Força de trabalho global conta com 150 milhões de migrantes, diz estudo da OIT


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Há cerca de 150 milhões de trabalhadores migrantes em todo o mundo, de acordo com um recente estudo das Nações Unidas. O documento fornece dados sobre mão de obra e migração para formuladores de políticas públicas. O objetivo é ajudar os líderes a avançar na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

“Os tomadores de decisão agora terão dados reais para basear suas políticas”, disse Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Ryder disse que esta análise ajudará os países a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, particularmente as metas do Objetivo número oito, que trata da a proteção de todos os trabalhadores – incluindo trabalhadores migrantes –, e o Objetivo dez, sobre a implementação de políticas migratórias bem administradas.

A Agenda 2030, aprovada em setembro de 2015 por todos os países-membros da ONU, possui um total de 17 objetivos e 169 metas.

O relatório, denominado “Estimativas Globais da OIT sobre Trabalhadores Migrantes”, concluiu que existem 232 milhões de migrantes internacionais, dos quais 206,6 milhões têm 15 anos ou mais. Desta população migrante em idade ativa, 72,7%, ou 150 milhões, são trabalhadores migrantes. No total, 83,7 milhões são homens e 66,6 milhões mulheres.

A migração de mão de obra é um fenômeno que afeta todas as regiões do mundo, embora quase a metade – ou 48,5% – esteja concentrada em duas grandes regiões: na América do Norte e na Europa (norte, sul e na região ocidental). Os países árabes têm a maior proporção de trabalhadores migrantes como parte de todos os trabalhadores, com um total de 35,6%.

O estudo também examina a distribuição da força de trabalho migrante em grandes grupos industriais. A grande maioria dos trabalhadores migrantes está no setor de serviços, com 106,8 milhões de trabalhadores representando 71,1% do total.

Em seguida vem o setor da indústria, incluindo manufatura e construção, com 26,7 milhões (ou 17,8%), e a agricultura, com 16,7 milhões (11%). Entre todos os trabalhadores migrantes, 7,7% são trabalhadores e trabalhadoras domésticas.

“Este estudo estimativa mostra que a grande maioria dos migrantes migra em busca de melhores oportunidades de emprego”, disse Manuela Tomei, diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT.

“Ao aplicar uma metodologia robusta, acreditamos que ela acrescentará significativamente à nossa base de conhecimento sobre migração e fornecerá uma base sólida para o desenvolvimento de políticas migratórias eficazes”, acrescentou Manuela.

O relatório também destaca o número significativo de trabalhadoras domésticas migrantes, bem como a desigualdade de gênero que marca o setor. O trabalho doméstico é um dos setores menos regulamentados da economia e, como tal, preocupa particularmente a OIT, disse o comunicado da agência da ONU.

O comunicado observa que, devido à concentração de mulheres trabalhadoras migrantes e à visibilidade relativamente baixa da força de trabalho neste setor, muitas formas de discriminação surgem de modo transversal.

Dos 67,1 milhões de trabalhadores domésticos no mundo, 11,5 milhões – ou 17,2% – são migrantes internacionais. Cerca de 73,4%, ou cerca de 8,5 milhões, de todos os trabalhadores migrantes do setor são mulheres.

No Sudeste da Ásia e no Pacífico estão 24% do total de mulheres trabalhadoras domésticas migrantes, seguidas da Europa (norte, sul e na região ocidental), com 22,1% do total, e dos Estados árabes, com 19%.

Fonte: ONU BR

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6 respostas em “Força de trabalho global conta com 150 milhões de migrantes, diz estudo da OIT

  1. É de grande importância o tema tratado acima, qual seja a questão dos trabalhadores migrantes no mundo todo. Cada nação independente possui seu próprio Direito Trabalhista, tratando com mais ou menos ênfase os assuntos que considerarem mais relevantes. Porém a situação dos trabalhadores migrantes, que chegam a 150 milhões, é mais preocupante pois na grande maioria das vezes não são contemplados por esse Direito vigente, já que em alguns lugares nem são considerados cidadãos e não tem acesso a outros bens básicos para a manutenção da dignidade humana, como à saúde ou à educação. Apesar de toda essa situação pela qual eles passam, ainda migram com a finalidade de melhores oportunidades de vida e sustento, tanto para si, quanto para seus familiares. Outro problema enfrentado pelos migrantes é a discriminação e a desigualdade de gênero. É de extrema importância o tema tratado pois a Organização Internacional do Trabalho, através de estudos aprofundados, define objetivos e metas para, por meio de políticas públicas, mudar a realidade de tantos trabalhadores ao redor do mundo.

  2. A questão da migração para trabalho é algo extremamente complexo e preocupante no mundo todo. Vários são os relatos de pessoas que deixam suas terras natal atrás do sonho de ter uma vida melhor.
    Contudo, grande parte desses migrantes, ao desembarcar no país de destino, deparam-se com situações onde precisam viver em lugares degradantes, sem condições mínimas de higiene, onde a palavra “direitos humanos” nunca deve ter sido dita. Quiçá seus direitos trabalhistas e demais.
    É o caso, por exemplo, de denúncias de trabalho análogo ao escravo encontrado em fábricas de roupas no interior de São Paulo. Mesmo como uma legislação trabalhista capaz de resguardá-los, por serem migrantes em sua maioria ilegais, oriundos de nossos países vizinhos como Bolívia, Paraguai, etc, não possuem coragem de recorrer aos órgãos públicos responsáveis por protege-los. Pois podem ser mandados de volta para seus países de origem.
    Não há como restringir que as pessoas se desloquem de países para buscar uma vida mais digna. Todavia, há de se controlar esse acesso, para que não haja situações de exploração e degradação de suas saúde físicas e mentais. Além de se ver os seus direitos mínimos resguardados.

