Especialista da ONU alerta para efeitos da onda de racismo nos EUA


Publicado Originalmente: 29/07/2016

Os Estados Unidos estão lutando para viver de acordo com os ideais de igualdade racial, social e econômica, advertiu o relator especial sobre a liberdade de reunião pacífica e associação da ONU, Maina Kiai, na quinta-feira (28), ao final de sua primeira missão oficial de avaliação do país.

Segundo ele, os desafios persistentes nessas áreas afetam negativamente a prática dos direitos à liberdade de reunião pacífica e de associação no país.

“As pessoas têm boas razões para estarem irritadas e frustradas atualmente. E nesses momentos, os direitos de reunião e de associação são mais necessários. Esses direitos dão às pessoas um caminho tranquilo para elas falarem, dialogarem com os cidadãos e autoridades, expressarem suas queixas e resolvê-las “, disse Maina Kiai, em comunicado.

Para Kiai, compreender o racismo no país significa olhar para os 400 anos de escravidão e para as leis de Jim Crow pós-guerra civil, que “impuseram a segregação e marginalizaram a comunidade afro-americana em uma vida de miséria, pobreza e perseguição”.

Sobre os tempos mais recentes, o relator especial observou “que velhas filosofias de exclusão e discriminação renasceram em novos termos”, tais como a chamada “guerra às drogas” e as políticas de condenação relacionadas a greves.

Segundo Kiai, essas políticas e ordens duras – como condenações penais menores ou até mesmo prisões em protestos sem acusações fundamentadas – impossibilitam que as vítimas encontrem emprego, consigam empréstimos de estudo ou encontrem um lugar para viver.

“Há uma justificável raiva na comunidade negra sobre essas injustiças, que precisam ser expressas”, frisou o especialista, explicando que este é o contexto que deu origem ao movimento de protesto não violento ”Black Lives Matter” (“Vidas de negros importam”).

Kiai chamou a atenção também para a situação dos trabalhadores migrantes nos Estados Unidos. De acordo com ele, os migrantes enfrentam muitas adversidades em circunstâncias precárias de trabalho e são muitas vezes explorados por suas condições.

O especialista notou ainda a falta de rígidas proteções aos direitos trabalhistas, que configuram um grande obstáculo para o exercício do direito à liberdade de associação no trabalho. Ele ficou chocado ao ver que, em estados como o Mississippi, os empregadores consideram benefícios a não sindicalização e a exploração dos trabalhadores .

Mesmo em meio a desafios e problemas, Kiai considera os Estados Unidos uma “nação de luta e resistência”, e elogiou a sociedade civil. Um relatório final sobre a visita de 17 dias aos Estados Unidos  será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em junho de 2017.

FONTE: ONU

12 respostas em “Especialista da ONU alerta para efeitos da onda de racismo nos EUA

  1. É lamentável que em pleno século XXI ainda exista esta intolerância à raça negra, principalmente nos EUA onde o preconceito racista fica evidente. O indivíduo negro é cerceado nos seus direitos constitucionais de uma vida digna com melhores condições de trabalho, inserção com igualdade numa sociedade, e direito de ir e vir . A busca pelo ideal de igualdade racial, social e econômica que leva o individuo negro às ruas em grandes manifestações provoca medo na sociedade americana, fazendo com que o direito a manifestações pacíficas e associações se transformem em verdadeiras guerras, onde são mortos ou gravemente feridos pessoas que estavam apenas pedido um pouco mais de atenção. Infelizmente deve-se considerar também, que o inverso acontece, pois a população negra americana é evidentemente racista e preconceituosa com os brancos e hispanos. Frequentemente se vê os grandes conflitos que acontecem entre brancos e negros muitas vezes causados por racismo da parte da negra, obviamente fruto de uma intolerância causada por mais de 400 anos de escravidão. Outro fato que preocupa é a falta de proteção mais rígida aos direitos trabalhistas – direito este que deveria proteger o empregado – mas que fortalece ainda mais a classe empresarial, não permitindo ao empregado o direito de se manifestar ou associar-se. O impacto sofrido pelo empregado não afeta apenas sua carreira profissional mas também a sua saúde, pois estudos científicos mostram que o estresse vivido pelo negro, em razão do racismo, o torna mais suscetível a problemas cardíacos, depressão, problemas renais e até mentais.

