Chanceler uruguaio acusa Brasil de pressionar seu país para votar contra Venezuela


Postado originalmente em: 16/08/2016

O governo brasileiro convocou o embaixador uruguaio em Brasília, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, para esclarecer declarações que teriam sido feitas pelo chanceler uruguaio Rodolfo Nin Novoa de que o Brasil estaria pressionando o Uruguai para rebaixar o status da Venezuela no Mercosul e assim impedir o país de assumir a presidência rotativa do bloco.

A transmissão deveria ter ocorrido no dia 31 de julho, quando o Uruguai deu por encerrada sua participação. Embora as declarações de Novoa tenham sido feitas em âmbito interno, elas foram consideradas inaceitáveis pelo Itamaraty. O próprio ministro das Relações Exteriores, José Serra, já havia sugerido um mandato tampão a ser exercido por Brasil, Argentina e Paraguai até a resolução do conflito.

O Uruguai deixou o cargo e não o transmitiu à Venezuela. Ao mesmo tempo, Brasil, Argentina e Uruguai pressionaram pela constituição de um grupo para discutir o assunto. A chancelaria venezuelana, por sua vez, rejeitou a proposta e afirma que assumiu o posto. Polêmicas à parte, o fato é que a presidência do Mercosul está vaga.

O presidente da Sociedade Brasileira de Direito Internacional, Antônio Celso Alves Pereira, diz que a entrada da Venezuela no Mercosul foi importante e ainda é importante não só pela potencialidade das suas reservas de petróleo, como também pelo que representa por sua história, tradições e por tudo, mas observa:

“Por mais boa vontade que se tenha com o regime bolivariano de Nicolás Maduro ou do falecido Chávez, a Venezuela não tem condições de dirigir o Mercosul.”

Alves Pereira afirma ainda que de tudo que foi passado à Venezuela para ela funcionar como membro efetivo do bloco nada foi cumprido. Segundo ele, o melhor a se fazer agora seria uma suspensão do país até que as coisas se esclareçam e que entre um governo que respeite as normas do bloco e os acordos.

“O Mercosul está fazendo água há muito tempo, o modelo não funciona. Há quantos anos ele tenta fazer um acordo com a União Europeia? A Argentina, no tempo da presidente Cristina Kirchner, jamais aceitou esse acordo. A Argentina, à revelia do Mercosul faz acordos com a China e com todo mundo. Tem que fazer porque o bloco não anda. E o Brasil fica aí, com os governos do PT, batendo na tecla por solidariedade com a Venezuela e foi tocando com a barriga. O Mercosul está paralisado, vai continuar na paralisia. O Brasil deve partir para acordos bilaterais.”

O Itamaraty divulgou, na noite desta terça-feira, 16, uma nota oficial tentando esclarecer o assunto. Veja a íntegra:

“O Governo brasileiro tem buscado, de maneira construtiva, uma solução para o impasse em torno da Presidência Pro Tempore do Mercosul. A visita do Ministro José Serra ao Uruguai, no último dia 5 de julho, realizou-se com esse propósito. Ao Brasil interessa um Mercosul fortalecido e atuante, com uma Presidência Pro Tempore que tenha cumprido os requisitos jurídicos mínimos para o seu exercício e que seja capaz de liderar o processo de aprofundamento e modernização da integração.

“Durante a visita ao Uruguai, o Ministro José Serra também tratou com o Presidente Tabaré Vázquez e com o Chanceler Nin Novoa do potencial de aprofundamento das relações entre o Brasil e o “Uruguai e de oportunidades que os dois países podem e devem explorar conjuntamente em terceiros mercados. O Brasil considera o Uruguai um parceiro estratégico.

“Nesse contexto, o Governo brasileiro recebeu com profundo descontentamento e surpresa as declarações do Chanceler Nin Novoa sobre a visita do Ministro José Serra ao Uruguai, que teriam sido feitas durante audiência da Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara de Deputados uruguaia, no último dia 10 de agosto. O teor das declarações não é compatível com a excelência das relações entre o Brasil e o Uruguai.