  3. O recente estudo feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) possibilitou a quantificação global de trabalhadores imigrantes nas diversas áreas da economia. Os dados obtidos poderão ser de suma importância na tarefa de ajudar os líderes mundiais a fazer valer as metas da Agenda 2030, a qual se trata, em seu preâmbulo, de um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. De forma mais específica, esse levantamento torna mais visível a urgência de um tratamento mais humano no que toca as políticas de imigração – Objetivo dez da Agenda: sobre a implementação de políticas migratórias bem administradas.
    Em um dos trechos presentes no texto, o autor diz que “a grande maioria dos migrantes migra em busca de melhores oportunidades de emprego”, portanto, a massa de trabalhadores migrantes, vistas de um ponto de vista mais próximo, são, de fato, seres humanos em estado de necessidade; de perigo de vida. Grande parte dessas pessoas são migrantes ilegais, ou seja, enfrentam duras jornadas em busca de uma vida mais suportável, sendo capazes de lutar até contra as leis ou qualquer outra adversidade. Portanto, tendo em vista a própria função da Agenda 2030, devermos estar “decididos a libertar a raça humana da tirania da pobreza e da penúria e a curar e proteger o nosso planeta. ” Devemos estar “determinados a tomar as medidas ousadas e transformadoras que são urgentemente necessárias para direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente. “
    Outro ponto importante do texto é questão da desigualdade de gênero que marca o setor de trabalho doméstico dentro dos trabalhos fornecidos por migrantes. Cerca de 73,4% de todos os trabalhadores migrantes do setor são mulheres. Esse dado identifica um dos sintomas da desigualdade entre homens e mulheres, o que abre espaço para uma nova reflexão quanto as políticas migratórias. Cabe salientar, dessa forma, outra faceta da Agenda: “Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas (…) buscam concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. Eles são integrados e indivisíveis, e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e ambiental. ”

  4. As migrações em busca de trabalho são uma realidade. Com a globalização, essa realidade está cada vez mais facilitada. Para a Escola Realista das Relações Internacionais, o sistema internacional é anárquico, ou seja, inexiste um “governo mundial”, e por esse motivo, torna-se cada vez mais difícil limitar essa livre movimentação entre os Estados. No entanto, alguns políticos isolacionistas como Donald Trump entendem que a migração é um prejuizo, uma vez que deslegitimariam o poder supremo e a segurança de nações poderosas como os Estados Unidos. Na minha opinião, Trump tenta frear uma migração que já é natural, pois já faz parte do nosso cotidiano. Lidar com culturas diferentes e recebê-las cordialmente deve ser visto como engrandecedor, já que acrescentam novas perspectivas e visões. É preciso acolher os indivíduos que estão na luta por condições melhores e não isolá-los ainda mais.

  5. A busca por melhores condições e qualidade de vida tem propiciado um cenário migratório bastante movimentado, onde a presença de migrantes no mercado de trabalho é evidente. Diante disso, é possível que façamos uma análise desse plano à luz do terceiro grande debate das RI, que envolve o poder econômico das nações, a Economia Política Internacional (ou EPI).
    Os neomarxistas dizem que a economia capitalista serve para manter a soberania dos países ricos sobre os países pobres, e é justamente isso que ocorre ao analisarmos a migração no mundo. Sob promessas capitalistas de mais conforto material e condições de vida que podem ser oferecidas pelos países com maior poder econômico, muitos dos cidadãos que residem em países menos desenvolvidos almejarão ir em busca de suas satisfações capitalistas.
    Portanto, o capitalismo é o grande viabilizador do fluxo migratório no mundo, sendo responsável pela manutenção da soberania economica dos países desenvolvidos em detrimento dos subdesenvolvidos, já que a oferta de mão de obra propiciada pela migração acarreta em uma série de impactos positivos na economia desses países, como queda na remuneração, intensificação da produção e etc.

  6. Novo estudo aponta que a imigração incrementa a economia global em US$ 3 trilhões e que países que recebem imigrantes se beneficiam, pois têm mais força de trabalho. Eles contribuem para que o país continue a crescer, produzir, gerar renda e tributos. Os países de destino recebem essa força de trabalho. Para se ter uma ideia em números, a pesquisa em questão informa que os imigrantes, que correspondem a cerca de 3,4% da população global, produzem no total 9,4% da economia global, o que equivale a aproximadamente US$ 6,7 trilhões. O valor de US$ 3 trilhões é o que os imigrantes produzem a mais do que produziriam se tivessem permanecido em seus países de origem.
    Apesar do que foi apresentado acima, a questão do migrante é preocupante, pois, a legislação vigente no país nem sempre trata especificamente desse grupo de pessoas, logo, nesses casos, não há uma proteção própria para ele. Temos como exemplo, o caso dos refugiados, que, por falta de opção, acabam se sujeitando a jornadas de trabalho extremamente extensas e a um salário bastante baixo. Além disso, tais migrantes devem enfrentar discriminação e a desigualdade de oportunidades. Nesse sentido, é de suma importância que organizações como a ONU promovam tratados internacionais e políticas públicas de modo a proteger o migrante em suas atividades laborais, tendo em vista sua importância para o desenvolvimento econômico mundial e de modo a proteger sua dignidade enquanto ser humano.

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