Chefe de direitos humanos da ONU chama Síria de ‘cemitério devastado’


“O país já é um gigante cemitério devastado”, disse o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, em comunicado emitido por seu escritório. “O número de crimes de guerra cometidos supera os piores pesadelos. Mas cabe tanto às forças que atacam como às que defendem — e seus apoiadores internacionais — minimizar mais mortes entre civis e evitar mais crimes e atrocidades”, completou.

Publicado originalmente em: 15/07/2016

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O chefe de direitos humanos das Nações Unidas pediu nesta sexta-feira (15) que as forças que avançam em Alepo e duas outras cidades na Síria não prejudiquem centenas de milhares de civis rodeados por conflitos entre forças do governo e da oposição.

O país já é um gigante cemitério devastado”, disse o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, em comunicado emitido por seu escritório. “O número de crimes de guerra já cometidos supera os piores pesadelos. Mas cabe tanto às forças que atacam como às que defendem — e seus apoiadores internacionais — minimizar mais mortes entre civis e evitar mais crimes e atrocidades”, completou.

Ele acrescentou que mesmo que as forças “tenham se tornado tão brutalizadas que não se importam com mulheres inocentes, crianças e homens cujas vidas estão em suas mãos, precisam ter em mente que um dia haverá um acerto de contas para todos esses crimes”.

Enquanto números exatos são extremamente difíceis de estabelecer, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) disse que havia ao menos 150 mil civis que estão agora totalmente isolados em algumas partes de Alepo controladas pela oposição.

Estamos profundamente preocupados com o que vai acontecer com eles enquanto o conflito se aproxima e se intensifica, e suprimentos mínimos de comida, água e medicamentos estão acabando”, disse Zeid.

Enquanto forças do governo e seus aliados avançam na parte da cidade retida pelas forças de oposição, grupos armados aumentaram os bombardeios de áreas comandadas pelo governo em Alepo.

Zeid acrescentou que o ACNUDH recebeu informações de que diversos civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos e ficaram feridos por ataques aéreos e por terra, assim como por minas terrestres instaladas pelo grupo autodenominado Estado Islâmico.

Civis tem sido mortos se tentam deixar suas casas para fugir”, disse Zeid. “Famílias não estão conseguindo acessar cemitérios locais para enterrar seus parentes assassinados, e os estão enterrando em seus próprios jardins ou mantendo corpos em bunkers. A cidade não tem eletricidade ou água no momento, e nenhuma instalação médica está operando”.

Fonte: ONU Brasil

10 respostas em “Chefe de direitos humanos da ONU chama Síria de ‘cemitério devastado’

  1. A Síria se tornou um campo de batalha em 2011, quando um grupo pró-democrático deu inicio a protestos após a prisão e tortura de adolescentes revolucionários e as forças de segurança reagiram com fogo, causando mortes e provocando a insurgência do pais, que meses depois milhares de sírios participavam dos protestos. A violência nesses se intensificou e o país entrou em guerra civil em 2012. Hoje o conflito evolui em questões muito maiores que grupos pró e anti Assad. Uma briga religiosa deu inicio, os muçulmanos sunitas contra o ramo xiita de Assad. E o avanço do Estado Islâmico deu uma nova dimensão à guerra.
    Uma pequena manifestação em prol da democracia, que a grande parte dos países vive atualmente, e, segundo os Liberais, seria a única forma para alcançar uma paz mundial, a situação da Síria, passou de pequenos conflitos internos para, como considerados pelo jornal The Washington Post uma mini guerra mundial, devido ao envolvimento de vários países.
    A definição de guerra como “duelo entre inimigos” não se aplica a todos os conflitos. Um exemplo disso é a guerra na Síria devido à variedade de forças e interesses que estão em jogo. E os aliados e inimigos são definidos pelos interesses de cada.
    Cerca de 250 mil sírios morreram desde o inicio do conflito armado, e mais de 11 milhões de pessoas tiveram que deixar suas casas, devido à batalha entre o presidente e os opositores, e também sobre ameaça do EI. Sem contar as evidencias de que todas as partes cometeram crimes de guerra, como tortura, assassinato, estupro e desaparecimentos. Isso fez com que Zeid Ra’ad Al Hussein, chefe dos Direitos Humanos da ONU, em uma declaração oficial, comparasse a Síria com um gigante cemitério devastado. A guerra já é considerada a maior crise humana da nossa era. Com essa situação delicada, foi realizada a primeira Conferencia Humanitária Mundial, com mediação da ONU.
    Com base na situação da Sitia e com a necessidade de intervenção de organizações mundiais e apoio internacional, a perspectiva neoliberal se mostra presente. De acordo com ela, o sistema internacional, apesar de ser anárquico, depende de uma cooperação das instituições e regimes internacionais para a resolução dos conflitos, e isso que vem sido feito para tentar finalizar a guerra na Síria.

