Solução do conflito Israel-Palestina corre risco de resultar em ‘Estado único’, diz ONU


Há 23 anos era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, alertou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Publicado originalmente em: 21/09/2016

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O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu na semana passada (15) a intensificação das negociações de paz entre israelenses e palestinos. Em discurso ao Conselho de Segurança, Ban alertou que o conflito caminha para uma “realidade de um Estado único”.

“Vinte e três anos atrás era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina”, lembrou o secretário-geral. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, afirmou.

Há 23 anos era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, alertou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu na semana passada (15) a intensificação das negociações de paz entre israelenses e palestinos. Em discurso ao Conselho de Segurança, Ban alertou que o conflito caminha para uma “realidade de um Estado único”.

“Vinte e três anos atrás era assinado o primeiro Acordo de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina”, lembrou o secretário-geral. “Infelizmente estamos ainda mais distantes deste objetivo. A solução de dois Estados está correndo o risco de ser substituída pela realidade de um Estado único, com violência e ocupação permanentes”, afirmou.

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De acordo como secretário-geral, ambos os lados fizeram declarações que alimentam o ambiente de desconfiança. Ele classificou as declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como perturbadoras. Netanyahu havia afirmado, em vídeo, que opositores da política de assentamento apoiavam a limpeza étnica.

“Isso é inaceitável e revoltante”, afirmou Ban. “Me deixem ser absolutamente claro: assentamentos são ilegais de acordo com o direito internacional. A ocupação é sufocante e opressora e precisa acabar.”

Ele também criticou o enaltecimento por parte do lado palestino de atos desprezíveis, como o ataque terrorista de 1972 contra atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique.

A comunidade internacional, incluindo o Conselho de Segurança e o quarteto diplomático no processo de paz no Oriente Médio – composto por ONU, Rússia, Estados Unidos e União Europeia – vê a expansão dos assentamentos como um obstáculo para a paz, afirmou o secretário-geral.

Eleições palestinas

Ban Ki-moon afirmou estar particularmente preocupado com uma decisão recente da Corte Superior da Palestina. O órgão suspendeu todas as preparações para o processo eleitoral, em meio a uma petição que pede o cancelamento das eleições – a primeira em mais de dez anos que inclui tanto a Cisjordânia quanto Gaza.

Se conduzidas de acordo com os padrões internacionais, as eleições poderiam promover uma importante renovação para democracia palestina e um primeiro passo para o avanço da unidade nacional, reforçou Ban.

Para ele, as partes interessadas devem continuar buscando negociar o fim da ocupação e o estabelecimento de uma Palestina democrática e viável, em paz com Israel – “ambos respeitando as conexões históricas e religiosas de cada um a essa terra santa”, afirmou.

Faixa de Gaza

Sobre Gaza, ele observou que houve progresso na reconstrução da área nos dois anos desde o cessar-fogo do conflito de 2014. No entanto, 65 mil pessoas continuam deslocadas. Ban destacou a necessidade de um maior apoio na reconstrução de aproximadamente 5 mil casas destruídas.

Para além da reconstrução, as necessidades humanitárias de Gaza são “profundas”, conforme afirmou o secretário-geral. Mais de 1,3 milhão de pessoas das 1,9 milhão que lá residem necessitam de assistência.

O chefe da ONU pediu que os países-membros da Organização forneçam apoio financeiro para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

Neste panorama, Gaza continua fechada e é uma “bomba-relógio”. Um progresso duradouro em Gaza só pode ser alcançado com a unificação da Palestina, o fim do armamentismo ilegal e de atividades militares, e o fim das restrições de acesso e movimentação.

Ao falar da situação nas colinas de Golã, Ban demonstrou que continua preocupado com as contínuas violações da linha de cessar-fogo e pelos confrontos em áreas limites e de separação. Segundo ele, esses acontecimentos enfraquecem o Acordo de Retirada de Forças de 1974, e prejudicam o cessar-fogo entre Israel e Síria.

O recente incêndio das Forças Armadas Árabes da Síria impactou particularmente a Golã ocupada por Israel. Em ambas as ocasiões, as Forças de Defesa israelenses responderam com um ataque aéreo. “Eu peço para que Israel e Síria cumpram os termos do Acordo de Retirada”, disse Ban.