  2. Os Estados Unidos da América estão passando por uma onda de racismo muito grande a ponto de serem alertados pela ONU. Entender esse problema recorrente nos EUA é olhar para o passado, olhar para a época em que a escravidão era presente e vista como algo normal nos EUA. Na época das colônias, o Sul vivia a base da exploração de escravos e não se via mão de obra assalariada, ao contrário do Norte das treze colônias, que possuia mão de obra assalariada. Mesmo após a independência dos EUA, também conhecida como independência America, a mão de obra escrava e o sistema escravocrata persistiram nos EUA, agora independente da Inglaterra. Após esse episódio escravocrata, tivemos o fim da escravidão dos negros, porém tivemos outro sistema totalmente desumano nos EUA, que foi a segregação e a marginalização de todos os negros presentes nos EUA, que eram tratados com grande inferioridade. Dessa forma, todos esses acontecimentos do passado histórico dos EUA contribuíram para a cultura racista que se encontra presente ainda hoje lá. Percebemos então, a necesidade de políticas públicas mais eficazes e que tragam, de fato, uma solução para essa situação que já deveria ser inaceitável atualmente.

  3. Depois de passados anos de escravidão e agora com um presidente negro os Eua ainda tem de enfrentar dezenas de protestos sobre racismo . Segundo o site publico.pt de 10/07/2016 ‘Os dois grandes focos de tensão deram-se em Baton Rouge, na Luisiana, e em St. Paul, no Missouri, onde na última semana morreram Arlon Sterling e Philando Castile, dois homens negros abatidos pela polícia quando aparentemente não representavam perigo’
    De um lado os que se dizem perseguidos e de outro a polícia que diz cumprir os padrões de abordagem. Mas qual seria a real versão?
    A pressão por igualdade racial, econômica, segrega ainda mais a população cansada dos ataques principalmente por parte da polícia que atira primeiro e verifica depois.
    Os habitantes estão se organizando em grupos e marchas para se impor e poder cobrar explicações sobre todos os casos ao tempo em que continuam acontecendo essas barbáries.
    Vários aspectos fazem crescer um abismo entre negros e brancos como: segundo o próprio relator da ONU políticas penais duras e faz com que pequenos delitos na ficha criminal os impeçam de arrumar bons empregos e sejam explorados .Geralmente são negros pois já vem de exclusões raciais e não conseguem sua chance. Os policiais generalizam esse quadro e os acham todos suspeitos mas no lugar de solucionar conflitos estão causando ainda mais.

  4. Usar o passado como desculpas para o racismo é tolice. Na medida que o tempo evolui, as pessoas acompanham essas mudanças, pois estamos comparando a década de 1940 aos dias de hoje. A segregação racial imposta a quase 80 anos, ficou no passado e isso não pode ser justificado ao racismo em pleno século XXI. Embora que o racismo exista ainda, a população dos EUA, segundo o texto, não pode depreciar o negro só porque é negro. Cor, raça, religião, não podem ser motivo de desprezo ao outro, as pessoas vão muito além disso e merecem ser tratadas com dignidade e respeito.
    É inegável dizer que os EUA deu um grande salto elegendo um presidente negro que ficou no poder por dois mandatos, mas outros ainda devem ser dados para que os negros ocupem mais espaço e não sejam vistos como ínferos a ninguém.
    Esse alerta dado pela ONU com certeza foi de grande utilidade, uma vez que poderá haver mais policiamento quanto ao racismo, proteções aos direitos trabalhistas e ocupação cada vez mais no mercado de trabalho, assim as injustiças poderão ser evitadas.

