbia buscam unificar as ações no combate aos crimes transfronteiriços. Esta foi a tônica do segundo encontro dos ministros da Defesa do Brasil, Raul Jungmann, e da Colômbia, Luís Carlos Villegas Echeverri, no Comando Geral das Forças Armadas, na capital colombiana. “Recordo que no primeiro encontro citei com ênfase a palavra confiança. E tenho certeza que com confiança iremos longe no combate aos principais problemas que verificamos hoje nossa fronteira”, destacou Jungmann.

O ministro colombiano informou durante o encontro que até o fim do mês as FARC concluirão o processo de desarmamento. Villegas propôs ampliar parceria também na indústria de defesa e o treinamento com as Forças Aéreas dos dois países para o combate aos voos clandestinos. Sobre este assunto, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato, informou que em julho haverá treinamento envolvendo as Forças da Colômbia e do Equador.

Neste sentido, o ministro Jungmann defendeu no encontro a participação de outros países vizinhos, como por exemplo, o Peru. Segundo o ministro brasileiro, as ações conjuntas dos governos sul-americanos permitirão o combate aos crimes transfronteiriços. “Estamos atentos ao monitoramento da entrega de armas por parte das FARC; o combate e o patrulhamento conjunto do narcotráfico na fronteira; e ações de combate aos grupos organizados no tráfego aéreo e marítimo na região fronteiriça”, destacou.

Durante o encontro os dois ministros se propuseram a manter uma linha de comunicação direta entre os comandos das Forças Armadas e o compartilhamento das redes de inteligência. Deste modo, Jungmann e Villegas acreditam no fortalecimento com vistas ao combate as quadrilhas criminosas.

O ministro colombiano afirmou que tem total apoio do presidente Juan Manuel Santos nesta parceria. O ministro chefe do Gabinete da Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, contou que desta ação integrada permitirá ao Brasil o combate as quadrilhas que atualmente tentam se internacionalizar.“A integração é o ponto mais importante para que tenhamos êxito no combate ao crime organizado”, disse. Jungmann e Etchegoyen afirmaram que o presidente Michel Temer, desde o primeiro momento,  vem dando integral apoio no combate aos grupos criminosos.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), almirante Ademir Sobrinho, informou também que o governo brasileiro dará apoio necessário para que os militares da Colômbia possam conhecer o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteira (SISFRON). Além disso, segundo o almirante Ademir, 18 militares brasileiros estarão neste país entre julho e outubro auxiliando no processo de desminagem.

Indústria de defesa

O secretário de Produto de Defesa (Seprod), Flávio Basílio, defendeu também maior integração dos dois países na indústria de defesa. Basílio contou que o BNDES dispõe de uma linha de crédito especial para financiar governos que desejam investir no setor. De acordo com o secretário, as linhas de crédito são as melhores do mercado.

O secretário executivo do Ministério da Justiça, José Levy, que integrou a comitiva brasileira, contou também que Brasil e Colômbia estão desenvolvendo parceria na área de inteligência. Dentro das próximas semanas policiais colombianos irão a São Paulo para treinamento na sede da Polícia Federal.

Estiveram na comitiva o comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira; o comandante Militar da Amazônia (CMA), general Geraldo Miotto;  o secretário Nacional de Segurança Pública, general Carlos Alberto Santos Cruz; e o embaixador Nelson Tabajara, diretor para Assuntos de Defesa e Segurança do Ministério das Relações Exteriores. O próximo encontro está previsto para setembro, no Brasil.

Por Roberto Cordeiro

Fonte: Ministério da Defesa

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2 respostas em “Brasil e Colômbia buscam fortalecer parceria no combate aos crimes de fronteira

  1. O Brasil tem quase 17 mil km de fronteiras com outros países da América do Sul e a segurança dessas fronteiras requer sempre uma atenção especial do governo brasileiro uma vez que tais territórios são, na maioria das vezes, de difícil acesso, controle e monitoramento e amplamente utilizados para fuga e entrada de criminosos, passagem de tráfico de drogas, armas, contrabando, além de serem regiões de elevados índices de desrespeito aos direitos humanos e fundamentais. Em relação à Colômbia a fronteira tem cerca de 1.700 quilômetros de extensão e o problema se agrava ao falarmos especificamente deste território levando em consideração que essa área é também muito utilizada pelas FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e outros grupos guerrilheiros da Colômbia, o que aumenta significativamente as tensões e conflitos. Devido a toda dificuldade até aqui exposta, compreendemos como a cooperação internacional é de suma importância tanto para resolução de conflitos entre nações quanto para os interesses em comuns destas. Os problemas relacionados à defasada fiscalização fronteiriça não atingem apenas o Brasil e esbarra, ainda, nas próprias dificuldades singulares de cada estado fronteiriço. De acordo com a reportagem, podemos compreender como a cooperação entre o Brasil e a Colômbia pode vir a trazer resultados mais rápidos, eficientes e significativos que modifiquem a realidade social e traga mais segurança a regiões tanto do Brasil quanto da Colômbia.

  2. Brasil e Colômbia procuram estreitar relações por vários anos afim de unificar as ações no combate aos crimes transfronteiriços. As localidades próximas às divisas entre os dois países são habitadas basicamente por etnias indígenas, sendo que a localização da região fronteiriça mais importante entre Brasil e Colômbia nas cidades de Letíia (COL) e Tabatinga (BRA), visto que são cidades gêmeas e que compartem aspectos políticos, econômicos e culturais . Ambos os municípios também são limítrofes com Santa Rosa, no Peru, formando, juntas, uma das chamadas Tríplice Fronteiras. As localidades que formam a tríplice-coroa do lado peruano são consideradas portas de entrada de entorpecentes no Brasil, sendo que os dois países, Colômbia e Peru, são os maiores plantadores da Erythroxylum coca, mais conhecida como folha de Coca, além de serem os maiores produtores a nível global de cocaína.
    Por isso, se faz necessário compreender como a cooperação entre o Brasil e a Colômbia pode vir a trazer resultados mais rápidos, eficientes e significativos para combater a criminalidade, sobretudo os ilícitos transnacionais, e levar maior segurança as nossas cidades e as nossas populações brasileiras e colombianas.

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