“O Secretário-Geral das Relações Exteriores convocou hoje o Embaixador do Uruguai em Brasília para uma reunião em que expressou o profundo descontentamento do Brasil com as declarações e solicitou esclarecimentos.”

Fonte: Sputnik

7 respostas em “Chanceler uruguaio acusa Brasil de pressionar seu país para votar contra Venezuela

  1. O bloco do Mercosul foi criado para dar força aos países membros na hora de negociar com as grandes nações. Cada país tem a sua importância num acordo e deveria atuar de forma relevante para que as negociações fossem proveitosas para todos, porém, como o Mercosul não teve um bom desempenho desde a sua criação os problemas foram aparecendo, inclusive com a Argentina fazendo negociações independentes com outros países, uma vez que o governo de Cristina Kirchner nunca apoiou o Mercosul. Mas isso não se justifica pois, a América Latina unida fica fortalecida e com poder de barganha. Porém, o momento político grave em que vive a Venezuela, registrando violações das regras democráticas e até mesmo de direitos humanos não traz segurança aos outros países para que apoiem a sua posse como presidente do bloco, e também por ter a Venezuela descumprido vários item do acordo. As relações diplomáticas entre os países do bloco ficam abaladas correndo risco de gerarem outros conflitos mais graves. O certo é que a Venezuela não tem condições políticas nem diplomáticas para liderar o bloco, mesmo que por seis meses, que é quando haverá novamente o rodízio.

  2. A Venezuela vive uma ditadura comunista, onde o acesso aos itens básicos de saúde, pelo povo, é escasso, onde a democracia está fragilizada. A entrada da Venezuela no Mercosul em 2012 possuiu mais motivações políticas do que econômicas, pois se tratou da aproximação dos governos de centro-esquerda que atuavam em todos os países desse bloco naquela época (Brasil, Argentina, Uruguai), exceto o Paraguai (que viveu a polêmica com Fernando Lugo). Sendo assim, no atual contexto do país, não deveriam possuir a prerrogativa de participar de um bloco cujo objetivo é facilitar as relações comerciais dos países sulamericanos com as grandes nações do mundo, A Venezuela tem uma pessima relação com países que não seguem a sua linha ideológica e deveria ser afastada do Mercosul até que voltasse a ser um país com credibilidade, democrático, que respeita as instituições e as pessoas.

  3. O Mercosul foi um plano e um planejamento para que os países que adotassem tal plano tivesse facilidade na comercialização, na circulação de imigrantes e para fins de crescimento econômico. Porém desde seu surgimento os resultados alcançados não foram o esperado e gerou até alguns conflitos porém ainda assim o Mercosul ainda fortalece a America Latina e da poder aos países nela presentes.
    A Venezuela está passando por uma ditadura comunista, onde os ideais democráticos estão sendo violados, a saúde escassa, além da Venezuela ter descumprido itens do acordo. A entrada da Venezuela no Mercosul não seria uma boa ideia pois iria contra o proposito do grupo que é de facilitar as relações entre os países presentes e o exterior e o comercio. A Venezuela não possui uma boa relação com países que batem de frente com o seu ideal e que atualmente são poucos países que tem um pensamento recíproco . A entrada da Venezuela no Mercosul não seria uma má ideia se não estivesse enfrentando a situação que esta e propagando melhores ideais, é um país com recursos e potencial.

  4. A presença da crise financeira nos países do Mercosul traz influência direta aos ânimos dos representantes dos Estados membros do grupo, é de suma importância que o governo Brasileiro se mobilize de forma a contribuir com a reorganização do Mercosul, visto que este pode ser uma das armas utilizadas para os países se ajudarem na superação do momento ruim financeiro internacional.

