A aposta da operação Lava Jato como terapia de choque, por Danilo Limoeiro


Publicado originalmente em: 05/08/2016

O legado da Lava Jato, a falta de transparência no Judiciário e o papel do Ministério Público como ponta de lança no combate à corrupção. Danilo Limoeiro, doutorando em Ciência Política pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e autor do livro “Além das Transferências de Renda”, fala sobre política e aponta a importância de a academia, a imprensa e o cidadão acompanharem mais de perto a atuação dos juízes no Brasil.

Fecomercio SP

Uma resposta em “A aposta da operação Lava Jato como terapia de choque, por Danilo Limoeiro

  1. A conclusão retirada do vídeo talvez demonstre o grande desafio daqui para frente no combate à corrupção em nosso país: um dos maiores problemas da nossa sociedade é cobrar muito do poder executivo em detrimento da cobrança do poder legislativo e judiciário. O vínculo criado entre o eleitor e o poder legislativo e entre o cidadão e o poder judiciário é muito mais frágil que aquele criado entre o eleitor e o chefe do executivo. Isso se deve à forma de eleição e organização desses poderes, e ao que tudo indica, a força desse vínculo é o termômetro da corrupção, à medida que se torna muito mais fácil de se acompanhar o trabalho de alguém que me é próximo, isto é, de alguém que eu consigo identificar. Isso ocorre facilmente com o chefe do poder executivo. Entretanto, se as possibilidades de identificar um representante do legislativo (para depois poder cobrá-lo) já são complicadas, dada a enorme quantidade de representantes que se candidatam e se elegem (e isso influencia o acompanhamento dos representantes pela mídia também), imagine a dificuldade de se acompanhar e cobrar a atuação dos membros do judiciário, que nem sequer são eleitos, e que por isso não estão sujeitos a uma possível vinculação fomentada através do voto? Evidentemente, esse é um sério problema a ser enfrentado pela nossa sociedade. A par do que Daniel Limoeiro afirmou, penso que nesse contexto, o aluno de direito e a academia realmente tem um papel protagonista no combate à corrupção no judiciário. Esse é poder o que tem combatido, com efervescência, a corrupção dos demais. Já é de se esperar que ele, com isso, ganhe bastante poder e liberdade. Portanto, a democracia, somando o crescente poder que o judiciário tem conquistado ao frágil vínculo existente entre esse poder e o cidadão, precisará de artifícios arrojados para efetivar o “check and balances”. O berço desse combate estará na universidade, que é o local do questionamento aos privilégios, sendo muito útil a pesquisa empírica e teórica que produza um diagnóstico daquilo que é o poder judiciário.

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