ONU alerta para gravidade e aumento das violações contra crianças em conflitos armados


Publicado Originalmente: 07/06/2016

Em seu relatório anual sobre Crianças e Conflitos Armados, cobrindo o ano de 2015, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou seu “choque” com a escala das graves violações contra crianças em países como Afeganistão, Iraque, Somália, Sudão do Sul, Síria e Iêmen.

Ban Ki-moon constatou os ambientes complexos criados por operações aéreas pelas forças armadas de alguns Estados-membros e coalizões internacionais, resultando em morte e mutilação de muitas crianças. Em alguns casos, grupos armados, aliados dos Estados, recrutaram e usaram crianças, cometendo outras violações.

“Os Estados-membros devem considerar, como uma questão de prioridade, mudanças nas políticas, nos procedimentos militares e na legislação, se necessário, para evitar violações e proteger as crianças”, disse o secretário-geral em seu relatório, salientando que aqueles que se envolvem na ação militar, resultando em numerosas violações dos direitos das crianças, vão se encontrar sob escrutínio pela ONU.

Segundo o relatório, a situação no Iêmen foi particularmente preocupante, com um aumento de cinco vezes no número de crianças recrutadas, e seis vezes mais crianças mortas e mutiladas em comparação com 2014.

As violações cometidas pelo Estado Islâmico no Iraque e do Levante (ISIL/Da’esh) continuaram a ter um impacto devastador sobre as crianças. Entre essas violações estão o persistente recrutamento de crianças, e o uso em redes sociais de meninos caracterizados como crianças-soldado, e em alguns casos como executores.

Na Nigéria, o Boko Haram aumentou os ataques suicidas, com 21 meninas sendo usadas em ataques suicidas em espaços públicos com grande concentração de pessoas. O grupo armado ampliou suas atividades do nordeste da Nigéria até países vizinhos, causando um número significativo de mortes de civis e de deslocamentos em grande escala.

Na Síria, milhares de crianças foram mortas durante mais de cinco anos de guerra. No Afeganistão registrou-se o maior número de mortes e lesões de crianças desde que a ONU começou a documentar sistematicamente as baixas civis, em 2009.

Na Somália, houve um aumento de 50% no número de violações registradas contra crianças. No Sudão do Sul, as crianças foram vítimas de violações terríveis, particularmente durante ofensivas militares brutais contra as forças de oposição.

“Também estou seriamente preocupada com o crescente número de crianças privadas de liberdade por sua suposta associação com as partes em conflito”, disse Leila Zerrougui, representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados, convocando os Estados-membros a garantir a proteção plena das crianças e de seus direitos humanos, as tratando primeiramente como vítimas, e urgentemente colocando em prática alternativas à repressão e à detenção das crianças.

Zerrougui se disse esperançosa com a perspectiva de um envolvimento mais construtivo com grupos armados não estatais. “Eu gostaria de lembrar a todos que é fundamental garantir recursos adequados para a reintegração de todas as crianças liberadas, com especial atenção ao apoio psicossocial e às necessidades das meninas”, disse ela.

FONTE: ONU

4 respostas em “ONU alerta para gravidade e aumento das violações contra crianças em conflitos armados

  1. Em situações de conflitos armados, em que todos os civis já são vulneráveis, não se pode deixar de considerar, que as crianças são ainda mais vulnerárias na situação. Tanto como vítimas nos ataques de grupos extremistas, como ao serem recrutadas por eles para fazeres parte dos ataques. As crianças necessitam de uma proteção ainda maior, que deve ser uma das prioridades da ONU quanto aos conflitos armados. Não se pode permitir a morte e o sofrimento de milhares de crianças a cada dia em países como Afeganistão, Iraque, Somália, Sudão do Sul, Síria e Iêmen, por exemplo, pois essas crianças também devem ter os seus direitos humanos protegidos. Sabe-se que se essas crianças fossem de países europeus, por exemplo, a mobilização e a comoção dos Estados-Membro da ONU seria completamente diferente, e diversas medidas de proteção a elas já teriam sido tomadas. Nota-se então, a necessidade de medidas de proteção às crianças que ainda não foram atingidas diretamente, e àquelas que já foram atingidas de alguma forma, precisam de auxílio, seja à saúde física e psicológica.

  2. Cenário lamentável não somente nos países descritos, mas que infelizmente é realidade em diversas partes do mundo. Crianças tem a infância substituída por uma espécie de responsabilidade caótica que são a elas agregadas por monstruosidades ideológicas pertencentes a adultos.
    Injustiça cruel o contínuo recrutamento de crianças e violações bárbaras que decorrem deste, é possível não crer em determinado feito . Até porque, o estereótipo repercutido pela mídia de um padrão de pessoas que cometem tais atos passa longe de rostos infantis. Pois bem, expectativas futuras para elas dentro deste ambiente não existe, e a reintegração das que conseguem serem salvas é sim fator norteador para o’’ renascer ‘’, para que exista o futuro, o futuro de quem um dia poderá também lutar contra o que levou parte de sua vida para a guerra.

  3. É de suma importância que haja uma proteção plena das crianças e de seus direitos pelos Estados-membros, pois o número de mortes que foram registradas desde que a ONU começou a documentar é assustadoramente grande, nos mostrando o quanto elas estão sendo usadas como alvos e até mesmo como “armas”. Como podemos ver nos relatos ocorridos nessa notícia, os países do Afeganistão, Iraque, Somália, Sudão do Sul, Síria e Iêmen vêm realizando ataques extremos, mutilações, uso em redes sociais, terrorismo com as crianças, entre outros, descumprindo várias normas de tratados já ratificados e todos os direitos da criança e dos jovens. Lembrando que é significante o número de crianças mortas e atingidas por esses ataques é necessário, além da proteção, que haja também apoio àquelas afetadas e suas famílias, dando suporte, moradia, e tudo aquilo que for necessitado. Portanto, como disse o secretário-geral da ONU em seu relatório os países devem se preocupar bastante com essa situação, tendo como prioridade, realizando mudanças políticas e sociais para tentar diminuir essas situações que vêm ocorrendo com tamanha frequência e brutalidade.

  4. A realidade das crianças “soldado” em conflitos na áfrica e no oriente médio é tão gritante que já foi objeto do filme “Beasts of No Nation” (Netflix, 2015, http://www.imdb.com/title/tt1365050/) indicado ao Globo de Ouro. Tal situação tem ganhado ainda mais proeminência devido ao uso dos mesmos pelo DAESH, como no episódio do dia 25 de Janeiro de 2015, no qual duas crianças executaram soldados russos em frente a câmera.
    Atos como o anteriormente citado são inaceitáveis, devendo a comunidade internacional e todas as organizações internacionais de Direitos Humanos realizarem mobilização para realizar a proteção das crianças em países com conflitos armados e mesmo aqueles com potencial para tanto, visto que caso estas eventualmente sobrevivam aos conflitos, os traumas da guerra fatalmente criarão adultos com sérias enfermidades, o que também é um péssimo prognóstico.
    No mais, quanto a aquelas que não participam efetivamente dos conflitos, mas que vivem em áreas armadas, estas devem ser retiradas, contando também com a cooperação das organizações internacionais.

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