  2. Zeid Ra’ad Al Hussein ao afirmar que a Síria já é um grande cemitério devastado, nos faz perceber a gravidade da situação que o país enfrenta, com uma rotina de guerra e segregação desumanos. O mundo ainda não percebeu a importância de se discutir estes assuntos com as grandes potencias, cabendo à ONU portanto chamar a devida atenção para tentar promover a paz. O desastre que este país está sofrendo já foi comparado á calamidade sofrida pelos judeus na Alemanha, e junto a isso o questionamento sobre as formas de interromper as atrocidades. Enquanto milhares de judeus eram exterminados na Alemanha, o resto do mundo parecia não se preocupar, pareciam ignorar a gravíssima ofensa aos direitos do homem de ir e vir e de viver com dignidade, e agora que a história se repete parece que o sofrimento foi esquecido, que a dor que a guerra causou não promove mais compaixão nas pessoas. Um verdadeiro fracasso da humanidade tratar seus semelhantes com tamanha atrocidade, um país inteiro vivendo a beira da miséria, passando por tanta ofensa á dignidade do homem.

  3. De acordo com Zeid Ra’ad Al Hussein, a Síria é um cemitério devastado. Isso se deve ao fato do país estar envolvido em uma terrível guerra civil há alguns anos. É triste saber que muitos civis acabam pagando por isso. 150 mil deles estão agora totalmente isolados em algumas partes de Alepo controladas pela oposição e muitos são mortos quando deixam suas casas para tentar fugir. Além disso, os suprimentos mínimos de comida, água e medicamentos estão acabando e a guerra se intensifica cada vez mais, com bombardeios na região de Alepo. É importante que forças internacionais se manifestem para que o número de mortes de civis diminua e para que não ocorra mais atrocidades e crimes de guerra.
    É difícil compreender porque em pleno seculo 21 ainda ocorrem essas barbaridades, que atentam contra os direitos humanos. Nada foi feito na época do holocausto e, agora, é importante que esse tipo de violência seja combatido e que não ocorra mais. O direito a vida, a dignidade devem ser respeitados, e não é isso que ocorre no país.

  4. O texto chama atenção para a grave e violenta crise que afeta a Síria, mais especificamente a cidade de Alepo e outras duas cidades. Civis que se encontram isolados em Alepo morrem ao tentarem fugir dos ataques constantes das forças opostas que atuam na região.
    Existe uma grande preocupação por parte do Comissário da ONU para Direitos Humanos Zeid Ra´ad Al Hussein, para que vidas desses civis sejam poupadas. Ele informa que além do risco constante em razão dos ataques, pessoas inocentes, dentre elas crianças e mulheres, sofrem até mesmo por não conseguirem acessar os cemitérios locais para enterrarem seus parentes mortos em combates, enterrando-os em seus próprios jardins. Informa ainda que os suprimentos de comida, água e medicamentos está se esgotando, causando outra grande preocupação com sobrevivência dessa população isolada.
    O conflito já dura anos e inimaginável que em um mundo globalizado, que em pleno século XXI, ainda se cometam tamanhas atrocidades contra inocentes.
    Para Zeid “o país já e um grande cemitério devastado”. É preciso que ambos os lados reflitam sobre os crimes que comentem a todo instante nessa região de conflito, principalmente me se tratando de civis inocentes, poque mais cedo ou mais tarde todos terão que responder seus crimes.

  5. Diante da Guerra Civil que assola a Síria é possível inferir que o ” Cemitério devastado ” que o País vem se tornando é fruto do egoísmo entre Nacionais e de porque não de grandes potencias.Intervenções mascaradas e até mesmo escancaradas de algumas das Potencias bélicas só tem ajudado a aprofundar a crise. Ao que me parece a população tem sido prejudicada por ataques que tem matado muito mais inocentes do que aqueles que querem desestabilizar o País.Estamos vendo um Show de horrores onde o mais prejudicado é o homem de bem.

