Brasil é 10º país que mais mata jovens no mundo; em 2014, foram mais de 25 mil vítimas de homicídio


Publicado em

Dados são do ‘Mapa da Violência’, lançado nesta semana (15) na Câmara dos Deputados, em cerimônia que contou com a participação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Relatório aborda letalidade das armas de fogo no Brasil e ranqueia país em uma lista de cem nações. Documento alerta para a vulnerabilidade da população negra brasileira: atualmente, morrem 2,6 vezes mais afrodescendentes do que brancos por homicídios cometidos com armas de fogo.Mapa_da_Violência_3-e1487266862221.jpg

No Brasil, 25.255 jovens de 15 a 29 anos foram mortos por armas de fogo em 2014, um aumento de quase 700% em relação aos dados de 1980, quando o número de vítimas nessa faixa etária era de cerca de 3,1 mil. Com isso, o Brasil ocupa a 10ª posição em número de homicídios de jovens num ranking que analisou cem países.

As informações são do “Mapa da Violência 2016”, lançado na quarta-feira (15) em Brasília, na Câmara dos Deputados. O documento alerta também para a vulnerabilidade da população negra à violência. Atualmente, morrem por arma de fogo 2,6 vezes mais afrodescendentes do que brancos.

O representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Jaime Nadal, participou da mesa de apresentação do documento e afirmou que é preciso mudar a forma como a juventude é vista no Brasil. “Apesar de serem apontados como os principais responsáveis pelas alarmantes estatísticas no Brasil, adolescentes são mais vítimas do que autores de atos violentos”, disse.

O dirigente da agência da ONU no Brasil lembrou que a violência afeta principalmente os jovens negros e pobres, assim como as mulheres afrodescendentes.

Sem distinção por faixa etária, o “Mapa da Violência” aponta que, de 2003 a 2014, os homicídios por arma de fogo registraram queda de 27,1% entre a população branca — passando de 14,5 mortes por 100 mil habitantes para 10,6. No mesmo período, o índice aumentou entre os negros. Em 2003, foram 24,9 mortes por 100 mil afrodescendentes. Onze anos mais tarde, a taxa subiu para 27,4 — um aumento de 9,9%.

Em números absolutos, o “Mapa da Violência” identifica um crescimento de 46% no número de negros vítimas de homicídio por arma de fogo — de 20.291, em 2003, para 29.813, em 2014. Em 2003, morriam 71,7% mais negros do que brancos por esse tipo de crime. A proporção chegou a 158,9% em 2014. Ou seja, morrem por arma de fogo 2,6 vezes mais negros do que brancos no Brasil.

“O UNFPA e outras agências da ONU no Brasil têm atuado em várias frentes, apoiando ações afirmativas que buscam promover a participação de pessoas jovens e diminuir as desigualdades étnico-raciais”, acrescentou Nadal.

Tendo como tema central a letalidade das armas de fogo no país, o “Mapa da Violência” recupera registros desde 1980 e revela que aproximadamente 1 milhão de pessoas já foram vítimas de disparos. De 1980 para 2014, o número de homicídios por armas de fogo subiu de 6.104 para 42.291 por ano — um crescimento de 592,8%. Do total de assassinatos, cerca de 25 mil vitimaram jovens.

No Brasil, o número de armas de fogo não registradas é maior que o de registradas — 8,5 milhões contra 6,8 milhões. O relatório aponta que 3,8 milhões estão em mãos criminosas.

Entre as unidades federativas, Alagoas é o estado com a maior taxa de homicídios por armas de fogo: 56,1 vítimas por 100 mil habitantes em 2014. Ceará e Sergipe vêm em seguida. Os estados com os menores índices são Santa Catarina (7,5) e São Paulo (8,2). A média brasileira em 2014 foi de 21,2 vítimas por 100 mil habitantes.

Mapa_da_Violência_2-1-e1487271291965.jpg

Com dados verificados até 2012, o Brasil ocupa, a nível internacional, a 10ª posição em um ranking de cem países. Quem encabeça a lista é Honduras, com taxa de 66,6 homicídios por 100 mil habitantes, seguido por El Salvador (45,5). A nação sul-americana com a maior taxa de homicídios por arma de fogo é a Venezuela (39).

Sobre os dados, o assessor especial da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social (SEPPIR), Juvenal Araújo, comentou que é inadmissível que, a cada três jovens assassinados no Brasil, dois sejam negros. Araújo disse que faltam políticas efetivas para acabar com o genocídio da população jovem brasileira.