  5. Em 2008 quando Barack Obama, foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América foi,pois, um marco histórico na cultura e na política do país. No entanto, mesmo com esse acontecimento, especialistas da ONU alertam sobre ondas de racismo nos EUA. É triste pensar em tais circunstâncias,já que a segregação ocorrida nesse país há décadas, foi um exemplo de atrocidade que jamais deve se repetir. Posto isso, faz-se necessário ressaltar quanto o tratamento dado aos migrantes, principalmente negros, os quais são de exploração a nível de escravidão. Todavia, vale lembrar que mesmo o país tentando viver em ideias de igualdade racial, social e econômica e mesmo assim , existem novas políticas que indiretamente propiciam o desenvolvimento dessa onda de exclusão. Todas as pessoas têm o direito à reunião e associação para falarem o que sentem, além de reivindicar os seus direitos. Assim, conclui-se que a xenofobia e a desigualdade social são os pilares para o desenvolvimento de preconceitos, por exemplo, a rigidez dos policiais em controlar os movimentos sociais, isso faz com que aumente o numero de mortes trazendo ainda mais descontentamento. Por fim, a sociedade americana deve se sentir responsabilizada por esses atos cruéis, além disso, tentar fazer políticas e programas de inclusão para uma sociedade melhor.

  6. É triste ver que mesmo depois de anos e de várias tentativas, os Estados Unidos ainda segrega tamanho preconceito. O Sul, marcado pelo trabalho escravo ( época pós independência) tem ainda, resquícios de o que era ser negro naquela época. Muitos olham com desprezo e nojo para aqueles que tem ” pele de cor “, como se tivessem menos direitos e fossem menos cidadãos do que os ” arianos”. É hipocrisia os EUA ter um presidente negro, extremamente marcante, com o pensamento que a sociedade tem em pleno século XXI. Com o alerta da ONU, cabe ao governo norte americano, proporcionar programas de inclusão de raça, cor e religião, para que assim, notícias vergonhas como esta, não sejam mais alvo de olhos curiosos por todo o mundo.

  7. Os EUA enfrentaram em toda sua história o racismo. A segregação racial vivida no país de forma radical trouxe à tona as diferenças entre negros e brancos que, durante um tempo, não podiam nem mesmo frequentar os mesmos lugares ou entrar nos mesmos ônibus. O preconceito, enraizado nessa sociedade, foi exposto durante o chamado “apartheid americano”. Nos anos 60, figuras como Martin Luther King lutaram veementemente contra o racismo no país e conquistaram muito, mas não conseguiram acabar com o preconceito que, até hoje é forte nos Estados Unidos. Mesmo com a eleição do primeiro presidente negro do país, Barack Obama, ainda vemos notícias de policiais maltratando negros, o que é triste. Nas Olimpíadas, Simone Biles mostrou como o afro-descendente americano luta pelo que quer e consegue. A luta continua e não pode parar. O preconceito ainda existe e talvez nunca acabe totalmente, mas muito ainda deve e pode ser feito para combatê-lo.

  8. O racismo historicamente sempre foi um problema decorrente dos EUA.
    Desde as primeiras décadas do século XIX, é possível identificar a articulação política dos negros em torno da igualdade de direitos, e é triste observar que depois de tanta luta e tantos movimentos ( sob liderança de Martin Luther King) isso ainda parece estar enraizado á sociedade americana.
    Mesmo com um dos dicursos mais famosos do mundo, (“I have a dream”), toda a luta durante o “apartheid americano” , e mesmo as políticas contra o racismo no atual governo conseguiram amenizar grande parte do preconceito que sempre esteve presente de forma muito acentuada lá.
    E tudo isso não pode, e não vai se perder, é preciso continuar a luta. É verdade que talvez esse preconceito nunca acabe totalmente, mas uma população que já venceu e já conquistou tanto, não pode, e não vai desistir agora.