  6. O conflito na Síria que vem se estendendo pelos último cinco anos é alarmante para a comunidade internacional. Os comentários feitos pelo chefe dos direitos humanos no local são extremamente compatíveis com a situação. Existem atualmente na Síria as forças de defesa nacional, o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (isis) e, além disso, operações de forças estrangeiras ocorrendo dentro do país. A situação é um caos total e, uma vez que as células terroristas do Estado Islâmico são de difícil reconhecimento a própria população acaba sendo atacada. Os caminhões de ajuda humanitária ainda estão retidos em território turco e o ditador Al Assad, apesar do César fogo entre os países, não permite que a ajuda entre no país. A população Síria é refém da situação e sofre na mão de seu governo, do terrorismo e de exércitos estrangeiros que atacam sem piedade pessoas incoentes.

  7. A situação da síria vem preocupando o mundo inteiro. São três anos de guerra, 150 mil mortos, dois milhões e meio de refugiados e nenhuma solução eficaz até agora foi tomada. O alcance da crise síria ultrapassou todas as previsões e o conflito está longe de chegar ao fim.
    O conflito da Síria é, em primeiro lugar, uma guerra civil. De um lado, os rebeldes, na sua maioria sunitas, a comunidade maior da Síria. Ocupam o Norte, os arredores de Damasco e as zonas rurais ao sul e ao centro do país. Do outro lado os Lealistas, que se apoiam na comunidade alauita, uma seita xiita onde o Clã Assad tem origem. Detêm as principais cidades, incluindo a capital, a zona costeira, de população alauita.

    As forças pró – regime apoderaram-se recentemente de Qualamun, uma montanha na fronteira com o Líbano. Esta guerra civil foi rapidamente instrumentalizada por diversos países que fizeram da síria um campo de batalha por procuração.

    Os primeiros atores desta internacionalização: as potências ocidentais, EUA e os grandes países europeus apoiam a Coligação Nacional Síria, a principal formação anti- Assad. O apoio ocidental era somente diplomático. O funcionamento é insuficiente, o fornecimento de armas é escasso e os Estados Unidos sempre recusam a opção limitar.

  8. O texto se refere a Síria como um “cemitério devastado” fazendo alusão á guerra civil que o país enfrente desde 2011, na qual há cerca 470 mil mortos ate o momento o atual. Durante esse embate já foram cometido inúmeros crimes de guerra como o recrutamento de crianças como soldados, utilização de armas químicas, além de outras atrocidades.O conflito tem gerado dificuldades á toda a comunidade internacional devido ao grande numero de refugiados.
    A Síria se encontra em situação de calamidade, fugindo da guerra, da fome e do medo a população tenta buscar melhores condições de vida em outros países , que muitas vezes não possuem condições ou disposição para acolher os refugiados.

  9. Uma guerra tende a tornar-se ainda mais terrível se os seus atores não respeitarem um patamar mínimo de dignidade nos seus atos. Crimes de guerra proporcionam condições degradantes e desumanizadoras e são a mais grave forma de violação de direitos humanos.
    Há muito que a guerra da Síria propicia um espetáculo de horrores no que diz respeito a violação de direitos humanos, talvez por isso a fala do alto comissário da ONU seja tão enfática ao comparar o território sírio com um “cemitério devastado”.
    A intensificação dos conflitos coloca em risco o suprimento de água, comida e remédios para os 150 mil civis que estão totalmente isolados em Alepo. Isso significa que caso as forças não minimizem seus ataques para seja realizada alguma intervenção de missões humanitárias, essas pessoas, além de todo o sofrimento causado pelas atrocidades dos crimes de guerra estarão a mercê de uma morte lenta causa por inanição e proliferação doenças. Isso é o extremo do que se pode falar em desumanização.
    Por mais que as forças tenham se tornado brutalizadas – num conceito cunhado por Hannah Arendt, tenham banalizado o mal – Zeid Ra’ad Al Hussein diz que haverá o acerto de contas para os crimes de guerra. Nessa fala ele parece evocar o poder coercitivo dos tribunais internacionais numa tentativa de coagir as forças para que cessem seus atos criminosos.
    O fato do povo sírio não poder enterrar os seus mortos em cemitérios faz com que a expressão “cemitério devastado”, ironicamente, nos leve a pensar que na Guerra da Síria os vivos estão condenados a morte e que nem mortos descansarão em paz.

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