Parceira no lançamento do “Mapa”, a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) foi representada pelo secretário Assis Filho. “A violência tem cor, faixa etária e moradia”, disse o chefe do organismo, referindo-se aos números da violência contra a população negra, jovem e periférica.

Assis Filho informou ainda que a SNJ e seus parceiros estão trabalhando no relançamento do Plano Juventude Viva, projeto que visa reduzir a vulnerabilidade de jovens negros a situações de violência física e simbólica.

Grupo Assessor sobre Juventude

O UNFPA coordena, em conjunto com a Secretaria Nacional de Juventude, o Grupo Assessor Interagencial sobre Juventude da ONU no Brasil. Formado por 10 agências das Nações Unidas e pelo Conselho Nacional de Juventude, o organismo é responsável por promover diálogos entre a sociedade civil, governos e a Organização internacional.

Conheça o ‘Mapa da Violência’

O “Mapa da Violência 2016” tem autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da área de Estudos sobre a Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO). A primeira edição do “Mapa” foi publicada em 1998 e, a cada ano, foca em um tema diferente, como homicídio de mulheres ou violência contra adolescentes.

As informações completas podem ser encontradas na versão online do relatório. Acesse o documento clicando aqui.

Fonte: ONU BR

Anúncios

12 respostas em “Brasil é 10º país que mais mata jovens no mundo; em 2014, foram mais de 25 mil vítimas de homicídio

  1. De acordo com os dados apresentados no texto, percebe-se um aumento considerável em relação ao número de homicídios por arma de fogo entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil quando comparados os anos de 1980 – cerca de 3,1 mil mortes – e 2014 – 25.555 mil mortes confirmadas. Um dos possíveis motivos para esse crescimento descontrolado pode ser a contínua distribuição de armas de fogo e o aumento dos arsenais, como afirma Maria Carolina Trevisan em seu artigo “O Brasil é o país que mais mata por arma de fogo no mundo” no site Brasileiros.
    Não é possível visualizar uma redução no número de mortes enquanto a política brasileira de enfrentamento da violência for uma resposta com ainda mais violência; enquanto as nossas medidas continuarem sendo à base “da bala e das armas de fogo”. Porém, além da redução do número de distribuição de armas no país como forma de mitigar a letalidade da violência – pois, de acordo com o próprio texto, 3,8 milhões de armas estão em mãos criminosas -, faz-se necessária, também, a construção de conjuntos de políticas públicas que visem a retirada dos jovens da condição de marginalidade e a sua inclusão na sociedade. Estados onde, anteriormente, não haviam medidas contra esses homicídios – o Alagoas é um exemplo -, sofreram imigração de organizações criminosas e, hoje, tornaram-se grandes polos da violência nacional.
    O que mais causa vergonha e espanto nessa situação é que, atualmente, morrem por arma de fogo 2,6 vezes mais afrodescendentes do que brancos. Conforme destacada no texto a frase do secretário Assis Filho da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), “a violência tem cor, faixa etária e moradia”. Ainda com base no artigo da Maria Carolina Trevisan, no próprio estado do Alagoas as taxas de homicídio por arma de fogo por 100 mil habitantes em 2014 chegam a 6,4 em relação à brancos e a 71,7 em relação à negros. É, portanto, visível que os dados das mortes atreladas a questão de cor entre brancos e negros possuem uma discrepância absurda. Em função disso, o problema da violência por armas de fogo no Brasil não é apenas uma calamidade social, mas, além disso, uma calamidade por questão étnica, regional e etária.

  2. Após a leitura do texto, percebe-se que o racismo no Brasil é sistêmico. Assim como há uma predominância de negros e pobres no contexto carcerário, também há uma evidente vulnerabilidade da população negra em relação ao “mapa da violência”. Isso mostra uma forte ligação entre estes assassinatos descritos no texto e o mundo do crime. Ou seja, o tráfico de drogas, crime mais comum no sistema penal brasileiro, contribui significativamente para uma verdadeiro genocídio da população negra, pobre e periférica do país. Por esse motivo, concordo com a frase “A violência tem cor, faixa etária e moradia”.
    O texto também traz a contribuição do o assessor especial da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social (SEPPIR), Juvenal Araújo, que afirmou que faltam políticas efetivas para acabar com o genocídio da população jovem brasileira. Sem duvidas, esse é um aspecto fundamental para a solução do problema.