  9. É um modo de pensar em diferentes tipos de raças ou religiões onde existe o pensamento de que essas raças e religiões são inferiores aos deles.
    Entretanto, o racismo já existe a muitos séculos atrás e vem se modificando e aumentando ao longo dos tempos.No entanto, ele também prejudica a vida de muitos e isso tudo pelo preconceito das pessoas para com as outras de raças diferentes ,principalmente com os negros e pobres.Contudo, vai demorar para as pessoas se conscientizarem de que o racismo é um pecado e que não importa a raça e sim a educação e o respeito das pessoas, pois cada um tem os seus valores.
    Em todo caso,o racismo deveria acabar, porque isso pode levar a violência e acabar gerando um caos total no mundo.
    Apesar disso,o racismo poderia ser bom em contribuir para que futuramente nosso mundo tenha apenas uma raça e apenas uma classe social ,isso diminuiria a violência e a ambição das pessoas pelo poder e pelo controle.
    Embora, isso seria muito difícil e complicado, pois as pessoas ainda têm pensamentos ruins para com as outras, de raças diferentes às delas,mesmo porque todos nós temos o direito de comprar algo de entrar em cinemas ,lojas,shoppings,bares.Um dos lugares mais complicados de se conviver com pessoas racistas é a escola , e é por isso que muitos jovens sofrem ao ir estudar.
    Porém,o mundo continuaria a se multiplicar em raças e pioraria ainda mais o preconceito das pessoas,por isso as pessoas racistas deveriam pensar melhor e mudar seu olhares percebendo que nós somos iguais não importando a cor , raça ou até mesmo religião.

  10. Através da história norte americana, principalmente em relação aos 400 anos de escravidão , é possível perceber que nos períodos de auge da economia os conflitos raciais, étnicos, religiosos, nacionalistas tendem a diminuir ou até desaparecer, porém nos momentos de crise voltam com toda força, como na crise de 2008. É notável que as classes dominantes mantenham vivas as ideologias racistas e racialistas, utilizando-as delas com o objetivo de dividir o proletariado.

  11. Não é preciso que se tenha ido ou morado nos EUA para sabermos como é discrepante a separação social e racial que lá tem. Os negros, compõe uma enorme parcela da população norte americana. Cada vez é mais crescente as greves e protestos para que se tenha uma igualdade. E engana-se que essas greves são compostas somente por pessoas negras.

    Infelizmente, a potência americana não tem o melhor dos passados quando se fala de escravidão. Dessa forma, o país possui essa herança negativa em suas costas, que se arrastou até os dias de hoje, e na qual se é difícil de desprender.

    Sabemos que não é a intenção do governo ao criar programas como combate às drogas, ou à marginalização, de reforçar a separação racial já existente. Porém, na maior parte das vezes, a maioria das pessoas são negras, devido ao baixo nível de escolaridade, de moradia e renda, o que mais uma vez volta no paradigma do preconceito. E dessa forma é reforçado o estereótipo indevido de que negros estão ligados à violência e drogas.

  12. Desde antigamente podemos perceber o quanto os negros presam pela igualdade de direitos. Além de lutarem contra o racismo, podemos perceber nos Estados Unidos um “ódio” dos negros em relação aos brancos até mesmo na divisão dos bairros. A eleição do presidente Barack Obama foi considerado como uma nova era, de evolução em questão do racismo. Porém, nem por isso a população abandonou tal prática. O racismo ainda está enraizado no país, cujo índice de pratica precinceituosa é um dos maiores do mundo. Muitos alunos ainda sofrem humilhações no colégio, muitos negros sofrem nas mãos dos policiais brancos, muitos jogadores sofrem racismo em campo, pois tal ato ainda é considerado um preconceito “cultural”, por acontecer constantemente não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro. Não só os negros, mas os brancos também têm o dever reivindicar cada vez mais, e lutarem pela igualdade, pois todos devem ser tratados igualmente na sociedade, e não principalmente devem ser discriminados, inferiorizados e humilhados pela cor da pele. Todos são diferentes, mas ninguém tem o direito de julgar e desrespeitar as diferenças, sejam elas raciais, religiosas, sexuais, quaisquer que sejam.

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