Fonte: ONU BR

4 respostas em “Solução do conflito Israel-Palestina corre risco de resultar em ‘Estado único’, diz ONU

  1. É inadmissível que um país desrespeite a soberania de outro e a Comunidade Internacional permaneça inerte. Enquanto isso, Israel vem promovendo cada vez mais assentamentos e tomando território da Palestina, sem que sofra efetivas sanções da ONU e de seus países membros, uma vez que a ONU apenas vem divulgando notas de repúdio. Esses assentamentos judaicos, principalmente na Cisjordânia, são grandes obstáculos ao acordo de paz entre os países. O Estado de Israel, além de demolir casas Palestinas localizadas na Cisjordânia, ainda esse ano de 2016 decidiu avançar com os planos de construir cerca de 560 casas num assentamento localizado na região, assim como 240 unidades residenciais em diversos assentamentos em Jerusalém Oriental (fonte: https://nacoesunidas.org/onu-faz-duras-criticas-a-israel-por-decisao-de-construir-novos-assentamentos-na-cisjordania/). Em face dessa atual situação, Palestinos e Israelenses aparentemente vêm perdendo a esperança e o compromisso um com o outro para conviverem em paz e terem reconhecimento recíproco. Em realidade, ambos os lados do conflito saem perdendo, posto que, estão se esvaindo aos poucos o almejado Estado da Palestina e a segurança dos israelenses.

  2. A situação vivenciada na atualidade pela população da Palestina tem sido aterrorizadora, muito em função das práticas autoritárias e violadoras da soberania do Estado Israelita, que continuam a invadir e tomar terras.
    A construção destes assentos judaicos em terras alheias e a construção deste enorme muro que separa Palestina e Israel, de maneira bem similar ao Muro de Berlim (símbolo maior da Guerra Fria travada no século passado), evidencia a subjugação de um povo e seus direitos, dentre eles o de ir e vir livremente pelo seu Estado, a soberania, a liberdade e outros.
    Apesar do conflito estar apenas se acirrando com o passar dos anos pela forma de tratamento entre os dois países, os conflitos verbais e armamentistas, além da já mencionada ação terrorista, o caminho do diálogo deveria ser melhor explorado para se alcançar a paz.
    Além da preocupação e a possível punição no âmbito internacional aos dois países envolvidos, a ONU deveria estar envolvida diretamente em elaborações de acordos e tratados entre a Palestina e Israel, pois tão somente pela boa convivência, a mediação e o reconhecimento dos direitos do outro (e o seu respeito) pode concretizar uma paz duradoura para a região.

  3. A conflituosa relação entre Israel e Palestina parece cada dia mais distante de um fim pacífico, o que tem gerado inúmeras violações ao direito de diversos grupos e dos cidadãos dos dois territórios.
    Primeiramente, verifica-se a urgente necessidade de o governo israelense fazer cessar as invasões ao território palestino, o qual já foi reduzido consideravelmente ao longo dos diversos conflitos travados entre os dois países e especialmente devido às ocupações cada vez maiores promovidas por Israel.
    De acordo com o um relatório divulgado pela ONU em abril deste ano (http://www.unsco.org/Documents/Statements/SC/2016/Press%20Release%20-%20UNSCO%20report%20to%20AHLC%20-%2014%20April%202016.pdf), o número de residências palestinas demolidas “mais que dobrou nos últimos seis meses em comparação com os seis meses anteriores”.
    Um dos grandes problemas para as negociações Israelenses-palestinas que poderiam levar o conflito a um fim é a dificuldade de a palestina alcançar uma unidade nacional, e a dificuldade em realizar eleições legítimas no local demonstra bem isso.
    Nesse sentido, são cada vez maiores os embates armados entre os dois povos, bem como os ataques terroristas, as ocupações e destruições de residências e a hostilidade entre os dois.
    Preocupantes são as violações aos direitos humanos dos envolvidos e o número de mortos e feridos por essa guerra infindável. Se faz necessária, com urgência, uma intervenção internacional com o objetivo de facilitar o diálogo e possivelmente o consenso dos dois territórios, de forma a restabelecer a paz e restaurar a soberania da Palestina, diuturnamente desrespeitada e atacada.

  4. O interminável conflito Israel – Palestina retrata muito bem o quanto ter poder bélico e poderosos aliados podem se sobrepor a ter razão em determinada matéria. O conflito completará um século, e por mais que sejam realizadas várias intervenções/trativas/mediações, parece ainda sem solução.

    O acordo objeto desta matéria, celebrado por meio do então presidente Bill Clinton, previa em bons termos o que poderia encerrar o conflito (retirada de forças israelenses, acordo de paz, negociação sobre territórios ocupados). Entretanto, o tempo demonstrou que este não foi suficiente, havendo, quando nos melhores tempos, um cessar fogo mútuo.

    Falta por parte da comunidade internacional uma postura mais firme quanto as tratativas de paz, forçando os países a se vincularem aos acordos realizados, sob pena de intervenção, pois, claramente os dois países não conseguem atingir um ponto comum.

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