  3. De acordo com a leitura do texto, é de fácil percepção a seletividade para com os jovens vítimas de homicídios com armas de fogo, uma vez que é atingido um grupo muito específico e vulnerável: negros e pobres, gerando, assim, uma discrepante desigualdade étnico-racial.
    Dessa forma, é necessário observar a 10ª posição do Brasil no ranking de homicídios de jovens com armas de fogo e tentar entender as razões para tal preocupante colocação. Assim, percebe-se que, tal dado alarmante é apenas um reflexo da desigualdade e da falta de ações afirmativas efetivas para cessá-la. Estima-se que entre a população branca o índice de homicídios com arma de fogo caiu cerca de 27,1% enquanto entre a população negra houve um aumento de de 9,9%. É preciso considerar também que grande parte das armas de fogo no país encontra-se em posse de criminosos, financiadas, por exemplo, pelo tráfico de drogas, problema tratado de forma deficiente e problemática no Brasil. Além disso, a maioria das armas no país não possuem registro, dificultando ainda mais o controle sobre as mesmas.
    Nota-se também uma grande desigualdade regional pois estados mais desenvolvidos como Santa Catarina e São Paulo possuem os menores índices de homicídios por arma de fogo, enquanto, por exemplo, Ceará e Sergipe detêm os maiores números.
    Diante desse cenário alarmante, percebe-se a necessidade da implementações de políticas públicas efetivas no combate à desigualdade e à vulnerabilidade, principalmente de jovens negros e periféricos, além de organismos como o Grupo Assessor Interagencial sobre Juventude da ONU, promovendo diálogo e cooperação sobre o tema.

  4. A posição do Brasil no ranking de mortes de jovens é preocupante e é um assunto que aborda diversas questões. A pesquisa em questão analisou 100 países e este ficou em décimo lugar, uma posição que reflete uma situação muito negativa no país.
    A primeira questão que pode ser discutida é a discrepância no número de mortos por arma de fogo entre negros e brancos. Segundo os dados da matéria, morrem 2,6 vezes mais afrodescendentes do que brancos. Este é apenas mais um exemplo de como a discriminação racial está presente no país até os dias atuais, em diversas áreas de nossa vida.
    Em segundo lugar, outra característica que afeta diretamente nos dados é a condição financeira. A grande maioria dos jovens que são assassinados não possui uma boa condição financeira, moradores de bairros periféricos.
    Além disso, deve-se considerar o grande aumento no número de pessoas que foram assassinadas por arma de fogo nos últimos anos. De 1980 a 2014, houve um aumento de 592,8% nesse número, passando de 6.104 para 42.291 mortes por anos. Desse número final, cerca de 25 mil foram jovens.
    Dessa forma, pode-se analisar o quão problemático essa situação é para o país. As maiores vítimas são os jovens negros e periféricos e o número de casos vem sofrendo um aumento preocupante. Essas informações devem ser usadas para a criação de medidas que combatam essa realidade em que vivemos e fortalecimento das que já existem, pois é um assunto de extrema importância para o país.

  5. O aumento do número de homicídios de jovens de 15 a 29 anos causados por armas de fogo é reflexo da ineficácia de programas educacionais que visam diminuir esses indicadores sociais e descompromisso das políticas públicas voltadas à esse tema.
    Isso pode ser observado pelo fato de que o Grupo Assessor Interagencial sobre Juventude da ONU no Brasil age somente por meio de diálogos entre a sociedade civil, governos e a Organização internacional, visto que tal problema requer uma intervenção mais direta e expressiva. Tal intervenção deve ocorrer por meio de leis específicas relacionadas ao genocídio de jovens no Brasil; após a criação da Lei Maria da Penha (uma lei específica à violência contra a mulher), por exemplo, houve uma redução significativa nos indicadores relacionados à violência feminina. Em relação a mortalidade de jovens, portanto, uma medida semelhante deve ser tomada.
    Além disso, pouco se conhece sobre as políticas públicas preventivas voltadas a redução do genocídio de jovens no Brasil. O Estado muitas vezes age de maneira negligente, posto que o Mapa da Violência é um estudo anual com o intuito de direcionar e auxiliar os mecanismos que o Estado possui para combater esse tipo de violência. Mesmo com essa assistência, pouca atividade se vê em prol da proteção desses jovens.