  5. O Mercosul, é um bloco idealista que visa o avanço claramente econômico da América do sul, por consequência um melhoramento social! A presidência do Bloco é rotativo, seria agora o momento da Venezuela de assumir o posto, contudo o país não cumpriu todas exigências do bloco, além disso há acusações de que foi implantada uma ditadura no país, inclusive há presos políticos, neste ponto caso assumisse a presidência haveria um conflito diametralmente oposto fático, por esse motivo o Brasil deve se inclinar em negociar o melhor caminho para o bloco, que é uma presidência tampão. No que tange o comentário do chanceler uruguaio, é comum o Estado criticado solicitar explicações do embaixador em seu território, portanto, o posicionamento do Brasil seguiu a risca nos modos de tratativas internacionais.

  6. No governo anterior, a presidente Dilma Rousseff fazia questão de manter relações com a Venezuela uma vez que além das relações diplomáticas era uma relação econômica. Porém, com o processo conturbado de mudança presidencial, logo, de ideologias e de relações, o atual presidente Temer, em acordo com os outros três países fundamentes do MERCOSUL – Argentina, Uruguai e Paraguai, conseguiu vencer uma batalha diplomática, convencendo os países a recusarem a entrada da Venezuela na presidência da organização e, ainda, deixaram uma ameaça explícita de suspendê-la caso não seja cumprido, em três meses, os compromissos assumidos pelo país. O Uruguai foi o país que se mostrou mais favorável à aceitação da Venezuela à presidência, tanto que acusou o Brasil de pressioná-los contra a Venezuela. Esse jogo de imposições e influências do Brasil deve ser questionado, pois de acordo com o regulamento de rotatividade do MERCOSUL, após o Uruguai deixar o posto de presidência, em julho, quem assumiria o mandato era Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, mas percebe-se por parte de outros países, como o Brasil, certo desinteresse em que o país componha ou faça parte da presidência uma vez que ele foi o último a se integrar na organização. Essa negação do Brasil e dos demais países à entrada da Venezuela na presidência acarretou em uma crise logo no momento de negociação do tratado entre MERCOSUL e União Europeia. A desculpa que o Brasil deu para justificar sua posição foi que “Ao Brasil interessa um MERCOSUL fortalecido e atuante, com uma Presidência Pro Tempore que tenha cumprido os requisitos jurídicos mínimos para o seu exercício e que seja capaz de liderar o processo de aprofundamento e modernização da integração”. Já o presidente da Sociedade Brasileira de direito internacional, Antônio Celso Alves Pereira, diz que “por mais boa vontade que se tenha com o regime bolivariano de Nicolás Maduro ou do falecido Chávez, a Venezuela não tem condições de dirigir o MERCOSUL.” Portanto, percebe-se, através dos diversos discursos, a formação de um covil dentro da organização que burla os regulamentos com justificativas sem fundamentos concretos para alcançar apenas os próprios interesses.

  7. O MERCOSUL já nasceu morto , é desde o princípio um “murro em ponta de faca” que o Brasil no que se refere a comércio internacional. As disputas políticas entre os membros participantes , as economias (não vou nem citar os governos) precários de Venezuela, Bolívia e Colômbia por exemplo, quase nada tem a agregar comercialmente ao Brasil. Tenho a impressão que a manutenção do referido bloco é mais de intenção diplomática que propriamente econômica, ressaltando que não há problema algum no objetivo diplomático, mas bloco econômico não tem esse objetivo como o principal, mas se ainda assim for conveniente manter o bloco por motivo que não a razão de ser de um bloco econômico (comercial), que o Brasil não fique estagnado nesse barco naufragado do MERCOSUL e busque acordos com parceiros economicamente interessantes.
    Quanto ao episódio envolvendo a tentativa de afastamento da Venezuela da presidência do bloco tenho a seguinte posição: Se economicamente o bloco é falido, sendo usado para fins diplomáticos maior razão não há para afastar um país nada diplomático da sua presidência, mas como essa posição oficial do governo brasileiro geraria efeito contrário a diplomacia mundialmente pregada, no popular “pegaria mal” , tem-se que apresentar uma postura menos agressiva, por isso a “revolta” do Itamaraty quanto a informação de que o Brasil estaria agindo sorrateiramente, o que eu particularmente acredito que seja verdade e correto.

Comente esta notícia!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s