  6. Além do “Mapa da violência” demonstrar um dado vergonhoso e alarmante sobre o Brasil no contexto internacional, que é sua décima posição no ranking dos cem países que mais “matam” jovens no mundo; ele também explicita uma grave desigualdade racial e socioeconômica no Brasil. Isto porque, respectivamente, negros morrem por homicídio mais que o dobro que brancos; e a maioria dos homicídios ocorrem contra negros periféricos.
    É possível supor que estes problemas são provocados, em grande parte, ao mesmo tempo pela carência de condições de estudo e de perspectiva de vida, principalmente nas periferias; e a política repressora do Estado. Sendo a primeira provocadora, e a segunda agravante do problema. Isso faz com que os negros sejam marginalizados e, sem perspectiva de vida, entrem para o crime, notavelmente o tráfico de drogas; enquanto o Estado, ao invés de tentar agir na causa do problema, tem apenas intensificado ainda mais a falida guerra às drogas. O que transforma este problema num ciclo vicioso, que traz apenas previsões pessimistas para este mesmo ranking no ano que vem…

  7. A reportagem nos evidencia um retrato da situação social do Brasil atualmente. Em primeiro lugar, a falta de investimentos em políticas públicas voltadas às crianças e adolescentes e a carência de recursos para a educação tem feito que cada vez mais nossos jovens vejam mais vantagens, oportunidades e perspectivas no mundo da criminalidade. Além disso, a contrução histórica da nossa sociedade como a vemos hoje, passando por uma abolição da escravidão tardia e falta de políticas de inserção igualitária da população negra na sociedade propiciaram um cenário onde a maioria dos que morrem vítimas da criminalidade no país são pessoas negras.
    Além disso, ao mostrar que o número de armas de fogo sem registro é substancialmente maior que o das armas registradas no Brasil, temos a ideia de que uma legalização do porte de armas não solucionaria o problema do armamento criminoso e ainda colocaria mais armas em circulação, podendo agravar o problema, causando o inverso do proposto, que é trazer mais segurança ao cidadão. Sendo assim, políticas públicas voltadas aos jovens, em especial aqueles pertencentes à população negra devem ser pensadas, reforçadas e implantadas com urgência, para que esse quadro lamentável seja revertido e para que o Brasil seja destaque em rankings mais positivos.

  8. A questão da morte de jovens no Brasil é um tema mundial que está diretamente ligado com os direitos humanos. Associando esta questão a teoria racionalista para buscarmos uma solução, tem que se destacar dois fatores, o histórico e o contexto social. O primeiro está relacionado com uma série de questões advindas da escravidão, já que segundo a publicação, a morte de jovens se da principalmente com a desigualdade e os jovens que mais morrem são negros. Daí, ao associar estes fatos a traços históricos e observar que o racismo ainda não foi resolvido, entendemos que as políticas para superar esta ideia ainda está muito precária , como a falta de um mecanismo para reinserção de pessoas que cometem assassinatos na sociedade e que não tiveram oportunidade para seguir outro caminho.
    Além disso, o racionalismo aponta que existe uma “mania” chamada falsamente de intelectualismo para destinar os defeitos e problemas a um determinado grupo, ou seja, achar que excluindo ou acabando com essas pessoas. os problemas estariam terminados. Daí, muitos pensam que criminosos têm que morrer para acabar com os problemas de assassinado, por exemplo, quando na verdade este problema envolve toda a sociedade, daí a necessidade de medidas sociais para resolvê-los.
    É aí, que organizações como a ONU e o governo brasileiro devem reunir e debater estes assuntos, na expectativa de melhora-los , respeitando os direitos humanos e dando novas oportunidades para quem, muitas vezes, não via outras escolhas.

  9. A partir da leitura do texto é notável a falta de políticas públicas voltadas para a proteção de jovens negros advindos de áreas carentes, principais vítimas vítimas de homicídio por arma de fogo no Brasil — de 20.291, em 2003, para 29.813, em 2014. Em números absolutos, o assessor especial da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social (SEPPIR), Juvenal Araújo, afirmou que a cada três jovens assassinados no Brasil dois são negros. Sendo assim, com dados verificados até 2012, o Brasil ocupa, a nível internacional, a 10ª posição em um ranking de cem países.
    Em vista disso, faz-se necessário uma série de ações mais diretas e incisivas por parte do Estado de modo a proteger a população jovem negra. Tais ações não passam apenas pelo aumento da segurança urbana, mas também pelo apoio a instituições que desenvolvem projetos educacionais e profissionalizantes que visam a inserção desse grupo de pessoas na sociedade. Além disso, é de suma importância que se amplie o diálogo entre governo, sociedade civil e ONG’s engajadas na temática em questão, com o objetivo de desenraizar o preconceito social que tende a associar os jovens negros de classes baixas ao elevado índice de criminalidade brasileira.

  10. Certamente não foi nenhuma surpresa o Brasil ficar em décimo lugar na colocação geral, pois todos os dias somos saturados com uma gama de notícias que confirmam os dados deste relatório. É perceptível também que as principais vítimas da violência no Brasil são os jovens negros, os pobres e os transexuais.

    Como aponta o mapa da violência de 2016, os negros estão em situação de extrema vulnerabilidade, enquanto os brancos raramente são alvo de homicídios no Brasil. Vemos constantemente que até aqueles que deveriam zelar pela segurança pública, por inúmeras vezes tiram a vida de inúmeros jovens pelo Brasil.

    Estamos em um pais que se denomina Estado Democrático de Direito e que tem como um dos fundamentos da República a dignidade da pessoa humana, mas que tem um número maior nos índices de mortalidade do que a Guerra civil na Síria.

    Esses dados são alarmantes o Brasil é o país da insegurança e da intolerância, não precisaria do envolvimento das agências da ONU para promover ações afirmativas em busca de diminuir as desigualdades étnico- raciais se tivéssemos políticas publicas eficientes voltadas para o bem-estar do cidadão. Como retrata o mapa da violência no de 1980 para 2014, o número de homicídios por armas de fogo teve um crescimento de 592,8%.

    SILVANIA CRISTINA COTA CELSO

  11. Embora o Brasil não esteja envolvido em guerras, o cenário interno de homicídios surpreende as Organizações Internacionais.
    Os homicídios são a principal causa da morte de jovens no Brasil, e o biótipo das vítimas corresponde a pretos e pardos, de baixa escolaridade, com idade entre 17 e 28 anos.
    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos principais impulsionadores das taxas de assassinato no mundo é o acesso às armas de fogo, uma vez que cerca de metade de todos os homicídios são cometidos com a utilização desses artefatos. Porém, o problema também envolve os altos índices de pobreza e exclusão social, pois leva os jovens a procurar por gangues e pela venda ilegal de drogas.
    Para além do perfil descrito, outras causas acrescentam aos índices, sendo estas: a violência patrimonial, violência interpessoal e violência doméstica, visto que no Brasil há pouco fomento do diálogo e forte descrença nos órgãos públicos.
    Diante de tal cenário, não restam dúvidas de que há necessidade da atuação conjunta de setores da sociedade para além de projetos de lei que criminalizam condutas, como forma de impedir que os números de homicídios sejam perpetuados ao longo dos anos.
    Assim, como meio de reverter tal quadro, a médio e longo prazo, é possível pensar a atuação do poder público e da sociedade de forma geral. Isto poderá ocorrer através de políticas públicas visando diminuir a desigualdade social, incentivando a educação e aperfeiçoando a mão de obra. Ademais, organizações não governamentais podem desenvolver ações educativas e a população, por sua vez, cabe reconhecer a necessidade de resolver seus conflitos de forma pacífica.

    Regiane Braz Ribeiro

  12. Do mar de números oferecidos pelo “Mapa da Violência 2016”, de autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, podemos chegar a duas conclusões, uma clara e cristalina e outra em que se trabalha para ignorar, apesar do discurso geral. A primeira é realmente lugar comum nas discussões do dia-a-dia do brasileiro: o Brasil é um país violento e essa insegurança cresce com o tempo. O 10º lugar entre os países em que mais se mata jovens no mundo é uma consequência disso.
    A segunda conclusão, ao contrário do que a grande mídia tenta induzir, é que o Brasil é sim um país racista e que este racismo não é, nem de longe, velado. O fato de morrem 2,6 vezes mais afrodescendentes do que brancos por homicídios cometidos com armas de fogo é fruto da ausência de políticas efetivas que visem cessar a desigualdade étnica e social e que controlem o porte de armas de fogo no país, que hoje se encontram principalmente em posse de criminosos.
    Enquanto houver o descaso e negligência do Estado acerca dessa situação, podemos esperar que o Brasil “suba na tabela” nos próximos anos.

Comente esta notícia!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s